sábado, 28 de fevereiro de 2026

I Domingo da Quaresma em Milão (2026)

No Rito Ambrosiano, próprio da Arquidiocese de Milão (Itália), a Quaresma não tem início na Quarta-feira de Cinzas, como no Rito Romano, mas sim no I Domingo da Quaresma, o sexto antes da Páscoa. Para saber mais, confira nossa postagem sobre a história do Tempo da Quaresma.

No dia 22 de fevereiro de 2026, portanto, o Arcebispo de Milão, Dom Mario Enrico Delpini, celebrou a Missa do I Domingo da Quaresma na Catedral Metropolitana da Natividade da Virgem Maria, o Duomo de Milão.

Após a Missa teve lugar a bênção e a imposição das cinzas. No Rito Ambrosiano, com efeito, o rito das cinzas tem lugar no primeiro dia penitencial da Quaresma, isto é, na segunda-feira da I semana. Não obstante, por razões pastorais esse pode ser antecipado para o domingo, após a Missa. Para saber mais, confira nossa postagem sobre a história da Quarta-feira de Cinzas.

Procissão de entrada
Genuflexão
Incensação da cruz e do altar
Liturgia da Palavra
Homilia

Ângelus: I Domingo da Quaresma - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 22 de fevereiro de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Hoje, I Domingo da Quaresma, o Evangelho nos fala de Jesus que, conduzido pelo Espírito, vai para o deserto e é tentado pelo diabo (Mt 4,1-11). Depois de jejuar durante quarenta dias, sente o peso da sua humanidade: a fome, no plano físico, e as tentações do diabo, no plano espiritual. Ele experimenta o mesmo cansaço que todos nós vivenciamos no nosso caminho e, resistindo ao demônio, mostra-nos como vencer os seus enganos e insídias.

Com esta Palavra de vida, a Liturgia nos convida a olhar para a Quaresma como um itinerário luminoso no qual, com a oração, o jejum e a esmola, podemos renovar a nossa cooperação com o Senhor ao realizar a obra-prima única da nossa vida. Trata-se de permitir que Ele remova as manchas e cure as feridas que o pecado pode ter causado nela e de nos comprometermos em fazê-la florescer em toda a sua beleza até a plenitude do amor, fonte exclusiva da verdadeira felicidade.

Trata-se, sem dúvida, de um percurso exigente, e o risco é desanimarmos ou nos deixarmos seduzir por formas de gratificação menos árduas, como a riqueza, a fama e o poder (cf. Mt 4,3-8). Estas, que também foram as tentações que Jesus enfrentou, são, no entanto, apenas míseros substitutos da alegria para a qual fomos criados e, no final, deixam-nos inevitável e eternamente insatisfeitos, inquietos e vazios.

Por isso, São Paulo VI ensinava que a penitência, longe de empobrecer, enriquece a nossa humanidade, purificando-a e fortalecendo-a no seu movimento em direção a um horizonte que tem «como finalidade o amor e o abandono no Senhor» (Constituição Apostólica Paenitemini, 17 de fevereiro de 1966, I). Assim, ao mesmo tempo que nos torna conscientes das nossas limitações, a penitência nos dá a força para superá-las e, com a ajuda de Deus, viver uma comunhão cada vez mais intensa com Ele e entre nós.

Neste tempo de graça, pratiquemo-la generosamente, junto com a oração e as obras de misericórdia. Dêmos espaço ao silêncio: silenciemos um pouco as televisões, os rádios, os smartphones. Meditemos a Palavra de Deus, aproximemo-nos dos Sacramentos; escutemos a voz do Espírito Santo, que nos fala ao coração, e escutemo-nos uns aos outros, nas famílias, nos locais de trabalho, nas comunidades. Dediquemos tempo a quem vive sozinho, especialmente aos idosos, aos pobres e aos doentes. Renunciemos ao supérfluo e partilhemos o que pouparmos com quem carece do necessário. Então, como diz Santo Agostinho, «a nossa oração, feita com humildade e caridade, com jejum e esmola, com temperança e perdão, distribuindo coisas boas e não retribuindo na mesma moeda as más, afastando-nos do mal e fazendo o bem» (Sermão 206, 3), alcançará o Céu e nos dará paz.

Confiemos o nosso caminho quaresmal à Virgem Maria, Mãe que sempre assiste os seus filhos nas provações.

Jesus em oração no deserto
(Briton Rivière)

Fonte: Santa Sé.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Missa do I Domingo da Quaresma em Roma (2026)

Na manhã do dia 22 de fevereiro de 2026 o Papa Leão XIV celebrou a Missa do I Domingo da Quaresma (Ano A) durante a Visita Pastoral à Paróquia do Sagrado Coração de Jesus a Castro Pretorio (Sacro Cuore di Gesù a Castro Pretorio).

Essa foi a segunda de cinco Visitas Pastorais realizadas pelo Papa a Paróquias da Diocese de Roma, uma de cada Setor Pastoral. A Basílica do Sagrado Coração de Jesus, assistida pelos Salesianos de Dom Bosco, corresponde ao Setor Centro [1].

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli.

Procissão de entrada


Ósculo do altar
Sinal da cruz

Homilia do Papa: I Domingo da Quaresma - Ano A (2026)

Visita Pastoral
Homilia do Papa Leão XIV
Paróquia do Sagrado Coração de Jesus a Castro Pretorio (Roma)
Domingo, 22 de fevereiro de 2026

Foi celebrada a Missa do I Domingo da Quaresma (Ano A).

Caríssimos irmãos e irmãs,
Há alguns dias, com o rito das Cinzas, demos início ao caminho quaresmal. A Quaresma é um tempo litúrgico intenso, que nos oferece a ocasião de redescobrir a riqueza do nosso Batismo, para viver como criaturas plenamente renovadas graças à Encarnação, Morte e Ressurreição de Jesus.

A 1ª Leitura e o Evangelho que ouvimos (Gn 2,7-9.3,1-7; Mt 4,1-11), em diálogo entre si, ajudam-nos a redescobrir precisamente o dom do Batismo como graça que encontra a nossa liberdade. A narração do Gênesis leva-nos à nossa condição de criaturas, postas à prova não tanto por uma proibição, como muitas vezes se pensa, mas por uma possibilidade: a possibilidade de uma relação. O ser humano é livre para reconhecer e aceitar a alteridade do Criador, que reconhece e aceita a alteridade das criaturas. Para impedir esta possibilidade, a serpente insinua a presunção de poder anular todas as diferenças entre as criaturas e o Criador, seduzindo o homem e a mulher com a ilusão de se tornarem como Deus. Satanás os impele a apoderar-se de algo que - diz assim - Deus queria negar-lhes para mantê-los sempre em condição de inferioridade. Este cenário do Gênesis é uma obra-prima insuperável, que representa o drama da liberdade.


O Evangelho parece responder ao antigo dilema: posso realizar a minha vida em plenitude, dizendo “sim” a Deus? Ou, para ser livre e feliz, devo me libertar d’Ele?

No fundo, a cena das tentações de Cristo aborda esta dramática interrogação. Leva-nos a descobrir a verdadeira humanidade de Jesus que, como ensina a Constituição conciliar Gaudium et spes, revela o homem a si mesmo: «O mistério do homem só se esclarece verdadeiramente no mistério do Verbo encarnado» (n. 22). Com efeito, vemos o Filho de Deus que, opondo-se às insídias do antigo Adversário, nos mostra o homem novo, o homem livre, epifania da liberdade que se realiza dizendo “sim” a Deus.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Memória da Coroação de Espinhos em Jerusalém (2026)

No dia 20 de fevereiro de 2026, Sexta-feira depois das Cinzas, o Patriarca Latino de Jerusalém, Cardeal Pierbattista Pizzaballa, celebrou a Missa na igreja do Ecce Homo em Jerusalém, a qual integra o Convento das Irmãs da Congregação de Nossa Senhora de Sião (Congrégation de Notre-Dame de Sion), por ocasião da Comemoração da Coroação de Espinhos de nosso Senhor Jesus Cristo

Essa celebração remonta a uma antiga série de Missas votivas em honra da Paixão a serem celebradas nas sextas-feiras da Quaresma. Para saber mais, confira nossa postagem sobre a devoção aos instrumentos da Paixão (Arma Christi).

Para saber mais sobre a igreja do Ecce Homo, por sua vez, confira a respectiva postagem da série sobre as Missas votivas da Terra Santa.

Abside da igreja do Ecce Homo (Jerusalém)
Procissão de entrada

Incensação
Ritos iniciais

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Vida de Jesus 5

Após as reflexões sobre os “encontros” e sobre as “parábolas” dentro das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, o Papa concluiu a seção sobre a vida pública de Jesus com quatro meditações sobre as “curas”.

Confira nesta postagem as Catequeses sobre Bartimeu (Mc 10,46-52) e sobre o paralítico da Piscina de Betesda (Jo 5,1-9).

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 11 de junho de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
2.9. A vida de Jesus - As curas: Bartimeu (Mc 10,46-52)

Queridos irmãos e irmãs,
Com esta Catequese gostaria de orientar o nosso olhar para outro aspecto essencial da vida de Jesus, isto é, as suas curas. Por isso, vos convido a colocar diante do Coração de Cristo as vossas partes mais dolorosas ou frágeis, aqueles lugares da vossa vida onde vos sentis parados e bloqueados. Peçamos ao Senhor com confiança que ouça o nosso grito e nos cure!

O personagem que nos acompanha nesta reflexão ajuda-nos a compreender que nunca devemos abandonar a esperança, mesmo quando nos sentimos perdidos. Trata-se de Bartimeu, um homem cego e mendigo, que Jesus encontrou em Jericó (cf. Mc 10,46-52). O lugar é significativo: Jesus está a caminho de Jerusalém, mas inicia a sua viagem, por assim dizer, a partir do “submundo” de Jericó, uma cidade abaixo do nível do mar. Com efeito, com a sua morte, Jesus foi recuperar aquele Adão que caiu e que representa cada um de nós.

Jesus e Bartimeu, o cego de Jericó

Bartimeu significa “filho de Timeu”: descreve esse homem através de uma relação, mas ele está dramaticamente só. No entanto, este nome poderia significar também “filho da honra”, ou “da admiração”, exatamente o oposto da situação em que se encontra (é a interpretação dada também por Santo Agostinho em O consenso dos evangelistas, 2, 65, 125: PL 34, 1138). E dado que o nome é tão importante na cultura judaica, significa que Bartimeu não consegue viver o que é chamado a ser.

Além disso, ao contrário do grande movimento de pessoas que caminham atrás de Jesus, Bartimeu está parado. O evangelista diz que está sentado à beira do caminho e, portanto, precisa de alguém que o levante e o ajude a retomar a estrada.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Quarta-feira de Cinzas em Roma (2026)

Na tarde do dia 18 de fevereiro de 2026 o Papa Leão XIV celebrou a Missa da Quarta-feira de Cinzas na Basílica de Santa Sabina no Aventino (Roma).

Como de costume, a celebração tomou a forma das estações quaresmais, sendo precedida por uma procissão penitencial desde a igreja de Santo Anselmo no Aventino [1].

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor Ľubomír Welnitz. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Início da celebração na igreja de Santo Anselmo

Procissão penitencial


Homilia do Papa: Quarta-feira de Cinzas (2026)

Santa Missa, Bênção e Imposição das Cinzas
Homilia do Papa Leão XIV
Basílica de Santa Sabina
Quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Queridos irmãos e irmãs,
No início de cada tempo litúrgico redescobrimos com alegria sempre renovada a graça de ser Igreja, comunidade convocada para escutar a Palavra de Deus. O profeta Joel chegou até nós com a sua voz que tira cada um do seu isolamento e faz da conversão uma urgência, ao mesmo tempo pessoal e pública: «Congregai o povo, realizai cerimônias de culto, reuni anciãos, ajuntai crianças e lactentes» (Jl 2,16). Ele menciona pessoas cuja ausência não seria difícil justificar: as mais frágeis e menos capazes de participar em grandes reuniões. Depois, o profeta nomeia o esposo e a esposa: parece retirá-los da sua intimidade, para que se sintam parte de uma comunidade maior. Em seguida, é a vez dos sacerdotes, já presentes - quase por dever - «entre o vestíbulo e o altar» (v. 17); eles são convidados a chorar e a encontrar as palavras certas para todos: «Perdoa, Senhor, a teu povo!» (v. 17).


A Quaresma, também hoje, é um forte tempo de comunidade: «Congregai o povo, realizai cerimônias de culto» (Jl 2,16). Sabemos como é cada vez mais difícil reunir as pessoas e sentir-se povo, não de forma nacionalista e agressiva, mas na comunhão em que cada um encontra o seu lugar. Aqui ganha forma um povo que reconhece os próprios pecados, ou seja, reconhece que o mal não vem de presumíveis inimigos, mas que tocou os corações, que está dentro da própria vida e que deve ser enfrentado com assumindo corajosamente responsabilidades. Devemos admitir que se trata de uma atitude contracorrente, mas que constitui uma verdadeira opção, honesta e atraente, quando é tão natural declarar-se impotente diante de um mundo em chamas. Sim, a Igreja também existe como profecia de comunidades que reconhecem os seus pecados.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Missa do VI Domingo do Tempo Comum em Roma (2026)

Na tarde do dia 15 de fevereiro de 2026 o Papa Leão XIV celebrou a Missa do VI Domingo do Tempo Comum (Ano A) durante a Visita Pastoral à Paróquia de Santa Maria “Regina Pacis em Ostia (Santa Maria “Regina Pacis” a Ostia Lido).

Essa celebração dá início a uma série de cinco Visitas Pastorais realizadas pelo Papa a Paróquias da Diocese de Roma, uma de cada Setor Pastoral [1].

A Paróquia de Santa Maria “Rainha da Paz”, que integra o Setor Sul, é assistida pelos palotinos (Sociedade do Apostolado Católico). O brasão da Congregação, com efeito, pode ser visto em alguns paramentos e alfaias (como as dalmáticas e o conopeu diante do sacrário).

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli.

Procissão de entrada

Ósculo do altar
Incensação
Ritos iniciais

Homilia do Papa: VI Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Visita Pastoral
Homilia do Papa Leão XIV
Paróquia Santa Maria “Regina Pacis” em Ostia (Roma)
Domingo, 15 de fevereiro de 2026

Foi celebrada a Missa do VI Domingo do Tempo Comum (Ano A).

Queridos irmãos e irmãs,
É para mim motivo de grande alegria estar aqui e viver com a vossa comunidade o gesto do qual o “domingo” recebe o seu nome. É “o dia do Senhor”, porque Jesus Ressuscitado vem ao meio de nós, nos escuta, fala a nós, nos alimenta e nos envia. Assim, no Evangelho que hoje ouvimos (Mt 5,17-37), Jesus nos anuncia a sua “nova lei”: não apenas um ensinamento, mas a força para colocá-lo em prática. É a graça do Espírito Santo que escreve de modo indelével no nosso coração, levando a cumprimento os mandamentos da antiga aliança.

Através do Decálogo, após a saída do Egito, Deus tinha firmado a aliança com o seu povo, oferecendo um projeto de vida e um caminho de salvação. As “Dez palavras”, portanto, se situam e compreendem no caminho de libertação, graças ao qual um conjunto de tribos divididas e oprimidas se transforma em um povo unido e livre. Assim, na longa caminhada através do deserto, aqueles mandamentos aparecem como a luz que indica o caminho, e a sua observância se compreende e realiza não tanto como cumprimento formal de preceitos, mas como ato de amor, de correspondência reconhecida e confiante ao Senhor da aliança. Por isso, a lei oferecida por Deus ao seu povo não está em contraste com a sua liberdade, mas, pelo contrário, é a condição para fazê-la florescer.


Assim, a 1ª Leitura, tirada do Livro do Eclesiástico (Eclo 15,16-21), e o Salmo 118, com o qual entoamos a nossa resposta, nos convidam a ver nos mandamentos do Senhor não uma lei opressiva, mas a sua pedagogia para a humanidade que procura a plenitude de vida e liberdade.

A este respeito, no início da Constituição Pastoral Gaudium et spes, encontramos uma das mais bonitas expressões do Concílio Vaticano II, na qual quase sentimos palpitar o coração de Deus através do coração da Igreja. O Concílio diz: «As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração» (n. 1).

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Ângelus: VI Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 15 de fevereiro de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Também hoje ouvimos no Evangelho uma parte do “Sermão da montanha” (Mt 5,17-37). Depois de proclamar as Bem-aventuranças, Jesus convida-nos a entrar na novidade do Reino de Deus e, para nos guiar neste caminho, revela o verdadeiro significado dos preceitos da Lei de Moisés: eles não servem para satisfazer uma necessidade religiosa exterior a fim de nos sentirmos bem diante de Deus, mas para nos fazer entrar na relação de amor com Deus e com os irmãos. Por isso, Jesus diz que não veio para abolir a Lei, «mas para dar-lhe pleno cumprimento» (v. 17).

O cumprimento da Lei é precisamente o amor, que realiza o seu significado profundo e o seu fim último. Trata-se de adquirir uma “justiça maior” (v. 20) do que aquela dos escribas e fariseus, uma justiça que não se limita a observar os mandamentos, mas nos abre ao amor e nos compromete com ele. Na verdade, Jesus examina precisamente alguns preceitos da Lei que se referem a casos concretos da vida e utiliza uma fórmula linguística - as antinomias - precisamente para mostrar a diferença entre uma justiça religiosa formal e a justiça do Reino de Deus: por um lado: «Ouvistes o que foi dito aos antigos», e, por outro lado, Jesus que afirma: «Eu, porém, vos digo» (vv. 21-37).

Esta abordagem é muito importante. Ela nos diz que a Lei foi dada a Moisés e aos profetas como um caminho para começarmos a conhecer Deus e o seu projeto sobre nós e sobre a história ou, para usar uma expressão de São Paulo, como um pedagogo que nos guiou até Ele (cf. Gl 3,23-25). Mas agora Ele mesmo veio a nós na pessoa de Jesus, o qual cumpriu a Lei, tornando-nos filhos do Pai e dando-nos a graça de entrar em relação com Ele como filhos e como irmãos entre nós.

Irmãos e irmãs, Jesus ensina-nos que a verdadeira justiça é o amor e que, em cada preceito da Lei, devemos perceber uma exigência de amor. Com efeito, não basta não matar fisicamente uma pessoa, se depois a matamos com palavras ou não respeitamos a sua dignidade (vv. 21-22). Da mesma forma, não basta ser formalmente fiel ao cônjuge e não cometer adultério, se nesta relação faltam a ternura recíproca, a escuta, o respeito, o cuidado mútuo e o caminhar juntos em um projeto comum (vv. 27-28.31-32). A estes exemplos, que o próprio Jesus nos oferece, poderíamos acrescentar também outros. O Evangelho nos oferece este precioso ensinamento: não basta uma justiça mínima, é preciso um amor grande, que é possível graças à força de Deus.

Invoquemos juntos a Virgem Maria, que deu ao mundo o Cristo, Aquele que leva à perfeição a Lei e o projeto da salvação: que ela interceda por nós, nos ajude a entrar na lógica do Reino de Deus e a viver a sua justiça.

Jesus ensinando
(Note-se na sua mão o rolo da Lei)

Fonte: Santa Sé.

Homilia do Papa João Paulo II: Cátedra de São Pedro (2001)

Há 25 anos, no dia 22 de fevereiro de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa da Festa da Cátedra de São Pedro com os novos Cardeais criados no Consistório do dia 21 de fevereiro [1].

Embora neste ano de 2026 não celebremos essa Festa (por coincidir com o I Domingo da Quaresma), reproduzimos aqui a homilia do Papa polonês na ocasião:

Festa da Cátedra de São Pedro
Concelebração Eucarística com os novos Cardeais
Homilia do Papa João Paulo II
Praça de São Pedro
Quinta-feira, 22 de fevereiro de 2001

1. “E vós, quem dizeis que Eu sou?” Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,15-16).
Este diálogo entre Cristo e os seus discípulos, que ouvimos há pouco, é sempre atual na vida da Igreja e do cristão. Em cada momento da história, sobretudo naqueles mais decisivos, Jesus interpela os seus e, depois de interrogá-los sobre o que “os homens” pensam d’Ele, “estreita o foco” e lhes pergunta: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”.

Ouvimos esta pergunta ecoar, no fundo, durante todo o Grande Jubileu do Ano 2000. E todos os dias a Igreja respondeu incessantemente com uma unânime profissão de fé: “Tu és o Cristo, o Salvador do mundo, ontem, hoje e sempre”. Uma resposta universal, na qual à voz do Sucessor de Pedro se uniram as vozes dos Pastores e dos fiéis de todo o Povo de Deus.


2. Uma única e solene profissão de fé: Tu és o Cristo! Esta profissão de fé é o grande dom que a Igreja oferece ao mundo no início do terceiro milênio, enquanto prossegue no “vasto oceano” que se abre diante dela (cf. Carta Apostólica Novo millennio ineunte, n. 58). A festa de hoje põe em primeiro plano o papel de Pedro e dos seus Sucessores na condução da barca da Igreja nesse “oceano”. Portanto, é particularmente significativo que nesta festa litúrgica esteja junto ao Papa o Colégio Cardinalício, com os novos Cardeais criados ontem no primeiro Consistório depois do Grande Jubileu.

Juntos queremos dar graças a Deus por ter fundado a sua Igreja sobre a rocha de Pedro. Como sugere a oração “coleta”, queremos rezar intensamente para que ela “não seja abalada por nenhuma perturbação”, mas prossiga com coragem e confiança.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Meditações da Via Sacra no Coliseu 2011

Nesta primeira sexta-feira da Quaresma, como é tradição neste blog, publicamos um modelo de meditações para a Via Sacra. Para saber mais, confira nossa postagem sobre a Via Sacra.

Nesta ocasião recordamos a Via Sacra presidida pelo Papa Bento XVI (†2022) junto ao Coliseu na noite da Sexta-feira Santa de 2011Para saber mais, confira nossa postagem sobre a Via Sacra presidida pelo Papa no Coliseu.

As meditações foram escritas pela Irmã Maria Rita Piccione, O.S.A., Presidente da Federação dos Mosteiros Agostinianos da Itália. Com essa postagem, portanto, honramos o Papa Leão XIV, que também pertence à Ordem de Santo Agostinho (O.S.A.).

Como ilustrações, por sua vez, propomos as esculturas realizadas pelo artista Mickey Wells para o Santuário da Paixão de Cristo (Shrine of Christ’s Passion) na cidade de St. John (Indiana, EUA), próximo de Chicago (Illinois), cidade natal do primeiro Papa norte-americano [1].

Ofício das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice
Via Sacra no Coliseu presidida pelo Papa Bento XVI
Sexta-feira Santa, 22 de abril de 2011

Meditações da Irmã Maria Rita Piccione, O.S.A.
Presidente da Federação dos Mosteiros Agostinianos da Itália

Apresentação

«Se alguém contemplasse de longe a sua pátria, mas no meio estivesse o mar, veria aonde chegar, mas não disporia dos meios para chegar. O mesmo se passa conosco... Vislumbramos a meta a alcançar, mas no meio está o mar deste século... Ora, para que pudéssemos dispor também dos meios para chegar, veio de lá Aquele para quem nós queríamos ir... e forneceu-nos o madeiro com o qual atravessar o mar. De fato, ninguém pode atravessar o mar deste século se não é levado pela cruz de Cristo... Não abandones [pois] a cruz, e a cruz te levará».
Estas palavras de Santo Agostinho, tomadas do seu Comentário ao Evangelho de João (2, 2), nos introduzem na oração da Via Sacra (Via Crucis).


A Via Sacra, com efeito, quer estimular em nós este gesto de nos agarrarmos ao madeiro da Cruz de Cristo ao longo do mar da vida. A Via Sacra, portanto, não é uma simples prática de devoção popular com caráter sentimental, mas exprime a essência da experiência cristã: «Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga» (Mc 8,34).

(...) No início de cada estação, depois da clássica enunciação, aparece uma brevíssima frase que pretende oferecer a chave de leitura da respectiva estação. Podemos recebê-la idealmente como pronunciada por uma criança, quase como um apelo à simplicidade dos pequeninos, que sabem captar o coração da realidade, e em um espaço simbólico de acolhida, na oração de Igreja, da voz da infância por vezes ofendida e explorada.

A Palavra de Deus proclamada é tomada do Evangelho de João, exceto nas estações sem texto evangélico de referência ou que o têm em outros Evangelhos. Com esta escolha se pretende evidenciar a mensagem de glória da Cruz de Jesus.
Em seguida o texto bíblico é ilustrado por uma breve reflexão, clara e original.

Posse do Arcebispo de Westminster

Na manhã do sábado, 14 de fevereiro de 2026, teve lugar na Catedral Metropolitana do Preciosíssimo Sangue de Jesus em Londres (Inglaterra) a posse do novo Arcebispo Metropolitano de Westminster, Dom Charles Phillip Richard Moth, nomeado pelo Papa Leão XIV no dia 19 de dezembro de 2025.

Como indicado no livreto da celebração, algumas particularidades do rito remontam a um Pontifical inglês do século XV, conservadas tanto pela Igreja Católica quanto pela Comunhão Anglicana.

No início da celebração o novo Bispo, endossando o pluvial, dirigiu-se em procissão do Arcebispado (residência episcopal) até a Catedral, onde foi recebido na porta pelos Cônegos. Em seguida, diante do altar, o Preboste (Provost) recitou uma oração pelo novo Pastor.

Após a leitura da bula de nomeação o Preboste conduziu Dom Charles Moth até a cátedra e o Arcebispo Emérito, Cardeal Vincent Gerard Nichols, lhe entregou o báculo que pertenceu ao Cardeal Edward Henry Howard (†1892).

Após ser saudado pelos Cônegos e por alguns fiéis o Arcebispo endossou a casula e presidiu a Missa da Memória de São Cirilo, Monge, e São Metódio, Bispo, com suas orações e leituras.

Após a Comunhão, por sua vez, foi entoado o hino Te Deum laudamus e o novo Arcebispo percorreu a nave da igreja abençoando os fiéis (mesmo gesto realizado na Ordenação Episcopal).

Destaque para o cálice utilizado na Missa, realizado em 1529, antes do cisma anglicano. O  pluvial, a casula, as dalmáticas e o frontal do altar, por sua vez, foram elaborados em 2009 para a posse do Cardeal Nichols. O formal ou racional (broche do pluvial), porém, na forma de uma grande cruz com ametistas, é mais antigo.

Dom Charles Moth na capela do Arcebispado
Procissão até a Catedral


Oração silenciosa na porta da Catedral

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Homilia do Papa Bento XVI: Quarta-feira de Cinzas (2006)

Há cerca de 20 anos, no dia 01 de março de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) celebrou pela primeira vez no seu pontificado a Missa da Quarta-feira de Cinzas, dando início ao Tempo da Quaresma. Repropomos aqui sua homilia na ocasião:

Santa Missa, Bênção e Imposição das Cinzas
Homilia do Papa Bento XVI
Basílica de Santa Sabina
Quarta-feira, 01 de março de 2006

Senhores Cardeais,
Venerados irmãos no Episcopado e no Presbiterado,
Amados irmãos e irmãs!
A procissão penitencial, com a qual iniciamos a celebração de hoje, ajudou-nos a entrar no clima típico da Quaresma, que é uma peregrinação pessoal e comunitária de conversão e de renovação espiritual. Segundo a antiquíssima tradição romana das estações quaresmais, durante este tempo os fiéis, juntamente com os peregrinos, se reúnem todos os dias e param (statio) junto a uma das numerosas “memórias” dos Mártires, que constituem os fundamentos da Igreja de Roma. Nas Basílicas, onde são expostas as suas relíquias, é celebrada a Santa Missa precedida de uma procissão, durante a qual se cantam as Ladainhas dos Santos. Faz-se memória assim daqueles que deram testemunho de Cristo com o seu sangue, e a sua evocação torna-se estímulo para cada cristão a renovar a própria adesão ao Evangelho. Apesar do passar dos séculos, estes ritos conservam o seu valor, porque recordam como é importante, mesmo no nosso tempo, acolher sem concessões as palavras de Jesus: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me” (Lc 9,23).


Outro rito simbólico, gesto próprio e exclusivo do primeiro dia da Quaresma, é a imposição das cinzas. Qual é o seu significado mais profundo? Certamente não se trata de mero ritualismo, mas de algo bastante profundo, que toca o nosso coração. Esse gesto nos faz compreender a atualidade da exortação do profeta Joel, que ressoou na 1ª leitura, exortação que conserva também para nós a sua saudável validez: aos gestos exteriores deve sempre corresponder a sinceridade da alma e a coerência das obras. Com efeito, pergunta o autor inspirado, para que serve rasgar as vestes, se o coração permanece distante do Senhor, isto é, do bem e da justiça? Eis aquilo que realmente conta: voltar para Deus, com o coração sinceramente arrependido, para obter a sua misericórdia (cf. Jl 2,12-18). Um coração renovado e um espírito novo: é o que pedimos com o Salmo penitencial por excelência, o Miserere, que hoje cantamos com o refrão “Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos”. O verdadeiro fiel, consciente de ser pecador, aspira com todo o seu ser - espírito, alma e corpo - ao perdão divino, como uma nova criação, capaz de restituir-lhe alegria e esperança (cf. Sl 50,3.5.12.14).

Homilia do Papa João Paulo II: Quarta-feira de Cinzas (2001)

Nesta Quarta-feira de Cinzas, início do Tempo da Quaresma, recordamos a homilia proferida pelo Papa São João Paulo II (†2005) há 25 anos, durante a Missa no dia 28 de fevereiro de 2001 [1]:

Santa Missa, Bênção e Imposição das Cinzas
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica de Santa Sabina
Quarta-feira, 28 de fevereiro de 2001

1. Deixai-vos reconciliar com Deus... É agora o momento favorável (2Cor 5,20; 6,2).
Este é o convite que a Liturgia nos faz no início da Quaresma, exortando-nos a tomar consciência do dom da salvação oferecida, em Cristo, a todos os homens.

Falando do “momento favorável”, o Apóstolo Paulo refere-se à “plenitude do tempo” (cf. Gl 4,4), isto é, o tempo em que Deus, através de Jesus, “atendeu” e “socorreu” o seu povo, realizando plenamente as promessas dos profetas (cf. Is 49,8). Em Cristo se cumpre o tempo da misericórdia e do perdão, o tempo da alegria e da salvação.

Do ponto de vista histórico, o “momento favorável” é o tempo em que o Evangelho é anunciado pela Igreja aos homens de todas as raças e culturas para que se convertam e se abram ao dom da redenção. Então a vida é totalmente transformada.

O Papa recebe as cinzas

2. “É agora o momento favorável”.
A Quaresma, que hoje se inicia, é certamente, ao longo do Ano Litúrgico, um “momento favorável” para acolher com maior disponibilidade a graça de Deus. Precisamente por isso ela é definida “sinal sacramental da nossa conversão” (Coleta do I Domingo da Quaresma) [2]: sinal e instrumento eficaz daquela radical mudança de vida que requer ser constantemente renovada nos fiéis. A fonte desse extraordinário dom divino é o Mistério Pascal, o mistério da Morte e Ressurreição de Cristo, do qual brota a redenção para cada homem, para a história e para todo o universo.

A este mistério de sofrimento e de amor refere-se, em certo sentido, o tradicional rito da imposição das cinzas, iluminado pelas palavras que o acompanham: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). Também se refere a esse mistério o jejum que hoje observamos, para iniciar um caminho de verdadeira conversão, no qual a união com a Paixão de Cristo nos permita enfrentar e vencer o combate contra o espírito do mal (cf. Coleta da Quarta-feira de Cinzas).

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Mensagem do Papa: Quaresma 2026

Confira a seguir a Mensagem do Papa Leão XIV para a Quaresma de 2026, com o tema «Escutar e jejuar: Quaresma como tempo de conversão»:

Papa Leão XIV
Mensagem para a Quaresma 2026
Escutar e jejuar: Quaresma como tempo de conversão

Queridos irmãos e irmãs,
A Quaresma é o tempo em que a Igreja, com solicitude materna, nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida, para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano.

Todo caminho de conversão começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito. Existe, portanto, um vínculo entre o dom da Palavra de Deus, a hospitalidade que lhe oferecemos e a transformação que ela realiza. Por isso o itinerário quaresmal torna-se uma ocasião propícia para dar ouvidos à voz do Senhor e renovar a decisão de seguir Cristo, percorrendo com Ele o caminho que sobe para Jerusalém, onde se realiza o mistério da sua Paixão, Morte e Ressurreição.


Escutar

Este ano gostaria de chamar a atenção, em primeiro lugar, para a importância de dar espaço à Palavra através da escuta, pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro.

O próprio Deus, revelando-se a Moisés na sarça ardente, mostra que a escuta é uma característica distintiva do seu ser: «Eu vi a aflição do meu povo que está no Egito e ouvi o seu clamor» (Ex 3,7). Escutar o clamor dos oprimidos é o início de uma história de libertação, na qual o Senhor envolve também Moisés, enviando-o a abrir um caminho de salvação para os seus filhos reduzidos à escravidão.

Catequese do Papa Bento XVI: Quaresma (2006)

Na manhã da Quarta-feira de Cinzas de 2006, há cerca de 20 anos, o Papa Bento XVI (†2022) proferiu uma Catequese sobre a Quaresma que repropomos a seguir:

Papa Bento XVI
Audiência Geral
Quarta-feira, 01 de março de 2006
A Quaresma, itinerário de reflexão e de intensa oração

Amados irmãos e irmãs,
Começa hoje, com a Liturgia da Quarta-feira de Cinzas, o itinerário quaresmal de quarenta dias que nos conduzirá ao Tríduo Pascal, memória da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, coração do mistério da nossa salvação. Este é um tempo favorável no qual a Igreja convida os cristãos a tomar consciência mais viva da obra redentora de Cristo e a viver com maior profundidade o próprio Batismo. Com efeito, neste período litúrgico o Povo de Deus, desde os primórdios, se nutre abundantemente da Palavra de Deus para se fortalecer na fé, percorrendo toda a história da criação e da redenção.


Na sua duração de quarenta dias, o Tempo da Quaresma possui uma inegável força evocativa. Com efeito, ela busca recordar alguns dos acontecimentos que marcaram a vida e a história do antigo Israel, repropondo também a nós o seu valor paradigmático: pensemos, por exemplo, nos quarenta dias do dilúvio universal, que desembocam no pacto de aliança estabelecido por Deus com Noé e, assim, com a humanidade; e nos quarenta dias de permanência de Moisés no Monte Sinai, aos quais se seguiu o dom das tábuas da Lei. O período quaresmal quer nos convidar sobretudo a reviver com Jesus os quarenta dias transcorridos por Ele no deserto, rezando e jejuando, antes de iniciar a sua missão pública. Também nós hoje empreendemos um caminho de reflexão e de oração com todos os cristãos do mundo para nos dirigirmos espiritualmente ao Calvário, meditando os mistérios centrais da fé. Assim nos prepararemos para experimentar, depois do mistério da Cruz, a alegria da Páscoa da Ressurreição.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Catequese do Papa João Paulo II: Quaresma (2001)

Há cerca de 25 anos, na manhã da Quarta-feira de Cinzas de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) proferiu uma Catequese sobre a Quaresma que repropomos a seguir:

João Paulo II
Audiência Geral
Quarta-feira, 28 de fevereiro de 2001
O caminho quaresmal

Caríssimos irmãos e irmãs,
1. Hoje não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor” (Sl 94,8).
Este convite da Liturgia ressoa na nossa alma, pois hoje, Quarta-feira de Cinzas, tem início o itinerário quaresmal. Ele nos levará ao Tríduo Pascal, memória viva da Paixão, da Morte e da Ressurreição do Senhor, coração do mistério da nossa salvação.

O santo Tempo da Quaresma, desde sempre muito sentido pelo povo cristão, evoca antigos acontecimentos bíblicos, como os quarenta dias do dilúvio universal, prelúdio do pacto da aliança feita por Deus com Noé; os quarenta anos de peregrinação de Israel no deserto rumo à Terra prometida; os quarenta dias de permanência de Moisés no Monte Sinai, onde recebeu do Senhor as Tábuas da Lei. O tempo quaresmal nos convida sobretudo a reviver com Jesus os quarenta dias que Ele passou no deserto, rezando e jejuando, antes de começar a sua missão pública, que culminará no Calvário com o sacrifício da Cruz, vitória definitiva sobre o pecado e a morte.


2. Lembra-te de que és pó e ao pó hás de voltar” (Gn 3,19).
É sempre muito eloquente o tradicional rito da imposição das cinzas, que hoje se repete, e são sugestivas as palavras que o acompanham. Na sua simplicidade, esse rito recorda a caducidade da vida terrena:  tudo passa e está destinado a morrer. Nós somos peregrinos neste mundo, viajantes que não devem esquecer a sua meta verdadeira e definitiva: o Céu. Com efeito, embora sejamos pó e destinados a voltar ao pó, todavia nem tudo termina. Criado à imagem e semelhança de Deus, o homem é destinado à vida eterna. Morrendo na Cruz, Jesus abriu a cada ser humano o caminho para ela.

Toda a Liturgia da Quarta-feira de Cinzas nos ajuda a evidenciar esta verdade fundamental de fé e nos estimula a começar um decidido itinerário de renovação pessoal. Devemos mudar nosso modo de pensar e de agir, fixando o olhar no rosto de Cristo Crucificado e fazendo do seu Evangelho a regra de vida do nosso dia-a-dia. “Convertei-vos e crede no Evangelho!” (Mc 1,15): seja este o nosso programa quaresmal, enquanto entramos em um clima de piedosa escuta do Espírito.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Dia Mundial do Enfermo em Milão (2026)

Na Arquidiocese de Milão (Itália), o 34º Dia Mundial do Enfermo, no dia 11 de fevereiro de 2026, Memória da Bem-aventurada Virgem Maria de Lourdes, foi marcado pela Missa em Rito Ambrosiano presidida pelo Arcebispo, Dom Mario Enrico Delpini, na Basílica de Nossa Senhora de Lourdes:

Procissão de entrada
"Doze Kyries"
Procissão com o Livro dos Evangelhos
Evangelho
Homilia

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Dia Mundial do Enfermo em Manila (2026)

No dia 11 de fevereiro de 2026, Memória da Bem-aventurada Virgem Maria de Lourdes, o Arcebispo de Manila (Filipinas), Cardeal Jose Fuerte Advincula celebrou a Missa na Catedral Metropolitana da Imaculada Conceição em Manila por ocasião do 34º Dia Mundial do Enfermo

Durante a Missa, com efeito, o Arcebispo administrou o Sacramento da Unção dos Enfermos a alguns fiéis assistidos pela Ordem de Malta e pelas Missionárias da Caridade.

Imagem de Nossa Senhora de Lourdes
Procissão de entrada
Incensação da imagem
Ritos iniciais
Evangelho