terça-feira, 10 de março de 2026

Ângelus: III Domingo da Quaresma - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 08 de março de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
O diálogo entre Jesus e a samaritana, a cura do cego de nascença e a ressurreição de Lázaro, desde os primeiros séculos da história da Igreja, iluminam o caminho de quem, na Páscoa, receberá o Batismo e dará início a uma nova vida. Essas grandiosas passagens evangélicas, que lemos a partir deste domingo, são oferecidas aos catecúmenos e, ao mesmo tempo, são ouvidas novamente por toda a comunidade, pois ajudam a nos tornarmos cristãos ou, se já o somos, a sê-lo com mais autenticidade e alegria.

Jesus, na verdade, é a resposta de Deus à nossa sede. Como indica à samaritana, o encontro com Ele faz brotar no íntimo de todos uma «fonte de água que jorra para a vida eterna» (Jo 4,14). Ainda hoje, quantas pessoas, em todo o mundo, procuram esta fonte espiritual! A jovem Etty Hillesum escrevia em seu Diário: «Às vezes consigo alcançá-la, mas frequentemente ela está coberta por pedras e areia: Deus está, então, sepultado. É preciso, por isso, voltar a desenterrá-lo» (Etty Hillesum, Diário, Milão, 2012, 153). Caríssimos, não há energia melhor empregada do que aquela que dedicamos a libertar o coração. Por isso, a Quaresma é um dom: estamos entrando na III semana e podemos, portanto, intensificar o caminho!

No Evangelho também está escrito que «chegaram os discípulos e ficaram admirados de ver Jesus falando com a mulher» (v. 27). Sentem tanta dificuldade em aceitar a própria missão que o Mestre precisa desafiá-los: «Não dizeis vós: “Ainda quatro meses, e aí vem a colheita!”. Pois Eu vos digo: Levantai os olhos e vede os campos: eles estão dourados para a colheita!» (v. 35). O Senhor diz também à sua Igreja: “Levanta os olhos e reconhece as surpresas de Deus!”. Quatro meses antes da colheita quase nada se vê nos campos. Mas onde nós não vemos nada, a Graça já está em ação e os frutos estão prontos para serem colhidos. A messe é grande: talvez os trabalhadores sejam poucos, porque distraídos em outras atividades. Jesus, porém, está atento. Segundo os costumes, Ele deveria simplesmente ignorar aquela mulher samaritana; mas, em vez disso, Jesus fala com ela, a escuta, lhe dá atenção, sem segundas intenções e sem desprezo.

Quantas pessoas procuram na Igreja esta mesma delicadeza, esta disponibilidade! E como é belo quando perdemos a noção do tempo para dar atenção àqueles que encontramos, tal como são. Jesus chegava a se esquecer de comer, de tal modo o alimentava a vontade divina de chegar a todos em profundidade (cf. v. 34). Assim, a samaritana torna-se a primeira de muitas evangelizadoras. Por causa do seu testemunho, a partir da sua aldeia de desprezados e rejeitados, muitos vão ao encontro de Jesus e também neles brota a fé como água pura.

Irmãos e irmãs, peçamos hoje a Maria, Mãe da Igreja, para podermos servir, com Jesus e como Jesus, a humanidade sedenta de verdade e justiça. Não é tempo de confrontos entre um templo e outro, entre o “nós” e os “outros”: os adoradores que Deus procura são homens e mulheres de paz, que o adoram em espírito e verdade (cf. vv. 23-24).

Cristo e a samaritana (Pierre Mignard)

Fonte: Santa Sé.

Confira também a Catequese do Papa sobre o encontro de Jesus com a samaritana no contexto do Jubileu Ordinário de 2025.

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