terça-feira, 16 de maio de 2023

Regina Coeli: VI Domingo da Páscoa - Ano A

Papa Francisco
Regina Coeli
Domingo, 14 de maio de 2023


Estimados irmãos e irmãs, bom dia!
O Evangelho de hoje, VI Domingo da Páscoa, fala-nos do Espírito Santo, a quem Jesus chama Paráclito (cf. Jo 14,15-17). Paráclito é uma palavra que vem do grego e significa, ao mesmo tempo, consolador e advogado. Isto é, o Espírito Santo nunca nos deixa sozinhos, está ao nosso lado, como um advogado que assiste o réu, estando ao seu lado. E sugere-nos a forma de nos defendermos perante aqueles que nos acusam. Lembremo-nos de que o grande acusador é sempre o demônio, que coloca os pecados dentro de nós, o desejo de pecar, a maldade. Reflitamos sobre estes dois aspectos: a sua proximidade a nós e a sua ajuda contra aqueles que nos acusam.

A sua proximidade: o Espírito Santo, diz Jesus, «permanece convosco e está em vós» (v. 17). Nunca nos abandona. O Espírito Santo quer estar conosco: não é um hóspede de passagem que vem fazer-nos uma visita de cortesia. É um companheiro de vida, uma presença estável, é Espírito e deseja habitar no nosso espírito. É paciente e fica conosco inclusive quando caímos. Fica porque nos ama verdadeiramente: não finge que nos ama e depois deixa-nos sozinhos nas dificuldades. Não. É leal, é transparente, é autêntico.

Aliás, quando nos encontramos na provação, o Espírito Santo consola-nos, trazendo-nos o perdão e a força de Deus. E quando nos confronta com os nossos erros e nos corrige, fá-lo com gentileza: na sua voz que fala ao coração há sempre o timbre da ternura e o calor do amor. Certamente o Espírito Paráclito é exigente, porque é um amigo verdadeiro, fiel, que nada esconde, que nos sugere o que mudar e como crescer. Mas, quando nos corrige, nunca nos humilha nem infunde desconfiança; ao contrário, transmite-nos a certeza de que com Deus podemos vencer, sempre. Esta é a sua proximidade. É uma bonita certeza!

Segundo aspecto: o Espírito Paráclito é o nosso advogado e defende-nos. Defende-nos diante daqueles que nos acusam: diante de nós mesmos, quando não nos amamos e não nos perdoamos, até ao ponto de dizer a nós mesmo que somos fracassados e inúteis; diante do mundo, que descarta quem não corresponde aos seus esquemas e modelos; diante do demônio, que é por excelência o “acusador” e o divisor (cf. Ap 12,10) e faz de tudo para que nos sintamos incapazes e infelizes.

Perante todos estes pensamentos acusadores, o Espírito Santo sugere-nos como devemos reagir. De que modo? O Paráclito é Aquele que «nos recorda tudo o que Jesus nos disse» (Jo 14,26). Por isso, recorda-nos as palavras do Evangelho e permite que respondamos ao demônio acusador não com as nossas palavras, mas com as palavras do Senhor. Sobretudo recorda-nos que Jesus falou sempre do Pai que está nos céus, fez com que o conhecêssemos e revelou-nos o seu amor por nós, que somos seus filhos. Se invocarmos o Espírito, aprendemos a acolher e a recordar a realidade mais importante da vida, que nos protege das acusações do mal. E qual é essa realidade mais importante da vida? O fato de sermos filhos amados de Deus. Somos filhos amados de Deus: esta é a realidade mais importante, e o Espírito recorda-nos isso.

Irmãos e irmãs, perguntemo-nos hoje: invocamos o Espírito Santo, rezamos-lhe com frequência? Não nos esqueçamos d’Aquele que está perto de nós, aliás, dentro de nós! E depois, escutamos a sua voz, quando nos encoraja e quando nos corrige? Respondemos com as palavras de Jesus às acusações do mal, aos “tribunais” da vida? Lembramo-nos de que somos filhos amados de Deus?
Que Maria nos torne dóceis à voz do Espírito Santo e sensíveis à sua presença. 


Fonte: Santa Sé.

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Dissertações e Teses sobre Liturgia: PUC-Rio 2018-2020

Há três meses, no dia 10 de fevereiro de 2023, destacamos aqui em nosso blog três Dissertações de Mestrado e duas Teses de Doutorado sobre Liturgia defendidas entre 2021 e 2022 no Programa de Pós-Graduação em Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

Nesta postagem gostaríamos de dar continuidade à proposta de maneira retrospectiva com outros cinco trabalhos acadêmicos - igualmente três Dissertações de Mestrado e duas Teses de Doutorado - defendidos entre 2018 e 2020, refletindo sobre diversos temas: o domingo, o rito, a Palavra de Deus, a mistagogia...

Como na postagem anterior, todos os trabalhos indicados aqui tiveram como orientador o Pe. Luiz Fernando Ribeiro Santana, Doutor em Teologia pela mesma PUC-Rio, à exceção do último, orientado por Dom Antonio Luiz Catelan Ferreira, Doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma) e, desde 2022, Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

Brasão da PUC-Rio

Seguem os resumos das Dissertações e Teses, as quais podem ser acessadas na íntegra nos links a seguir:

O dia do Senhor: Teologia e Mística
Rafael Neves de Oliveira
Orientador: Luiz Fernando Ribeiro Santana
Dissertação de Mestrado (2018), 136 páginas

A teologia do domingo se desenvolve a partir da Ressureição de Cristo. Diante desse evento, os Apóstolos compreenderam que esse dia deveria ser recordado como memorial pascal da nova e eterna aliança. O domingo constitui, portanto, o novo tempo do culto cristão, deixando o sétimo dia, o sábado judaico, para então se tornar o primeiro dia da semana como o dia santo. O domingo também assume uma perspectiva escatológica, chamado de “o oitavo dia”, ou seja, o domingo que não tem fim e, para a vida da Igreja nascente, é um dia especial de culto. Os Padres da Igreja deixaram grande testemunho acerca desse dia que começa aqui para ter seu fim na eternidade. Essa dissertação propõe, então, perfazer um caminho de reflexão sobre a teologia do domingo, tendo em vista que, desde o Concílio Vaticano II, o domingo vem sendo celebrado com a proposta de uma participação plena, ativa e consciente. Para tanto, utilizou-se uma pesquisa qualitativa e bibliográfica, embasada na Sagrada Escritura, na Tradição, Magistério e Documentos da Igreja, assim como as leituras de vários estudiosos do assunto. A Constituição Sacrosanctum Concilium teve grande relevância no tocante à questão litúrgica na vida Igreja, ajudando a comunidade de fé a celebrar e viver o mistério de Cristo. A impostação da pesquisa é histórico-salvífica, visto que, desde a criação já estava presente o desígnio do Pai de salvar e redimir o ser humano, e reúne elementos bíblicos e da eclesiologia litúrgica. O domingo torna-se o lugar privilegiado da irradiação da graça divina através da celebração do Mistério Pascal de Cristo, produzindo nos fiéis uma transformação para a vida. A comunidade que celebra a fé no dia do Senhor se vê guiada pelo Espírito que estava presente na criação, verbalizado na aliança no Sinai e encarnado no Cristo.

Capítulos:
1. Fundamento bíblico e tradição eclesial do domingo
2. A centralidade do domingo na Reforma Litúrgica
3. Domingo: Dia do Senhor


Teologia do rito: A ação ritual como lugar da epifania do mistério de Cristo
Guilherme da Costa Vilela Gouvêa
Orientador: Luiz Fernando Ribeiro Santana
Dissertação de Mestrado (2019), 115 páginas

Papa Francisco reza com o Papa Tawadros II de Alexandria

No dia 11 de maio de 2023 o Papa Francisco participou de um momento de oração na Capela Redemptoris Mater do Palácio Apostólico com o Papa Tawadros II de Alexandria, Patriarca da Igreja Ortodoxa Copta.

O encontro dos dois hierarcas marca os 50 anos da visita do Papa Shenouda III ao Papa Paulo VI em maio de 1973, quando ambos assinaram uma importante declaração conjunta, e os 10 anos da primeira visita de Tawadros a Francisco em 2013. Este retribuiria a visita em 2017, durante sua Viagem Apostólica ao Egito.

Com cerca de 16 milhões de fiéis, a Igreja Ortodoxa Copta é a maior das Igrejas Ortodoxas Orientais ou Pré-Calcedonianas.

Antes do momento de oração, Tawadros presenteou o Papa Francisco com relíquias dos 21 mártires coptas martirizados pelo Estado Islâmico na Líbia em 2015. O Papa anunciou então que estes cristãos serão inseridos no Martirológio Romano, livro que reúne o elenco de todos os santos e beatos venerados pela Igreja. Sua comemoração certamente será estabelecida no dia da sua morte, 15 de fevereiro [1].

Em diversas ocasiões o Papa Francisco falou do “ecumenismo de sangue” que une cristãos de diferentes Igrejas. Já durante o Grande Jubileu do Ano 2000, com efeito, o Papa João Paulo II celebrou as “Testemunhas da fé do século XX”, recordando cristãos de diferentes tradições.

Encontro do Papa Francisco com o Papa Tawadros
Entrega das relíquias
(Pedaços de vestes dos mártires manchadas com seu sangue)
Oração ecumênica na Capela Redemptoris Mater


quinta-feira, 11 de maio de 2023

Leitura litúrgica do Livro do Gênesis 1–11 (2)

“E Deus viu tudo quanto havia feito, e eis que tudo era muito bom” (Gn 1,31).

Na postagem anterior da nossa série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura iniciamos um estudo sobre a presença dos capítulos 1–11 do Livro do Gênesis (Gn) nas celebrações do Rito Romano.

Após uma breve introdução a estes capítulos, que compõem a “História das Origens”, começamos a analisar sua leitura litúrgica sob o critério da composição harmônica, isto é, da sintonia com o tempo ou a festa litúrgica, como indica o Elenco das Leituras da Missa (ELM) em seu número 66 [1].

Criação do sol e da lua
(Michelangelo, Capela Sistina)

Tendo considerado as celebrações do Ano Litúrgico e dos santos, nesta postagem prosseguiremos a análise com as Missas para diversas necessidades e votivas, os demais sacramentos, os sacramentais e a Liturgia das Horas (LH).

2. Leitura litúrgica de Gênesis 1-11: Composição harmônica

a) Celebração Eucarística

Iniciamos esta segunda parte do nosso estudo com as Missas para diversas necessidades, formulários com várias opções de textos, nos quais há cinco leituras ad libitum (à escolha) do nosso livro:

- Missas pela pátria, pelos governantes, por um encontro de chefes de Estado, pelo chefe de Estado e pelo progresso dos povos, com três opções de textos:
Gn 1,26–2,3: Deus confia ao homem e à mulher o cuidado da sua obra (1º relato da criação);
Gn 2,4b-9.15: Deus confia ao homem o cuidado do jardim do Éden (2º relato da criação);
Gn 4,3-10: o primeiro fratricídio (Caim mata seu irmão Abel), diante do qual Deus adverte que o sangue dos inocentes clama por justiça (v. 10) [2].

- Missa pela santificação do trabalho: são repropostas as primeiras duas leituras acima, sobre o cuidado da criação (Gn 1,26–2,3 e Gn 2,4b-9.15) [3];

Vale destacar que também a 1ª opção de antífona de entrada dessa Missa é tomada do Livro do Gênesis: “No princípio criou Deus o céu e a terra. E Deus criou à sua imagem. Viu Deus todas as coisas que fizera, e eram muito boas” (Gn 1,1.27.31) [4].

- Missa em tempo de guerra: aqui, por sua vez, é sugerida a terceira perícope acima, Gn 4,3-10, advertindo contra a morte dos inocentes [5].

- Missa no início do ano civil: a leitura sugerida é Gn 1,14-18 [6], o relato do “quarto dia”, com a criação do sol e da lua “para marcar as épocas, os dias e os anos” (v. 14).

- Missa para a sementeira: aqui, por fim, pode ser lido à escolha o relato do “terceiro dia” da criação, Gn 1,11-12 [7], quando Deus cria “plantas que trazem semente” e “árvores que dão fruto”.

Vitrais representando os seis dias da criação

Passamos a seguir às Missas votivas, celebradas para favorecer a piedade dos fiéis, nas quais nosso livro aparece em algumas celebrações em honra da Virgem Maria:

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Primeiras informações sobre o Jubileu 2025

No dia 09 de maio de 2023 o Dicastério para a Evangelização realizou uma conferência para apresentar algumas informações sobre o Jubileu Ordinário de 2025, incluindo o hino, o site oficial e as primeiras informações sobre o calendário.


Na tradição bíblica, o jubileu, um ano especial de ação de graças, era celebrado a cada 50 anos. No final da Idade Média, porém, a Igreja reduziu sua frequência para 25 anos, de modo a favorecer a participação dos fiéis. Para saber mais, confira nossa postagem sobre os Jubileus na história da Igreja.

Além disso, o Papa pode convocar um Jubileu Extraordinário, fora dessa contagem. Foi o caso do Ano da Misericórdia celebrado pelo Papa Francisco entre 2015 e 2016. O último Jubileu Ordinário, por sua vez, foi o Grande Jubileu do ano 2000, celebrado por São João Paulo II.

O Ano Santo é marcado sobretudo pela peregrinação a Roma, particularmente às quatro Basílicas maiores: São João do Latrão, São Pedro no Vaticano, São Paulo fora-dos-muros e Santa Maria Maior.

Cada uma dessas Basílicas possui a sua Porta Santa, aberta apenas durante os Jubileus: o fiel que atravessa uma Porta Santa recebe uma particular indulgência (precedida sempre pelo arrependimento sincero de todos os pecados, a confissão sacramental, a Comunhão e a oração nas intenções do Santo Padre).

Papa Francisco abre a Porta Santa da Basílica de São Pedro
(Jubileu Extraordinário da Misericórdia 2015-2016)

Preparação para o Jubileu 2025

O primeiro passo rumo ao Jubileu 2025 foi a Carta enviada pelo Papa Francisco no dia 11 de fevereiro de 2022 a Dom Rino Fisichella, Pró-Prefeito do Dicastério para a Evangelização (1ª seção), confiando-lhe a preparação do Jubileu e determinando que este terá como lema “Peregrinos de esperança” (Peregrinantes in spem).

Inspirado no lema, no dia 28 de junho de 2022 foi apresentado o logotipo oficial do Jubileu, obra do italiano Giacomo Travisani.

Em sua Carta o Papa propôs que, em preparação ao Jubileu, o ano de 2023 fosse dedicado a “revisitar” as quatro Constituições do Concílio Vaticano II.

Festa de Santo Estanislau em Cracóvia

No dia 08 de maio de 2023 o Arcebispo de Cracóvia, Dom Marek Jędraszewski, celebrou a Santa Missa da Festa de Santo Estanislau, Bispo e Mártir, no altar que guarda suas relíquias na Catedral de Wawel, da qual Santo Estanislau é co-titular (junto com São Venceslau) [1]. Neste mesmo altar conserva-se a relíquia ex sanguinis de São João Paulo II.

Durante a celebração, como de costume,  o Arcebispo conferiu a Ordenação Diaconal a 13 seminaristas da Arquidiocese.

Na tarde do mesmo dia o Cardeal Stanisław Dziwisz, Arcebispo Emérito de Cracóvia, também celebrou a Santa Missa no altar de Santo Estanislau, seu onomástico.

Missa com Ordenações Diaconais

Acolhida do Arcebispo
Procissão de entrada
Incensação do altar
Ritos iniciais
Homilia

terça-feira, 9 de maio de 2023

Festa da Invenção da Santa Cruz em Jerusalém

Nos dia 07 de maio de 2023 o Custódio da Terra Santa, Padre Francesco Patton, presidiu a Santa Missa  da Festa da Invenção da Santa Cruz (Inventio Sanctae Crucis), celebração própria de Jerusalém, na Gruta de Santa Helena da Basílica do Santo Sepulcro.

Esta celebração recorda a descoberta (em latim, inventio) das supostas relíquias da Cruz por Santa Helena em torno ao ano de 325. Para saber mais, confira nossa postagem sobre a história da Festa da Exaltação da Santa Cruz.

Para saber mais sobre a Gruta de Santa Helena e a Basílica do Santo Sepulcro, clique aqui.

Procissão de entrada
O Custódio conduz a relíquia da Santa Cruz
A relíquia da Cruz exposta sobre o altar
Ritos iniciais
Salmodia das Laudes (oração da manhã)