Há 25 anos, na noite do Sábado Santo, 14 de abril de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Vigília Pascal na Noite Santa da Ressurreição do Senhor (Ano C) na Basílica de São Pedro, durante a qual conferiu os Sacramentos da Iniciação Cristã a seis adultos de diversos países do mundo.
Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:
Vigília Pascal na Noite Santa
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica de São Pedro
Sábado Santo, 14 de abril de 2001
1. «Por
que estais procurando entre os mortos Aquele que está vivo? Ele não está aqui.
Ressuscitou!» (Lc 24,5-6).
Estas palavras
de dois homens «com roupas brilhantes» reacendem a confiança nas
mulheres que foram ao sepulcro de madrugada. Tinham vivido os acontecimentos
trágicos que culminaram na crucificação de Cristo no Calvário; tinham experimentado
a tristeza e a confusão. Porém, não tinham abandonado o seu Senhor na hora da
provação.
Vão às
escondidas ao lugar onde Jesus tinha sido sepultado para vê-lo mais uma vez e
abraçá-lo pela última vez. O que as move é o amor; aquele mesmo amor que as
tinha levado a segui-lo pelos caminhos da Galileia e da Judeia até o Calvário.
Mulheres bem-aventuradas!
Não sabiam ainda que aquela era a madrugada do dia mais importante da história.
Não podiam saber que elas, precisamente elas, seriam as primeiras testemunhas
da Ressurreição de Jesus.
2. «Encontraram
a pedra do túmulo removida» (Lc 24,2).
Assim narra o
evangelista Lucas, e acrescenta que, «ao entrar, não encontraram o corpo do
Senhor Jesus» (v. 3). Em um instante tudo muda. Jesus «não está aqui.
Ressuscitou». Este anúncio, que transformou a tristeza daquelas piedosas
mulheres em alegria, ressoa com imutável eloquência na Igreja, durante esta
Vigília Pascal.
Singular Vigília
de uma noite singular. Vigília, mãe de todas as vigílias, durante a qual a
Igreja inteira permanece à espera junto ao túmulo do Messias, sacrificado na
Cruz. A Igreja espera e reza, ouvindo novamente as Escrituras que percorrem
toda a história da salvação.
Mas nesta noite
não são as trevas que dominam, mas sim o fulgor de uma luz inesperada, que irrompe
com o anúncio desconcertante da Ressurreição do Senhor. A espera e a oração
tornam-se então um cântico de alegria: «Exsultet iam angelica turba
caelorum...» - «Exulte o céu e os anjos triunfantes...».
Inverte-se
completamente a perspectiva da história: a morte dá passagem à vida. Vida que
não morrerá mais. Cantaremos daqui a pouco no Prefácio que Cristo «morrendo,
destruiu a nossa morte e, ressurgindo, restaurou a vida». Eis a verdade que nós
proclamamos com palavras e, sobretudo, com a nossa existência. Aquele que as
mulheres julgavam morto está vivo. A experiência delas torna-se a nossa.
3. Ó Vigília cheia
de esperança, que expressas em plenitude o sentido do mistério! Ó Vigília rica
de símbolos, que manifestas o próprio coração da nossa existência cristã! Nesta
noite tudo se resume prodigiosamente em um nome: o nome de Cristo Ressuscitado.
Ó Cristo, como
não vos agradecer pelo dom inefável que nos concedeis nesta noite? O mistério
da vossa Morte e da vossa Ressurreição se infunde na água batismal que acolhe o
homem antigo e carnal e o torna puro com a própria juventude divina.
Daqui a pouco mergulharemos
no vosso mistério de Morte e Ressurreição, renovando as promessas batismais;
nele serão mergulhados especialmente os catecúmenos que receberão o Batismo, a
Crisma e a Eucaristia.
4. Caríssimos irmãos
e irmãs catecúmenos, vos saúdo de todo o coração e, em nome da Comunidade
eclesial, vos acolho com afeto fraterno. Vós provindes de nações diversas: do Japão,
da Itália, da China, da Albânia, dos Estados Unidos da América e do Peru.
A vossa presença
nesta Basílica expressa a multiplicidade das culturas e dos povos que abriram o
seu coração ao Evangelho. Também para vós, como para todo batizado, nesta noite
a morte dá passagem à vida. O pecado é apagado e começa uma existência
inteiramente nova. Perseverai até o fim na fidelidade e no amor. E não tenhais
medo diante das provações, porque, «Cristo ressuscitado dos mortos não
morre mais; a morte já não tem poder sobre Ele» (Rm 6,9).
5. Sim, irmãos e
irmãs caríssimos, Jesus está vivo e nós vivemos n’Ele. Para sempre. Eis o dom
desta noite, que revelou definitivamente ao mundo a força de Cristo, Filho da
Virgem Maria, que nos foi dada como Mãe aos pés da Cruz.
Esta Vigília nos
introduz em um dia que não conhece ocaso. Dia da Páscoa de Cristo, que inaugura
para a humanidade uma renovada primavera de esperança.
«Haec dies
quam fecit Dominus: exsultemus et laetemur in ea» - «Este é o dia que o
Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos». Aleluia!
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| Ressurreição do Senhor (Anthony van Dyck) |
Fonte: Santa Sé (com pequenas correções feitas pelo autor deste blog).


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