Na manhã do sábado, 26 de setembro de 2026, durante sua Viagem Apostólica à França, o Papa Leão XIV participou de um Encontro com Catecúmenos e Neófitos (isto é, com adultos que se preparam para receber os Sacramentos da Iniciação Cristã ou que os receberam recentemente) no Instituto Católico de Paris (Institut Catholique de Paris).
Em seu discurso o Papa refletiu sobre a Iniciação Cristã, incluindo a importância da formação litúrgica:
Viagem Apostólica à França
Encontro com os Catecúmenos e os Neófitos
Discurso do Papa Leão XIV
Instituto Católico de Paris
Sábado, 26 de setembro de 2026
Excelências,
Queridos sacerdotes e consagrados,
Queridos catecúmenos e neófitos, irmãos e irmãs,
(...)
Hoje somos acolhidos pelo Institut Catholique de Paris, uma
instituição situada na intersecção entre a ciência e a fé, que há séculos
contribui para formar mentes e corações a serviço do Evangelho. Saúdo os
professores, os estudantes e os funcionários desta Universidade, mas também
todos os membros desta Assembleia Provincial, empenhados em refletir sobre as
perspectivas pastorais para a acolhida dos neófitos e catecúmenos, bem como
sobre a vida da Igreja.
Ao observar de perto o trabalho que estais realizando, mas sobretudo
ao ouvir os testemunhos de Josué, Marielle e Sophie, sinto, antes de tudo, uma
grande gratidão pela imprevisível obra de Deus. Como vós e juntamente convosco
fico surpreendido com o número de pessoas que retomam o caminho da fé e com a quantidade
de adultos que solicitam os Sacramentos da Iniciação Cristã.
Pode parecer paradoxal que este fenômeno, em que tantas pessoas
redescobrem o Evangelho e abraçam a fé, aconteça no contexto de uma sociedade
como a francesa, marcada por uma cultura fortemente secularizada. A vossa
experiência e testemunho, queridos catecúmenos e neófitos, são o sinal tangível
da ação da graça de Deus, que vai além das análises estatísticas e
sociológicas. Este fenômeno, que contradiz qualquer atitude derrotista e aquilo
que Papa Francisco chamava de “pessimismo estéril” (cf. Exortação Apostólica
Evangelii gaudium, nn. 84-86), deve ser acolhido com espírito de
responsabilidade.
Com efeito, somos chamados a nos dirigir aos nossos irmãos e irmãs
redescobrindo o estilo próprio de Deus, feito de proximidade, compaixão e
ternura. Com ternura pastoral e caridade fraterna, devemos reconhecer, acolher
e guardar a pequena chama que o Espírito Santo acendeu na escuridão da noite, a
pequena semente que aspira a crescer mesmo no meio dos espinhos.
O espanto perante o que está acontecendo a muitos dos nossos irmãos e
irmãs não deve nos fechar em uma alegre ingenuidade; pelo contrário, devemos nos
comprometer, procurar, questionar e empreender ações pastorais concretas. É
este o espírito que anima a vossa Assembleia Sinodal e, de um modo mais geral,
o caminho da Igreja na França: maravilhados com a imprevisível obra de Deus, o
que devemos fazer e para onde nos impele o Espírito a fim de acompanhar os
catecúmenos, os neófitos e os que recomeçam?
Em primeiro lugar, gostaria de recordar uma expressão utilizada pelo
Episcopado francês há alguns anos e vos exortar a imaginar e a encarnar uma
Igreja em “estado de iniciação”, que se preocupa com o percurso dos
catecúmenos, dos neófitos e dos que recomeçam, oferecendo-lhes, ao longo do
tempo, um acompanhamento sólido e constante. A Iniciação Cristã, no seu
conjunto, tem estado verdadeiramente no centro das preocupações dos Pastores
desde os anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial. Já nessa altura havia
inúmeros pedidos, e o fermento teológico e litúrgico daqueles anos contribuiu
em grande medida para a renovação dos percursos do catecumenato que se realizou
durante o Concílio Vaticano II. Embora hoje o contexto seja diferente, podeis
recorrer a esta tradição pastoral que é bem enraizada no que diz respeito ao
acompanhamento dos catecúmenos. Não esqueçamos, aliás, que esta prática já em
vigor foi revigorada a partir de 1996, ano em que vieram à luz a Carta aos
Católicos da França e, ao mesmo tempo, a última edição francesa do Ritual
da Iniciação Cristã de Adultos.
Queridos irmãos e irmãs, estar em “estado de iniciação” significa
acolher as pessoas que se aproximam pela primeira vez de Deus, vendo nisso uma
oportunidade e uma missão: a oportunidade reside no fato de que, graças a elas,
também a comunidade dos fiéis renova o seu caminho de fé e experimenta a
alegria do Evangelho de modo renovado. A missão, neste contexto, consiste em
cuidar delas e servir de guia, mesmo depois de terem recebido os Sacramentos. É
preciso acolher com alegria quem se apresenta, partir da sua experiência
espiritual, respeitar a sua história e favorecer um anúncio essencial do querigma,
também através das fórmulas conhecidas no percurso pessoal ou comunitário. Não
esqueçamos, porém, que em muitas destas pessoas surge depois a pergunta que
ouvimos no testemunho da Marielle: como evitar o vazio pós-batismal?
Portanto, após o Batismo, é necessário acompanhar e integrar
plenamente estas pessoas nas nossas comunidades e grupos de oração,
oferecendo-lhes um espaço familiar e uma formação o mais integral possível,
capaz de abranger os diversos aspectos da vida cristã e de promover a união
entre fé e vida. Com efeito, os neófitos precisam aprofundar os fundamentos da
fé cristã, ser devidamente formados do ponto de vista bíblico e teológico, e
descobrir cada vez mais a riqueza da doutrina e as diversas dimensões da ação
moral cristã ligadas à profissão de fé.
Por último, mas não menos importante, eles ainda precisam ser
iniciados e introduzidos na vida litúrgica da Igreja. Também nos testemunhos
ouvimos como a celebração dos ritos litúrgicos foi para alguns uma porta de
entrada no próprio mistério da fé. Trata-se de um âmbito fundamental da vida da
Igreja, que exige uma atenção pastoral radicada nos ensinamentos do Concílio
Vaticano II. Realmente, a Liturgia não pode ser considerada como uma realidade
“posterior” à catequese, na qual se aplica o que foi aprendido ao longo do
percurso. Pelo contrário, ela manifesta e atualiza o Mistério da Páscoa de
Cristo e, por isso, é um acontecimento capaz de revelar o sentido da Boa Nova e
a própria vida de Deus. Com os seus ritmos, linguagens e ritos, a Liturgia faz
parte do mesmo caminho de conversão e preparação para os sacramentos.
Para levar a cabo esta missão, o papel dos formadores é essencial. Tal
como nos ensina a antiga tradição da Igreja, trata-se de preparar padrinhos e
madrinhas, expressão da comunidade, especialmente formados para iniciar os
neófitos. No contexto desta formação, recomendo um conhecimento aprofundado do Ritual
da Iniciação Cristã de Adultos. Paralelamente, é necessário que os agentes
pastorais sejam formados - não só nos âmbitos bíblico, teológico, litúrgico e
da vida espiritual, mas também no campo das qualidades humanas -, a fim de
saberem discernir e orientar aqueles cujos percursos de vida são mais complexos
e menos lineares. Ouvimos há pouco: há quem chegue com uma simples sede
espiritual, uma busca de sentido e uma atração pelo Evangelho, enquanto outros
estão marcados por experiências dolorosas, situações de solidão e feridas
profundas. É aí que o estilo da proximidade, da compaixão e da ternura ganha
todo o seu sentido: é preciso encontrar um sábio equilíbrio para acolhê-los,
escutá-los e, ao mesmo tempo, encorajá-los a enfrentar os exigentes desafios da
fé. Trata-se de um caminho em que é necessário respeitar o ritmo do outro,
avançando progressivamente, com atenção e em um acompanhamento fraterno.
Trata-se de adotar o estilo do “caminhar juntos”. Nos caminhos da fé cristã,
enriquecemo-nos mutuamente e crescemos juntos: sacerdotes e leigos, padrinhos e
catecúmenos, animadores pastorais e neófitos.
No entanto, isso ainda não seria suficiente. Os recém-batizados não
são chamados apenas a receber: a sua fé é um tesouro que é oferecido à Igreja
da França e à Igreja universal.
Penso no que aconteceu a um dos catecúmenos mais famosos da história,
Santo Agostinho. Foi iniciado na fé por Santo Ambrósio, e a sua fé era apenas
uma pequena semente quando foi batizado. Mas essa semente cresceu e se multiplicou,
tornando-se uma árvore tão grande que, sob os seus ramos, ainda hoje podemos
encontrar conforto.
Ao olhar para vós, queridos catecúmenos e neófitos, vejo não só o
fruto do Espírito que vos pôs neste caminho, mas também uma promessa de
fecundidade para a Igreja na França. Sede também vós missionários do Evangelho
nesta sociedade!
As grandes testemunhas desta amada nação vos apoiem no vosso caminho.
Penso em Santa Teresinha do Menino Jesus, que nos ensina, através da sua “pequena
via”, como a confiança abre as portas da graça; ou em São Martinho de Tours,
figura emblemática da partilha e da caridade fraterna. Com tantos outros Santos
e Santas originários desta terra da França, eles nos lembram que a missão é
construída hoje, preservando, acima de tudo, a presença do Senhor na vida
quotidiana.
Acolhendo-vos uns aos outros, que possais formar, todos juntos, o povo
vivo da Igreja na França, capaz de transmitir a fé. Invocando a proteção
maternal da Virgem Maria, Padroeira principal da França, e a intercessão de Santa
Genoveva (Sainte Geneviève) e de São Dionísio (Saint Denis),
protetores desta cidade, concedo-vos, de todo o coração, a minha bênção.
Obrigado e bom caminho!
Fonte: Santa Sé.


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