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terça-feira, 14 de dezembro de 2021

De Institutione Catechistarum: O Rito de Instituição de Catequistas

Como vimos em nossa postagem anterior, na segunda-feira, 13 de dezembro de 2021, Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos divulgou o novo Rito de Instituição dos Catequistas: De Institutione Catechistarum, que entrará em vigor no dia 01 de janeiro de 2022.

O Rito foi divulgado em sua forma típica, isto é, em latim. Sua tradução para as diversas línguas será responsabilidade das Conferências Episcopais, como fica claro na Carta enviada em anexo pelo Prefeito da Congregação, Dom Arthur Roche. Após sua tradução, o Rito deverá ser anexado ao Pontifical Romano.

Edição brasileira do Pontifical Romano

Nos nn. 16 a 18 da Carta se esclarece que o Rito de Instituição dos Catequistas é presidido pelo Bispo diocesano ou por um sacerdote por ele delegado, na Missa ou em uma Celebração da Palavra de Deus.

A estrutura do Rito segue aquela da Instituição dos Leitores e dos Acólitos, como indicaremos a seguir, apresentando as linhas gerais da editio typica do De Institutione Catechistarum, conforme divulgado no site da Santa Sé.

PONTIFICALE ROMANUM
DE INSTITUTIONE CATECHISTARUM
EDITIO TYPICA
MMXXI

Capítulo I: Instituição dos Catequistas na Missa

Nos dias indicados nos nn. 1-9 da Tabela dos dias litúrgicos, celebra-se a Missa do dia [1].

Nos dias de semana do Advento (até 16 de dezembro), do Natal, da Páscoa e do Tempo Comum, mesmo quando ocorre uma memória obrigatória, pode celebrar-se uma das seguintes Missas para diversas necessidades:
- pelos ministros da Igreja (Missal Romano, pp. 891-892);
- pelos leigos (pp. 896-897);
- pela evangelização dos povos (pp. 902-904);
- pela nova evangelização [2].

Nesse caso, proferem-se as leituras indicadas no Rito de Instituição dos Catequistas e se usam paramentos brancos ou festivos.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

O ferraiolo, o tabarro e a greca

Para acessar a postagem introdutória desta série, na qual explicamos os conceitos de vestes corais e vestes talares, clique aqui.

Por fim, em nossa série de postagens sobre as vestes talares e corais, concluímos com duas capas - o ferraiolo e o tabarro - e um casaco, a greca.

O ferraiolo

O ferraiolo é uma capa que o Cerimonial denomina “manto talar amplo”. Trata-se de uma capa leve de seda, presa junto ao pescoço por fitas, sem romeira, usada pelos clérigos em ocasiões solenes fora da Liturgia (e nunca dentro dela).

Venerável Fulton Sheen com o ferraiolo episcopal

Por exemplo, o ferraiolo era obrigatório para encontrar-se com o Santo Padre, o que atualmente caiu em desuso. A capa se usa, então, no encontro com o Chefe de Estado ou em uma ocasião civil mais formal.

O então Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giovanni d'Aniello usa o ferraiolo em encontro com a Chefe de Estado

O ferraiolo previsto no Cerimonial dos Bispos é vermelho para os Cardeais e violáceo para os Bispos e Protonotários Apostólicos numerários e supranumerários.

Embora não esteja prescrito, é costume que os demais Monsenhores e os presbíteros usem um ferraiolo negro.

O tabarro

O tabarro, por sua vez, é indicado no Cerimonial como “uma capa digna, de cor preta, à qual é permitido acrescentar uma romeira”.


Trata-se de uma capa de lã, mais grossa que o ferraiolo, usada no inverno. Geralmente é uma veste de uso cotidiano.

Como indica o Cerimonial, é preta para todos os clérigos, exceto para o Papa, que endossa um tabarro vermelho.

João Paulo II com o tabarro vermelho (com romeira)

A greca

Por fim, embora não seja mencionada no Cerimonial, temos a greca (chamada em espanhol de dulleta), que consiste em um grande casaco que se usa sobre o hábito talar no dia-a-dia para proteger-se do frio. A greca é branca para o Papa e preta para todos os demais.

Papa Francisco com a greca branca e os demais com a greca negra

Fonte:
CERIMONIAL DOS BISPOS, Cerimonial da Igreja. Tradução portuguesa da edição típica. Apêndice I: Vestes prelatícias. São Paulo: Paulus, 1988, pp. 311-313.

sábado, 22 de agosto de 2020

O solidéu, o barrete e o saturno

Para acessar a postagem introdutória desta série, na qual explicamos os conceitos de vestes corais e vestes talares, clique aqui.

Nesta postagem vamos tratar de três coberturas para a cabeça que fazem parte das vestes talares e corais: o solidéu, o barrete e o saturno.

O solidéu

O solidéu (do latim soli Deo, só para Deus) é um pequeno gorro redondo de seda que se usa no alto da cabeça.


Derivado de coberturas de cabeça ordinárias, foi reduzindo de tamanho ao longo da história e adquiriu um sentido simbólico “inverso”, isto é, o solidéu em si não significa nada. Ele só tem sentido quando é retirado, pois só é removido na presença do Santíssimo Sacramento exposto e, na Sexta-feira Santa, da Santa Cruz.

Na Missa, o Bispo usa o solidéu desde o início, depondo-o logo após a oração sobre as oferendas e repondo-o antes da oração após a Comunhão [1], exceto na Missa da Ceia do Senhor e na Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, quando não retoma o solidéu, uma vez que o Santíssimo Sacramento permanece sobre o altar.
  
Sobre o uso do solidéu pelos distintos membros da hierarquia:

Presbíteros, cônegos, monsenhores: Embora o Cerimonial não prescreva, podem por tradição usar o solidéu negro fora da Missa. Todos os antigos manuais de Liturgia são concordes em afirmar que os presbíteros não usam o solidéu na Missa [3];
  
Bispos: Podem usar sempre, mesmo no quotidiano, o solidéu violáceo;

Cardeais: O mesmo dos Bispos, porém com o solidéu vermelho;

Papa: Usa sempre o solidéu branco.

O barrete

Também o barrete (do latim biretum) deriva de uma cobertura de cabeça ordinária. Trata-se de um chapéu quadrado, com três palas levantadas e geralmente uma borla ao centro.


Embora o atual Cerimonial não prescreva, tradicionalmente aquele que preside uma celebração usa o barrete nos seguintes momentos:

- nas procissões de entrada e de saída, exceto se o Santíssimo Sacramento estiver exposto (como na procissão de saída de Corpus Christi);

- enquanto se está sentado, exceto se o Santíssimo Sacramento estiver exposto (por exemplo, durante a Comunhão);

- para fazer a homilia.

Os antigos manuais de Liturgia são enfáticos ao afirmar que não se usa o barrete para realizar ações sagradas [4]. Por exemplo, o presbítero não pode dar a bênção no final da Missa com o barrete, nem, administrando o Batismo, realizar a infusão da água ou as unções endossando o barrete.

Também o barrete doutoral, com quatro palas, usado pelos sacerdotes que possuem um Doutorado, é proibido na Liturgia, sendo permitido apenas fora dela.

O barrete geralmente integra as vestes corais dos diversos clérigos, podendo ser usado também com a veste talar de uso quotidiano (exceto, como veremos, os Cardeais):


Presbíteros: Barrete negro com borla também negra;

Cônegos: conforme os estatutos de cada Cabido. Se não houver, usam o barrete negro, como os presbíteros;

Monsenhores: para os Capelães de Sua Santidade o Cerimonial não especifica, ficando subentendido que poderiam usar o mesmo barrete dos presbíteros, uma vez que este é prescrito para os Monsenhores Prelados de honra;

Protonotários apostólicos numerários: são os únicos a quem o Cerimonial prescreve o barrete negro com borla vermelha;

Bispos: barrete violáceo com borla na mesma cor;

Cardeais: barrete vermelho sem borla. Por ser o sinal distintivo do Cardinalato, imposto pelo Papa na cabeça de cada Cardeal, o barrete cardinalício só pode ser usado com as vestes corais.

O saturno

Por fim, temos o saturno, um chapéu redondo de felpo preto com aba larga que é assim chamado por sua semelhança com o planeta Saturno e o anel que o rodeia.


O saturno pode ser usado em ocasiões solenes fora das celebrações litúrgicas (e nunca dentro da Liturgia) ou no quotidiano por todos os clérigos. O chapéu é preto para todos, exceto para o Papa, que usa um saturno vermelho.

O saturno pode ainda ser ornado com cordões e borlas, que são pretas para os presbíteros, verdes para os Bispos e vermelhas para os cardeais.

Bento XVI com o saturno vermelho

[1] cf. CERIMONIAL DOS BISPOS, nn. 153.166.
[2] ibid., n. 322.
[3] cf. COELHO, Dom António. Curso de Liturgia Romana. Tomo II: Liturgia sacrifical. Editora Pax: Braga, 1943, p. 238; ROWER, Frei Basílio. Dicionário Litúrgico para uso do revmo. clero e dos fiéis. Petrópolis: Vozes, 1947, p. 183.
[4] cf. REUS, Pe. João Batista. Curso de Liturgia. São Paulo: Cultor de Livros, 2018, p. 142.

Fonte:
CERIMONIAL DOS BISPOS, Cerimonial da Igreja. Tradução portuguesa da edição típica. Apêndice I: Vestes prelatícias. São Paulo: Paulus, 1988, pp. 311-313.

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

A mozeta e o mantelete

Para acessar a postagem introdutória desta série, na qual explicamos os conceitos de vestes corais e vestes talares, clique aqui.

A mozeta ou murça

A mozeta ou murça é uma pequena capa, até a altura dos cotovelos, fechada na frente com botões, usada sobre os ombros por alguns clérigos.

Dom Angelo De Donatis (antes de ser criado Cardeal) com a mozeta episcopal

Sua origem, assim como a romeira (que se difere desta por ser aberta), provém de capas de viagem usadas por peregrinos para proteger-se do frio.

A partir desta origem, a mozeta possuía antes um pequeno capuz, que acabou sendo suprimido com o tempo. Este permanece por tradição apenas na mozeta do Papa e de alguns Cabidos de cônegos.

Seu uso faz parte das vestes corais de alguns membros da hierarquia:

Presbíteros: Não usam a mozeta, exceto os reitores de Basílicas que, por privilégio concedido pela Santa Sé, endossam como veste coral o hábito talar com sobrepeliz e a mozeta negra com botões e detalhes em cor violeta [1];

Cônegos: A mozeta é a veste característica dos cônegos. O Cerimonial prevê como veste coral a mozeta negra com detalhes violeta para os cônegos catedráticos (cônegos maiores), isto é, aqueles que efetivamente fazem parte do Cabido, e mozeta inteiramente negra para cônegos honorários (cônegos menores ou beneficiários), que recebem o título apenas por distinção.

Cônegos da Diocese de Bruges (Bélgica)

Porém, as vestes dos cônegos são determinadas pelos Estatutos de cada Cabido. Assim, podemos encontrar mozetas em outras cores, ou mesmo outras vestes em seu lugar. Em alguns lugares encontramos também uma cruz ou medalha pendente de um cordão ou fita sobre a mozeta, conforme os costumes de cada Cabido.
  
Bispos: Como veste coral, os Bispos revestem sobre a talar violácea com roquete a mozeta também violácea, com botões e detalhes vermelhos. Sobre a mozeta, como vimos anteriormente, o Bispo endossa a cruz peitoral pendente de cordão verde e ouro.

Cardeais: O mesmo que os Bispos, exceto que a mozeta é inteiramente vermelha e o cordão para a cruz peitoral é vermelho e ouro.

Cardeal De Donatis com a mozeta cardinalícia

Papa: O Papa possui tradicionalmente três mozetas, embora o Papa Francisco tenha optado por não endossar nenhuma.

A mozeta de inverno é de um vermelho bem escuro e feita de lã guarnecida com peles, enquanto que a mozeta de verão é de um vermelho mais vivo e feita de seda, mais leve. A terceira mozeta é a pascal, de lã branca guarnecida com peles, que tradicionalmente o Papa usava apenas na Oitava Pascal (o Papa Bento XVI a usava durante todo o Tempo Pascal).

Sobre a mozeta o Papa leva sempre a cruz peitoral pendente de um cordão dourado.

Bento XVI com a mozeta de inverno
Bento XVI com a mozeta de verão
Bento XVI com a mozeta pascal

O mantelete

O mantelete é um manto amplo, até a altura dos joelhos, aberto na frente e com abertura dos lados por onde passam os braços. É de cor violeta com detalhes em vermelho.

Antes do Concílio Vaticano II, os Bispos usavam a mozeta dentro de sua Diocese e o mantelete fora dela. Porém, tal prática foi abolida.

Dom Karol Wojtyla (depois Papa João Paulo II) com o mantelete

Seu uso, porém, foi conservado pelos Protonotários Apostólicos Numerários e pelos Superiores de Dicastérios da Cúria Romana que não são Bispos como parte de sua veste coral, endossado sobre o hábito talar violeta com roquete.

Por exemplo, Monsenhor Guido Marini, sendo Superior do Ofício das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice, endossou o mantelete em algumas ocasiões, como durante a Sé Vacante de 2013 ou durante os ritos da Recognitio e da Muratura das Portas Santas durante o Jubileu Extraordinário da Misericórdia.

Mons. Guido Marini com o mantelete no Conclave de 2013

Extraordinariamente, o uso do mantelete conserva-se por tradição em alguns Cabidos de cônegos. Inclusive podem ser encontrados manteletes em outras cores, como pretos, por exemplo.


Fonte:
CERIMONIAL DOS BISPOS, Cerimonial da Igreja. Tradução portuguesa da edição típica. Apêndice I: Vestes prelatícias. São Paulo: Paulus, 1988, pp. 311-313.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

A sobrepeliz e o roquete

Para acessar a postagem introdutória desta série, na qual explicamos os conceitos de vestes corais e vestes talares, clique aqui.

Dentre as vestes talares e corais, encontramos apenas uma que pode ser considerada uma veste litúrgica: trata-se da sobrepeliz (do latim superpelliceum, sobre as peles, sendo na origem um agasalho para o inverno).


Esta é uma simplificação da alva ou túnica, mais curta (se estendendo até acima dos joelhos) e com mangas mais largas. Costuma ser ornada com pregas, com rendas ou crivos, e algumas possuem cordões junto ao pescoço (o mais, comum, porém, é possuírem uma gola quadrada).

Quando a sobrepeliz é de um modelo mais simples, sem ornatos e sem pregas, costuma receber o nome de cota.


A sobrepeliz usa-se sempre sobre o hábito talar. É prevista em algumas celebrações substituindo a alva, mas nunca para presidir ou concelebrar a Missa [1]. Indicamos a seguir alguns exemplos de uso da sobrepeliz:

- por um presbítero ou diácono que exerce uma função distinta ao seu ministério, como cerimoniário ou regente do coro. Para exercer algumas funções, como proferir a homilia ou distribuir a Comunhão, convém endossar também a estola;

Dom Henrique Soares da Costa proferindo a homilia com estola sobre as vestes corais

- para presidir a oração solene das Laudes e Vésperas o presbítero ou o Bispo pode usar a talar com a sobrepeliz sob a estola e o pluvial [2]. Para as demais horas é suficiente a sobrepeliz sobre a talar, sendo então a estola facultativa;

- para participar das procissões, como, por exemplo, a da Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (aqui também o uso da estola e do pluvial é facultativo) [3];

- para os presbíteros que assistem ao Bispo ou a outro presbítero na administração dos Sacramentos fora da Missa ou mesmo para administrar os sacramentos fora da Missa de forma menos solene. Neste caso é obrigatório o uso da estola [4];

- para impor as mãos sobre o eleito nas ordenações presbiteral e episcopal. Aqui também é obrigatório o uso da estola [5].

Nos sacramentais (bênçãos) e no sacramento da Reconciliação a sobrepeliz pode ser dispensada, usando o sacerdote a estola diretamente sobre o hábito talar ou hábito religioso. Porém, é proibido usar a estola diretamente sobre o traje civil. Para presidir ou concelebrar a Missa, além disso, é proibido usar a estola sobre o hábito, sendo obrigatório o uso da alva ou túnica [6].

Papa Francisco com sobrepeliz e estola sobre a talar para administrar um Batismo

A sobrepeliz é ainda parte da veste coral dos presbíteros, dos cônegos e dos Monsenhores:

Presbíteros: hábito talar preto com sobrepeliz;

Cônegos: hábito talar conforme os estatutos do Cabido com sobrepeliz e mozeta (ou murça), também conforme os estatutos;

Monsenhores Capelães de Sua Santidade: hábito talar negro com detalhes em violeta com sobrepeliz;

Monsenhores Prelados de Honra: hábito talar violeta com sobrepeliz.

Cumpre notar que aos presbíteros que não estejam paramentados ou ao menos revestidos de sobrepeliz sobre a talar é vedado o assento no presbitério [7]. Vale recordar também que os presbíteros e Bispos que participam da Missa em vestes corais, sem presidir ou concelebrar, devem receber a Comunhão, uma vez que só podem comungar por conta o sacerdote que preside a Missa e os concelebrantes [8].

Sacerdotes assistentes recebendo a Comunhão

Os demais membros da hierarquia não usam a sobrepeliz com a veste coral e sim o roquete. Este difere da sobrepeliz por possuir mangas mais estreitas e uma renda mais prolongada, além de geralmente possuir fitas junto ao pescoço.

O uso do roquete está indicado sobre o hábito talar como parte da veste coral dos Protonotários Apostólicos numerários, Bispos, Cardeais e do Papa. Porém, o roquete não “pode substituir a sobrepeliz na administração dos sacramentos e sacramentais” [9]. Por exemplo, um Bispo que administra um Batismo de forma menos solene, em vestes corais, embora tenha direito ao roquete, deve neste caso vestir a sobrepeliz, sobre a qual endossará a estola.

[1] cf. CERIMONIAL DOS BISPOS, n. 65.
[2] ibid., n. 192.
[3] ibid., n. 390.
[4] ibid., nn. 449.473.614.622.661.
[5] ibid., nn. 532.567.
[6] cf. Instrução Liturgicae Instaurationes, n. 8c; Instrução Redemptionis Sacramentum, n. 126.
[7] CERIMONIAL DOS BISPOS, n. 50.
[8] cf. Introdução Geral do Missal Romano, 3ª edição, nn. 157-158.242-249.
[9] COELHO, Dom António. Curso de Liturgia Romana. Tomo II: Liturgia sacrifical. Editora Pax: Braga, 1943, p. 230.

Fonte:
CERIMONIAL DOS BISPOS, Cerimonial da Igreja. Tradução portuguesa da edição típica. Apêndice I: Vestes prelatícias. São Paulo: Paulus, 1988, pp. 311-313.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

A batina ou hábito talar

Para acessar a postagem introdutória desta série, na qual explicamos os conceitos de vestes corais e vestes talares, clique aqui.

A veste conhecida como batina ou sotaina é referida no Cerimonial dos Bispos como “hábito talar” (do latim talus, calcanhar).

O hábito talar é, pois, uma veste ampla, que desce até os calcanhares, utilizada por todos os clérigos. Sua origem remonta aos monges eremitas que, para expressar sua consagração, costumavam trajar uma túnica longa na cor preta, símbolo de sua “morte para o mundo”.

Com o tempo seu uso foi estendido a todos os sacerdotes. Além disso, foi enriquecida por alguns elementos, como os 33 botões no corpo (em alusão aos anos da vida terrena de Cristo) e cinco em cada manga (recordando o número das chagas do Senhor). Em algumas versões são 23 botões no corpo, que somados com os cinco de cada manga perfazem 33.


Em sua origem o hábito talar era inteiramente negro (como é até hoje nas Igrejas Orientais). Posteriormente, sob a influência da tradição protestante, foi acrescentada uma gola ou colarinho na cor branca, que passou a ser usado também em camisas. Este colarinho clerical é chamado de clergyman, aportuguesado para “clérgima”.

A talar costuma ser guarnecida de uma faixa, pendente sobre a perna esquerda e ornada com franjas. De um elemento prático, para ajustar a veste ao corpo, foi-lhe dado um sentido simbólico análogo ao cíngulo: prontidão para o serviço e domínio sobre o “fogo das paixões”, duplo simbolismo associado ao gesto de “cingir os rins”.


Além da faixa, a talar pode ser possuir também uma pequena capa, aberta na frente, chamada no Cerimonial de “romeira”, também conhecida como “peregrineta”. Os dois nomes remontam a uma capa usada por peregrinos ou romeiros.

Papa João Paulo II com a "romeira" do Caminho de Santiago

A seguir detalhamos as cores da veste talar usada por cada membro da hierarquia:

Presbíteros:
Os presbíteros (assim como os diáconos e seminaristas) usam sempre o hábito talar inteiramente negro, com faixa negra. Tradicionalmente o uso da romeira negra é restrita aos presbíteros: os diáconos e seminaristas comumente não a usam.

Cumpre recordar que o uso da talar por seminaristas depende da autorização do Bispo diocesano. O mesmo vale para ministros leigos que atuam como cerimoniários ou acólitos: estes usam a talar negra com sobrepeliz apenas quando permitido e somente enquanto exercem o seu ministério nas celebrações.

Quanto aos diáconos permanentes, devem estar atentos às orientações do Bispo diocesano, que pode limitar o uso da veste talar e da camisa clerical para os diáconos casados, a fim de evitar confusão entre os fiéis.

Monsenhor Guido Marini com a talar negra de presbítero

Cônegos                                               
As vestes dos cônegos variam conforme a Diocese, sendo indicadas no Estatuto de cada Cabido. Porém, uma vez que os cônegos estão diretamente ligados ao Bispo, se possuírem o direito a vestes específicas, eles só a usam dentro de sua Diocese [1].

Fora de sua Diocese e no uso quotidiano os cônegos vestem a talar negra, como os presbíteros, geralmente sem a faixa e sem a romeira.

Monsenhores Capelães de Sua Santidade
Tanto como veste coral quanto em ocasiões solenes fora da Liturgia usam a talar negra com detalhes (como orla, costuras e botões) na cor violeta (também dita violácea) e faixa violeta. Não usam a romeira.
No quotidiano usam a talar negra, como os presbíteros, sem faixa e sem romeira.

Monsenhores Prelados de Honra ou Protonotários Apostólicos supranumerários
Possuem o direito a dois tipos de hábito talar:
- talar violeta com faixa da mesma cor, usada como veste coral;
- talar negra com detalhes em vermelho, faixa violeta e sem romeira, para ocasiões solenes fora da Liturgia.
No quotidiano usam a talar negra, como os presbíteros, sem a faixa e sem a romeira.

Protonotários Apostólicos numerários
As mesmas vestes dos Monsenhores Prelados de honra, como acima.

Monsenhores Guido Marini e Ján Dubina assistem ao Papa com a talar de Prelados de Honra

Bispos
Os Bispos também possuem direito a duas vestes:
- talar inteiramente violeta, com detalhes e mangas em vermelho, com faixa violeta, como veste coral;
- talar negra com detalhes em vermelho, faixa violeta e romeira também com detalhes em vermelho, para ocasiões solenes fora da Liturgia.

Sempre que usam a talar os Bispos usam também a cruz peitoral, pendente de cordão verde e ouro com as vestes corais ou pendente de corrente simples com as demais vestes.

No quotidiano os Bispos usam a talar negra, como os presbíteros, sem a faixa e sem a romeira, com a cruz peitoral pendente de corrente simples. Os Bispos religiosos, por sua vez, podem usar o hábito da sua Ordem ou congregação. O uso do solidéu nestes casos é facultativo.

Cardeal Ratzinger com a talar negra e cruz peitoral

Cardeal Sean O'Malley com o hábito franciscano e cruz peitoral

Cardeais
Os Cardeais usam as mesmas vestes que os Bispos, exceto que a faixa é também na cor vermelha e o cordão para a cruz peitoral usada com as vestes corais é vermelho e ouro.

Papa
Por fim, embora o Cerimonial dos Bispos não o mencione, o Papa usa sempre uma talar branca, com a faixa branca (geralmente com o seu brasão bordado) e romeira.

A cruz peitoral do Papa costuma ser usada com um cordão dourado quando acompanha as vestes corais ou com uma corrente simples, como os Bispos, nos demais casos.

Cumpre notar que o Bispo Emérito de Roma, Bento XVI, conservou o uso da batina branca, porém sem a faixa e sem a romeira, para distingui-lo do Papa reinante.

Papa Francisco (com a romeira) e Bento XVI (sem a romeira)

Hábito talar em países tropicais
Por fim, cabe ressaltar a concessão feita por tradição a países tropicais, por conta do calor: todos os clérigos podem usar uma talar branca ou creme, porém com os botões, detalhes e a faixa nas respectivas cores, conforme a hierarquia.

Por exemplo, um presbítero em um país tropical (como o Brasil) poderia usar uma talar branca com detalhes e faixa na cor preta.

Monsenhores Guido Marini e Vincenzo Peroni assistem ao Papa com a talar tropical no Panamá

[1] cf. COELHO, Dom António. Curso de Liturgia Romana. Tomo II: Liturgia sacrifical. Editora Pax: Braga, 1943, p. 242.

Fonte:
CERIMONIAL DOS BISPOS, Cerimonial da Igreja. Tradução portuguesa da edição típica. Apêndice I: Vestes prelatícias. São Paulo: Paulus, 1988, pp. 311-313.

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Vestes talares e corais

Há exatos sete anos, no dia 18 de agosto de 2013, iniciamos uma série de postagens sobre os paramentos, isto é, as vestes que são usadas nas celebrações litúrgicas: túnica, estola, dalmática, casula...

Aqui daremos continuidade a esta proposta falando sobre outro conjunto de vestes que, conforme o caso, possuem uma maior ou menor relação com a Liturgia: as vestes talares e as vestes corais.

Estas não são paramentos, isto é, não são vestes litúrgicas. Ordinariamente se situam fora da Liturgia, sendo utilizadas pelos clérigos (isto é, por aqueles que receberam o Sacramento da Ordem) em seu quotidiano ou em algumas celebrações, especialmente quando não exercem sua função ministerial própria (quando apenas participam da celebração, sem presidir ou concelebrar).

De acordo com o Apêndice I do Cerimonial dos Bispos, que é o texto que atualmente regula o uso destas vestes, recolhendo as reformas realizadas após o Concílio Vaticano II, estas se dividem em três categorias:

Vestes corais
São as vestes usadas pelos clérigos que participam da Missa sem presidir ou concelebrar, pelo Bispo quando se dirige publicamente à igreja (especialmente em sua tomada de posse e nas visitas pastorais), para presidir a recitação das horas menores do Ofício Divino, nas procissões ou em outras formas de piedade popular.

Dom Henrique Soares da Costa em vestes corais

Vestes para ocasiões solenes fora da Liturgia
Como o nome indica, é um conjunto de vestes para ocasiões solenes fora da Liturgia. Por exemplo, em uma audiência com o Santo Padre ou com o Chefe de Estado, em uma cerimônia solene civil ou militar (como uma formatura), entre outras ocasiões.

Dom Henrique com as vestes solenes não-litúrgicas

Vestes de uso cotidiano
São as vestes que, vias de regra, os clérigos deveriam utilizar no dia-a-dia, que podem ser substituídas, conforme indica o Código de Direito Canônico, por outra veste digna, a critério da Conferência dos Bispos (cân. 284).

Dom Henrique com as vestes de uso cotidiano

Outra distinção que precisa ser feita é em relação aos vários títulos que os clérigos recebem. Os graus do Sacramento da Ordem são três: diaconato, presbiterado e episcopado. Mas, sobretudo os presbíteros, costumam receber alguns títulos em razão do ofício que exercem ou como reconhecimento por seus serviços, que influem nas vestes a que têm direito:

Presbítero
É, para os efeitos desta postagem, aquele que recebeu o segundo grau da Ordem e não possui nenhum título honorífico. Ordinariamente, usam as mesmas vestes do presbítero também os diáconos e os seminaristas, quando permitido pelo Bispo diocesano.

Vale ressaltar que nos referimos aqui aos presbíteros do clero diocesano. Os presbíteros religiosos já possuem sua veste própria, que é o hábito da respectiva ordem ou congregação.

Cônego
Do latim canonicus (de canon, regra), sacerdote que pertence ao Cabido de uma Diocese, grupo de sacerdotes que tradicionalmente exercem a função de conselheiros do Bispo e que zelam pelas celebrações litúrgicas da igreja Catedral. Este título é concedido pelo Bispo. Portanto, as vestes dos cônegos costumam variar conforme os costumes de cada Diocese.

Monsenhor Capelão de Sua Santidade
Primeiro dos títulos honoríficos concedidos pelo Papa, geralmente a sacerdotes mais idosos em reconhecimento por seus serviços à Igreja.

Monsenhor Prelado de Honra ou Protonotário Apostólico supranumerário
Dois outros títulos concedidos pelo Papa, porém geralmente restritos a sacerdotes que trabalham na Cúria Romana.

Protonotário Apostólico numerário
Um grupo restrito de sete sacerdotes que trabalham na Cúria Romana, responsáveis por alguns documentos oficiais. Usam as mesmas vestes que eles os Superiores de Dicastérios da Cúria Romana que não são Bispos (por exemplo, Monsenhor Guido Marini, que é um Prelado de Honra, usa as vestes como um Protonotário Apostólico numerário, por ser superior do Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice) [1].


Bispos
São os sacerdotes que receberam o terceiro grau do Sacramento da Ordem. Também podem usar as vestes episcopais aqueles que são equiparados pelo direito aos Bispos, mesmo permanecendo presbíteros, como Prelados, Prefeitos Apostólicos ou Abades territoriais.

Cardeais
Os Cardeais são Bispos ou presbíteros a quem o Papa concedeu este título, tornando-os seus conselheiros e eleitores do novo Pontífice.

Papa
É o Bispo de Roma, Sucessor do Apóstolo Pedro, cabeça do Colégio dos Bispos e Pastor da Igreja universal.

Nas próximas postagens falaremos de cada uma das vestes talares e corais, indicando as diferenças em seu uso por cada um dos membros da hierarquia citados acima. As vestes que abordaremos são:






O Cerimonial dos Bispos: nossa fonte de consulta

[1] Também usam estas vestes os Auditores da Rota Romana, o Promotor Geral da Justiça e o Defensor do Vínculo do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica e os Clérigos da Câmara Apostólica.

Fontes:
CERIMONIAL DOS BISPOS, Cerimonial da Igreja. Tradução portuguesa da edição típica. Apêndice I: Vestes prelatícias. São Paulo: Paulus, 1988, pp. 311-313.

CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO, Livro II: Do Povo de Deus, Parte II: Da constituição hierárquica da Igrejacân. 330-572. Brasília: Edições CNBB, 2019, pp. 102-155.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Modificado o Rito do Lava Pés

Foi divulgado hoje, 21 de janeiro de 2016, um decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, publicado a pedido do Papa Francisco, alterando as rubricas do rito do Lava Pés na Missa da Ceia do Senhor.

Até então, as rubricas do Missal Romano e do Cerimonial dos Bispos eram claras em afirmar que somente homens poderiam participar do Lava Pés, em clara referência aos doze Apóstolos do Senhor, que eram todos homens. Agora, fica permitido que também mulheres possam participar deste rito.

Confira o decreto na íntegra:

CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS
DECRETO
IN MISSA IN CENA DOMINI

A reforma da Semana Santa, realizada através do decreto Maxima Redemptionis nostrae mysterio (30 de Novembro de 1955), determinou que por motivos pastorais, se fizesse o Lava-pés a doze homens durante a Missa da Ceia do Senhor, depois da leitura do Evangelho segundo São João, manifestando a humildade e o amor de Cristo para com os seus discípulos.
Na liturgia romana, tal rito era conhecido com o nome de Mandatum do Senhor sobre a caridade fraterna segundo as palavras de Jesus (cf. Jo 13, 34) cantadas numa das antífonas durante esta celebração.
No exercício de tal rito, os Bispos e os sacerdotes são convidados a conformarem-se intimamente a Cristo “que não veio para ser servido, mas para servir” (Mt 20, 28), e que, com amor infinito - “até ao fim” (Jo 13, 1) - deu a vida para salvar todos os homens.
Para manifestar plenamente este significado do rito a todos os que nele participam, pareceu adequado ao Sumo Pontífice Francisco mudar a regra que se lê no Missale Romanum (p. 300, n° 11) que diz: “Os homens designados, conduzidos pelos ministros…” na forma seguinte: “As pessoas escolhidas entre o povo de Deus, conduzidas pelos ministros,…” (e, consequentemente, no Caeremoniale Episcoporum, n° 301 e n° 299b: “assentos para as pessoas designadas”). Deste modo os pastores poderão escolher um pequeno grupo de fiéis que sejam representantes da variedade e da unidade de cada porção do povo de Deus. Tal grupo poderá ser constituído por homens e mulheres, e de modo conveniente, por jovens e idosos, pessoas sãs ou doentes, clero, consagrados ou leigos.
Esta Congregação do Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos, em virtude das faculdades concedidas pelo Sumo Pontífice, introduz tal inovação nos livros litúrgicos do Rito Romano, recordando aos pastores a sua função de instruir adequadamente quer sejam os fiéis escolhidos, como também todos os outros, de modo a que participem neste rito de modo consciente, activo e frutuoso.
Nada obste em contrário.
Sede da Congregação do Culto Divino e da Disciplina dois Sacramentos, 6 de Janeiro de 2016, solenidade da Epifania do Senhor.

Robert Card. Sarah
Prefeito

+ Arthur ROCHE
Arcebispo Secretário

Papa Francisco no Lava Pés em 2015

Fonte: Santa Sé

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O canto da Kalenda na Noite de Natal

Dentre os livros litúrgicos talvez o menos conhecido no Brasil seja o Martirológio Romano (publicado pela Congregação para o Culto Divino em 2001 e revisado em 2004), uma vez que ainda não foi traduzido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O Martirológio propõe para cada dia do ano o “elogio” dos santos comemorados na ocasião, bem como “elogios” para as celebrações do Senhor e da Virgem Maria. Geralmente o “elogio” contém o nome do santo, além da data e local da sua morte.

Os santos, com efeito, são celebrados geralmente no dia de sua morte, chamado dies natalis, dia do seu nascimento para o céu. O próprio nome do livro, Martirológio, remete-nos aos mártires, santos e santas que foram mortos dando testemunho da sua fé.

Canto da Kalenda na Basílica de São Pedro no Vaticano
(24 de deze
mbro de 2011)

Tradicionalmente os “elogios” são lidos na véspera (para que a comunidade possa se preparar para as celebrações do dia seguinte), durante a recitação da Liturgia das Horas ou em um momento de oração pessoal ou comunitária (não, porém, na Missa).

O “elogio” mais solene presente no Martirológio é aquele da Solenidade do Natal do Senhor, proferido no dia 24 de dezembro antes da Missa da Noite. Esse texto é conhecido como “Anúncio do Natal” ou “Kalenda”.

O que significa Kalenda?

A palavra “kalenda” está relacionada ao início do texto desse “Anúncio do Natal” em seu idioma original, isto é, em latim: “Octavo kalendas ianuarii”.

No Martyrologium Romanum a leitura dos “elogios” é precedida pela indicação do dia segundo dois calendários: o romano e o judaico.

No calendário romano, baseado no ciclo solar, com doze meses de 30 ou 31 dias (28 ou 29 dias no caso de fevereiro), o primeiro dia de cada mês é chamado de “kalendas” (donde vem a própria palavra “calendário”).

Assim, os últimos dias do mês anterior eram contados de maneira regressiva em relação às kalendas. Portanto, 25 de dezembro corresponde ao oitavo dia antes das kalendas de janeiro.

Cristo representado como Emmanuel (Deus-conosco)

Note-se aqui o profundo simbolismo do número “oito”: se o número “sete” é associado à criação no Gênesis (cf. Gn 1,1–2,4a), o “oito” indica que com o nascimento de Cristo começa uma “nova criação”.

Com efeito, no oitavo dia após o seu nascimento, Jesus é circuncidado (Lc 1,21), unindo-se ao povo da primeira aliança e derramando pela primeira vez o seu sangue, prefigurando já seu sacrifício para a nossa salvação. Celebramos esse mistério no primeiro dia do ano civil, juntamente com a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. Para saber mais, confira nossa postagem sobre a Festa da Circuncisão do Senhor.