Nesta Oitava da Páscoa recordamos a Catequese proferida pelo Papa São João Paulo II (†2005) há 25 anos, no dia 18 de abril de 2001, Quarta-feira da Oitava Pascal, intitulada: “Contemplar o rosto do Ressuscitado”.
João Paulo II
Audiência Geral
Quarta-feira, 18 de abril de 2001
Contemplar o rosto do Ressuscitado
Caríssimos irmãos e irmãs,
1. A tradicional Audiência Geral da quarta-feira hoje é inundada
pela alegria luminosa da Páscoa. Nestes dias a Igreja celebra com júbilo o
grande mistério da Ressurreição. É uma alegria profunda e inextinguível, fundamentada
no dom por parte de Cristo Ressuscitado da nova e eterna Aliança, que permanece
porque Ele já não morre mais. Uma alegria que se prolonga não só pela Oitava da Páscoa, considerada pela Liturgia como um único dia, mas que se estende por
cinquenta dias, até o Pentecostes. Mais ainda, chega a abraçar todos os tempos
e todos os lugares.
Durante esse período a Comunidade cristã é convidada a uma nova e
mais profunda experiência do Cristo Ressuscitado, vivo e atuante na Igreja e no
mundo.
2. Neste esplêndido marco de luz e de alegria próprios do Tempo Pascal,
desejamos agora nos deter a contemplar juntos o rosto do Ressuscitado, retomando
e atualizando aquilo que não hesitei em indicar como «núcleo essencial» da
grande herança que o Jubileu do Ano 2000 nos deixou. Com efeito, como realcei
na Carta Apostólica Novo millennio ineunte, «se quiséssemos reconduzir
ao núcleo essencial a grande herança que a experiência jubilar nos deixa, não
hesitaria em vê-lo na contemplação do rosto de Cristo... acolhido na
sua multiforme presença na Igreja e no mundo,
confessado como sentido da história e luz do nosso caminho”
(n. 15).
Como na Sexta-feira e no Sábado Santo contemplamos o rosto
doloroso de Cristo, agora dirigimos o olhar cheio de fé, de amor e de gratidão para
o rosto do Ressuscitado. Para Ele olha nestes dias a Igreja, seguindo os passos
de Pedro, que confessa o seu amor a Cristo (cf. Jo 21,15-17),
e de Paulo, iluminado por Jesus Ressuscitado no caminho de Damasco (cf. At 9,3-5).
A Liturgia pascal nos apresenta vários encontros do Cristo Ressuscitado, que constituem um convite a aprofundar a sua mensagem e nos estimulam a imitar o caminho de fé de quantos o reconheceram naquelas primeiras horas depois da Ressurreição. Assim, somos estimulados pelas piedosas mulheres e por Maria Madalena à solicitude em levar o anúncio do Ressuscitado aos discípulos (cf. Lc 24,8-10; Jo 20,18). O Apóstolo predileto testemunha de modo singular como precisamente o amor consegue ver a realidade que os sinais da Ressurreição significam: o túmulo vazio, a ausência do cadáver, os panos fúnebres dobrados. O amor vê e crê, e estimula a caminhar rumo Àquele que porta em si o pleno significado de todas as coisas: Jesus, vivo por todos os séculos.
3. Na Liturgia de hoje a Igreja contempla o rosto do Ressuscitado
partilhando o caminho dos dois discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13-35). No
início deste nosso encontro ouvimos um trecho desta conhecida passagem do
evangelista Lucas.
Embora cansativo, o caminho de Emaús conduz da sensação de
desconforto e desorientação à plenitude da fé pascal. Percorrendo novamente esse
itinerário, também nós somos alcançados pelo misterioso Companheiro de viagem.
Jesus se aproxima de nós ao longo do caminho, alcançando-nos no ponto no qual
nos encontramos e fazendo as perguntas essenciais que abrem novamente o coração
à esperança. Ele tem muitas coisas para explicar a respeito do seu e do nosso
destino. Ele revela sobretudo que toda existência humana deve passar através da
sua Cruz para entrar na glória. Mas Cristo realiza algo mais: parte por nós o
pão da partilha, oferecendo aquela Mesa eucarística na qual as Escrituras
adquirem o seu pleno significado e revelam os traços únicos e resplandecentes
do rosto do Redentor.
4. Depois de ter reconhecido e contemplado o rosto de Cristo Ressuscitado,
também nós, como os dois discípulos, somos convidados a correr ao encontro dos
nossos irmãos, para levar a todos o grande anúncio: “Vimos o Senhor!” (Jo 20,25).
«Na sua Ressurreição ressurgiu a vida para todos» (Prefácio da
Páscoa II): eis a boa-nova que os discípulos de Cristo não se
cansam de levar ao mundo, antes de tudo com o testemunho da própria vida. É este
o dom mais belo que os nossos irmãos esperam de nós neste Tempo Pascal.
Portanto, deixemo-nos conquistar pelo fascínio da Ressurreição de
Cristo. A Virgem Maria nos ajude a saborear plenamente a alegria pascal: uma
alegria que, segundo a promessa do Ressuscitado, ninguém nos poderá tirar e jamais
terá fim (cf. Jo 16,22).
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| Cristo Ressuscitado (Raúl Berzosa) |
Fonte: Santa Sé (com pequenas correções feitas pelo autor deste blog).
Sobre o simbolismo do “rosto” de Cristo, mencionado pelo Papa em sua Catequese, confira nossa postagem sobre a história da devoção à Santa Face de Jesus.


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