quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Sequência da Natividade de Maria: Stirpe Maria regia

“É hoje o nascimento de Maria, a Virgem santa, descendente de Davi” [1].

As sequências, composições poéticas a serem entoadas antes do Evangelho da Missa e que sintetizam o mistério celebrado, se popularizaram no Rito Romano a partir do século X [2].

No início do século X, com efeito, um monge beneditino da Abadia de São Galo (Sankt Gallen), na Suíça, Notker Balbulus (†912), isto é, Notker “o Gago”, compilou 38 composições em seu Liber Sequentiarum [3].

Nesta postagem gostaríamos de apresentar a 20ª sequência compilada por Notker: Stirpe Maria regia (“Descendente de estirpe régia”), para a Festa da Natividade da Bem-aventurada Virgem Maria, celebrada no dia 08 de setembro.

Vitral representando a “Árvore de Jessé”

Publicaremos aqui o texto original da sequência (em latim) e uma tradução nossa bastante livre (mais uma “adaptação” do que uma “tradução”), além de um breve comentário sobre o texto.

Assim como as demais sequências compiladas por Notker, não há rimas e a divisão em estrofes não está clara. Propomos a seguir uma divisão em 07 estrofes de dois ou três versos.

Sequentia: Stirpe Maria regia
In Nativitate Virginis Mariae

1. Stirpe Maria regia
Procreata regem generans Iesum.

2. Laude digna angelorum sanctorum,
Et nos peccatores tibi devotos intuere benigna.

3. Tu pios patrum mores ostentas in te,
Sed excellis eosdem.

4. Patris tui Salomonis in te lucet sophia
Et Ezechiae apud Deum cor rectum,
Sed numquam in te corrumpendum.

5. Patris Iosiae adimplevit te religiositas,
Summi etiam patriarchae te fides
Totam possedit, patris tui.

6. Sed quid nos istos recensemus heroas,
Cum tuus natus omnes praecellat illos
Atque cunctos per orbem?

7. Nos hac die tibi gregatos serva,
Virgo, in lucem mundi qua prodisti,
Paritura caelorum lumen [4].

Notker Balbulus, compilador da sequência

Sequência: Descendente de estirpe régia
Natividade da Bem-aventurada Virgem Maria

1. Descendente de estirpe régia,
Maria gerou o Rei Jesus.

2. Digna do louvor dos santos anjos,
Ela olha benigna por nós, pecadores, seus devotos.

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

Abertura do Sínodo da Igreja Ucraniana em Roma

No dia 03 de setembro de 2023 teve início o Sínodo da Igreja Greco-Católica Ucraniana, encontro anual dos Bispos desta igreja sui iuris, com a Divina Liturgia presidida pelo Arcebispo-Maior, Dom Sviatoslav Shevchuk (Святосла́в Шевчу́к) na Basílica de Santa Sofia na Via Boccea em Roma.

Na tarde do mesmo dia os Bispos participaram de um moleben (молебень) em honra do Espírito Santo na Capela do Pontifício Colégio Ucraniano São Josaphá, seguido da procissão com o Livro dos Evangelhos à sala onde ocorrerão as sessões do Sínodo.

03 de setembro: Divina Liturgia

O Arcebispo Maior abençoa os fiéis
Litania da paz
Incensação

Evangelho

Posse do novo Patriarca de Lisboa

Nos dias 02 e 03 de setembro de 2023 tomou posse como novo Patriarca de Lisboa (Portugal) Dom Rui Manuel Sousa Valério, sucedendo o Cardeal Manuel José Macário do Nascimento Clemente, que renunciou por limite de idade.

Na manhã de sábado, dia 02, o novo Patriarca tomou posse na Catedral de Santa Maria Maior, a Sé de Lisboa, durante a oração da Hora Média (12h). No domingo, dia 03, por sua vez, o Patriarca presidiu a Santa Missa no Mosteiro de Santa Maria de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos.

Dom Rui Manuel Sousa Valério nasceu em 24 de dezembro de 1964 em Ourém (Portugal). Após ingressar na Companhia de Maria (Missionários Monfortinos), recebeu a ordenação sacerdotal no dia 23 de março de 1991. Em 2018 foi nomeado Ordinário Militar de Portugal, recebendo a ordenação episcopal no dia 25 de novembro do mesmo ano.

02 de setembro: Posse na Catedral de Lisboa

Acolhida do Patriarca: Veneração da cruz
Oração diante do Santíssimo Sacramento
Dom Rui Valério com o Cardeal Clemente
Saudação do Patriarca Emérito
Apresentação da bula de nomeação

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Leitura litúrgica do Livro de Ester

“Se for de teu agrado, concede-me a vida - eis o meu pedido! - e a vida do meu povo - eis o meu desejo!” (Est 7,3).

Como vimos na postagem anterior da nossa série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura, quatro dos “livros históricos” da Bíblia cristã contêm narrativas ou contos sobre diversos aspectos da vida quotidiana. São as chamadas “novelas bíblicas”: Rute, Ester, Judite e Tobias.

Assim, após analisar a presença do Livro de Rute nas celebrações do Rito Romano, prosseguimos nossa pesquisa com a outra das novelas bíblicas que integra também o grupo dos livros protocanônicos, isto é, que são aceitos por todas as igrejas cristãs: o Livro de Ester (Est).

Ester diante do rei Assuero (Bernardo Cavallino)

1. Breve introdução ao Livro de Ester

Existem duas versões do Livro de Ester: uma em hebraico e outra em grego, esta última vários acréscimos (assim como no Livro de Daniel). A versão em hebraico é aceita por todas as Igrejas cristãs, enquanto que os acréscimos em grego não são aceitos pelos protestantes.

Assim como Rute, Ester é um dos cinco “Megillot”, os cinco “rolos” lidos nas principais festas judaicas, no caso, na Festa dos Purim, como veremos adiante.

Embora mencione personagens históricos, como o rei persa Assuero (que seria uma versão hebraica do nome de Xerxes I), a narrativa de Ester é fictícia, o que pode ser corroborado por uma série de exageros na trama: 127 províncias do reino (Est 1,1), 180 dias de festa (1,4), a morte de 75 mil inimigos (9,16).

Embora alguns estudiosos o situem no período persa, a maioria defende que o livro foi escrito durante a revolta judaica contra o helenismo (séc. II a. C.), séculos depois do governo de Xerxes I (486-465 a. C.). Sobre o período do helenismo, confira nosso estudo sobre os Livros dos Macabeus.

A narrativa pode ser resumida em três cenas, seguidas de um apêndice:
1ª cena: Est 1,1–2,20: Ascensão de Ester como rainha;
2ª cena: Est 2,21–3,15: Confronto entre Mardoqueu e Amã;
3ª cena: Est 4,1–8,17: Ester intervém em favor do povo e as “sortes” se invertem;
Apêndice: Est 9,1–10,3: Sobre a Festa dos Purim.

Os acréscimos em grego foram feitos provavelmente por um judeu piedoso em Alexandria do Egito em torno ao ano 114 a. C. Têm como objetivo dar um tom mais “religioso” à obra, uma vez que no texto hebraico Deus sequer é mencionado.

Embora existam divergências na numeração conforme as traduções, as adições em grego são:
a) Est 1,1a-1r: Sonho de Mardoqueu e sua descoberta de um complô contra o rei;
b) Est 3,13a: Decreto do rei contra os judeus;
c) Est 4,17a-17z: Orações de Mardoqueu e Ester;
d) Est 5,1a-1f.2a: Ester comparece diante do rei;
e) Est 8,12a-12v: Decreto do rei a favor dos judeus;
f) Est 10,3a-3l: Interpretação do sonho de Mardoqueu e nota sobre a tradução.

A trama pode ser resumida da seguinte forma: Ester torna-se a esposa do rei persa Assuero. O alto oficial do rei, Amã, diante do qual todos deviam se prostrar, trama contra os judeus, porque Mardoqueu, outro servo do rei e primo de Ester, por ser judeu, se recusa a prostrar-se diante dele.

Amã manipula o rei para publicar um decreto ordenando a morte de todos os judeus, “lançando as sortes” (Purim) para descobrir qual seria o dia “favorável” para o extermínio. Porém, graças à intervenção de Ester, as “sortes” se invertem: Amã é morto e o rei publica um novo decreto a favor dos judeus, que exterminam seus inimigos.

Surge então a Festa dos Purim, onde as “sortes” se inverteram a favor dos judeus, celebrada no dia 14 do mês de Adar (entre fevereiro e março). É uma festa mais nacional do que litúrgica, marcada por refeições festivas e pela leitura de Ester. Não obstante, acrescenta-se às “dezoito bênçãos” (oração diária dos judeus) um agradecimento a Deus “pelos milagres, pelas grandes obras e pelos atos salvíficos”.

Rainha Ester (Edwin Long)

A teologia da obra é bastante incipiente: como vimos, no texto hebraico Deus sequer é mencionado, razão pela qual o texto grego acrescenta, por exemplo, as orações de Mardoqueu e Ester. Podemos falar aqui de uma sutil teologia da Providência divina, como no Livro de Rute.

Ester, além disso, se insere no distinto grupo das mulheres bíblicas que intervêm no curso da história em favor do seu povo, como Jael e Judite, razão pela qual, como veremos adiante, é considerada como “tipo” da Virgem Maria.

Para saber mais, confira a bibliografia indicada no final da postagem.

2. Leitura litúrgica do Livro de Ester: Composição harmônica

No Rito Romano, como indica o n. 66 do Elenco das Leituras da Missa (ELM), há dois critérios para a escolha dos textos bíblicos. Começamos nossa análise de Ester com o primeiro deles: a composição harmônica, isto é, o texto é escolhido por sua harmonia com o tempo ou festa litúrgica [1].

Fotos da Missa do Papa na Mongólia

Na manhã do domingo, 03 de setembro de 2023, o Papa Francisco presidiu sem celebrar a Santa Missa do XXII Domingo do Tempo Comum (Ano A) na Steppe Arena em Ulaanbaatar durante sua Viagem Apostólica à Mongólia.

A Liturgia Eucarística, por sua vez, foi celebrada pelo Prefeito Apostólico de Ulaanbaatar, Cardeal Giorgio Marengo.

O Santo Padre foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor Marco Agostini. Os textos da Missa podem ser vistos no Missal para a Viagem Apostólica.

Ritos iniciais


Evangelho

Homilia do Papa: Missa na Mongólia

Viagem Apostólica à Mongólia
Santa Missa do XXII Domingo do Tempo Comum (Ano A)
Homilia do Papa Francisco
Steppe Arena, Ulaanbaatar
Domingo, 03 de setembro de 2023

Com as palavras do Salmo, rezamos assim: «Ó meu Deus... a minha alma tem sede de vós, minha carne também vos deseja, como terra sedenta e sem água» (Sl 62,2). Trata-se de uma invocação estupenda que acompanha a viagem da nossa vida, no meio dos desertos que somos chamados a atravessar. E é precisamente nesta terra árida que recebemos uma boa notícia: no nosso caminho, não estamos sozinhos; a nossa aridez não pode tornar estéril para sempre a nossa vida; o grito da nossa sede não passa despercebido. Deus Pai enviou seu Filho para nos dar a água viva do Espírito Santo a fim de saciar a sede da nossa alma (cf. Jo 4,10). E Jesus - acabamos de o ouvir no Evangelho - mostra-nos o caminho para ficarmos saciados: é o caminho do amor, que Ele percorreu até o fim, até à cruz; e de lá chama-nos a segui-lo, perdendo a nossa vida para a reavermos nova (cf. Mt 16,24-25).
Detenhamo-nos juntos a pensar nestes dois aspectos: a sede que nos habita e o amor que nos sacia.


Antes de tudo, somos chamados a reconhecer a sede que nos habita. O salmista grita para Deus a sua secura, porque a sua vida se assemelha a um deserto. As suas palavras têm uma ressonância particular em uma terra como a Mongólia: um território imenso, rico de história, uma terra cheia de cultura, mas caracterizado também pela aridez da estepe e do deserto. Muitos de vós estão habituados ao encanto e à fadiga de caminhar, atividade que recorda um aspecto essencial da espiritualidade bíblica, presente na figura de Abraão e, de forma mais geral, também no povo de Israel e em todo o discípulo do Senhor: com efeito, todos, todos nós somos «nômades de Deus», peregrinos à procura da felicidade, viandantes sedentos de amor. Assim, o deserto evocado pelo salmista refere-se à nossa vida: somos aquela terra árida que tem sede de água límpida, de água que mata a sede em profundidade; é o nosso coração que deseja descobrir o segredo da verdadeira alegria, aquela que pode nos acompanhar e sustentar mesmo no meio da aridez existencial. É verdade! Trazemos dentro de nós uma sede inextinguível de felicidade; andamos à procura de significado e orientação para a nossa vida, de motivação para as atividades que realizamos cada dia; e sobretudo temos sede de amor, porque só o amor nos sacia verdadeiramente, nos faz sentir bem - o amor faz-nos sentir bem -, abre à confiança fazendo-nos saborear a beleza da vida. Queridos irmãos e irmãs, a fé cristã é resposta a esta sede; toma-a a sério; não a remove, não procura aplacá-la com paliativos ou substituintes. Não! Porque nesta sede reside o nosso grande mistério: ela abre-nos ao Deus vivo, ao Deus-Amor que vem ao nosso encontro para nos fazer filhos seus e irmãos e irmãs entre nós.

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

A viagem do Papa Francisco à Mongólia

De 31 de agosto a 04 de setembro de 2023 o Papa Francisco realiza sua 43ª Viagem Apostólica, a 13ª com destino à Ásia, visitando a Mongólia.


Esta será a primeira vez que o país recebe o Sucessor de Pedro. São João Paulo II (†2005) desejava visitar a Mongólia em 2003, para a dedicação da Catedral dos Santos Pedro e Paulo, sede da Prefeitura Apostólica de Ulaanbaatar. Contudo, a viagem não chegou a realizar-se.

O Papa Francisco já demonstrou sua atenção pelo país do Leste Asiático ao criar Cardeal o Prefeito Apostólico de Ulaanbaatar, Dom Giorgio Marengo, em 2022. Essa circunscrição eclesiástica abrange todo o país, embora possua cerca de 1.400 fiéis, cerca de 0,04% da população, de maioria budista.

Programa da viagem

Sexta-feira, 01 de setembro:

Partindo de Roma no fim da tarde da quinta-feira, 31 de agosto, o Papa chega a Ulaanbaatar na manhã da sexta-feira, 01 de setembro. Não estão previstos compromissos neste dia, para que o Santo Padre se recupere da viagem.

Sábado, 02 de setembro:

Os primeiros compromissos da viagem, na manhã do sábado, incluem os encontros com as autoridades civis. À tarde, por sua vez, tem lugar o encontro com Bispos, sacerdotes e religiosos na Catedral dos Santos Pedro e Paulo.

Catedral dos Santos Pedro e Paulo em Ulaanbaatar

Domingo, 03 de setembro:

O terceiro dia de viagem começa com um encontro ecumênico e inter-religioso pela manhã. À tarde o Papa preside a Santa Missa do XII Domingo do Tempo Comum (Ano A) na Steppe Arena, um estádio local.


Segunda-feira, 04 de setembro:

Na manhã do último dia de viagem, por fim, Francisco encontra-se com agentes de caridade, retornando em seguida a Roma.

Alguns dados da Igreja Católica na Mongólia:

Número de católicos: 1.394 (cerca de 0,04% da população)
Circunscrições eclesiásticas: 01
Paróquias: 08

Bispos: 01
Sacerdotes diocesanos: 06
Sacerdotes religiosos: 19
Religiosos não sacerdotes: 05
Religiosas: 33
Seminaristas: 06

Escolas católicas: 06 (com cerca de 600 estudantes)
Ambulatórios: 01
Casas para anciãos: 02
Orfanatos: 05
Outras instituições sociais: 40

Criação cardinalícia de Dom Giorgio Marengo (2022)

Programa da viagem e estatísticas: Boletim de imprensa da Santa Sé.