Em nossas postagens anteriores destacamos os materiais da Semana
de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2025, preparados pela comunidade
monástica de Bose (Itália), formada por monges de diferentes tradições
cristãs.
À luz do tema: “Crês isto?” (Jo 11,26), tendo
em vista os 1700 anos do I Concílio de Niceia (325), o subsídio inclui
um roteiro de Celebração Ecumênica e um “oitavário” de reflexões e orações à
luz do Símbolo Niceno-Constantinopolitano.
Para cada um dos oito dias são propostas leituras
bíblicas, leituras patrísticas de diversas “tradições” (latina, grega, siríaca
e armênia), orações e preces.
Se na postagem anterior trouxemos as reflexões para os primeiros quatro dias, centradas em Deus Pai e em Jesus Cristo, nesta postagem concluímos
a publicação dos materiais com os textos para os últimos quatro dias,
sobre o Espírito Santo, a Igreja, o Batismo e a vida
eterna.
Esses textos, com efeito, não se restringem ao ano de 2025,
podendo ser utilizados em momentos ecumênicos ou de reflexão sobre a fé, ou
ainda em nossa oração pessoal.
| Ícone do Creio |
Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2025
Reflexões e orações para os oito dias
“Crês isto?” (Jo 11,26)
5º dia: Creio no Espirito Santo, Senhor que dá a vida
Leituras bíblicas: Ez 36,24-28 / Sl 103(104),24-25.27-29.33-34
/ Jo 3,4-8
Leitura patrística
Da tradição siríaca
Não é correto dizer que o Espírito se afasta quando pecamos
para retornar quando nos convertemos. (...) De que me serve se Ele habita em
mim somente depois de me tornar justo? Se no momento da queda Ele não permanece
em mim, não me dá a mão e não me levanta, como farei experiência da sua ajuda?
Que médico, vendo um enfermo que adoece, vai embora e o abandona, para retornar
quando ele estiver saudável? Não é mais útil que o médico esteja com o enfermo
no momento da sua doença?
(Filoxeno de Mabbug, Sobre a habitação do Espírito Santo)
Oração
Vós sois o Espírito soprado sobre Adão, tornando a carne
humana um ser vivente.
R. Amém, amém! Aleluia!
Vós sois o Espírito dado pelo Ressuscitado, perdoando nossos
pecados.
R. Amém, amém! Aleluia!
Vós sois o Espírito enviado no Pentecostes, abrindo o
caminho para que o Evangelho chegasse a todas os povos.
R. Amém, amém! Aleluia!
Vós sois o Espírito que desperta a nossa oração, o amor de
Deus que nos ampara.
R. Amém, amém! Aleluia!
Vós sois o Espírito de Deus derramado sobre os mortos, para
que os túmulos se abram e os mortos ressuscitem.
R. Amém, amém! Aleluia!
Oremos
Deus, nosso Pai, que nos revelastes o maravilhoso mistério da
vossa vida enviando o vosso Filho ao mundo e compartilhando conosco o vosso
Espírito de santidade e de alegria: alegramo-nos no Espírito que renova a face
da terra e nos conduz à unidade. Proclamamos nossa fé em Vós, Único Deus três
vezes Santo: Pai e Filho e Espírito Santo. Bendito sejais, Senhor, agora e para
sempre. R. Amém.
Leituras patrísticas alternativas
Da tradição grega
Este é o meu Deus, Senhor de todas as coisas, que, sozinho, estendeu
os céus e estabeleceu a extensão daquilo que está debaixo do céu. (...) Aquele
que pôs a terra sobre as águas e lhe deu o sopro que a nutre. É o seu sopro que
vivifica tudo, e se Ele retirasse o seu sopro, todo ser seria privado da vida. Este
Espírito, ó homem, vibra no teu [espírito], na tua voz. Respiras o seu Espírito,
mesmo que não o conheças.
(Teófilo de Antioquia, A Autólico I, 7)
Da tradição latina (Agostinho de Hipona, Exposição
sobre o Salmo 118, 14, 2)
“O vosso Pai celestial dará o bom Espírito aos que o
pedirem” (cf. Lc 11,13). Esse é o Espírito que derrama nos nossos corações
o amor com o qual amamos a Deus e ao próximo. Esse é o Espírito que nos leva a
invocar: “Abbá, ó Pai”. Portanto, esse é o Espírito que nos dá a
capacidade de pedir, o mesmo Espírito que desejamos receber. É Ele que nos faz
buscar, é a Ele que desejamos encontrar.
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| Padres da Igreja |
6º dia: Creio na Igreja
Leituras bíblicas: Is 2,2-4 / Sl 132(133),1-3
/ Ef 4,1-6
Leitura patrística
Da tradição latina
Uma só é a Igreja, como uma só é a luz, ainda que os raios
de sol sejam muitos; como um só é o tronco que afunda as suas raízes, ainda que
os ramos da árvore sejam muitos. Também a Igreja, iluminada pela luz do Senhor,
difunde seus raios por todo o mundo, mas a luz que se difunde por toda parte é
uma só e a unidade do corpo não é dividida, porque um só é o Espírito que a
anima.
(Cipriano de Cartago, Sobre a unidade da Igreja, 5)
Oração
Diante do túmulo vazio confiastes às mulheres o anúncio da vossa
Ressurreição: livrai do medo todos aqueles que anunciam o Evangelho.
R. Senhor, escutai a nossa prece!
No caminho de Emaús explicastes aos discípulos a Lei e os
Profetas: abri nossas mentes para que possamos compreender as Escrituras.
R. Senhor, escutai a nossa prece!
No Cenáculo destes aos vossos amigos o dom da vossa paz:
ajudai-nos a conservá-la por meio do nosso amor mútuo.
R. Senhor, escutai a nossa prece!
Na margem do lago chamastes Pedro a ser pastor do vosso
rebanho: sustentai com vosso Espírito os responsáveis pelas nossas comunidades.
R. Senhor, escutai a nossa prece!
No monte, antes de retornar ao Pai, reunistes vossos
discípulos dispersos: dai unidade na fé e na caridade àqueles que creem em Vós.
R. Senhor, escutai a nossa prece!
Oremos
Deus do céu e da terra, vosso Filho, Jesus Cristo, vos
revelou como nosso Pai e nos prometeu o dom do Espírito Santo: concedei à vossa
Igreja superar o escândalo das divisões, para que possamos dar testemunho da vossa
vida de comunhão, na unidade da nossa profissão de fé comum e no amor do
serviço mútuo. Por Cristo, nosso Senhor. R. Amém.
Leituras patrísticas alternativas
Da tradição armênia
Santos padres e mestres da verdade! Chefes e pastores do
rebanho de Cristo! Vós que presidis e administrai a casa de Deus! Hoje vos vejo
reunidos em um só espírito e em um só corpo, em comunhão com Aquele que é a
cabeça de todos. Quem vos conduziu a este tranquilo porto de paz, ó
pacificadores do mundo, senão o Espírito Santo que nos foi concedido do céu como
nossa paz? E para que finalidade, senão para recomeçar a construção do templo
de Deus, demolido e destruído pelo autor do mal?
(Nerses de Lambron, Discurso sinodal)
Da tradição grega
Embora sendo muitos e incontáveis aqueles que estão na
[Igreja] e que por meio dela são regenerados e recriados no Espírito - homens,
mulheres, crianças -, e embora sendo diversos entre si e profundamente
diferentes por origem e por aparência, por nação e por língua, por forma de
vida e por idade, por inclinações e por habilidades profissionais, por
comportamentos, costumes e ocupações, por conhecimento e por condições sociais,
por destino, por caráter e por capacidade, a todos igualmente ela dá e
transmite por graça uma só forma de existência e uma só denominação divina, permitindo-lhes
receber o ser e o nome de Cristo; e ainda, em virtude da fé, dá uma única
condição, simples, indivisa e indivisível, que não permite nem mesmo reconhecer
as muitas e inumeráveis diferenças que há entre cada um, porque ela reúne e concilia
todas as coisas na sua universalidade.
(Máximo, o Confessor, Mistagogia, 1)
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| I Concílio de Niceia (325) |
7º dia: Professo um só Batismo
Leituras bíblicas: Mq 7,18-19 / Sl 50(51),3-4.9.12.14
/ Mt 28,16-20
Leitura patrística
Da tradição grega
Tal é a força da fé em Cristo, tal é a grandeza da sua
graça: assim como o fogo, quando encontra o material proveniente da mina, logo revela
o ouro, assim também, e muito mais, o Batismo faz com que as criaturas de barro
que são lavadas sejam transformadas em ouro, enquanto o Espírito Santo, descendo
como fogo nas nossas almas, destrói a velha imagem plasmada com barro e cria uma
imagem nova, celeste, esplêndida e reluzente, como ouro recém saído da
fornalha.
(João Crisóstomo, Homilias sobre o Evangelho de João,
X, 2)
Oração
Por ter nos chamado à fé por meio do Batismo, pela comunhão
que partilhamos na Nova Aliança, pela vossa presença na santa Igreja.
R. Nós vos damos graças, Senhor, e bendizemos vosso
nome!
Pelo testemunho dos cristãos perseguidos, pelo sofrimento do
seu martírio, pela sua participação na Paixão de Cristo.
R. Nós vos damos graças, Senhor, e bendizemos vosso
nome!
Por todos aqueles que vivem a serviço da comunhão, por
aqueles que rezam e trabalham pela reconciliação das Igrejas, por aqueles que
oferecem sua vida pela unidade.
R. Nós vos damos graças, Senhor, e bendizemos vosso
nome!
Oremos
Deus, nosso Pai, nós vos louvamos e bendizemos vosso nome.
Acolhei nossa ação de graças pela unidade que os cristãos já experimentam na comum
confissão de Jesus, o Senhor. Nós vos suplicamos que apresseis o dia do pleno
reconhecimento das nossas Igrejas na comunhão que desejais para nós e pela qual
vosso Filho orou. Nós vos pedimos pela força do Espírito Santo. R. Amém.
Leituras patrísticas alternativas
Da tradição siríaca
O Filho de Deus que desceu do céu se fez homem e te
ressuscitou do abismo para que tu se tornasses filho de Deus. Ele se tornou teu
irmão no ventre santo e te fez seu irmão no ventre do Batismo. (...) Na água
Ele te fez filho de Deus para que Aquele que é o Unigênito tenha irmãos por
meio do segundo nascimento. Pois Ele mesmo, por um segundo nascimento, se fez
homem, e por essa segunda geração te fez filho de Deus.
(Tiago de Sarug, Discurso 10)
Da tradição latina
Homem, tu não ousaste levantar a face para o céu, voltaste teus
olhos para a terra e, de repente, recebeste a graça de Cristo. (...) Portanto,
levanta teus olhos em direção ao Pai, que te gerou por meio do Batismo, ao Pai
que te redimiu por meio do Filho, e diz: “Pai nosso!”
(Ambrósio de Milão, Sobre os Sacramentos V, 19)
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| Comunidade monástica de Bose (Responsável pelo material) |
8º dia: Espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir
Leituras bíblicas: Ap 21,1-4 / Sl 84(85),10-12
/ Lc 12,35-40
Leitura patrística
Da tradição siríaca (Isaac de Nínive, Primeira
coleção, 43)
Quem vive no amor em meio à criação respira a vida que vem
de Deus. Enquanto ainda está neste mundo, respira o ar do renascimento. Com esse
ar os justos se alegrarão na ressurreição. O amor é o Reino que nosso Senhor
misticamente prometeu aos discípulos, Reino esse onde eles desfrutarão: “Comereis
e bebereis à mesa do meu Reino” (cf. Lc 22,30). O que eles comerão,
senão o amor? O amor é suficiente para nutrir o homem, mais do que comida e
bebida. Esse é o vinho que alegra o coração do homem. Bem-aventurado aquele que
bebe desse vinho!
Oração
Ó Cristo Senhor, que para nossa salvação vos tornastes pobre
e prometeste que os pobres herdarão o Reino dos Céus, enchei-nos das vossas
riquezas.
R. Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai!
Ó Jesus, manso e humilde de coração, que revelais um novo
mundo àqueles que creem em Vós, dai-nos a vossa plenitude.
R. Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai!
Ó Cristo Senhor, que de joelhos rezastes com o rosto em
terra e que, na tristeza, traçastes um caminho de consolação, Vós sois a
alegria que nada nem ninguém pode nos tirar.
R. Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai!
Ó Senhor Jesus, que derrubastes os poderosos e os tronos e
que vestis os promotores da paz com um manto glorioso, Vós nos transformais à
vossa imagem.
R. Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai!
Ó Cristo Senhor, misericordioso e compassivo, que na cruz
perdoastes o ladrão que morreu convosco, nós vos pedimos: lembrai-vos de nós
quando estiverdes no vosso Reino.
R. Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai!
Oremos
Ó Deus, apressai a vinda do vosso grande e glorioso dia! Envolvidos
na sua escuridão, muitos homens e mulheres não ousam mais esperar: alimentai a
chama da fé no coração dos frágeis e dos sofredores. Fazei que a Igreja seja
uma fiel anunciadora da vitória de Cristo, vosso Filho, sobre a morte e um
sinal de esperança do seu retorno na glória. Ele é o Vivente, convosco e com o
Espírito Santo, agora e para sempre. R. Amém.
Leituras patrísticas alternativas
Da tradição grega
Vós, Senhor, nos libertastes do medo da morte. Fizestes do
fim desta vida o início da verdadeira vida; por um breve tempo deixais nosso
corpo repousar no sono e de novo o despertais ao som da última trombeta; dais à
terra, para que proteja, a nossa terra, que formastes com vossas mãos e de novo
retomareis o que destes, transfigurando com imortalidade e beleza o nosso elemento
mortal e a nossa feiura. (...) Vós abristes para nós o caminho da ressurreição,
rompendo as portas do inferno e reduzindo à impotência aquele que tinha o poder
da morte.
(Gregório de Nissa, Vida de Santa Macrina, 24)
Da tradição latina
Com a esperança Deus nos amamenta, nos nutre, nos fortalece
e nos consola entre as dificuldades da vida presente. Por essa esperança
cantamos o “Aleluia” e, se a esperança nos proporciona uma alegria tão grande,
o que será a realidade possuída em si mesma? Perguntas o que pode ser? Ouve o
que vem depois: “Eles se inebriarão com a abundância da sua casa” (cf. Sl
35,9). Esse é o objeto da nossa esperança. Se temos sede e fome,
necessariamente devemos ser saciados. Mas enquanto dura o caminho haverá fome:
seremos saciados em casa. Quando seremos saciados? “Me saciarei quando aparecer
a sua glória” (cf. Sl 16,15 Vulgata). (...) Então o “Aleluia” será
vivido na sua realidade, enquanto agora está apenas na esperança.
(Agostinho de Hipona, Sermões, 255, 5)
Fonte: Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos (com algumas correções feitas pelo autor deste blog, sobretudo a partir do texto em italiano).




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