segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Ordenações Presbiterais e Diaconais em Londres

No último dia 19 de setembro o Arcebispo de Westminster, Cardeal Vincent Gerard Nichols, celebrou a Santa Missa na Catedral do Preciosíssimo Sangue em Londres para a Ordenação de dois novos diáconos e três novos presbíteros.

Evangelho
Homilia
Promessa de obediência

Ladainha

sábado, 19 de setembro de 2020

Homilia: XXV Domingo do Tempo Comum - Ano A

Santo Agostinho
Sermão 87
O denário é a vida eterna

Acabais de escutar a parábola evangélica dos trabalhadores da vinha, que encaixa perfeitamente com a presente estação. Pois agora nos encontramos na época da vindima material. E digo “material”, porque existe uma vindima “espiritual”, na qual Deus se alegra com os frutos de sua vinha. O Reino dos Céus se assemelha a um proprietário que saiu para contratar trabalhadores para a sua vinha.
E o que significa esse gesto de pagar a diária começando pelos últimos? Não lemos em outra passagem do Evangelho que todos receberão simultaneamente a recompensa? De fato, lemos em outro texto do Evangelho que o rei dirá àqueles que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai; herdai o reino que está preparado para vós desde a criação do mundo. Portanto, se todos receberão o denário ao mesmo tempo, como entender o que aqui se diz sobre que primeiro receberão a diária os contratados ao entardecer, e, por último, os do amanhecer? Se consigo explicar-me de modo que consigais entendê-lo, louvado seja Deus. Pois a Ele deveis agradecer pelo que vos concede pela minha mão: porque o que vos dou não o dou de minha colheita.
Se perguntas, por exemplo, quem dos dois trabalhadores recebeu o pagamento primeiro: o que recebeu depois de uma hora de trabalho ou aquele que o recebeu depois de uma jornada laboral de doze horas, todos responderão que quem o recebeu ao final de somente uma hora o recebeu antes daquele que o recebeu depois de doze horas. Assim, ainda que todos cobrassem ao mesmo tempo, contudo, como alguns receberam a diária ao final de uma hora e os outros depois de doze horas, diz-se que aqueles a receberam primeiro, posto que a receberam em breve espaço de tempo.
Os primeiros justos como Abel, Noé, que são os chamados na primeira hora, receberão ao mesmo tempo que nós a felicidade da ressurreição. Posteriormente, outros justos depois deles, tais como Abraão, Isaac, Jacó e seus contemporâneos, chamados ao meio da manhã, receberão ao mesmo tempo que nós a felicidade da ressurreição. Outros justos: Moisés, Aarão e aqueles que com eles foram chamados ao meio-dia, receberão ao mesmo tempo que nós a felicidade da ressurreição. Depois deles, os santos profetas, chamados como ao cair da tarde, receberão ao mesmo tempo que nós a felicidade da ressurreição. Ao final do mundo, todos os cristãos, como os chamados à hora undécima, receberão juntamente com eles a felicidade da ressurreição. Todos a receberão ao mesmo tempo, porém observai após quanto tempo os primeiros a receberão. Portanto, se os primeiros chamados recebem a felicidade depois de tanto tempo, ao passo que nós a recebemos depois de um breve intervalo, mesmo que todos a recebamos simultaneamente, parece como se nós a recebêssemos primeiro, porque nossa recompensa não se fará esperar.
No que se refere à retribuição, todos seremos iguais: os últimos como os primeiros, e os primeiros como os últimos, pois aquele denário é a vida eterna, e na vida eterna todos serão iguais. E apesar de que, conforme a diversidade de méritos, brilharão de forma diversa, no que se refere à vida eterna, ela será igual para todos. Não será mais longo para um e mais curto para outros o que em ambos os casos será sempiterno: o que não tem fim, não terá nem para ti nem para mim. Ali brilharão de forma diferente a castidade conjugal e a integridade virginal; um será o fruto das boas obras e a outra a coroa do martírio; porém, no que se refere a viver eternamente, nem este viverá mais que aquele, nem aquele mais do que este. Todos viverão uma vida sem fim, embora cada um com seu brilho e auréola peculiar. E aquele denário é a vida eterna.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 219-221. Para adquiri-lo no site da Editora Vozes, clique aqui.

Confira também uma homilia de Santo Efrém para este domingo clicando aqui.

Voltemos com alegria à Eucaristia! - Carta do Cardeal Robert Sarah

No último dia 12 de setembro foi divulgada uma Carta do Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, aos Presidentes das Conferências Episcopais sobre o retorno das celebrações litúrgicas após a pandemia de Covid-19. O texto foi expressamente aprovado pelo Papa Francisco no dia 03 de setembro.

Segue a Carta na íntegra, conforme divulgada pelo Secretariado Nacional de Liturgia de Portugal:

Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos 
Voltemos com alegria à Eucaristia!
Carta aos Presidentes das Conferências Episcopais da Igreja Católica sobre a celebração da Liturgia durante e após a pandemia de Covid-19

A pandemia devida ao vírus Covid-19 produziu mutações não só nas dinâmicas sociais, familiares, econômicas, formativas e laborais, mas também na vida da comunidade cristã, incluindo a dimensão litúrgica. Para impedir o contágio do vírus tornou-se necessário um rígido distanciamento social que teve repercussões sobre um aspecto fundamental da vida cristã: «Onde estão dois ou três reunidos em meu nome, aí estou Eu, no meio deles» (Mt 18,20); «Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fração do pão e às orações… Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum» (At 2,42-44).

A dimensão comunitária tem um significado teológico: Deus é relação de Pessoas na Trindade Santíssima; cria o homem na complementaridade relacional entre homem e mulher porque «não é bom que o homem esteja só» (Gn 2,18), relaciona-se com o homem e a mulher e chama-os, por sua vez, à relação consigo: como bem intuiu Santo Agostinho, o nosso coração está inquieto enquanto não encontra Deus e n’Ele repousa (cf. Confissões, I,1). O Senhor Jesus iniciou o seu ministério público chamando para junto de si um grupo de discípulos para que partilhassem com ele a vida e o anúncio do Reino; desta pequena grei nasce a Igreja. Para descrever a vida eterna, a Escritura usa a imagem de uma cidade: a Jerusalém celeste (cf. Ap 21); uma cidade é uma comunidade de pessoas que partilham valores, realidades humanas e espirituais fundamentais, lugares, tempos e atividades organizadas e que concorrem para a consecução do bem comum. Enquanto os pagãos construíam templos dedicados às divindades aos quais as pessoas não tinham acesso, os cristãos, assim que gozaram da liberdade de culto, logo edificaram lugares que fossem domus Dei et domus ecclesiae, onde os fiéis se pudessem reconhecer como comunidade de Deus, povo convocado para o culto e constituído em assembleia santa. Deus pode, portanto, proclamar: «Eu sou o teu Deus, tu serás o meu povo» (cf. Ex 6,7; Dt 14,2). O Senhor mantém-se fiel à sua Aliança (cf. Dt 7,9) e Israel torna-se por isso mesmo Morada de Deus, lugar santo da sua presença no mundo (cf. Ex 29,45; Lv 26,11-12). Por isso, a casa de Deus supõe a presença da família dos filhos de Deus. Também hoje, na oração de dedicação de uma nova igreja, o Bispo pede que ela seja o que por sua natureza deve ser:

«Seja esta casa lugar para sempre santificado […].
Aqui sejam destruídos os pecados dos homens pela torrente da graça divina, para que os vossos filhos, ó Pai, mortos para o pecado, sejam regenerados para a vida do alto.
Aqui, os vossos fiéis, reunidos em volta da mesa do altar, celebrem o memorial da Páscoa e sejam alimentados no banquete da Palavra e do Corpo de Cristo.
Aqui ressoe jubilosa a oblação do louvor, voz dos homens unida aos cânticos dos Anjos, e incessantemente suba para Vós a oração pela salvação do mundo.
Aqui encontrem os pobres a misericórdia, alcancem os oprimidos a verdadeira liberdade, e todos os homens se revistam da dignidade de filhos vossos, até chegarem, exultantes de alegria, à Jerusalém do alto, a cidade do Céu».

A comunidade cristã nunca procurou o isolamento e jamais fez da Igreja uma cidade de portas fechadas. Formados para o valor da vida comunitária e para a procura do bem comum, os cristãos sempre procuraram inserir-se na sociedade, embora conscientes da uma alteridade: estar no mundo sem lhe pertencer nem a ele se reduzir (cf. Carta a Diogneto, 5-6). Também na emergência pandêmica, sobressaiu um grande sentido de responsabilidade: à escuta e em colaboração com as autoridades de saúde e com os peritos, os Bispos e as suas Conferências territoriais estiveram prontos para assumir decisões difíceis e dolorosas, incluindo a suspensão prolongada da participação dos fiéis na celebração da Eucaristia. Esta Congregação está profundamente grata aos Bispos pelo empenhamento e esforço despendidos na tentativa de responder, do melhor modo possível, a uma situação imprevista e complexa.

Logo, porém, que as circunstâncias o permitam, é necessário e urgente retomar a normalidade da vida cristã, que tem o edifício igreja como casa e a celebração da Liturgia, particularmente da Eucaristia, como o «cume para o qual tende a ação da Igreja e, simultaneamente, a fonte de onde promana toda a sua força» (Sacrosanctum Concilium, 10).

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Textos de Dom Henrique Soares sobre a Eucaristia 13-14

Há exatos dois meses, no dia 18 de julho de 2020, aos 57 anos, falecia Dom Henrique Soares da Costa, Bispo de Palmares (PE), vítima de Covid-19.

Para honrar a memória deste grande Bispo, desde o último dia 10 estamos divulgando aqui em nosso blog uma série de textos sobre a Eucaristia publicados por Dom Henrique no último mês de junho. 

Seguem, pois, os dois últimos textos, nos quais Dom Henrique reflete sobre a estrutura da Celebração Eucarística e sobre a "presença real":

A Eucaristia XIII
15 de junho de 2020

Apresentamos alguns aspectos teológicos da Eucaristia. Vejamos, agora, a estrutura da Celebração Eucarística, isto é, como se organiza, como se desenvolve a Celebração deste Sacrifício em forma ritual de Banquete.

Já vimos, num dos tópicos anteriores, São Justino descrevendo, no século II, a celebração. Os elementos básicos de então permanecem ainda hoje. Primeiramente, segundo antiga tradição, a Missa divide-se em duas grandes partes: a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística. Na primeira parte, a Palavra de Deus é proclamada e, na homilia, interpretada à luz do Cristo Jesus, de modo a iluminar a vida dos cristãos na sua situação concreta do dia-a-dia. Após a proclamação da Palavra, pelo Credo e a Oração dos fiéis, respondemos ao Deus que nos falou. Assim termina a primeira parte da Celebração, toda ela centrada no ambão (a estante donde se faz as leituras e a homilia) - é a Mesa da Palavra!

A segunda parte da Eucaristia é a mais importante: a Liturgia Eucarística, cujo centro é o Altar, que simboliza o próprio Cristo Jesus, pedra angular da Igreja. Nesta parte da Missa, a Igreja torna presentes os quatro gestos de Jesus: Ele (1) tomou o pão, (2) deu graças, (3) partiu e (4) distribuiu, mandando que fizéssemos isso em Sua memória. Vejamos como estes quatro gestos se desenrolam na Celebração.

Jesus tomou o pão. Este gesto do Senhor é tornado presente na apresentação das ofertas ao Altar: pão, vinho e água, que simbolizam tudo quanto a criação e o nosso trabalho produzem e que, em nome de toda a criação, unidos ao Filho Jesus, oferecemos ao Pai na força do Espírito Santo. Nesse momento também, segundo antiquíssima tradição da Igreja, os membros da Comunidade dão suas esmolas: o que se trouxe para os pobres e para a manutenção da Casa de Deus e despesas da Comunidade paroquial.

Ele deu graças (quer dizer, Ele fez eucaristia = ação de graças). A Igreja torna presente este gesto do Senhor na grande Oração eucarística, que vai do prefácio da Missa até a doxologia (o “por Cristo, com Cristo, em Cristo”). Aí, ela recorda (faz memorial) ao Pai tudo quanto Cristo fez por nós. O celebrante, em nome de toda a Comunidade eclesial, pede ao Pai que derrame o Espírito do Cristo ressuscitado sobre o pão e o vinho para que eles, pelas palavras da consagração, cheias de Espírito Santo criador e recriador, sejam eucaristizados, transformando-se no Corpo e no Sangue do Ressuscitado - é a consagração. É importante observar que a narração da consagração não é feita à assembleia ali presente, mas ao Pai: é a Ele que a Igreja recorda tudo quanto o Senhor Jesus fez para nossa salvação, é diante Dele, Pai de Jesus e nosso Pai, que a Igreja celebra o memorial da Morte e Ressurreição de Cristo. É como se o celebrante dissesse: “Ó Pai, recorda-Te do Teu Filho Jesus. Ele, na noite em que foi entregue...” Em seguida, ainda na grande Oração Eucarística, o celebrante pede pela Igreja, pelos ministros sagrados e pelo inteiro Povo de Deus, pelos vivos e mortos, pelo mundo inteiro, crentes e descrentes, tudo isso ao Pai, por Cristo, com Cristo e em Cristo, na unidade do Espírito Santo. E a Comunidade responde “Amém!”, deixando claro que a oração do celebrante foi oração de toda a Igreja. Neste “Amém” que encerra a grande Oração exprime-se maravilhosamente o ministério sacerdotal, sacerdócio do Reino, de todo o Povo de Deus! Assim termina a grande Eucaristia (ação de graças), o segundo gesto do Cristo Jesus.

Aí, vem a preparação para a comunhão, com a oração do Pai-nosso. Depois, o celebrante faz memória do terceiro gesto de Cristo: Ele partiu o pão. Só aí - e não antes - é que o Pão consagrado deve ser fragmentado! Este gesto é muito importante, pois recorda o próprio Jesus nosso Senhor: os Seus discípulos o reconheceram ao partir o pão.

Missa Crismal em Londres

Neste ano de 2020, devido à pandemia de Covid-19, em muitas dioceses a Missa Crismal, comumente celebrada na manhã da quinta-feira da Semana Santa para a bênção dos Óleos dos Enfermos e dos Catecúmenos e a consagração do Crisma, teve de ser adiada.

Além de Jerusalém e Cracóvia, foi o caso também da Arquidiocese de Westminster, na qual a Missa Crismal teve lugar na segunda-feira, 14 de setembro, presidida pelo Arcebispo, Cardeal Vincent Gerard Nichols, na Catedral do Preciosíssimo Sangue em Londres.

Homilia
O Arcebispo sopra sobre o Crisma
Consagração do Crisma
Apresentação das oferendas

Festa da Exaltação da Santa Cruz em Cracóvia

O Arcebispo de Cracóvia, Dom Marek Jędraszewski, celebrou no último dia 14 de setembro a Festa da Exaltação da Santa Cruz com duas Missas: pela manhã, na igreja da Santa Cruz em Cracóvia, e à tarde na Basílica da Santa Cruz no distrito de Nowa Huta.

Missa na igreja da Santa Cruz em Cracóvia:

Incensação do altar
Liturgia da Palavra
Evangelho
Bênção com o Livro dos Evangelhos
Homilia

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Textos de Dom Henrique Soares sobre a Eucaristia 12

Desde o último dia 10 de setembro estamos publicando uma série de textos de Dom Henrique Soares da Costa sobre a Eucaristia, recordando os dois meses da sua morte, ocorrida no dia 18 de julho.

Nos últimos textos Dom Henrique refletiu sobre a Eucaristia como "mistério de comunhão". Na publicação que divulgamos aqui, o grande Bispo destaca outra dimensão: a Eucaristia, fonte e cume da missão da Igreja:

A Eucaristia XII
13 de junho de 2020

Exploremos, agora, mais um tópico, desta riquíssima realidade que é a Eucaristia. Veremos agora como toda a missão da Igreja deriva da Eucaristia.

Um dos nomes dados à Celebração eucarística é o de “Missa”, “porque a Liturgia na qual se realizou o mistério da salvação termina com o envio (missio) dos fieis para que cumpram a vontade de Deus na sua vida cotidiana” (Catecismo, 1332). “Ide!” - é a última palavra de Missa. Ide para testemunhar o que vivestes, o que celebrastes! Acabastes de escutar o Senhor que vos falou nas Escrituras; acabastes de comer e beber com Ele e O reconhecestes ao partir o pão (cf. Lc 24,35). Agora, deveis levantar-vos e ir adiante, testemunhando que o Senhor está vivo, que Ele caminha conosco! Eis o sentido do termo “missa”. A Missa termina com o envio à missão de testemunhar o Cristo com nossa palavra e com nossa vida. Em certo sentido, ao participarmos da santa Missa e terminarmos a Celebração, os nossos sentimentos e atitudes devem ser os mesmos dos primeiros cristãos dando testemunho do Ressuscitado: “Deus o ressuscitou ao terceiro dia e concedeu-Lhe que Se tornasse visível, não a todo o povo, mas às testemunhas anteriormente designadas por Deus, isto é, a nós, que comemos e bebemos com Ele, após Sua Ressurreição dentre os mortos. E ordenou-nos que proclamássemos ao povo e déssemos testemunho de que Ele é o Juiz dos vivos e dos mortos, como tal constituído por Deus” (At 10,40-42). Ou seja: participar da Eucaristia, ouvindo o Ressuscitado, comendo e bebendo com Ele, faz de cada cristão e de cada comunidade cristã testemunhas e anunciadores do Cristo pascal diante do mundo! É precisamente a convivência com o Senhor no Banquete eucarístico que faz sempre de novo a Igreja uma comunidade de missionários, de testemunhas, de anunciadores!

Mais ainda: encontrar na Eucaristia o Senhor imolado e ressuscitado, como Se encontra na Glória e como a Igreja inteira e cada um de nós irá encontrá-Lo no Dia final, compromete os cristãos a consagrarem todo o mundo ao Senhor para que tudo seja santificado e transfigurado no mundo que há de vir. A Encíclica Ecclesia de Eucharistia afirma: “Consequência significativa da tensão escatológica presente na Eucaristia é o estímulo que dá à nossa caminhada na história, lançando uma semente de ativa esperança na dedicação diária de cada um aos seus próprios deveres. De fato, se a visão cristã leva a olhar para o ‘novo céu’ e a ‘nova terra (Ap 21,1), isso não enfraquece, antes estimula o nosso sentido de responsabilidade pela terra presente. Desejo reafirmá-lo com vigor (...) para que os cristãos se sintam ainda mais decididos a não descurar os seus deveres de cidadãos terrenos. Têm o dever de contribuir com a luz do Evangelho para a edificação de um mundo à medida do homem e plenamente conforme ao desígnio de Deus” (n. 20).

Ao participar do Banquete eucarístico, no qual Cristo entrega-Se pelo mundo inteiro, no qual as realidades deste mundo, pão e vinho, são transfiguradas no Corpo e no Sangue do Senhor, o cristão, como membro do Povo sacerdotal, tem o dever sagrado de consagrar o mundo para o Senhor. Isto se realiza assumindo com amor e responsabilidade as tarefas e desafios de cada dia, procurando, nas realidades temporais, testemunhar e edificar o Reino de Deus que Cristo pregou e inaugurou pela Sua existência humana, até a Morte e Ressurreição.