sexta-feira, 22 de julho de 2022

Homilia: Festa de Santa Maria Madalena

São Gregório Magno, Papa
Homilia XXV sobre os Evangelhos 
Sentia o desejo ardente de encontrar a Cristo, que julgava ter sido roubado

Maria Madalena, tendo ido ao sepulcro, não encontrou o corpo do Senhor. Julgando que fora roubado, foi avisar aos discípulos. Estes vieram também ao sepulcro, viram e acreditaram no que a mulher lhes dissera. Sobre eles está escrito logo em seguida: Os discípulos voltaram então para casa (Jo 20,10). E depois acrescenta-se: Entretanto, Maria estava do lado de fora do túmulo, chorando (Jo 20,11).

Este fato leva-nos a considerar quão forte era o amor que inflamava o espírito dessa mulher, que não se afastava do túmulo do Senhor, mesmo depois de os discípulos terem ido embora. Procurava a quem não encontrara, chorava enquanto buscava e, abrasada no fogo do seu amor, sentia a ardente saudade daquele que julgava ter sido roubado. Por isso, só ela o viu então, porque só ela o ficou procurando. Na verdade, a eficácia das boas obras está na perseverança, como afirma também a voz da Verdade: Quem perseverar até o fim, esse será salvo (Mt 10,22).

Ela começou a procurar e não encontrou nada; continuou a procurar, e conseguiu encontrar. Os desejos foram aumentando com a espera, e fizeram com que chegasse a encontrar. Pois os desejos santos crescem com a demora; mas se diminuem com o adiamento, não são desejos autênticos. Quem experimentou este amor ardente, pôde alcançar a verdade. Por isso afirmou Davi: Minha alma tem sede de Deus, e deseja o Deus vivo. Quando terei a alegria de ver a face de Deus? (Sl 41,3). Também a Igreja diz no Cântico dos Cânticos: Estou ferida de amor (Ct 5,8). E ainda: Minha alma desfalece (cf. Ct 5,6).

Mulher, por que choras? A quem procuras? (Jo 20,15). É interrogada sobre o motivo de sua dor, para que aumente o seu desejo e, mencionando o nome de quem procurava, se inflame ainda mais o seu amor por Ele.

Então Jesus disse: Maria (Jo 20,16). Depois de tê-la tratado pelo nome comum de mulher sem que ela o tenha reconhecido, chama-a pelo próprio nome. Foi como se lhe dissesse abertamente: Reconhece Aquele por quem és reconhecida. Não é entre outros, de maneira geral, que te conheço, mas especialmente a ti. Maria, chamada pelo próprio nome, reconhece quem lhe falou; e imediatamente exclama: “Rabuni”, que quer dizer “Mestre” (Jo 20,16). Era Ele a quem Maria Madalena procurava exteriormente; entretanto, era Ele que a impelia interiormente a procurá-lo.

São Gregório Magno, Papa

Responsório

Voltando do túmulo, onde estava Jesus, Maria Madalena anunciou aos discípulos: Eu vi o Senhor.
R. Bem feliz é aquela que foi digna de ser a primeira a dar a notícia da vida do Ressuscitado.

Há muito chorando, ela viu quem buscava, anunciou a quem viu.
R. Bem feliz é aquela que foi digna de ser a primeira a dar a notícia da vida do Ressuscitado.

Oração

Ó Deus, o vosso Filho confiou a Maria Madalena o primeiro anúncio da alegria pascal; dai-nos, por suas preces e a seu exemplo, anunciar também que o Cristo vive e contemplá-lo na glória de seu Reino. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
 
Fonte: Liturgia das Horas, vol. III, pp. 1435-1437.

Confira também:

quinta-feira, 21 de julho de 2022

Hinos de Santa Maria Madalena: Vésperas

“O amor é mais forte do que a morte” (Ct 8,6).

Já foram duas as postagens publicadas aqui em nosso blog nos últimos dias sobre Santa Maria Madalena, cuja celebração no dia 22 de julho possui desde 2016 o grau de Festa.

Na primeira postagem traçamos um breve histórico do culto a Santa Maria Madalena, desde seus fundamentos bíblicos até os nossos dias. Na segunda postagem, por sua vez, apresentamos o primeiro dos dois hinos próprios da Festa para a Liturgia das Horas:
Vésperas (e Ofício): Mágdalae sidus, múlier beáta (Ó estrela feliz de Magdala).

Os dois hinos são de nova composição, isto é, elaborados no contexto da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II pelo grupo coordenado pelo Padre Anselmo Lentini (†1989) [1], uma vez que os hinos anteriores identificavam Maria Madalena com outras mulheres do Evangelho, interpretação que foi abandonada pela Igreja.

Santa Maria Madalena (El Greco)

Assim, como fizemos com o hino das Laudes (oração da manhã), publicamos a seguir o hino das Vésperas (oração da tarde), em seu texto original em latim e em sua tradução oficial para o português do Brasil, além de breves comentários sobre a sua teologia.

Segue, pois, o hino das Vésperas de Santa Maria Madalena, retomado no Ofício das Leituras da Festa: Mágdalae sidus, múlier beáta (Ó estrela feliz de Magdala).

Vésperas: Mágdalae sidus, múlier beáta

1. Mágdalae sidus, múlier beáta,
te pio cultu venerámur omnes,
quam sibi Christus sociávit arcti
foedere amóris.

2. Cum tibi illíus pátefit potéstas
daemonum vires ábigens treménda,
tu fide gaudes potióre necti
grata medénti.

quarta-feira, 20 de julho de 2022

Hinos de Santa Maria Madalena: Laudes

“Encontrei o amor de minha vida, e não o deixarei mais” (cf. Ct 3,4).

Recentemente realizamos aqui em nosso blog um breve percurso pela história do culto a Santa Maria Madalena, cuja Memória no dia 22 de julho foi elevada pelo Papa Francisco em 2016 ao grau de Festa.

Como vimos, a Festa possui dois hinos próprios para a Liturgia das Horas:
Laudes: Auróra surgit lúcida (Luminosa, a aurora desperta);
Vésperas (e Ofício): Mágdalae sidus, múlier beáta (Ó estrela feliz de Magdala).

Ambos são de nova composição, isto é, foram elaborados no contexto da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II pelo grupo coordenado pelo Padre Anselmo Lentini (†1989) [1], uma vez que os hinos anteriores identificavam Madalena com a mulher pecadora de Lc 7 e com Maria de Betânia, a irmã de Marta e Lázaro, associações que foram abandonadas pela Igreja.

Santa Maria Madalena (Quentin Matsys)
Note-se o frasco com perfume para ungir o Corpo do Senhor

Como já fizemos aqui no blog com outros textos da Liturgia das Horas, nesta postagem e na próxima apresentaremos os dois hinos entoados em honra de Santa Maria Madalena em seu texto original em latim e em sua tradução oficial para o português do Brasil, seguidos de alguns breves comentários sobre a sua teologia.

Começamos, naturalmente, pelo hino das Laudes, a oração da manhã da Liturgia das Horas: Auróra surgit lúcida (Luminosa, a aurora desperta).

Laudes: Auróra surgit lúcida

1. Auróra surgit lúcida
Christi triúmphos áfferens,
cum corpus eius vísere,
María, vis et úngere.

2. Anhéla curris; ángelus
at ecce laetus praedocet
mortis refráctis póstibus
redísse quem desíderas.

terça-feira, 19 de julho de 2022

História do culto a Santa Maria Madalena

“Vou levantar-me e percorrer a cidade, procurando o Amor de minha vida” (Ct 3,2).

No dia 22 de julho as Igrejas do Oriente e do Ocidente celebram Santa Maria Madalena, testemunha privilegiada do Mistério Pascal da Morte-Ressurreição de Cristo. Nesta postagem gostaríamos de percorrer brevemente a história do seu culto.

1. “Quem é essa mulher?”: As muitas faces de Madalena

Ao longo da história, sobretudo no Ocidente, Maria Madalena foi identificada com ao menos outras duas mulheres do Evangelho: Maria, irmã de Marta e Lázaro, e a pecadora anônima que lava os pés de Jesus com suas lágrimas. As três, como veremos, são discípulas que se colocaram aos pés do Senhor e estão relacionadas ao simbolismo do perfume e da unção.

Ícone bizantino de Santa Maria Madalena
A cruz e o frasco de perfume aludem à Morte-Ressurreição do Senhor

a) na Sagrada Escritura:

“Maria”, versão grega do hebraico Miriam, era o nome feminino mais comum na época do Novo Testamento. Por isso, nossa santa aparece sempre acompanhada de um gentilício ou adjetivo pátrio, isto é, acompanhada da referência a um lugar. Maria “Madalena” (Μαρία ἡ Μαγδαληνή), portanto, significa Maria “de Magdala”.

Magdala (do hebraico Migdal, “torre”) era uma aldeia na margem ocidental do mar da Galileia, destruída pelos romanos no final do século I, durante as guerras judaicas, cujos restos arqueológicos foram encontrados apenas no início do século XXI. Para saber mais, confira nossa postagem sobre Magdala clicando aqui.

Maria Madalena é mencionada 12 vezes nos Evangelhos, sempre ocupando uma posição de destaque entre as discípulas de Jesus:
“Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa Nova do Reino de Deus. Os Doze iam com Ele, e também algumas mulheres que haviam sido curadas de maus espíritos e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios (...) e várias outras mulheres que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam” (Lc 8,1-3).

Além do seu nome, Lucas oferece aqui duas informações importantes: ela havia sido curada por Jesus de alguma enfermidade (interpretada como a ação de “demônios”) e, junto com outras mulheres, ajudava materialmente o grupo dos Apóstolos.

Maria é curada por Jesus (notem-se os “sete demônios” que saem dela)
(Mosaico da igreja de Magdala)

Nos Evangelhos Sinóticos, Madalena permanece junto com outras mulheres contemplando à distância a Crucificação e o Sepultamento do Senhor (Mt 27,55-56; Mc 15,40-41; Lc 23,55-56). O Evangelho de João, por sua vez, a situa aos pés da cruz, junto com a Mãe de Jesus e o “discípulo amado” (Jo 19,25).

Nos diferentes relatos da Ressurreição, ela está entre as mulheres que levaram perfumes ao túmulo na manhã do domingo:

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Divina Liturgia no Santuário de Zarvanytsya

De 07 a 15 de julho de 2022 os Bispos da Igreja Greco-Católica Ucraniana realizaram o seu Sínodo em Przemyśl (Polônia). Para ver as imagens da Divina Liturgia de abertura, clique aqui.

No domingo, 17 de julho de 2022, dois dias após a conclusão da assembleia, o Arcebispo-Maior, Dom Sviatoslav Shevchuk (Святосла́в Шевчу́к), acompanhado de vários Bispos, celebrou a Divina Liturgia no Santuário da Mãe de Deus de Zarvanytsya (Собор Зарваницької Матері Божої), no oeste do país, rezando particularmente pela paz na Ucrânia.

Procissão de entrada com o ícone da Mãe de Deus


Início da Divina Liturgia: Litania da paz

Ângelus: XVI Domingo do Tempo Comum - Ano C

Papa Francisco
Ângelus
Domingo, 17 de julho de 2022

Estimados irmãos e irmãs, bom dia!
O Evangelho da Liturgia deste domingo apresenta-nos um vivaz quadro doméstico com Marta e Maria, duas irmãs que oferecem hospitalidade a Jesus na sua casa (Lc 10,38-42). Marta começa imediatamente a receber os convidados, enquanto Maria se senta aos pés de Jesus para ouvi-lo. Então Marta dirige-se ao Mestre e pede-lhe que diga a Maria para ajudá-la. A queixa de Marta não parece fora de lugar; aliás, sentimos que ela tem razão. Mas Jesus responde-lhe: «Marta, Marta, andas muito inquieta e preocupas-te com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a parte melhor, que não lhe será tirada» (vv. 41-42). É uma resposta que surpreende. Mas Jesus muitas vezes inverte a nossa maneira de pensar. Perguntemo-nos por que o Senhor, embora apreciando a generosa preocupação de Marta, afirma que devemos preferir a atitude de Maria.

A “filosofia” de Marta parece ser esta: primeiro o dever, depois o prazer. Com efeito, a hospitalidade não é feita de belas palavras, mas exige que se ponham as mãos no fogão, que se faça o que for preciso para que o convidado se sinta bem-vindo. Jesus sabe isto muito bem. E de fato reconhece a dedicação de Marta. Contudo, quer que ela compreenda que existe uma nova ordem de prioridades, diferente daquela que ela tinha seguido até então. Maria intuiu que existe uma “parte melhor” à qual se deve dar o primeiro lugar. O resto vem a seguir, como um riacho que corre da nascente. E assim nos perguntamos: o que é esta “parte melhor”? É a escuta das palavras de Jesus. O Evangelho diz: «Maria, que se sentou aos pés do Senhor para ouvi-lo falar» (v. 39). Notemos: não ouviu de pé, fazendo outra coisa, mas sentou-se aos pés de Jesus. Compreendeu que Ele não é um convidado como os outros. À primeira vista parece que Ele veio para receber, porque precisava de comida e abrigo, mas na realidade, o Mestre veio para se doar a nós através da sua palavra.

A palavra de Jesus não é abstrata, é um ensinamento que toca e molda a vida, muda-a, liberta-a da opacidade do mal, satisfaz e infunde uma alegria que não passa: a palavra de Jesus é a melhor parte, aquela que Maria escolheu. Por isso deu-lhe o primeiro lugar: para e escuta. O resto virá depois. Isto nada tira ao valor do compromisso prático, não deve preceder, mas fluir da escuta da palavra de Jesus, deve ser animado pelo seu Espírito. Caso contrário, reduz-se a uma azáfama e agitação por muitas coisas, reduz-se a um ativismo estéril.

Irmãos e irmãs, aproveitemos este tempo de férias para parar e ouvir Jesus. Hoje é cada vez mais difícil encontrar momentos livres para meditar. Para muitas pessoas, os ritmos de trabalho são frenéticos, desgastantes. O período de verão [no hemisfério norte] também pode ser precioso para abrir o Evangelho e lê-lo lentamente, sem pressa, um trecho por dia, um pequeno excerto do Evangelho. E isto faz-nos entrar nesta dinâmica de Jesus. Deixemo-nos interrogar por aquelas páginas, perguntando-nos como está a nossa vida, a minha vida, se está ou não de acordo com o que Jesus diz ou não tanto. Em particular, perguntemo-nos: quando começo o meu dia, atiro-me de cabeça nas coisas a fazer, ou procuro primeiro a inspiração na Palavra de Deus? Por vezes começamos os nossos dias automaticamente, fazendo coisas... como as galinhas. Não. Devemos começar os nossos dias primeiro olhando para o Senhor, tomando a sua Palavra, brevemente, para que esta seja a inspiração para o dia. Se sairmos de casa pela manhã mantendo uma palavra de Jesus na nossa mente, certamente o dia adquirirá um tom marcado por aquela palavra, que tem o poder de dirigir as nossas ações de acordo com o que o Senhor quer.

Que a Virgem Maria nos ensine a escolher a parte melhor, que nunca nos será tirada.

Jesus na casa de Marta e Maria
(Giovanni da San Giovanni)

Fonte: Santa Sé.

sábado, 16 de julho de 2022

Solenidade da Dedicação da Basílica do Santo Sepulcro

A Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém, que abriga os locais da Morte e da Ressurreição do Senhor, foi dedicada pela primeira vez em setembro do ano 335. Porém, tendo passado por sucessivos ataques e restaurações, foi dedicada novamente no dia 15 de julho de 1149.

O aniversário da dedicação da Basílica foi celebrado, pois, no dia 22 de julho de 2022 com a Santa Missa presidida pelo Custódio da Terra Santa, Padre Francesco Patton, dentro da Edícula da Ressurreição:

Para saber mais sobre a história da Basílica do Santo Sepulcro, clique aqui.

Ósculo do altar
Incensação da Edícula da Ressurreição
Liturgia da Palavra
Evangelho
Homilia