sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Semana da Unidade 2025: Leituras e orações (1)

Em nossa postagem anterior destacamos a Celebração Ecumênica da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2025, com o tema: “Crês isto?” (Jo 11,26).

Além da Celebração, o material elaborado pela comunidade monástica de Bose (Itália), formada por monges de diferentes tradições cristãs, inclui um “oitavário” de reflexões e orações à luz do Símbolo Niceno-Constantinopolitano, tendo em vista os 1700 anos do I Concílio de Niceia (325).

Para cada um dos oito dias são propostas leituras bíblicas, leituras patrísticas de diversas “tradições” (latina, grega, siríaca e armênia), orações e preces.

Confira nesta postagem as reflexões para os primeiros quatro dias, centradas em Deus Pai (Todo-poderoso e Criador) e em Jesus Cristo (Encarnação e Mistério Pascal). Na próxima postagem, por sua vez, traremos os textos para os últimos quatro dias.

Esses textos, com efeito, não se restringem ao ano de 2025, podendo ser utilizados em momentos ecumênicos ou de reflexão sobre a fé, ou ainda em nossa oração pessoal.

Ícone do Creio

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2025
Reflexões e orações para os oito dias
“Crês isto?” (Jo 11,26)

1º dia: Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso

Leituras bíblicas: Is 63,15-17 / Sl 138(139),1-3.13.23.24b / 1Cor 8,5-6

Leitura patrística

Da tradição grega
Contemplai os mistérios do amor, e então podereis contemplar o seio do Pai, que só o Filho Unigênito de Deus revelou. Deus é amor e graças ao amor podemos contemplá-lo. E embora em sua natureza inefável Ele seja Pai, sua compaixão por nós se fez mãe.
(Clemente de Alexandria, Qual rico se salvará? 37,1-2)

Oração

Nós vos bendizemos, Senhor, Pai das luzes: de vós provém todo bem e todo dom perfeito.
R. Graças e louvores a vós, Senhor!

Vós criastes o mundo e tudo o que ele contém, Vós sois o Senhor do céu e da terra. A nós, mortais, dais vida, alento e todo bem.
R. Graças e louvores a vós, Senhor!

Vós criastes todos as criaturas que habitam a terra e estabelecestes para elas o ritmo do tempo e os confins de seu espaço. No coração do homem colocastes o desejo do eterno.
R. Graças e louvores a vós, Senhor!

Pai Celestial, na vossa grande bondade nos indicastes o caminho da vida pela Lei e dos Profetas. Pai misericordioso, em Jesus, vosso Filho, proclamastes a boa nova do Reino.
R. Graças e louvores a vós, Senhor!

Deus de toda consolação, chamai-nos ao vosso seguimento, tornai estável para nós a obra de vossas mãos.
R. Graças e louvores a vós, Senhor!

Oremos
Pai compassivo, renovai nossa fé em Vós e fazei-nos um no vosso amor, para que possamos reconhecer uns aos outros como vossos filhos e nos reunirmos em unidade. Nós vos louvamos por Jesus Cristo, vosso Filho Unigênito, na comunhão do Espírito Santo. R. Amém.

Leituras patrísticas alternativas

Da tradição siríaca
Quem pode contemplar a Deus com espírito vigilante, admirar a sua grandeza, considerar a sua natureza oculta e ver com os olhos do seu entendimento aquela natureza pura e santa que não precisa de nada? (...) Aquele que suplica, pede e exorta todo homem a viver. Aquele que se oferece para nos dar a vida, que busca nos encontrar e se alegra com nossa felicidade mais do que nós mesmos. Aquele que continuamente pede que recebamos da sua riqueza, que colhamos o seu tesouro e que nos enriqueçamos dos seus dons para não sermos mais pobres. Aquele que não se alegra tanto com sua própria vida do que com a nossa vida.
(Filoxeno de Mabbug, Discurso 7)

Da tradição latina
A fonte da vida é aquele sumo Bem, a partir do qual é dada a todos a capacidade de existir, enquanto Ele tem em si mesmo a vida perene; aquele sumo Bem que não recebe nada de ninguém, como se fosse pobre, mas concede os bens aos outros sem tomá-los para si de outra fonte, pois não precisa de nós. (...) O que, então, pode ser mais belo do que aproximar-se d’Ele, apegar-se a Ele? Que prazer maior pode existir? Quem o viu e bebeu gratuitamente da fonte de água viva, que mais pode desejar?
(Ambrósio de Milão, Cartas IV 11, 18)

Padres da Igreja

2º dia: Criador do céu e da terra

Leituras bíblicas: Gn 1,1-5 / Sl 148,1.3.9-14 / Rm 8,19-23

Leitura patrística

Da tradição grega
Deus não pode ser visto por olhos humanos, mas é visto e percebido por meio da sua providência e das suas obras. Assim como alguém que vê um navio totalmente equipado entrar no porto supõe que ele tenha um piloto para guia-lo, assim devemos perceber que Deus é o piloto de todo o universo, embora não seja visível aos olhos da carne porque é inefável.
(Teófilo de Antioquia, A Autólico I, 5)

Oração

Nós vos louvamos e damos graças, Senhor, Deus de amor eterno, pelos grandes sinais da vossa graça e da vossa misericórdia por toda a criação.
R. Bendito sejais, Senhor!

Vós criastes todas as coisas e as declarastes boas, porque vosso Espírito habita nelas e elas pertencem a vós, Senhor que amais a vida.
R. Bendito sejais, Senhor!

Proclamamos, Senhor, a vossa glória nos imensos espaços do universo e na menor semente de vida. Damos graças pela obra das vossas mãos e pela criação de todo ser.
R. Bendito sejais, Senhor!

Bendito sejais, Senhor, pelo ar que dá vida. Bendito sejais pela terra que nos nutre. Bendito sejais pela água que sacia a nossa sede. Bendito sejais pelo fogo que nos aquece.
R. Bendito sejais, Senhor!

Dando voz a toda a criação e reunindo todas as dores e alegrias nós vos glorificamos e damos graças. Senhor: Vós fizestes todas as coisas e logo as transfigurareis, revestindo-as da vossa glória.
R. Bendito sejais, Senhor!

Oremos
Senhor Deus, Pai das luzes, fortalecei nosso coração na confiança e na esperança, enquanto trabalhamos pela unidade e buscamos juntos a harmonia com a criação. Fazei que sejamos lâmpadas acesas até o dia da vinda do vosso Filho na glória, com todos os santos, no Reino eterno. Bendito sejais, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. R. Amém.

Leituras patrísticas alternativas

Da tradição siríaca
O primeiro livro dado por Deus aos seres racionais é a natureza das coisas criadas. A instrução por meio da escrita, com efeito, foi acrescentada após a transgressão.
(Isaac de Nínive, Primeira Coleção, 5)

Da tradição latina
Uma vez que todas as coisas foram criadas do nada, tudo retornaria ao nada se o Autor de todas as coisas não as sustentasse com sua mão forte.
(Gregório Magno, Moralia in Job XVI, 37, 45)

I Concílio de Niceia (325)

3º dia: Creio em um só Senhor, Jesus Cristo... que se fez homem

Leituras bíblicas: Jr 33,14-16 / Sl 71(72),7.12.16-17 / Jo 1,1-14

Leitura patrística

Da tradição armênia
Ele tomou sobre si todos as paixões humanas, exceto o pecado. Ou seja: teve fome Aquele que dá alimento a todos os viventes; teve sede Aquele que dá a água da vida aos que creem n’Ele; sentiu cansaço Aquele que é o repouso dos que estão exaustos; dormiu Aquele que, sempre atento, guardava Israel; chorou Aquele que enxuga as lágrimas de todos os olhos. (...) Ele assumiu o nosso corpo passível, para que Aquele que é impassível pudesse sofrer com o corpo passível e Aquele que é imortal pudesse morrer com o corpo mortal, e assim nos libertar, a nós que somos culpados.
(Gregório de Skevra, Sobre a verdadeira fé e a conduta pura nas virtudes, 15, 17)

Oração

Verbo de Deus, vos fizestes carne e viestes habitar entre nós. Compartilhastes nossa condição humana, morrestes como nós morremos.
R. Glória a Vós, ó Cristo, glória a Vós!

Filho de Davi, desejado pelos justos e pelos profetas, proclamastes a boa nova aos pobres e anunciastes o tempo de graça do Senhor.
R. Glória a Vós, ó Cristo, glória a Vós!

Vós viestes para quebrar as correntes da escravidão, para semear o bem e para abrir a todos o caminho que leva a de Deus.
R. Glória a Vós, ó Cristo, glória a Vós!

Vós viestes ao mundo frágil e pobre, confundistes os orgulhosos com a vossa humildade, atraístes a Vós os cansados e os oprimidos.
R. Glória a Vós, ó Cristo, glória a Vós!

Vós sois o Cordeiro de Deus e o nosso Pastor, o Servo de Deus e o nosso Senhor, que vos fizestes pecado por nós, nosso Redentor.
R. Glória a Vós, ó Cristo, glória a Vós!

Oremos
Senhor Deus, nosso Pai, atrai a Vós nosso olhar, para que juntos possamos sair das trevas ao encontro da luz da vossa face, revelada a nós em Jesus, vosso Filho e nosso irmão, que vive e reina convosco e com o Espírito Santo agora e para sempre. R. Amém.

Leituras patrísticas alternativas

Da tradição siríaca
Agora que as criaturas superiores e inferiores se tornaram uma só, não há mais alto e baixo. Deus apareceu sobre a terra e a nossa natureza [humana] ascendeu ao céu. Quando Deus veio até nós, a terra se tornou o céu, e quando o Filho, com nossa natureza humana, foi elevado, o céu se tornou a terra. Assim, o céu e a terra são uma só realidade.
(Abdisho bar Bahriz, Comentário sobre as celebrações da Igreja, 58)

Da tradição grega
Essa é a graça do Senhor e esses são os meios de restauração para os homens. Ele sofreu para libertar os aflitos do seu sofrimento; abaixou-se para que pudesse nos levantar; experimentou ser concebido para que pudéssemos amar aquele que não foi gerado; desceu até a corrupção para que o que é corruptível se revestisse de incorruptibilidade; tornou-se fraco por nós para que nos reerguêssemos com força.; desceu até a morte para que pudesse nos conceder a imortalidade e dar vida aos mortos. Finalmente, Ele se fez homem para que nós, que estávamos mortos como homens, pudéssemos viver e a morte não reinasse mais sobre nós.
(Atanásio de Alexandria, Cartas pascais 10, 8, 19)

Comunidade monástica de Bose
(Responsável pelo material)

4º dia: Foi crucificado... padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia

Leituras bíblicas: Ex 3,7-8 / Sl 15(16),5.7.10-11 / Fl 2,5-11

Leitura patrística

Da tradição latina
Deus Pai, na sua imensa misericórdia, enviou sua Palavra criadora que, ao vir para nos salvar, foi aos mesmos lugares e às mesmas situações onde nós perdemos a vida e quebrou as correntes que nos mantinham prisioneiros. Sua luz apareceu e extinguiu as trevas da prisão, santificou nosso nascimento e destruiu a morte, livrando-nos dos grilhões que nos aprisionavam
(Irineu de Lião, Demonstração da pregação apostólica, 38)

Oração

Bendito sejais, ó Cristo, Primogênito de toda a criação: sois coroado de glória e esplendor.
R. Glória e louvor a Vós, ó Cristo!

Ao vosso Nome todo joelho se dobra no céu, na terra e debaixo da terra e toda língua proclama que Vós sois o Senhor.
R. Glória e louvor a Vós, ó Cristo!

Alegramo-nos e cantamos louvores a Vós, ó Cristo, Filho amado do Pai: sois o Ressuscitado que nos chamas a viver em Vós.
R. Glória e louvor a Vós, ó Cristo!

Nós vos adoramos, nós vos glorificamos, porque sois o Rei dos reis, o Senhor dos senhores: Vós nos abristes o Reino dos céus.
R. Glória e louvor a Vós, ó Cristo!

Nós vos damos graças em todo momento e bendizemos o vosso Nome: estais sempre conosco, até o fim dos tempos.
R. Glória e louvor a Vós, ó Cristo!

Oremos
Senhor nosso Deus, glorificando o vosso Filho Jesus, nos libertastes da morte; pela sua Ressurreição, despertai os nossos corações adormecidos, iluminai todos os que vos buscam e fazei brilhar sobre nós a Estrela da manhã, Jesus Cristo, o Vivente. Ele que é Senhor pelos séculos dos séculos. R. Amém.

Leituras patrísticas alternativas

Da tradição grega
O Salvador desceu à terra movido pela compaixão pela humanidade; experimentou as nossas dores antes de sofrer a cruz e se dignar assumir nossa carne. Se Ele não tivesse sofrido, não teria vindo viver a vida dos homens. Primeiro Ele sofreu, depois desceu e foi visto. Que paixão é essa que Ele sofreu por nós? É a paixão do amor.
(Orígenes de Alexandria, Homilias sobre Ezequiel 6, 6)

Da tradição siríaca
O corpo que foi redimido pela vossa humilhação vos rende graças. Era uma ovelha perdida que o leão à espreita havia despedaçado, e o pecado, oculto, é a fera que a reduziu a pedaços. Davi escapou enquanto salvava o cordeiro; pelo nosso corpo, porém, oferecestes o vosso corpo àquela morte que devora sem saciar-se.
(Efrém de Nísibis, Hino sobre a Virgindade 37, 5)


Fonte: Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos (com algumas correções feitas pelo autor deste blog, sobretudo a partir do texto em italiano).

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