segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Ângelus: II Domingo depois do Natal (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 04 de janeiro de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Neste II Domingo depois do Natal do Senhor, desejo em primeiro lugar renovar os meus votos a todos vós. Depois de amanhã, com o fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro, concluiremos o Jubileu da Esperança. E o mistério do Natal, no qual estamos imersos, recorda-nos precisamente que o fundamento da nossa esperança é a Encarnação de Deus. O Prólogo do Evangelho de João, que a Liturgia nos propõe também hoje, lembra-nos justamente isso: «O Verbo se fez carne e habitou entre nós» (Jo 1,14). Com efeito, a esperança cristã não se baseia em previsões otimistas ou cálculos humanos, mas na escolha de Deus vir partilhar o nosso caminho, para que nunca estejamos sós na travessia da vida. Esta é a obra de Deus: em Jesus, Ele se tornou um de nós, escolheu ficar junto de nós, quis ser para sempre o Deus-conosco.

A vinda de Jesus na fraqueza da carne humana, se por um lado reaviva em nós a esperança, por outro lado confere-nos um duplo compromisso: um para com Deus e outro para com o ser humano.

Para com Deus, porque se Ele se fez carne, se Ele escolheu a nossa fragilidade humana como sua morada, então somos sempre chamados a repensar Deus a partir da carne de Jesus e não de uma doutrina abstrata. Portanto, devemos sempre rever a nossa espiritualidade e as formas de expressar a fé, para que sejam verdadeiramente encarnadas, ou seja, capazes de pensar, rezar e anunciar o Deus que em Jesus vem ao nosso encontro: não um Deus distante que vive em um céu perfeito acima de nós, mas um Deus próximo que habita a nossa terra frágil, se faz presente no rosto dos irmãos e se revela nas situações do dia a dia.

Para com o ser humano, o nosso compromisso deve ser igualmente coerente. Se Deus se tornou um de nós, cada criatura humana é um reflexo seu, traz em si a sua imagem, guarda uma centelha da sua luz; e isto nos convida a reconhecer em cada pessoa a sua dignidade inviolável e a nos exercitar no amor mútuo, uns para com os outros. Neste sentido, a Encarnação exige também de nós um compromisso concreto com a promoção da fraternidade e da comunhão, para que a solidariedade se torne o critério das relações humanas; com a justiça e a paz; com o cuidado dos mais fracos e a defesa dos mais vulneráveis. Deus se fez carne, por isso não há culto autêntico a Deus sem o cuidado da carne humana.

Irmãos e irmãs, enquanto pedimos à Virgem Maria que nos torne cada vez mais disponíveis para servir a Deus e ao próximo, a alegria do Natal nos anime a prosseguir o nosso caminho.

Nascimento do Senhor (Carl Bloch)

Fonte: Santa Sé.

Observação: No Brasil celebramos neste domingo a Solenidade da Epifania do Senhor, transferida do dia 06 de janeiro.

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