quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Ângelus: II Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 18 de janeiro de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Hoje o Evangelho (Jo 1,29-34) fala-nos de João Batista, que reconhece em Jesus o Cordeiro de Deus, o Messias, dizendo: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo» (v. 29); e acrescenta: «Se eu vim batizar com água, foi para que Ele fosse manifestado a Israel» (v. 31).

João reconhece em Jesus o Salvador, proclama a sua divindade e missão em favor do povo de Israel e depois, tendo cumprido a sua tarefa, afasta-se, como atestam estas suas palavras: «Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim» (v. 30).

João Batista é um homem muito amado pelas multidões, a ponto de ser temido pelas autoridades de Jerusalém (cf. Jo 1,19). Teria sido fácil explorar esta fama, mas ele não cede de forma alguma à tentação do sucesso e da popularidade. Diante de Jesus, reconhece a própria pequenez e abre espaço para a grandeza d’Ele. Sabe que foi enviado para preparar o caminho do Senhor (cf. Mc 1,3; Is 40,3) e, quando o Senhor vem, reconhece com alegria e humildade a sua presença, retirando-se de cena.

Quão importante é para nós, hoje, o seu testemunho! Realmente, muitas vezes é dada uma demasiada importância à aprovação, ao consenso e à visibilidade, a ponto de condicionar as ideias, os comportamentos e os estados de espírito das pessoas, causando sofrimento e divisões, criando estilos de vida e de relacionamento efêmeros, decepcionantes e aprisionadores. Na realidade, não precisamos desses “substitutos de felicidade”. A nossa alegria e grandeza não se baseiam em ilusões passageiras de sucesso e fama, mas em saber-nos amados e queridos pelo nosso Pai que está nos céus.

É o amor de que Jesus nos fala: o amor de um Deus que ainda hoje vem estar no meio de nós, não para nos surpreender com efeitos especiais, mas para partilhar o nosso cansaço e assumir os nossos fardos, revelando-nos quem realmente somos e quanto valemos a seus olhos.

Caríssimos, não deixemos que Ele, ao passar, nos encontre distraídos. Não desperdicemos tempo e energia buscando o que é apenas aparência. Aprendamos com João Batista a manter o espírito vigilante, amando as coisas simples e as palavras sinceras, vivendo com sobriedade e profundidade de mente e coração, contentando-nos com o necessário e encontrando, de preferência todos os dias, um momento especial para nos determos em silêncio a rezar, refletir, escutar, enfim, “fazer deserto”, a fim de encontrar o Senhor e estar com Ele.

Que em tudo isto nos ajude a Virgem Maria, modelo de simplicidade, sabedoria e humildade.

João Batista indica Jesus como o Cordeiro de Deus
(Domenichino - Basílica de Santo André della Valle, Roma)

Fonte: Santa Sé.

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