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terça-feira, 31 de março de 2026

Posse do Arcebispo de Lódz (2026)

No dia 28 de março de 2026, sábado da V semana da Quaresma, o Cardeal Konrad Krajewski, após sua nomeação pelo Papa Leão XIV no dia 12 de março, tomou posse como novo Arcebispo Metropolitano de Łódź (Polônia) durante a Missa celebrada na Catedral de Santo Estanislau Kostka.

Como no caso da recente posse do Arcebispo de Cracóvia, o início da celebração foi presidido pelo Núncio Apostólico na Polônia, Dom Antonio Guido Filipazzi, que entregou o báculo ao novo Arcebispo (dois gestos, porém, que não são previstos pelo Cerimonial dos Bispos).

Cardeais Nycz, Krajewski e Ryś
Veneração da cruz
Oração diante do Santíssimo Sacramento

Ritos iniciais

Fotos da Missa do Papa em Mônaco (2026)

Na tarde do dia 28 de março de 2026 o Papa Leão XIV celebrou a Missa do sábado da V semana da Quaresma no Estádio Luís II em Mônaco durante sua Viagem Apostólica ao Principado de Mônaco.

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Procissão de entrada

Incensação do altar
Ritos iniciais
Liturgia da Palavra

Homilia do Papa: Missa em Mônaco (2026)

Viagem Apostólica ao Principado de Mônaco
Santa Missa
Homilia do Papa Leão XIV
Estádio Luís II
Sábado, 28 de março de 2026

Foi celebrada a Missa do sábado da V semana da Quaresma.

Queridos irmãos e irmãs,
O Evangelho que acabamos de ouvir (Jo 11,45-57) relata uma sentença cruel contra Jesus: nos fala, com efeito, do dia em que os membros do Sinédrio «tomaram a decisão de matar Jesus» (v. 53). Por que acontece isso? Porque Ele ressuscitou Lázaro dos mortos; porque devolveu a vida ao seu amigo, chorando junto ao seu túmulo e unindo-se à dor de Marta e Maria. Justamente Ele, que veio ao mundo para nos libertar da condenação da morte, é condenado à morte. Não se trata de uma fatalidade, mas de uma vontade precisa e ponderada.


Na verdade, o veredito de Caifás e do Sinédrio é fruto de um cálculo político, fundamentado no medo: se Jesus continua a fomentar esperança, transformando a dor do povo em alegria, «virão os romanos» e destruirão a nação (v. 48). Em vez de reconhecerem no Nazareno o Messias, ou seja, o Cristo tão esperado, os chefes religiosos veem n’Ele uma ameaça. O olhar deles está a tal ponto enviesado que são exatamente os doutores da Lei a violá-la. Esquecendo a promessa de Deus ao seu povo, querem matar o inocente, porque por trás do seu temor está o apego ao poder. No entanto, se os homens esquecem a Lei que ordena não matar, Deus não esquece a promessa que prepara o mundo para a salvação. A sua providência faz daquela sentença homicida o meio para manifestar um supremo desígnio de amor: por mais perverso que fosse, Caifás «profetizou que Jesus iria morrer pela nação» (v. 51).

sábado, 28 de março de 2026

Solenidade da Anunciação do Senhor em Nazaré (2026)

Nos dias 24 e 25 de março de 2026 o Patriarca Latino de Jerusalém, Cardeal Pierbattista Pizzaballa, presidiu as celebrações da Solenidade da Anunciação do Senhor na Basílica da Anunciação em Nazaré: as I Vésperas na tarde do dia 24 na igreja inferior e a Missa no dia 25 na igreja superior.

Infelizmente foram divulgadas poucas imagens das celebrações, realizadas com um número reduzido de fiéis devido à guerra entre Israel e Irã.

24 de março: I Vésperas

Procissão de entrada
Hino
Homilia
Incensação durante o Magnificat
Incensação da Gruta da Anunciação

terça-feira, 24 de março de 2026

Homilia do Papa Bento XVI: Anunciação do Senhor (2006)

Há 20 anos, no dia 25 de março de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) celebrou a Missa da Solenidade da Anunciação do Senhor com os novos Cardeais criados no Consistório do dia 24 de março [1]. Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:

Solenidade da Anunciação do Senhor
Concelebração Eucarística com os novos Cardeais
Homilia do Papa Bento XVI 
Praça de São Pedro
Sábado, 25 de março de 2006

Senhores Cardeais e Patriarcas,
Venerados irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Queridos irmãos e irmãs,
1. É um grande motivo de alegria presidir esta Concelebração com os novos Cardeais, depois do Consistório de ontem, e considero providencial que ela se realize na Solenidade litúrgica da Anunciação do Senhor e sob o sol que o Senhor nos dá. Na Encarnação do Filho de Deus, com efeito, reconhecemos os inícios da Igreja. Tudo provém dali. Toda realização histórica da Igreja e também todas as suas instituições devem se referir a essa Fonte originária. Devem se referir a Cristo, Verbo de Deus encarnado. É Ele que nós celebramos sempre: o Emanuel, o Deus-conosco, por meio do qual se cumpriu a vontade salvífica de Deus Pai.


E, contudo - precisamente hoje contemplamos este aspecto do Mistério -, a Fonte divina flui através de um canal privilegiado: a Virgem Maria. Com uma imagem eloquente São Bernardo fala, a respeito, de aquaeductus, “aqueduto” (cf. Sermo in Nativitate B.V. Mariae: PL 183, 437-448). Celebrando a Encarnação do Filho, portanto, não podemos deixar de honrar a Mãe. A ela foi dirigido o anúncio angélico; ela o acolheu e, quando do fundo do coração respondeu: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38), nesse momento o Verbo eterno começou a existir como ser humano no tempo.

2. De geração em geração permanece viva a admiração por esse inefável mistério. Santo Agostinho, imaginando dirigir-se ao Anjo da Anunciação, pergunta: “Diz-me, ó Anjo, por que aconteceu isso em Maria?”. A resposta, diz o Mensageiro, está contida nas próprias palavras da saudação: “Ave, ó cheia de graça” (cf. Sermo 291, 6). Com efeito, “entrando onde ela estava”, o Anjo não a chama pelo seu nome terreno, Maria, mas pelo seu “nome divino”, assim como Deus a vê desde sempre e a qualifica: “cheia de graça”, gratia plena, que no original grego é κεχαριτωµενη, “plena de graça”, e a graça nada mais é do que o amor de Deus; assim, em última instância poderíamos traduzir essa palavra como “amada” por Deus (cf. Lc 1,28).

Ângelus: V Domingo da Quaresma - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 22 de março de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Neste V Domingo da Quaresma é proclamado na Liturgia o Evangelho da ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-45).

No caminho quaresmal, este é um sinal que fala da vitória de Cristo sobre a morte e do dom da vida eterna que recebemos com o Batismo (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1265). Hoje, Jesus diz também a nós, tal como a Marta, irmã de Lázaro: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais» (Jo 11,25-26).

Assim, nesta perspectiva, a Liturgia nos convida a reviver, na Semana Santa que se aproxima, os acontecimentos da Paixão do Senhor - a entrada em Jerusalém, a Última Ceia, o julgamento, a crucificação e o sepultamento - para compreender o seu sentido mais autêntico e abrir-nos ao dom da graça que eles encerram.

Na verdade, é em Cristo Ressuscitado, vencedor da morte e vivo em nós pela graça do Batismo, que esses acontecimentos encontram o seu cumprimento, para a nossa salvação e plenitude de vida.

A sua graça ilumina este mundo, que parece estar em constante busca de mudanças e novidades, mesmo que isso implique sacrificar coisas importantes - tempo, energia, valores, afetos -, como se a fama, os bens materiais, as diversões e as relações passageiras pudessem preencher o nosso coração ou nos tornar imortais. É o sintoma de uma necessidade de infinito que cada um de nós traz em si, mas cuja resposta não pode ser confiada ao que é efêmero. Nada de finito pode saciar a nossa sede interior, porque fomos feitos para Deus e não encontramos paz enquanto não descansarmos n’Ele (cf. Confissões, I, 1.1).

A narrativa da ressurreição de Lázaro, portanto, nos convida a estar atentos a essa necessidade profunda e, com a força do Espírito Santo, a libertar os nossos corações de hábitos, condicionamentos e formas de pensar que, como grandes pedras, nos aprisionam no sepulcro do egoísmo, do materialismo, da violência e da superficialidade. Nestes lugares não há vida, mas apenas desorientação, insatisfação e solidão.

Também a nós Jesus ordena: «Vem para fora!» (Jo 11,43), encorajando-nos a sair, regenerados pela sua graça, desses espaços confinados, para caminharmos na luz do amor, como homens e mulheres novos, capazes de esperar e amar segundo o modelo da sua caridade infinita, sem cálculos e sem limites.

Que a Virgem Maria nos ajude a viver assim estes dias santos: com a sua fé, com a sua confiança, com a sua fidelidade, a fim de que também para nós se renove, todos os dias, a experiência luminosa do encontro com o seu Filho Ressuscitado.

Ressurreição de Lázaro
(Giotto - Basílica de São Francisco, Assis)

Fonte: Santa Sé.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Domingo da Santa Cruz em Kiev (2026)

Neste ano de 2026 as Igrejas Orientais (Católicas e Ortodoxas), devido ao uso de distintos calendários, celebram a Páscoa no dia 12 de abril, uma semana após as comunidades de Rito Romano.

Por isso, no dia 15 de março de 2026 as Igrejas de Rito Bizantino celebraram o III Domingo da Grande Quaresma, o “Domingo da Santa Cruz”.

Na Catedral na Catedral da Ressurreição em Kiev (Ucrânia) a Divina Liturgia desse Domingo foi celebrada pelo Arcebispo-Maior da Igreja Greco-Católica Ucraniana, Dom Sviatoslav Shevchuk (Святосла́в Шевчу́к), seguida do tradicional rito da adoração da “Venerável e Vivificante Cruz”:

Relíquia da Cruz
O Arcebispo abençoa os fiéis
Litania da paz

Homilia

quinta-feira, 19 de março de 2026

Missa do IV Domingo da Quaresma em Roma (2026)

Na tarde do dia 15 de março de 2026 o Papa Leão XIV celebrou a Missa do IV Domingo da Quaresma (Ano A), o chamado Domingo Laetare, por ocasião da Visita Pastoral à Paróquia do Sagrado Coração de Jesus a Ponte Mammolo (Sacro Cuore di Gesù a Ponte Mammolo)

Essa foi a última das cinco Visitas Pastorais realizadas pelo Papa a Paróquias da Diocese de Roma, uma de cada Setor Pastoral, correspondendo a Paróquia do bairro de Ponte Mammolo ao Setor Norte.

Leão XIV foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli.

Procissão de entrada
Incensação

Ritos iniciais
Liturgia da Palavra

Homilia do Papa: IV Domingo da Quaresma - Ano A (2026)

Visita Pastoral
Homilia do Papa Leão XIV
Paróquia do Sagrado Coração de Jesus a Ponte Mammolo (Roma)
Domingo, 15 de março de 2026

Foi celebrada a Missa do IV Domingo da Quaresma (Ano A).

Caríssimos irmãos e irmãs,
A nossa Celebração Eucarística de hoje está, mais do que nunca, em sintonia com a alegria. Com efeito, a beleza deste nosso encontro se insere no contexto do Domingo chamado “Laetare”, ou seja, “alegra-te”, segundo as palavras de Isaías: «Alegra-te, Jerusalém» (Antífona de entrada, cf. Is 66,10).

Isso nos leva a refletir. Atualmente, no mundo, muitos dos nossos irmãos e irmãs sofrem devido a conflitos violentos, provocados pela absurda pretensão de resolver os problemas e as divergências com a guerra, quando é necessário dialogar sem trégua pela paz. Há quem pretenda, inclusive, envolver o nome de Deus nessas escolhas de morte, mas Deus não pode ser recrutado pelas trevas. Pelo contrário, Ele vem sempre dar luz, esperança e paz à humanidade, e é a paz que devem procurar aqueles que o invocam.


É a mensagem deste Domingo: para além de qualquer abismo em que o homem possa cair por causa dos seus pecados, Cristo vem trazer uma luz mais forte, capaz de libertá-lo da cegueira do mal, para que comece uma vida nova.

O encontro entre Jesus e o cego de nascença (cf. Jo 9,1-41), com efeito, pode ser comparado à cena de um parto, graças ao qual ele, como uma criança que vem à luz, descobre um mundo novo, vendo-se a si mesmo, os outros e a vida com os olhos de Deus (cf. 1Sm 16,9).

Perguntemo-nos, então: em que consiste este olhar? O que revela? O que significa “ver com os olhos de Deus”?

terça-feira, 17 de março de 2026

Ângelus: IV Domingo da Quaresma - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 15 de março de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
O Evangelho deste IV Domingo da Quaresma narra a cura de um homem cego de nascença (Jo 9,1-41). Por meio da simbologia desse episódio, o evangelista João nos fala do mistério da salvação: enquanto estávamos na escuridão e a humanidade caminhava nas trevas (cf. Is 9,1), Deus enviou o seu Filho como luz do mundo, para abrir os olhos dos cegos e iluminar a nossa vida.

Os profetas haviam anunciado que o Messias abriria os olhos dos cegos (cf. Is 29,18; 35,5; Sl 145,8). O próprio Jesus confirma a sua missão mostrando que «os cegos veem» (Mt 11,5), e apresenta-se dizendo: «Eu sou a luz do mundo» (Jo 8,12). Com efeito, todos podemos dizer que somos “cegos de nascença”, pois não conseguimos, por nós mesmos, ver em profundidade o mistério da vida. Por isso, Deus se encarnou em Jesus, para que o barro da nossa humanidade, misturado com o sopro da sua graça, pudesse receber uma nova luz, capaz de nos fazer ver finalmente a nós mesmos, aos outros e a Deus na verdade.

Chama a atenção que tenha se difundido, ao longo dos séculos, a opinião, ainda hoje presente, de que a fé seria uma espécie de “salto no escuro”, uma renúncia ao pensamento, de modo que ter fé significaria acreditar “cegamente”. Pelo contrário, o Evangelho nos diz que, ao entrar em contato com Cristo, os olhos se abrem, a tal ponto que as autoridades religiosas perguntam com insistência ao cego curado: «Como é que se abriram os teus olhos?» (Jo 9,10); e ainda: «Como Ele te abriu os olhos?» (v. 26).

Irmãos e irmãs, também nós, curados pelo amor de Cristo, somos chamados a viver um Cristianismo “de olhos abertos”. A fé não é um ato cego, uma renúncia à razão, um refúgio em alguma certeza religiosa que nos faz desviar o olhar do mundo. Em vez disso, a fé ajuda-nos a olhar «a partir da perspectiva de Jesus e com os seus olhos: é uma participação no seu modo de ver» (Encíclica Lumen fidei, n. 18) e, por isso, nos pede que “abramos os olhos”, como Ele fazia, sobretudo para os sofrimentos dos outros e para as feridas do mundo.

Hoje, em particular, diante das inúmeras questões que o coração humano se coloca e das dramáticas situações de injustiça, violência e sofrimento que marcam o nosso tempo, é necessária uma fé vigilante, atenta e profética, que abra os nossos olhos para as trevas do mundo e lhe traga a luz do Evangelho através de um comprometimento com a paz, a justiça e a solidariedade.

Peçamos à Virgem Maria que interceda por nós, para que a luz de Cristo abra os olhos do nosso coração e possamos dar testemunho d’Ele com simplicidade e coragem.

Cura do cego de nascença
(Mosteiro de São Dionísio, Grécia)

Fonte: Santa Sé.

quinta-feira, 12 de março de 2026

Missa do III Domingo da Quaresma em Roma (2026)

Na tarde do dia 08 de março de 2026 o Papa Leão XIV celebrou a Missa do III Domingo da Quaresma (Ano A) durante a Visita Pastoral à Paróquia de Santa Maria da Apresentação (Santa Maria della Presentazione).

Essa foi a quarta de cinco Visitas Pastorais realizadas pelo Papa a Paróquias da Diocese de Roma, uma de cada Setor Pastoral. A Paróquia da Apresentação de Maria, no bairro de Torrevecchia, corresponde ao Setor Oeste.

Leão XIV foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli.

Procissão de entrada
Liturgia da Palavra
Evangelho
Bênção com o Livro dos Evangelhos
Homilia

Homilia do Papa: III Domingo da Quaresma - Ano A (2026)

Visita Pastoral
Homilia do Papa Leão XIV
Paróquia de Santa Maria da Apresentação (Roma)
Domingo, 08 de março de 2026

Foi celebrada a Missa do III Domingo da Quaresma (Ano A).

Caríssimos irmãos e irmãs,
Estou feliz por me encontrar convosco neste III Domingo da Quaresma. É uma etapa importante no nosso seguimento de Jesus até a sua Páscoa de Paixão, Morte e Ressurreição.

Nesse itinerário, a proximidade de Deus e a nossa vida de fé estão profundamente interligadas: renovando em cada um a graça do Batismo, o Senhor nos chama à conversão, ao mesmo tempo em que purifica o nosso coração com o seu amor e com as obras de caridade que nos propõe realizar. A esse respeito, o encontro entre Jesus e a samaritana envolve-nos com grande intensidade. Com efeito, além de falar a nós, o Evangelho de hoje fala de nós, ajudando-nos a rever a nossa relação com Deus.


A sede de vida e de amor da samaritana é a nossa sede: a da Igreja e de toda a humanidade, ferida pelo pecado, mas ainda mais intimamente habitada pelo desejo de Deus. Nós o procuramos como a água, até quando não nos damos conta, sempre que nos interrogamos sobre o sentido dos acontecimentos, sempre que sentimos a falta do bem que desejamos para nós e para quantos estão ao nosso lado.

Nessa busca, encontramos Jesus. Ele já está lá, junto ao poço, onde a samaritana o encontra sozinho, sob o sol do meio-dia, cansado da viagem. A mulher vai ao poço àquela hora incomum, talvez para evitar os olhares carregados de preconceitos das outras mulheres. Jesus lê no seu coração o motivo dessa marginalização: os seus casamentos falidos e a sua atual convivência a tornam indigna de acompanhar as filhas, as esposas e as mães da aldeia. No entanto, Jesus senta-se junto ao poço como se estivesse à sua espera. Esse encontro surpreendente constitui uma das maneiras com que, como o Papa Francisco gostava de repetir, Cristo revela o Deus das surpresas: as mais belas, aquelas que mudam a vida, onde quer que sejam encontradas e independentemente do modo como elas se apresentam diante do Senhor!

terça-feira, 10 de março de 2026

Ângelus: III Domingo da Quaresma - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 08 de março de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
O diálogo entre Jesus e a samaritana, a cura do cego de nascença e a ressurreição de Lázaro, desde os primeiros séculos da história da Igreja, iluminam o caminho de quem, na Páscoa, receberá o Batismo e dará início a uma nova vida. Essas grandiosas passagens evangélicas, que lemos a partir deste domingo, são oferecidas aos catecúmenos e, ao mesmo tempo, são ouvidas novamente por toda a comunidade, pois ajudam a nos tornarmos cristãos ou, se já o somos, a sê-lo com mais autenticidade e alegria.

Jesus, na verdade, é a resposta de Deus à nossa sede. Como indica à samaritana, o encontro com Ele faz brotar no íntimo de todos uma «fonte de água que jorra para a vida eterna» (Jo 4,14). Ainda hoje, quantas pessoas, em todo o mundo, procuram esta fonte espiritual! A jovem Etty Hillesum escrevia em seu Diário: «Às vezes consigo alcançá-la, mas frequentemente ela está coberta por pedras e areia: Deus está, então, sepultado. É preciso, por isso, voltar a desenterrá-lo» (Etty Hillesum, Diário, Milão, 2012, 153). Caríssimos, não há energia melhor empregada do que aquela que dedicamos a libertar o coração. Por isso, a Quaresma é um dom: estamos entrando na III semana e podemos, portanto, intensificar o caminho!

No Evangelho também está escrito que «chegaram os discípulos e ficaram admirados de ver Jesus falando com a mulher» (v. 27). Sentem tanta dificuldade em aceitar a própria missão que o Mestre precisa desafiá-los: «Não dizeis vós: “Ainda quatro meses, e aí vem a colheita!”. Pois Eu vos digo: Levantai os olhos e vede os campos: eles estão dourados para a colheita!» (v. 35). O Senhor diz também à sua Igreja: “Levanta os olhos e reconhece as surpresas de Deus!”. Quatro meses antes da colheita quase nada se vê nos campos. Mas onde nós não vemos nada, a Graça já está em ação e os frutos estão prontos para serem colhidos. A messe é grande: talvez os trabalhadores sejam poucos, porque distraídos em outras atividades. Jesus, porém, está atento. Segundo os costumes, Ele deveria simplesmente ignorar aquela mulher samaritana; mas, em vez disso, Jesus fala com ela, a escuta, lhe dá atenção, sem segundas intenções e sem desprezo.

Quantas pessoas procuram na Igreja esta mesma delicadeza, esta disponibilidade! E como é belo quando perdemos a noção do tempo para dar atenção àqueles que encontramos, tal como são. Jesus chegava a se esquecer de comer, de tal modo o alimentava a vontade divina de chegar a todos em profundidade (cf. v. 34). Assim, a samaritana torna-se a primeira de muitas evangelizadoras. Por causa do seu testemunho, a partir da sua aldeia de desprezados e rejeitados, muitos vão ao encontro de Jesus e também neles brota a fé como água pura.

Irmãos e irmãs, peçamos hoje a Maria, Mãe da Igreja, para podermos servir, com Jesus e como Jesus, a humanidade sedenta de verdade e justiça. Não é tempo de confrontos entre um templo e outro, entre o “nós” e os “outros”: os adoradores que Deus procura são homens e mulheres de paz, que o adoram em espírito e verdade (cf. vv. 23-24).

Cristo e a samaritana (Pierre Mignard)

Fonte: Santa Sé.

Confira também a Catequese do Papa sobre o encontro de Jesus com a samaritana no contexto do Jubileu Ordinário de 2025.

sexta-feira, 6 de março de 2026

Domingo da Ortodoxia em Istambul (2026)

Neste ano de 2026 as Igrejas Orientais (Católicas e Ortodoxas), devido ao uso de distintos calendários, celebram a Páscoa no dia 12 de abril, uma semana após as comunidades de Rito Romano.

Por isso, no dia 01 de março de 2026 as Igrejas de Rito Bizantino celebraram o I Domingo da Grande Quaresma, conhecido como o “Domingo da Ortodoxia”.

Nesse Domingo se celebra o “triunfo da ortodoxia” (verdadeira fé) com a proclamação da doutrina da veneração das imagens (iconodulia) pelo II Concílio de Niceia (787), o sétimo e último Concílio Ecumênico reconhecido pelas Igrejas Ortodoxas Bizantinas. Por isso, mesmo sendo Quaresma, costumam ser usados paramentos brancos (festivos).

Na Catedral Patriarcal de São Jorge em Istambul (Turquia) a Divina Liturgia desse Domingo foi celebrada pelo Patriarca Bartolomeu de Constantinopla, seguida da tradicional procissão com os ícones ao redor da igreja:

Litania da paz
Pequena Entrada
O Patriarca abençoa os fiéis

Incensação

quinta-feira, 5 de março de 2026

Missa do II Domingo da Quaresma em Roma (2026)

Na tarde do dia 01 de março de 2026 o Papa Leão XIV celebrou a Missa do II Domingo da Quaresma (Ano A) durante a Visita Pastoral à Paróquia da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo no bairro do Quarticciolo (Ascensione di Nostro Signore Gesù Cristo al Quarticciolo).

Essa foi a terceira de cinco Visitas Pastorais realizadas pelo Papa a Paróquias da Diocese de Roma, uma de cada Setor Pastoral. A Paróquia do Quarticciolo, assistida pela Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos), corresponde ao Setor Leste.

Leão XIV foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli.

Procissão de entrada
Incensação

Ritos iniciais
Liturgia da Palavra

Homilia do Papa: II Domingo da Quaresma - Ano A (2026)

Visita Pastoral
Homilia do Papa Leão XIV
Paróquia da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo (Roma)
Domingo, 01 de março de 2026

Foi celebrada a Missa do II Domingo da Quaresma (Ano A).

Caríssimos irmãos e irmãs,
Estou feliz por me encontrar entre vós e poder ouvir convosco a Palavra de Deus, com toda a vossa comunidade paroquial. Este domingo coloca-nos diante da viagem de Abraão (Gn 12,1-4) e do acontecimento da Transfiguração de Jesus (Mt 17,1-9).

Com Abraão, cada um de nós pode reconhecer-se a caminho. A vida é uma viagem que exige confiança, exige fidelidade à Palavra de Deus que nos chama e que, às vezes, nos pede para deixar tudo. Podemos então ser tentados a evitar a precariedade como vertigem que perturba, enquanto é precisamente a partir do seu interior que podemos apreciar uma promessa de grandeza inesperada. Acontece todos os dias - porque o mundo raciocina assim - que medimos tudo, que nos esforçamos por controlar tudo. Mas, desta forma, perdemos a oportunidade de descobrir o verdadeiro tesouro, a pérola preciosa que Deus, surpreendentemente, escondeu no nosso campo, como nos ensina o Evangelho (cf. Mt 13, 44).


A viagem de Abraão começa com uma perda: a terra e a casa que conservam as memórias do seu passado. Mas ela se realizará em uma nova terra, em uma imensa descendência, onde tudo se transforma em bênção. Também nós, se nos deixarmos chamar pela fé ao caminho, a arriscar novas decisões de vida e de amor, deixaremos de ter medo de perder algo, pois sentiremos que crescemos em uma riqueza que ninguém pode roubar.

Também os discípulos de Jesus tiveram que enfrentar uma viagem, que os levaria a Jerusalém (cf. Lc 9,51). Lá, na Cidade santa, o Mestre cumpriria a sua missão, oferecendo a vida na cruz e tornando-se bênção para todos e para sempre. Sabemos com quanta resistência Pedro e todos os outros o seguiram! Mas deviam compreender que só podemos ser bênção superando o instinto de nos defendermos e acolhendo o que Jesus confia ao gesto eucarístico: a vontade de oferecer o próprio corpo como pão para comer, de viver e morrer para dar vida. Amados irmãos e irmãs, eis o domingo: é a pausa ao longo do caminho que nos reúne em volta de Jesus. Jesus encoraja-nos a não parar e a não mudar de rumo. Não há promessa maior, não há tesouro mais precioso do que viver para dar a vida!

terça-feira, 3 de março de 2026

Ângelus: II Domingo da Quaresma - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 01 de março de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
O Evangelho da Liturgia de hoje (Mt 17,1-9) compõe para todos nós uma imagem cheia de luz, narrando a Transfiguração do Senhor. Para representá-la, o evangelista mergulha o seu pincel na memória dos Apóstolos, pintando Cristo entre Moisés e Elias. O Verbo feito homem está entre a Lei e a Profecia: ele é a Sabedoria viva, que leva a cumprimento toda a Palavra divina. Tudo o que Deus ordenou e inspirou aos homens encontra em Jesus a sua manifestação plena e definitiva.

Como no dia do Batismo no Jordão, também hoje ouvimos a voz do Pai, que proclama no monte: «Este é o meu Filho amado», enquanto o Espírito Santo envolve Jesus em uma «nuvem luminosa» (v. 5). Com esta expressão, verdadeiramente singular, o Evangelho descreve o estilo da revelação de Deus. Quando se manifesta, o Senhor revela a sua excelência aos nossos olhos: diante de Jesus, cujo rosto resplandece «como o sol» e cujas vestes se tornam «brancas como a luz» (v. 2), os discípulos admiram o esplendor humano de Deus. Pedro, Tiago e João contemplam uma glória humilde, que não se exibe como um espetáculo para as multidões, mas como uma solene confidência.

A Transfiguração antecipa a luz da Páscoa, evento de morte e de ressurreição, de trevas e de nova luz que Cristo irradia sobre todos os corpos flagelados pela violência, sobre os corpos crucificados pela dor, sobre os corpos abandonados na miséria. Com efeito, enquanto o mal reduz a nossa carne a uma mercadoria de troca ou a uma massa anônima, precisamente esta mesma carne resplandece da glória de Deus. O Redentor transfigura assim as chagas da história, iluminando a nossa mente e o nosso coração: a sua revelação é uma surpresa de salvação! Deixamo-nos fascinar por ela? O verdadeiro rosto de Deus encontra em nós um olhar de admiração e amor?

Ao desespero do ateísmo, o Pai responde com o dom do Filho Salvador; o Espírito Santo resgata-nos da solidão agnóstica, oferecendo uma comunhão eterna de vida e graça; diante da nossa fé fraca, está o anúncio da ressurreição futura: eis o que os discípulos viram no esplendor de Cristo, mas para compreendê-lo é preciso tempo (cf. v. 9). Tempo de silêncio para ouvir a Palavra, tempo de conversão para apreciar a companhia do Senhor.

Enquanto experimentamos tudo isto durante a Quaresma, peçamos a Maria, Mestra de oração e Estrela da manhã, que guarde os nossos passos na fé.

Transfiguração do Senhor (Andrei Mironov)

Fonte: Santa Sé.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

I Domingo da Quaresma em Milão (2026)

No Rito Ambrosiano, próprio da Arquidiocese de Milão (Itália), a Quaresma não tem início na Quarta-feira de Cinzas, como no Rito Romano, mas sim no I Domingo da Quaresma, o sexto antes da Páscoa. Para saber mais, confira nossa postagem sobre a história do Tempo da Quaresma.

No dia 22 de fevereiro de 2026, portanto, o Arcebispo de Milão, Dom Mario Enrico Delpini, celebrou a Missa do I Domingo da Quaresma na Catedral Metropolitana da Natividade da Virgem Maria, o Duomo de Milão.

Após a Missa teve lugar a bênção e a imposição das cinzas. No Rito Ambrosiano, com efeito, o rito das cinzas tem lugar no primeiro dia penitencial da Quaresma, isto é, na segunda-feira da I semana. Não obstante, por razões pastorais esse pode ser antecipado para o domingo, após a Missa. Para saber mais, confira nossa postagem sobre a história da Quarta-feira de Cinzas.

Procissão de entrada
Genuflexão
Incensação da cruz e do altar
Liturgia da Palavra
Homilia