terça-feira, 17 de outubro de 2017

Ângelus do Papa: XXVII Domingo do Tempo Comum - Ano A

Papa Francisco
Ângelus
Domingo, 08 de outubro de 2017

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
A Liturgia deste domingo propõe-nos a parábola dos vinhateiros, aos quais o dono confiou a vinha que tinha plantado e depois deixou o país (Mt 21,33-43). Deste modo, é posta à prova a lealdade destes vinhateiros: a vinha foi confiada a eles, que devem cuidar dela, fazê-la frutificar e entregar ao dono a colheita. Quando chegou o tempo da colheita, o dono enviou os seus servos aos lavradores para recolher o produto da sua vinha. Mas os lavradores assumem uma atitude possessiva: não se consideram simples administradores, mas proprietários, e recusam-se a entregar a colheita. Maltratam os servos, a ponto de os matar. O dono mostrou-se paciente com eles: enviou outros servos em maior número que os primeiros, mas o resultado foi o mesmo. Enfim, com paciência, decide enviar o próprio filho; porém, aqueles lavradores, prisioneiros do próprio comportamento possessivo, matam também o filho pensando que assim receberiam a sua herança.

Esta narração ilustra de forma alegórica aquelas admoestações que os Profetas tinham proferido sobre a história de Israel. É uma história que nos pertence: fala-se da aliança que Deus quis estabelecer com a humanidade e na qual convidou também nós a participar. Contudo, esta história de aliança, como qualquer história de amor, tem os seus momentos positivos, mas está marcada também por traições e rejeições. Para fazer compreender como Deus Pai responde às rejeições que se opõem ao seu amor e à sua proposta de aliança, o trecho evangélico põe nos lábios do dono da vinha uma pergunta: «Pois bem, quando voltar o senhor da vinha, que fará ele àqueles lavradores?» (v. 40). Esta interrogação sublinha que a desilusão de Deus pelo comportamento malvado dos homens não é a última palavra! Nisso consiste a grande novidade do Cristianismo: um Deus que, mesmo desiludido pelos nossos erros e pelos nossos pecados, não falta à sua palavra, não para e sobretudo não se vinga!

Irmãos e irmãs, Deus não se vinga! Deus ama, não se vinga, espera para nos perdoar, para nos abraçar. Através das “pedras de descarte” - e Cristo foi a primeira pedra que os construtores descartaram - mediante situações de debilidade e de pecado, Deus continua a pôr em circulação o “vinho novo” da sua vinha, ou seja, a misericórdia; este é o vinho novo da vinha do Senhor: a misericórdia. Há um único impedimento perante a vontade tenaz e terna de Deus: a nossa arrogância e a nossa presunção que, por vezes, se torna violência! Face a estas atitudes e onde não se produzem frutos, a Palavra de Deus conserva toda a sua força de reprovação e admoestação: «Ser-vos-á tirado o Reino de Deus, e será dado a um povo que produzirá os frutos dele» (v. 43).

A urgência de responder com bons frutos à chamada do Senhor, que nos convida a tornar-nos sua vinha, ajuda-nos a compreender o que há de novo e de original na fé cristã. Ela não é tanto a soma de preceitos e normas morais mas, antes de tudo, uma proposta de amor que Deus, através de Jesus fez e continua a fazer à humanidade. É um convite a entrar nesta história de amor, tornando-nos uma vinha vivaz e aberta, rica de frutos e de esperança para todos. Uma vinha fechada pode tornar-se selvática e produzir uva selvática. Somos chamados a sair da vinha para nos pormos ao serviço dos irmãos que não estão conosco, para nos despertarmos reciprocamente e nos encorajarmos, para nos recordarmos que devemos ser vinha do Senhor em todos os ambientes, mesmo naqueles mais longínquos e difíceis.

Queridos irmãos e irmãs, invoquemos a intercessão de Maria Santíssima, a fim de que nos ajude a ser, onde quer que seja, especialmente nas periferias da sociedade, a vinha que o Senhor plantou para o bem de todos, e a levar o vinho novo da misericórdia do Senhor.


Fonte: Santa Sé.

sábado, 14 de outubro de 2017

Homilia: XXVIII Domingo do Tempo Comum - Ano A

São Gregório Magno
Sermão 38 sobre os Evangelhos
O que devemos entender por veste nupcial, senão a caridade?

O que significa, irmãos, a veste nupcial? Não podemos dizer que signifique o batismo, nem a fé, porque quem pode entrar sem eles nestas bodas? Portanto, o que devemos entender por veste nupcial, senão a caridade? Entra, pois, nas bodas, mas não leva a veste nupcial, aquele que pertencendo à Igreja Católica tem fé, mas lhe falta a caridade.
Com fundamento se chama caridade a veste nupcial, visto que nosso Criador a teve quando foi para as bodas desposar-se com a Igreja. De fato, somente o amor de Deus pode fazer que seu Filho Unigênito una a si as almas dos eleitos. Por isso dizia São João: Deus tanto amou o mundo que lhe deu o seu Filho primogênito. Logo, aquele que veio aos homens por caridade deu a conhecer que a veste nupcial não era outra coisa que a própria caridade. Portanto, todo aquele que recebeu o batismo e crê em Deus, entrou nas bodas, porém não vai com a veste nupcial se não conserva o dom da caridade.
E na verdade, meus irmãos, se alguém é convidado para uma boda, procura trocar de veste, e manifesta que se alegra com o esposo e a esposa pela dignidade de seu traje, e se envergonharia de aparecer entre os convidados com uma veste insignificante. Nós assistimos as bodas divinas, e, contudo, resistimos a trocar a veste do coração. Os anjos se regozijam quando os escolhidos são levados ao céu. Pois, como apreciamos estas festas espirituais, nós que não temos a veste nupcial, isto é, a caridade, que é a única que nos torna belos diante dos olhos do Senhor?
Porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos. Terrível é, caríssimos, o que acabamos de ouvir. Considerai que todos nós, chamados pela fé, assistimos as bodas do rei celestial, todos cremos e confessamos o mistério de sua encarnação, todos participamos do banquete do Verbo divino, porém no dia futuro do juízo o rei entrará. Sabemos que fomos chamados, mas ignoramos se pertencemos ao grupo dos escolhidos.
É preciso, portanto, que todos nos humilhemos, tanto mais que ignoramos se estaremos entre os escolhidos. Existem alguns que nunca deram início às boas obras; outros começaram a realizar o bem, mas não persistiram neste caminho. Há quem quase toda a vida foi mau, porém ao final se afasta de seus erros pela dor de uma verdadeira penitência; mas há, pelo contrário, quem parece viver uma vida santa, porém até o fim de seus dias cai no erro da maldade. Outros começam bem e terminam melhores; outros, pelo contrário, desde a juventude se precipitam no abismo dos vícios e terminam agindo do mesmo modo, piores cada vez mais.
Tema, por isso, cada um, já que ignora o que lhe resta, pois não deve esquecer; pelo contrário, deve repetir continuamente as palavras do Evangelho: Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 231-233. Para adquiri-lo no site da Editora Vozes, clique aqui.

Confira também uma homilia de São Macário o Grande para este domingo clicando aqui.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

As Igrejas Católicas Orientais 4: Outras Igrejas sui iuris

Esta é a quarta e última parte da nossa breve série de postagens sobre as Igrejas Católicas Orientais. Para acessar a primeira parte, com a introdução ao tema, clique aqui.

Após apresentarmos as Igrejas patriarcais, arquiepiscopais maiores e metropolitanas, concluímos com as outras oito Igrejas que não se enquadram  nos grupos anteriores, sendo conhecidas simplesmente como "Igrejas orientais sui iuris" (isto é, com direito próprio).

D. OUTRAS IGREJAS ORIENTAIS SUI IURIS

Não possuem um Sínodo ou Conselho de Hierarcas, pois se tratam de Igrejas menores, com uma ou duas circunscrições eclesiásticas e poucos fiéis. São governadas por um ou mais Bispos, nomeados diretamente pelo Papa.

Essas Igrejas são oito:

16. IGREJA CATÓLICA GREGA
Rito: Bizantino
Número de fiéis: 6 mil
Formada por dois Exarcados:

16.1 Exarcado Apostólico para a Grécia
Sede: Atenas (Grécia)
Vacante (desde janeiro de 2026)

16.2 Exarcado Apostólico para a Turquia
Sede: Istambul (Turquia)
Vacante (desde 1957)

17. IGREJA CATÓLICA ÍTALO-ALBANESA
Rito: Bizantino
Número de fiéis: 56 mil
Formada por duas Eparquias e uma Abadia Territorial:

17.1 Eparquia de Lungro dos Ítalo-Albaneses
Sede: Lungro, Calábria (Itália)

Eparca: Dom Donato Oliverio
Nascimento: 05/03/1956 - Eleição: 12/05/2012


17.2 Eparquia de Piana dos Ítalo-Albaneses
Sede: Piana, Sicília (Itália)

Eparca: Dom Raffaele De Angelis
Nascimento: 24/10/1979 - Eleição: 30/08/2025


17.3 Abadia Territorial de Grottaferrata
Sede: Grottaferrata, Lácio (Itália)

Exarca Apostólico: Dom Manuel Nin
Nascimento: 20/08/1956 - Eleição: 31/01/2026


18. IGREJA GRECO-CATÓLICA ALBANESA
Rito: Bizantino
Número de fiéis: 3 mil

Administração Apostólica da Albânia Meridional
Sede: Vlore (Albânia)
Vacante (desde 2024)

19. IGREJA GRECO-CATÓLICA BÚLGARA
Rito: Bizantino
Número de fiéis: 10 mil

Eparquia de São João XXIII de Sófia
Sede: Sófia (Bulgária)

Eparca: Dom Petko Valov
Nascimento: 08/01/1966 - Eleição: 08/04/2024


20. IGREJA GRECO-CATÓLICA CROATA E SÉRVIA
Rito: Bizantino
Número de fiéis: 43 mil
Formada por duas Eparquias:

20.1 Eparquia de Križevci
Sede: Zagreb (Croácia)

Eparca: Dom Milan Stipić
Nascimento: 28/12/1978 - Eleição: 08/09/2020


20.2 Eparquia de São Nicolau de Ruski Krstur
Sede: Novi Sad (Sérvia)

Eparca: Dom Djura Džudžar
Nascimento: 22/04/1954 - Eleição: 28/08/2003 (como Exarca)
(Elevado a Eparca em 06/12/2018)


21. IGREJA GRECO-CATÓLICA MACEDÔNIA
Rito: Bizantino
Número de fiéis: 11 mil

Eparquia da Bem-aventurada Virgem Maria Assunta em Strumica-Skopje 
Sede: Skopje (Macedônia do Norte)

Eparca: Dom Kiro Stojanov
Nascimento: 09/04/1959 - Eleição: 20/07/2005 (como Exarca)
(Elevado a Eparca em 31/05/2018)


22. IGREJA GRECO-CATÓLICA BIELORRUSSA
Rito: Bizantino
Número de fiéis: 5 mil

Administração Apostólica para os católicos de Rito Bizantino na Bielorrússia
Sede: Minsk (Bielorrússia)

Administrador Apostólico: Arquimandrita Jan Sergiusz Gajek
Nascimento: 08/02/1949 - Eleição: 30/03/2023
(Embora não seja Bispo, pode usar insígnias episcopais)


23. IGREJA GRECO-CATÓLICA RUSSA
Rito: Bizantino
Não está organizada hierarquicamente.

23.1 Exarcado Apostólico da Rússia
Vacante (desde 1951)

23.2 Exarcado Apostólico de Harbin (China)
Vacante (desde 1952)

Por fim, cabe destacar ainda a Administração Apostólica para os católicos de Rito Bizantino no Cazaquistão e Ásia Central, instituída pelo Papa Francisco em 2019, que abrange cinco países: Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão.

Administração Apostólica para os católicos de Rito Bizantino no Cazaquistão e Ásia Central
Sede: Karaganda (Cazaquistão)
Número de fiéis: cerca de 10 mil

Administrador Apostólico: Arcipreste Vasyl Hovera
Nascimento: 11/12/1972 - Eleição: 01/06/2019
(Embora não seja Bispo, pode usar insígnias episcopais)


Para conhecer as outras igrejas Católicas Orientais clique nos links abaixo:
A. Igrejas patriarcais (Maronita, Caldeia, Siríaca, Melquita, Armênia e Copta)
B. Igrejas arquiepiscopais-maiores (Ucraniana, Sírio-Malabar, Sírio-Malankar e Romena)
C. Igrejas metropolitanas (Etíope, Rutena, Eslovaca, Eritreia e Húngara)


Postagem publicada em 10 de outubro de 2017. Última atualização: 31 de janeiro de 2026 (Nomeação de Dom Manuel Nin como Exarca da Abadia de Grottaferrata).

As Igrejas Católicas Orientais 3: As Igrejas Metropolitanas

Esta é a terceira parte da nossa breve série de postagens sobre as Igrejas Católicas Orientais. Para acessar a primeira parte, com a introdução ao tema, clique aqui.

Após apresentarmos as Igrejas patriarcais e as Igrejas arquiepiscopais-maiores, prosseguimos nossa pesquisa com as cinco Igrejas Metropolitanas (confira o link para a próxima parte no final da postagem).

C. IGREJAS METROPOLITANAS

As Igrejas Metropolitanas sui iuris (isto é, com direito próprio) são governadas por um Arcebispo Metropolitano, nomeado pelo Papa. Possuem também um Conselho de Hierarcas, composto por todos os Bispos da Igreja, a quem compete apresentar ao Papa sugestões de nomes no caso da eleição de Bispos e gerir questões menores.

As cinco Igrejas Metropolitanas sui iuris atualmente são:

11. IGREJA CATÓLICA ETÍOPE
Rito: Alexandrino (Tradição etíope)
Sede: Addis Abeba, Etiópia
Número de fiéis: 70 mil

Hierarca: Tesfaye Tadesse Gebresilasie, Metropolita de Addis Abeba
Nascimento: 22/09/1969 - Eleição: 12/06/2026

12. IGREJA GRECO-CATÓLICA RUTENA
Rito: Bizantino
Sede: Pittsburgh, EUA
Número de fiéis: 420 mil

Hierarca: William Charles Skurla, Metropolita de Pittsburgh
Nascimento: 01/06/1956 - Eleição: 19/01/2012


13. IGREJA GRECO-CATÓLICA ESLOVACA
Rito: Bizantino
Sede: Prešov, Eslováquia
Número de fiéis: 210 mil

Hierarca: Jonáš Jozef Maxim, Metropolita de Prešov
Nascimento: 21/11/1974 - Eleição: 26/10/2023


14. IGREJA CATÓLICA ERITREIA
Rito: Alexandrino (Tradição etíope)
Sede: Asmara, Eritreia
Número de fiéis: 160 mil

Hierarca: Menghesteab Tesfamariam, Metropolita de Asmara
Nascimento: 24/12/1948 - Eleição: 25/07/2001 (como Eparca)
(Elevado a Metropolita: 19/01/2015)


15. IGREJA GRECO-CATÓLICA HÚNGARA
Rito: Bizantino
Sede: Hajdúdorog, Hungria
Número de fiéis: 250 mil

Hierarca: Péter Fülöp Kocsis, Metropolita de Hajdúdorog
Nascimento: 13/01/1963 - Eleição: 02/05/2008 (como Eparca)
(Elevado a Metropolita: 20/03/2015)


Para conhecer as outras Igrejas Católicas Orientais clique nos links abaixo:
A. Igrejas patriarcais (Maronita, Caldeia, Siríaca, Melquita, Armênia e Copta)
B. Igrejas arquiepiscopais-maiores (Ucraniana, Sírio-Malabar, Sírio-Malankar e Romena)

D. Outras Igrejas sui iuris (Grega, Ítalo-Albanesa, Albanesa, Búlgara, Croata, Macedônia, Bielorrussa e Russa).

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

As Igrejas Católicas Orientais 2: Os Arcebispados Maiores

Esta é a segunda parte da nossa breve série de postagens sobre as Igrejas Católicas Orientais. Para acessar a primeira parte, com a introdução ao tema e a apresentação das seis igrejas patriarcais, clique aqui.

Seguimos apresentando nesta postagem as quatro igrejas arquiepiscopais-maiores (confira os links para as próximas partes no final da postagem):

B. IGREJAS ARQUIEPISCOPAIS MAIORES

Estas igrejas são governadas por um Arcebispo Maior e pelo respectivo Sínodo, composto por todos os Bispos. Possuem praticamente as mesmas prerrogativas de uma igreja patriarcal, exceto que a eleição do Arcebispo Maior necessita da aprovação do Papa.

Os quatro Arcebispados Maiores são:

7. IGREJA GRECO-CATÓLICA UCRANIANA
Rito: Bizantino
Sede: Kiev, Ucrânia
Número de fiéis: 4,6 milhões

Hierarca: Sviatoslav Shevchuk, Arcebispo Maior de Kiev-Halic
Nascimento: 05/05/1970 - Eleição: 23/03/2011


8. IGREJA SÍRIO-MALABAR
Rito: Siríaco Oriental ou Caldeu
Sede: Kerala, Índia
Número de fiéis: 4,1 milhões

Hierarca: Raphael Thattil, Arcebispo Maior de Ernakulam-Angamaly
Nascimento: 21/04/1956 - Eleição: 09/01/2024


9. IGREJA SÍRIO-MALANKAR
Rito: Siríaco Ocidental ou Antioqueno
Sede: Kerala, Índia
Número de fiéis: 450 mil

Hierarca: Cardeal Baselios Cleemis Thottunkal, Arcebispo Maior de Trivandrum
Nascimento: 15/06/1959 - Eleição: 08/02/2007


10. IGREJA GRECO-CATÓLICA ROMENA
Rito: Bizantino
Sede: Blaj, Romênia
Número de fiéis: 500 mil

Hierarca: Claudiu-Lucian Pop, Arcebispo Maior de Fagaras e Alba Iulia
Nascimento: 22/07/1972 - Eleição: 06/11/2025


Para conhecer as outras igrejas Católicas Orientais clique nos links abaixo:
A. Igrejas patriarcais (Maronita, Caldeia, Siríaca, Melquita, Armênia e Copta)

C. Igrejas metropolitanas (Etíope, Rutena, Eslovaca, Eritreia e Húngara)
D. Outras igrejas sui iuris (Grega, Ítalo-Albanesa, Albanesa, Búlgara, Croata, Macedônia, Bielorrussa e Russa).

As Igrejas Católicas Orientais 1: As Igrejas patriarcais

Por ocasião da Assembleia Plenária da Congregação para as Igrejas Orientais, celebrando o centenário desta instituição (1917-2017), aproveitamos a ocasião para falar um pouco sobre as Igrejas Católicas Orientais, como já fizemos em postagens anteriores com as 14 Igrejas Ortodoxas Bizantinas e as 07 Igrejas Ortodoxas Orientais ou Pré-Calcedonianas.

As Igrejas Católicas Orientais são um grupo de 23 igrejas, com atualmente cerca de 17 milhões de fiéis, em plena comunhão com o Bispo de Roma, isto é, o Papa, mas que conservam suas próprias tradições litúrgicas, divididas em cinco grandes ritos: bizantino, alexandrino, antioqueno (ou siríaco ocidental), caldeu (ou siríaco oriental) e armênio.

Tais igrejas são regidas pelo Código de Cânones das Igrejas Orientais (Codex Canonum Ecclesiarum Orientalium) e possuem certa autonomia em questões administrativas. O grau dessa autonomia, porém, varia conforme o status da igreja: igrejas patriarcais, arquiepiscopais-maiores, metropolitanas e outras igrejas sui iuris.

Nesta primeira parte da nossa pesquisa apresentaremos as seis igrejas patriarcais (confira os links para as próximas partes no final da postagem).

A. IGREJAS PATRIARCAIS

São governadas por um Patriarca e pelo Sínodo da respectiva igreja, composto por todos os Bispos. A eles compete, por exemplo, a criação de dioceses (eparquias) e a nomeação dos Bispos. O Patriarca é eleito pelo Sínodo sem necessitar da aprovação do Papa: este apenas concede a “comunhão eclesiástica” ao eleito.

As igrejas patriarcais são seis:

1. IGREJA MARONITA
Rito: Siríaco Ocidental ou Antioqueno
Sede: Bkerké, Líbano
Número de fiéis: 3,5 milhões

Hierarca: Cardeal Béchara Boutros Raï, Patriarca de Antioquia dos Maronitas
Nascimento: 25/02/1940 - Eleição: 15/03/2011


2. IGREJA CATÓLICA CALDEIA
Rito: Siríaco Oriental ou Caldeu
Sede: Bagdá, Iraque
Número de fiéis: 640 mil

Hierarca: Paulo III Nona, Patriarca de Bagdá dos Caldeus
Nascimento: 01/11/1967 - Eleição: 12/04/2026
3. IGREJA CATÓLICA SIRÍACA
Rito: Siríaco Ocidental ou Antioqueno
Sede: Beirute, Líbano
Número de fiéis: 200 mil

Hierarca: Ignace Joseph III Younan, Patriarca de Antioquia dos Siríacos
Nascimento: 15/11/1944 - Eleição: 20/01/2009


4. IGREJA CATÓLICA GRECO-MELQUITA
Rito: Bizantino
Sede: Damasco, Síria
Número de fiéis: 1,5 milhão

Hierarca: Youssef Absi, Patriarca de Antioquia dos Melquitas
Nascimento: 20/06/1946 - Eleição: 21/06/2017

5. IGREJA CATÓLICA ARMÊNIA
Rito: Armênio
Sede: Beirute, Líbano
Número de fiéis: 730 mil

Hierarca: Raphaël Bedros XXI Minassian, Patriarca de Cilícia dos Armênios
Nascimento: 24/10/1946 - Eleição: 23/09/2021


6. IGREJA CATÓLICA COPTA
Rito: Alexandrino (tradição copta)
Sede: Cairo, Egito
Número de fiéis: 170 mil

Hierarca: Ibrahim Isaac Sidrak, Patriarca de Alexandria dos Coptas
Nascimento: 19/08/1955 - Eleição: 15/01/2013


Para conhecer as outras igrejas Católicas Orientais clique nos links abaixo:
B. Igrejas arquiepiscopais-maiores (Ucraniana, Sírio-Malabar, Sírio-Malankar e Romena)
C. Igrejas metropolitanas (Etíope, Rutena, Eslovaca, Eritreia e Húngara)
D. Outras Igrejas sui iuris (Grega, Ítalo-Albanesa, Albanesa, Búlgara, Croata, Macedônia, Bielorrussa e Russa).

Confira também: 

Para saber mais:
Concílio Vaticano II. Decreto Orientalium Ecclesiarum. Vaticano, 1964.
João Paulo II. Carta Apostólica Orientale Lumen. Vaticano, 1995.
Cavalcante, Hugo. Introdução ao estudo do Código de Cânones das Igrejas Orientais. São Paulo: Loyola, 2009.

As informações sobre as igrejas encontram-se no site Catholic Hierarchy. Os dados estatísticos foram tomados do Anuário Pontifício de 2016.

Postagem publicada em 09 de outubro de 2017. Última atualização: 12 de abril de 2026 (Eleição do Patriarca da Igreja Caldeia, Paulo III Nona).

domingo, 8 de outubro de 2017

Homilia: XXVII Domingo do Tempo Comum - Ano A

São Macário, o Grande
Sermão 28 (atribuído)
Ai da alma na qual não habita Cristo!

Assim como Deus em outro tempo, irritado contra os judeus, entregou Jerusalém à afronta de seus inimigos e seus adversários os submeteram, de maneira que já não restaram nela nem festas nem sacrifícios, assim também agora, encolerizado contra a alma que viola os seus mandatos, a entrega em poder dos mesmos inimigos que a seduziram até torna-la feia.
E da mesma forma que uma casa, se não habita nela seu dono, se cobre de trevas, de ignomínia e de afronta, e fica toda cheia de sujeira e imundície, assim também a alma, privada do seu Senhor e da presença alegre de seus anjos, fica repleta das trevas do pecado, da fealdade das paixões e de todo o tipo de desonra.
Ai do caminho pelo qual ninguém passa, e no qual não se ouve nenhuma voz humana, porque se torna asilo de animais! Ai da alma pela qual o Senhor não caminha, nem afugenta dela com a sua voz as bestas espirituais da maldade! Ai da casa na qual não habita o seu dono! Ai da terra privada de colono que a cultive! Ai do barco privado de piloto, porque, acometido pelas ondas e tempestades do mar, acaba por naufragar! Ai da alma que não traz em si o verdadeiro piloto, Cristo, porque, colocada em um cruel mar de trevas, sacudida pelas ondas de suas paixões e atacada pelos espíritos malignos como por uma tempestade de inverno, acabará naufragando!
Ai da alma privada do cultivo dedicado de Cristo, que é aquele que faz produzir os bons frutos do Espírito, porque, encontrando-se abandonada, cheia de espinhos e de abrolhos, em vez de produzir fruto, acaba na fogueira! Ai da alma na qual não habita Cristo, seu Senhor, porque ao encontrar-se abandonada e cheia dos mais odores de suas paixões, torna-se hospedagem de todos os vícios!
Assim como o colono, quando se dispõe a cultivar a terra, necessita dos instrumentos e vestes apropriados, assim também Cristo, o rei celestial e verdadeiro agricultor, ao visitar a humanidade desolada pelo pecado, tendo-se revestido de um corpo humano e levando a cruz como instrumento, cultivou a alma abandonada, arrancou dela os espinhos e abrolhos dos maus espíritos, extraiu a cizânia do pecado e lançou ao fogo toda a erva má; e, tendo-a assim trabalhado incansavelmente com o madeiro da cruz, plantou nela o belíssimo horto do Espírito: horto que produz para Deus, seu Senhor, um fruto agradável e suavíssimo.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 229-230. Para adquiri-lo no site da Editora Vozes, clique aqui.

Confira também uma homilia de Santo Irineu de Lião para este domingo clicando aqui.