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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Encontros Nacionais de Pastoral Litúrgica: Índice

Com a publicação dos conteúdos do 50º Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica (ENPL) aproveitamos a ocasião para elencar nesta postagem todos os conteúdos sobre os Encontros publicados aqui em nosso blog.

Os Encontros Nacionais de Pastoral Litúrgica, com efeito, são promovidos anualmente pelo Secretariado Nacional de Liturgia (Portugal) desde 1975 [1]. Geralmente são celebrados no final do mês de julho no Santuário de Fátima.

Basílica da Santíssima Trindade em Fátima (Portugal)

Confira a seguir os links para nossas postagens sobre os Encontros de 1997 a 2026, incluindo sobretudo os áudios das conferências, conforme divulgados pelo Secretariado Nacional de Liturgia:

50º ENPL (2026): A Liturgia, vida da Igreja





45º ENPL (2019): Liturgia e missão

44º ENPL (2018): Liturgia e espiritualidade

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Liturgia, vida da Igreja: 50º ENPL (2026)

De 27 a 30 de julho de 2026 teve lugar junto ao Santuário de Fátima (Portugal) o 50º Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica (ENPL), promovido pelo Secretariado Nacional de Liturgia.

O tema do encontro foi “A Liturgia, vida da Igreja”, expressão que remete à Nota Pastoral “Liturgia viva da Igreja”, promulgada pela Conferência Episcopal Portuguesa em maio de 2025:

A Liturgia é vida e para a vida de todo o Povo de Deus. (...) A Igreja vive da Liturgia... Nela deixamos de falar sobre Deus para falar com Deus e agir em Deus” (nn. 1.23).

50º ENPL (2026): Sessão de abertura

Sendo o 50º Encontro, este ano foi dedicado a recordar a sua história, além de celebrar o centenário do Congresso Litúrgico de Vila Real (1926), primeiro Congresso Litúrgico realizado em Portugal e que marcou os inícios do Movimento Litúrgico nesse país.

Confira os áudios das cinco conferências, divulgados no site do Secretariado Nacional, clicando nos títulos a seguir:

Padre Renato Filipe Oliveira (Diocese de Viana do Castelo)

Cônego João da Silva Peixoto (Diocese do Porto)

Doutora Isabel Maria Alçada Cardoso (Patriarcado de Lisboa)

Cônego Mário José Rodrigues de Sousa (Diocese do Algarve)

Padre Sérgio Filipe Pinho Leal (Diocese do Porto)

Além das cinco conferências também ocorreram formações por grupos, celebrações e outros momentos de oração no Santuário de Fátima.


Para acessar os conteúdos dos encontros anteriores publicados em nosso blog (1997-2025) basta clicar no marcador “Secretariado de Liturgia”.


segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Discurso do Papa a responsáveis pela Pastoral Litúrgica (2025)

No dia 17 de novembro de 2025 o Papa Leão XIV recebeu os participantes de um Curso para responsáveis diocesanos de pastoral litúrgica promovido pelo Pontifício Instituto Litúrgico. Confira a seguir seu discurso na ocasião:

Papa Leão XIV
Discurso aos participantes no Curso para responsáveis diocesanos de pastoral litúrgica promovido pelo Pontifício Instituto Litúrgico
Sala do Consistório
Segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
A paz esteja convosco!
Bom dia e sejam todos bem-vindos!
Saúdo o Abade Primaz, o Reitor do Ateneu Santo Anselmo, o Presidente do Pontifício Instituto Litúrgico [1], os professores e todos os participantes no Curso de atualização para responsáveis diocesanos de pastoral litúrgica. Estou contente de vos acolher no início do vosso itinerário de aprofundamento.

A proposta de formação na qual participais corresponde à dupla missão do Pontifício Instituto Litúrgico. Como augurava o Papa Bento XVI, ele prossegue com entusiasmo o seu serviço à Igreja, em plena fidelidade à tradição litúrgica e à reforma querida pelo Concílio Vaticano II, segundo as linhas mestras da Sacrosanctum Concilium e dos pronunciamentos do Magistério (cf. Discurso aos participantes no Congresso promovido pelo Pontifício Ateneu de Santo Anselmo, 06 de maio de 2011). Por outro lado, iniciativas como esta implementam as tarefas formativas enunciadas na Constituição Apostólica Veritatis Gaudium, como a de formar ministros e fiéis para prepará-los para o seu serviço na pastoral e na Liturgia.


Parece-me que se dirige também ao vosso Instituto o caloroso convite do Papa Francisco, que na Carta Apostólica Desiderio Desideravi recomendava: «É preciso encontrar os canais para uma formação como estudo da Liturgia: a partir do Movimento Litúrgico muito tem sido feito nesse sentido, com contributos preciosos de muitos estudiosos e instituições acadêmicas. Entretanto, é preciso divulgar estes conhecimentos para fora do âmbito acadêmico, de modo acessível, para que todos os fiéis cresçam em um conhecimento do sentido teológico da Liturgia... bem como do desenvolvimento do celebrar cristão» (n. 35).

Com efeito, nas Dioceses e nas paróquias há necessidade dessa formação e é importante, onde não existam, iniciar percursos bíblicos e litúrgicos. O Pontifício Instituto Litúrgico poderia qualificá-los, para ajudar as Igrejas particulares e as comunidades paroquiais a se deixarem formar pela Palavra de Deus, explicando os textos do Lecionário ferial e festivo, e também para prosseguir uma iniciação cristã e litúrgica que ajude os fiéis a compreender, por meio dos ritos, das orações e dos sinais sensíveis, o mistério da fé que se celebra (cf. Constituição Sacrosanctum Concilium, n. 48).

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Liturgia, encontro com Cristo: 49º ENPL (2025)

De 28 a 31 de julho de 2025 teve lugar junto ao Santuário de Fátima (Portugal) o 49º Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica (ENPL), promovido pelo Secretariado Nacional de Liturgia.

O tema do encontro foi “A Liturgia, encontro com Jesus Cristo”, em sintonia com o Jubileu Ordinário: “[Que o Ano Santo] possa ser, para todos, um momento de encontro vivo e pessoal com o Senhor Jesus, ‘porta’ de salvação” (Bula Spes non confundit, n. 1; cf. nn. 5.19.22).


Confira os áudios das quatro conferências, divulgados no site do Secretariado Nacional, clicando nos títulos a seguir:

Cardeal Manuel Clemente, Patriarca Emérito de Lisboa


Cônego Manuel Joaquim F. da Costa, Arquidiocese de Braga


Padre Renato Filipe Oliveira, Diocese de Viana do Castelo


Cônego João da Silva Peixoto, Diocese do Porto


Além das quatro conferências também ocorreram formações por grupos (sacerdotes, acólitos, leitores, músicos...), além das celebrações e outros momentos de oração no Santuário de Fátima: Missas, Liturgia das Horas (Laudes e Vésperas), celebração penitencial e oração do rosário.

Para acessar os conteúdos dos encontros anteriores (1997-2024) basta conferir o arquivo do blog, através do marcador “Secretariado de Liturgia”.

quarta-feira, 16 de julho de 2025

Missa pelo cuidado da criação

No dia 03 de julho de 2025 foi divulgado um Decreto do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos inserindo a Missa pelo cuidado da criação (Missa pro custodia creationis) entre as Missas para diversas circunstâncias (Missae pro variis necessitatibus).

Ícone da criação do céu e da terra

A 3ª edição típica do Missal Romano, com efeito, promulgada em 2002 e revista em 2008, possui 49 formulários de Missas para diversas circunstâncias, com orações e leituras através dos quais rezamos pelas necessidades da Igreja e do mundo.

A Missa pelo cuidado da criação, que passa a ser o 50º formulário, é fruto sobretudo da reflexão ecológica realizada no pontificado do Papa Francisco (†2025), sintetizada na Encíclica Laudato si’ sobre o cuidado da casa comum (2015).

Na Conferência de apresentação do novo formulário, o Secretário do Dicastério para o Culto Divino, Dom Vittorio Francesco Viola, recordou a ampla presença do mistério da criação na Liturgia:
- na Vigília Pascal, particularmente na 1ª leitura e na respectiva oração;
- no domingo, o primeiro dia da semana, no qual celebramos tanto a criação como a “nova criação” em Cristo (cf. Carta Apostólica Dies Domini);
- em cada Missa, sobretudo na apresentação das oferendas, “frutos da terra e do trabalho humano”;
- nas Quatro Têmporas, celebrações no início das quatro estações do ano;
- nos sacramentos, particularmente no uso de elementos da criação (água, óleo...);
- na Liturgia das Horas, oração oficial da Igreja para santificar as horas do dia.

Na sequência Dom Vittorio Viola passou a apresentar o formulário da Missa pelo cuidado da criação, que conta com orações e antífonas próprias e opções de leituras à escolha.

quarta-feira, 26 de março de 2025

Catequese do Papa João Paulo II sobre as Indulgências

Após as duas Catequeses sobre o sacramento da Reconciliação proferidas em setembro de 1999 em preparação para o Grande Jubileu do Ano 2000, trazemos uma Catequese do Papa São João Paulo II sobre as indulgências, tema diretamente ligado a esse sacramento e particularmente atual neste Jubileu 2025:

João Paulo II
Audiência Geral
Quarta-feira, 29 de setembro de 1999
O dom da indulgência

1. Em íntima conexão com o sacramento da Penitência apresenta-se à nossa reflexão um tema que tem particular relação com a celebração do Jubileu: refiro-me ao dom da indulgência, que no ano jubilar é oferecido com particular abundância, como é previsto na Bula Incarnationis mysterium e nas disposições anexas da Penitenciaria Apostólica.

Trata-se de um tema delicado, sobre o qual não faltaram incompreensões históricas, que incidiram negativamente na própria comunhão entre os cristãos. No atual contexto ecumênico a Igreja sente a exigência de que esta antiga prática, entendida como expressão significativa da misericórdia de Deus, seja bem compreendida e acolhida. De fato, a experiência atesta como às vezes nos aproximamos das indulgências com atitudes superficiais, que acabam por prejudicar o dom de Deus, lançando sombra sobre as próprias verdades e valores propostos pelo ensinamento da Igreja.


2. O ponto de partida para compreender a indulgência é a abundância da misericórdia de Deus, manifestada na cruz de Cristo. Jesus crucificado é a grande “indulgência” que o Pai ofereceu à humanidade, através do perdão das culpas e da possibilidade da vida filial (cf. Jo 1,12-13) no Espírito Santo (cf. Gl 4,6; Rm 5,5; 8,15-16).

Este dom, no entanto, na lógica da aliança que é o coração de toda a economia da salvação, não nos atinge sem a nossa aceitação e a nossa correspondência.

quarta-feira, 19 de março de 2025

II Catequese do Papa João Paulo II sobre a Reconciliação

Nesta postagem trazemos a segunda Catequese do Papa São João Paulo II sobre o sacramento da Reconciliação proferida em setembro de 1999, no contexto da preparação para o Grande Jubileu do Ano 2000. Para ler a primeira Catequese clique aqui.

João Paulo II
Audiência Geral
Quarta-feira, 22 de setembro de 1999
Reconciliação com Deus e os irmãos

Caríssimos irmãos e irmãs,
1. Continuando a reflexão sobre o sacramento da Penitência, queremos hoje aprofundar uma dimensão que o caracteriza intrinsecamente: a reconciliação. Este aspecto do sacramento se coloca como antídoto e medicina em relação ao caráter dilacerante que é próprio do pecado. Com efeito, ao pecar o homem não só se afasta de Deus, mas lança sementes de divisão dentro de si mesmo e nas relações com os irmãos. Por isso o movimento de retorno a Deus implica uma reintegração da unidade prejudicada pelo pecado.

2. A reconciliação é um dom do Pai: só Ele pode realizá-la. Por isso ela representa, antes de tudo, um apelo que provém do alto: “Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus” (2Cor 5,20). Como Jesus nos explica na parábola do pai misericordioso (cf. Lc 15,11-32), perdoar e reconciliar consigo é para Ele uma festa. Neste e em outros trechos evangélicos, o Pai não só oferece perdão e reconciliação, mas, ao mesmo tempo, mostra como estes dons são fonte de alegria para todos.

Celebração do Perdão
(Grande Jubileu do Ano 2000)

No Novo Testamento é significativa a relação entre a paternidade divina e a alegria festiva do banquete. O Reino de Deus é comparado a um banquete jubiloso onde quem convida é precisamente o Pai (cf. Mt 8,11; 22,4; 26,29). O cumprimento de toda a história da salvação é expresso também com a imagem do banquete preparado por Deus Pai para as núpcias do Cordeiro (cf. Ap 19,6-9).

quarta-feira, 12 de março de 2025

I Catequese do Papa João Paulo II sobre a Reconciliação

Nesta Quaresma do Ano Jubilar de 2025 recordamos as duas Catequeses do Papa São João Paulo II sobre o sacramento da Reconciliação proferidas em setembro de 1999, durante a preparação para o Grande Jubileu do Ano 2000. Confira a seguir a primeira das meditações:

João Paulo II
Audiência Geral
Quarta-feira, 15 de setembro de 1999
O sacramento da Penitência

1. O caminho em direção ao Pai, proposto à especial reflexão deste ano de preparação para o Grande Jubileu, implica também a redescoberta do sacramento da Penitência, no seu significado profundo de encontro com Aquele que perdoa, mediante Cristo, no Espírito (cf. Tertio Millennio Adveniente, n. 50).

Diversos são os motivos por que urge na Igreja uma séria reflexão sobre este sacramento. Antes de tudo, ela é requerida pelo anúncio do amor do Pai, como fundamento do viver e do agir cristão, no contexto da atual sociedade onde muitas vezes resulta ofuscada a visão ética da existência humana. Se muitos perderam a dimensão do bem e do mal, é porque extraviaram o sentido de Deus, interpretando a culpa só segundo perspectivas psicológicas ou sociológicas. Em segundo lugar, a pastoral deve dar novo impulso a um itinerário de crescimento na fé, que ressalte o valor do espírito e da prática penitencial em todo o arco da vida cristã.

Celebração do Perdão
(Grande Jubileu do Ano 2000)

2. A mensagem bíblica apresenta essa dimensão “penitencial” como empenho permanente de conversão. Fazer obras de penitência supõe uma transformação da consciência, que é fruto da graça de Deus. Sobretudo no Novo Testamento, a conversão é pedida como opção fundamental àqueles aos quais é dirigida a pregação do Reino de Deus: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15; cf. Mt 4,17). Com estas palavras Jesus inicia o seu ministério, anuncia o cumprimento dos tempos e a iminência do Reino. O “convertei-vos” (em grego: metanoéite) é um apelo a mudar o modo de pensar e de se comportar.

quinta-feira, 6 de março de 2025

Mensagem do Papa a um curso do Pontifício Instituto Litúrgico (2025)

No dia 28 de fevereiro de 2025 foi divulgada a mensagem do Papa Francisco aos participantes da segunda edição do Curso “Viver plenamente a ação litúrgica”, promovido pelo Pontifício Instituto Litúrgico (Pontifício Ateneu Santo Anselmo).

O curso, cuja primeira edição foi realizada em 2023, é voltado aos responsáveis pelas celebrações litúrgicas episcopais, particularmente aos “mestres das celebrações litúrgicas”.

Papa Francisco
Mensagem por ocasião do curso para os responsáveis pelas celebrações litúrgicas episcopais do Pontifício Ateneu Santo Anselmo
24-28 de fevereiro de 2025

Caros irmãos e irmãs, bom dia!
Saúdo o Abade Primaz e o Diretor do Pontifício Instituto Litúrgico [1], com os professores e os alunos que participaram desta segunda edição do curso para os responsáveis pelas celebrações litúrgicas episcopais. Alegra-me constatar que aceitastes novamente o convite formulado na Carta Apostólica Desiderio desideravi, continuando a estudar a Liturgia, não só na perspectiva teológica, mas também no âmbito da práxis celebrativa.

Esta dimensão toca a vida do Povo de Deus e revela-lhe sua verdadeira natureza espiritual (cf. Constituição Dogmática Lumen gentium, n. 9). Por isso o responsável pelas celebrações litúrgicas não é apenas um professor de teologia; não é um rubricista, que aplica as normas; não é um sacristão, que prepara o que é necessário para a celebração. Ele é um mestre colocado a serviço da oração da comunidade. Enquanto ensina humildemente a arte litúrgica, deve guiar todos os que celebram, marcando o ritmo ritual e acompanhando os fiéis no acontecimento sacramental.

Abside da igreja de Santo Anselmo no Aventino
(Sede do Pontifício Instituto Litúrgico)

Como mistagogo, prepara cada celebração com sabedoria para o bem da assembleia; traduz em práxis celebrativa os princípios teológicos expressos nos livros litúrgicos; acompanha e apoia o Bispo na sua função de promotor e guardião da vida litúrgica (Cerimonial dos Bispos, n. 9). Assim assistido, o pastor pode conduzir suavemente toda a comunidade diocesana na oferta de si ao Pai, à imitação de Cristo Senhor.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Retrospectiva 2024

Breve retrospectiva do blog “Pílulas Litúrgicas” no ano civil de 2024, destacando algumas das principais postagens.

Ao longo do ano foram realizadas 384 postagens, sendo janeiro o mês com mais publicações (49). O mês com mais visualizações, porém, foi dezembro, com mais de 64 mil visitas.


Janeiro

De janeiro vale destacar nossas postagens sobre a sequência Festa Christi omnis (Epifania do Senhor) e sobre os hinos da Festa da Conversão de São Paulo (Ofício e Vésperas).

Nesse mês ocorreu a eleição do novo Arcebispo-Maior da Igreja Sírio-Malabar, Dom Raphael Thattil, e a Ordenação Episcopal do Metropolita da Igreja Greco-Católica Eslovaca, Dom Jonáš Jozef Maxim.

Fevereiro

Fevereiro foi o mês no qual realizamos mais postagens de formação litúrgica: sobre a sequência Concentu parili hic te (Apresentação do Senhor), sobre os sete salmos penitenciais, sobre a Ladainha para a Quaresma e sobre os hinos da Festa da Cátedra de São Pedro (Laudes e Vésperas).

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Sequência do Natal: Eia recolamus

“Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador” (Lc 2,11).

Há um ano, em dezembro de 2023, publicamos aqui em nosso blog um artigo sobre a sequência Grates nunc omnes para a Missa da Noite da Solenidade do Natal do Senhor.

Durante a Idade Média, com efeito, as principais celebrações do Ano Litúrgico contavam geralmente com uma ou mais sequências, composições poéticas entoadas antes do Evangelho da Missa, até que a reforma do Concílio de Trento (século XVI) infelizmente as reduziu a apenas quatro [1].

Era o caso da Solenidade do Natal do Senhor, que contava com ao menos três sequências, em alusão às três Missas (da Noite, da Aurora e do Dia): Grates nunc omnes, Eia recolamus e Natus ante saecula.

Adoração dos pastores
(Gerard van Honthorst) 

Essas composições foram elencadas pelo célebre Notker Balbulus (†912), monge da Abadia beneditina de São Galo (Sankt Gallen), na Suíça, em seu Liber Sequentiarum, no qual compila 38 sequências.

Após apresentamos a sequência Grates nunc omnes em 2023, nesta postagem damos continuidade à proposta com Eia recolamus laudibus piis digna, geralmente indicada para a Missa da Aurora (In aurora, In primo mane).

Contudo, uma vez que essa sequência era bastante popular em toda a Europa, às vezes aparecia indicada para a “Missa principal” do Natal (In summa Missa Nativitatis Domini, In magna Missa), isto é, a Missa com maior concurso de povo, ou então para a Missa da Noite (In galli cantu).

No Missal de Sarum, utilizado na Inglaterra durante a Idade Média, por sua vez, essa sequência era indicada para o dia 01 de janeiro, Oitava do Natal e Festa da Circuncisão do Senhor (In Octava Nativitatis Domini, In die Circumcisionis Domini).

Não está claro se Notker foi o autor do texto ou apenas o compilou. Alguns estudiosos sugerem que se trata de uma composição anônima realizada na Alemanha entre os séculos X e XI.

Não obstante, assim como outras sequências atribuídas a Notker, sua divisão em estrofes não é clara. Propomos aqui uma divisão em nove estrofes de dois versos de métrica desigual, exceto a primeira e a última estrofes, com três versos.

A composição, ademais, se caracteriza por uma espécie de “assonância”: várias palavras terminam em “a” ou em variantes (“am”, “at”), o que dá grande musicalidade ao texto.

Segue, pois, o texto da sequência no original (em latim) e em uma tradução nossa bastante livre (mais uma adaptação do que uma tradução), seguidos de um breve comentário sobre a sua teologia.


Sequentia in Nativitate Domini: Eia recolamus

1. Eia recolamus laudibus piis digna,
Hujus diei gaudia, in qua nobis lux oritur gratissima.
Noctis inter nebulosa pereunt nostri criminis umbracula.

2. Hodie saeculo maris stella est enixa novae salutis gaudia,
Quem tremunt barathra, mors cruenta pavet ipsa, a quo peribit mortua.

3. Gemit capta pestis antiqua, coluber lividus perdit spolia.
Homo lapsus, ovis abducta, revocatur ad aeterna gaudia.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Abertura do Grande Jubileu do Ano 2000 nas Dioceses

“Jesus Cristo ontem e hoje e por toda a eternidade” (Hb 13,8).

Dentro de alguns dias terá início o Jubileu Ordinário de 2025 com a Abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro na Missa da Noite de Natal. No domingo seguinte, por sua vez, terá início o Jubileu nas Dioceses (cf. Bula Spes non confundit).

Já recordamos aqui em nosso blog o Rito de Abertura da Porta Santa Basílica de São Pedro presidido pelo Papa São João Paulo II no dia 24 de dezembro de 1999. Nesta postagem, por sua vez, recordaremos o Rito de Abertura do Grande Jubileu do Ano 2000 nas Igrejas Particulares (Dioceses e outras circunscrições eclesiásticas).


Como estabelecido na Bula Incarnationis mysterium essa celebração teve lugar no dia 25 de dezembro de 1999, com a Missa do Dia de Natal presidida pelo Bispo Diocesano na Catedral:

“Estabeleço que a inauguração do Jubileu nas Igrejas Particulares seja celebrada no dia santíssimo do Natal do Senhor Jesus, com uma solene Liturgia Eucarística presidida pelo Bispo Diocesano na Catedral e também na concatedral... Uma vez que o rito de abertura da Porta Santa é próprio da Basílica Vaticana e das Basílicas Patriarcais, será conveniente que, na inauguração do período jubilar em cada uma das Dioceses, tenha preferência a statio em outra igreja de onde partirá a peregrinação para a Catedral, a valorização litúrgica do Livro dos Evangelhos, a leitura de alguns parágrafos desta Bula...” (Incarnationis mysterium, n. 6).

Apresentamos a seguir as linhas gerais do rito, publicado no subsídio “Bendito seja Deus para sempre: Celebrações e orações para o Ano Santo”, publicado pela Comissão Central do Grande Jubileu do Ano 2000 e traduzido para o Brasil pela Editora Paulinas.

Vale lembrar que esses textos foram aprovados especificamente para o Grande Jubileu do Ano 2000. Sua publicação aqui serve à memória histórica e ao estudo da Liturgia. Para o rito a ser utilizado neste ano de 2024, confira o subsídio publicado pela CNBB, “Jubileu 2025: Textos litúrgicos”.

Rito de Abertura do Grande Jubileu do Ano 2000 nas Igrejas Particulares
25 de dezembro de 1999

A celebração teve início em uma igreja ou outro lugar adequado fora da Catedral, de onde partiu a procissão. Se a Missa foi celebrada no fim da tarde, os fiéis podiam levar velas acesas.

Quando o Bispo, acompanhado dos ministros, chegou ao local onde os fiéis estão reunidos, podia ser entoado um refrão ou um canto adequado. O Bispo, ao invés da casula, podia revestir o pluvial.

O celebrante principal (CP), isto é, o Bispo, iniciou a celebração com o sinal da cruz, a aclamação à Trindade e a saudação:

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Leitura litúrgica da Carta aos Efésios (5)

“Entoai juntos salmos, hinos e cânticos inspirados; cantai e celebrai o Senhor de todo o vosso coração” (Ef 5,19).

Nas postagens anteriores da nossa série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura começamos a analisar a presença da Carta de São Paulo aos Efésios (Ef) nas celebrações do Rito Romano.

Após uma breve introdução, analisamos sua leitura sob o critério da composição harmônica (sintonia com o tempo ou a festa litúrgica). Para acessar, clique aqui: 1ª parte / 2ª parte / 3ª parte / 4ª parte.

Agora nos cabe contemplar outro critério de seleção dos textos bíblicos: a leitura semicontínua.

Pregação de Paulo em Éfeso (At 19)
(Eustache Le Sueur)

3. Leitura litúrgica da Carta aos Efésios: Leitura semicontínua

Conforme o n. 66 do Elenco das Leituras da Missa (ELM), a leitura semicontínua consiste na proclamação dos principais textos de um livro na sequência, oferecendo aos fiéis um contato mais amplo com a Palavra de Deus [1].

a) Celebração Eucarística

Na Celebração Eucarística, as Cartas Paulinas são lidas sob esse critério tanto nos domingos quanto nos dias de semana do Tempo Comum (cf. ELM, nn. 107.110) [2].

Primeiramente a Carta aos Efésios é lida de maneira semicontínua como 2ª leitura da Missa em sete domingos, do XV ao XXI Domingo do Tempo Comum do Ano B, entre a Segunda Carta aos Coríntios e a Carta de Tiago:
XV Domingo: Ef 1,3-14 (forma breve: Ef 1,3-10);
XVI Domingo: Ef 2,13-18;
XVII Domingo: Ef 4,1-6;
XVIII Domingo: Ef 4,17.20-24;
XIX Domingo: Ef 4,30–5,2;
XX Domingo: Ef 5,15-20;
XXI Domingo: Ef 5,21-32 [3].

Nos dias de semana do Tempo Comum, por sua vez, a Carta é lida por duas semanas: da quinta-feira da XXVIII semana à quinta-feira da XXX semana do Tempo Comum no ano par, entre outros dois escritos paulinos: a Carta aos Gálatas e a Carta aos Filipenses.

Nessas duas semanas a Carta aos Efésios é lida praticamente na íntegra, sendo omitidas apenas algumas partes da seção parenética que já foram lidas nos domingos ou em outras celebrações. A leitura está organizada da seguinte forma:

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Leitura litúrgica da Carta aos Efésios (4)

“Revesti o homem novo, criado à imagem de Deus” (Ef 4,24).

Nas postagens anteriores desta série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura iniciamos um estudo sobre a presença da Carta de São Paulo aos Efésios (Ef) nas celebrações do Rito Romano.

Após uma breve introdução, analisamos sua leitura sob o critério da composição harmônica (sintonia com o tempo ou a festa litúrgica), como indicado no Elenco das Leituras da Missa (n. 66) [1], na Celebração Eucarística, nos demais Sacramentos e nos Sacramentais.  Para acessar, clique aqui: 1ª parte / 2ª parte / 3ª parte.

Nesta postagem concluiremos esse percurso com a Liturgia das Horas (LH).

Ruínas da cidade de Éfeso

2. Leitura litúrgica da Carta aos Efésios: Composição harmônica

d) Liturgia das Horas

Em relação à leitura de Efésios em composição harmônica na Liturgia das Horas, é preciso distinguir entre leituras longas, proferidas no Ofício das Leituras, e leituras breves, proferidas nas outras horas (Laudes, Hora Média e Vésperas).

Iniciamos com as leituras longas do nosso escrito, que são seis:

- Ofício das Leituras da Festa da Sagrada Família (Domingo após o Natal): Ef 5,21–6,4 [2]. Enquanto na Missa da Festa se lê o “código doméstico” de Colossenses, como vimos em postagens anteriores, na LH se lê o “código doméstico” de Efésios.

- Ofício das Leituras da Solenidade da Ascensão do Senhor: Ef 4,1-24 [3], recordando o “duplo movimento” de Cristo: “Ele subiu! Que significa isso, senão que Ele desceu também às profundezas da terra! Aquele que desceu é o mesmo que subiu mais alto do que todos os céus, a fim de encher o universo” (vv. 9-10).

- Ofício das Leituras da Solenidade da Assunção da Virgem Maria (15 de agosto): Ef 1,16–2,10 [4], sobre a obra salvífica do Senhor: “Deus nos ressuscitou com Cristo e nos fez sentar nos céus em virtude de nossa união com Jesus Cristo” (v. 6).

- Ofício das Leituras das Festas dos Evangelistas São Marcos (25 de abril) e São Mateus, Apóstolo (21 de setembro): Ef 4,1-16 [5], perícope que atesta a diversidade de ministérios, incluindo os “apóstolos” e “evangelistas”.

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Leitura litúrgica da Carta aos Efésios (3)

“Há um só Senhor, uma só fé, um só Batismo” (Ef 4,5).

Nas postagens anteriores desta série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura iniciamos um estudo sobre a presença da Carta de São Paulo aos Efésios (Ef) nas celebrações do Rito Romano.

Após uma breve introdução, analisamos sua leitura sob o critério da composição harmônica (sintonia com o tempo ou a festa litúrgica), como indicado pelo Elenco das Leituras da Missa (n. 66) [1], na Celebração Eucarística. Para acessar, clique aqui: 1ª parte / 2ª parte.

Agora prosseguiremos com os demais Sacramentos e os Sacramentais.


2. Leitura litúrgica da Carta aos Efésios: Composição harmônica

b) Sacramentos

Além da Eucaristia, a Carta aos Efésios consta entre as opções de leitura ad libitum (à escolha) de todos os outros seis Sacramentos.

Primeiramente, em relação à Iniciação Cristã de Adultos, vale destacar o Rito da eleição ou inscrição do nome, que tradicionalmente se celebra no I Domingo da Quaresma e com o qual tem início o “Tempo da Purificação e Iluminação”. Quando esse rito se celebra na Missa, entoa-se a antífona da Comunhão da sexta-feira da IV semana da Quaresma, como vimos anteriormente: “Temos a redenção em Cristo pelo seu sangue e a remissão dos pecados segundo as riquezas de sua graça” (Ef 1,7) [2].

No IV Domingo da Quaresma, por sua vez, celebra-se o II Escrutínio, com uma leitura de Efésios, que é proclamada mesmo quando os Escrutínios são celebrados em outro tempo: Ef 5,8-14 [3], sobre o tema da “iluminação”.

Para a celebração do sacramento do Batismo há três leituras ad libitum (à escolha) da nossa Carta:
- Ef 1,3-10.13-14: o “hino”, que como o Batismo possui uma dinâmica trinitária, destacando-se aqui também o tema da adoção filial (vv. 5-6);
- Ef 4,1-6: a afirmação de que há “um só Senhor, uma só fé, um só Batismo”;
- Ef 5,8-14: esta leitura, sobre o tema da “iluminação” é prevista apenas para o Batismo de crianças, uma vez que os adultos já a ouviram no II Escrutínio [4].

quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Leitura litúrgica da Carta aos Efésios (2)

“Cristo é a nossa paz: do que era dividido, Ele fez uma unidade” (Ef 2,24).

Na postagem anterior desta série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura iniciamos um estudo sobre a presença da Carta de São Paulo aos Efésios (Ef) nas celebrações do Rito Romano.

Após uma breve introdução, analisamos sua leitura sob o critério da composição harmônica, isto é, da sintonia com o tempo ou a festa litúrgica (cf. Elenco das Leituras da Missa, n. 66) [1], ao longo do Ano Litúrgico e nas Missas dos Santos. Para acessar a 1ª parte, clique aqui.

Agora prosseguiremos com as Missas para diversas necessidades e votivas.

Representação do Concílio de Éfeso (431):
Epifania da Igreja

2. Leitura litúrgica da Carta aos Efésios: Composição harmônica

a) Celebração Eucarística

Começamos esta segunda parte do nosso estudo com as Missas para diversas necessidades, formulários com várias opções de leituras ad libitum (à escolha), com textos de Efésios em dez formulários:

Na Missa pela Igreja, dada a importância da eclesiologia na Carta, são propostas duas leituras:
Ef 1,3-14: o “hino” em ação de graças, todo no plural (Deus “nos abençoou... nos escolheu...”), uma vez que a Igreja é a destinatária das bênçãos;
Ef 2,19-22: sobre a Igreja como “edifício que tem como fundamento os Apóstolos e os Profetas, e o próprio Jesus Cristo como pedra principal” (v. 20) [2].

Do “hino” da Carta é tomada também a antífona de entrada do 1º formulário de Missa pela Igreja: “Deus revelou-nos o mistério da sua vontade: restaurar todas as coisas que estão nos céus e na terra no Cristo Jesus” (cf. Ef 1,9a.10) [3].

Na Missa para a eleição do Papa ou Bispo é sugerido o texto de Ef 4,11-16 [4], sobre os diversos ministérios, destacando-se os “pastores e mestres” (v. 11), e recordando que Cristo é a Cabeça da Igreja: unido a Ele, o Corpo cresce na verdade e na caridade.

Para a Missa pelos sacerdotes propõe-se a leitura de Ef 4,1-7.11-13 [5], com a recordação dos diversos ministérios unida à exortação a praticar as virtudes: “humildade, mansidão, paciência...” (vv. 1-7). A mesma perícope é proposta na Missa pelos ministros da Igreja [6].

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Leitura litúrgica da Carta aos Efésios (1)

“Vós fostes integrados no edifício que tem como fundamento os Apóstolos e os Profetas, e o próprio Jesus Cristo como pedra principal” (Ef 2,20).

Nas postagens anteriores da nossa série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura começamos a analisar as “Cartas do cativeiro” atribuídas a São Paulo, com importantes reflexões sobre Cristo e a Igreja.

Após a análise das Cartas aos Filipenses e aos Colossenses, concluiremos esse “bloco” com a Carta aos Efésios (Ef), Πρὸς Ἐφεσίους.

São Paulo escrevendo suas Cartas
(Rembrandt)

1. Breve introdução à Carta aos Efésios

Após uma breve passagem por Éfeso (na atual Turquia) no final da sua “segunda viagem missionária” (At 18,19-21), o Apóstolo Paulo visitou novamente a cidade na sua “terceira viagem” (At 19), permanecendo por um longo período, talvez como prisioneiro por um tempo (Ef 3,1; 4,1; 6,20).

A grande maioria dos estudiosos considera a Carta aos Efésiosdêutero-paulina”, isto é, escrita por um discípulo do Apóstolo, devido às diferenças de linguagem e de teologia em relação às Cartas proto-paulinas. Efésios é a maior das Cartas dêutero-paulinas, com seis capítulos.

O autor de Efésios baseia-se amplamente em Colossenses, de modo que se discute se as duas Cartas têm o mesmo autor ou se são autores distintos. De toda forma, Efésios teria sido escrita provavelmente entre os anos 80 e 90 do século I.

Embora use boa parte do material de Colossenses, a Carta possui textos próprios, como a “ação de graças” em estilo hínico (Ef 1,3-14) e parte da seção parenética (Ef 4,1-14). Além disso, o problema do “falso ensinamento” de Cl 2 não aparece aqui.

Não obstante, a estrutura de Efésios é a mesma, com uma seção teológica (doutrinal) e uma seção parenética (exortativa) “emolduradas” por uma introdução e uma conclusão:
a) Ef 1,1-23: Introdução, com a saudação (vv. 1-2) e a ação de graças (vv. 3-23);
b) Ef 2,1–3,20: Seção teológica;
c) Ef 4,1–6,20: Seção parenética;
d) Ef 6,21-24: Conclusão.

Assim como Filipenses e Colossenses, Efésios contém um “hino cristológico”, embora alguns estudiosos não o considerem como tal, preferindo falar de “ação de graças” em estilo hínico.

Em sua forma a composição possui elementos da tradição judaica, embora seu conteúdo seja autenticamente cristão. Podemos dividi-la em três estrofes, conforme as três Pessoas Divinas: nossa eleição por Deus Pai (vv. 3-6), a redenção operada por Cristo (vv. 7-12) e a obra do Espírito Santo (vv. 13-14). Cada uma das três estrofes conclui-se com um refrão: “Para louvor da sua glória” (vv. 6.12.14).

Outra divisão do cântico é conforme as seis bênçãos mencionadas após o v. 3, que serve de introdução: a eleição (v. 4), a adoção filial (vv. 5-6), a redenção (vv. 7-8), a revelação (vv. 9-10), novamente a eleição (vv. 11-12) e, por fim, os dons da Palavra de Deus e do Espírito Santo, aos quais respondemos com a fé (vv. 13-14).

Esse hino serve, com efeito, de “resumo” da Carta. Sua seção teológica está centrada na obra de Cristo já delineada no hino: a salvação, a unificação de judeus e gentios em um só povo (a Igreja) e a revelação do mistério de Deus (Ef 2,1–3,13), concluindo com uma “oração” (Ef 3,14-21).

Na seção parenética esses temas são retomados: o autor exorta à unidade, a colocar os próprios dons a serviço da Igreja (Ef 4,1-16) e a andar como “filhos da luz”, abandonando as “obras das trevas” (Ef 4,17–5,20), retomando a célebre metáfora dos “dois caminhos”. Por fim, conclui com um “código doméstico” (Ef 5,21–6,9), como em Colossenses, e uma exortação à oração (Ef 6,10-20).

Para saber mais, confira a bibliografia indicada no final da postagem.

São Paulo em Éfeso (At 19)
(Eustache Le Sueur)

2. Leitura litúrgica da Carta aos Efésios: Composição harmônica

Como todos os livros estudados nesta série, analisaremos a leitura litúrgica da Carta aos Efésios a partir dos dois critérios de seleção dos textos indicados no n. 66 do Elenco das Leituras da Missa (ELM): a composição harmônica e a leitura semicontínua [1].

Iniciamos com o critério da composição harmônica: a escolha do texto por sua sintonia com o tempo ou a festa litúrgica.

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Encíclica Ecclesia de Eucharistia (2)

“Ecclesia de Eucharistia vivit” - “A Igreja vive da Eucaristia”.

Recordando os 20 anos do início do Ano da Eucaristia (17 de outubro de 2004), convocado por São João Paulo II, repropomos sua Encíclica Ecclesia de Eucharistia, promulgada na Quinta-feira Santa de 2003.

Por sua importância e extensão, dividimos o documento em duas partes. Após a 1ª parte com os nn. 1-33, confira a seguir os Capítulos 4-6 e a Conclusão (nn. 34-62):

Papa João Paulo II
Encíclica Ecclesia de Eucharistia
Sobre a Eucaristia na sua relação com a Igreja

Capítulo IV: A Eucaristia e a comunhão eclesial

34. Em 1985 a Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos reconheceu a «eclesiologia da comunhão» como a ideia central e fundamental dos documentos do Concílio Vaticano II (cf. Relação final, II-C.1). Enquanto durar a sua peregrinação aqui na terra, a Igreja é chamada a conservar e promover tanto a comunhão com a Trindade divina como a comunhão entre os fiéis. Para isso, possui a Palavra e os sacramentos, sobretudo a Eucaristia; desta «vive e cresce» (Constituição Dogmática Lumen gentium, n. 26), e ao mesmo tempo exprime-se nela. Não foi sem razão que o termo Comunhão se tornou um dos nomes específicos deste sacramento excelso.
Daí que a Eucaristia se apresente como o sacramento culminante para levar à perfeição a comunhão com Deus Pai através da identificação com o seu Filho Unigênito por obra do Espírito Santo. Com grande intuição de fé, um insigne escritor de tradição bizantina assim exprimia esta verdade: na Eucaristia, «mais do que em qualquer outro sacramento, o mistério [da comunhão] é tão perfeito que conduz ao apogeu de todos os bens: nela está o termo último de todo o desejo humano, porque nela alcançamos Deus e Deus se une conosco pela união mais perfeita» (Nicolau Cabasilas, A vida em Cristo IV, 10). Por isso mesmo, é conveniente cultivar continuamente na alma o desejo do sacramento da Eucaristia. Daqui nasceu a prática da «Comunhão espiritual» em uso na Igreja há séculos, recomendada por santos mestres de vida espiritual. Escrevia Santa Teresa de Jesus: «Quando não comungais e não participais na Missa, comungai espiritualmente, porque é muito vantajoso... Deste modo, imprime-se em vós muito do amor de nosso Senhor» (Caminho de perfeição, 35).

São João Paulo II celebra a Eucaristia
(Corpus Christi de 2001)

35. Entretanto, a celebração da Eucaristia não pode ser o ponto de partida da comunhão, cuja existência pressupõe, visando a sua consolidação e perfeição. O sacramento exprime esse vínculo de comunhão quer na dimensão invisível que em Cristo, pela ação do Espírito Santo, nos une ao Pai e entre nós, quer na dimensão visível que implica a comunhão com a doutrina dos Apóstolos, os sacramentos e a ordem hierárquica. A relação íntima entre os elementos invisíveis e os elementos visíveis da comunhão eclesial é constitutiva da Igreja enquanto sacramento de salvação (cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Carta Communionis notio sobre alguns aspectos da Igreja entendida como comunhão, n. 4). Somente neste contexto tem lugar a celebração legítima da Eucaristia e a autêntica participação nela. Por isso, uma exigência intrínseca da Eucaristia é que seja celebrada na comunhão e, concretamente, na integridade dos seus vínculos.

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Encíclica Ecclesia de Eucharistia (1)

“Ecclesia de Eucharistia vivit” - “A Igreja vive da Eucaristia”.

Recordando a eleição de São João Paulo II como Bispo de Roma (16 de outubro de 1978) e os 20 anos do início do Ano da Eucaristia (17 de outubro de 2004), uma das últimas iniciativas do Papa polonês, repropomos sua Encíclica Ecclesia de Eucharistia, promulgada na Quinta-feira Santa de 2003.

Por sua importância e extensão, publicaremos o documento dividido em duas partes. Confira a seguir a Introdução e os Capítulos 1-3 (nn. 1-33):

Papa João Paulo II
Encíclica Ecclesia de Eucharistia
Sobre a Eucaristia na sua relação com a Igreja

Introdução

1. A Igreja vive da Eucaristia [Ecclesia de Eucharistia vivit]. Esta verdade não exprime apenas uma experiência diária de fé, mas contém em síntese o próprio núcleo do mistério da Igreja. É com alegria que ela experimenta, de diversas maneiras, a realização incessante desta promessa: «Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo» (Mt 28,20); mas, na sagrada Eucaristia, pela conversão do pão e do vinho no Corpo e no Sangue do Senhor, goza desta presença com uma intensidade sem par. Desde o Pentecostes, quando a Igreja, povo da nova aliança, iniciou a sua peregrinação para a pátria celeste, este sacramento divino foi ritmando os seus dias, enchendo-os de consoladora esperança.

O Concílio Vaticano II justamente afirmou que o sacrifício eucarístico é «fonte e centro de toda a vida cristã» (Constituição Dogmática Lumen gentium, n. 11). Com efeito, «na santíssima Eucaristia está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, a nossa Páscoa e o pão vivo que dá aos homens a vida mediante a sua carne vivificada e vivificadora pelo Espírito Santo» (Decreto Presbyterorum ordinis, n. 5). Por isso, o olhar da Igreja volta-se continuamente para o seu Senhor, presente no sacramento do Altar, onde descobre a plena manifestação do seu imenso amor.

São João Paulo II celebra a Eucaristia
(Corpus Christi de 2001)

2. Durante o Grande Jubileu do Ano 2000 pude celebrar a Eucaristia no Cenáculo de Jerusalém, onde, segundo a tradição, o próprio Cristo a realizou pela primeira vez. O Cenáculo é o lugar da instituição deste santíssimo sacramento. Foi lá que Jesus tomou nas suas mãos o pão, partiu-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo: «Tomai todos e comei: Isto é o meu Corpo que será entregue por vós» (cf. Mt 26,26; Lc 22,19; 1Cor 11,24). Depois, tomou nas suas mãos o cálice com vinho e disse-lhes: «Tomai todos e bebei: Este é o cálice do meu Sangue, o Sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos para remissão dos pecados» (cf. Mc 14,24; Lc 22,20; 1Cor 11,25). Dou graças ao Senhor Jesus por me ter permitido repetir no mesmo lugar, obedecendo ao seu mandato: «Fazei isto em memória de mim» (Lc 22,19), as palavras pronunciadas por Ele há dois mil anos.
Teriam os Apóstolos, que tomaram parte na Última Ceia, entendido o significado das palavras saídas dos lábios de Cristo? Talvez não. Aquelas palavras seriam esclarecidas plenamente só no fim do Triduum Sacrum, ou seja, aquele período de tempo que vai da tarde de Quinta-feira Santa até à manhã do Domingo de Páscoa. Nestes dias, está contido o mysterium paschale; neles está incluído também o mysterium eucharisticum.

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Leitura litúrgica da Carta aos Colossenses (4)

“Cantai a Deus salmos, hinos e cânticos espirituais, em ação de graças” (Cl 3,16).

Nas postagens anteriores da nossa série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura começamos a analisar a presença da Carta de São Paulo aos Colossenses (Cl) nas celebrações do Rito Romano.

Após uma breve introdução, analisamos sua leitura sob o critério da composição harmônica (sintonia com o tempo ou a festa litúrgica). Para acessar, clique aqui: 1ª parte / 2ª parte / 3ª parte.

Agora cabe contemplar o outro critério de seleção dos textos bíblicos: a leitura semicontínua.

Jesus Cristo, Rei dos Anjos
(Jan Henryk de Rosen)

3. Leitura litúrgica da Carta aos Colossenses: Leitura semicontínua

De acordo com o n. 66 do Elenco das Leituras da Missa (ELM), a leitura semicontínua consiste na proclamação dos principais textos de um livro na sequência, oferecendo aos fiéis um contato mais amplo com a Palavra de Deus [1].

a) Celebração Eucarística

Na Celebração Eucarística, as Cartas Paulinas são lidas de maneira semicontínua tanto nos domingos quanto nos dias de semana do Tempo Comum (cf. ELM, nn. 107.110) [2].

Nos domingos a Carta aos Colossenses é a 2ª leitura da Missa do XV ao XVIII Domingo do Tempo Comum do Ano C, entre a leitura semicontínua da Carta aos Gálatas e da Carta aos Hebreus (cap. 11–12).

As quatro perícopes escolhidas do nosso livro aqui são:
XV Domingo: Cl 1,15-20;
XVI Domingo: Cl 1,24-28;
XVII Domingo: Cl 2,12-14;
XVIII Domingo: Cl 3,1-5.9-11 [3]

Nos dias de semana do Tempo Comum, por sua vez, a Carta é lida por oito dias: da quarta-feira da XXII semana à quinta-feira da XXIII semana do Tempo Comum no ano ímpar, entre a leitura da Primeira Carta aos Tessalonicenses e da Primeira Carta a Timóteo.

XXII semana do Tempo Comum (Ano ímpar):
Quarta-feira: Cl 1,1-8;
Quinta-feira: Cl 1,9-14;
Sexta-feira: Cl 1,15-20;
Sábado: Cl 1,21-23.