Papa Leão XIV
Regina Coeli
Praça de São Pedro
Domingo, 10 de maio de 2026
Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Hoje, no Evangelho (Jo 14,15-21), escutamos algumas
palavras que Jesus dirige aos seus discípulos durante a Última Ceia. Ao fazer
do pão e do vinho o sinal vivo do seu amor, Cristo diz: «Se me amais, guardareis
os meus mandamentos» (v. 15). Esta afirmação nos liberta de um equívoco, ou
seja, da ideia de sermos amados se observarmos os mandamentos: a nossa justiça
seria então condição para o amor de Deus. Pelo contrário, é o amor de Deus a
condição para a nossa justiça. Observamos verdadeiramente os mandamentos,
segundo a vontade de Deus, se reconhecermos o seu amor por nós, tal como Cristo
o revela ao mundo. As palavras de Jesus, portanto, são um convite à relação,
não uma chantagem ou uma incerteza.
Eis porque o Senhor manda que nos amemos uns aos outros como
Ele nos amou (cf. Jo 13,34): é o amor de Jesus que gera
em nós o amor. O próprio Cristo é o critério, o paradigma do verdadeiro amor:
que é fiel para sempre, puro e incondicional; que não conhece nem “mas” nem
“talvez”; que se doa sem querer possuir; que dá vida sem tomar nada em troca.
Porque Deus nos ama primeiro, também nós podemos amar; e, quando amamos de
verdade a Deus, amamo-nos de verdade uns aos outros. Acontece como com a vida:
só quem a recebeu pode viver, e assim só quem foi amado pode amar. Os
mandamentos do Senhor, portanto, são uma regra de vida que nos cura dos falsos
amores; são um estilo espiritual, que é caminho para a salvação.
Precisamente porque nos ama, o Senhor não nos deixa sozinhos
nas provações da vida: promete-nos o Paráclito, ou seja, o Advogado defensor, o
«Espírito da Verdade» (Jo 14,17). É um dom que «o mundo não é capaz
de receber» (ibid.) enquanto se obstinar no mal que oprime o pobre,
exclui o fraco, mata o inocente. Quem, pelo contrário, corresponde ao amor que
Jesus nutre por todos, encontra no Espírito Santo um aliado que nunca falha:
«Vós o conheceis - diz Jesus -, porque Ele permanece junto de vós e estará dentro
de vós» (ibid.). Então, podemos testemunhar sempre e em toda a parte
Deus que é amor: esta palavra não significa uma ideia da mente humana, mas a
realidade da vida divina, pela qual todas as coisas foram criadas do nada e
salvas da morte.
Ao nos oferecer o amor verdadeiro e eterno, Jesus partilha
conosco a sua identidade de Filho amado: «Eu estou no meu Pai e vós em mim e Eu
em vós» (v. 20). Esta envolvente comunhão de vida desmente o Acusador, ou seja,
o adversário do Paráclito, o espírito contrário ao nosso defensor. Com efeito,
enquanto o Espírito Santo é força de verdade, este Acusador é «pai da mentira»
(Jo 8,44), que deseja opor o homem a Deus e os homens entre si:
precisamente o contrário do que faz Jesus, salvando-nos do mal e unindo-nos
como povo de irmãos e irmãs na Igreja.
Caríssimos, cheios de gratidão por este dom, confiemo-nos à
intercessão da Virgem Maria, Mãe do Amor Divino.
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| Jesus com os Apóstolos durante a Última Ceia (Eugène Burnand) |
Fonte: Santa Sé.

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