terça-feira, 17 de março de 2026

Ângelus: IV Domingo da Quaresma - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 15 de março de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
O Evangelho deste IV Domingo da Quaresma narra a cura de um homem cego de nascença (Jo 9,1-41). Por meio da simbologia desse episódio, o evangelista João nos fala do mistério da salvação: enquanto estávamos na escuridão e a humanidade caminhava nas trevas (cf. Is 9,1), Deus enviou o seu Filho como luz do mundo, para abrir os olhos dos cegos e iluminar a nossa vida.

Os profetas haviam anunciado que o Messias abriria os olhos dos cegos (cf. Is 29,18; 35,5; Sl 145,8). O próprio Jesus confirma a sua missão mostrando que «os cegos veem» (Mt 11,5), e apresenta-se dizendo: «Eu sou a luz do mundo» (Jo 8,12). Com efeito, todos podemos dizer que somos “cegos de nascença”, pois não conseguimos, por nós mesmos, ver em profundidade o mistério da vida. Por isso, Deus se encarnou em Jesus, para que o barro da nossa humanidade, misturado com o sopro da sua graça, pudesse receber uma nova luz, capaz de nos fazer ver finalmente a nós mesmos, aos outros e a Deus na verdade.

Chama a atenção que tenha se difundido, ao longo dos séculos, a opinião, ainda hoje presente, de que a fé seria uma espécie de “salto no escuro”, uma renúncia ao pensamento, de modo que ter fé significaria acreditar “cegamente”. Pelo contrário, o Evangelho nos diz que, ao entrar em contato com Cristo, os olhos se abrem, a tal ponto que as autoridades religiosas perguntam com insistência ao cego curado: «Como é que se abriram os teus olhos?» (Jo 9,10); e ainda: «Como Ele te abriu os olhos?» (v. 26).

Irmãos e irmãs, também nós, curados pelo amor de Cristo, somos chamados a viver um Cristianismo “de olhos abertos”. A fé não é um ato cego, uma renúncia à razão, um refúgio em alguma certeza religiosa que nos faz desviar o olhar do mundo. Em vez disso, a fé ajuda-nos a olhar «a partir da perspectiva de Jesus e com os seus olhos: é uma participação no seu modo de ver» (Encíclica Lumen fidei, n. 18) e, por isso, nos pede que “abramos os olhos”, como Ele fazia, sobretudo para os sofrimentos dos outros e para as feridas do mundo.

Hoje, em particular, diante das inúmeras questões que o coração humano se coloca e das dramáticas situações de injustiça, violência e sofrimento que marcam o nosso tempo, é necessária uma fé vigilante, atenta e profética, que abra os nossos olhos para as trevas do mundo e lhe traga a luz do Evangelho através de um comprometimento com a paz, a justiça e a solidariedade.

Peçamos à Virgem Maria que interceda por nós, para que a luz de Cristo abra os olhos do nosso coração e possamos dar testemunho d’Ele com simplicidade e coragem.

Cura do cego de nascença
(Mosteiro de São Dionísio, Grécia)

Fonte: Santa Sé.

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