quinta-feira, 6 de março de 2025

Mensagem do Papa a um curso do Pontifício Instituto Litúrgico (2025)

No dia 28 de fevereiro de 2025 foi divulgada a mensagem do Papa Francisco aos participantes da segunda edição do Curso “Viver plenamente a ação litúrgica”, promovido pelo Pontifício Instituto Litúrgico (Pontifício Ateneu Santo Anselmo).

O curso, cuja primeira edição foi realizada em 2023, é voltado aos responsáveis pelas celebrações litúrgicas episcopais, particularmente aos “mestres das celebrações litúrgicas”.

Papa Francisco
Mensagem por ocasião do curso para os responsáveis pelas celebrações litúrgicas episcopais do Pontifício Ateneu Santo Anselmo
24-28 de fevereiro de 2025

Caros irmãos e irmãs, bom dia!
Saúdo o Abade Primaz e o Diretor do Pontifício Instituto Litúrgico [1], com os professores e os alunos que participaram desta segunda edição do curso para os responsáveis pelas celebrações litúrgicas episcopais. Alegra-me constatar que aceitastes novamente o convite formulado na Carta Apostólica Desiderio desideravi, continuando a estudar a Liturgia, não só na perspectiva teológica, mas também no âmbito da práxis celebrativa.

Esta dimensão toca a vida do Povo de Deus e revela-lhe sua verdadeira natureza espiritual (cf. Constituição Dogmática Lumen gentium, n. 9). Por isso o responsável pelas celebrações litúrgicas não é apenas um professor de teologia; não é um rubricista, que aplica as normas; não é um sacristão, que prepara o que é necessário para a celebração. Ele é um mestre colocado a serviço da oração da comunidade. Enquanto ensina humildemente a arte litúrgica, deve guiar todos os que celebram, marcando o ritmo ritual e acompanhando os fiéis no acontecimento sacramental.

Abside da igreja de Santo Anselmo no Aventino
(Sede do Pontifício Instituto Litúrgico)

Como mistagogo, prepara cada celebração com sabedoria para o bem da assembleia; traduz em práxis celebrativa os princípios teológicos expressos nos livros litúrgicos; acompanha e apoia o Bispo na sua função de promotor e guardião da vida litúrgica (Cerimonial dos Bispos, n. 9). Assim assistido, o pastor pode conduzir suavemente toda a comunidade diocesana na oferta de si ao Pai, à imitação de Cristo Senhor.

quarta-feira, 5 de março de 2025

Homilia do Papa João Paulo II: Quarta-feira de Cinzas (2000)

Nesta Quarta-feira de Cinzas recordamos a homilia proferida pelo Papa São João Paulo II (†2005) há 25 anos, no início da Quaresma do Grande Jubileu do Ano 2000:

Santa Missa, Bênção e Imposição das Cinzas
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica de Santa Sabina
Quarta-feira, 08 de março de 2000

1. Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito” (Sl 50,12-13).

É assim que hoje, Quarta-feira de Cinzas, reza o salmista, o Rei Davi: Rei de Israel grande e poderoso, mas ao mesmo tempo frágil e pecador. No início desses quarenta dias de preparação para a Páscoa a Igreja deposita as suas palavras nos lábios de todos aqueles que participam na austera Liturgia da Quarta-feira de Cinzas.

O Papa recebe as cinzas sobre a cabeça

“Criai em mim um coração puro... não retireis de mim o vosso Santo Espírito”. Ouviremos ecoar esta invocação no nosso coração enquanto daqui a pouco nos aproximaremos do altar do Senhor para receber, segundo uma antiquíssima tradição, as cinzas sobre a cabeça. Trata-se de um gesto rico de referências espirituais, um importante sinal de conversão e de renovação interior. Se for considerado em si mesmo, é um rito litúrgico simples e, contudo, muito profundo pelo conteúdo penitencial que exprime: com ele a Igreja recorda ao homem crente e pecador a sua fragilidade diante do mal e, sobretudo, a sua total dependência da infinita majestade de Deus.

A Liturgia prevê que o sacerdote, ao impor as cinzas sobre a cabeça dos fiéis, pronuncie as palavras: “Lembra-te de que és pó e ao pó hás de voltar” ou “Convertei-vos e crede no Evangelho”.

terça-feira, 4 de março de 2025

Mensagem do Papa: Quaresma 2025

Papa Francisco
Mensagem para a Quaresma de 2025
Caminhemos juntos na esperança

Queridos irmãos e irmãs!
Com o sinal penitencial das cinzas sobre as nossas cabeças iniciamos na fé e na esperança a peregrinação anual da Santa Quaresma. A Igreja, mãe e mestra, convida-nos a preparar os nossos corações e a abrir-nos à graça de Deus para podermos celebrar com grande alegria o triunfo pascal de Cristo, o Senhor, sobre o pecado e a morte, como exclamava São Paulo: «A morte foi tragada pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?» (1Cor 15,54-55). Realmente, Jesus Cristo, Morto e Ressuscitado, é o centro da nossa fé e a garantia da nossa esperança na grande promessa do Pai, já realizada n’Ele, seu Filho amado: a vida eterna (cf. Jo 10,28; 17,3; cf. Encíclica Dilexit nos, n. 220).

Nesta Quaresma, enriquecida pela graça do Ano Jubilar, gostaria de oferecer algumas reflexões sobre o que significa caminhar juntos na esperança e evidenciar os apelos à conversão que a misericórdia de Deus dirige a todos nós, enquanto indivíduos e comunidades.


Antes de tudo, caminhar. O lema do Jubileu - “Peregrinos de Esperança” - traz à mente a longa travessia do povo de Israel em direção à Terra Prometida, narrada no Livro do Êxodo: a difícil passagem da escravidão para a liberdade, desejada e guiada pelo Senhor, que ama o seu povo e sempre lhe é fiel. E não podemos recordar o êxodo bíblico sem pensar em tantos irmãos e irmãs que, hoje, fogem de situações de miséria e violência e vão à procura de uma vida melhor para si e para seus entes queridos. Aqui surge um primeiro apelo à conversão, porque todos nós somos peregrinos na vida, mas cada um pode se perguntar: como me deixo interpelar por esta condição? Estou realmente a caminho ou estou paralisado, estático, com medo e sem esperança, acomodado na minha zona de conforto? Busco caminhos de libertação das situações de pecado e falta de dignidade? Seria um bom exercício quaresmal confrontar-nos com a realidade concreta de algum migrante ou peregrino e deixar que ela nos interpele, para descobrir o que Deus pede de nós para sermos melhores viajantes rumo à casa do Pai. Esse é um bom “exame” para o viandante.

Ângelus: VIII Domingo do Tempo Comum - Ano C

Papa Francisco
Ângelus
Domingo, 02 de março de 2025

Amados irmãos e irmãs!
No Evangelho deste domingo (Lc 6,39-45) Jesus faz-nos refletir sobre dois dos cinco sentidos: a visão e o paladar.

Em relação à visão, pede-nos que treinemos os nossos olhos para observar bem o mundo e julgar o nosso próximo com caridade. Diz: «Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás enxergar bem para tirar o cisco do olho do teu irmão» (v. 42). Só com este olhar de cuidado, e não de condenação, a correção fraterna pode ser uma virtude. Pois se não for fraterna, não é uma correção!

Em relação ao paladar, Jesus recorda-nos que «toda árvore é reconhecida pelos seus frutos» (v. 44). E os frutos que provêm do homem são, por exemplo, as suas palavras, que amadurecem nos seus lábios, de modo que «sua boca fala do que o coração está cheio» (v. 45). Os maus frutos são as palavras violentas, falsas, vulgares; os bons frutos são as palavras justas e honestas que dão sabor aos nossos diálogos.

Então podemos nos perguntar: como olho para os outros, que são meus irmãos e irmãs? E de que modo me sinto olhado por eles? As minhas palavras têm bom sabor ou estão impregnadas de amargura e de vaidade?

A “trave” e o “cisco” no olho
(Domenico Fetti)

Fonte: Santa Sé.

segunda-feira, 3 de março de 2025

Ordenação do Bispo Auxiliar de Jerusalém (2025)

No dia 28 de fevereiro de 2025 teve lugar na igreja do Batismo do Senhor em Al-Maghtas (Jordânia), dedicada no último dia 10 de janeiro, a Santa Missa para a Ordenação Episcopal de Dom Iyad Twal, Bispo Auxiliar do Patriarcado Latino de Jerusalém e Vigário Patriarcal na Jordânia, nomeado ao mesmo tempo Bispo Titular de Siminina.

O ordenante principal foi o Cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém. Os co-ordenantes foram dois dos Bispos Auxiliares do Patriarcado: Dom William Hanna Shomali, Vigário Patriarcal na Palestina, e Dom Rafic Nahra, Vigário Patriarcal em Israel [1].

Procissão de entrada

Ritos iniciais


Catequeses do Papa Francisco: Vícios e virtudes 5

Concluindo a primeira parte das Catequeses do Papa Francisco sobre os vícios e as virtudes às portas da Quaresma deste Ano Jubilar de 2025, confira as meditações sobre os vícios da inveja, da vanglória e da soberba:

Papa Francisco
Audiência Geral
Quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024
Os vícios e as virtudes (9): A inveja e a vanglória

Estimados irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje vamos analisar dois vícios capitais que encontramos nos grandes elencos que a tradição espiritual nos deixou: a inveja e a vanglória.

Comecemos pela inveja. Se lermos a Sagrada Escritura, ela se apresenta como um dos vícios mais antigos: o ódio de Caim em relação a Abel desencadeia-se quando ele se dá conta de que os sacrifícios do seu irmão são agradáveis a Deus (cf. Gn 4). Caim era o primogênito de Adão e Eva, tinha recebido a parte mais importante da herança do pai; no entanto, é suficiente que Abel, o irmão mais novo, alcance um pequeno sucesso para que Caim se indigne. O rosto do invejoso é sempre triste: o olhar é cabisbaixo, parece que perscruta continuamente o terreno, mas na realidade não vê nada, porque a mente está mergulhada em pensamentos cheios de maldade. A inveja, se não for controlada, leva ao ódio pelo outro. Abel será morto pelas mãos de Caim, que não era capaz de suportar a felicidade do irmão.

A escolha entre os vícios e as virtudes
(Frans Francken II)

A inveja é um mal investigado não apenas no âmbito cristão: chamou a atenção de filósofos e sábios de todas as culturas. Na sua base existe uma relação de ódio e de amor: quer-se o mal do outro, mas secretamente deseja-se ser como ele. O outro é a epifania daquilo que gostaríamos de ser e que, na realidade, não somos. A sua sorte parece-nos uma injustiça: certamente - pensamos - teríamos merecido muito mais os seus sucessos ou a sua boa sorte!

sábado, 1 de março de 2025

Homilia: VIII Domingo do Tempo Comum - Ano C

Diádoco de Foticeia
Capítulos sobre a perfeição espiritual
O discernimento dos espíritos se adquire pelo paladar espiritual

O autêntico conhecimento consiste em discernir sem erro o bem do mal; quando se alcança isto, então o caminho da justiça, que conduz a alma para Deus, Sol de justiça, introduz aquela mesma alma na luz infinita do conhecimento, de modo que, doravante, vai segura após a caridade.

Convém que, embora no meio de nossas lutas, conservemos a paz do espírito, para que a mente possa discernir os pensamentos que a atacam, guardando na dispensa da memória aqueles que são bons e possuem sua origem em Deus e lançando desse depósito natural aqueles que são maus e procedem do demônio. O mar, quando está calmo, permite aos pescadores enxergar até o fundo e descobrir onde se encontram os peixes; mas, quando está agitado, fica turvado e impede essa visibilidade, tornando inúteis todos os recursos dos quais os pescadores se utilizam.

Somente o Espírito Santo pode purificar o nosso espírito. Se Ele não entra, como o mais forte do Evangelho, para vencer o ladrão, nunca lhe poderemos arrebatar a presa. Convém, portanto, que em toda ocasião o Espírito Santo se encontre à vontade em nossa alma pacificada, e assim teremos sempre acesa em nós a luz do conhecimento; se ela sempre brilha em nosso interior, não somente serão reveladas as influências nefastas e tenebrosas do demônio, mas também se debilitarão enormemente ao serem surpreendidas por aquela luz santa e gloriosa.

Por isso diz o Apóstolo: Não extingais o Espírito, isto é, não o entristeçais com as vossas más obras e pensamentos, não aconteça que deixe de vos auxiliar com a sua luz. Não é que nós possamos extinguir o que existe de eterno e vivificante no Espírito Santo, mas sim que podemos contristá-lo, ou seja, ao ocasionar este distanciamento entre Ele e nós, nossa alma fica privada de sua luz e envolvida em trevas.

A sensibilidade do espírito consiste em um “paladar apurado”, que nos dá o verdadeiro discernimento. Da mesma forma que, pelo sentido corporal do paladar, quando desfrutamos de boa saúde, apetece-nos aquilo que é agradável, discernindo sem erro o bom do mau, assim também nosso espírito, desde o momento em que começa a possuir plena saúde e a prescindir de preocupações inúteis, torna-se capaz de experimentar a abundância da consolação divina e de reter em sua memória a lembrança de seu sabor, por obra da caridade, para distinguir e ficar com o melhor, conforme o que diz o Apóstolo: Esta é a minha oração: que vosso amor continue crescendo mais e mais em compreensão e em sensibilidade para apreciar os valores.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 646-647. Para adquiri-lo no site da Editora Vozes, clique aqui.

Confira também uma homilia de São Cirilo de Alexandria para este domingo clicando aqui.