quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Ângelus: Solenidade da Assunção de Maria (2026)

Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria
Papa Leão XIV
Ângelus
Praça da Liberdade (Castel Gandolfo)
Sábado, 15 de agosto de 2026

Queridos irmãos e irmãs,
Celebramos hoje a Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria. Uma festa de grande importância, tanto para a teologia católica como para a devoção popular; com efeito, é uma data comemorada intensamente em várias comunidades, especialmente onde a Catedral ou a igreja paroquial é dedicada à Virgem Assunta.

Para contemplar este mistério da fé, podemos recorrer aos dois modelos iconográficos com que, ao longo dos séculos, os artistas o representaram.

O primeiro, o mais antigo, que foi o único durante quase um milênio, é o da “dormição” da Mãe de Deus: ela aparece deitada em um catafalco, adormecida na morte; à sua volta estão os Apóstolos, que a veneram comovidos em oração; no centro, de pé, está Jesus Ressuscitado, que segura nos braços a alma de Maria, como uma criança recém-nascida. Ele veio buscá-la para levá-la consigo para a glória de Deus, “no céu”, como dizemos simbolicamente. Com efeito, o Senhor cumpriu para a sua Mãe o que prometeu a todos os seus amigos: «Quando Eu tiver ido [para junto do Pai] preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo» (Jo 14,3).

Este primeiro modelo realça a verdade central: é Cristo, Morto e Ressuscitado, que nos conduz à meta para a qual estamos desde sempre destinados, a vida eterna. É isto que gerações e gerações de fiéis contemplaram ao rezarem perante os ícones da Dormição, e que se pode admirar em Roma, no grande mosaico da abside da Basílica de Santa Maria Maior.

A iconografia mais recente, que se desenvolveu posteriormente no Ocidente, mostra-nos, por sua vez, a Virgem Maria de corpo inteiro, no céu, envolta de luz, frequentemente rodeada por anjos e santos. Aqui, no centro, encontra-se o corpo glorificado da Virgem, em consonância com o que se lê no Livro do Apocalipse: «Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas» (Ap 12,1).

Alguns artistas combinaram os dois esquemas, representando, na parte superior, a Virgem gloriosa e, na parte inferior, o seu túmulo vazio, frequentemente repleto de flores multicoloridas, e os Apóstolos com o olhar voltado para ela, no céu.

Este segundo modelo realça a verdade de que Maria foi elevada em corpo e alma, ou seja, na integridade da sua pessoa. Aquela mulher que, na terra, deu corpo e sangue ao Verbo encarnado e o seguiu até a união perfeita no sacrifício de amor, foi atraída por Ele para sempre à glória.

Assim, esta iconografia nos permite contemplar o nosso destino último. A plenitude de vida, que hoje admiramos com alegria em Maria, espera também a nós, no fim dos tempos, quando, como diz São Paulo, Cristo Ressuscitado «transformará o nosso corpo humilhado e o tornará semelhante a seu corpo glorioso» (Fl 3,21), revestindo o que é corruptível de incorruptibilidade e o que é mortal de imortalidade (cf. 1Cor 15,54). Então, com a nossa carne transformada pelo amor do Redentor, viveremos eternamente, na festa sem fim.

Louvemos o Senhor, que fez grandes coisas na sua e nossa Santíssima Mãe!

Assunção de Maria
(Peter Paul Rubens)

Fonte: Santa Sé.

Para saber mais, confira nossa postagem sobre o ícone da Dormição da Mãe de Deus.

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