quarta-feira, 18 de março de 2026

Homilia do Papa João Paulo II: Solenidade de São José (2001)

Há 25 anos, no dia 19 de março de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa da Solenidade de São José, Esposo da Bem-aventurada Virgem Maria, durante a qual conferiu a Ordenação Episcopal a nove Bispos. Confira sua homilia na ocasião:

Solenidade de São José
Concelebração Eucarística para a Ordenação de nove Bispos
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica de São Pedro
Segunda-feira, 19 de março de 2001

1. «Eis o servo fiel e prudente, a quem o Senhor confiou a sua família» (cf. Lc 12,42).
Assim a Liturgia de hoje nos apresenta São José, Esposo da Bem-aventurada Virgem Maria e Guardião do Redentor. Ele, servo fiel e prudente, acolheu com obediente docilidade a vontade do Senhor, que lhe confiou a “sua” família na terra, para que cuidasse dela com dedicação quotidiana.

São José perseverou nessa missão com fidelidade e amor. Por isso a Igreja o indica como singular modelo de serviço a Cristo e ao seu misterioso desígnio de salvação. E o invoca como especial padroeiro e protetor de toda a família dos que creem. De modo especial, José é indicado hoje, no dia da sua festa, como o Santo sob cujo eficaz patrocínio a Providência divina quis pôr as pessoas e o ministério dos que são chamados a ser “pais” e “guardiões” no âmbito do povo cristão.


2. «Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura» - «Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?» (Lc 2,48-49).
Neste diálogo simples e familiar entre a Mãe e o Filho, que ouvimos há pouco no Evangelho, encontram-se as coordenadas da santidade de José. Elas correspondem ao desígnio divino sobre ele, que, homem justo que era, ele soube realizar com admirável fidelidade.

«Teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura», diz Maria. «Devo estar na casa de meu Pai», responde Jesus. São precisamente estas palavras do Filho que nos ajudam a compreender o mistério da “paternidade” de José. Recordando aos pais o primado d’Aquele que chama “meu Pai”, Jesus revela a verdade do papel tanto de Maria como de José. Ele é verdadeiramente “esposo” de Maria e “pai” de Jesus, como ela afirma quando diz: «Teu pai e eu estávamos à tua procura». Mas a sua esponsalidade e a sua paternidade são totalmente relativas às de Deus. Eis o modo como José de Nazaré é chamado a se tornar, por sua vez, discípulo de Jesus: dedicando a existência ao serviço do Filho Unigênito do Pai e da Virgem Mãe, Maria.

Trata-se de uma missão que ele prolonga em relação à Igreja, Corpo místico de Cristo, à qual não deixa faltar a sua cuidadosa assistência, como fez para a humilde Família de Nazaré.

3. Nesse contexto, é fácil dirigir a atenção para o que constitui hoje o centro da nossa celebração. Estou para impor as mãos a nove sacerdotes chamados a assumir a responsabilidade de Bispos na Igreja. O Bispo desempenha uma tarefa na Comunidade cristã que tem muitas analogias com aquela de São José. O Prefácio da Solenidade de hoje ressalta isso ao indicar José como «servo fiel e prudente, que foi posto por Deus à frente da sua família para cuidar como pai do seu Filho Unigênito». Os Pastores na Igreja são “pais” e “guardiões”, chamados a se comportarem como “servos” fiéis e prudentes. A eles é confiada a solicitude quotidiana pelo povo cristão que, graças à sua ajuda, pode prosseguir com confiança pelos caminhos da perfeição cristã.

Venerados e estimados irmãos ordenandos, a Igreja se une a vós e vos garante a sua oração, para que possais desempenhar com fiel generosidade, à imagem de São José, o vosso ministério pastoral. Garantem a sua oração em particular aqueles que vos acompanham neste dia de festa: os vossos familiares, os sacerdotes, os amigos, assim como as Comunidades das quais provindes e para as quais sois destinados.

4. As Ordenações Episcopais, normalmente conferidas por mim no dia da Epifania, foram adiadas este ano por causa da conclusão do Grande Jubileu. Tenho assim a oportunidade de realizar este rito na festa de hoje, tão querida ao povo cristão. Isso me permite confiar cada um de vós, com particular insistência, à incessante proteção de São José, Padroeiro da Igreja universal.

Caríssimos, vos saúdo com grande cordialidade, e juntamente convosco saúdo todos aqueles que se unem à vossa alegria. Desejo de coração que prossigais com generosidade renovada o serviço que já prestais à causa do Evangelho.
(...)

6. Caríssimos irmãos, como São José, modelo e guia do vosso ministério, amai e servi a Igreja. Imitai o exemplo deste grande Santo, como também o exemplo da sua Esposa, Maria. Se por vezes acontecer de encontrardes dificuldades e obstáculos, não hesiteis em aceitar sofrer com Cristo em benefício do seu Corpo místico (cf. Cl 1,24), para que possais rejubilar com Ele por uma Igreja toda bela, sem mancha nem ruga, santa e imaculada (cf. Ef 5,27). O Senhor, que não vos deixará faltar a sua graça, hoje vos consagra e vos envia como apóstolos ao mundo. Levai gravadas no coração as suas palavras: «Eu estarei convosco todos os dias» (Mt 28,20), não tenhais medo. Como Maria, como José, confiai sempre n’Ele. Ele venceu o mundo.

Imagem de São José venerada na Basílica Vaticana

Fonte: Santa Sé (com pequenas correções feitas pelo autor deste blog).

Observação: No parágrafo que omitimos nesta postagem (n. 5), o Papa simplesmente saúda cada um dos nove Bispos a serem ordenados.

Confira também:
Exortação Apostólica Redemptoris Custos: Parte 1 (nn. 1-8) / Parte 2 (nn. 9-21) / Parte 3 (nn. 22-32)

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