segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

As Antífonas do Ó

“O Espírito e a Esposa dizem: Amém! Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22,17.20).

Os dias 17 a 24 de dezembro formam, dentro do Tempo do Advento, o período de preparação próxima para o Natal do Senhor. Assim, de 17 a 23 de dezembro somos convidados a recitar as Antífonas maiores do Advento ou Antífonas do Ó.

Confira nossa postagem sobre a história do Tempo do Advento clicando aqui.

Essas antífonas são aclamações a Cristo precedidas pelo vocativo “Ó”, de onde o seu nome: Ó Sabedoria, Ó Emanuel... Constituem um admirável resumo da teologia do Advento, expressando o desejo pela vinda de Cristo, invocado com diversos títulos messiânicos do Antigo Testamento.


A origem das Antífonas do Ó

Uma antífona é um “refrão”, isto é, uma frase tomada da Sagrada Escritura ou da tradição da Igreja, que é entoada antes e depois de um salmo ou outro cântico bíblico ou mesmo entre cada estrofe [1].

As Antífonas do Ó, que provavelmente surgiram em Roma entre os séculos VII e VIII, são um conjunto de sete antífonas entoadas antes e depois do cântico evangélico das Vésperas (oração da tarde da Liturgia das Horas), o Magnificat (Lc 1,46-55), de 17 a 23 de dezembro (uma vez que no dia 24 rezam-se já as I Vésperas do Natal): O Sapientia, O Adonai, O Radix Jesse, O Clavis David, O Oriens, O Rex Gentium, O Emmanuel.

Quando as antífonas se difundiram em outras regiões do Ocidente, como Inglaterra ou França, seu número aumentou, chegando a oito, nove ou mesmo doze. Por exemplo, em algumas Dioceses da França as antífonas costumavam ser nove, entoadas durante a novena de Natal, acompanhando o Magnificat e a solene incensação do altar [2].


A unidade das sete antífonas originais é dada pelo acróstico: se tomamos a primeira letra de cada antífona na ordem inversa encontramos a expressão latina “ERO CRAS” (Emmanuel, Rex, Oriens, Clavis, Radix, Adonai e Sapientia), que significa “Virei amanhã” ou “Estarei amanhã”. O acróstico é como que a resposta de Cristo à insistente súplica da Igreja ao longo das antífonas: “Vinde!”.

Além do acróstico, todas as sete antífonas são dirigidas a Cristo. Em contrapartida, as antífonas que foram acrescentadas em outras regiões eram dirigidas tanto a Cristo (“O Rex Pacifice”, “O Sancte sanctorum” e “O pastor Israel”) quanto à Virgem Maria (“O Virgo virginum” e “O mundi Domina”), ao Arcanjo Gabriel (“O Gabriel, nuntius coelorum”) e mesmo à cidade de Jerusalém (“O Hierusalem”).

A Virgem Maria, com efeito, permanece ligada às Antífonas do Ó: Nossa Senhora da Expectação (ou da Expectativa) do Parto, isto é, Nossa Senhora grávida, celebrada no dia 18 de dezembro, também é chamada de Nossa Senhora do Ó, em referência às célebres antífonas.

Nossa Senhora do Ó (Sabará - MG)

Em língua inglesa, por sua vez, as sete antífonas originais se popularizaram no século XIX após a publicação de uma paráfrase pelo reverendo anglicano John Mason Neale (†1866). Trata-se da canção “O come, o come, Emmanuel” (ou, em latim, “Veni, veni, Emmanuel”).


As Antífonas do Ó hoje

Na Liturgia das Horas reformada pelo Concílio Vaticano II, as Antífonas do Ó são propostas como antífonas do cântico evangélico das Vésperas, o Magnificat (Lc 1,46-55), dos dias 17 a 23 de dezembro. Mesmo no IV Domingo do Advento, que cai sempre nesses dias, recita-se a respectiva Antífona do Ó, tal a sua importância.

Além da Liturgia das Horas, uma versão mais breve das antífonas é proposta como versículo de aclamação ao Evangelho para a Missa desses dias, junto ao “Aleluia”, porém em uma ordem ligeiramente distinta.

Painéis com as Antífonas do Ó
(Catedral de Jacarta, Indonésia)

A seguir publicamos o texto das Antífonas do Ó, em seu original em latim e em sua tradução oficial para o português do Brasil presente na Liturgia das Horas [3]:

17 de dezembro: Ó Sabedoria

O Sapientia, quae ex ore Altissimi prodiisti,
attingens a fine usque ad finem,
fortiter suaviterque disponens omnia:
veni ad docendum nos viam prudentiae.

Ó Sabedoria, que saístes da boca do Altíssimo,
e atingis os confins de todo o universo
e com força e suavidade governais o mundo inteiro:
Ó vinde ensinar-nos o caminho da prudência!



18 de dezembro: Ó Adonai

A novena de Natal

“Completaram-se os dias para o parto, e Maria deu à luz o seu filho” (Lc 2,6-7).

Dentre as práticas de piedade popular do Tempo do Advento, uma das mais difundidas entre os fiéis é a novena de Natal. Através desta novena, os cristãos prepararam-se durante nove dias para celebrar dignamente o nascimento do Senhor.

Confira nossa postagem sobre a história do Tempo do Advento clicando aqui.

Ícone do Natal do Senhor na Basílica da Natividade em Belém
(Para conhecer o simbolismo desse ícone, clique aqui)

1. História da novena de Natal

O simbolismo da novena

A prática devocional da novena, como indica seu próprio nome, está diretamente ligada ao simbolismo do número “nove”. Na tradição cristã esse número é associado à Santíssima Trindade (3x3), aos coros dos anjos, à morte de Cristo na “hora nona” (cf. Mt 27,45-50 e paralelos), à ascensão da alma para o céu (como na Divina Comédia de Dante Alighieri) [1].

Na Sagrada Escritura, encontramos a “primeira novena” entre a Ascensão e o Pentecostes: a Igreja, nascida do lado aberto de Cristo na cruz (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 766), isto é, os Apóstolos “junto com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus” (cf. At 1,14), permaneceram em oração no Cenáculo durante nove dias, aguardando a vinda do Espírito Santo [2].

A Novena de Natal, porém, encontra suas raízes em um significado mais “natural” do número nove: a gestação humana. A Virgem Maria, com efeito, celebrou de certa forma a “primeira novena de Natal” durante os noves meses da gravidez, entre a Anunciação (Lc 1,26-38) e o nascimento do Senhor em Belém (Lc 2,1-20)

Maria viveu essa “novena de Natal” ao mesmo tempo na contemplação, “meditando no coração” (cf. Lc 2,19.51) e na missão, levando o anúncio da salvação gestada em seu ventre, como “arca da nova aliança”, a Isabel e João Batista (Lc 1,39-56). Essas duas atitudes, como veremos, devem nortear também a nossa novena de Natal.


A origem da novena de Natal

A celebração do Natal do Senhor no dia 25 de dezembro foi instituída no Ocidente no início do século IV, enquanto a festa da Anunciação nove meses antes, no dia 25 de março, foi acolhida no final do século VII.

Catequese do Papa: Deus revela seu desígnio

Papa Bento XVI
Audiência Geral
Quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Ano da Fé (8): Deus revela o seu "desígnio de benevolência"

Queridos irmãos e irmãs,
No início da sua Carta aos cristãos de Éfeso (cf. 1,3-14), o Apóstolo Paulo eleva uma prece de bênção a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos introduz na vivência do tempo de Advento, no contexto do Ano da fé. O tema deste hino de louvor é o projeto de Deus a respeito do homem, definido com termos repletos de alegria, de enlevo e de ação de graças, como um «desígnio de benevolência» (v. 9), de misericórdia e de amor.
Por que motivo o Apóstolo eleva a Deus, do profundo do seu coração, esta bênção? Porque vê o seu agir na história da salvação, culminado na encarnação, morte e ressurreição de Jesus, e contempla como o Pai celeste nos escolheu ainda antes da criação do mundo, para sermos seus filhos adoptivos. No seu Filho Unigênito, Jesus Cristo (cf. Rm 8,14s; Gl 4,4s). Nós existimos desde a eternidade na mente de Deus, num grande desígnio que Deus conservou em si mesmo e que decidiu pôr em prática e revelar «na plenitude dos tempos» (cf. Ef 1,10). Por conseguinte, São Paulo faz-nos compreender como toda a criação e, de modo particular, o homem e a mulher, não são fruto do acaso, mas correspondem a um desígnio de benevolência da razão eterna de Deus que, com o poder criador e redentor da sua Palavra, dá origem ao mundo. Esta primeira afirmação recorda-nos que a nossa vocação não consiste simplesmente em existir no mundo, em sermos inseridos numa história, e nem sequer apenas em sermos criaturas de Deus; é algo ainda maior: é o facto de termos sido escolhidos por Deus, ainda antes da criação do mundo, no seu Filho Jesus Cristo. Portanto nele nós existimos - por assim dizer - desde sempre. Deus contempla-nos em Cristo, como filhos adoptivos. O «desígnio de benevolência» de Deus, que é qualificado pelo Apóstolo como «desígnio de amor» (Ef 1,5), é definido «o mistério» da vontade divina (cf. v. 9), escondido e agora manifestado na Pessoa e na obra de Jesus Cristo. A iniciativa divina precede toda a resposta humana: trata-se de um dom gratuito do seu amor, que nos envolve e nos transforma.
Mas qual é a finalidade derradeira deste desígnio misterioso? Qual é o centro da vontade de Deus? É aquele - diz-nos São Paulo - de «reconduzir a Cristo, única Cabeça, todas as coisas» (v. 10). Nesta expressão nós encontramos uma das formulações fulcrais do Novo Testamento, que nos fazem compreender o desígnio de Deus, o seu projeto de amor pela humanidade inteira, uma formulação que, no século II, Santo Irineu de Lião inseriu como núcleo da sua cristologia: «recapitular» toda a realidade em Cristo. Talvez alguns de vós se recordem da fórmula utilizada pelo Papa São Pio X, para a consagração do mundo ao Sagrado Coração de Jesus: «Instaurare omnia in Christo», fórmula que se inspira nesta expressão paulina e que era também o lema daquele santo Pontífice. No entanto, o Apóstolo fala mais precisamente de recapitulação do universo em Cristo, e isto significa que no grande desígnio da criação e da história, Jesus Cristo eleva-se como centro de todo o caminho do mundo, eixo principal de tudo, que atrai a si toda a realidade, para superar a dispersão e o limite, e reconduzir tudo à plenitude desejada por Deus (cf. Ef 1,23).
Este «desígnio de benevolência» não permaneceu, por assim dizer, no silêncio de Deus, na altura do seu Céu, mas fê-lo conhecer entrando em relação com o homem, ao qual não revelou apenas algo, mas revelou-se a si mesmo. Ele não comunicou simplesmente um conjunto de verdades, mas comunicou-se a si mesmo, a ponto de se fazer um de nós, até se encarnar. O Concílio Ecuménico Vaticano II na Constituição Dogmática Dei Verbum diz: «Aprouve a Deus, na sua bondade e sabedoria, revelar-se a si mesmo [não apenas a algum aspecto de si, mas a Ele próprio] e dar a conhecer o mistério da sua vontade (cf. Ef 1,9), segundo o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e tornam-se participantes da natureza divina» (n. 2). Deus não só diz algo, mas comunica-se a si mesmo, atrai-nos na natureza divina, de tal modo que nós somos envolvidos nela, que somos divinizados. Deus revela o seu grande desígnio de amor, entrando em relação com o homem, aproximando-se dele a ponto de se fazer Ele mesmo homem. O Concílio acrescenta: «Deus invisível... na riqueza do seu amor fala aos homens como a amigos (cf. Ex 33,11; Jo 15,14-15) e convive com eles (cf. Br 3,38) para os convidar e admitir à comunhão com Ele» (ibidem). Unicamente com a sua inteligência e com as suas capacidades, o homem não teria podido alcançar esta revelação tão luminosa do amor de Deus; foi Deus que abriu o seu Céu e se humilhou para orientar o homem rumo ao abismo do seu amor.
São Paulo escreve ainda aos cristãos de Corinto: «Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou... tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que O amam. Todavia, Deus no-las revelou pelo seu Espírito, porque o Espírito penetra tudo, mesmo as profundezas de Deus» (1Cor 2,9-10). E são João Crisóstomo, numa célebre página de comentário do início da Carta aos Efésios, convida a saborear toda a beleza deste «desígnio de benevolência» de Deus revelado em Cristo, com as seguintes palavras: «O que te falta? Tornaste-te imortal, tornaste-te livre, tornaste-te filho, tornaste-te justo, tornaste-te irmão, tornaste-te co-herdeiro; reinas com Cristo e com Cristo és glorificado. Tudo nos foi doado e - como está escrito - «como não nos dará também com Ele todas as coisas?» (Rm 8,32). As tuas primícias (cf. 1Cor 15,20.23) são adoradas pelos anjos [...]: o que é que te falta?» (PG 62, 11).
Esta comunhão em Cristo, por obra do Espírito Santo, oferecida por Deus a todos os homens com a luz da Revelação, não é algo que vem a sobrepor-se acima da nossa humanidade, mas constitui o cumprimento das aspirações mais profundas, daquele desejo de infinito e de plenitude que se abriga no íntimo do ser humano, abrindo-o a uma felicidade não momentânea nem limitada, mas eterna. São Boaventura de Bagnoregio, referindo-se a Deus que se revela e nos fala através das Sagradas Escrituras para nos conduzir a Ele, faz a seguinte afirmação: «A Sagrada Escritura é [...] o livro no qual estão escritas palavras de vida eterna para que não apenas acreditemos, mas também possuamos a vida eterna, na qual veremos, amaremos e serão realizados todos os nossos desejos» (Breviloquium, Prol.; Opera Omnia, vv. 201s.). Finalmente, o Beato Papa João Paulo II recordava que «a Revelação coloca dentro da história um ponto de referência de que o homem não pode prescindir, se quiser chegar a compreender o mistério da sua existência; mas, por outro lado, este conhecimento apela constantemente para o mistério de Deus que a mente não consegue abarcar, mas apenas receber e acolher na fé» (Encíclica Fides et ratio, 14).
Nesta perspectiva, o que é portanto o ato da fé? É a resposta do homem à Revelação de Deus, que se faz conhecer, que manifesta o seu desígnio de benevolência; é, para utilizar uma expressão agostiniana, deixar-se conquistar pela Verdade que é Deus, uma Verdade que é Amor. Por isso, são Paulo ressalta que é a Deus, que revelou o seu mistério, que se deve «a obediência da fé» (Rm 16,26; cf. 1,5; 2Cor 10,5-6), a atitude mediante a qual «o homem se entrega total e livremente a Deus, oferecendo a Deus revelador o obséquio pleno da inteligência e da vontade... e prestando voluntário assentimento à sua revelação» (Constituição Dogmática Dei Verbum, 5). Tudo isto leva a uma mudança fundamental no modo de se relacionar com toda a realidade; tudo aparece numa luz nova; por conseguinte, trata-se de uma verdadeira «conversão», pois a fé consiste numa «mudança de mentalidade», porque o Deus que se revelou em Jesus Cristo e faz conhecer o seu desígnio de amor, conquista-nos, atrai-nos e torna-se o sentido que sustém a vida, a rocha sobre a qual ela pode encontrar estabilidade. No Antigo Testamento encontramos uma densa expressão sobre a fé, que Deus confia ao profeta Isaías a fim de que a comunique ao rei de Judá, Acaz. Deus afirma: «Se não acreditardes - ou seja, se não permanecerdes fiéis a Deus - não conseguireis subsistir» (Is 7,9b). Portanto, existe um vínculo entre o estar e o compreender, que expressa bem o modo como a fé é um acolher na própria vida a visão de Deus sobre a realidade, deixar que seja Deus a orientar-nos com a sua Palavra e os seus Sacramentos para compreendermos o que devemos realizar, qual é o caminho que devemos percorrer, como havemos de viver. Mas ao mesmo tempo, é precisamente o compreender em conformidade com Deus, o ver com os seus olhos, que torna a nossa vida estável, que nos permite «permanecer de pé» e não cair.
Estimados amigos, o Advento, o tempo litúrgico ao qual há pouco demos início e que nos prepara para o Santo Natal, coloca-nos diante do mistério luminoso da vinda do Filho de Deus, do grandioso «desígnio de benevolência» com o qual Ele deseja atrair-nos a si, para nos fazer viver em plena comunhão de alegria e de paz com Ele. O Advento convida-nos mais uma vez, no meio de tantas dificuldades, a renovar a certeza de que Deus está presente: Ele entrou no mundo, fazendo-se um de nós, para levar à plenitude o seu plano de amor. E Deus pede-nos que, também nós, nos tornemos um sinal da sua obra no mundo. Através da nossa fé, da nossa esperança e da nossa caridade, Ele quer entrar no mundo sempre de novo e, sempre de novo, deseja fazer resplandecer a sua luz na nossa noite.


Fonte: Santa Sé

sábado, 15 de dezembro de 2012

O Advento segundo Guido Marini

Em novembro de 2010, o jornal italiano Avvenire entrevistou Monsenhor Guido Marini, Mestre das Celebrações Litúrgicas do Santo Padre, sobre o sentido do tempo do Advento. Segue nossa tradução do original italiano, publicado no site da Santa Sé:


Qual é o significado do Advento?
O Advento é o tempo da espera. Da espera que faz referência a uma vinda, que é a vinda do Senhor Jesus, o Filho de Deus, o único Salvador do mundo. O povo cristão, neste tempo forte do ano litúrgico, vive a própria fé renovando a consciência alegre de uma tríplice vinda do Senhor, aquela de que falaram também os Padres da Igreja.
Uma primeira vinda, da qual fazemos grata memória, é aquela do Filho de Deus na história dos homens, no momento da Encarnação. Uma segunda vinda é aquela que se realiza no hoje da vida, e que é incessante. Esta toma forma em uma multiplicidade de modos, a começar da Eucaristia, presença real do Senhor em meio aos seus, e continuando com os sacramentos, a Palavra da Divina Escritura, os irmãos, especialmente se pequenos e necessitados. Uma terceira vinda, a aguardar na esperança, é aquela que se realizará no fim dos tempos, quando o Senhor retornará na glória e tudo será renovado n’Ele.
Igualmente, no tempo do Advento o povo cristão é chamado a renovar a consciência que a sua vida é toda contida no mistério de Cristo, Aquele que era, que é e que vem. Também por isto, o Advento é um tempo marcadamente “mariano”. A Santíssima Virgem é aquela que de modo único e irrepetível viveu na espera do Filho de Deus, é aquela que de modo singular é toda contida no mistério de Cristo.

De que modo os simples fiéis e as comunidades cristãs podem ajudar-se a viver melhor este momento forte do tempo litúrgico da Igreja?
Entrando neste tempo com uma atitude interior de quem se prepara para viver um período de conversão e de renovação, orientando decididamente a própria vida ao Senhor Jesus.
A Igreja, com o ano litúrgico, oferece periodicamente a graça de viver momentos espiritualmente fortes, ocasiões propícias para retornar com entusiasmo ao caminho para a santidade. No Advento tal entusiasmo possui um sentido singular, que é aquele da alegria. A alegria ao pensar que o Senhor já se mostrou no seu rosto de amor misericordioso e inimaginável. A alegria ao pensar que o Senhor é nosso contemporâneo e está próximo a nós hoje, no presente da nossa existência, no cotidiano simples das nossas jornadas. A alegria ao pensar que o futuro não está envolto na obscuridade, mas resplandece da luz do Céu de Deus em Cristo.
Todo isto transforma a experiência de vida em virtude de um caminho pessoal e comunitário de conversão, realizado por uma mais intensa e prolongada oração, de alguma forma penitencial e do distanciamento da mentalidade do século presente, de uma caridade mais generosa e autenticamente cristã.

Quais são as características das celebrações neste período?
A liturgia, através dos ritos e das orações, conduz à participação ativa do mistério celebrado. Portanto, nas celebrações do tempo do Advento, deve transmitir o senso da espera típico do Advento. Deve fazê-lo com suas orações, com seu canto, com seu silêncio, com suas cores e com suas luzes. Em tudo deve fazer presente o mistério do Senhor que vem, Ele que é o Princípio e o Fim da história; em tudo deve-se perceber de algum modo tocável a alegria verdadeira e sóbria da fé; em tudo deve transparecer o empenho para a mudança do coração e da mente a uma pertença mais radical a Deus.

E quais as particularidades da liturgia pontifícia?
Ainda que em um contexto específico, aquele devido à presença do Santo Padre, as liturgias pontifícias não podem deixar de apresentar as características típicas deste tempo do ano. Com uma nota a mais: a exemplaridade. Porque não se pode esquecer que as celebrações presididas pelo Papa são chamadas a ser ponto de referência para a Igreja inteira. É o Papa o Sumo Pontífice, o grande liturgo na Igreja, aquele que, também através das celebrações, exercita um verdadeiro e próprio magistério litúrgico ao qual todos devem convergir.

Este ano em particular a liturgia das Primeiras Vésperas do Advento foi inserida em uma “Vigília pela vida nascente”. Qual é o significado desta particular “combinação”?
Trata-se de uma combinação que está se revelando feliz. A iniciativa de uma “Vigília pela vida nascente”, promovida pelo Pontifício Conselho para a Família, vem desta forma inserir-se na celebração do início do Advento, um tempo muito propício para recordar o tema da vida. O Advento é o tempo da espera de Maria, que trazia no seio o Verbo de Deus feito carne. O Advento é a espera da verdadeira Vida, aquela que se manifestou no Filho de Deus feito homem, plenitude e cumprimento do desígnio de Deus para a humanidade. Naquela Vida, surgida em Belém, encontrou-se um significado novo e definitivo à dignidade de cada vida humana encontrou significado novo e definitivo. Assim, verdadeiramente, rezar pela vida nascente, no contexto das Primeiras Vésperas do início do ano litúrgico, resulta significativo e providencial.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

I Domingo do Advento em Frederico Westphalen

Dom Antônio Carlos Rossi Keller, Bispo Diocesano de Frederico Westphalen (RS,) presidiu no último dia 02 de dezembro a Missa do I Domingo do Advento na Catedral Diocesana Santo Antônio. 

Seguem algumas fotos, do perfil no Facebook do Seminarista Maurício Moskva:

Cálice coberto com o véu
Ritos iniciais

Oração do dia
Durante as leituras

Fotos das I Vésperas do Advento

Santo Padre Bento XVI
Procissão de Entrada

Saudação do Cardeal Zenon Grocholewski
Hino

Homilia do Papa nas I Vésperas do Advento

I Domingo do Advento - Primeiras Vésperas
Encontro com os Universitários cos Ateneus Romanos e das Universidades Pontifícias
Homilia do Papa Bento XVI
Basílica Vaticana
Sábado, 1º de dezembro de 2012


«Aquele que vos chama é fiel» (1Ts 5,24).
Queridos amigos universitários!
As palavras do Apóstolo levam-nos a captar o verdadeiro significado do Ano litúrgico, que esta tarde começamos juntos com a recitação das Primeiras Vésperas de Advento. Todo o caminho do ano da Igreja se orienta para a descoberta e a vivência da fidelidade do Deus de Jesus Cristo que na gruta de Belém se apresentará a nós, mais uma vez, no rosto de um menino. Toda a história da salvação é um percurso de amor, de misericórdia e de benevolência: da criação à libertação do povo de Israel da escravidão do Egito, do dom da Lei no Sinai ao regresso à pátria da escravidão babilónica. O Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó foi sempre o Deus próximo, que nunca abandonou o seu povo. Várias vezes suportou a sua infidelidade e esperou com paciência a vinda, sempre na liberdade de um amor que precede e ampara o amado, atento à sua dignidade e às suas expectativas mais profundas.
Deus não se fechou no seu céu, mas inclinou-se sobre as vicissitudes do homem: um mistério grande que chega a superar qualquer expectativa possível. Deus entra no tempo do homem do modo mais impensado: fazendo-se menino e percorrendo as etapas da vida humana, para que toda a nossa existência, espírito, alma e corpo - como nos recordou São Paulo - possa conservar-se irrepreensível e ser elevada às alturas de Deus. E faz tudo isto pelo seu amor fiel pela humanidade. Quando é verdadeiro o amor tende por sua natureza para o bem do próximo, para o maior bem possível, e não se limita a respeitar simplesmente os compromissos de amizade assumidos, mas vai além, sem cálculos nem medidas. Foi precisamente isto que realizou o Deus vivo e verdadeiro, cujo mistério profundo nos é revelado nas palavras de são João: «Deus é amor» (1Jo 4,8.16). Este Deus em Jesus de Nazaré assume em si toda a humanidade, toda a história humana, e confere-lhe uma mudança nova, decisiva, rumo a um novo ser pessoa humana, caracterizado pelo ser gerado por Deus e por tender para Ele (cf. A infância de Jesus, p. 19).
Queridos jovens, ilustres Reitores e Professores, é para mim motivo de grande alegria partilhar estas reflexões convosco que aqui representais o mundo universitário romano, no qual confluem, mesmo se nas suas identidades específicas, as Universidades estatais e particulares de Roma e as Instituições pontifícias, que há muitos anos caminham juntas dando testemunho vivo de um diálogo e colaboração recíprocos entre os diversos saberes e a teologia. Saúdo e agradeço ao Cardeal Prefeito da Congregação para a Educação Católica, ao Reitor da Universidade de Roma «Foro Italico» e à vossa representante, as palavras que me dirigiram em nome de todos. Saúdo com sentida cordialidade o Cardeal Vigário e o Ministro da Educação, da Universidade e da Pesquisa, assim como as diversas autoridades académicas presentes.
Saúdo com especial afeto a vós, queridos jovens universitários dos Ateneus romanos, que renovastes a vossa profissão de fé no Túmulo do Apóstolo Pedro. Estais a viver o tempo da preparação para as grandes escolhas da vossa vida e para o serviço na Igreja e na sociedade. Esta tarde podeis experimentar que não estais sozinhos: convosco estão os professores, os capelães universitários e os animadores dos colégios. Convosco está o Papa! E, sobretudo, estais inseridos na grande comunidade académica romana, na qual é possível caminhar na oração, na pesquisa, no confronto, no testemunho do Evangelho. É um dom precioso para a vossa vida; sabei vê-lo como um sinal da fidelidade de Deus, que vos oferece ocasiões para conformar a vossa existência com a de Deus, para vos deixardes santificar por Ele até à perfeição (cf 1Ts 5,23). O ano litúrgico que iniciámos com estas Vésperas será também para vós o caminho no qual mais uma vez reviver o mistério desta fidelidade de Deus, sobre a qual estais chamados a fundar a vossa vida como sobre uma rocha firme. Celebrando e vivendo com toda a Igreja este itinerário de fé, experimentareis que Jesus Cristo é o único Senhor do cosmos e da história, sem o qual qualquer construção humana corre o risco de se tornar vã. A liturgia, vivida no seu verdadeiro espírito, é sempre a escola fundamental para viver a fé cristã, uma fé «teologal», que vos envolve em todo o vosso ser - espírito, alma e corpo - para que vos torneis pedras vivas na construção da Igreja e colaboradores da nova evangelização. De modo particular, na Eucaristia, o Deus vivo torna-se tão próximo, que se faz alimento que ampara o caminho, presença que transforma com o fogo do seu amor.
Queridos amigos, vivemos num contexto no qual com frequência encontramos a indiferença em relação a Deus. Mas penso que no fundo de quantos - também entre os vossos coetâneos - vivem a distância de Deus, há uma profunda nostalgia de infinito, de transcendência. A vós compete testemunhar nas salas universitárias o Deus próximo, que se manifesta também na busca da verdade, alma de cada compromisso intelectual. A este propósito expresso a minha satisfação e encorajamento pelo programa de pastoral universitária com o título: «O Pai viu-o de longe. O hoje do homem, o hoje de Deus», proposto pela Repartição de pastoral universitária do Vicariato de Roma. A fé é a porta que Deus abre na vossa vida para vos conduzir ao encontro com Cristo, no qual o hoje do homem se encontra com o hoje de Deus. A fé cristã não é adesão a um deus genérico e indefinido, mas ao Deus vivo que em Jesus Cristo, Verbo feito homem, entrou na nossa história e se revelou como o Redentor do homem. Crer significa confiar a própria vida Àquele que é o único que lhe pode dar plenitude no tempo e abri-la a uma esperança além do tempo.
Refletir sobre a fé, neste Ano da fé, é o convite que desejo dirigir a toda a comunidade académica de Roma. O diálogo contínuo entre as Universidades estatais ou particulares e as pontifícias deixa esperar numa presença cada vez mais significativa da Igreja no âmbito da cultura não só romana, mas italiana e internacional. As Semanas culturais e o Simpósio internacional dos professores que terá lugar em Junho próximo, serão um exemplo desta experiência, que espero se possa realizar em todas as cidades universitárias nas quais estão presentes ateneus estatais, particulares e pontifícios.
Queridos amigos, «aquele que vos chama é fiel e fará tudo isto» (1Ts 5,24); fará de vós anunciadores da sua presença. Na oração desta tarde encaminhemo-nos idealmente para a gruta de Belém a fim de saborear a verdadeira alegria do Natal: a alegria de acolher no centro da nossa vida, a exemplo da Virgem Maria e de São José, aquele Menino que nos recorda que os olhos de Deus estão abertos para o mundo e para cada homem (cf. Zc 12,4). Os olhos de Deus estão abertos para nós porque Ele é fiel ao seu amor! Só esta certeza pode guiar a humanidade para metas de paz e de prosperidade, neste momento histórico, delicado e complexo. Também a próxima Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro será para vós jovens universitários uma grande ocasião para manifestar a fecundidade histórica da fidelidade de Deus, oferecendo o vosso testemunho e o vosso compromisso pela renovação moral e social do mundo. A entrega do ícone de Maria Sedes Sapientiae à delegação universitária brasileira por parte da Capelania Universitária de Roma Tre, que este ano celebra o seu vigésimo aniversário, é um sinal deste vosso compromisso comum, jovens universitários de Roma.
A Maria, Sede da Sabedoria, confio todos vós e os vossos queridos; o estudo, o ensino, a vida dos Ateneus; especialmente o itinerário de formação e de testemunho neste Ano da fé. As lâmpadas que levareis às vossas capelanias sejam sempre alimentadas pela vossa fé humilde mas cheia de adoração, para que cada um de vós seja uma luz de esperança e de paz no ambiente universitário. Amém!


Fonte: Santa Sé