terça-feira, 23 de maio de 2023

Regina Coeli: Ascensão do Senhor - Ano A

Papa Francisco
Regina Coeli
Domingo 21 de maio de 2023

Estimados irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje na Itália e em muitos outros países celebra-se a Ascensão do Senhor. É uma festa que conhecemos bem, mas que pode suscitar algumas perguntas, pelo menos duas. A primeira: por que festejar a partida de Jesus da terra? Poderia parecer que a sua partida é um momento triste, não propriamente um motivo de alegria! Por que festejar uma partida? Segunda pergunta: o que está fazendo Jesus agora no céu? Primeira pergunta: por que festejar? Segunda pergunta: o que está fazendo Jesus no céu?

Por que festejamos? Porque com a Ascensão aconteceu uma coisa nova e bela: Jesus levou a nossa humanidade, a nossa carne para o céu - pela primeira vez!  -, ou seja, levou-a a Deus. Aquela humanidade, que Ele assumira na terra, não ficou aqui. Jesus Ressuscitado não era um espírito, não, tinha o seu corpo humano, a carne, os ossos, tudo, ali, com Deus, estará para sempre. Podemos dizer que a partir do dia da Ascensão, o próprio Deus, “mudou”: desde então, já não é apenas um espírito, mas, por quanto nos ama, tem em si a nossa própria carne, a nossa humanidade! Pois o nosso lugar é indicado, o nosso destino está ali. Assim escrevia um antigo Pai na fé: «Notícia maravilhosa! Aquele que se fez homem por nós (...), para nos fazer seus irmãos, apresenta-se como homem diante do Pai, para levar consigo todos os que estão unidos a ele» (São Gregório de Nissa, Discurso sobre a Ressurreição de Cristo, 1). Hoje celebramos “a conquista do céu”: Jesus que regressa ao Pai, mas com a nossa humanidade. E assim o céu já é um pouco nosso. Jesus abriu a porta e o seu corpo está lá.

Segunda pergunta: o que está fazendo Jesus no céu? Ele representa-nos perante o Pai, mostra-lhe continuamente a nossa humanidade, mostra-lhe as feridas. Gosto de pensar que Jesus, diante do Pai, mostrando-lhe as chagas, reza assim. “Eis o que sofri pelos homens: faz alguma coisa!”. Mostra-lhe o preço da redenção, e o Pai comove-se. Gosto de pensar nisto. É assim que Jesus reza. Ele não nos deixou sozinhos. De fato, antes de ascender, disse-nos, como relata o Evangelho de hoje: «Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo» (Mt 28,20). Ele está sempre conosco, olha para nós, está «sempre vivo para interceder» (Hb 7,25) em nosso favor. Para mostrar as feridas ao Pai, por nós. Em uma palavra, Jesus intercede; está no melhor “lugar”, diante do seu Pai e nosso Pai, para interceder por nós.

A intercessão é fundamental. Também para nós esta fé é útil: ajuda-nos a não perder a esperança, a não desanimar. Perante o Pai, há alguém que lhe mostra as feridas e intercede. Que a Rainha do Céu nos ajude a interceder com a força da oração.

Ascensão (Cartuxa de São Martinho, Nápoles)

Fonte: Santa Sé.

segunda-feira, 22 de maio de 2023

50 anos de Ordenação Sacerdotal do Arcebispo de Cracóvia

No dia 20 de maio de 2023 o Arcebispo de Cracóvia (Polônia), Dom Marek Jędraszewski, presidiu a Santa Missa na Catedral dos Santos Venceslau e Estanislau, a Catedral de Wawel, em ação de graças pelos 50 anos da sua Ordenação sacerdotal.

Dom Marek, com efeito, recebeu a Ordenação presbiteral em 24 de maio de 1973 em Poznań.

A homilia ficou a cargo do Monsenhor Jan Stanisławski, que foi Diretor Espiritual de Dom Marek no Seminário da Arquidiocese de Poznań.

Procissão de entrada

Incensação do altar

Liturgia da Palavra

sexta-feira, 19 de maio de 2023

Missa em honra de São João Paulo II em Wadowice

No dia 18 de maio de 2023 o Arcebispo de Cracóvia, Dom Marek Jędraszewski, celebrou a Santa Missa na Basílica da Apresentação de Nossa Senhora em Wadowice, cidade natal de São João Paulo II, por ocasião dos 103 anos do seu nascimento.

Estátua de São João Paulo II junto à igreja
Incensação do altar
Ritos iniciais

Evangelho

Solenidade da Ascensão do Senhor em Jerusalém

No dia 18 de maio de 2023, 40 dias após a Páscoa, a Igreja celebrou a Solenidade da Ascensão do Senhor (que no Brasil é transferida para o próximo domingo).

Em Jerusalém, como de costume, a oração das I Vésperas e a Santa Missa da Solenidade foram presididas pelo Vigário da Custódia da Terra Santa, Padre Ibrahim Faltas, no Imbomón, a Edícula da Ascensão no Monte das Oliveiras.

17 de maio de 2023: I Vésperas

Oração das I Vésperas da Solenidade


Procissão ao redor da Edícula

18 de maio de 2023: Santa Missa


quinta-feira, 18 de maio de 2023

Leitura litúrgica do Livro do Gênesis 12–50 (1)

“O Senhor disse a Abraão: Em ti serão abençoadas todas as famílias da terra!” (cf. Gn 12,1.3).

Nas postagens anteriores da nossa série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura iniciamos o estudo de um dos escritos mais importantes do Antigo Testamento (AT), o primeiro dos rolos da Torá (Pentateuco): o Livro do Gênesis (Gn).

Começamos analisando a leitura litúrgica dos capítulos 1–11, a “História das Origens”. Agora daremos continuidade com os capítulos 12–50, a “História dos Patriarcas”.

Patriarcas Abraão, Isaac e Jacó

1. Breve introdução ao Livro do Gênesis 12–50: “História dos Patriarcas”

Das origens do mundo e do ser humano nos capítulos 1 a 11, o Livro do Gênesis passa a narrar as origens do povo de Israel. O “ciclo dos Patriarcas” remonta aos séculos XVIII a XV a. C., quando os primeiros hebreus formavam tribos nômades de pastores que viviam entre a Mesopotâmia e o Egito.

Como vimos em nossa introdução a Gn 1–11, estas histórias foram escritas séculos depois dos acontecimentos, que sobreviveram na memória do povo graças à tradição oral. A maior parte dos relatos da “História dos Patriarcas” é da chamada “tradição javista”, anterior ao exílio da Babilônia (séc. X-VII a. C.). A redação final dos textos, porém, aconteceu após o retorno do exílio (séc. VI-V a. C.).

Esta segunda parte do Gênesis possui três grandes ciclos, conforme seus protagonistas:
a) Gn 12,1–25,18: A história de Abraão;
b) Gn 25,19–36,43: A história de Isaac e Jacó;
c) Gn 37–50: A história de José.

Com Abraão, cuja genealogia já havia sido delineada no final do capítulo 11, começa a história dos Patriarcas. Em sua “vocação” Deus lhe faz três promessas: terra - “Sai da tua terra... para a terra que eu te mostrarei” (Gn 12,1); descendência - “Eu farei de ti um grande povo” (v. 2); e bênção, entendida sobretudo como proteção contra os inimigos - “Abençoarei os que te abençoarem, amaldiçoarei os que te amaldiçoarem” (v. 3).

Esta tríplice promessa será reafirmada diversas vezes, tanto a Abraão quanto a seus descendentes, Isaac e Jacó. A fé de Abraão na promessa será testada no capítulo 22, com o célebre relato do “sacrifício” de Isaac, um texto que exprime a rejeição de Deus ao sacrifício humano.

O ciclo de Isaac e Jacó é mais centrado neste último, sobretudo por causa dos seus doze filhos, que depois nomearão as doze tribos de Israel: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Dã, Neftali, Gad, Aser, Issacar, Zabulon, José e Benjamim. A tribo de José, por sua vez, será dividida entre seus filhos: Efraim e Manassés.

O “romance de José”, terceiro ciclo da segunda parte do Gn, é considerado por alguns estudiosos como um relato à parte, fazendo a ponte entre a história dos três grandes patriarcas e o relato do Livro do Êxodo.

Este bloco de capítulos, com efeito, é um romance bem elaborado, que pode ser dividido em três “atos”, “emoldurados” por um prólogo e um epílogo:
Gn 37 (Prólogo): José e seus irmãos (seguido por um interlúdio sobre Judá no cap. 38);
Gn 39–41 (1º ato): José no Egito;
Gn 42–45 (2º ato): Os irmãos de José no Egito;
Gn 46–49 (3º ato): Jacó no Egito (Gn 49,1-28 é outro interlúdio, com a bênção de Jacó aos seus doze filhos);
Gn 50 (Epílogo): Funerais de Jacó e morte de José.

Para saber mais, confira a bibliografia indicada no final da postagem.

Promessas de Deus a Abraão (James Tissot)

2. Leitura litúrgica de Gênesis 12–50: Composição harmônica

Como fizemos com os capítulos 1–11, analisaremos a leitura litúrgica dos capítulos 12–50 do Livro do Gênesis a partir dos dois critérios propostos no n. 66 do Elenco das Leituras da Missa (ELM): a composição harmônica e a leitura semicontínua [1]. Começamos pela composição harmônica, isto é, a escolha do texto por sua sintonia com o tempo ou a festa litúrgica.

a) Celebração Eucarística

Começamos nosso percurso pelo Ano Litúrgico através do Ciclo do Advento-Natal, no qual encontramos duas leituras da “História dos Patriarcas”.

quarta-feira, 17 de maio de 2023

Sugestão de leitura: Fundamentos da Sagrada Liturgia

Nos últimos dois meses apresentamos como sugestão de leitura as Catequeses pré-batismais e as Catequeses mistagógicas de São Cirilo de Jerusalém, publicadas pela Editora Vozes.

Nesta postagem, por sua vez, gostaríamos de propor uma “introdução à Liturgia” publicada pela mesma Editora. Trata-se da obra Os fundamentos da Sagrada Liturgia, de autoria do sacerdote franciscano Frei Alberto Beckhäuser (†2017).

A obra foi publicada com o título indicado acima em 2004, como parte da Coleção “Iniciação à Teologia”. Em 2019, porém, a Coleção foi reformulada e a 2ª edição da nossa obra foi intitulada simplesmente como Liturgia.

Capa da 2ª edição (2009)

Esta 2ª edição possui 304 páginas, divididas em 35 breves capítulos, que elencamos a seguir. Cada um destes possui algumas “questões para facilitar a compreensão e provocar debates” e “indicações bibliográficas para ulteriores aprofundamentos”.

1. A ciência litúrgica (pp. 19-24)
2. Liturgia em abordagem filológica (pp. 25-30)
3. Liturgia como celebração (pp. 31-34)
4. Mistério nas religiões naturais (pp. 35-42)
5. O catolicismo tradicional em confronto com os mistérios do culto da religiosidade natural (pp. 43-49)
6. Aprofundamento do conceito de mistério (pp. 50-62)
7. Páscoa - Fato valorizado (pp. 63-68)
8. A Páscoa - Fato da Nova Aliança (pp. 69-74)
9. Páscoa-rito, o mistério do culto cristão (pp. 75-78)

Nesses primeiros capítulos, de caráter introdutório, o Frei Alberto Beckhäuser parte do conceito de Liturgia como “celebração”, do qual derivam três elementos: o mistério, a Páscoa/fato e o símbolo/rito.

terça-feira, 16 de maio de 2023

Procissão e Missa em honra de Santo Estanislau em Cracóvia

No domingo após o dia 08 de maio, data em que Santo Estanislau (Święty Stanisław), Bispo e Mártir, é celebrado na Polônia, país do qual é co-padroeiro, junto com Santo Adalberto (Święty Wojciech), é costume realizar-se uma procissão desde a Catedral de Wawel em Cracóvia até o Mosteiro de Skałka, local do martírio do santo.

Neste ano de 2023 a procissão teve lugar no dia 14 de maio, V Domingo da Páscoa, sendo presidida por Dom Wojciech Polak, Arcebispo de Gniezno e Primaz da Polônia

A Santa Missa do IV Domingo da Páscoa no "altar do Terceiro Milênio", junto ao Mosteiro de Skałka, por sua vez, foi presidida por Dom Jan Kopiec, Bispo Emérito de Gliwice.

Note-se durante a procissão e a Missa a exposição das relíquias de diversos Santos poloneses.

Início da procissão na Catedral de Wawel
Diáconos portam as relíquias de Santos poloneses

Ícone de Nossa Senhora de Częstochowa
Dom Wojciech Polak preside a procissão