sábado, 9 de abril de 2022

Comemoração das Dores de Maria em Jerusalém

Como vimos em nossa postagem sobre a devoção às dores e às alegrias da Virgem Maria, embora a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II tenha priorizado o dia 15 de setembro como Memória de Nossa Senhora das Dores, em alguns lugares conserva-se também uma comemoração das Dores de Maria na sexta-feira da V semana da Quaresma.

É o caso da Cidade Santa, isto é, Jerusalém. Assim, no último dia 08 de abril, como de costume, o Vigário da Custódia Franciscana da Terra Santa, Padre Dobromir Jasztal, celebrou a Santa Missa no pequeno altar dedicado a Nossa Senhora das Dores junto ao Calvário, na Basílica do Santo Sepulcro:

Para saber mais sobre a Basílica do Santo Sepulcro, clique aqui.

Altar de Nossa Senhora das Dores junto ao Calvário
Liturgia da Palavra

Homilia
Oração Eucarística

Cardeal Cantalamessa: V Pregação de Quaresma 2022

Confira a quinta e última meditação do Cardeal Raniero Cantalamessa, OFMCap, Pregador da Casa Pontifícia, para a Quaresma deste ano de 2022:

Cardeal Raniero Cantalamessa, OFMCap
V pregação de Quaresma
08 de abril de 2022

Uma catequese mistagógica sobre a Eucaristia:
“Dei-vos o exemplo”

A nossa meditação de hoje parte de uma pergunta: por que João, na narrativa da última ceia, não fala da instituição da Eucaristia, mas em seu lugar fala, ao invés, do lava-pés? Justamente ele, que tinha dedicado um capítulo inteiro do seu Evangelho ao discurso de Jesus para preparar os discípulos a comer a sua Carne e beber o seu Sangue?
O motivo é que em tudo o que se refere à Páscoa e à Eucaristia, João mostra querer enfatizar mais o evento do que o sacramento, isto é, mais o significado do que o sinal. Para ele, a nova Páscoa não começa tanto no Cenáculo, quando se institui o rito que deve comemorá-la (sabe-se que a última ceia de João não é uma ceia “pascal”); começa mais sobre a cruz, quando se cumpre o fato que deve ser comemorado. É ali que acontece a passagem da Páscoa antiga à nova. Por isso, ele enfatiza que a Jesus na cruz “não foi quebrado nenhum osso”: porque assim era prescrito para o cordeiro pascal no Êxodo (Jo 19,36; Ex 12,46).


O significado do lava-pés

É importante compreender bem o significado que tem para João o gesto do lava-pés. A recente Constituição Apostólica Praedicate Evangelium o menciona no Preâmbulo, como o próprio ícone do serviço que deve caracterizar todo o trabalho da Cúria Romana. Ajuda-nos a entender como pode se fazer, da vida, uma Eucaristia e, assim “imitar na vida o que se celebra sobre o altar”. Estamos diante de um daqueles episódios (outro é o episódio da abertura do lado), em que o evangelista deixa entender claramente que subjaz um mistério que vai além do fato contingente que poderia, em si mesmo, parecer negligenciável.
“Eu - diz Jesus - dei-vos o exemplo”. Do que Ele nos deu o exemplo? De como se deve lavar concretamente os pés aos irmãos, cada vez que nos pomos à mesa? Certamente não apenas disso! A resposta está no Evangelho: “Quem quiser ser o maior, no meio de vós, seja aquele que vos serve, e quem quiser ser o primeiro, no meio de vós, seja o servo de todos; pois o Filho de Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por muitos” (Mc 10,43-45).
No Evangelho de Lucas, justamente no contexto da última ceia, é referida uma palavra de Jesus que parece pronunciada na conclusão do lava-pés: “Afinal, quem é o maior: o que está à mesa, ou o que está servindo? Não é aquele que está à mesa? Eu, porém, estou no meio de vós como aquele que serve” (Lc 22,27). Segundo o evangelista, Jesus disse estas palavras porque tinha surgido entre os discípulos uma discussão sobre quem dentre eles podia ser considerado o maior (cf. Lc 22,24). Talvez foi justamente esta circunstância que tenha inspirado a Jesus o gesto do lava-pés, como uma espécie de parábola em ação. Enquanto os discípulos estão todos propensos a discutir animadamente entre si, ele se levanta silenciosamente da mesa, buscou uma bacia e uma toalha, depois volta e se ajoelha diante de Pedro para lhe lavar os pés, deixando-o, compreensivelmente, na maior confusão: “Senhor, tu me lavas os pés?” (Jo 13,6).
No lava-pés, era como se Jesus quisesse resumir todo o sentido da sua vida, para que permanecesse bem impresso na memória dos discípulos e, um dia, quando pudessem entender, entendessem: “Agora não entendes o que eu faço; mais tarde o compreenderás” (Jo 13,7). Aquele gesto, posto como conclusão dos Evangelhos, diz-nos que toda a vida de Jesus, do início ao fim, foi um lava-pés, isto é, um servir aos homens. Esse, como dizem alguns exegetas, foi uma pró-existência, isto é, uma existência vivida em favor dos outros.

sexta-feira, 8 de abril de 2022

Festa da Anunciação do Senhor em Kiev

O calendário juliano - utilizado pela maioria das Igrejas Orientais, tanto Católicas quanto Ortodoxas - possui 13 dias de diferença em relação ao calendário gregoriano.

Assim, no último dia 07 de abril (25 de março no calendário juliano) o Arcebispo-Maior da Igreja Greco-Católica Ucraniana, Dom Sviatoslav Shevchuk (Святосла́в Шевчу́к), celebrou a Divina Liturgia da Festa da Anunciação do Senhor na Catedral da Ressurreição em Kiev:

Ícone da festa exposto à veneração dos fiéis
Para conhecer o simbolismo desse ícone, clique aqui.
Evangelho
Homilia


quinta-feira, 7 de abril de 2022

Missas nos lugares da Paixão em Jerusalém

Nas quartas-feiras do Tempo da Quaresma, a partir da II semana, a Custódia Franciscana da Terra Santa promove uma série de celebrações em quatro lugares associados à Paixão do Senhor em Jerusalém.

Em cada santuário é celebrada a "Missa votiva do lugar" (note-se o uso dos paramentos vermelhos, cor dos ofícios da Paixão), unida à oração das Vésperas (oração da tarde da Liturgia das Horas).

Neste ano de 2022 as celebrações tiveram lugar nos dias 16, 23 e 20 de março e 06 de abril:

16 de março: Santuário de Dominus flevit


Procissão de entrada
Salmodia das Vésperas

23 de março: Basílica do Getsêmani


Catequese do Papa: A viagem a Malta

Papa Francisco
Audiência Geral
Quarta-feira, 06 de abril de 2022

Estimados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
No sábado e domingo passados fui a Malta: uma Viagem Apostólica que estava planejada já há algum tempo: foi adiada há dois anos, devido à Covid e às suas consequências. Poucas pessoas sabem que Malta, embora sendo uma ilha no meio do Mediterrâneo, recebeu o Evangelho muito cedo. Por quê? Porque o Apóstolo Paulo naufragou perto do seu litoral e milagrosamente salvou-se, ele mesmo e todos os que estavam no barco, mais de duzentas e setenta pessoas. O livro dos Atos dos Apóstolos relata que os malteses acolheram todos, mencionando esta expressão: «com rara humanidade» (At 28,2). Isto é importante, não nos esqueçamos: “com rara humanidade”. Escolhi precisamente estas palavras, com rara humanidade, como lema da minha Viagem, pois indicam o caminho a seguir não só para enfrentar o fenômeno dos migrantes, mas em geral para que o mundo se torne mais fraterno, mais vivível, e se salve de um “naufrágio” que nos ameaça a todos nós que estamos - como aprendemos - no mesmo barco, todos. Malta é um lugar-chave neste horizonte.
Antes de tudo, geograficamente, devido à sua posição no centro do mar entre a Europa e a África, mas que também banha a Ásia. Malta é uma espécie de “rosa dos ventos”, onde povos e culturas se cruzam; é um ponto privilegiado a partir do qual se pode observar a área mediterrânea numa perspectiva de 360 graus. Hoje se fala frequentemente de “geopolítica”, mas infelizmente a lógica dominante é a das estratégias dos Estados mais poderosos para afirmar os seus interesses, alargando a própria área de influência econômica, ideológica ou militar: estamos vendo isto com a guerra. Malta representa, neste quadro, o direito e a força dos “pequenos”, das pequenas nações, mas ricas em história e civilização, que deveriam levar a cabo outra lógica: a do respeito e da liberdade, da convivência das diferenças, oposta à colonização dos mais poderosos. Estamos vendo isto agora. E não só de uma parte: também de outras... Após a Segunda Guerra Mundial foram feitas tentativas para lançar as bases de uma nova história de paz, mas infelizmente - não aprendemos - a velha história de grandes potências concorrentes continuou. E, na atual guerra na Ucrânia, estamos testemunhando a impotência da Organização das Nações Unidas.
Segundo aspecto: Malta é um lugar-chave no que diz respeito ao fenômeno das migrações. No Centro de acolhimento João XXIII encontrei-me com muitos migrantes que chegaram à ilha após terríveis viagens. Não devemos nos cansar de ouvir os seus testemunhos, porque esta é a única forma de escapar à visão deturpada que frequentemente circula nos meios de comunicação e de reconhecer os seus rostos, as histórias, feridas, sonhos e esperanças destes migrantes. Cada migrante é único: não é um número, é uma pessoa; é único como cada um de nós. Cada migrante é uma pessoa com a própria dignidade, raízes e cultura. Cada um deles é portador de uma riqueza infinitamente maior do que os problemas que comporta. E não nos esqueçamos que a Europa foi feita pelas migrações.
Evidentemente, o acolhimento deve ser organizado - isto é verdade - deve ser governado, e antes, muito antes, deve ser planejado juntos, a nível internacional. Pois o fenômeno migratório não pode ser reduzido a uma emergência, é um sinal dos nossos tempos. E como tal deve ser lido e interpretado. Pode tornar-se um sinal de conflito ou um sinal de paz. Depende do modo como o consideramos, depende de nós. Aqueles que deram vida ao Centro João XXIII em Malta fizeram a escolha cristã e por isso chamaram-no “Peace Lab”: laboratório de paz. Mas gostaria de dizer que Malta no seu conjunto é um laboratório de paz!  Toda a nação, com a sua atitude, com a própria atitude, é um laboratório de paz. E pode cumprir esta missão se for buscar às suas raízes a seiva da fraternidade, da compaixão e da solidariedade. O povo maltês recebeu estes valores juntamente com o Evangelho, e graças ao Evangelho eles serão capazes de mantê-los vivos.
Por isso, como Bispo de Roma, fui confirmar aquele povo na fé e na comunhão. De fato - terceiro aspecto - Malta é um lugar-chave também do ponto de vista da evangelização. De Malta e Gozo, as duas Dioceses do país, muitos sacerdotes e religiosos, bem como fiéis leigos, partiram, dando testemunho cristão em todo o mundo. Como se a passagem de São Paulo tivesse deixado a missão no DNA dos malteses! Por conseguinte, a minha visita foi, antes de tudo, um ato de gratidão, gratidão a Deus e ao seu santo povo fiel que está em Malta e Gozo.
Contudo, também lá sopra o vento do secularismo e da pseudocultura globalizada do consumismo, do neocapitalismo e do relativismo. Também lá, portanto, é tempo de nova evangelização. A visita que, como os meus Predecessores, realizei à Gruta de São Paulo, foi como beber da fonte, para que o Evangelho possa jorrar em Malta com o vigor das suas origens e reavivar o seu grande patrimônio de religiosidade popular. Isto é simbolizado pelo Santuário Nacional de Nossa Senhora de Ta' Pinu, na ilha de Gozo, onde celebramos um intenso encontro de oração. Lá senti palpitar o coração do povo maltês, que tem tanta confiança na sua Santa Mãe. Maria reconduz-nos sempre ao essencial, a Cristo Crucificado e Ressuscitado, e isto é para nós, ao seu amor misericordioso. Maria ajuda-nos a reavivar a chama da fé, atraindo o fogo do Espírito Santo, que anima o jubiloso anúncio do Evangelho de geração em geração, pois a alegria da Igreja é evangelizar! Não esqueçamos aquela frase de São Paulo VI: a vocação da Igreja é evangelizar; a alegria da Igreja é evangelizar. Não a esqueçamos, porque é a definição mais bonita da Igreja.
Aproveito este ensejo para renovar os meus agradecimentos ao Senhor Presidente da República de Malta, tão gentil e irmão: obrigado a ele e à sua família; ao Senhor Primeiro-Ministro e às demais autoridades civis, que me acolheram com tanta gentileza; assim como aos Bispos e a todos os membros da comunidade eclesial, aos voluntários e a quantos me acompanharam com a oração. Não quero deixar de mencionar o Centro de acolhimento para os migrantes João XXIII: lá aquele frade franciscano que o leva em frente, Padre Dionísio Mintoff, tem 91 anos e continua a trabalhar assim, com a ajuda dos colaboradores da Diocese. É um exemplo de zelo apostólico e de amor aos migrantes, que hoje é tão necessário. Nós, com esta visita, semeamos, mas é o Senhor que faz crescer. Que a sua infinita bondade conceda abundantes frutos de paz e bem ao querido povo maltês! Obrigado a este povo maltês pelo seu acolhimento tão humano, tão cristão. Muito obrigado.


Fonte: Santa Sé.

quarta-feira, 6 de abril de 2022

Dom Henrique Soares da Costa: Paixão segundo Lucas 17-18

“Em verdade Eu te digo: ainda hoje estarás Comigo no Paraíso” (Lc 23,43).

Dom Henrique Soares da Costa
Quaresma 2019
A Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo segundo Lucas

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Paixão segundo Lucas XVII: Lc 23,39-43

Um dos malfeitores crucificados O insultava, dizendo: “Tu não és o Cristo? Salva-Te a Ti mesmo e a nós!” Mas o outro o repreendeu, dizendo: “Nem sequer temes a Deus, Tu que sofres a mesma condenação? Para nós, é justo, porque estamos recebendo o que merecemos; mas Ele não fez nada de mal”. E acrescentou: “Jesus, lembra-Te de mim, quando entrares no Teu Reinado”. Jesus lhe respondeu: “Em verdade Eu te digo: ainda hoje estarás Comigo no Paraíso” (Lc 23,39-43).

Ladrão esperto, que rouba até à última hora: rouba o Coração de Cristo, rouba o Reino dos Céus! Primeiro, reconhece-se pecador: não procura mascarar seu crime. Sabe que Jesus é inocente, reconhece que Jesus não fez nada de mal. Depois, confessa seu pecado: “Estamos recebendo o que merecemos!” E, exatamente da consciência do próprio pecado, nasce o bendito e humilde pedido de misericórdia: “Jesus, lembra-Te de mim, quando entrares no Teu Reinado”. Escuta, então, as palavras mais consoladoras que alguém poderia ouvir na hora da morte: “Ainda hoje estarás Comigo no Paraíso!” Hoje estarás Comigo e, onde Eu estiver, aí está o teu paraíso, a alegria sem fim! Estar com Jesus, d’Ele não se separar nem na vida nem na morte: eis a maior esperança e a maior honra para o cristão!

Crucificação - Duccio di Buoninsegna

- Senhor, que na hora de minha morte, naquela hora tremenda, de solidão total, eu possa também ouvir estas palavras: “Ainda hoje, estarás Comigo, pois que nem a vida nem a morte podem separar-te do Meu amor!” Mas, para isso, eu Te peço humildemente: “Jesus, lembra-Te de mim quando vieres no Teu Reino!”.

Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos, porque pela Vossa santa Cruz remistes o mundo!

terça-feira, 5 de abril de 2022

Fotos da Missa do Papa em Malta

No último domingo, dia 03 de abril de 2022, o Papa Francisco celebrou a Santa Missa do V Domingo da Quaresma (ano C) no Largo dei Granai na cidade de Floriana, no contexto da sua Viagem Apostólica a Malta.

O Santo Padre foi assistido pelos Monsenhores Diego Giovanni Ravelli e Cristiano Antonietti. Para acessar o Missal para a Viagem Apostólica, clique aqui.

Incensação da imagem de Nossa Senhora
Incensação do altar
Ritos iniciais

Leituras