sábado, 16 de maio de 2026

Homilia do Papa João Paulo II: Ascensão do Senhor (2001)

Há cerca de 25 anos, no dia 24 de maio de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa da Solenidade da Ascensão do Senhor (Ano C) na Basílica de São Pedro por ocasião do encerramento do Consistório Extraordinário, isto é, a reunião com os Cardeais para refletir sobre a missão da Igreja no terceiro milênio.

Confira a seguir a homilia do Papa durante a celebração:

Solenidade da Ascensão do Senhor
Concelebração Eucarística no Encerramento do Consistório Extraordinário
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica de São Pedro
Quinta-feira, 24 de maio de 2001

Senhores Cardeais,
Venerados irmãos no Episcopado,
Caríssimos irmãos e irmãs,
1. Estamos reunidos em torno do altar do Senhor para celebrar a sua Ascensão ao Céu. Escutamos as suas palavras: «Recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas... até os confins da terra» (At 1,8). Há dois mil anos estas palavras do Senhor Ressuscitado impelem a Igreja a “fazer-se ao largo” na história, tornando-a contemporânea de todas as gerações, transformando-a no fermento de todas as culturas do mundo.


Voltamos a ouvi-las hoje para acolher com renovado fervor o mandato «Duc in altum!» - «Faz-te ao largo!», «Avança para águas mais profundas» - que um dia Jesus dirigiu a Pedro (cf. Lc 5,4): um mandato que desejei fazer ressoar em toda a Igreja na Carta Apostólica Novo millennio ineunte e que, à luz desta Solenidade litúrgica, adquire um significado ainda mais profundo. O “altum rumo ao qual a Igreja deve caminhar não é apenas um compromisso missionário mais vigoroso, mas antes ainda um empenho contemplativo mais intenso. Também nós somos convidados, como os Apóstolos, testemunhas da Ascensão, a fixar o olhar no rosto de Cristo, elevado no esplendor da glória divina.

Certamente contemplar o céu não significa esquecer a terra. Caso se apresentasse esta tentação, bastaria escutar novamente os «dois homens vestidos de branco» da passagem do Evangelho de hoje: «Por que ficais aqui, parados, olhando para o céu?» (At 1,11). A contemplação cristã não nos subtrai ao compromisso histórico. O “céu” da Ascensão de Jesus não é distância, mas ocultamento e custódia de uma presença que nunca nos abandona, até que Ele venha na glória. Entretanto, é a hora exigente do testemunho, para que em nome de Cristo «sejam anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações» (Lc 24,47).

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Festa da Invenção da Santa Cruz em Jerusalém (2026)

Nos dias 06 e 07 de maio de 2026 o Custódio da Terra Santa, Padre Francesco Ielpo, presidiu as celebrações da Festa da Invenção da Santa Cruz na Gruta de Santa Helena sob a Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém: as I Vésperas na tarde do dia 06 e a Missa na manhã do dia 07.

A Festa da Invenção da Santa Cruz (Inventio Sanctae Crucis), com efeito, recorda a descoberta (em latim, inventio) das supostas relíquias da Cruz por Santa Helena. Para saber mais, confira nossa postagem sobre a história da Festa da Exaltação da Santa Cruz.

06 de maio: I Vésperas

Procissão até a Gruta de Santa Helena

Oração das Vésperas

07 de maio: Missa

Procissão de entrada

Regina Coeli: V Domingo da Páscoa - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Regina Coeli
Praça de São Pedro
Domingo, 03 de maio de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
No Tempo Pascal, assim como a Igreja nascente, recordamos as palavras de Jesus que revelam todo o seu significado à luz da sua Paixão, Morte e Ressurreição. O que antes escapava aos discípulos ou lhes causava perturbação, agora ressurge na memória, aquece o coração e dá esperança.

O Evangelho proclamado neste domingo (Jo 14,1-12) nos introduz no diálogo do Mestre com os seus, durante a Última Ceia. Em particular, ouvimos uma promessa que nos conecta desde já ao mistério da sua Ressurreição. Jesus diz: «Quando Eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde Eu estiver estejais também vós» (v. 3). Os Apóstolos descobrem assim que em Deus há lugar para cada um. Dois deles tinham-no experimentado desde o primeiro encontro com Jesus, junto ao rio Jordão, quando Ele se deu conta de que o seguiam e os convidou a ficar naquela tarde na sua casa (cf. Jo 1,39). Também agora, diante da morte, Jesus fala de uma casa, desta vez muito grande: é a casa do seu Pai e do nosso Pai, onde há lugar para todos. O Filho se descreve como o servo que prepara os aposentos, para que cada irmão e irmã, ao chegar, encontre o seu pronto e se sinta desde sempre esperado e finalmente encontrado.

Caríssimos, no mundo antigo em que ainda caminhamos, chamam a atenção os lugares exclusivos, as experiências ao alcance de poucos, o privilégio de entrar onde ninguém mais pode. Em vez disso, no mundo novo para onde o Ressuscitado nos leva, aquilo que tem maior valor está ao alcance de todos. Mas não por isso perde o seu encanto. Pelo contrário, aquilo que está acessível a todos agora gera alegria: a gratidão substitui a competição; a acolhida apaga a exclusão; a abundância já não implica desigualdade. Acima de tudo, ninguém é confundido com outra pessoa, ninguém está perdido. A morte ameaça apagar o nome e a memória, mas em Deus cada um é finalmente si mesmo. Na verdade, é este o lugar que procuramos durante toda a vida, por vezes dispostos a tudo para ter um pouco de atenção e reconhecimento.

«Tende fé», diz-nos Jesus. Eis o segredo! «Tendes fé em Deus, tende fé em mim também» (Jo 14,1). É precisamente esta fé que liberta o nosso coração da ansiedade de obter e de possuir, do engano de perseguir um lugar de prestígio para valer alguma coisa. Cada um já tem um valor infinito no mistério de Deus, que é a verdadeira realidade. Amando-nos uns aos outros como Jesus nos amou, oferecemos a nós mesmos essa consciência. É o mandamento novo: assim antecipamos o céu na terra, revelamos a todos que a fraternidade e a paz são o nosso destino. Com efeito, no meio de uma multidão de irmãos, no amor, cada um descobre ser único.

Peçamos, então, a Maria Santíssima, Mãe da Igreja, para que cada comunidade cristã seja uma casa aberta a todos e atenta a cada um.

Cristo em majestade com os Doze Apóstolos:
“Vou preparar um lugar para vós” (Jo 14,2)

Fonte: Santa Sé.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Ressurreição 2

Prosseguindo com as reflexões do Papa Leão XIV sobre “A Ressurreição de Cristo e os desafios do mundo de hoje”, trazemos nesta postagem a terceira e a quarta meditações dessa que é a última seção do ciclo de Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”:

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 05 de novembro de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
4.3. A Ressurreição de Cristo e os desafios do mundo de hoje:
A Páscoa dá esperança à vida quotidiana

Queridos irmãos e irmãs, bom dia! E bem-vindos todos!
A Páscoa de Jesus é um acontecimento que não pertence a um passado distante, agora sedimentado na tradição como tantos outros episódios da história humana. A Igreja nos ensina a fazer memória atualizadora da Ressurreição todos os anos no Domingo de Páscoa e todos os dias na Celebração Eucarística, durante a qual se realiza de forma mais plena a promessa do Senhor Ressuscitado: «Eis que Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo» (Mt 28,20).

Por isso o Mistério Pascal constitui o eixo da vida do cristão, em torno do qual giram todos os outros acontecimentos. Podemos dizer, então, sem qualquer irenismo ou sentimentalismo, que todo dia é Páscoa. De que maneira?

«Ele não está aqui. Ressuscitou» (Mc 16,6) 
(Johann Georg Trautmann)

Vivemos a cada hora tantas experiências diferentes: dor, sofrimento, tristeza, entrelaçadas com alegria, admiração, serenidade. Mas em todas as situações o coração humano anseia pela plenitude, por uma felicidade profunda. Uma grande filósofa do século XX, Santa Teresa Benedita da Cruz, cujo nome era Edith Stein, que tanto aprofundou o mistério da pessoa humana, nos recorda esse dinamismo de constante busca da realização: «O ser humano anseia sempre por receber novamente o dom do ser, para poder aproveitar aquilo que o momento lhe dá e, ao mesmo tempo, lhe tira» (Essere finito ed Essere eterno: Per una elevazione al senso dell’essere, Roma, 1998, 387). Estamos imersos no limite, mas também nos esforçamos por superá-lo.

Posse do Arcebispo de Aparecida (2026)

Na tarde do sábado, 02 de maio de 2026, Dom Mário Antônio da Silva tomou posse como Arcebispo Metropolitano de Aparecida (SP) durante a Missa do V Domingo da Páscoa no Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, que também é a Catedral da Arquidiocese de Aparecida:

Dom Mário Antônio da Silva
Acolhida do Arcebispo: Veneração da cruz
Entronização da imagem de Nossa Senhora Aparecida
O Arcebispo toma posse da sua cátedra
Liturgia da Palavra

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Ordenações Episcopais em Roma (2026)

Na tarde do dia 02 de maio de 2026 o Papa Leão XIV celebrou a Missa do V Domingo da Páscoa (Ano A) na Basílica do Latrão, durante a qual conferiu a Ordenação Episcopal a quatro novos Bispo Auxiliares da Diocese de Roma: Stefano Sparapani, Alessandro Zenobbi, Andrea Carlevale e Marco Valenti, nomeados no dia 25 de fevereiro [1].

Os co-ordenantes foram os Cardeais Baldassare Reina, Vigário Geral da Diocese de Roma e Arcipreste da Basílica do Latrão, e Angelo De Donatis, Penitenciário-Mor (Vigário Geral de Roma de 2017 a 2024).

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor Massimiliano Matteo Boiardi. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Procissão de entrada
(Note-se em primeiro plano a Cruz Lateranense)
Ritos iniciais

Homilia
Propósitos dos eleitos

Homilia do Papa: Ordenações Episcopais (2026)

Santa Missa com Ordenações Episcopais
Homilia do Papa Leão XIV
Basílica do Latrão
Sábado, 02 de maio de 2026

Foi celebrada a Missa do V Domingo da Páscoa (Ano A).

Amados irmãos e irmãs,
Unindo-nos a Cristo, nos tornamos uma casa sólida e hospitaleira: esta é a alegria que experimentamos sobretudo no Tempo Pascal e, de modo especial, hoje, celebrando a Ordenação de quatro novos Bispos Auxiliares da Diocese de Roma.

Esta Igreja tem uma vocação singular para a universalidade e a caridade, graças ao seu vínculo peculiar com Cristo, ressuscitado e vivo, fundamento do edifício espiritual de pedras vivas que é o povo santo de Deus. Assim, aproximar-se de Cristo significa aproximar-nos uns dos outros e crescermos juntos na unidade: eis o Mistério que nos envolve e, a partir de dentro, transforma também a cidade. A serviço do seu dinamismo, trazido a Roma pelos Apóstolos Pedro e Paulo, os nossos irmãos Andrea, Stefano, Marco e Alessandro são ordenados Bispos. É uma festa de povo, pois eles provêm deste povo e do presbitério que, com amor, cuida dele.


A nossa Comunidade diocesana reúne-se hoje na invocação do Espírito Santo, que ungirá os novos Bispos, para que sejam plenamente consagrados ao serviço do Evangelho de Cristo. Ele é a pedra rejeitada que, escolhida por Deus, «tornou-se a pedra angular» (1Pd 2,4.7; cf. Sl 117,22).

Aos primeiros cristãos essa metáfora, tão familiar porque está presente em um salmo, devia parecer particularmente reveladora. O Messias Jesus foi rejeitado não só porque não era reconhecido como Filho de Deus, mas antes ainda porque tinha assumido a condição de criatura, considerada indigna de Deus. Fiel a esta senda de amor misericordioso, Ele ia à procura das ovelhas perdidas, sentava-se à mesa com elas, desarmava as mãos e os corações que queriam apedrejá-las. Desse modo, como diz o Evangelho proclamado nesta Liturgia, o Filho mostrou o rosto do Pai: é n’Ele que se cumprem as suas obras. « Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Felipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: “Mostra-nos o Pai”? Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em mim?» (Jo 14,9-10).

terça-feira, 12 de maio de 2026

Eleito novo Patriarca da Igreja Ortodoxa da Geórgia

No dia 11 de maio de 2026 o Metropolita Shio Mujiri (შიო მუჯირი), Bispo de Senaki e Chkhorotsku, foi eleito novo Patriarca da Igreja Ortodoxa da Geórgia, sucedendo o Patriarca Ilia II, falecido no dia 17 de março.


Elizbar Mujiri (ელიზბარ მუჯირი) nasceu em 01 de fevereiro de 1969 em Tiblisi (Geórgia). Após formar-se em Música no Conservatório de Tbilisi em 1991, iniciou os estudos teológicos no Seminário de Batumi (Geórgia). Posteriormente prosseguiria os estudos na Academia Teológica de Moscou e na Universidade Teológica de São Tikhon em Moscou (Rússia), onde obteve o Doutorado em Teologia.

Professou os votos monásticos em 1993, assumindo o nome religioso de Shio (შიო). Recebeu a Ordenação Diaconal em 1995 e a Ordenação Presbiteral em 1996. Nos anos seguintes exerceu seu sacerdócio em algumas igrejas monásticas de Tiblisi. De 2001 a 2003, por sua vez, enquanto realizava os estudos em Moscou, atendeu a comunidade georgiana na Rússia.

No dia 18 de agosto de 2003 foi eleito primeiro Bispo da nova Eparquia de Senaki e Chkhorotsku (Geórgia), no oeste do país. Recebeu a Ordenação Episcopal no dia 07 de setembro do mesmo ano.


Em 30 de abril de 2009 também foi nomeado responsável pelos fiéis georgianos na Austrália e Nova Zelândia. No dia 02 de agosto de 2010, por sua vez, recebeu o título de Metropolita.

No dia 23 de novembro de 2017 o Patriarca Ilia II nomeou o Metropolita Shio como locum tenens, isto é, responsável pela administração interina da Igreja Ortodoxa da Geórgia após a sua morte. O Metropolita Shio assumiu esse ofício no dia 17 de março de 2026, com a morte do Patriarca Ilia II.

No dia 11 de maio de 2026, aos 57 anos, o Metropolita Shio foi eleito pelo Sínodo da Igreja Ortodoxa Georgiana como o novo Catholicos-Patriarca de toda a Geórgia e Arcebispo de Mtskheta e Tbilisi, assumindo o nome de Shio III (შიო III). Sua entronização na Catedral de Svetitskhoveli em Mtskheta terá lugar neste dia 12 de maio.


A Igreja Ortodoxa Georgiana, umas das Igrejas Ortodoxas Bizantinas, possui cerca de 3,5 milhões de fiéis. Sua origem remonta ao início do século IV, quando o Cristianismo foi acolhido na região através da pregação de Santa Nino. O primeiro Bispo de Mtskheta, João I, teria sido eleito em 326 ou 337.

A partir do século V a Igreja da Geórgia foi ganhando progressivamente mais autonomia. No ano de 1010 seu hierarca passa a receber o título de Catholicos-Patriarca de toda a Geórgia.

Entre 1811 e 1917, com a anexação da Geórgia pelo Império Russo, a Igreja do país foi subordinada ao Patriarcado de Moscou. Em 1917, por sua vez, a Igreja da Geórgia iniciou um processo para o reconhecimento da sua autocefalia.

Regina Coeli: IV Domingo da Páscoa - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Regina Coeli
Praça de São Pedro
Domingo, 26 de abril de 2026

Irmãos e irmãs, bom dia e bom domingo!
Enquanto continuamos o nosso caminho no Tempo Pascal, o Evangelho nos apresenta hoje as palavras de Jesus, que se compara a um pastor e, depois, à porta do redil (cf. Jo 10,1-10).

Jesus contrapõe o pastor ao mercenário. Na verdade, afirma: «Quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante» (v. 1). Mais adiante, diz de forma ainda mais clara: «O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância» (v. 10). A diferença é evidente: o pastor tem uma ligação especial com as suas ovelhas e, por isso, pode entrar pela porta do redil; se, pelo contrário, alguém precisa transpor a cerca, então é certamente um ladrão que quer roubar as ovelhas.

Jesus nos diz que está ligado a nós por uma relação de amizade: Ele nos conhece, nos chama pelo nome, nos guia e, como o pastor faz com as suas ovelhas, vem à nossa procura quando nos perdemos e trata das nossas feridas quando estamos doentes (cf. Ez 34,16). Jesus não vem, como um ladrão, roubar a nossa vida e a nossa liberdade, mas conduzir-nos pelos caminhos direitos. Não vem sequestrar ou enganar a nossa consciência, mas iluminá-la com a luz da sua sabedoria. Não vem corromper as nossas alegrias terrenas, mas abri-las a uma felicidade mais plena e duradoura. Quem confia n’Ele não tem nada a temer: Ele não vem atormentar a nossa vida, mas vem dá-la em abundância (v. 10).

Irmãos e irmãs, somos convidados a refletir e, sobretudo, a vigiar o redil do nosso coração e da nossa vida, porque quem entrar nele pode multiplicar a alegria ou, como um ladrão, pode roubá-la. Os “ladrões” podem ter muitos rostos: são aqueles que, apesar das aparências, sufocam a liberdade ou não respeitam a nossa dignidade; são convicções e preconceitos que nos impedem de ter um olhar sereno sobre os outros e sobre a vida; são ideias erradas que podem nos levar a escolhas negativas; são estilos de vida superficiais ou marcados pelo consumismo, que nos esvaziam interiormente e nos levam a viver sempre à margem de nós mesmos. E não esqueçamos também aqueles “ladrões” que, saqueando os recursos da terra, combatendo guerras sangrentas ou alimentando o mal nas suas diversas formas, não fazem mais do que roubar a todos a possibilidade de um futuro de paz e tranquilidade.

Podemos nos perguntar: Quem queremos que guie a nossa vida? Quais são os “ladrões” que tentaram entrar no nosso redil? Conseguiram ou fomos capazes de afastá-los?

Hoje, o Evangelho nos convida a confiar no Senhor: Ele não vem para nos roubar nada; pelo contrário, é o Bom Pastor, que multiplica a vida e a oferece em abundância. Que a Virgem Maria nos acompanhe sempre ao longo do caminho e interceda por nós e pelo mundo inteiro.

Bom Pastor (Grigory Gagarin)

Fonte: Santa Sé.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Ordenações Presbiterais no Vaticano (2026)

Na manhã do dia 26 de abril de 2026 o Papa Leão XIV celebrou a Missa do IV Domingo da Páscoa (Ano A) na Basílica de São Pedro, durante a qual conferiu a Ordenação Presbiteral a 10 novos sacerdotes, sendo oito da Diocese de Roma.

Na mesma ocasião, com efeito, se celebrou o 63º Dia Mundial de Oração pelas Vocações.

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor Yala Banorani Djetaba. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Procissão de entrada
Incensação da cruz e do altar
Ritos iniciais


Homilia do Papa: Ordenações Presbiterais (2026)

Santa Missa com Ordenações Presbiterais
Homilia do Papa Leão XIV
Basílica de São Pedro
Domingo, 26 de abril de 2026

Foi celebrada a Missa do IV Domingo da Páscoa (Ano A).

Queridos irmãos e irmãs,
Com esta saudação dirijo-me em particular àqueles que agora foram apresentados e que receberão a Ordenação Presbiteral, aos seus familiares, aos presbíteros de Roma - muitos dos quais recordam a própria Ordenação neste IV Domingo da Páscoa -, e a todos os presentes.

Este é um domingo cheio de vida! Ainda que a morte nos rodeie, a promessa de Jesus já se cumpre: «Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância» (Jo 10,10). Na disponibilidade dos jovens, que hoje a Igreja pede que sejam ordenados presbíteros, encontramos muita generosidade e entusiasmo. Ao nos reunirmos, tão numerosos e diversos, em torno do único Mestre, sentimos uma força que nos regenera. É o Espírito Santo, que une pessoas e vocações na liberdade, para que ninguém viva mais para si mesmo. O domingo - todos os domingos - nos chama para fora do “sepulcro” do isolamento, do fechamento, para que nos encontremos no jardim da comunhão, do qual o Ressuscitado é o guardião.


O serviço do sacerdote, sobre o qual a vocação destes irmãos nos convida a refletir, é um ministério de comunhão. A “vida em abundância”, com efeito, vem a nós no encontro profundamente íntimo com a pessoa do Filho, mas abre imediatamente os nossos olhos para um povo de irmãos e irmãs que já experimentam, ou que ainda procuram, o «poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1,12). Eis aqui um primeiro segredo na vida do sacerdote. Caríssimos ordenandos, quanto mais profundo for o vosso vínculo com Cristo, tanto mais radical será a vossa pertença à humanidade comum. Não há oposição, nem competição, entre o céu e a terra: em Jesus, eles se unem para sempre. Esse mistério vivo e dinâmico compromete o coração em um amor indissolúvel: o compromete e o preenche. É claro que, tal como o amor dos cônjuges, também o amor que inspira o celibato pelo Reino de Deus deve ser cuidado e sempre renovado, pois todo o verdadeiro afeto amadurece e se torna fecundo com o tempo. Vós sois chamados a um específico, delicado e difícil modo de amar e, mais ainda, de vos deixardes amar, na liberdade. Um modo que poderá fazer de vós, além de bons sacerdotes, também cidadãos honestos, disponíveis, construtores de paz e de amizade social.

sábado, 9 de maio de 2026

Fotos da Missa do Papa em Malabo

Na manhã da quinta-feira, 23 de abril de 2026, concluindo sua Viagem Apostólica à Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial, o Papa Leão XIV celebrou a Missa no Estádio de Malabo (Guiné Equatorial).

Foi celebrada a Missa do dia (quinta-feira da III semana da Páscoa).

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli. O livreto da celebração pode ser visto aqui (pp. 275-309 do Missal para a Viagem Apostólica).

Procissão de entrada
Incensação da imagem da Virgem Maria

Ritos iniciais
Liturgia da Palavra

Homilia do Papa: Missa em Malabo

Viagem Apostólica à Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial
Missa em Malabo
Homilia do Papa Leão XIV
Estádio de Malabo (Guiné Equatorial)
Quinta-feira, 23 de abril de 2026

Foi celebrada a Missa da quinta-feira da III semana da Páscoa.

Queridos irmãos e irmãs,
Gostaria de começar por saudar com carinho esta Igreja particular de Malabo com o seu pastor e, ao mesmo tempo, expressar as minhas sinceras condolências a toda a comunidade arquidiocesana, aos irmãos sacerdotes e aos familiares pelo falecimento, há alguns dias, do seu Vigário Geral, Monsenhor Fortunato Nsue Esono, a quem recordamos nesta Eucaristia.
Convido-vos a viver este momento de dor com espírito de fé. Espero que, sem ceder a comentários ou conclusões precipitadas, se esclareçam plenamente as circunstâncias da sua morte.


As Escrituras que acabamos de ouvir nos interpelam, perguntando a cada um de nós se e como somos capazes de ler as páginas bíblicas que hoje compartilhamos. Trata-se de um convite tão sério quanto providencial, pois nos prepara para ler juntos o livro da história, ou seja, as páginas da nossa vida, que Deus continua a inspirar com a sua sabedoria.

Participando da jornada de um viajante, que regressava de Jerusalém precisamente para a África, o diácono Filipe lhe perguntou: «Tu compreendes o que estás lendo?» (At 8,30). Aquele peregrino, um eunuco da rainha da Etiópia, lhe responde imediatamente com humilde perspicácia: «Como posso, se ninguém me explica?» (v. 31). A sua pergunta torna-se assim não só um apelo à verdade, mas uma expressão de curiosidade. Observemos com atenção quem está falando: é um homem rico, assim como a sua terra, mas escravo. Todos os tesouros que administra não são seus: seus são os cansaços, que beneficiam outros. Esse homem tem inteligência e cultura, e o demonstra tanto no trabalho como na oração, mas não é plenamente livre. Este estado está dolorosamente impresso no seu corpo: com efeito, trata-se de um eunuco. Não pode gerar vida: as suas energias estão todas a serviço de um poder que o controla e o domina.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Fotos da Missa do Papa em Mongomo

Na manhã da quarta-feira, 22 de abril de 2026, durante sua Viagem Apostólica à Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial, o Papa Leão XIV celebrou a Missa na Catedral Basílica da Imaculada Conceição em Mongomo (Guiné Equatorial).

Foi celebrada a Missa do dia (quarta-feira da III semana da Páscoa).

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli. O livreto da celebração pode ser visto aqui (pp. 241-273 do Missal para a Viagem Apostólica).


Procissão de entrada
Incensação da imagem da Virgem Maria
Liturgia da Palavra

Homilia do Papa: Missa em Mongomo

Viagem Apostólica à Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial
Missa em Mongomo
Homilia do Papa Leão XIV
Basílica da Imaculada Conceição em Mongomo (Guiné Equatorial)
Quarta-feira, 22 de abril de 2026

Foi celebrada a Missa da quarta-feira da III semana da Páscoa.

Caríssimos irmãos e irmãs,
Nesta esplêndida Catedral Basílica, dedicada à Imaculada Conceição, Mãe do Verbo Encarnado e Padroeira da Guiné Equatorial, estamos reunidos para ouvir a Palavra do Senhor e celebrar o Memorial que Ele nos deixou como fonte e ápice da vida e da missão da Igreja. A Eucaristia abarca verdadeiramente todo o bem espiritual da Igreja: é Cristo, nossa Páscoa, que se entrega a nós; é o Pão vivo que nos sacia; é a presença que nos revela o amor infinito de Deus por toda a família humana e o seu vir ao encontro de cada homem e cada mulher também hoje.

Estou contente por poder celebrar convosco, dando graças ao Senhor pelos 170 anos de evangelização nestas terras da Guiné Equatorial. Trata-se de uma ocasião propícia para fazer memória de todo o bem que o Senhor realizou e, ao mesmo tempo, desejo expressar a minha gratidão a tantos missionários, missionárias, sacerdotes diocesanos, catequistas e fiéis leigos que gastaram a sua vida a serviço do Evangelho.


Eles acolheram as expectativas, as interrogações e as feridas do vosso povo, iluminando-as com a Palavra do Senhor e tornando-se sinal do amor de Deus no meio de vós; com o seu testemunho de vida, colaboraram para o advento do Reino de Deus, não temendo sofrer pela sua fidelidade a Cristo.

É uma história que não podeis esquecer, pois, por um lado, vos liga à Igreja apostólica e universal que vos precede e, por outro, vos acompanhou no processo de vos tornardes vós mesmos protagonistas no anúncio do Evangelho e no testemunho da fé, cumprindo aquelas palavras proféticas proferidas em terra africana pelo Papa São Paulo VI: «Africanos, a partir de agora, vós mesmos sois os vossos missionários. A Igreja de Cristo está verdadeiramente enraizada nesta terra abençoada» (Homilia na conclusão do Simpósio dos Bispos na África, Kampala, Uganda, 31 de julho de 1969).

Visitas Pastorais do Papa na Itália (2026)

No dia 08 de maio de 2026, exatamente um ano após sua eleição como Bispo de Roma, o Papa Leão XIV dará início às Visitas Pastorais dentro da Itália.

Embora o Papa já tenha realizado visitas privadas a alguns lugares do país (como o Santuário de Genazzano), essa será a primeira Visita Pastoral oficial, com celebrações e encontros públicos.

Junto com as Viagens Apostólicas a outros países, com efeito, as Visitas Pastorais dentro da Itália são expressão da solicitude do Romano Pontífice por todas as Igrejas.

Nesta postagem apresentaremos brevemente as três Visitas Pastorais a serem realizadas no primeiro semestre de 2026:

Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia:
Destino da primeira Visita Pastoral do Papa na Itália

POMPEIA E NÁPOLES (08 de maio)

Na sexta-feira, 08 de maio de 2026, o Papa visita a Prelazia Territorial de Pompeia e a Arquidiocese de Nápoles, ambas na região da Campânia, no sul da Itália.

Leão XIV é o quarto Papa a visitar o Santuário da Bem-Aventurada Virgem do Rosário de Pompeia, após duas visitas de São João Paulo II (21 de outubro de 1979 e 07 de outubro de 2003), uma de Bento XVI (19 de outubro de 2008) e uma de Francisco (21 de março de 2015).

Na manhã do dia 08 de maio, após encontrar algumas pessoas atendidas pela Pastoral Social do Santuário e rezar diante das relíquias do seu fundador, São Bartolo Longo (†1926), canonizado no dia 19 de outubro de 2025, Leão XIV celebra a Missa na Praça diante do Santuário.

No final da Missa o Papa recita a tradicional Súplica a Nossa Senhora de Pompeia (Supplica alla Madonna di Pompei), oração proposta por São Bartolo Longo e rezada no dia 08 de maio e no primeiro domingo de outubro.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Ressurreição 1

Neste Tempo Pascal retomamos e concluímos a publicação das Catequeses proferidas pelo Papa Leão XIV durante o Jubileu Ordinário de 2025: “Jesus Cristo, nossa esperança”.

Após as reflexões sobre a infância, a vida pública e a Páscoa de Jesus, confira nesta postagem as primeiras duas meditações da quarta e última seção: “A Ressurreição de Cristo e os desafios do mundo de hoje”.

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 15 de outubro de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
4.1. A Ressurreição de Cristo e os desafios do mundo de hoje:
O Ressuscitado, fonte viva da esperança humana

Queridos irmãos e irmãs, bom dia,
Nas Catequeses do Ano Jubilar, até este momento, percorremos a vida de Jesus seguindo os Evangelhos, do Nascimento até a Morte e Ressurreição. Assim, a nossa peregrinação na esperança encontrou o seu fundamento sólido, o seu caminho seguro. Agora, na última parte do caminho, deixaremos que o mistério de Cristo, que culmina na Ressurreição, irradie a sua luz de salvação em contato com a realidade humana e histórica atual, com as suas interrogações e os seus desafios.

Ressurreição de Cristo (Nicolas Bertin)

A nossa vida é marcada por inúmeros acontecimentos, cheios de diferentes nuances e experiências. Às vezes nos sentimos alegres, outras vezes tristes, outras ainda realizados, ou estressados, gratificados ou desmotivados. Vivemos muito ocupados, nos concentramos para obter resultados, até chegamos a atingir metas elevadas, prestigiadas. Por outro lado, permanecemos suspensos, precários, à espera de sucessos e reconhecimentos que demoram a chegar, ou que nunca chegam. Em suma, experimentamos uma situação paradoxal: gostaríamos de ser felizes, porém é muito difícil conseguir ser feliz de modo contínuo e sem sombras. Fazemos as contas com o nosso limite e, ao mesmo tempo, com o ímpeto irreprimível de procurar ultrapassá-lo. No íntimo, sentimos que nos falta sempre algo.

Na verdade, não fomos criados para a falta, mas para a plenitude, para se alegrar com a vida, com a vida em abundância, segundo a expressão de Jesus no Evangelho de João (cf. Jo 10,10).

Fotos da Missa do Papa em Saurimo

Na manhã da segunda-feira, 20 de abril de 2026, durante sua Viagem Apostólica à Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial, o Papa Leão XIV celebrou a Missa na Esplanada de Saurimo (Angola).

Foi celebrada a Missa da segunda-feira da III semana da Páscoa.

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli. O livreto da celebração pode ser visto aqui (pp. 203-237 do Missal para a Viagem Apostólica).

Procissão de entrada
Incensação do altar
Sinal da cruz
Ritos iniciais

Homilia do Papa: Missa em Saurimo

Viagem Apostólica à Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial
Missa em Saurimo
Homilia do Papa Leão XIV
Esplanada de Saurimo (Angola)
Segunda-feira, 20 de abril de 2026

Foi celebrada a Missa da segunda-feira da III semana da Páscoa.

Queridos irmãos e irmãs,
Em todas as partes do mundo a Igreja vive como povo que caminha no seguimento de Cristo, nosso irmão e Redentor: Ele, o Ressuscitado, nos ilumina o caminho para o Pai e nos santifica com a força do Espírito, para que transformemos o nosso estilo de vida segundo o seu amor. Esta é a Boa-Nova, o Evangelho que corre como sangue nas veias, sustentando-nos ao longo do caminho. Um caminho que hoje me trouxe até aqui, para estar convosco! Na alegria e na beleza da nossa assembleia, reunida em nome de Jesus, escutamos com coração aberto a sua Palavra de salvação, porque nos faz refletir sobre o motivo e o fim pelos quais seguimos o Senhor.


Quando o Filho de Deus se faz homem, realiza gestos eloquentes para manifestar a vontade do Pai: ilumina as trevas dando a vista aos cegos, dá voz aos oprimidos soltando a língua dos mudos, sacia a nossa fome de justiça multiplicando o pão para os pobres e os fracos. Quem ouve falar destas obras se põe à procura de Jesus. Ao mesmo tempo, o Senhor vê o nosso coração, perguntando-nos se o procuramos por gratidão ou por interesse, por cálculo ou por amor. Com efeito, Ele diz à gente que o seguia: «Estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos» (Jo 6,26). As suas palavras manifestam os projetos de quem não deseja o encontro com uma pessoa, mas o consumo de objetos. A multidão vê Jesus como um instrumento para atingir outros fins, o vê como um prestador de serviços. Se Ele não lhes desse de comer, os seus gestos e ensinamentos não interessariam.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Fotos do Rosário no Santuário de Muxima

No fim da tarde do domingo, 19 de abril de 2026, durante sua Viagem Apostólica à Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial, o Papa Leão XIV presidiu a oração do terço do rosário junto ao Santuário de Nossa Senhora da Conceição em Muxima (Angola).

Após visitar o Santuário, oferecendo flores diante da imagem, chamada pelos fiéis de Mamã Muxima (“Mãe do coração” em kimbundu, uma das línguas de Angola), o Papa presidiu a oração do terço do rosário em um palco preparado na área externa.

A cada um dos mistérios gloriosos, após uma leitura da Sagrada Escritura, foi proposta uma intenção de oração (pelos jovens, pelas crianças, pelas famílias, pelos religiosos e pelo Papa).

O momento de oração foi concluído com o canto da Ladainha da Virgem Maria, o discurso e a bênção do Papa, que foi assistido pelo Monsenhor Yala Banorani Djetaba [1].

O Papa reza dentro do Santuário

Oferta das flores diante da imagem
Oração do terço do rosário junto ao Santuário