sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Ângelus: XXI Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 23 de agosto de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
O Evangelho deste domingo (Mt 16,13-20) nos coloca diante de uma pergunta que interpela cada um de nós no caminho da fé: quem é realmente Jesus para mim?

A partir do relato evangélico percebe-se o quanto esta pergunta é decisiva para a experiência do discipulado. Na verdade, ainda que os doze Apóstolos já tivessem compartilhado muito da vida e do ministério do Mestre, Jesus não quis pressupor que eles o conheciam realmente e que tinham compreendido o mistério do Reino de Deus. Então, depois de perguntar quais eram as opiniões das pessoas sobre Ele, dirige-se diretamente a eles: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» (v. 15).

Irmãos e irmãs, este é um passo fundamental para os discípulos de todos os tempos, para cada um de nós. Com efeito, a fé não nos é dada de uma vez para sempre; pelo contrário, precisamos redescobrir constantemente o rosto de Cristo e o seu Evangelho, aprofundar a sua mensagem e renovar as escolhas da nossa vida, para que sejam coerentes com o que professamos, vencendo a tentação de pensar que já sabemos tudo e de transformar a fé em um costume.

A pergunta que diariamente nos é colocada - quem é Jesus para mim e qual o significado da sua presença na minha vida - surge especialmente na oração e quando meditamos sobre o Evangelho; mas também quando nos deparamos com as feridas e as necessidades dos irmãos, ou nas relações e situações que mais interpelam a nossa consciência. Enfim, no âmbito da nossa vida, podemos avaliar se, para nós, o Senhor Jesus é apenas uma grande figura da história que disse e fez coisas importantes, ou se é o Cristo de Deus, Aquele que foi enviado para nos introduzir no amor do Pai e transformar a nossa vida e o mundo em que vivemos.

Caríssimos, aprendamos a não nos fecharmos nas nossas convicções e certezas religiosas, para nos mantermos abertos a uma relação autêntica com Cristo. Por vezes, no que diz respeito à fé cristã, nos contentamos com o que “ouvimos dizer”, com os lugares-comuns, com aquilo que nos foi transmitido, talvez até com boas intenções; mas Jesus nos chama a uma resposta pessoal, a conhecê-lo de perto, a nos deixarmos escrutinar a partir da amizade com Ele, em um encontro sempre novo que pode nos exigir percorrer caminhos inéditos e fazer escolhas diferentes das que imaginávamos. Isto é válido tanto para o nosso percurso pessoal como para o caminho da Igreja e para as escolhas pastorais, onde, por vezes, pensamos que basta continuar a fazer como sempre fizemos. É importante, pelo contrário, nos perguntarmos frequentemente: quem é o Senhor para mim? Conheço-o realmente? O que me pede hoje o seu Evangelho? Que passos e que escolhas deveria tomar?

Invoquemos a Virgem Maria, que no seu coração procurava a vontade de Deus através do seu Filho, para que nos guie sempre no caminho da fé.

Profissão de fé de Pedro (James Tissot)

Fonte: Santa Sé.

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