quarta-feira, 1 de abril de 2026

Homilia do Papa Bento XVI: Missa Crismal (2006)

Há cerca de 20 anos, na manhã da Quinta-feira Santa, 13 de abril de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) celebrou a Missa Crismal (Missa dos Santos Óleos) na Basílica de São Pedro. Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:

Santa Missa Crismal
Homilia do Papa Bento XVI
Basílica de São Pedro
Quinta-feira Santa, 13 de abril de 2006

Caros irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Queridos irmãos e irmãs,
1. A Quinta-feira Santa é o dia no qual o Senhor confiou aos Doze a tarefa sacerdotal de celebrar, no pão e no vinho, o Sacramento do seu Corpo e do seu Sangue até a sua volta. O cordeiro pascal e todos os sacrifícios da Antiga Aliança são substituídos pelo dom do seu Corpo e do seu Sangue, pelo dom de si mesmo. Assim, o novo culto se fundamenta no fato de que, antes de tudo, Deus nos concede um dom e nós, repletos deste dom, nos tornamos seus: a criação regressa ao Criador. Assim, também o sacerdócio se tornou uma coisa nova: não é mais questão de descendência, mas um encontrar-se no mistério de Jesus Cristo.


Ele é sempre Aquele que doa e nos eleva, nos atrai a si. Somente Ele pode dizer: «Isto é o meu Corpo - Isto é o meu Sangue». O mistério do sacerdócio da Igreja se encontra no fato de que nós, pobres seres humanos, em virtude do Sacramento podemos falar com o seu Eu: in persona Christi. Ele quer exercer o seu sacerdócio através de nós. Este mistério comovedor, que em cada celebração do Sacramento nos toca novamente, nós o recordamos de maneira particular na Quinta-feira Santa. Para que a vida quotidiana não desperdice o que é grande e misterioso, temos necessidade dessa lembrança específica, precisamos retornar àquela hora em que Ele impôs as suas mãos sobre nós e nos tornou participantes desse mistério.

Homilia do Papa João Paulo II: Missa Crismal (2001)

Há cerca de 25 anos, na manhã da Quinta-feira Santa, 12 de abril de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa Crismal (Missa dos Santos Óleos) na Basílica de São Pedro. Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:

Santa Missa Crismal
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica de São Pedro
Quinta-feira Santa, 12 de abril de 2001

1. «Spiritus Domini super me, eo quod unxerit Dominus me» - «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu» (Is 61,1).

Nestes versículos, tomados do Livro de Isaías, está contido o “fio-condutor” da Missa Crismal. A nossa atenção se concentra sobre a unção, dado que daqui a pouco serão abençoados o Óleo dos Catecúmenos, o Óleo dos Enfermos e o Crisma.

Vivemos esta manhã uma festa particular no sinal do «óleo da alegria» (Sl 44,8). É festa do povo de Deus, que hoje fixa o olhar no mistério da unção, que marca a vida de cada cristão, a partir do dia do Batismo.


É festa, de maneira especial, de todos nós, caríssimos e venerados irmãos no Sacerdócio, ordenados presbíteros para o serviço do povo cristão. Agradeço-vos cordialmente pela vossa numerosa presença em torno do altar da Confissão de São Pedro. Vós representais o presbitério romano e, em certo sentido, o presbitério do mundo.

Celebramos a Missa Crismal às portas do Tríduo Pascal, centro e ápice do Ano Litúrgico. Este sugestivo rito toma a sua luz, por assim dizer, do Cenáculo, isto é, do mistério de Cristo Sacerdote, que na Última Ceia se consagra a si mesmo, antecipando o sacrifício cruento do Gólgota. É da Mesa eucarística que desce a sagrada unção. O Espírito divino difunde o seu místico perfume em toda a casa (cf. Jo 12,3), isto é, na Igreja, e torna especialmente os sacerdotes participantes da mesma consagração de Jesus (cf. Coleta).

Catequeses do Jubileu 2025: Páscoa de Jesus 4

Quase concluindo as reflexões sobre a Páscoa de Jesus dentro das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, confira as duas meditações do Papa Leão XIV ligadas ao Sábado Santo: o sepulcro (Jo 19,38-42) e a descida (1Pd 3,18-19).

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 17 de setembro de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
3.7. A Páscoa de Jesus: O sepulcro (Jo 19,38-42)

Queridos irmãos e irmãs,
No nosso caminho de Catequeses sobre Jesus, nossa esperança, contemplemos hoje o mistério do Sábado Santo. O Filho de Deus jaz no sepulcro. Mas esta sua “ausência” não é um vazio: é espera, plenitude contida, promessa guardada na escuridão. É o dia do grande silêncio, no qual o céu parece mudo e a terra imóvel, mas é precisamente ali que se realiza o mistério mais profundo da fé cristã. É um silêncio “grávido” de sentido, como o ventre de uma mãe que guarda o filho que ainda não nasceu, mas já está vivo.

O corpo de Jesus, descido da cruz, é cuidadosamente envolvido em faixas, como se faz com o que é precioso. O evangelista João nos diz que foi sepultado em um jardim, dentro de «um túmulo novo, onde ninguém ainda tinha sido sepultado» (Jo 19,41). Nada é deixado ao acaso. Aquele jardim remete ao Éden perdido, o lugar onde Deus e o homem estavam unidos. E aquele sepulcro nunca usado fala de algo que ainda deve acontecer: é um limiar, não um fim. No início da criação, Deus plantou um jardim; agora também a nova criação tem início em um jardim: com um túmulo fechado que logo se abrirá!

Sepultamento de Jesus (Alessandro Tiarini)

O Sábado Santo é também um dia de repouso. Segundo a Lei judaica, no sétimo dia não se deve trabalhar: com efeito, após seis dias de criação, Deus descansou (cf. Gn 2,2). Agora também o Filho, depois de ter completado a sua obra de salvação, descansa. Não porque está cansado, mas porque terminou o seu trabalho. Não porque se rendeu, mas porque amou até o fim. Não há mais nada a acrescentar. Esse descanso é o selo da obra realizada, é a confirmação de que aquilo que devia ser feito foi verdadeiramente concluído. É um descanso repleto da presença oculta do Senhor.

Temos dificuldade de parar e descansar. Vivemos como se a vida nunca fosse suficiente. Corremos para produzir, para demonstrar, para não perder terreno. Mas o Evangelho nos ensina que saber parar é um gesto de confiança que devemos aprender a realizar. O Sábado Santo nos convida a descobrir que a vida nem sempre depende daquilo que fazemos, mas também de como sabemos nos desapegar daquilo que pudemos fazer.

terça-feira, 31 de março de 2026

Posse do Arcebispo de Lódz (2026)

No dia 28 de março de 2026, sábado da V semana da Quaresma, o Cardeal Konrad Krajewski, após sua nomeação pelo Papa Leão XIV no dia 12 de março, tomou posse como novo Arcebispo Metropolitano de Łódź (Polônia) durante a Missa celebrada na Catedral de Santo Estanislau Kostka.

Como no caso da recente posse do Arcebispo de Cracóvia, o início da celebração foi presidido pelo Núncio Apostólico na Polônia, Dom Antonio Guido Filipazzi, que entregou o báculo ao novo Arcebispo (dois gestos, porém, que não são previstos pelo Cerimonial dos Bispos).

Cardeais Nycz, Krajewski e Ryś
Veneração da cruz
Oração diante do Santíssimo Sacramento

Ritos iniciais

Fotos da Missa do Papa em Mônaco (2026)

Na tarde do dia 28 de março de 2026 o Papa Leão XIV celebrou a Missa do sábado da V semana da Quaresma no Estádio Luís II em Mônaco durante sua Viagem Apostólica ao Principado de Mônaco.

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Procissão de entrada

Incensação do altar
Ritos iniciais
Liturgia da Palavra

Homilia do Papa: Missa em Mônaco (2026)

Viagem Apostólica ao Principado de Mônaco
Santa Missa
Homilia do Papa Leão XIV
Estádio Luís II
Sábado, 28 de março de 2026

Foi celebrada a Missa do sábado da V semana da Quaresma.

Queridos irmãos e irmãs,
O Evangelho que acabamos de ouvir (Jo 11,45-57) relata uma sentença cruel contra Jesus: nos fala, com efeito, do dia em que os membros do Sinédrio «tomaram a decisão de matar Jesus» (v. 53). Por que acontece isso? Porque Ele ressuscitou Lázaro dos mortos; porque devolveu a vida ao seu amigo, chorando junto ao seu túmulo e unindo-se à dor de Marta e Maria. Justamente Ele, que veio ao mundo para nos libertar da condenação da morte, é condenado à morte. Não se trata de uma fatalidade, mas de uma vontade precisa e ponderada.


Na verdade, o veredito de Caifás e do Sinédrio é fruto de um cálculo político, fundamentado no medo: se Jesus continua a fomentar esperança, transformando a dor do povo em alegria, «virão os romanos» e destruirão a nação (v. 48). Em vez de reconhecerem no Nazareno o Messias, ou seja, o Cristo tão esperado, os chefes religiosos veem n’Ele uma ameaça. O olhar deles está a tal ponto enviesado que são exatamente os doutores da Lei a violá-la. Esquecendo a promessa de Deus ao seu povo, querem matar o inocente, porque por trás do seu temor está o apego ao poder. No entanto, se os homens esquecem a Lei que ordena não matar, Deus não esquece a promessa que prepara o mundo para a salvação. A sua providência faz daquela sentença homicida o meio para manifestar um supremo desígnio de amor: por mais perverso que fosse, Caifás «profetizou que Jesus iria morrer pela nação» (v. 51).

segunda-feira, 30 de março de 2026

Catequese do Papa Bento XVI: Semana Santa (2006)

Na manhã da Quarta-feira da Semana Santa de 2006, há cerca de 20 anos, o Papa Bento XVI (†2022) proferiu uma Catequese sobre o Tríduo Pascal que repropomos a seguir:

Papa Bento XVI
Audiência Geral
Quarta-feira, 12 de abril de 2006
O Tríduo Pascal

Queridos irmãos e irmãs,
1. Inicia amanhã o Tríduo Pascal, que é o centro de todo o Ano Litúrgico. Ajudados pelos ritos sagrados de Quinta-feira Santa, da Sexta-feira Santa e da solene Vigília Pascal, reviveremos o mistério da Paixão, da Morte e da Ressurreição do Senhor. Estes são dias adequados para despertar em nós um desejo mais profundo de aderir a Cristo e de segui-lo generosamente, conscientes de que Ele nos amou a ponto de dar a sua vida por nós.

Com efeito, o que são os acontecimentos que o Tríduo santo nos repropõe, senão a manifestação sublime desse amor de Deus pelo homem? Portanto, preparemo-nos para celebrar o Tríduo Pascal acolhendo a exortação de Santo Agostinho: «Considera agora atentamente os três dias santos da Crucificação, da Sepultura e da Ressurreição do Senhor. Destes três mistérios realizamos na vida presente aquilo de que a Cruz é símbolo, enquanto cumprimos por meio da fé e da esperança aquilo de que são símbolo a Sepultura e a Ressurreição» (Carta 55, 14, 24:  Nova Biblioteca Agostiniana, XXI/II, Roma, 1969, p. 477).


2. O Tríduo Pascal se abre amanhã, Quinta-feira Santa, com a Missa vespertina da Ceia do Senhor (in Cena Domini), embora pela manhã normalmente tenha lugar outra significativa celebração litúrgica, a Missa Crismal, durante a qual, reunido em torno ao Bispo, todos os presbíteros de cada Diocese renovam as promessas sacerdotais e participam da bênção dos Óleos dos Catecúmenos, dos Enfermos e do Crisma, e assim faremos amanhã cedo também aqui, em São Pedro.

Além da instituição do Sacerdócio, neste dia santo se comemora a oferta total que Cristo fez de si mesmo à humanidade no sacramento da Eucaristia. Naquela mesma noite em que foi entregue, Ele nos deixou, como recorda a Sagrada Escritura, o “mandamento novo” - “mandatum novum - do amor fraterno realizando o gesto tocante do lava-pés, que recorda o humilde serviço dos servos.

Catequese do Papa João Paulo II: Semana Santa (2001)

Nesta Semana Santa recordamos a Catequese proferida pelo Papa São João Paulo II (†2005) há 25 anos, no dia 11 de abril de 2001, Quarta-feira da Semana Santa, intitulada: No coração do Tríduo Pascal, o mistério de um amor sem limites.

João Paulo II
Audiência Geral
Quarta-feira, 11 de abril de 2001
No coração do Tríduo Pascal, o mistério de um amor sem limites

Queridos irmãos e irmãs,
1. Estamos às vésperas do Tríduo Pascal, já imersos no clima espiritual da Semana Santa. De amanhã a domingo viveremos os dias centrais da Liturgia, que nos repropõem o mistério da Paixão, da Morte e da Ressurreição do Senhor. Nas suas homilias, os Padres fazem muitas vezes referência a estes dias que, como observa Santo Atanásio, nos introduzem «naquele tempo que nos leva e nos faz conhecer um novo início, o dia da santa Páscoa, na qual o Senhor se imolou». Ele descreve assim o período que estamos vivendo nas suas Cartas pascais (Carta 5, 1-2; PG 26, 1379). No próximo domingo o Prefácio pascal nos fará cantar com grande vigor que Cristo «ressurgindo, restaurou a vida».


No coração desse Tríduo sagrado está o mistério de um amor sem limites, isto é, o mistério de Jesus que «tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim» (Jo 13,1). Propus novamente este impressionante e doce mistério aos sacerdotes na Carta que, como todos os anos, lhes enviei por ocasião da Quinta-feira Santa.

Convido também vós a refletir sobre esse mesmo amor para vos predispor dignamente a reviver as últimas etapas da vida terrena de Jesus. Amanhã entraremos no Cenáculo para acolher o dom extraordinário da Eucaristia, do Sacerdócio e do Mandamento novo. Repercorreremos na Sexta-feira Santa o caminho doloroso que leva ao Calvário, onde Cristo consumará o seu sacrifício. No Sábado Santo esperaremos em silêncio o início da solene Vigília Pascal.

domingo, 29 de março de 2026

Homilia do Papa Bento XVI: Domingo de Ramos (2006)

Há 20 anos, no dia 09 de abril de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) celebrou a Missa do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor (Ano B) na Praça de São Pedro. Na mesma ocasião se celebrou a XXI Jornada Mundial da Juventude, com a entrega da Cruz aos jovens de Sydney (Austrália).

Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:

Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor
XXI Jornada Mundial da Juventude
Homilia do Papa Bento XVI
Praça de São Pedro
Domingo, 09 de abril de 2006

Amados irmãos e irmãs,
1. Há vinte anos, graças ao Papa João Paulo II, o Domingo de Ramos tornou-se de modo particular o dia da juventude - o dia em que os jovens em todo o mundo vão ao encontro de Cristo desejando acompanhá-lo nas suas cidades e nos seus países, para que Ele permaneça no meio de nós e possa estabelecer no mundo a sua paz. Se queremos ir ao encontro de Jesus e assim caminhar juntamente com Ele ao longo da sua estrada, deveremos, porém, perguntar: Qual é o caminho pelo qual Ele pretende nos guiar? O que nós esperamos d’Ele? O que Ele espera de nós?


2. Para compreender o que aconteceu no Domingo de Ramos e descobrir o que significa, não só para aquela época, mas para todos os tempos, é importante um detalhe, que se tornou a chave para a compreensão desse acontecimento para os seus discípulos quando, após a Páscoa, eles repassaram com um novo olhar aqueles dias tumultuosos.

Jesus entra na Cidade Santa montado em um jumento, ou seja, o animal das pessoas simples do campo, e além disso em um jumento que não lhe pertence, mas que Ele, para essa ocasião, pede emprestado. Não chega em uma majestosa carruagem real, nem a cavalo, como os poderosos do mundo, mas em um jumento emprestado. João nos conta que, em um primeiro momento, os discípulos não o compreenderam. Somente depois da Páscoa se deram conta de que Jesus, agindo assim, estava cumprindo os anúncios dos profetas; entenderam que sua ação derivava da Palavra de Deus e a levava a cumprimento. Recordaram, diz João, que no profeta Zacarias se lê: «Não temas, filha de Sião! Eis que o teu rei vem montado em um jumentinho!» (Jo 12,15; cf. Zc 9,9).

Homilia do Papa João Paulo II: Domingo de Ramos (2001)

Há 25 anos, no dia 08 de abril de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor (Ano C) na Praça de São Pedro. Na mesma ocasião se celebrou a XVI Jornada Mundial da Juventude, com a entrega da Cruz aos jovens de Toronto (Canadá).

Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:

Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor
XVI Jornada Mundial da Juventude
Homilia do Papa João Paulo II
Praça de São Pedro
Domingo, 08 de abril de 2001

1. «Hosana!», «Crucifica-o!». Poderíamos resumir com estas duas palavras, provavelmente pronunciadas pela mesma multidão à distância de poucos dias, o significado dos dois acontecimentos que recordamos nesta Liturgia dominical.

Com a aclamação «Bendito o que vem!», em um ímpeto de entusiasmo, o povo de Jerusalém, agitando ramos de palmeira, acolhe Jesus que entra na cidade montado em um jumento. Com o «Crucifica-o!», gritado duas vezes em um crescente furor, a multidão exige ao governador romano a condenação do réu que está de pé, em silêncio, no Pretório.


A nossa celebração, portanto, começa com um «Hosana!» e termina com um «Crucifica-o!». Os ramos do triunfo e a cruz da Paixão: não é uma contradição, ao contrário, é o coração do mistério que queremos proclamar. Jesus se entregou voluntariamente à Paixão, não foi esmagado por forças maiores do que Ele. Enfrentou livremente a morte de cruz e triunfou na morte.

Perscrutando a vontade do Pai, Ele compreendeu que tinha chegado a «hora» e a acolheu com a obediência livre do Filho e com infinito amor pelos homens: «Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim» (Jo 13,1).

2. Hoje olhamos para Jesus que se aproxima do final da sua vida e se apresenta como Messias esperado pelo povo, enviado por Deus e vindo em seu nome para trazer a paz e a salvação, embora de uma forma diferente daquela que os seus contemporâneos esperavam.

sábado, 28 de março de 2026

Festa da Anunciação do Senhor em Kiev (2026)

No dia 25 de março de 2026 o Arcebispo Maior da Igreja Greco-Católica Ucraniana, Dom Sviatoslav Shevchuk (Святосла́в Шевчу́к), celebrou a Divina Liturgia da Festa da Anunciação do Senhor na Catedral da Ressurreição em Kiev (Ucrânia).

Na ocasião foram recordados os 15 anos da eleição de Dom Sviatoslav Shevchuk como Arcebispo Maior no dia 23 de março de 2011, confirmada pelo Papa Bento XVI (†2022) no dia 25 de março.

Como já indicamos em outras ocasiões, apesar de a Anunciação ser uma festa cristológica, os paramentos azuis, associados à Virgem Maria, destacam sua participação nesse mistério. Para saber mais, confira nossa postagem sobre o ícone da festa clicando aqui.

O Arcebispo abençoa com o dikirion e o trikirion
Incensação

Evangelho
Homilia

Solenidade da Anunciação do Senhor em Nazaré (2026)

Nos dias 24 e 25 de março de 2026 o Patriarca Latino de Jerusalém, Cardeal Pierbattista Pizzaballa, presidiu as celebrações da Solenidade da Anunciação do Senhor na Basílica da Anunciação em Nazaré: as I Vésperas na tarde do dia 24 na igreja inferior e a Missa no dia 25 na igreja superior.

Infelizmente foram divulgadas poucas imagens das celebrações, realizadas com um número reduzido de fiéis devido à guerra entre Israel e Irã.

24 de março: I Vésperas

Procissão de entrada
Hino
Homilia
Incensação durante o Magnificat
Incensação da Gruta da Anunciação

sexta-feira, 27 de março de 2026

Viagem do Papa Leão XIV: Mônaco (2026)

No dia 28 de março de 2026 o Papa Leão XIV realiza a 2ª Viagem Apostólica do seu pontificado e a 1ª dentro da Europa, com destino a Mônaco.

Após a Viagem à Turquia e ao Líbano no final de 2025, Leão XIV se torna o primeiro Bispo de Roma a visitar o Principado de Mônaco, segundo menor país do mundo (após o Vaticano), que se encontra no sul da França.

Logotipo da Viagem

Programa da Viagem

O Papa chega ao país na manhã do sábado, 28 de março, sendo acolhido oficialmente no Palácio do Príncipe de Mônaco (atualmente Alberto II).

Em seguida Leão XIV encontra a comunidade católica na Catedral da Imaculada Conceição e os jovens e os catecúmenos junto à igreja de Santa Devota, padroeira do país.

À tarde o Bispo de Roma celebra a Missa do sábado da V semana da Quaresma no Estádio Luís II (Stade Louis II), retornando em seguida ao Vaticano.

Missa em Mônaco: Homilia do Papa / Fotos

Catedral de Mônaco
Igreja de Santa Devota

Alguns dados da Igreja Católica em Mônaco:

Número de católicos: 31,5 mil (82% da população)
Circunscrições eclesiásticas: 01 (Arquidiocese de Mônaco) [1]
Paróquias: 06

Bispos: 01 (Dom Dominique-Marie David, Arcebispo de Mônaco)
Sacerdotes diocesanos: 19 / Sacerdotes religiosos: 08
Diáconos permanentes: 03 / Seminaristas: 02
Religiosas: 11

Escolas católicas: 05
Hospitais: 03 / Casas para idosos: 05
Orfanatos: 16 / Outras instituições sociais: 01


Nota:
[1] Sendo a única Diocese do país, trata-se de uma Arquidiocese não-Metropolitana. Portanto, esta não possui Dioceses sufragâneas e o Arcebispo de Mônaco não possui direito ao pálio.

Programa da viagem e estatísticas: Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Páscoa de Jesus 3

Confira nesta postagem as duas reflexões “centrais” da seção sobre a Páscoa de Jesus dentro das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”: a crucificação (Jo 19,28-30) e a Morte do Senhor (Mc 15,33-39).

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 03 de setembro de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
3.5. A Páscoa de Jesus: A crucificação (Jo 19,28-30)

Queridos irmãos e irmãs,
No coração do relato da Paixão, no momento mais luminoso e ao mesmo tempo mais tenebroso da vida de Jesus, o Evangelho de João nos entrega duas palavras que encerram um mistério imenso: «Tenho sede» (Jo 19,28), e logo em seguida: «Tudo está consumado» (v. 30). Palavras últimas, mas carregadas de uma vida inteira, que revelam o sentido de toda a existência do Filho de Deus. Na cruz, Jesus não aparece como um herói vitorioso, mas como um mendigo de amor. Não proclama, não condena, não se defende. Pede, humildemente, aquilo que sozinho não pode de modo algum dar a si mesmo.

A sede do Crucificado não é apenas a necessidade fisiológica de um corpo destroçado. É também, e sobretudo, expressão de um desejo profundo: o desejo de amor, de relação, de comunhão. É o grito silencioso de um Deus que, tendo desejado partilhar tudo da nossa condição humana, se deixa atravessar também por esta sede. Um Deus que não se envergonha de mendigar um gole de água, porque nesse gesto nos diz que o amor, para ser verdadeiro, também deve aprender a pedir e não apenas a dar.

Crucificação (Frans Francken II)

«Tenho sede», diz Jesus, e assim manifesta a sua humanidade e também a nossa. Nenhum de nós pode bastar a si mesmo. Ninguém pode se salvar sozinho. A vida se “realiza” não quando somos fortes, mas quando aprendemos a receber. E precisamente nesse momento, depois de ter recebido de mãos estranhas uma esponja embebida em vinagre, Jesus proclama: «Está consumado». O amor se fez necessitado e, precisamente por isso, completou a sua obra.

Este é o paradoxo cristão: Deus não salva fazendo, mas deixando-se fazer. Não vencendo o mal com a força, mas aceitando até o fim a fraqueza do amor. Na cruz, Jesus nos ensina que o homem não se realiza no poder, mas na abertura confiante ao outro, mesmo quando este nos é hostil e inimigo. A salvação não está na autonomia, mas em reconhecer com humildade a própria necessidade e em saber expressá-la livremente.

terça-feira, 24 de março de 2026

Homilia do Papa Bento XVI: Anunciação do Senhor (2006)

Há 20 anos, no dia 25 de março de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) celebrou a Missa da Solenidade da Anunciação do Senhor com os novos Cardeais criados no Consistório do dia 24 de março [1]. Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:

Solenidade da Anunciação do Senhor
Concelebração Eucarística com os novos Cardeais
Homilia do Papa Bento XVI 
Praça de São Pedro
Sábado, 25 de março de 2006

Senhores Cardeais e Patriarcas,
Venerados irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Queridos irmãos e irmãs,
1. É um grande motivo de alegria presidir esta Concelebração com os novos Cardeais, depois do Consistório de ontem, e considero providencial que ela se realize na Solenidade litúrgica da Anunciação do Senhor e sob o sol que o Senhor nos dá. Na Encarnação do Filho de Deus, com efeito, reconhecemos os inícios da Igreja. Tudo provém dali. Toda realização histórica da Igreja e também todas as suas instituições devem se referir a essa Fonte originária. Devem se referir a Cristo, Verbo de Deus encarnado. É Ele que nós celebramos sempre: o Emanuel, o Deus-conosco, por meio do qual se cumpriu a vontade salvífica de Deus Pai.


E, contudo - precisamente hoje contemplamos este aspecto do Mistério -, a Fonte divina flui através de um canal privilegiado: a Virgem Maria. Com uma imagem eloquente São Bernardo fala, a respeito, de aquaeductus, “aqueduto” (cf. Sermo in Nativitate B.V. Mariae: PL 183, 437-448). Celebrando a Encarnação do Filho, portanto, não podemos deixar de honrar a Mãe. A ela foi dirigido o anúncio angélico; ela o acolheu e, quando do fundo do coração respondeu: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38), nesse momento o Verbo eterno começou a existir como ser humano no tempo.

2. De geração em geração permanece viva a admiração por esse inefável mistério. Santo Agostinho, imaginando dirigir-se ao Anjo da Anunciação, pergunta: “Diz-me, ó Anjo, por que aconteceu isso em Maria?”. A resposta, diz o Mensageiro, está contida nas próprias palavras da saudação: “Ave, ó cheia de graça” (cf. Sermo 291, 6). Com efeito, “entrando onde ela estava”, o Anjo não a chama pelo seu nome terreno, Maria, mas pelo seu “nome divino”, assim como Deus a vê desde sempre e a qualifica: “cheia de graça”, gratia plena, que no original grego é κεχαριτωµενη, “plena de graça”, e a graça nada mais é do que o amor de Deus; assim, em última instância poderíamos traduzir essa palavra como “amada” por Deus (cf. Lc 1,28).

Ângelus: V Domingo da Quaresma - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 22 de março de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Neste V Domingo da Quaresma é proclamado na Liturgia o Evangelho da ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-45).

No caminho quaresmal, este é um sinal que fala da vitória de Cristo sobre a morte e do dom da vida eterna que recebemos com o Batismo (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1265). Hoje, Jesus diz também a nós, tal como a Marta, irmã de Lázaro: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais» (Jo 11,25-26).

Assim, nesta perspectiva, a Liturgia nos convida a reviver, na Semana Santa que se aproxima, os acontecimentos da Paixão do Senhor - a entrada em Jerusalém, a Última Ceia, o julgamento, a crucificação e o sepultamento - para compreender o seu sentido mais autêntico e abrir-nos ao dom da graça que eles encerram.

Na verdade, é em Cristo Ressuscitado, vencedor da morte e vivo em nós pela graça do Batismo, que esses acontecimentos encontram o seu cumprimento, para a nossa salvação e plenitude de vida.

A sua graça ilumina este mundo, que parece estar em constante busca de mudanças e novidades, mesmo que isso implique sacrificar coisas importantes - tempo, energia, valores, afetos -, como se a fama, os bens materiais, as diversões e as relações passageiras pudessem preencher o nosso coração ou nos tornar imortais. É o sintoma de uma necessidade de infinito que cada um de nós traz em si, mas cuja resposta não pode ser confiada ao que é efêmero. Nada de finito pode saciar a nossa sede interior, porque fomos feitos para Deus e não encontramos paz enquanto não descansarmos n’Ele (cf. Confissões, I, 1.1).

A narrativa da ressurreição de Lázaro, portanto, nos convida a estar atentos a essa necessidade profunda e, com a força do Espírito Santo, a libertar os nossos corações de hábitos, condicionamentos e formas de pensar que, como grandes pedras, nos aprisionam no sepulcro do egoísmo, do materialismo, da violência e da superficialidade. Nestes lugares não há vida, mas apenas desorientação, insatisfação e solidão.

Também a nós Jesus ordena: «Vem para fora!» (Jo 11,43), encorajando-nos a sair, regenerados pela sua graça, desses espaços confinados, para caminharmos na luz do amor, como homens e mulheres novos, capazes de esperar e amar segundo o modelo da sua caridade infinita, sem cálculos e sem limites.

Que a Virgem Maria nos ajude a viver assim estes dias santos: com a sua fé, com a sua confiança, com a sua fidelidade, a fim de que também para nós se renove, todos os dias, a experiência luminosa do encontro com o seu Filho Ressuscitado.

Ressurreição de Lázaro
(Giotto - Basílica de São Francisco, Assis)

Fonte: Santa Sé.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Domingo da Santa Cruz em Kiev (2026)

Neste ano de 2026 as Igrejas Orientais (Católicas e Ortodoxas), devido ao uso de distintos calendários, celebram a Páscoa no dia 12 de abril, uma semana após as comunidades de Rito Romano.

Por isso, no dia 15 de março de 2026 as Igrejas de Rito Bizantino celebraram o III Domingo da Grande Quaresma, o “Domingo da Santa Cruz”.

Na Catedral na Catedral da Ressurreição em Kiev (Ucrânia) a Divina Liturgia desse Domingo foi celebrada pelo Arcebispo-Maior da Igreja Greco-Católica Ucraniana, Dom Sviatoslav Shevchuk (Святосла́в Шевчу́к), seguida do tradicional rito da adoração da “Venerável e Vivificante Cruz”:

Relíquia da Cruz
O Arcebispo abençoa os fiéis
Litania da paz

Homilia

quinta-feira, 19 de março de 2026

Missa do IV Domingo da Quaresma em Roma (2026)

Na tarde do dia 15 de março de 2026 o Papa Leão XIV celebrou a Missa do IV Domingo da Quaresma (Ano A), o chamado Domingo Laetare, por ocasião da Visita Pastoral à Paróquia do Sagrado Coração de Jesus a Ponte Mammolo (Sacro Cuore di Gesù a Ponte Mammolo)

Essa foi a última das cinco Visitas Pastorais realizadas pelo Papa a Paróquias da Diocese de Roma, uma de cada Setor Pastoral, correspondendo a Paróquia do bairro de Ponte Mammolo ao Setor Norte.

Leão XIV foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli.

Procissão de entrada
Incensação

Ritos iniciais
Liturgia da Palavra

Homilia do Papa: IV Domingo da Quaresma - Ano A (2026)

Visita Pastoral
Homilia do Papa Leão XIV
Paróquia do Sagrado Coração de Jesus a Ponte Mammolo (Roma)
Domingo, 15 de março de 2026

Foi celebrada a Missa do IV Domingo da Quaresma (Ano A).

Caríssimos irmãos e irmãs,
A nossa Celebração Eucarística de hoje está, mais do que nunca, em sintonia com a alegria. Com efeito, a beleza deste nosso encontro se insere no contexto do Domingo chamado “Laetare”, ou seja, “alegra-te”, segundo as palavras de Isaías: «Alegra-te, Jerusalém» (Antífona de entrada, cf. Is 66,10).

Isso nos leva a refletir. Atualmente, no mundo, muitos dos nossos irmãos e irmãs sofrem devido a conflitos violentos, provocados pela absurda pretensão de resolver os problemas e as divergências com a guerra, quando é necessário dialogar sem trégua pela paz. Há quem pretenda, inclusive, envolver o nome de Deus nessas escolhas de morte, mas Deus não pode ser recrutado pelas trevas. Pelo contrário, Ele vem sempre dar luz, esperança e paz à humanidade, e é a paz que devem procurar aqueles que o invocam.


É a mensagem deste Domingo: para além de qualquer abismo em que o homem possa cair por causa dos seus pecados, Cristo vem trazer uma luz mais forte, capaz de libertá-lo da cegueira do mal, para que comece uma vida nova.

O encontro entre Jesus e o cego de nascença (cf. Jo 9,1-41), com efeito, pode ser comparado à cena de um parto, graças ao qual ele, como uma criança que vem à luz, descobre um mundo novo, vendo-se a si mesmo, os outros e a vida com os olhos de Deus (cf. 1Sm 16,9).

Perguntemo-nos, então: em que consiste este olhar? O que revela? O que significa “ver com os olhos de Deus”?

quarta-feira, 18 de março de 2026

Homilia do Papa João Paulo II: Solenidade de São José (2001)

Há 25 anos, no dia 19 de março de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa da Solenidade de São José, Esposo da Bem-aventurada Virgem Maria, durante a qual conferiu a Ordenação Episcopal a nove Bispos. Confira sua homilia na ocasião:

Solenidade de São José
Concelebração Eucarística para a Ordenação de nove Bispos
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica de São Pedro
Segunda-feira, 19 de março de 2001

1. «Eis o servo fiel e prudente, a quem o Senhor confiou a sua família» (cf. Lc 12,42).
Assim a Liturgia de hoje nos apresenta São José, Esposo da Bem-aventurada Virgem Maria e Guardião do Redentor. Ele, servo fiel e prudente, acolheu com obediente docilidade a vontade do Senhor, que lhe confiou a “sua” família na terra, para que cuidasse dela com dedicação quotidiana.

São José perseverou nessa missão com fidelidade e amor. Por isso a Igreja o indica como singular modelo de serviço a Cristo e ao seu misterioso desígnio de salvação. E o invoca como especial padroeiro e protetor de toda a família dos que creem. De modo especial, José é indicado hoje, no dia da sua festa, como o Santo sob cujo eficaz patrocínio a Providência divina quis pôr as pessoas e o ministério dos que são chamados a ser “pais” e “guardiões” no âmbito do povo cristão.


2. «Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura» - «Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?» (Lc 2,48-49).
Neste diálogo simples e familiar entre a Mãe e o Filho, que ouvimos há pouco no Evangelho, encontram-se as coordenadas da santidade de José. Elas correspondem ao desígnio divino sobre ele, que, homem justo que era, ele soube realizar com admirável fidelidade.

«Teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura», diz Maria. «Devo estar na casa de meu Pai», responde Jesus. São precisamente estas palavras do Filho que nos ajudam a compreender o mistério da “paternidade” de José. Recordando aos pais o primado d’Aquele que chama “meu Pai”, Jesus revela a verdade do papel tanto de Maria como de José. Ele é verdadeiramente “esposo” de Maria e “pai” de Jesus, como ela afirma quando diz: «Teu pai e eu estávamos à tua procura». Mas a sua esponsalidade e a sua paternidade são totalmente relativas às de Deus. Eis o modo como José de Nazaré é chamado a se tornar, por sua vez, discípulo de Jesus: dedicando a existência ao serviço do Filho Unigênito do Pai e da Virgem Mãe, Maria.

Nota de falecimento: Patriarca Ilia II da Geórgia

Faleceu na terça-feira, 17 de março de 2026, aos 93 anos, o Patriarca Ilia II (Elias II) da Igreja Ortodoxa da Geórgia.


Irakli Ghudushauri-Shiolashvili (ირაკლი ღუდუშაური-შიოლაშვილი) nasceu no dia 04 de janeiro de 1933 em Vladikavkaz, (Rússia). Após concluir seus estudos na Academia Teológica de Moscou, professou os votos monásticos em 16 de abril de 1957, assumindo o nome religioso de Ilia (Elias).

Recebeu a Ordenação Diaconal no dia 18 de abril de 1957 e a Ordenação Presbiteral no dia 10 de maio de 1959. Após a Ordenação foi para a Geórgia, sendo designado para a Catedral de São Nicolau em Batumi.

No dia 25 de agosto de 1963 recebeu a Ordenação Episcopal, sendo nomeado Vigário Patriarcal e Bispo de Shemokmedi. No ano seguinte foi nomeado também como reitor do Seminário Teológico de Mtskheta, ofício que exerceu até 1972.

De 1964 a 1977, ademais, o Bispo Ilia coordenou o Departamento de Relações Exteriores da Igreja Ortodoxa Georgiana, responsável por garantir que as demais Igrejas Ortodoxas reconhecessem sua autocefalia, concedida pela Igreja Ortodoxa Russa em 1917 e confirmada em 1943 (objetivo que só seria alcançado plenamente em 1990).


No dia 01 de setembro de 1967 foi transferido como Bispo da Eparquia de Sukhum-Abkhazia, sendo “promovido” a Metropolita no dia 17 de maio de 1969.

Após a morte do Patriarca David V, no dia 23 de dezembro de 1977 o Metropolita Ilia foi eleito como novo hierarca da Igreja Ortodoxa Georgiana, como o título de Ilia II (ილია II), Catholicos-Patriarca de toda a Geórgia e Arcebispo de Mtskheta e Tbilisi. Sua entronização na Catedral de Svetitskhoveli em Mtskheta teve lugar no dia 25 de dezembro.

Em junho de 1980 Ilia II realizou uma visita ao Papa João Paulo II (†2005), tornando-se o primeiro Patriarca georgiano a se encontrar com o Bispo de Roma. Nos anos seguintes o Patriarca acolheria os dois Papas que visitaram a Geórgia: o mesmo João Paulo II em novembro de 1999 e Francisco (2025) entre setembro e outubro de 2016.

Ilia II guiou o povo nos últimos anos de controle soviético sobre a Geórgia. Nesse período também supervisionou a publicação de uma versão atualizada da Bíblia em língua georgiana.

Faleceu no dia 17 de março de 2026 em um hospital de Tbilisi (Geórgia). Com 93 anos, era o mais velho dos hierarcas das Igrejas Ortodoxas Bizantinas e aquele que exercia a mais tempo o seu ministério (48 anos).


Concede, ó Salvador nosso, o repouso às almas dos teus servos, com os justos que alcançaram a perfeição, guarda-os contigo, na vida divina, no lugar do teu repouso, Senhor, onde descansam os teus santos
(Da Liturgia Bizantina pelos falecidos)

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