quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Ângelus: III Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 25 de janeiro de 2026

Irmãos e irmãs, bom domingo!
Tendo recebido o Batismo, Jesus inicia a sua pregação e chama os primeiros discípulos: Simão - chamado Pedro -, André, Tiago e João (cf. Mt 4,12-22). Observando atentamente esta passagem do Evangelho de hoje podemos fazer duas perguntas: uma sobre o tempo em que Jesus começa a sua missão e outra sobre o lugar que escolhe para pregar e chamar os Apóstolos. Perguntemo-nos: quando começaOnde começa?

Em primeiro lugar, o evangelista conta-nos que Jesus, «ao saber que João tinha sido preso» (v. 12), começou a sua pregação. Esta ocorre, portanto, em um momento que não parece ser o melhor: João Batista acabava de ser preso e, por isso, os líderes do povo estão pouco dispostos a acolher a novidade do Messias. Trata-se de um tempo que recomendaria prudência, mas é precisamente nesta situação obscura que Jesus começa a trazer a luz da boa nova: «O Reino dos Céus está próximo» (v. 17).

Também na nossa vida pessoal e eclesial, por vezes devido a resistências interiores ou a circunstâncias que consideramos desfavoráveis, pensamos não ser o momento certo para anunciar o Evangelho, para tomar uma decisão, para fazer uma escolha, para mudar uma situação. Porém, o risco é ficarmos paralisados pela indecisão ou prisioneiros de uma prudência excessiva, quando o Evangelho nos pede o risco da confiança: Deus trabalha em todo o tempo, todo momento é bom para o Senhor, mesmo se não nos sentimos preparados ou se a situação não parece ser a melhor.

O relato evangélico também nos mostra o lugar onde Jesus começa a sua missão pública: Ele «deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum» (v. 13). Permanece, contudo, na Galileia, um território habitado principalmente por pagãos, que, devido ao comércio, é também uma terra de passagem e de encontros; poderíamos dizer que é um território multicultural, atravessado por pessoas com origens e filiações religiosas diferentes. O Evangelho nos diz, desta forma, que o Messias vem de Israel, mas ultrapassa as fronteiras da sua terra para anunciar o Deus que se aproxima de todos, não exclui ninguém e não veio apenas para os puros, antes, envolve-se nas situações e nas relações humanas. Também nós, cristãos, devemos vencer a tentação de nos fecharmos: o Evangelho deve ser anunciado e vivido em todas as circunstâncias e ambientes, para que seja fermento de fraternidade e paz entre as pessoas, as culturas, as religiões e os povos.

Irmãos e irmãs, como os primeiros discípulos, somos convidados a acolher o chamado do Senhor, na alegria de saber que cada tempo e cada lugar da nossa vida são visitados por Ele e atravessados pelo seu amor. Rezemos à Virgem Maria, para que nos conceda esta confiança interior e nos acompanhe ao longo do caminho.

Chamado dos primeiros discípulos
(Domenichino - Basílica de Santo André della Valle, Roma)

Depois do Ângelus:

Queridos irmãos e irmãs,
Este Domingo, o III do Tempo Comum, é o Domingo da Palavra de Deus. O Papa Francisco instituiu-o há sete anos para promover em toda a Igreja o conhecimento da Sagrada Escritura e a atenção à Palavra de Deus na Liturgia e na vida das comunidades. Agradeço e encorajo todos os que se empenham com fé e amor em prol deste fim prioritário...

Fonte: Santa Sé.

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