terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Ângelus: Solenidade da Epifania do Senhor (2026)

No dia 06 de janeiro de 2026, após o fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro, concluindo assim o Jubileu Ordinário de 2025, e a Missa da Solenidade da Epifania do Senhor, o Papa Leão XIV dirigiu-se ao balcão central da Basílica Vaticana para a oração do Ângelus:

Solenidade da Epifania do Senhor
Papa Leão XIV
Ângelus
Balcão central da Basílica de São Pedro
Terça-feira, 06 de janeiro de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Neste período tivemos vários dias festivos e a Solenidade da Epifania, já no seu nome, sugere-nos o que torna possível a alegria, mesmo em tempos difíceis. Na verdade, como é sabido, a palavra “epifania” significa “manifestação”, e a nossa alegria nasce de um Mistério que já não está oculto. A vida de Deus revelou-se: muitas vezes e de muitos modos, mas com clareza definitiva em Jesus; por isso agora sabemos que, mesmo entre muitas tribulações, podemos ter esperança. “Deus salva”: não tem outras intenções, nem tem um outro nome. Provém de Deus e é epifania de Deus apenas aquilo que liberta e salva.

Ajoelhar-se como os Magos diante do Menino de Belém significa, também para nós, confessar que encontramos a verdadeira humanidade, na qual resplandece a glória de Deus. Em Jesus apareceu a verdadeira vida, o homem vivente, ou seja, aquele não existir só para si mesmo, mas aberto e em comunhão, que nos faz dizer «assim na terra como no céu» (Mt 6,10). Sim, a vida divina está ao nosso alcance, manifestou-se para nos envolver no seu dinamismo libertador que dissolve os medos e nos faz encontrar a paz. É uma possibilidade, um convite: a comunhão não pode ser uma coação, mas o que se pode desejar mais?

No relato evangélico e nos nossos presépios os Magos oferecem ao Menino Jesus presentes preciosos: ouro, incenso e mirra (Mt 2,11). Não parecem coisas úteis para uma criança, mas expressam uma vontade que, no final do Ano Jubilar, nos faz refletir muito. Muito dá quem tudo dá. Recordemos aquela pobre viúva, notada por Jesus, que lançou no tesouro do Templo as suas últimas moedas, tudo o que tinha (cf. Lc 21,1-4). Não conhecemos os bens dos Magos, vindos do Oriente, mas a sua partida, o seu risco, os seus próprios presentes nos sugerem que tudo, realmente tudo o que somos e possuímos, pede para ser oferecido a Jesus, tesouro inestimável. E o Jubileu convocou-nos a esta justiça fundada na gratuidade: ele tem em si mesmo o apelo a reorganizar a convivência, a redistribuir a terra e os recursos, a devolver “o que se tem” e “o que se é” aos sonhos de Deus, maiores que os nossos.

Caríssimos, a esperança que anunciamos deve ter os pés bem assentados na terra: vem do céu, mas para gerar uma nova história aqui em baixo. Nos presentes dos Magos vemos, então, o que cada um de nós pode pôr em comum, o que já não pode guardar para si, mas partilhar, para que Jesus cresça no meio de nós. Que o seu Reino cresça, que as suas palavras se realizem em nós, que os desconhecidos e os adversários se tornem irmãos e irmãs, que em vez das desigualdades haja equidade, que em vez da indústria da guerra se afirme o artesanato da paz. Como tecelões de esperança, caminhemos rumo ao futuro por outro caminho (cf. Mt 2,12).

Ângelus do dia 06 de janeiro de 2026
(Visto a partir do presépio da Praça de São Pedro)

Fonte: Santa Sé.

Sobre o simbolismo dos presentes dos Magos, mencionados pelo Papa, confira nossa postagem sobre a canção We Three Kings.

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