sábado, 11 de abril de 2026

Homilia do Papa: Domingo de Páscoa (2026)

Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor
Homilia do Papa Leão XIV
Praça de São Pedro
Domingo, 05 de abril de 2026

Queridos irmãos e irmãs,
Hoje toda a criação resplandece com uma nova luz; da terra se eleva um cântico de louvor; o nosso coração exulta de alegria: Cristo ressuscitou da morte e, com Ele, também nós ressuscitamos para uma vida nova!

Este anúncio pascal abraça o mistério da nossa vida e o destino da história, nos alcançando nas profundezas dos abismos da morte, onde nos sentimos ameaçados e, por vezes, oprimidos. Ele nos abre à esperança que não falha, à luz que não se põe, àquela plenitude de alegria que nada pode apagar: a morte foi vencida para sempre, a morte já não tem poder sobre nós!

Esta é uma mensagem nem sempre fácil de aceitar, uma promessa que nos custa acolher, porque o poder da morte nos ameaça constantemente, por dentro e por fora.


Dentro de nós, quando o fardo dos nossos pecados nos impede de voar; quando as desilusões ou a solidão que experimentamos esgotam as nossas esperanças; quando as preocupações ou os ressentimentos sufocam a alegria de viver; quando estamos tristes ou cansados, quando nos sentimos traídos ou rejeitados, quando temos que lidar com a nossa fraqueza, com o sofrimento, com o desgaste do dia a dia, parecendo que fomos parar em um túnel do qual não vemos a saída.

Mas também fora de nós, a morte está sempre à espreita. Vemo-la presente nas injustiças, nos egoísmos de parte, na opressão dos pobres, na escassa atenção pelos mais fracos. Vemo-la na violência, nas feridas do mundo, no grito de dor que se eleva de todas as partes devido aos abusos que oprimem os mais vulneráveis, devido à idolatria do lucro que saqueia os recursos da terra, devido à violência da guerra que mata e destrói.

Nesta circunstância, a Páscoa do Senhor nos convida a erguer o olhar e a alargar o coração. Ela continua a alimentar, no nosso espírito e no percurso da história, a semente da vitória prometida. Ela nos põe em movimento, tal como Maria Madalena e os Apóstolos, para nos fazer descobrir que o sepulcro de Jesus está vazio e que, por isso, em cada morte que experimentamos há também espaço para uma nova vida que renasce. O Senhor está vivo e permanece conosco. Através de frestas de ressurreição que surgem na escuridão, Ele entrega o nosso coração à esperança que nos sustenta: o poder da morte não é o destino último da nossa vida. De uma vez para sempre, estamos orientados para a plenitude, porque, em Cristo Ressuscitado, também nós ressuscitamos.

O Papa Francisco, na sua primeira Exortação Apostólica, Evangelii gaudium, no-lo recordou com palavras sentidas, afirmando que a Ressurreição de Cristo «não é algo do passado; contém uma força de vida que penetrou o mundo. Onde parecia que tudo morreu, voltam a aparecer por toda parte os rebentos da Ressurreição. É uma força sem igual. É verdade que muitas vezes parece que Deus não existe: vemos injustiças, maldades, indiferenças e crueldades que não cedem. Mas também é certo que, no meio da escuridão, sempre começa a desabrochar algo de novo que, mais cedo ou mais tarde, produz fruto» (n. 276).

Irmãos e irmãs, a Páscoa do Senhor nos dá essa esperança, lembrando-nos que, em Cristo Ressuscitado, uma nova criação é possível todos os dias. É o que nos diz o Evangelho hoje proclamado, que situa com precisão o evento da Ressurreição «no primeiro dia da semana» (Jo 20,1). O dia da Ressurreição de Cristo nos remete assim à criação, àquele primeiro dia no qual Deus criou o mundo, e nos anuncia, ao mesmo tempo, que uma vida nova, mais forte do que a morte, agora está brotando para a humanidade.

A Páscoa é a nova criação realizada pelo Senhor Ressuscitado, é um novo começo, é a vida finalmente tornada eterna pela vitória de Deus sobre o antigo Adversário.

É desse canto de esperança que hoje precisamos. E somos nós, ressuscitados com Cristo, que devemos levá-lo pelas estradas do mundo. Corramos, pois, como Maria Madalena, anunciemo-lo a todos, levemos com a nossa vida a alegria da Ressurreição, para que, onde quer que ainda paire o espectro da morte, possa brilhar a luz da vida.

Que Cristo, nossa Páscoa, nos abençoe e conceda a sua paz ao mundo inteiro!


Fonte: Santa Sé.

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