Mostrando postagens com marcador Penitência e Unção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Penitência e Unção. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Dia Mundial do Enfermo em Manila (2026)

No dia 11 de fevereiro de 2026, Memória da Bem-aventurada Virgem Maria de Lourdes, o Arcebispo de Manila (Filipinas), Cardeal Jose Fuerte Advincula celebrou a Missa na Catedral Metropolitana da Imaculada Conceição em Manila por ocasião do 34º Dia Mundial do Enfermo

Durante a Missa, com efeito, o Arcebispo administrou o Sacramento da Unção dos Enfermos a alguns fiéis assistidos pela Ordem de Malta e pelas Missionárias da Caridade.

Imagem de Nossa Senhora de Lourdes
Procissão de entrada
Incensação da imagem
Ritos iniciais
Evangelho

quarta-feira, 26 de março de 2025

Catequese do Papa João Paulo II sobre as Indulgências

Após as duas Catequeses sobre o sacramento da Reconciliação proferidas em setembro de 1999 em preparação para o Grande Jubileu do Ano 2000, trazemos uma Catequese do Papa São João Paulo II sobre as indulgências, tema diretamente ligado a esse sacramento e particularmente atual neste Jubileu 2025:

João Paulo II
Audiência Geral
Quarta-feira, 29 de setembro de 1999
O dom da indulgência

1. Em íntima conexão com o sacramento da Penitência apresenta-se à nossa reflexão um tema que tem particular relação com a celebração do Jubileu: refiro-me ao dom da indulgência, que no ano jubilar é oferecido com particular abundância, como é previsto na Bula Incarnationis mysterium e nas disposições anexas da Penitenciaria Apostólica.

Trata-se de um tema delicado, sobre o qual não faltaram incompreensões históricas, que incidiram negativamente na própria comunhão entre os cristãos. No atual contexto ecumênico a Igreja sente a exigência de que esta antiga prática, entendida como expressão significativa da misericórdia de Deus, seja bem compreendida e acolhida. De fato, a experiência atesta como às vezes nos aproximamos das indulgências com atitudes superficiais, que acabam por prejudicar o dom de Deus, lançando sombra sobre as próprias verdades e valores propostos pelo ensinamento da Igreja.


2. O ponto de partida para compreender a indulgência é a abundância da misericórdia de Deus, manifestada na cruz de Cristo. Jesus crucificado é a grande “indulgência” que o Pai ofereceu à humanidade, através do perdão das culpas e da possibilidade da vida filial (cf. Jo 1,12-13) no Espírito Santo (cf. Gl 4,6; Rm 5,5; 8,15-16).

Este dom, no entanto, na lógica da aliança que é o coração de toda a economia da salvação, não nos atinge sem a nossa aceitação e a nossa correspondência.

quarta-feira, 19 de março de 2025

II Catequese do Papa João Paulo II sobre a Reconciliação

Nesta postagem trazemos a segunda Catequese do Papa São João Paulo II sobre o sacramento da Reconciliação proferida em setembro de 1999, no contexto da preparação para o Grande Jubileu do Ano 2000. Para ler a primeira Catequese clique aqui.

João Paulo II
Audiência Geral
Quarta-feira, 22 de setembro de 1999
Reconciliação com Deus e os irmãos

Caríssimos irmãos e irmãs,
1. Continuando a reflexão sobre o sacramento da Penitência, queremos hoje aprofundar uma dimensão que o caracteriza intrinsecamente: a reconciliação. Este aspecto do sacramento se coloca como antídoto e medicina em relação ao caráter dilacerante que é próprio do pecado. Com efeito, ao pecar o homem não só se afasta de Deus, mas lança sementes de divisão dentro de si mesmo e nas relações com os irmãos. Por isso o movimento de retorno a Deus implica uma reintegração da unidade prejudicada pelo pecado.

2. A reconciliação é um dom do Pai: só Ele pode realizá-la. Por isso ela representa, antes de tudo, um apelo que provém do alto: “Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus” (2Cor 5,20). Como Jesus nos explica na parábola do pai misericordioso (cf. Lc 15,11-32), perdoar e reconciliar consigo é para Ele uma festa. Neste e em outros trechos evangélicos, o Pai não só oferece perdão e reconciliação, mas, ao mesmo tempo, mostra como estes dons são fonte de alegria para todos.

Celebração do Perdão
(Grande Jubileu do Ano 2000)

No Novo Testamento é significativa a relação entre a paternidade divina e a alegria festiva do banquete. O Reino de Deus é comparado a um banquete jubiloso onde quem convida é precisamente o Pai (cf. Mt 8,11; 22,4; 26,29). O cumprimento de toda a história da salvação é expresso também com a imagem do banquete preparado por Deus Pai para as núpcias do Cordeiro (cf. Ap 19,6-9).

quarta-feira, 12 de março de 2025

I Catequese do Papa João Paulo II sobre a Reconciliação

Nesta Quaresma do Ano Jubilar de 2025 recordamos as duas Catequeses do Papa São João Paulo II sobre o sacramento da Reconciliação proferidas em setembro de 1999, durante a preparação para o Grande Jubileu do Ano 2000. Confira a seguir a primeira das meditações:

João Paulo II
Audiência Geral
Quarta-feira, 15 de setembro de 1999
O sacramento da Penitência

1. O caminho em direção ao Pai, proposto à especial reflexão deste ano de preparação para o Grande Jubileu, implica também a redescoberta do sacramento da Penitência, no seu significado profundo de encontro com Aquele que perdoa, mediante Cristo, no Espírito (cf. Tertio Millennio Adveniente, n. 50).

Diversos são os motivos por que urge na Igreja uma séria reflexão sobre este sacramento. Antes de tudo, ela é requerida pelo anúncio do amor do Pai, como fundamento do viver e do agir cristão, no contexto da atual sociedade onde muitas vezes resulta ofuscada a visão ética da existência humana. Se muitos perderam a dimensão do bem e do mal, é porque extraviaram o sentido de Deus, interpretando a culpa só segundo perspectivas psicológicas ou sociológicas. Em segundo lugar, a pastoral deve dar novo impulso a um itinerário de crescimento na fé, que ressalte o valor do espírito e da prática penitencial em todo o arco da vida cristã.

Celebração do Perdão
(Grande Jubileu do Ano 2000)

2. A mensagem bíblica apresenta essa dimensão “penitencial” como empenho permanente de conversão. Fazer obras de penitência supõe uma transformação da consciência, que é fruto da graça de Deus. Sobretudo no Novo Testamento, a conversão é pedida como opção fundamental àqueles aos quais é dirigida a pregação do Reino de Deus: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15; cf. Mt 4,17). Com estas palavras Jesus inicia o seu ministério, anuncia o cumprimento dos tempos e a iminência do Reino. O “convertei-vos” (em grego: metanoéite) é um apelo a mudar o modo de pensar e de se comportar.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Missa do Dia Mundial do Enfermo em Manila (2025)

Na Catedral Metropolitana da Imaculada Conceição em Manila (Filipinas) o 33º Dia Mundial do Enfermo, no dia 11 de fevereiro de 2025, foi celebrado com a Missa da Memória de Nossa Senhora de Lourdes presidida pelo Arcebispo, Cardeal Jose Fuerte Advincula, com a administração da Unção dos Enfermos a alguns fiéis assistidos pela Ordem de Malta e pelas Missionárias da Caridade:

Virgem de Lourdes diante da réplica da Porta Santa
Óleo dos Enfermos
Procissão de entrada
Ritos iniciais
Evangelho

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Missa do Dia Mundial do Enfermo em Cracóvia (2025)

No dia 11 de fevereiro de 2025, Memória facultativa de Nossa Senhora de Lourdes e 33º Dia Mundial do Enfermo, teve lugar a Santa Missa no Santuário da Divina Misericórdia no distrito de Łagiewniki em Cracóvia (Polônia) com a administração da Unção dos Enfermos a alguns fiéis.

A Missa foi presidida pelo Arcebispo Emérito de Cracóvia, Cardeal Stanisław Dziwisz. A homilia, por sua vez, ficou a cargo de Dom Janusz Mastalski, Bispo Auxiliar.

Note-se junto ao altar uma grande vela com o símbolo do Jubileu 2025, indicando o Santuário como meta de peregrinação durante o Ano Santo.

Procissão de entrada
Ritos iniciais
Evangelho

Bênção com o Livro dos Evangelhos

segunda-feira, 15 de julho de 2024

Artigos sobre Liturgia: REB 2021-2023

Há cerca um mês, no dia 12 de junho, destacamos aqui em nosso blog sete artigos sobre Liturgia publicados na Revista Eclesiástica Brasileira (REB), publicação quadrimestral do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ), em seu primeiro número deste ano de 2024.

Nesta postagem gostaríamos de dar continuidade à proposta resgatando seis artigos relacionados à Liturgia publicados na REB de 2021 a 2023, cujos resumos reproduzimos a seguir. Após uma inscrição gratuita, os artigos podem ser acessados na íntegra no site da Revista.

Vale dizer que a indicação desses textos não implica que concordamos necessariamente com o seu conteúdo. Esta postagem serve mais como convite à reflexão.

O evento intercopóreo entre verdade e rito: Apropriação antropológica pré-reflexiva
Padre Manoel Pacheco de Freitas Neto, Doutor em Teologia Litúrgica pelo Pontifício Ateneu Santo Anselmo em Roma (Itália)

O corpo é campo de ambiguidade: na própria experiência separa e une, limita e permite, gera e destrói. Através do corpo, a “barreira” que semanticamente divide nosso universo existencial; o corpo é presença e ausência, centro de prospectiva e descentramento permanente dos significados, plexo contínuo de relações. Até que ponto o homem é o próprio corpo? Pergunta inquietante. E com nossa tese inicial queremos afrontar esta ambuiguidade, compreender a tela de fundo, os motivos e as consequências em vista da ritualidade que sustenta nossa existência cotidiana e religiosa e nosso pensamento. O método fenomenológico que tentaremos aceder tem como objetivo, assediar cinco passos que integram essa reflexão: a bíblica, a teórica, a simbólica, o corpo e o rito.



Statio Orbis - Os Congressos Eucarísticos Internacionais: Panorâmica histórica e reflexão litúrgico-teológica
Padre Francisco Taborda, SJ, Doutor em Teologia pela Westfälische Wilhelms-Universität Münster (Alemanha)

Em preparação aos próximos Congressos Eucarísticos - o 52º Internacional, em Budapeste (Hungria); o 18º Nacional, em Recife (PE) -, este artigo pergunta pelo sentido de eventos desse gênero, o que levou a criá-los e mantê-los, a evolução sofrida nesse mais de século desde que surgiram. Com essa finalidade o artigo percorre em largos traços a história dos Congressos Eucarísticos Internacionais, tentando identificar os ideais que os motivaram e moldaram, tanto do ponto de vista sociopolítico (relação entre Igreja e sociedade), como, especialmente, da perspectiva teológico-litúrgica a eles subjacente.

quinta-feira, 16 de maio de 2024

Indulgências durante o Jubileu de 2025

Há uma semana, no dia 09 de maio de 2024, o Papa Francisco convocou oficialmente o Jubileu Ordinário de 2025, promulgando a Bula Spes non confundit.

Na sequência, a Penitenciaria Apostólica, tribunal responsável por algumas questões relativas ao Sacramento da Penitência, publicou as normas para a obtenção das indulgências durante o Jubileu.

A indulgência, com efeito, é uma graça especial concedida àqueles que, arrependidos dos seus pecados e absolvidos no Sacramento da Confissão, realizam uma obra de piedade (cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 1471-1479). No caso do Jubileu de 2025, destacam-se a peregrinação e as obras de misericórdia.

As Normas são assinadas pelo novo Penitenciário-Mor, Cardeal Angelo De Donatis, e pelo Regente da Penitenciaria Apostólica, Monsenhor Krzysztof Józef Nykiel, recentemente eleito Bispo Titular de Velia.

Penitenciaria Apostólica
Normas sobre a concessão da Indulgência durante o Jubileu Ordinário do Ano 2025 proclamado pelo Papa Francisco

“Agora chegou o momento de um novo Jubileu, em que se abre novamente de par em par a Porta Santa para oferecer a experiência viva do amor de Deus” (Spes non confundit, n. 6). Na Bula de proclamação do Jubileu Ordinário de 2025, o Santo Padre, no momento histórico atual em que, “esquecida dos dramas do passado, a humanidade encontra-se de novo submetida a uma difícil prova que vê muitas populações oprimidas pela brutalidade da violência” (ibid., n. 8), convida todos os cristãos a se tornarem peregrinos de esperança. Esta é uma virtude a redescobrir nos sinais dos tempos, os quais, contendo “o desejo do coração humano, carecido da presença salvífica de Deus, pedem para ser transformados em sinais de esperança” (ibid., n. 7), que deverá ser obtida sobretudo na graça de Deus e na plenitude da sua misericórdia.


Já na Bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia de 2015, o Papa Francisco sublinhava o quanto a Indulgência adquiria, naquele contexto, “uma relevância particular” (Misericordiae vultus, n. 22), uma vez que a misericórdia de Deus “torna-se indulgência do Pai que, através da Esposa de Cristo, alcança o pecador perdoado e liberta-o de qualquer resíduo das consequências do pecado” (ibid.). Do mesmo modo, hoje, o Santo Padre declara que o dom da Indulgência “permite-nos descobrir como é ilimitada a misericórdia de Deus. Não é por acaso que, na antiguidade, o termo «misericórdia» era intercambiável com o de «indulgência», precisamente porque pretende exprimir a plenitude do perdão de Deus que não conhece limites” (Spes non confundit, n. 23). A Indulgência é, pois, uma graça jubilar.

Também por ocasião do Jubileu Ordinário de 2025, portanto, por vontade do Sumo Pontífice, este “Tribunal de Misericórdia”, ao qual compete dispor tudo o que diz respeito à concessão e ao uso das Indulgências, pretende estimular os ânimos dos fiéis a desejar e alimentar o piedoso desejo de obter a Indulgência como dom de graça, próprio e peculiar de cada Ano Santo, e estabelece as seguintes prescrições, para que os fiéis possam usufruir das “disposições necessárias para poder obter e tornar efetiva a prática da Indulgência Jubilar” (ibid.).

terça-feira, 12 de março de 2024

Celebração Penitencial presidida pelo Papa (2024)

Na tarde do dia 08 de março de 2024 o Papa Francisco presidiu uma Celebração Penitencial com confissões individuais na Paróquia de São Pio V em Roma, no contexto da iniciativa “24 horas para o Senhor” promovida anualmente pelo Dicastério para a Evangelização (1ª seção) entre a sexta-feira e o sábado da III semana da Quaresma.

Ritos iniciais

Liturgia da Palavra

Homilia do Papa

Homilia do Papa: Celebração Penitencial (2024)

Celebração da Reconciliação
“24 horas para o Senhor”
Homilia do Papa Francisco
Paróquia de São Pio V - Roma
Sexta-feira, 08 de março de 2024

«Possamos caminhar em uma vida nova» (Rm 6,4): assim escreve o Apóstolo Paulo aos primeiros cristãos desta Igreja de Roma. Mas o que é a vida nova da qual fala? É a vida que nasce do Batismo, o qual nos imerge na Morte e na Ressurreição de Jesus e nos torna para sempre filhos de Deus, filhos da Ressurreição destinados à vida eterna, orientados para as coisas do alto. É a vida que nos porta avante na nossa identidade mais verdadeira, aquela de sermos filhos amados do Pai, de modo que toda tristeza e obstáculo, toda fadiga e tribulação, não possam prevalecer sobre esta maravilhosa realidade que nos fundamenta: somos filhos do Deus bom.

Ouvimos como São Paulo associa a vida nova a um verbo: caminhar. Portanto, a vida nova, iniciada no Batismo, é um caminho. E nele não há aposentadoria! Ninguém se aposenta nesse caminho, mas se vai sempre avante. E depois de tantos passos no caminho, talvez tenhamos perdido de vista a vida santa que flui dentro de nós: dia após dia, imersos em um ritmo repetitivo, envolvidos em mil coisas, atordoados por tantas mensagens, buscamos em toda parte satisfação e novidade, estímulos e sensações positivas, mas esquecemos que já há uma vida nova que flui dentro de nós e que, como brasas sob as cinzas, espera para brilhar e iluminar tudo. Quando nós estamos ocupados com tantas coisas, pensamos no Espírito Santo que está dentro de nós e que nos conduz? Muitas vezes acontece comigo de não pensar n’Ele, e isso está mal. Estar assim, envolvidos em tantos trabalhos, nos faz esquecer o verdadeiro caminho que estamos fazendo na vida nova.


Devemos buscar as brasas sob as cinzas, aquela cinza que se depositou sobre o coração e que ofusca a beleza da nossa alma, a esconde. Então Deus, que na vida nova é nosso Pai, aparece a nós como um patrão; em vez de nos confiarmos a Ele, fazemos contratos com Ele; em vez de amá-lo, o tememos. E os outros, em vez de serem irmãos e irmãs, enquanto filhos do mesmo Pai, parecem-nos obstáculos e adversários. Há um mau hábito: o de transformar nossos companheiros de caminho em adversários. E tantas vezes o fazemos. Os defeitos do próximo nos parecem exagerados e suas virtudes escondidas; quantas vezes somos inflexíveis com os outros e indulgentes com nós mesmos! Sentimos uma força irresistível a realizar o mal que queríamos evitar. Um problema de todos, se até mesmo São Paulo escreve, sempre à comunidade de Roma: «Eu não faço o bem que quero, mas o mal que não quero» (Rm 7,19). Também ele era um pecador e também nós tantas vezes fazemos o mal que não queremos. Em suma, ofuscado o rosto de Deus, ofuscados os rostos dos irmãos, ofuscada a grandeza que levamos dentro, permanecemos no caminho, mas temos necessidade de um novo sinal, temos necessidade de uma mudança de passo, de uma direção que nos ajude a reencontrar a via do Batismo, isto é, a renovar a nossa beleza original que está ali sob as cinzas, renovar o sentido de andar avante. E quantas vezes paramos de caminhar e perdemos a sensação de andar avante? Permaneçamos tranquilos, ou talvez nem tão tranquilos, mas firmes.

Discurso do Papa Francisco sobre o Ato de contrição

Na manhã da sexta-feira, 08 de março de 2024 o Papa Francisco recebeu os participantes do Curso sobre o Foro Interno organizado anualmente pela Penitenciaria Apostólica, Tribunal encarregado das questões relacionadas ao Sacramento da Penitência.

Em seu discurso, o Papa refletiu sobre o Ato de contrição (em italiano, Atto di dolore), que o penitente é convidado a recitar após a confissão dos pecados como forma de expressar seu arrependimento.

Vale dizer que não existe uma única fórmula de Ato de contrição: o Ritual da Penitência, por exemplo, propõe dez modelos (pp. 35-37). Mesmo a fórmula mais “tradicional”, que é aquela comentada pelo Papa em seu discurso, possui pequenas variações em seu texto.

Papa Francisco
Discurso aos participantes do Curso promovido pela Penitenciaria Apostólica 
Sala Clementina
Sexta-feira, 08 de março de 2024

Caros irmãos, bom dia e bem vindos!
Estou contento de encontrar-vos por ocasião do anual Curso sobre o Foro Interno organizado pela Penitenciaria Apostólica. Dirijo uma cordial saudação ao Cardeal Mauro Piacenza, Penitenciário-Mor, ao Regente, Monsenhor Krzysztof Józef Nykiel, aos Prelados, aos Oficiais e ao pessoal da Penitenciaria, aos Colégios de Penitenciários ordinários e extraordinários das Basílicas Papais in Urbe, e a todos vós participantes do Curso.

No contexto da Quaresma e, em particular, do Ano da Oração em preparação para o Jubileu, gostaria de propor que reflitamos sobre uma oração simples e rica, que pertence ao patrimônio do santo povo fiel de Deus e que recitamos durante o rito da Reconciliação: o Ato de contrição.


Apesar da linguagem um pouco antiga, que poderia também ser mal-entendida em algumas de suas expressões, esta oração conserva toda a sua validade, tanto pastoral como teológica. Além disso, seu autor é o grande Santo Afonso Maria de Ligório, mestre da Teologia Moral, pastor próximo das pessoas e homem de grande equilíbrio, distante tanto do rigorismo como do laxismo.

Destacarei três atitudes expressas no Ato de contrição e que penso que possam nos ajudar a meditar sobre nossa relação com a misericórdia de Deus: arrependimento diante de Deus, confiança n’Ele e propósito de não recair.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Ladainha para a Quaresma

Ouvi-nos, Senhor, tende piedade, porque pecamos contra vós” (Br 3,2).

A ladainha (em latim litania, do grego λιτή [lité], súplica) é uma oração composta por uma série de invocações ou preces intercaladas por uma resposta. Inspirada em alguns textos da Sagrada Escritura (como o Salmo 135/136 e os cânticos do Livro de Daniel), foi amplamente acolhida pela tradição cristã.

Já apresentamos aqui em nosso blog as oito Ladainhas aprovadas oficialmente pela Igreja e que, portanto, podem ser entoadas nas celebrações litúrgicas: do Santíssimo Nome de Jesus; do Sagrado Coração de Jesus; do Preciosíssimo Sangue de Jesus; de Nossa Senhora; de São José; de Todos os Santos; de Jesus Cristo, Sacerdote e Vítima; e do Santíssimo Sacramento [1].

Não obstante, sobretudo a partir do final da Idade Média, foram compostas várias outras Ladainhas a serem rezadas de maneira privada, como devoção pessoal, ou mesmo de forma comunitária, em momentos de oração não-litúrgicos (novenas, horas-santas, etc.).

É o caso da Ladainha para a Quaresma (Litaniae in Quadragesima), publicada em um célebre livro de orações editado em 1612, o Fasciculus Sacrarum Orationum et Litaniarum ad usum quotidianum Christiani hominis, ex sanctis Scripturis et Patribus collectus (Conjunto de Orações Sagradas e Ladainhas para uso quotidiano dos cristãos, extraídas das Sagradas Escrituras e dos Santos Padres).

Cristo com santos penitentes do Antigo e do Novo Testamento
(Gerard Seghers)

As invocações da Ladainha para a Quaresma, com efeito, são tomadas sobretudo da Sagrada Escritura, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. Tais invocações são similares às “preces” indicadas no Ritual da Penitência, pelas quais a Igreja, reunida no Espírito Santo, suplica a misericórdia do Pai e do Filho [2].

Após as tradicionais invocações iniciais a Cristo (Kyrie eleison, Christe eleison...) e à Trindade, com efeito, a Ladainha para a Quaresma está dividida em quatro partes:
- 16 súplicas a Deus com testemunhos do Antigo Testamento, com a resposta miserere nobis (tende piedade de nós);
- 24 súplicas a Cristo com referências ao Novo Testamento, também com a resposta miserere nobis;
- 18 súplicas a Cristo para que nos livre do mal, com a resposta libera nos, Domine (livrai-nos, Senhor);
- 13 súplicas a Cristo para que nos ajude a fazer penitência pelos nossos pecados, com a resposta te rogamus, audi nos (ouvi-nos, Senhor).

Concluem a Ladainha as tradicionais invocações a Cristo como Cordeiro de Deus, seguidas da oração do Senhor (Pai-nosso), alguns responsórios e orações.

Confira a seguir o texto original da Ladainha (em latim), conforme presente no Fasciculus Sacrarum Orationum et Litaniarum, e uma tradução feita pela equipe do site do Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, a partir da versão divulgada no site Preces Latinae.

Esta versão possui pequenas diferenças em relação ao texto do século XVII, omitindo algumas invocações, que acrescentamos a seguir a partir do original, buscando oferecer a versão mais completa do texto, o qual pode ser de grande ajuda para nossa oração nesse tempo quaresmal.

Litaniae in Quadragesima

Kyrie eleison. Kyrie eleison.
Christe eleison. Christe eleison.
Kyrie eleison. Kyrie eleison.

Pater sancte, audi nos.
Pater iuste, exaudi nos.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Os sete salmos penitenciais

Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia!” (Sl 50,3).

O Tempo da Quaresma, como recorda a Constituição Sacrosanctum Concilium (n. 109), possui uma dupla característica: batismal e penitencial. Sobretudo à luz desta última, esse tempo é particularmente adequado para a recitação dos sete salmos penitenciais (septem psalmi paenitentiales ou poenitentiales).

Davi em oração (Pieter de Grebber)

1. A origem dos sete salmos penitenciais

Ao percorrermos os 150 cânticos que integram o Livro dos Salmos (Sl), encontramos diversos gêneros literários: louvor, ação de graças, súplica, textos sapienciais... Dentre os salmos de súplica, a Igreja selecionou sete para expressar de maneira particular o arrependimento dos pecados, o pedido de perdão a Deus, com a confiança na sua misericórdia, e o propósito de conversão: Sl 6, 31(32), 37(38), 50(51), 101(102), 129(130) e 142(143).

A tradição dos “salmos penitenciais” remonta ao menos ao século V. Na biografia de Santo Agostinho (†430) escrita por seu discípulo Possídio (Vita Sancti Augustini), se menciona que esse, antes de morrer, “mandou copiar para si os salmos de Davi chamados penitenciais” [1].

O texto, porém, não diz quais seriam esses salmos nem o seu número. Certamente dentre esses estava o Salmo 50 (Miserere), que desde o início da Igreja foi considerado o “salmo penitencial” por excelência, associado ao pedido de perdão do rei Davi após o seu pecado e a repreensão do profeta Natã (cf. 2Sm 11,1–12,9).

Posteriormente ganharia destaque também o Salmo 129 (De profundis), associado tanto a ritos penitenciais quanto aos ofícios pelos defuntos.

De toda forma, o primeiro a propor a lista dos sete salmos penitenciais como a conhecemos parece ter sido o célebre escritor romano Cassiodoro (580). Em sua Exposição sobre o Saltério (Expositio in Psalterium), ao tratar do Salmo 6, exorta o leitor a lembrar que este é “o primeiro salmo ‘dos penitentes’” (“Memento autem quod hic poenitentium primus est psalmus”), elencando em seguida os outros seis [2].

A exortação a “lembrar” dá a entender que a lista já era conhecida nessa época (século VI). O autor ainda interpreta o número “sete” em alusão às diversas formas pelas quais obter o perdão dos pecados: pelo Batismo, o martírio, as obras de caridade, etc.

A fixação dos “sete salmos”, com efeito, certamente está relacionada ao amplo simbolismo que esse número possui na tradição judaico-cristã, representando a “plenitude”: sete dias da semana, sete dons do Espírito Santo, sete sacramentos... [3].

Cassiodoro (†580) na biblioteca do seu mosteiro, chamado Vivarium
(Miniatura do século VIII)

2. Os sete salmos penitenciais na Liturgia

Ao longo da Idade Média, a recitação dos salmos penitenciais foi ganhando cada vez mais espaço na Liturgia de Rito Romano. Em diversas celebrações, com efeito, esses eram recitados na sequência, às vezes acompanhados da Ladainha de Todos os Santos, além de antífonas, responsórios e orações:

segunda-feira, 13 de novembro de 2023

Discurso do Papa: Encontro de Reitores de Santuários 2023

No dia 11 de novembro de 2023 o Papa Francisco proferiu um discurso no II Encontro Internacional de Reitores e Agentes Pastorais de Santuários, encontro promovido pelo Dicastério para a Evangelização (Seção para as questões fundamentais da evangelização no mundo) em preparação ao Jubileu de 2025.

Papa Francisco
Discurso aos participantes do II Encontro Internacional de Reitores e Agentes Pastorais de Santuários
Sala Paulo VI
Sábado, 11 de novembro de 2023

Caros amigos, bom dia!
Eu vos acolho por ocasião do vosso II Encontro Internacional, porque conheceis bem minha atenção pela vida dos Santuários. Agradeço a Dom Rino Fisichella por esta iniciativa e pelo empenho do Dicastério na pastoral dos Santuários. São lugares especiais, onde o santo povo fiel de Deus acorre para rezar, para ser consolado e para olhar com maior confiança para o futuro.

Vamos ao Santuário, antes de tudo, para rezar. Da nossa parte é necessário que permaneça sempre viva a preocupação de que os nossos Santuários sejam realmente lugares privilegiados de oração. Sei com quanto cuidado se celebra ali a santa Eucaristia e quanto empenho é dedicado ao Sacramento da Reconciliação. Recomendo-vos que haja um bom discernimento na escolha dos sacerdotes para as Confissões, para que quem se apresenta ao confessionário atraído pela misericórdia do Pai não encontre obstáculos para viver uma plena reconciliação. O Sacramento da Reconciliação é perdoar, sempre, perdoar. Não pode acontecer, especialmente nos Santuários, que se encontrem obstáculos, porque nesse Sacramento, por sua própria natureza, a misericórdia de Deus pede ser expressa de modo superabundante. Assim justamente o percebem os fiéis: como lugar especial onde encontrar a graça de Deus. Perdoai sempre como perdoa o Pai. Perdoar.


Na história de todo Santuário é fácil tocar com a mão a fé do nosso povo fiel, que se mantém viva e alimentada com a oração, em primeiro lugar o Rosário, que ajuda a rezar através da meditação dos mistérios da vida de Jesus e da Virgem Maria. Entrar espiritualmente nesses mistérios, sentindo-se parte viva de tudo o que constitui nossa história da salvação, é um empenho doce, que dá sabor de Evangelho à vida quotidiana.

É importante que nos Santuários se dedique particular atenção à adoração. Nós perdemos um pouco o senso da adoração, devemos recuperá-lo. Talvez devamos reconhecer que o ambiente e a atmosfera das nossas igrejas nem sempre convida ao recolhimento e à adoração. Favorecer nos peregrinos a experiência do silêncio contemplativo - e não é fácil -, do silêncio adorador, significa ajudá-los a fixar o olhar no essencial da fé. A adoração não é um afastar-se da vida; antes, é o espaço para dar sentido a tudo, para receber o dom do amor de Deus para poder testemunhá-lo na caridade fraterna. Nós devemos nos questionar: “E eu, sou habituado à oração de adoração?”. É importante responder.

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Dissertações sobre Liturgia: Universidade Católica Portuguesa 2022

Aqui em nosso blog já destacamos trabalhos acadêmicos sobre Liturgia (Dissertações de Mestrado e Teses de Doutorado) de duas instituições do Brasil, as Pontifícias Universidades Católicas de São Paulo (PUC-SP) e do Rio de Janeiro (PUC-Rio)

Nesta postagem gostaríamos de “cruzar o Atlântico” e propor algumas Dissertações defendidas na Universidade Católica Portuguesa (UCP), instituição fundada em 1967 com sedes em Lisboa, Braga, Porto e Viseu.

Universidade Católica Portuguesa (Logotipo)

A seguir, pois, destacamos cinco Dissertações de Mestrado sobre Liturgia e Sacramentos defendidas nessa instituição no ano de 2022.

Seguem os resumos dos trabalhos, que podem ser acessados na íntegra no site da UCP, conforme os links a seguir:

Catequese e Liturgia no De Sacramentis e no De Mysteriis de Santo Ambrósio de Milão
Autor: Ángel David Azcurra Rodríguez
Orientador: Isidro Pereira Lamelas
Dissertação de Mestrado (2022), 154 páginas

O processo da iniciação cristã aparece, especialmente no século IV, como instância fundamental para a formação e transformação dos aspirantes ao Batismo. Disto era consciente Santo Ambrósio de Milão que, na sua preocupação pastoral, se dedicou à formação dos catecúmenos que estavam próximos de receber os sacramentos da iniciação cristã. Deste modo, as suas catequeses mistagógicas - De Sacramentis e De Mysteriis - dão a conhecer não só os conteúdos e o sentido da Liturgia batismal na explicação dos ritos e sacramentos recebidos, mas, sobretudo, a metodologia usada pelo nosso autor para transmitir toda a riqueza catequético-litúrgica da Tradição da Igreja. Assim, tais obras aparecem como o cume de todo o processo de iniciação cristã, apresentando uma grande riqueza catequética, litúrgica, teológica, moral, exegética e espiritual, muito esclarecedora e válida para os nossos dias. É nesta perspectiva que estudaremos as obras referidas, observando os seus vários elementos, dentro do contexto catecumenal, definindo este contexto e as suas caraterísticas, sempre sob a perspectiva litúrgico-catequética.
Capítulos:
1. Santo Ambrósio no seu tempo: Contexto político e eclesial, a sua figura e obra pastoral
2. Catecumenato, catequese e Liturgia no século IV
3. A mistagogia de Ambrósio de Milão: Análise das catequeses “De Sacramentis” e “De Mysteriis


Práticas silenciárias e mistagogia poética do silêncio na Liturgia
Autor: Rafael da Silva Gonçalves
Orientador: Joaquim Augusto Félix de Carvalho
Dissertação de Mestrado (2022), 97 páginas

terça-feira, 10 de outubro de 2023

Artigos sobre Liturgia: Revista de Cultura Teológica 2011-2012

Em postagens anteriores aqui em nosso blog destacamos diversos artigos sobre Liturgia publicados pela Revista de Cultura Teológica, ligada ao Programa de Estudos Pós Graduados em Teologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP): 2022 (9 artigos); 2020 (3 artigos); 2016-2018 (6 artigos); 2013-2015 (5 artigos).

Dando continuidade a essa proposta de maneira retrospectiva, trazemos nesta postagem outros cinco artigos publicados na Revista de Cultura Teológica nos anos de 2011 e 2012.

Seguem os resumos dos artigos, que podem ser acessados na íntegra no site da Revista:

Elementos para uma compreensão do altar cristão
Gabriel Frade

O artigo, partindo de alguns dados ofertados pela história e pelo universo bíblico, quer oferecer uma visão sintética sobre o altar cristão. Tal visão deveria oferecer apenas alguns elementos que podem colaborar na compreensão do altar enquanto monumento, mas também enquanto símbolo sacramental de Cristo sempre presente à sua Igreja.



À espera de sua vinda: Uma leitura teológico-litúrgica do Tempo de Advento - Natal - Epifania e sua ligação com a Páscoa
Emanuel Bargellini; Gabriel Frade

O Ano Litúrgico é a celebração do Mistério de Cristo ao longo do Ano. Dentre os vários aspectos da celebração do Mistério no tempo dos homens, interessa-nos sobremaneira neste artigo evidenciar alguns elementos de caráter teológico-espiritual relativos aos chamados “tempos fortes”, em particular ao ciclo do Advento-Natal-Epifania e sua eventual relação com o coração do Ano Litúrgico: a Páscoa.


domingo, 19 de março de 2023

Fotos da Celebração Penitencial presidida pelo Papa (2023)

No dia 17 de março de 2023, sexta-feira da III semana da Quaresma, o Papa Francisco presidiu uma Celebração Penitencial com confissões individuais na Paróquia de Santa Maria das Graças al Trionfale em Roma, no contexto da tradicional iniciativa “24 horas para o Senhor”:

Mosaicos da abside da igreja
O Papa reza na Capela do Santíssimo Sacramento...
(...) e venera o ícone de Nossa Senhora
Imposição da estola roxa

Homilia do Papa: Celebração Penitencial (2023)

Celebração Penitencial
“24 horas para o Senhor”
Homilia do Papa Francisco
Paróquia de Santa Maria das Graças al Trionfale
Sexta-feira, 17 de março de 2023

«Tudo quanto para mim era ganho, isso mesmo considerei perda por causa de Cristo» (Fl 3,7): afirma São Paulo na 1ª Leitura que ouvimos. E se nos perguntarmos quais são as coisas que ele deixou de considerar fundamentais na sua vida, feliz até por perdê-las para encontrar Cristo, percebemos que não se trata de realidades materiais, mas de «riquezas religiosas». É assim mesmo: era um homem devoto, um homem zeloso, um fariseu fiel e observante (Fl 3,5-6). E, no entanto, estes hábitos religiosos, que podiam constituir um mérito, uma ostentação, uma riqueza sacra, na realidade eram um impedimento para ele. E então Paulo declara: «Tudo perdi e considero esterco, a fim de ganhar a Cristo» (Fl 3,8). Tudo aquilo que lhe dera certo prestígio, certa fama «deixa cair... para mim, Cristo é mais importante».

Quem se sente demasiado rico de si e da sua probidade religiosa presume-se justo e melhor do que os outros - quantas vezes acontece isto na paróquia: «Eu sou da Ação Católica, eu vou ajudar o padre, eu faço a coleta..., eu, eu, eu»; quantas vezes sucede crer que se é melhor do que os outros; cada qual, no seu coração, pense se alguma vez já lhe aconteceu isto - quem assim procede, contenta-se em salvar as aparências; considera-se satisfeito, mas assim não pode dar lugar a Deus, porque não sente necessidade d’Ele. E tantas vezes os «católicos impecáveis», aqueles que se sentem justos, porque vão à paróquia, porque vão à Missa no domingo e gabam-se de ser justos: «Não, eu não preciso de nada; o Senhor salvou-me». Que sucedeu? Que ocupou o lugar de Deus com o próprio «eu», e então, ainda que recite orações e realize atos de piedade, verdadeiramente não dialoga com o Senhor. São monólogos que faz, não há diálogo, nem oração. Por isso, a Escritura recorda que apenas «a oração do humilde chegará às nuvens» (Eclo 35,17), porque só quem é pobre em espírito, quem se sente necessitado de salvação e mendicante da graça se apresenta diante de Deus sem exibir méritos, nem pretensões ou presunções: não tem nada e, por isso, encontra tudo, porque encontra o Senhor.


Jesus dá-nos este ensinamento na parábola que ouvimos (Lc 18,9-14). É o caso de dois homens, um fariseu e um publicano; ambos vão ao templo para rezar, mas só um chega ao coração de Deus. Mais do que os gestos que fazem, fala a sua postura física: o Evangelho diz que o fariseu rezava «de pé» (v. 11), com fronte altiva, enquanto o publicano, «mantendo-se à distância, nem sequer ousava levantar os olhos ao céu» (v. 13), por vergonha. Reflitamos por momentos sobre estas duas posturas.

sexta-feira, 17 de março de 2023

Dom Vittorio Viola: Reflexão sobre a Reconciliação

Entre a sexta-feira e o sábado da III semana da Quaresma (neste ano de 2023 nos dias 17 e 18 de março) celebra-se a iniciativa “24 horas para o Senhor”.

O subsídio pastoral para este ano, com o tema “Tem piedade de mim, que sou pecador” (Lc 18,13), traz uma reflexão sobre o Sacramento da Reconciliação proferida por Dom Vittorio Francesco Viola, O. F. M., Secretário do Dicastério para o Culto Divino (pp. 6-11), que reproduzimos a seguir:

Reflexão sobre o Sacramento da Reconciliação
Dom Vittorio Francesco Viola, O. F. M.,
Secretário do Dicastério para o Culto Divino

A parábola do fariseu e do publicano (Lc 18,9-14) contrapõe duas atitudes opostas do homem perante Deus. A primeira é a daquele que “presume ser justo” e, portanto, não tem qualquer necessidade de ser perdoado: pelo contrário, na sua relação com Deus, tem a pretensão de um prêmio, que ele exige como um direito que lhe é devido. A segunda é a de quem se sabe pecador: a única coisa que pode fazer é humilhar-se, batendo no peito e confiar na misericórdia de Deus como um dom absolutamente gratuito.

Celebração do Sacramento da Reconciliação
(24 horas para o Senhor 2022)

Em relação a ambos, Deus tem um único desejo, que se deve confrontar com a liberdade que Ele nos deu: o Pai, rico de misericórdia, nada mais deseja do que abraçar, erguer, regenerar, restituir a dignidade de filho, libertar de todas as cadeias, trazer para a vida, salvar cada homem. Precisamente para revelar o rosto misericordioso do Pai, o Verbo se fez carne e veio habitar entre nós (Jo 1,14). Escrevia São João Paulo II em sua Encíclica Dives in misericordia: «[Cristo] não somente fala [da misericórdia divina] e a explica com o uso de comparações e parábolas, mas sobretudo Ele mesmo encarna-a e personifica-a. Ele mesmo é, em certo sentido, a misericórdia. Para quem a vê n’Ele - e n’Ele a encontra - Deus torna-se particularmente “visível” como Pai “rico em misericórdia” (Ef 2,4)» (n. 2). A paternidade de Deus que, desde o dia do nosso pecado no Jardim do Éden, pensávamos ter irremediavelmente perdido, ainda que guardando dela no coração uma pungente saudade, nos é restituída através do Filho.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Artigos sobre Liturgia: REB 2016-2018

No ano de 2019 destacamos aqui em nosso blog três artigos publicados na Revista Eclesiástica Brasileira (REB), publicação quadrimestral do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ).

Nesta postagem gostaríamos de dar continuidade à proposta com outros cinco artigos sobre Liturgia e Sacramentos publicados na Revista entre 2016 e 2018. Estes tratam dos sacramentos da Reconciliação e da Ordem, da Liturgia no pensamento de Santa Edith Stein (†1942) e das “Antífonas do Ó” entoadas nos últimos dias do Advento.

Para acessar os artigos na íntegra, cujos links indicamos a seguir, é necessário inscrever-se (gratuitamente) no site da revista.

Sacramento da Penitência-Reconciliação: Achegas teológicas e sugestões pastorais
Pe. Antonio Alves de Melo

O sacramento da Penitência-Reconciliação passa por mais uma crise em sua história. A superação dessa crise requer aprofundamento na teologia e abertura na pastoral. Na teologia, são fundamentais os conceitos de penitência, confissão e reconciliação, bem como o fato de que é na reconciliação com a Igreja que se realiza a reconciliação com Deus. Na pastoral, vemo-nos diante de dois desafios. O primeiro consiste na educação dos fiéis e das comunidades para o autêntico sentido da Reconciliação; o segundo, em assumir as aberturas do Ritual da Penitência e avançar a partir delas na renovação desse sacramento de importância decisiva na existência cristã, porém, ainda muito necessitado de aprofundamento teológico, litúrgico e pastoral. Somente uma renovação séria e corajosa fará com que o sacramento da Reconciliação cumpra a missão que lhe cabe na existência dos fiéis, das comunidades e na edificação da Igreja.



Penitência cotidiana: Uma verdade a ser recordada
Pe. Francisco Taborda