De 18 a 25 de janeiro celebra-se, sobretudo no
hemisfério norte, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. No
hemisfério sul, por sua vez, a Semana da Unidade costuma ser celebrada entre a
Ascensão e o Pentecostes (neste ano de 2026 de 17 a 24 de maio) [1].
Desde 1968 o Dicastério para a Promoção da Unidade dos
Cristãos e o Conselho Mundial de Igrejas propõem um “tema” para cada ano a
partir de um texto bíblico. Desde 1975, por sua vez, o material para a Semana
da Unidade é preparado por um grupo ecumênico de algum local do mundo.
Em 2025, por ocasião dos 1700 anos do I Concílio
de Niceia (325), o tema proposto foi: “Crês isto?” (Jo 11,26),
e o material foi preparado pela comunidade monástica de Bose (Itália),
uma comunidade ecumênica formada por monges de diferentes tradições cristãs.
Nesta postagem repropomos a Celebração Ecumênica para o ano de 2025 (com algumas correções e sugestões). Essa celebração, com efeito, à luz da memória do Concílio de Niceia, não se restringe ao ano de 2025, podendo ser utilizada em nossas comunidades em momentos ecumênicos ou de reflexão sobre a fé.
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| I Concílio de Niceia (325) |
Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2025
Celebração Ecumênica
“Crês isto?” (Jo 11,26)
I. Convite à oração
A celebração tem início junto à porta principal da igreja:
Celebrante (C): Bendito seja o nosso Deus em todo tempo.
Assembleia (A): Agora e sempre. Amém.
C: Vinde, adoremos a Deus, nosso Rei.
A: Adoremos a Cristo no meio de nós, nosso Rei e nosso
Deus.
C: Vinde, prostremo-nos diante do Senhor, nosso Rei e nosso
Deus.
A: Santo Deus, Santo Forte, Santo Imortal, tende piedade
de nós.
A seguir o subsídio indica uma leitura (Jo 11,20-26)
enquanto os ministros se dirigem ao presbitério. Sugerimos, porém, proferir a
leitura antes da procissão de entrada, que neste caso seria acompanhada por um
canto.
O subsídio propõe a divisão do texto entre três leitores,
com a assembleia lendo a parte de Cristo. Propomos aqui uma divisão ligeiramente distinta,
similar à Narrativa da Paixão, com um narrador (L1), um leitor (L2) e o celebrante lendo a parte
de Cristo:
L1: Quando Marta soube que Jesus tinha chegado, foi ao
encontro dele. Maria ficou sentada em casa. Então Marta disse a Jesus:
L2: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria
morrido. Mas mesmo assim, eu sei que o que pedires a Deus, Ele te concederá”.
L1: Respondeu-lhe Jesus:
C: “Teu irmão ressuscitará”.
L1: Disse Marta:
L2: “Eu sei que ele ressuscitará na ressurreição, no último
dia”.
L1: Então Jesus disse:
C: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo
que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais.
Crês isto?”.
Pausa.
C: “Crês isto?”.
Pausa.
C: “Crês isto?”.
Pausa mais longa.
Canto
Como indicamos acima, este canto poderia acompanhar a
procissão de entrada. Chegando ao presbitério, o celebrante prossegue:
C: Há 1700 anos os cristãos debatiam a respeito de questões
de fé, gerando confusão e desentendimentos. A partir dessas disputas eles
conseguiram proclamar juntos sua fé através das palavras do Credo Niceno. Hoje
nos reunimos como comunidade de cristãos (provenientes de diversas culturas e
confissões) para celebrar nossa fé comum.
C: Cristo está no meio de nós.
A: Ele estava. Ele está. Ele sempre estará.
Palavras de boas-vindas (A critério da comunidade
anfitriã)
Oração inicial (cf. Clemente Romano)
Os textos a seguir podem ser divididos entre dois ou
quatro leitores:
L1: Ó Deus, Criador e Guardião de todo coração, que
multiplicais a família humana sobre a terra, fazei que todos os povos reconheçam
que Vós sois o único Deus, que Jesus Cristo é vosso Filho e que nós somos o vosso
povo e o vosso rebanho.
A: Kyrie, eleison! Senhor, tende piedade de nós!
L2: Senhor, nós vos pedimos, vinde em nosso auxílio, salvai
aqueles que estão aflitos, tende misericórdia dos miseráveis, mostrai vosso
rosto aos necessitados.
A: Kyrie, eleison! Senhor, tende piedade de nós!
L1: Ó Senhor, fiel de geração em geração, justo em vossos julgamentos,
misericordioso e compassivo, perdoai as nossas transgressões, purificai-nos com
a vossa verdade e guiai nossos passos para que caminhemos em santidade e
justiça.
A: Kyrie, eleison! Senhor, tende piedade de nós!
L2: Senhor, fazei resplandecer vosso rosto sobre nós na paz e
no bem, dai concórdia a nós e a todos os que habitam sobre a terra, concedei aos
nossos governantes sabedoria e inteligência para que exerçam sua autoridade com
justiça e guiai suas decisões para a paz.
A: Kyrie, eleison! Senhor, tende piedade de nós!
Antes das leituras, se for oportuno, pode ser recitada um
das coletas (oração do dia) da Missa “pela Unidade dos Cristãos” [2].
II. Proclamação da Palavra de Deus
Convém utilizar o Lecionário (e o Evangeliário, se
houver) para as leituras.
Leitura do Antigo Testamento: Dt 6,4-9
Salmo: Sl 130(131),1.2.3 (R: Confia no Senhor,
desde agora e para sempre)
Leitura do Novo Testamento: 1Pd 1,3-9
Responsório
Grande é o Senhor, grande é o seu poder. R: Grande é o
Senhor, grande é o seu poder.
Sua sabedoria não tem limites. R: Grande é o seu poder.
Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo. R: Grande
é o Senhor, grande é o seu poder.
Evangelho: Jo 20,24-29
É possível proclamar aqui o “tema” da Semana da Unidade:
Jo 11,17-27. Neste caso pode ser omitida a leitura dos vv. 20-26 no início da
celebração.
Após o Evangelho segue-se um momento de silêncio ou um canto.
Homilia
Caso se proclame o Evangelho de Jo 11,17-27 é possível
ler aqui parte da homilia do Papa Francisco no encerramento da Semana da Unidade 2025.
Após a homilia segue-se um momento de silêncio ou um
canto.
III. Celebrando a nossa fé comum
São distribuídas velas à assembleia enquanto o celebrante
proclama:
C: Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12). Em
muitas tradições cristãs, durante a celebração do Batismo, o batizado ou o padrinho
recebe uma vela acesa. O próprio Jesus chama seus seguidores a serem “luz do
mundo” (Mt 5,14): cada um de nós é portador da luz do Cristo Ressuscitado.
Recebamos essa luz de Cristo e a propaguemos uns aos outros.
O celebrante acende sua vela e compartilha a chama com as
pessoas mais próximas, que, por sua vez, a compartilham com toda a assembleia.
Os fiéis podem ser orientados a dizer “A luz de Cristo” ao compartilhar a chama.
O celebrante pode acender sua vela em uma vela
grande ou lamparina preparada no presbitério ou, no Tempo Pascal, no círio
pascal preparado no centro do presbitério ou junto ao ambão.
Enquanto todos compartilham a chama pode ser entoado um
canto adequado.
Quando todas as velas tiverem sido acesas, o celebrante prossegue:
C: Jesus disse a Marta: “Eu sou a ressurreição e a vida.
Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim,
não morrerá jamais. Crês isto?”.
A: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que Tu és o Messias,
o Filho de Deus, que devia vir ao mundo”.
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| “Eu sou a ressurreição e a vida” (Santuário de Betânia) |
C: Amemo-nos uns aos outros para que, unidos em um só
espírito, possamos proclamar a fé na qual todos fomos batizados. E agora unamos
as nossas vozes ao professar juntos o Símbolo Niceno-Constantinopolitano:
A: Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e
da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de
Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, luz da luz, Deus
verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por Ele
todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação, desceu
dos céus e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez
homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi
sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras, e subiu aos
céus, onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir, em sua glória,
para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do
Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou
pelos profetas. Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica. Professo um
só Batismo para a remissão dos pecados. E espero a ressurreição dos mortos e a
vida do mundo que há de vir. Amém.
Indicamos aqui a versão do Símbolo presente no Missal Romano (pp. 444-445). O subsídio, por sua vez, propõe a versão “ecumênica”, com pequenas variações (como a omissão
da expressão “Deus de Deus” e da cláusula “Filioque” e, em alguns idiomas, o
uso do plural “Cremos” ao invés do singular “Creio”).
IV. Oração dos fiéis e Pai nosso
Oração dos fiéis
Como anteriormente, é possível dividir as preces em um
número diferentes de leitores.
L1: Todas as coisas foram criadas do nada e o seu ser se
esvairia novamente no nada se o Autor de todas as coisas não as sustentasse nas
suas mãos (Gregório Magno).
L2: Senhor da vida, recebemos toda a criação das vossas mãos
e da vossa providência. Ensinai-nos a viver no mundo e a conservar com cuidado
e justiça todas as coisas que criastes.
A: Nós cremos, mas ajudai-nos, pois nossa fé é frágil.
L1: A isso chamo fé: a luz inteligível que brota na alma pela
graça, que conforta o coração e concede o dom da esperança (Isaac de Nínive).
L2: Deus amoroso, concedei-nos o dom da esperança em
abundância neste mundo conturbado por conflitos e discórdias. Fortalecei o
vosso povo afligido pela indiferença e pela divisão.
A: Nós cremos, mas ajudai-nos, pois nossa fé é frágil.
L1: Que maravilha se, aproximando-nos de Deus, antes de tudo
professamos nossa fé, reconhecendo que, sem a fé, não podemos viver uma vida
cristã (Rufino de Aquileia).
L2: Deus misericordioso, perdoai-nos pelas vezes em que não
fomos capazes de viver como cristãos uma vida de comunhão. Atraí-nos mais
profundamente para a fé em Vós para que possamos testemunhá-la ao mundo.
A: Nós cremos, mas ajudai-nos, pois nossa fé é frágil.
L1: Que a fé prevaleça: a fé que leva a mente à confiança, a
fé que não deriva da lógica humana, mas é fruto do Espírito Santo (Basílio
de Cesareia).
L2: Ó Consolador celestial, nós vos pedimos: fazei que confiemos
mais no dom da vossa sabedoria do que na capacidade do nosso raciocínio.
A: Nós cremos, mas ajude-nos, pois nossa fé é frágil.
L1: Sua luz apareceu e fez desaparecer as trevas da prisão;
santificou nosso nascimento e destruiu a morte, rompendo os grilhões que nos
aprisionavam (Irineu de Lião).
L2: Senhor compassivo, ajudai-nos a trabalhar juntos para
que, onde houver trevas e opressão, sofrimento e injustiça, possamos levar vossa
luz e vossa liberdade.
A: Nós cremos, mas ajudai-nos, pois nossa fé é frágil.
C: Como irmãos e irmãs de Jesus, rezemos juntos como Ele nos
ensinou:
A: Pai nosso...
Canto
Durante o canto, se for oportuno, pode ter lugar o
abraço da paz entre os fiéis.
V. Bênção e envio em missão
Oração final (da Comunidade monástica de Bose)
C: Deus, nosso Pai, aceitai nosso louvor e nossa ação de
graças pelo que já une os cristãos na confissão e no testemunho do Senhor
Jesus. Apressai o tempo em que todas as Igrejas se reconheçam na única comunhão
que Vós desejastes e pela qual o vosso Filho rezou na força do Espírito Santo.
Ouvi-nos, Vós que viveis e reinais agora e pelos séculos dos séculos. R:
Amém.
C: Bendigamos ao Senhor. R: Graças a Deus.
C: Aquele que nos une e que é a nossa paz conceda-nos
apresentar-nos unidos ao Pai no único Espírito. R: Amém.
| Padres do Concílio de Niceia com o Símbolo |
* * *
Fonte: Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos (com algumas correções feitas pelo autor deste blog, sobretudo a partir do texto em italiano).
Nas próximas postagens traremos as leituras e orações para o
“oitavário” indicadas no subsídio: para cada um dos oito dias são propostas
leituras bíblicas, leituras patrísticas e preces à luz do Símbolo Niceno-Constantinopolitano.
Notas:
[1] As datas de 18 e 25 de janeiro foram propostas em
referência às antigas festas da Confissão de Pedro e da Conversão de Paulo.
Para saber mais, confira nossas postagens sobre a história da Festa da Cátedra de São Pedro e sobre a história da Festa da Conversão de São Paulo.
[2] MISSAL ROMANO, Tradução portuguesa da 3ª edição
típica realizada e publicada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
Brasília: Edições CNBB, 2023, pp. 1085-1089.
Confira também:
Celebração Ecumênica: Semana da Unidade 2021 (cf. Jo 15,5-9)
Celebração Ecumênica: Semana da Unidade 2022 (cf. Mt 2,2)



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