Neste Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor recordamos a Mensagem Urbi et Orbi (À cidade e ao mundo) proferida pelo Papa São João Paulo II (†2005) há 25 anos, no dia 15 de abril de 2001, após a celebração da Missa do Domingo de Páscoa:
Papa João Paulo II
Mensagem Urbi et Orbi
Praça de São Pedro
Domingo de Páscoa, 15 de abril de 2001
1. «Na Ressurreição
de Cristo ressurgiu a vida para todos» (cf. Prefácio da Páscoa II).
Que o anúncio
pascal chegue a todos os povos da terra e toda pessoa de boa vontade se sinta
protagonista neste dia que o Senhor fez para nós, dia da sua Páscoa, no qual a
Igreja, com sentimentos de júbilo, proclama que o Senhor verdadeiramente ressuscitou.
Esse grito,
saído do coração dos discípulos no primeiro dia depois do sábado, atravessou os
séculos e agora, neste preciso momento da história, volta a alentar as
esperanças da humanidade com a certeza imutável da Ressurreição de Cristo, Redentor
do homem.
2. «Na Ressurreição
de Cristo ressurgiu a vida para todos».
O assombro
incrédulo dos Apóstolos e das mulheres, que foram ao sepulcro ao nascer do sol,
hoje se torna experiência comum de todo o Povo de Deus. Enquanto o novo milênio
dá os seus primeiros passos, desejamos confiar às jovens gerações a certeza
fundamental da nossa existência: Cristo ressuscitou e n’Ele ressurge a vida para
todos.
«Glória a
vós, Cristo Jesus, hoje e sempre vós reinareis» [1]. Volta à memória este
cântico de fé, que tantas vezes repetimos ao longo da recente caminhada jubilar,
aclamando Aquele que é «o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o
Princípio e o Fim» (Ap 22,13). A Ele permanece fiel a Igreja
peregrina «entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus (Santo
Agostinho). Ela eleva o olhar a Ele e não teme. Caminha contemplando a sua face
e repete aos homens do nosso tempo que Ele, o Ressuscitado, é «o mesmo
ontem, hoje e sempre» (Hb 13,8).
3. Naquela
dramática Sexta-feira da Paixão, que viu o Filho do Homem fazer-se «obediente
até a morte e morte de cruz» (Fl 2,8), terminava a existência
terrena do Redentor.
Já morto, Ele
foi depositado apressadamente no sepulcro ao pôr do sol. Singular entardecer! Aquela
hora obscurecida pelo avanço das trevas marcava o fim do “primeiro ato” da obra
da criação, transtornada pelo pecado. Parecia a vitória da morte, o triunfo do
mal. Ao contrário, na hora do gélido silêncio do túmulo, era levado a pleno
cumprimento o desígnio salvífico, tinha início a “nova criação”.
Feito obediente
por amor até o extremo sacrifício, Jesus Cristo é agora «exaltado»
por Deus que «lhe deu o Nome que está acima de todo nome» (Fl 2,9).
Nesse Nome readquire esperança toda a existência humana. Nesse Nome o ser
humano é arrebatado ao poder do pecado e da morte e devolvido à Vida e ao Amor.
4. Neste dia o
céu e a terra cantam «o Nome» inefável e sublime do Crucificado
que ressuscitou. Tudo parece como antes, mas na realidade nada é como antes. Ele,
Vida que não morre, redimiu e reabriu à esperança toda a existência humana. «O
mundo velho desapareceu. Tudo agora é novo» (2Cor 5,17). Todo
projeto e desígnio do ser humano, desta nobre e frágil criatura, tem hoje um novo
“nome” em Cristo ressuscitado dos mortos, porque n’Ele «ressurgiu a
vida para todos».
Nessa nova
criação se realiza plenamente a palavra do Gênesis: «Deus disse: “Façamos
o homem à nossa imagem e segundo à nossa semelhança”» (Gn 1,26).
Cristo, novo Adão que se tornou «espírito vivificante» (1Cor 15,45),
na Páscoa resgata o velho Adão da derrota da morte.
5. Homens e
mulheres do terceiro milênio, é para todos o dom pascal da luz, que dissipa as
trevas do medo e da tristeza; é para todos o dom da paz de Cristo Ressuscitado,
que quebra as correntes da violência e do ódio.
Redescobri hoje,
com alegria e admiração, que o mundo não é mais escravo de acontecimentos inevitáveis.
Este nosso mundo pode mudar: a paz é possível mesmo lá onde há demasiado tempo se
combate e se morre, como na Terra Santa e em Jerusalém; é possível nos Balcãs,
não mais condenados a uma preocupante incerteza que corre o risco de tornar vã toda
proposta de acordo. E tu, África, terra martirizada por conflitos sempre à
espreita, levanta confiante a cabeça apoiando-se na força de Cristo Ressuscitado.
Graças à ajuda d’Ele também tu, Ásia, berço de seculares tradições espirituais,
podes vencer o desafio da tolerância e da solidariedade. E tu, América Latina,
depósito de jovens promessas, só em Cristo encontrarás capacidade e coragem para
um desenvolvimento que respeite todo ser humano.
Vós, homens e
mulheres de cada continente, tomai do seu túmulo já vazio para sempre o vigor
necessário para derrotar as forças do mal e da morte e colocar toda a pesquisa
e progresso técnico e social a serviço de um futuro melhor para todos.
6. «Na Ressurreição de Cristo ressurgiu a vida para todos».
Desde que o
vosso túmulo foi encontrado vazio, ó Cristo, e Cefas, os discípulos, as
mulheres, e «mais de quinhentos irmãos» (1Cor 15,6) vos viram Ressuscitado,
começou o tempo no qual toda a criação canta o vosso Nome «que está
acima de todo nome» e aguarda a vossa vinda definitiva, na glória. Neste
tempo, entre a Páscoa e o advento do vosso Reino sem fim, tempo que se
assemelha às dores de um parto (cf. Rm 8,22), amparai-nos
no compromisso de construir um mundo mais humano, revigorado pelo bálsamo do
vosso amor.
Vítima pascal
oferecida pela salvação do mundo, fazei que não desanimemos neste nosso
compromisso, mesmo quando o cansaço torna pesados os nossos passos. Vós, Rei
vitorioso, concedei a nós e ao mundo a salvação eterna!
Fonte: Santa Sé (com pequenas correções feitas pelo autor deste blog).
Nota:
[1] O Papa cita
aqui o refrão do hino do Grande Jubileu do Ano 2000: “Gloria a Te, Cristo Gesù, oggi e
sempre tu regnerai”. Para ouvir o hino, clique aqui.


Nenhum comentário:
Postar um comentário