segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Fotos da Missa do Papa em Assis

Na tarde do último dia 03 de outubro o Papa Francisco dirigiu-se a Assis, onde celebrou a Santa Missa da Solenidade de São Francisco no altar junto ao túmulo deste santo. No final da celebração, assinou sua nova Encíclica "Fratelli tutti".

Oração do dia

Evangelho
Oração Eucarística
Consagração

sábado, 3 de outubro de 2020

Homilia: XXVII Domingo do Tempo Comum - Ano A

Santo Irineu de Lião
Tratado contra as heresias
Ao final o Senhor enviou o seu Filho

Havia um pai de família que plantou uma vinha, colocou uma cerca ao redor, fez um lagar e construiu uma torre...
Com estas palavras o Senhor claramente deu a entender aos seus discípulos que um só e o mesmo é o pai de família, a saber: o único Deus Pai, que fez todas as coisas por si mesmo; porém são muitos os agricultores, dos quais alguns são insolentes e soberbos, não dão fruto e matam ao Senhor; outros, porém, obedientes em tudo, dão fruto a seu tempo. E este mesmo pai de família é o que primeiro enviou os seus servos, em seguida o seu Filho. O mesmo Pai que enviou o seu Filho aos vinhateiros, que o mataram, é o que enviou os seus servos; mas quando veio o próprio Filho, constituído com a autoridade de seu Pai, disse: Porém, eu vos digo. Ao passo que os servos diziam: Isto diz o Senhor.
Assim, o mesmo Senhor ao qual eles pregavam para os incrédulos, Cristo o deu como Pai àqueles que lhe obedecem: aos primeiros Deus os chamou para serem servos da Lei, aos últimos os elevou à dignidade de filhos.
De fato, Deus plantou a vinha da raça humana, primeiro ao plasmar a Adão e ao escolher os pais; aos vinhateiros lhes deu a Lei por meio de Moisés; a rodeou com uma vala, ou seja, cercou a terra que haviam de cultivar; edificou uma terra quando escolheu Jerusalém; fez um lagar ao preparar os profetas como vasos do Espírito. Desta maneira enviou profetas antes do exílio na Babilônia, e após o exílio enviou novamente ainda mais que os anteriores, para reclamar sua parte do fruto, dizendo-lhes:
Isto diz o Senhor Deus: Corrigi os vossos caminhos e a vossa conduta; julgai com retidão e justiça, cada um tenha compaixão e misericórdia de seu irmão; não oprimais ao órfão, ao estrangeiro ou ao pobre; que ninguém recorde em seu coração o mal que seu irmão lhe fez; que não tenham gosto em jurar falsamente; lavai-vos, purificai-vos, lançai a maldade de vossos corações, aprendei a fazer o bem, buscai a justiça, defendei o oprimido, fazei justiça ao pequeno e à viúva. Então vinde e disputemos, diz o Senhor; e também: Fecha a tua boca para a maldade e teus lábios para a mentira. Aparta-te do mal e faz o bem, busca a paz e corre atrás dela.
Isto proclamavam os profetas, reclamavam o fruto da justiça. Porém, como não creram neles, ao final o Senhor enviou o seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, ao qual os maus colonos lançaram da vinha e o mataram. Por isso o Senhor Deus já não a manteve no cercado, mas a estendeu a todo o mundo: a transpassou para outros colonos que lhe entregaram o fruto a seu tempo, construiu-lhe uma torre elevada e bela, pois em todo o mundo a Igreja resplandece; fabricou-lhe um lagar em todas as partes, pois cada nação recebe o Espírito.
Deus justamente rejeitou àqueles que tramaram contra o seu Filho, que o lançaram da vinha e o mataram; por isso lhes cedeu a sua terra para que a cultivassem as nações fora da vinha. Assim o anunciou o profeta Jeremias: O Senhor reprovou e rejeitou o povo que fez isto, pois os filhos de Judá praticaram o mal em minha presença, diz o Senhor. E acrescenta: Coloquei-vos sentinelas: Escutai a trombeta! E disseram: Não escutaremos. Por isso as nações ouviram e todos os que apascentam seus rebanhos entre eles.
Portanto, um só e o mesmo é o Deus Pai que plantou a vinha, que guiou o povo, que lhe enviou profetas, que lhe deu o seu Filho e que entregou sua vinha para outros vinhateiros que lhe entreguem os frutos a seu tempo.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 227-229. Para adquiri-lo no site da Editora Vozes, clique aqui.

Confira também uma homilia de São Macário o Grande para este domingo clicando aqui.

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Homilia de São Bernardo: Memória dos Santos Anjos da Guarda

Após nossa postagem sobre a história da Memória dos Santos Anjos da Guarda, confira a homilia de São Bernardo proposta para o Ofício das Leituras dessa celebração:

Dos Sermões de São Bernardo, Abade
(Sermo 12 in Psalmum Qui habitat, 3.6-8)
Eles te guardem em todos os teus caminhos

A teu respeito ordenou a seus anjos que te guardem em todos os teus caminhos (Sl 90,11). Louvem o Senhor por sua misericórdia e suas maravilhas para com os filhos dos homens. Louvem e proclamem às nações que o Senhor agiu de modo magnífico a favor deles. Senhor, que é o homem para que assim o conheças? Ou por que inclinas para ele teu coração? Aproximas dele teu coração, enches-te de solicitude por sua causa, cuidas dele. Enfim, a ele envias o teu Unigênito, infundes o teu Espírito, prometes até a visão de tua face. E para que nas alturas nada falte no serviço a nosso favor, envias os teus santos espíritos a servir-nos, confias-lhes nossa guarda, ordenas que se tornem nossos pedagogos.

A teu respeito, ordenou a seus anjos que te guardem em todos os teus caminhos. Esta palavra quanta reverência deve despertar em ti, aumentar a gratidão, dar confiança. Reverência pela presença, gratidão pela benevolência, confiança pela proteção. Estão aqui, portanto, e estão junto de ti, não apenas contigo, mas em teu favor. Estão aqui para proteger, para te serem úteis. Na verdade, embora enviados por Deus, não nos é lícito ser ingratos para com eles, que com tanto amor lhe obedecem e em tamanhas necessidades nos auxiliam.

Sejamos-lhes fiéis, sejamos gratos a tão grandes protetores; paguemos-lhes com amor; honremo-los tanto quanto pudermos, quanto devemos. Prestemos, no entanto, todo o nosso amor e nossa honra àquele que é tudo para nós e para eles; de quem recebemos poder amar e honrar, de quem merecemos ser amados e honrados.

Assim, irmãos, nele amemos com ternura seus anjos como futuros co-herdeiros nossos, e enquanto esperamos nossos intendentes e tutores dados pelo Pai como nossos guias. Porque agora somos filhos de Deus, embora não se veja, pois ainda estamos sob tutela quais meninos que em nada diferem dos servos.

Aliás, mesmo assim tão pequeninos e restando-nos ainda uma tão longa, e não só tão longa, mas ainda tão perigosa caminhada, que temos a temer com tão poderosos protetores? Eles não podem ser vencidos, nem seduzidos, e ainda menos seduzir, aqueles que nos guardam em todos os nossos caminhos. São fiéis, são prudentes, são fortes; por que trememos de medo? Basta que os sigamos, unamo-nos a eles e habitaremos sob a proteção do Deus do céu.

Responsório (Sl 90,11-12.10)

O Senhor deu uma ordem a seus anjos, para em todos os caminhos te guardarem.
R. Haverão de te levar em suas mãos para o teu pé não se ferir nalguma pedra.

Nenhum mal há de chegar perto de ti, nem a desgraça baterá à tua porta.
R. Haverão de te levar em suas mãos para o teu pé não se ferir nalguma pedra.

Oração
Ó Deus, que na vossa misteriosa providência mandais os vossos Anjos para guardar-nos, concedei que nos defendam de todos os perigos e gozemos eternamente do seu convívio. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.


Fonte: OFÍCIO DIVINO. Liturgia das Horas segundo o Rito Romano. Tradução para o Brasil da segunda edição típica. São Paulo: Paulus, 1999, vol. IV, pp. 1335-1337.

A história da Memória dos Anjos da Guarda

Anjos do Senhor, bendizei ao Senhor! Louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim!” (Dn 3,59).

No último dia 29 de setembro publicamos um texto sobre a história da Festa dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael. Hoje, 02 de outubro, quando a Igreja do Rito Romano celebra a Memória dos Santos Anjos da Guarda, gostaríamos de ampliar a reflexão, falando sobre a história do culto dos anjos da guarda e dos anjos em geral.

Com efeito, a Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II, ao falar sobre a união da Igreja peregrina sobre a terra com a Igreja celeste, recorda o particular afeto devido “aos Apóstolos e Mártires de Cristo... juntamente com a Bem-aventurada Virgem Maria e os santos Anjos” (n. 50) [1].

Anjo da Guarda
(Anônimo do século XVIII)

1. O culto dos anjos em geral

Os anjos (do hebraico malakh e do grego angelos, mensageiro) estão amplamente presentes na Sagrada Escritura, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, como mensageiros de Deus e protetores do seu povo.

Seu culto remonta já ao século I, como atesta a Carta aos Colossenses (Cl 2,18), embora esta exorte contra alguns exageros no seu culto. Diversas vezes neste escrito, com efeito, se reforça a superioridade de Cristo sobre as potências angélicas.

Os exageros prosseguiram nos séculos seguintes, como adverte Orígenes em sua obra Contra Celso. Sobretudo na Frígia (região da atual Turquia), o culto aos anjos adquiria quase o caráter de adoração (latria), prática condenada pelo Concílio de Laodiceia (363-364). Lembremos também, como vimos na postagem anterior, que o Sínodo de Roma de 745 proibiu o culto de anjos que eram mencionados apenas nos livros apócrifos (como, por exemplo, o Livro de Enoch).

Apesar dos abusos, o verdadeiro culto aos anjos, na forma de veneração (dulia), permaneceu sempre presente na vida da Igreja. A ele alude São Justino (séc. II) em sua I Apologia, afirmando que os cristãos cultuam o “exército dos anjos bons”. Sua veneração tem o próprio Deus como último destinatário, como bem sintetiza o núcleo do Prefácio dos anjos:

“(...) Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso: é a vós que glorificamos, ao louvarmos os anjos que criastes e que foram dignos do vosso amor. A admiração que eles merecem nos mostra como sois grande e como deveis ser amado acima de todas as criaturas” (Missal Romano, 2ª edição, p. 447).

No século VI o Pseudo-Dionísio Areopagita escreveu a obra De caelesti hierarchia (Da hierarquia celeste) onde, recolhendo os diversos termos relacionados aos anjos na Escritura, estabeleceu uma hierarquia dos seres espirituais, divididos em nove “coros”. Esta classificação seria depois desenvolvida por Santo Tomás de Aquino (séc. XIII), que ficou conhecido justamente como “Doutor Angélico”.

Primeiramente há dois termos tomados do Antigo Testamento:

Serafins (do hebraico saraf): Mencionados na teofania do Livro de Isaías (Is 6,2-7), onde cantam o hino ao Deus “três vezes Santo” e purificam o profeta;

Querubins (do hebraico keruv): São presença recorrente na Escritura: protegem os portões do Éden (Gn 3,24); suas imagens encimam a arca da aliança (Ex 25,18-20); aparecem nos Salmos (Sl 80,1; 99,1) e diversas vezes nas visões do Livro de Ezequiel;

Cristo entre querubins e serafins
(Batistério de Florença)

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Comemoração dos 1600 anos da morte de São Jerônimo em Belém

No dia 30 de setembro de 2020 completaram-se 1600 anos da morte de São Jerônimo, Presbítero e Doutor da Igreja, grande tradutor e estudioso da Sagrada Escritura.

Além da publicação da Carta Apostólica Scripturae Sacrae affectus pelo Papa Francisco, a ocasião foi celebrada em Belém, onde o santo viveu por muitos anos, com a Santa Missa presidida pelo Custódio da Terra Santa, Padre Francesco Patton, na Gruta de São Jerônimo, na Basílica da Natividade.

Altar de São Jerônimo
Relíquia de São Jerônimo
Liturgia da Palavra
Evangelho
Homilia

Ordenação Episcopal na Arquidiocese de Cracóvia

No último dia 29 de setembro, Festa de São Miguel, São Gabriel e São Rafael, Arcanjos, foi celebrada na Basílica do Sagrado Coração de Jesus em Trzebinia, na Arquidiocese de Cracóvia (Polônia) a Santa Missa para a Ordenação Episcopal de Dom Karol Kulczycki, nomeado Bispo de Port Pirie (Austrália).

Dom Karol, natural da Polônia, pertence à Sociedade do Divino Salvador (Salvatorianos). Depois de ser ordenado sacerdote em Trzebinia em 1994, partiu em missão para a Austrália em 1997, onde trabalhou até 2018.

O ordenante principal foi Dom Adolfo Tito Camacho Yllana, Núncio Apostólico na Austrália. Os co-ordenantes foram Dom Marek Jędraszewski, Arcebispo de Cracóvia, e Dom Jacek Kiciński, Bispo Auxiliar de Wrocław.

Procissão de entrada

Incensação do altar
Ritos iniciais
O Bispo eleito durante a Liturgia da Palavra

Dimensão comunitária da Confissão

Depois dos textos sobre a Liturgia das Horas, as Exéquias e a Eucaristia como coração da Igreja, o site Vatican News publicou três reflexões sobre o sacramento da Reconciliação, a confissão, destacando sua dimensão comunitária:

Celebração Penitencial
09 de setembro de 2020

No nosso espaço “Memória Histórica - 50 anos do Concílio Vaticano II”, vamos falar no programa de hoje sobre “Celebração Penitencial”.
Segundo o Catecismo da Igreja Católica, “a Penitência é uma ação litúrgica”. Ordinariamente, os elementos da sua celebração são a “saudação e bênção do sacerdote, a leitura da Palavra de Deus para iluminar a consciência e suscitar a contrição e exortação ao arrependimento: a confissão que reconhece os pecados e os manifesta ao sacerdote; a imposição e aceitação da penitência; a absolvição do sacerdote; o louvor de ação de graças e a despedida com a bênção do sacerdote” (n. 1480).
“O sacramento da Penitência - explica mais adiante - pode também ter lugar no âmbito duma celebração comunitária, na qual se faz uma preparação conjunta para a confissão e conjuntamente se dão graças pelo perdão recebido” (n. 1482). “Em casos de grave necessidade, pode-se recorrer à celebração comunitária da Reconciliação com confissão geral e absolvição geral. Tal necessidade grave pode ocorrer quando há perigo iminente de morte, sem que o sacerdote ou os sacerdotes tenham tempo suficiente para ouvir a confissão de cada penitente” (n. 1483).
No programa de hoje deste nosso espaço, padre Gerson Schmidt aborda precisamente o tema da “Celebração Penitencial”:

Na renovação litúrgica prevista pela Sacrosanctum Concilium, vemos que os Padres conciliares também motivaram para que acontecesse uma renovação do rito da Penitência, da confissão ou também chamada de Reconciliação. Diz assim o número 72 da Sacrosanctum Concilium: “Revejam-se o rito e as fórmulas da Penitência, de modo que exprimam com mais clareza a natureza e o efeito deste sacramento” (SC, n. 72).
Sabemos que a confissão não deveria ser um ato mágico ou estanque de nossa vida de fé, mas um processo de conversão, do qual o rito penitencial deveria ser sinal eficaz. Por isso, no pensamento do Concílio Vaticano II, o pecado é visto não simplesmente como uma ofensa individual a Deus, mas uma ferida comunitária, que afeta toda a Igreja e o Povo de Deus, mesmo se o pecado for feito em privado. Pelo Batismo fazemos parte da família de Deus. Se um membro do Corpo de Cristo peca, fere toda a Igreja, toda a comunidade, todo o Corpo.
Por isso, o número 109 da Sacrosanctum Concilium nos diz assim: “O mesmo se diga dos elementos penitenciais. Quanto à catequese, inculque-se no espírito dos fiéis, juntamente com as consequências sociais do pecado, a natureza própria da penitência que detesta o pecado como ofensa feita a Deus; e na ação penitencial não se esqueça a parte da Igreja, nem se deixe de recomendar a oração pelos pecadores” (SC, n. 109b).
Por isso, está previsto pelo ritual que a confissão dos fiéis seja feita, na medida do possível, dentro de uma celebração penitencial. O Papa Bento XVI, na Exortação Apostólica pós-sinodal Verbum Domini, escreveu assim no número 61: “(...) recomenda-se que o indivíduo penitente se prepare para a confissão meditando um trecho apropriado da Sagrada Escritura e possa começar a confissão com a leitura ou a escuta de uma advertência bíblica, como aliás está previsto no próprio ritual. (...) a confissão individual da multidão dos penitentes tenha lugar no âmbito de celebrações penitenciais, como previsto pelo ritual...” (VD, n. 61). 
Em 2Tm 3,16, temos a confirmação de que a Palavra de Deus nos corrige, nos repreende, nos educa e nos converte: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3,16).
Portanto, em nossas paróquias e comunidades deveríamos promover as celebrações penitenciais no espírito comunitário do Concílio, propondo a reconciliação de cada pecador com Deus e com a comunidade, num verdadeiro processo de conversão pela Palavra e exortação de mudança.


Dimensão comunitária da Confissão
16 de setembro de 2020