Há 20 anos, no dia 15 de agosto de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) celebrou a Missa da Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria na Paróquia Santo Tomás de Villanova, junto ao Palácio Apostólico de Castel Gandolfo (Itália).
Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião e sua meditação durante a oração do Ângelus:
Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria
Homilia do Papa Bento XVI
Paróquia Santo Tomás de Villanova, Castel Gandolfo
Terça-feira, 15 de agosto de 2006
Venerados irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Queridos irmãos e irmãs,
No Magnificat, o grande cântico da Virgem que acabamos de ouvir no Evangelho (cf. Lc 1,46-55), encontramos uma palavra surpreendente. Maria diz: «Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada» (v. 48). A Mãe do Senhor profetiza os louvores marianos da Igreja por todo o futuro, a devoção mariana do Povo de Deus até o fim dos tempos. Louvando Maria, a Igreja não inventou algo “ao lado” da Escritura: respondeu a essa profecia feita por Maria naquela hora de graça.
E essas palavras de Maria não eram só palavras pessoais, talvez arbitrárias. Como diz São Lucas, Isabel havia exclamado, cheia do Espírito Santo: «Bem-aventurada aquela que acreditou» (v. 45). E Maria, também cheia do Espírito Santo, continua e completa o que disse Isabel, afirmando: «Todas as gerações me chamarão bem-aventurada». É uma verdadeira profecia, inspirada pelo Espírito Santo, e a Igreja, venerando Maria, responde a uma ordem do Espírito Santo, faz o que deve fazer.
Nós não louvamos a Deus suficientemente nos calando sobre os seus santos, sobretudo sobre “a Santa”, que se tornou a sua morada na terra, Maria. A luz simples e multiforme de Deus só se manifesta a nós na sua variedade e riqueza no rosto dos santos, que são o verdadeiro espelho da sua luz. E precisamente contemplando o rosto de Maria podemos ver melhor do que de outros modos a beleza de Deus, a sua bondade, a sua misericórdia. Podemos realmente perceber a luz divina neste rosto.
«Todas as gerações me chamarão bem-aventurada». Nós podemos louvar Maria, venerar Maria, porque é «bem-aventurada», bem-aventurada para sempre. Este é o conteúdo da Solenidade de hoje. É bem-aventurada porque está unida a Deus, vive com Deus e em Deus. O Senhor, na véspera da sua Paixão, despedindo-se dos seus, disse: «Na casa de meu Pai há muitas moradas. (...) Vou preparar um lugar para vós» (Jo 14,2). Maria, ao dizer: «Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1,38), preparava aqui na terra a morada para Deus; ela se tornou essa morada de corpo e alma, e assim abriu a terra ao céu.

















































