terça-feira, 5 de julho de 2022

Homilia do Papa: XIV Domingo do Tempo Comum - Ano C

Santa Missa para a comunidade congolesa em Roma
Homilia do Papa Francisco
Basílica de São Pedro
Domingo, 03 de julho de 2022

Bobóto [Paz]. R. Bondéko [Fraternidade].
Bondéko [Fraternidade]. R. Esengo [Alegria].
Esengo, alegria: a Palavra de Deus que ouvimos enche-nos de alegria. Por que, irmãos e irmãs? Porque, como diz Jesus no Evangelho, «o Reino de Deus está próximo» (Lc 10,11). Está próximo: ainda não alcançado, parcialmente escondido, mas próximo de nós. E esta proximidade de Deus em Jesus, esta proximidade de Deus que é Jesus, constitui a fonte da nossa alegria: somos amados e nunca abandonados. Mas a alegria que brota da proximidade de Deus, enquanto dá paz, não deixa em paz. Dá paz e não nos deixa em paz, uma alegria especial. Provoca em nós uma mudança: enche de admiração, surpreende, transforma a vida. E o encontro com o Senhor é um começo constante, um contínuo dar um passo em frente. O Senhor transforma sempre a nossa vida. É o que acontece com os discípulos no Evangelho: para anunciar a proximidade de Deus, partem para longe, vão em missão. Porque quem recebe Jesus sente que deve imitá-lo, fazer como Ele fez, que deixou o céu para nos servir na terra, e sai de si mesmo. Portanto, se nos perguntarmos qual é a nossa tarefa no mundo, o que devemos fazer como Igreja na história, a resposta do Evangelho é clara: a missão. Ir em missão, levar o Anúncio, dar a saber que Jesus veio do Pai.


Como cristãos, não podemos contentar-nos levando a vida na mediocridade. Trata-se de uma doença; muitos cristãos, também todos nós, corremos o risco de levar a vida na mediocridade, fazendo as contas com as nossas oportunidades e conveniências, vivendo o dia a dia. Não, somos missionários de Jesus. Somos todos missionários de Jesus. Mas podes dizer: “Não sei como se faz, não sou capaz!”. O Evangelho surpreende-nos de novo, mostrando-nos o Senhor que envia os discípulos sem esperar que eles estejam prontos e bem treinados: não estavam com Ele há muito tempo, mas envia-os. Não tinham estudado teologia, mas envia-os. E também o modo de enviá-los é cheio de surpresas. Assim, temos três surpresas, três coisas que nos surpreendem, três surpresas missionárias  que Jesus reserva aos discípulos, reserva a cada um de nós, se o ouvirmos.

domingo, 3 de julho de 2022

Festa do Preciosíssimo Sangue de Jesus em Jerusalém

No último dia 01 de julho, como de costume, teve lugar na Basílica da Agonia do Senhor no Getsêmani, em Jerusalém, a Santa Missa em honra do Preciosíssimo Sangue de Jesus, que neste ano de 2022 foi presidida pelo Custódio da Terra Santa, Padre Francesco Patton:

Para saber mais, confira nossas postagens sobre a história e a teologia da devoção ao Preciosíssimo Sangue de Jesus.

Detalhe da Rocha da Agonia
(Para saber mais sobre a Basílica do Getsêmani, clique aqui)
Procissão de entrada
O Custódio espalha rosas vermelhas sobre a Rocha da Agonia
(Alusão ao "suor de sangue" de Lc 22,44)
Ritos iniciais

Homilia: Festa de São Tomé, Apóstolo

São Gregório Magno, Papa
Das Homilias sobre os Evangelhos
Meu Senhor e meu Deus!

Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio (Jo 20,24). Era o único discípulo que estava ausente. Ao voltar, ouviu o que acontecera, mas negou-se a acreditar. Veio de novo o Senhor, e mostrou seu lado ao discípulo incrédulo para que o pudesse apalpar; mostrou-lhe as mãos e, mostrando-lhe também a cicatriz de suas chagas, curou a chaga daquela falta de fé. Que pensais, irmãos caríssimos, de tudo isto? Pensais ter acontecido por acaso que aquele discípulo estivesse ausente naquela ocasião, que, ao voltar, ouvisse contar, que, ao ouvir, duvidasse, que, ao duvidar, apalpasse, e que, ao apalpar, acreditasse?

Nada disso aconteceu por acaso, mas por disposição da providência divina. A clemência do alto agiu de modo admirável a fim de que, ao apalpar as chagas do corpo de seu mestre, aquele discípulo que duvidara curasse as chagas da nossa falta de fé. A incredulidade de Tomé foi mais proveitosa para a nossa fé do que a fé dos discípulos que acreditaram logo. Pois, enquanto ele é reconduzido à fé porque pôde apalpar, o nosso espírito, pondo de lado toda dúvida, confirma-se na fé. Deste modo, o discípulo que duvidou e apalpou tornou-se testemunha da verdade da ressurreição.

Tomé apalpou e exclamou: Meu Senhor e meu Deus! Jesus lhe disse: Acreditaste, porque me viste? (Jo 20,28-29). Ora, como diz o Apóstolo Paulo: A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se veem (Hb 11,1). Logo, está claro que a fé é a prova daquelas realidades que não podem ser vistas. De fato, as coisas que podemos ver não são objeto de fé, e sim de conhecimento direto. Então, se Tomé viu e apalpou, por qual razão o Senhor lhe disse: Acreditaste, porque me viste? É que ele viu uma coisa e acreditou noutra. A divindade não podia ser vista por um mortal. Ele viu a humanidade de Jesus e proclamou a fé na sua divindade, exclamando: Meu Senhor e meu Deus! Por conseguinte, tendo visto, acreditou. Vendo um verdadeiro homem, proclamou que ele era Deus, a quem não podia ver.

Alegra-nos imensamente o que vem a seguir: Bem-aventurados os que creram sem ter visto (Jo 20,29). Não resta dúvida de que esta frase se refere especialmente a nós. Pois não vimos o Senhor em sua humanidade, mas o possuímos em nosso espírito. É a nós que ela se refere, desde que as obras acompanhem nossa fé. Com efeito, quem crê verdadeiramente, realiza por suas ações a fé que professa. Mas, pelo contrário, a respeito daqueles que têm fé apenas de boca, eis o que diz São Paulo: Fazem profissão de conhecer a Deus, mas negam-no com a sua prática (Tt 1,16). É o que leva também São Tiago a afirmar: A fé, sem obras, é morta (Tg 2,26).

São Gregório Magno

Responsório (1Jo 1,2.1.3a)

A vida revelou-se e nós a temos visto e dela damos testemunho.
R. A vida eterna anunciamos, que estava junto ao Pai e a nós se revelou.

O que viram nossos olhos e apalparam nossas mãos com respeito à Palavra, a Palavra, que é a vida, o que vimos e ouvimos a vós anunciamos.
R. A vida eterna anunciamos, que estava junto ao Pai e a nós se revelou.

Oração
Deus todo-poderoso, concedei-nos celebrar com alegria a festa do apóstolo São Tomé, para que sejamos sempre sustentados por sua proteção e tenhamos a vida pela fé no Cristo que ele reconheceu como Senhor. Que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Fonte: Liturgia das Horas, vol. III, pp. 1404-1406.

sábado, 2 de julho de 2022

Solenidade de São Pedro e São Paulo em Londres

O Cardeal Vincent Gerard Nichols, Arcebispo de Westminster, celebrou no dia 29 de junho de 2022 a Santa Missa da Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos, na Catedral do Preciosíssimo Sangue em Londres, com a presença de vários Bispos ingleses.

O Arcebispo endossou na ocasião a casula vermelha usada pelo Papa Bento XVI em sua visita à Inglaterra em 2010.

Os Bispos na sacristia
Procissão de entrada
Incensação do altar
Saudação inicial
Evangelho

Solenidade de São Pedro e São Paulo em Manila

Na Catedral Metropolitana da Imaculada Conceição em Manila (Filipinas), a Missa da Solenidade de São Pedro e São Paulo, costuma ser presidida pelo Núncio Apostólico, representante do Papa no país.

No dia 29 de junho de 2022, com efeito, o atual Núncio Apostólico nas Filipinas, Dom Charles John Brown, presidiu a Santa Missa da Solenidade na Catedral de Manila. O Arcebispo, Cardeal Jose Fuerte Advincula, por sua vez, assistiu a Missa revestido com vestes corais [1].

Destaque para a imagem de São Pedro ornada para a ocasião com as insígnias pontifícias, diante da qual foram expostas as relíquias dos Santos Papas João XXIII, Paulo VI e João Paulo II. As imagens de São Pedro e São Paulo sobre o altar, por fim, remontam a um costume da Basílica Vaticana [2].

Procissão de entrada: "estação" diante da imagem de São Pedro
A imagem de São Pedro e as relíquias dos Papas

Incensação do altar
Sinal da cruz

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Ordenações Presbiterais em Jerusalém

Na cidade de Jerusalém, a Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo costuma ser dedicada às Ordenações Presbiterais dos franciscanos da Custódia da Terra Santa.

Assim, no dia 29 de junho de 2022 o Patriarca Latino de Jerusalém, Dom Pierbattista Pizzaballa, celebrou a Santa Missa na igreja do Santíssimo Salvador, sede da Custódia da Terra Santa, durante a qual conferiu a Ordenação Presbiteral a dez diáconos:

O presbitério da igreja preparado para a celebração,
com as pinturas de São Pedro e São Paulo de Antonio Ciseri
Procissão de entrada
Ritos iniciais


Ângelus do Papa: Solenidade de São Pedro e São Paulo 2022

Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo
Papa Francisco
Ângelus
Quarta-feira, 29 de junho de 2022

Prezados irmãos e irmãs!
O Evangelho da Liturgia de hoje (Mt 16,13-19), Solenidade dos Santos Padroeiros de Roma, cita as palavras que Pedro dirige a Jesus: «Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo» (v. 16). É uma profissão de fé, que Pedro pronuncia não com base na sua compreensão humana, mas porque Deus Pai a inspirou nele (cf. v. 17). Para o pescador Simão, chamado Pedro, foi o início de um caminho: com efeito, deverá passar muito tempo antes que a compreensão dessas palavras entre profundamente na sua vida, abrangendo-a totalmente. Existe uma “aprendizagem” da fé, que envolveu também os Apóstolos Pedro e Paulo, semelhante à de cada um de nós. Também nós acreditamos que Jesus é o Messias, o Filho do Deus vivo, mas é preciso tempo, paciência e muita humildade para que o nosso modo de pensar e de agir adira plenamente ao Evangelho.

O Apóstolo Pedro experimentou-o imediatamente. Logo depois de ter declarado a sua fé a Jesus, quando Ele anuncia que deverá sofrer e ser condenado à morte, rejeita esta perspectiva, que considera incompatível com o Messias. Sente-se até obrigado a repreender o Mestre, que por sua vez o censura: «Afasta-te de mim, Satanás! Tu és um escândalo para mim, os teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens» (v. 23).

Pensemos: não nos acontece a mesma coisa? Repetimos o Credo, recitamo-lo com fé; mas diante das duras provações da vida, tudo parece vacilar. Somos levados a protestar contra o Senhor, dizendo-lhe que não é correto, que deve haver outros caminhos, mais diretos, menos cansativos. Experimentamos a laceração do crente, que acredita em Jesus, confia n’Ele, mas ao mesmo tempo sente que é difícil segui-lo e sente-se tentado a procurar outros caminhos, que não são os do Mestre. São Pedro viveu este drama interior e precisou de tempo e de amadurecimento. No início sentia-se horrorizado com o pensamento da cruz; mas no fim da vida deu testemunho do Senhor com coragem, a ponto de se deixar crucificar - segundo a tradição - de cabeça para baixo, para não ser igual ao Mestre.

Também o Apóstolo Paulo segue o próprio caminho, também ele passou por um lento amadurecimento da fé, experimentando momentos de incerteza e dúvida. A aparição do Ressuscitado no caminho de Damasco, que o fez passar de perseguidor a cristão, deve ser vista como o início de um percurso durante o qual o Apóstolo se reconciliou com as crises, fracassos e tormentos contínuos daquele que ele define “espinho na carne” (cf. 2Cor 12,7). O caminho de fé nunca é um passeio, para ninguém, nem para Pedro nem para Paulo, nem para qualquer cristão. O caminho de fé não é um passeio, mas é exigente, às vezes árduo: até Paulo, que se tornou cristão, teve que aprender a sê-lo até ao fundo de modo gradual, especialmente através dos momentos de provação.

À luz desta experiência dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, cada um de nós pode perguntar-se: quando professo a minha fé em Jesus Cristo, Filho de Deus, faço-o com a consciência de dever aprender sempre, ou suponho que “já entendi tudo”? E ainda: nas dificuldades e provações fico desanimado, queixo-me, ou aprendo a fazer delas uma ocasião para crescer na confiança no Senhor? Com efeito - escreve Paulo a Timóteo - Ele livra-nos de todo o mal e leva-nos com segurança para o céu (cf. 2Tm 4,18). Que a Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos, nos ensine a imitá-los, progredindo dia após dia no caminho da fé.

Os Apóstolos Pedro e Paulo junto a Cristo
(Capela da Nunciatura Apostólica - Damasco, Síria)

Observação: No Brasil, a Solenidade de São Pedro e São Paulo é celebrada no domingo entre 28 de junho e 04 de julho.

Fonte: Santa Sé.