sábado, 4 de abril de 2026

Homilia do Papa João Paulo II: Vigília Pascal (2001)

Há 25 anos, na noite do Sábado Santo, 14 de abril de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Vigília Pascal na Noite Santa da Ressurreição do Senhor (Ano C) na Basílica de São Pedro, durante a qual conferiu os Sacramentos da Iniciação Cristã a seis adultos de diversos países do mundo.

Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:

Vigília Pascal na Noite Santa
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica de São Pedro
Sábado Santo, 14 de abril de 2001

1. «Por que estais procurando entre os mortos Aquele que está vivo? Ele não está aqui. Ressuscitou!» (Lc 24,5-6).
Estas palavras de dois homens «com roupas brilhantes» reacendem a confiança nas mulheres que foram ao sepulcro de madrugada. Tinham vivido os acontecimentos trágicos que culminaram na crucificação de Cristo no Calvário; tinham experimentado a tristeza e a confusão. Porém, não tinham abandonado o seu Senhor na hora da provação.

Vão às escondidas ao lugar onde Jesus tinha sido sepultado para vê-lo mais uma vez e abraçá-lo pela última vez. O que as move é o amor; aquele mesmo amor que as tinha levado a segui-lo pelos caminhos da Galileia e da Judeia até o Calvário.

Mulheres bem-aventuradas! Não sabiam ainda que aquela era a madrugada do dia mais importante da história. Não podiam saber que elas, precisamente elas, seriam as primeiras testemunhas da Ressurreição de Jesus.


2. «Encontraram a pedra do túmulo removida» (Lc 24,2).
Assim narra o evangelista Lucas, e acrescenta que, «ao entrar, não encontraram o corpo do Senhor Jesus» (v. 3). Em um instante tudo muda. Jesus «não está aqui. Ressuscitou». Este anúncio, que transformou a tristeza daquelas piedosas mulheres em alegria, ressoa com imutável eloquência na Igreja, durante esta Vigília Pascal.

Singular Vigília de uma noite singular. Vigília, mãe de todas as vigílias, durante a qual a Igreja inteira permanece à espera junto ao túmulo do Messias, sacrificado na Cruz. A Igreja espera e reza, ouvindo novamente as Escrituras que percorrem toda a história da salvação.

Mas nesta noite não são as trevas que dominam, mas sim o fulgor de uma luz inesperada, que irrompe com o anúncio desconcertante da Ressurreição do Senhor. A espera e a oração tornam-se então um cântico de alegria: «Exsultet iam angelica turba caelorum...» - «Exulte o céu e os anjos triunfantes...».

Inverte-se completamente a perspectiva da história: a morte dá passagem à vida. Vida que não morrerá mais. Cantaremos daqui a pouco no Prefácio que Cristo «morrendo, destruiu a nossa morte e, ressurgindo, restaurou a vida». Eis a verdade que nós proclamamos com palavras e, sobretudo, com a nossa existência. Aquele que as mulheres julgavam morto está vivo. A experiência delas torna-se a nossa.

3. Ó Vigília cheia de esperança, que expressas em plenitude o sentido do mistério! Ó Vigília rica de símbolos, que manifestas o próprio coração da nossa existência cristã! Nesta noite tudo se resume prodigiosamente em um nome: o nome de Cristo Ressuscitado.

Ó Cristo, como não vos agradecer pelo dom inefável que nos concedeis nesta noite? O mistério da vossa Morte e da vossa Ressurreição se infunde na água batismal que acolhe o homem antigo e carnal e o torna puro com a própria juventude divina.

Daqui a pouco mergulharemos no vosso mistério de Morte e Ressurreição, renovando as promessas batismais; nele serão mergulhados especialmente os catecúmenos que receberão o Batismo, a Crisma e a Eucaristia.

4. Caríssimos irmãos e irmãs catecúmenos, vos saúdo de todo o coração e, em nome da Comunidade eclesial, vos acolho com afeto fraterno. Vós provindes de nações diversas: do Japão, da Itália, da China, da Albânia, dos Estados Unidos da América e do Peru.

A vossa presença nesta Basílica expressa a multiplicidade das culturas e dos povos que abriram o seu coração ao Evangelho. Também para vós, como para todo batizado, nesta noite a morte dá passagem à vida. O pecado é apagado e começa uma existência inteiramente nova. Perseverai até o fim na fidelidade e no amor. E não tenhais medo diante das provações, porque, «Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais; a morte já não tem poder sobre Ele» (Rm 6,9).

5. Sim, irmãos e irmãs caríssimos, Jesus está vivo e nós vivemos n’Ele. Para sempre. Eis o dom desta noite, que revelou definitivamente ao mundo a força de Cristo, Filho da Virgem Maria, que nos foi dada como Mãe aos pés da Cruz.

Esta Vigília nos introduz em um dia que não conhece ocaso. Dia da Páscoa de Cristo, que inaugura para a humanidade uma renovada primavera de esperança.

«Haec dies quam fecit Dominus: exsultemus et laetemur in ea» - «Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos». Aleluia!

Ressurreição do Senhor
(Anthony van Dyck)

Fonte: Santa Sé (com pequenas correções feitas pelo autor deste blog).

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