sexta-feira, 20 de outubro de 2023

Artigos sobre Liturgia: Revista de Cultura Teológica 2009-2010

Há dez dias destacamos aqui em nosso blog cinco artigos sobre Liturgia publicados pela Revista de Cultura Teológica, ligada ao Programa de Estudos Pós Graduados em Teologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), nos anos de 2011 e 2012.

Com esta postagem demos continuidade à “retrospectiva” dos textos publicados na Revista: 2022 (9 artigos); 2020 (3 artigos); 2016-2018 (6 artigos); 2013-2015 (5 artigos).

Aqui, por sua vez, trazemos outros cinco artigos publicados na Revista de Cultura Teológica nos anos de 2009 e 2010.

Seguem os resumos dos textos, que podem ser acessados na íntegra no site da Revista:

Resgate da mística na Liturgia a partir do Concílio Vaticano II
Valeriano dos Santos Costa

Este estudo é desenvolvido em quatro partes. A primeira parte define o que é mística, enquanto experiência pascal que extasiava as comunidades primitivas e que, de certa forma, se alojou nas apologias e bênçãos da Idade Média. A segunda parte trata da rígida uniformidade que se instalou na Liturgia a partir do Concílio de Trento, prejudicando a entrega ritual que a mística extática exige. A terceira aborda o Movimento Litúrgico como a fonte do resgate da mística na Liturgia. A quarta, por fim, trata do resgate da mística a partir do Concílio Vaticano II, mostrando que é uma mística que leva à participação litúrgica ativa porque é de cunho extático.



“Fazei isto em memória de mim” (1Cor 11,24) - Oração Eucarística: Memorial da Páscoa do Senhor Jesus
Antonio Spirandeli Junior

O presente artigo discute o que é o memorial, passando pelo conceito de memória até sua formulação religiosa na tradição judaica como um ato religioso, cúltico e litúrgico do antigo Israel. Apresenta como esta celebração memorial está presente desde o início do cristianismo e como se estruturou a celebração deste memorial na tradição primitiva dos cristãos. Faz uma análise da estrutura das Orações Eucarísticas e o seu significado teológico e litúrgico. Ao final, apresenta aspectos para uma vivência espiritual e pastoral deste momento celebrativo.


quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Leitura litúrgica do Livro de Daniel (1)

“Sede bendito, Senhor Deus de nossos pais! A vós louvor, honra e glória eternamente!” (Dn 3,52).

Na tradição cristã, os livros proféticos do Antigo Testamento (AT) costumam ser divididos em dois grupos: os quatro “profetas maiores” (Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel) e os doze “profetas menores”, assim chamados conforme a extensão dos seus escritos.

Em nossa série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura já tratamos da obra de Ezequiel. Aqui gostaríamos de dar continuidade à proposta com o Livro de Daniel (Dn).

Profeta Daniel
(Michelangelo, Capela Sistina)

1. Breve introdução ao Livro de Daniel

Diferentemente da tradição cristã, na Bíblia hebraica o Livro de Daniel não consta entre os Profetas (Nebiim), mas sim entre os Escritos (Ketubim ou Ketuvim), uma vez que, quando foi escrito, o “cânon dos profetas” provavelmente já estava formado. Além disso, como veremos, este se aproxima mais da apocalíptica do que do profetismo.

Assim como Ester, Daniel possui alguns acréscimos em grego que não são aceitos pelos judeus e pelos cristãos protestantes. Em hebraico (e aramaico), o livro está dividido em duas grandes partes:
a) Dn 1–6: Série de relatos edificantes sobre o jovem Daniel na Babilônia;
b) Dn 7–12: Série de visões de caráter apocalíptico.

Embora a primeira parte da narrativa aconteça durante o exílio da Babilônia (séc. VI a. C.), esta é fictícia, como as “novelas bíblicas”: o autor usa eventos do passado para falar do presente. Isto fica comprovado pelos “erros históricos” presentes no relato.

A redação da obra situa-se no século II a. C., durante o período helênico, mais especificamente sob o reinado de Antíoco IV Epífanes (175-164 a. C.), que tentou impor a cultura e a religião helênicas a Israel, contra o qual ocorreu a “revolta dos Macabeus”.

A literatura apocalíptica, com efeito, é um gênero literário próprio de épocas de “crise”, que recorre ao passado e ao “futuro escatológico” (messiânico) para exortar à esperança em Deus, senhor da história.

A história de Daniel tem vários paralelos com a de José (Gn 37–50): ambos são levados para um país estrangeiro, interpretam sonhos, assumem uma posição de prestígio...

Os episódios dos três jovens na fornalha (Dn 3) e de Daniel na “cova dos leões” (Dn 6), por sua vez, imagens presentes na arte cristã desde a época das catacumbas, representam os justos perseguidos de todos os tempos, recompensados por Deus por sua fidelidade.

A seção mais apocalíptica da obra traz várias visões simbólicas: os animais, representação das potências estrangeiras, são derrotados, ao passo que o “Ancião de muitos dias” e o “Filho do homem”, simbolizando Deus e o “o povo dos santos do Altíssimo” (Dn 7,27), são vitoriosos. Cumpre recordar que no Novo Testamento o título de “Filho do homem” será atribuído ao Messias.

Destacam-se ainda outras características da apocalíptica, como as intervenções de anjos (sendo nomeados Miguel e Gabriel) e a escatologia bem desenvolvida, inclusive com referências à ressurreição dos mortos (Dn 12,2-3.13).

Por fim, os acréscimos em grego ao Livro de Daniel são:
a) Dn 3,24-90: A oração de Azarias na fornalha (de caráter penitencial) e o cântico de louvor dos três jovens, provavelmente composições mais antigas que foram acrescentadas à narrativa;
b) Dn 13: A história de Susana, salva de uma condenação injusta pela sabedoria do jovem Daniel. Na Bíblia grega este conto serve como prólogo ao livro;
c) Dn 14: Os episódios de Bel e do dragão, duas narrativas contra a idolatria, “debochando” dos deuses pagãos (como na “Epístola de Jeremias” em Br 6).

Para saber mais, confira a bibliografia indicada no final da postagem.

Daniel na cova dos leões (Dn 6)
(Catacumbas de Marcelino e Pedro, Roma - Século III)

2. Leitura litúrgica do Livro de Daniel: Composição harmônica

Como temos feito nessa série, analisaremos a presença do Livro de Daniel nas celebrações litúrgicas seguindo os dois critérios de seleção dos textos propostos no Elenco das Leituras da Missa (ELM): a composição harmônica e a leitura semicontínua (n. 66) [1]. Dos quatro “profetas maiores”, como veremos, este é o escrito menos utilizado na Liturgia.

Começaremos nosso percurso pela composição harmônica: a escolha dos textos em sintonia com o tempo ou a festa litúrgica.

terça-feira, 17 de outubro de 2023

Nota de falecimento: Dom Dimitrios Salachas

Faleceu na segunda-feira, 16 de outubro de 2023, aos 84 anos, Dom Dimitrios Salachas (Δημήτριος Σαλαχας), Exarca Apostólico Emérito para os católicos de Rito Bizantino na Grécia.


Dimitrios Salachas nasceu em Atenas (Grécia) no dia 07 de junho de 1939. Recebeu a ordenação presbiteral no dia 09 de fevereiro de 1964, incardinado no mencionado Exarcado Apostólico.

Após obter o Doutorado em Direito Canônico e Civil (in utroque iure) pela Universidade de Atenas, tornou-se professor de Direito Canônico Oriental no Pontifício Instituto Oriental em Roma e em diversas Universidades.

Nesse período serviu também como consultor em alguns organismos da Cúria Romana, além de publicar numerosos livros e artigos sobre Direito Canônico Oriental.

No dia 23 de abril de 2008 o Papa Bento XVI nomeou o Padre Dimitrios Salachas como Exarca Apostólico para os católicos de Rito Bizantino na Grécia e Bispo Titular de Carcabia, sucedendo Dom Anárghyros Printesis (†2012).

Recebeu a ordenação episcopal no dia 24 de maio seguinte na Catedral da Santíssima Trindade em Atenas, sendo ordenante principal Dom Mihai Cătălin Frăţilă, então Bispo Auxiliar de Fagaras e Alba Iulia dos Romenos.


No dia 14 de maio de 2012 foi “transferido” de sede titular, sendo nomeado Bispo Titular de Gratianopolis, a qual pertencia ao seu antecessor, Dom Anárghyros.

No dia 02 de fevereiro de 2016, tendo superado o limite de idade de 75 anos, o Papa Francisco aceitou a renúncia de Dom Dimitrios Salachas ao ofício de Exarca Apostólico da Grécia, sendo sucedido por Dom Manuel Nin.

Eterna seja sua memória! Αιωνία η μνήμη!

Para saber mais sobre o Exarcado Apostólico na Grécia, confira nossas postagens sobre as Igrejas Católicas Orientais.

Aniversário da Dedicação do Duomo de Milão (2023)

A Arquidiocese de Milão (Itália) celebra no terceiro domingo do mês de outubro a Solenidade do Aniversário da Dedicação da Catedral de Santa Maria Nascente, o Duomo de Milão.

Neste ano de 2023, a Missa da Solenidade, no dia 15 de outubro, foi presidida pelo Arcebispo, Dom Mario Enrico Delpini, segundo o Rito Ambrosiano, próprio dessa Arquidiocese.

No início da celebração foi retomado o antigo rito da “trasmigratio”, a entrada solene no Duomo, que marcava a “passagem” do título de Catedral da igreja de Santa Tecla à igreja de Santa Maria Maior. Posteriormente ambas foram destruídas para dar lugar ao atual Duomo de Milão.

Entrada do Arcebispo
Rito da transmigratio: Abertura solene das portas do Duomo
Procissão de entrada

Doze Kyries

Ângelus: XXVIII Domingo do Tempo Comum - Ano A

Papa Francisco
Ângelus
Domingo, 15 de outubro de 2023

Amados irmãos e irmãs, bom dia!
O Evangelho de hoje fala-nos de um rei que prepara um banquete de núpcias para o seu filho (Mt 22,1-14). É um homem poderoso, mas é sobretudo um pai generoso, que convida a participar na sua alegria. Em particular, revela a bondade do seu coração no fato de não obrigar ninguém, mas convida todos, mesmo que este modo de agir o exponha à possibilidade de rejeição. Reparemos: ele prepara um banquete, oferecendo gratuitamente a oportunidade de se encontrar, de festejar. É isto que Deus prepara para nós: um banquete, para estarmos em comunhão com Ele e uns com os outros. E nós, todos nós, portanto, somos os convidados de Deus. Mas um banquete de núpcias exige tempo e participação da nossa parte, requer um “sim”: ir, responder ao convite do Senhor. Ele convida, mas deixa-nos livres.

É este o tipo de relação que o Pai nos oferece: chama-nos a estar com Ele, deixando-nos a possibilidade de aceitar ou não. Não nos propõe uma relação de sujeição, mas de paternidade e de filiação, necessariamente condicionada pelo nosso livre consentimento. Deus é muito respeitador da liberdade, muito respeitador. Santo Agostinho usa uma expressão muito bonita a este respeito, dizendo: «Deus, que te criou sem ti, não te pode salvar sem ti» (Sermão 169, 13). E certamente não porque não tenha capacidade para isso - Ele é onipotente! - mas porque, sendo amor, respeita plenamente a nossa liberdade. Deus propõe-se, não se impõe, nunca.

Voltamos assim à parábola: o rei - diz o texto - «mandou os seus servos chamar os convidados para o casamento, mas eles não quiseram vir» (v. 3). Aqui está o drama da história: o “não” a Deus. Mas porque recusam os homens o seu convite? Será porventura um convite desagradável? Não, e, no entanto, - diz o Evangelho – «não se importaram e foram uns para o seu campo, outros para os seus negócios» (v. 5). Não se importaram porque pensavam nos seus próprios assuntos. E aquele rei que é pai, Deus, o que faz? Não desiste, continua a convidar, aliás alarga o convite, até encontrar quem o aceite, entre os pobres. Entre eles, que sabem que não têm muito, vêm tantos, em grande número, até encherem a sala (vv. 8-10).

Irmãos e irmãs, quantas vezes não atendemos ao convite de Deus porque estamos ocupados com os nossos assuntos! Muitas vezes lutamos para ter o nosso tempo livre, mas hoje Jesus convida-nos a encontrar o tempo que liberta: o tempo a dedicar a Deus, que alivia e cura o nosso coração, que aumenta em nós a paz, a confiança e a alegria, que nos salva do mal, da solidão e da perda de sentido. Vale a pena, porque é bom estar com o Senhor, dar-lhe. Onde? Na Missa, na escuta da Palavra, na oração e também na caridade, pois ajudando quem é fraco ou pobre, fazendo companhia a quem está só, escutando quem pede atenção, consolando quem sofre, estamos com o Senhor, presente em quem está em necessidade. Muitos, porém, pensam que estas coisas são “perda de tempo” e fecham-se no seu mundo privado; é triste. E isto gera tristeza. Quantos corações tristes! Porque estão fechados.

Perguntemo-nos então: como respondo eu aos convites de Deus? Que espaço lhe dou nos meus dias? A qualidade da minha vida depende dos meus negócios e do meu tempo livre ou do meu amor ao Senhor e aos irmãos, especialmente aos mais necessitados?
Maria, que com um “sim” abriu espaço para Deus, nos ajuda a não sermos surdos aos seus convites.

O convite para o banquete de casamento
(Andrei Mironov)

Fonte: Santa Sé.

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Sugestão de leitura: Viver a ritualidade litúrgica

Durante este ano de 2023, em preparação ao Jubileu de 2025, o Papa Francisco nos exorta a “revisitar” as quatro grandes Constituições do Concílio Vaticano II: Dei Verbum, Lumen Gentium, Gaudium et Spes e Sacrosanctum Concilium.

Tal iniciativa coincide com os 60 anos da publicação da Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a sagrada Liturgia (04 de dezembro de 1963).

Por esse motivo, entre o final de 2022 e o início de 2023 apresentamos como sugestão de leitura aqui em nosso blog os quatro volumes da Coleção 50 anos da Sacrosanctum Concilium, publicados pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) entre 2013 e 2014:

Dando continuidade à proposta, propomos aqui como sugestão de leitura a obra “Viver a ritualidade litúrgica como momento histórico da salvação: Participação litúrgica segundo a Sacrosanctum Concilium”, de autoria do Padre Valeriano dos Santos Costa.


Esta foi escrita em 2005, no contexto dos 40 anos do Concílio, tendo sua 2ª edição publicada pela Editora Paulinas em 2010.

Este breve livro (de apenas 123 páginas), como indica seu subtítulo, busca apresentar as cinco “notas” da participação litúrgica segundo a Constituição Sacrosanctum Concilium: ativa, consciente, plena, frutuosa e piedosa.

A seguir apresentamos brevemente os oito capítulos que compõem a obra:

1. O direito e o dever à participação na celebração litúrgica: “Momento histórico da salvação” (pp. 13-24)
Como indicado já na Introdução (pp. 9-12), autor apresenta aqui o objetivo da obra: resgatar a unidade entre Liturgia e vida, entre “Liturgia celebrada” e “Liturgia testemunhada”.

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

Novena de Nossa Senhora Aparecida 2023

De 03 a 11 de outubro de 2023 o Santuário Nacional de Aparecida promoveu a tradicional novena em preparação à Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil.

Como de costume, a novena foi celebrada em uma Liturgia da Palavra seguida pela exposição e bênção do Santíssimo Sacramento.

Diferentemente dos anos anteriores, porém, quando eram convidados Bispos das diversas partes do país para presidir a novena, neste ano a maioria dos convidados exerce seu ministério no próprio estado de São Paulo, onde se encontra o Santuário Nacional:

1º dia: 03 de outubro
Dom Maurício da Silva Jardim, Bispo de Rondonópolis-Guiratinga (MT)

Imagem de Nossa Senhora Aparecida
Entronização das bandeiras dos estados do Brasil

2º dia: 04 de outubro
Dom José Carlos Chacorowski, Bispo de Caraguatatuba (SP)

Procissão de entrada
Acolhida da imagem