terça-feira, 10 de outubro de 2023

Artigos sobre Liturgia: Revista de Cultura Teológica 2011-2012

Em postagens anteriores aqui em nosso blog destacamos diversos artigos sobre Liturgia publicados pela Revista de Cultura Teológica, ligada ao Programa de Estudos Pós Graduados em Teologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP): 2022 (9 artigos); 2020 (3 artigos); 2016-2018 (6 artigos); 2013-2015 (5 artigos).

Dando continuidade a essa proposta de maneira retrospectiva, trazemos nesta postagem outros cinco artigos publicados na Revista de Cultura Teológica nos anos de 2011 e 2012.

Seguem os resumos dos artigos, que podem ser acessados na íntegra no site da Revista:

Elementos para uma compreensão do altar cristão
Gabriel Frade

O artigo, partindo de alguns dados ofertados pela história e pelo universo bíblico, quer oferecer uma visão sintética sobre o altar cristão. Tal visão deveria oferecer apenas alguns elementos que podem colaborar na compreensão do altar enquanto monumento, mas também enquanto símbolo sacramental de Cristo sempre presente à sua Igreja.



À espera de sua vinda: Uma leitura teológico-litúrgica do Tempo de Advento - Natal - Epifania e sua ligação com a Páscoa
Emanuel Bargellini; Gabriel Frade

O Ano Litúrgico é a celebração do Mistério de Cristo ao longo do Ano. Dentre os vários aspectos da celebração do Mistério no tempo dos homens, interessa-nos sobremaneira neste artigo evidenciar alguns elementos de caráter teológico-espiritual relativos aos chamados “tempos fortes”, em particular ao ciclo do Advento-Natal-Epifania e sua eventual relação com o coração do Ano Litúrgico: a Páscoa.


segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Ângelus: XXVII Domingo do Tempo Comum - Ano A

Papa Francisco
Ângelus
Domingo, 08 de outubro de 2023

Amados irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje o Evangelho apresenta-nos uma parábola dramática, com um epílogo triste (Mt 21,33-43). O proprietário de um terreno plantou ali uma vinha e cuidou bem dela; depois, tendo que partir, confia-a a alguns camponeses. Na altura da colheita, manda os seus servos fazer a colheita. Mas os camponeses maltratam-nos e matam-nos; depois o dono manda o seu filho, e também o matam. Por quê? O que correu mal? Há uma mensagem de Jesus nesta parábola.

O dono faz tudo bem, com amor: trabalha ele mesmo, planta a vinha, rodeia-a com uma sebe para a proteger, cava um buraco para o lagar e constrói uma torre de vigia (v. 33). Em seguida, confia a vinha a agricultores, arrendando-lhes a sua preciosa propriedade e tratando-os assim com equidade, para que a vinha seja bem cultivada e dê fruto. Tendo em conta estas premissas, a vindima deveria terminar de forma feliz, em um ambiente de festa, com uma partilha justa da colheita, para satisfação de todos.

Em vez disso, pensamentos ingratos e ávidos insinuaram-se no espírito dos agricultores. Vede que, na origem dos conflitos, há sempre pensamentos de ingratidão e de avidez, de posse imediata de coisas. “Não precisamos dar nada ao patrão. O produto do nosso trabalho é só nosso. Não temos que prestar contas a ninguém”! Assim é o discurso desses trabalhadores. E isso não é verdade: deviam estar gratos pelo que receberam e pela forma como foram tratados. Ao contrário, a ingratidão alimenta a avidez e cresce neles um progressivo sentimento de revolta, que os leva a ver a realidade de uma forma distorcida, a sentirem-se em crédito e não em dívida para com o dono que lhes deu trabalho. Quando veem o filho, chegam até a dizer: «Este é o herdeiro. Matemo-lo, e ficaremos com a sua herança»! (v. 38). E, de agricultores, tornam-se assassinos. É tudo um processo. E este processo acontece muitas vezes no coração das pessoas, também no nosso coração.

Com esta parábola, Jesus recorda-nos o que acontece quando o homem se ilude ao crer-se autossuficiente e esquece a gratidão, esquece a realidade fundamental da vida: que o bem vem da graça de Deus, que o bem vem do seu dom gratuito. Quando esquece isso, a gratuidade de Deus, acaba por viver a própria condição e a própria limitação já não com a alegria de se sentir amado e salvo, mas com a triste ilusão de não precisar nem de amor nem de salvação. Não nos deixamos amar e ficamos prisioneiros da própria avidez, prisioneiros da necessidade de ter algo mais do que os outros, de querer sobressair sobre os outros. É feio, este processo, e acontece-nos muitas vezes. Pensemos seriamente nisto. Daí nascem tantas insatisfações e recriminações, tantas incompreensões e tanta inveja; e, movidos pelo ressentimento, podemos nos precipitar no vórtice da violência. Sim, queridos irmãos e irmãs, a ingratidão gera violência, tira-nos a paz e faz-nos ouvir e falar aos gritos, sem paz, enquanto um simples “obrigado” pode trazer a paz!

Perguntemo-nos então: tenho consciência de que recebi a vida e a fé como um dom? Percebo que eu mesmo, eu mesma, sou um dom? Tenho consciência de que tudo começa com a graça do Senhor? Percebo que sou beneficiado sem mérito, amado e salvo gratuitamente? E, sobretudo, em resposta à graça, sei dizer “obrigado”? Sei dizer “obrigado”? As três palavras que são o segredo da convivência humana: obrigado, com licença, perdão. Será que sei dizer estas três palavras? Obrigado, com licença, perdão, desculpa. Sei como dizer estas palavras? É uma pequena palavra, “obrigado” - é uma pequena palavra, “com licença”, é uma pequena palavra, “perdão” - esperada todos os dias de Deus e dos irmãos. Perguntemo-nos se estas pequenas palavras, “obrigado”, “com licença”, “perdão, desculpa”, estão presente na nossa vida. Sei agradecer, sei dizer “obrigado”? Sei pedir desculpa, perdão? Sei como não ser intrusivo - “com licença”? Obrigado, perdão, com licença.
Que Maria, cuja alma enaltece o Senhor, nos ajude a fazer da gratidão a luz que nasce todos os dias do coração.

Parábola dos vinhateiros homicidas

Fonte: Santa Sé.

sexta-feira, 6 de outubro de 2023

Fotos da Abertura do Sínodo dos Bispos (2023)

No dia 04 de outubro de 2023 o Papa Francisco presidiu sem celebrar a Missa da Memória de São Francisco de Assis na Praça de São Pedro na abertura da Primeira Sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que se realiza em Roma de 04 a 29 de outubro.

A Liturgia Eucarística, por sua vez, foi celebrada pelo Cardeal Giovanni Battista Re, Decano do Colégio Cardinalício, com a presença dos novos Cardeais criados no Consistório do sábado, 30 de setembro.

O Santo Padre foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor Marco Agostini. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Procissão de entrada

Incensação
Ritos iniciais

Homilia do Papa: Abertura do Sínodo dos Bispos (2023)

Santa Missa com os novos Cardeais e o Colégio Cardinalício 
Abertura da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (1ª Sessão)
Homilia do Papa Francisco
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 04 de outubro de 2023, Memória de São Francisco de Assis

O Evangelho que ouvimos está precedido pela narração de um momento difícil da missão de Jesus, que poderíamos definir de «desolação pastoral»: João Batista duvida que Ele seja verdadeiramente o Messias; muitas cidades por onde passou, apesar dos prodígios realizados, não se converteram; as pessoas acusam-no de ser um glutão e bebedor de vinho, enquanto pouco antes se queixavam do Batista porque era demasiado austero (cf. Mt 11,2-24). Vemos, porém, que Jesus não se deixa tomar pela tristeza, mas eleva os olhos ao Céu e louva o Pai por ter revelado aos simples os mistérios do Reino de Deus: «Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos» (Mt 11,25). Portanto Jesus, no momento da desolação, tem um olhar capaz de ver mais além: louva a sabedoria do Pai e consegue vislumbrar o bem escondido que cresce, a semente da Palavra acolhida pelos simples, a luz do Reino de Deus que abre caminho mesmo na noite.


Queridos Cardeais, irmãos Bispos, irmãs e irmãos, estamos na abertura da Assembleia Sinodal. E não nos ajuda um olhar imanente, feito de estratégias humanas, cálculos políticos ou batalhas ideológicas: ver se o Sínodo vai permitir isto ou aquilo, abrir esta ou aquela porta... Isso não adianta! Não estamos aqui para realizar uma reunião parlamentar nem um plano de reformas. O Sínodo, amados irmãos e irmãs, não é um parlamento. O protagonista é o Espírito Santo. Não estamos aqui para parlamentar, mas para caminhar juntos sob o olhar de Jesus, que bendiz o Pai e acolhe a quantos estão cansados e oprimidos. Comecemos, pois, a partir deste olhar de Jesus: um olhar bendizente e acolhedor.

1. Vejamos o primeiro aspecto: um olhar bendizente. Apesar de ter experimentado a rejeição e ter visto ao seu redor tanta dureza de coração, Cristo não se deixa prender pela desilusão, não se torna amargo, nem extingue o louvor; fundado no primado do Pai, o seu coração permanece sereno, mesmo na tempestade.

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

Solenidade de São Francisco de Assis em Jerusalém (2023)

Nos dias 03 e 04 de outubro de 2023 a Custódia Franciscana da Terra Santa celebrou a Solenidade de São Francisco de Assis, Fundador da Ordem dos Frades Menores.

Na tarde do dia 03 de outubro o Custódio da Terra Santa, Padre Francesco Patton, presidiu a oração das I Vésperas na igreja do Santíssimo Salvador, sede da Custódia, com a renovação dos votos temporários de alguns religiosos e a comemoração do transitus (morte) de São Francisco.

Para essa ocasião foi inaugurado um novo altar em honra do santo, na forma de um tríptico com sete cenas da sua vida, réplicas daquelas realizadas por Taddeo Gaddi (†1366) para a Basílica da Santa Cruz em Florença (Itália).

No dia 04 de outubro, por sua vez, teve lugar na igreja do Santíssimo Salvador a Santa Missa presidida pelo Padre Martin Staszak, da Ordem dos Pregadores (Dominicanos), Prior do Convento de Santo Estêvão.

Com efeito, em Jerusalém é costume que um sacerdote franciscano presida a Missa de São Domingos e um sacerdote dominicano presida a Missa de São Francisco, como sinal de comunhão entre as duas Ordens fundadas no início do século XIII.

03 de outubro: I Vésperas

Novo altar em honra de São Francisco de Assis
Procissão de entrada
I Vésperas: Salmodia
Homilia
Renovação dos votos temporários

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Missa do Cardeal Pizzaballa na Basílica de Santa Maria Maior

No domingo, 01 de outubro de 2023, o Cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, presidiu a Missa na Basílica de Santa Maria Maior em Roma em ação de graças por sua criação como Cardeal Presbítero do Título de Santo Onofre no Consistório do sábado, 30 de setembro.

A Basílica possui uma relação com a Terra Santa, particularmente com Belém, uma vez que no tempo do Papa Teodoro I (†649) passou a acolher as supostas relíquias da manjedoura. Para saber mais sobre a Basílica de Santa Maria Maior, clique aqui.

Cardeal Pierbattista Pizzaballa
Acolhida do Cardeal: Aspersão dos fiéis
Procissão de entrada
Incensação
Ritos iniciais

Ângelus: XXVI Domingo do Tempo Comum - Ano A

Papa Francisco
Ângelus
Domingo, 1° de outubro de 2023

Amados irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje o Evangelho fala de dois filhos, a quem o pai pede que vão trabalhar na vinha (Mt 21,28-32). Um deles responde imediatamente “sim”, mas depois não vai. O outro, pelo contrário, diz que não, mas depois arrepende-se e vai.
O que dizer destes dois comportamentos? Pensa-se imediatamente que ir trabalhar na vinha requer sacrifício, e que o sacrifício custa e não é espontâneo, mesmo na beleza de saber que somos filhos e herdeiros. Mas o problema aqui não está tão ligado à resistência a ir trabalhar na vinha, mas à sinceridade ou não diante do pai e de si mesmo. Com efeito, na realidade nenhum dos dois filhos se comporta corretamente, o primeiro mente, enquanto o outro erra, mas é sincero.

Vejamos o caso do filho que diz “sim”, mas depois não vai. Ele não quer fazer a vontade do pai, mas também não quer discutir e falar sobre isso. Por isso, esconde-se detrás de um “sim”, de um falso assentimento, que esconde a sua preguiça e lhe salva a cara momentaneamente, é um hipócrita. Passa sem conflitos, mas engana e desilude o seu pai, desrespeitando-o de uma forma pior do que teria feito com um “não” direto. O problema de um homem que se comporta assim é que não é apenas um pecador, mas um corrupto, porque mente sem problemas para cobrir e disfarçar a sua desobediência, sem aceitar qualquer diálogo ou confronto honesto.

O outro filho, o que diz “não”, mas vai, é sincero. Não é perfeito, mas é sincero. Claro que teríamos gostado de vê-lo dizer “sim” imediatamente. Não o faz, mas, pelo menos, manifesta diretamente e, em certo sentido, com coragem a sua relutância. Ou seja, assume a responsabilidade pelo seu comportamento e age à luz do dia. Depois, com esta honestidade básica, acaba por se questionar, por perceber que estava errado e por retomar os seus passos. É, podemos dizer, um pecador, mas não um corrupto. Ouvi bem: é um pecador, mas não é um corrupto. E para o pecador há sempre uma esperança de redenção; para o corrupto, porém, é muito mais difícil. De fato, os seus falsos “sins”, as suas aparências elegantes, mas hipócritas, e os seus fingimentos que se tornaram hábitos são como uma espessa “parede de borracha”, atrás da qual ele se protege das chamadas de consciência. E estes hipócritas fazem tanto mal! Irmãos e irmãs, pecadores sim - todos o somos -, corruptos não! Pecadores sim, corruptos não!

Olhemos agora para nós mesmos e, à luz de tudo isto, coloquemo-nos algumas questões. Perante o esforço de viver uma vida honesta e generosa, de me empenhar segundo a vontade do Pai, estou disposto a dizer “sim” todos os dias, mesmo que isso custe? E quando não consigo, sou sincero no confronto com Deus sobre as minhas dificuldades, as minhas quedas, as minhas fragilidades? E quando digo “não”, volto atrás? Falemos com o Senhor sobre isto. Quando cometo um erro, estou disposto a arrepender-me e a corrigir-me? Ou faço vista grossa e vivo com uma máscara, preocupando-me apenas de me mostrar uma boa pessoa e honesto? Em última análise, sou um pecador, como toda a gente, ou há algo de corrupto em mim? Não esqueçais: pecadores sim, corruptos não.
Maria, espelho de santidade, nos ajude a ser cristãos sinceros.

Parábola dos dois filhos (Jorge Cocco)

Fonte: Santa Sé.