domingo, 19 de agosto de 2018

Memória de São Maximiliano Maria Kolbe em Auschwitz

No último dia 14 de agosto o Arcebispo de Cracóvia, Dom Marek Jędraszewski, celebrou a Santa Missa da Memória de São Maximiliano Maria Kolbe no antigo Campo de Concentração de Auschwitz, na cidade de Oświęcim.

Bispos atravessam o portão de Auschwitz
Oferta de flores e velas em memória dos que morreram neste local


Bispos rezam na cela onde morreu São Maximiliano

Ângelus: XIX Domingo do Tempo Comum - Ano B

Neste domingo o Papa rezou o Angelus com os jovens italianos vindos a Roma em peregrinação em vista do Sínodo dos Jovens e da Jornada Mundial da Juventude 2019. Na sua reflexão, o Papa centrou-se na 2ª leitura (Ef 4,30-5,2):

Papa Francisco
Ângelus
Domingo, 12 de agosto de 2018

Estimados irmãos e irmãs,
Prezados jovens italianos, bom dia!
Na 2ª Leitura de hoje, São Paulo dirige-nos um convite urgente: «Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da Redenção» (Ef 4,30). Mas eu pergunto-me: como se contrista o Espírito Santo? Todos o recebemos no Batismo e na Crisma; portanto, para não contristar o Espírito Santo, é necessário viver de maneira coerente com as promessas do Batismo, renovadas na Crisma. De forma coerente, não com hipocrisia: não vos esqueçais disto. O cristão não pode ser hipócrita: deve viver de modo coerente. As promessas do Batismo têm dois aspetos: renúncia ao mal e adesão ao bem.

Renunciar ao mal significa dizer «não» às tentações, ao pecado, a satanás. De modo mais concreto, significa dizer “não” a uma cultura da morte, que se manifesta na fuga do real para uma felicidade falsa que se exprime na mentira, na fraude, na injustiça e no desprezo pelo outro. “Não” a tudo isto. A vida nova que nos foi concedida no Batismo, e que tem o Espírito como fonte, rejeita uma conduta dominada por sentimentos de divisão e de discórdia. Por isso, o Apóstolo Paulo exorta a tirar do próprio coração «toda a amargura, ira, indignação, gritaria e calúnia, bem como toda a malícia» (v. 31). Assim diz Paulo. Estes seis elementos, ou vícios, que perturbam a alegria do Espírito Santo, envenenam o coração e levam a imprecações contra Deus e contra o próximo.

Mas para ser um bom cristão não é suficiente deixar de praticar o mal; é necessário aderir ao bem e praticar o bem. Eis, então, que São Paulo continua: «Antes, sede bondosos e compassivos uns com os outros. Perdoai-vos reciprocamente, como também Deus vos perdoou em Cristo» (v. 32). Ouvimos muitas vezes certas pessoas dizerem: “Eu não pratico o mal contra ninguém”. E julga-se um santo. Muito bem, mas praticas o bem? Quantas pessoas não praticam o mal, mas nem sequer o bem, e a sua vida passa na indiferença, na apatia, na tibieza. Esta atitude é contrária ao Evangelho, e oposta também à vossa índole, jovens, que por natureza sois dinâmicos, apaixonados, corajosos. Recordai isto - se vo-lo recordais, podemos repeti-lo juntos: “É bom não praticar o mal, mas é mau não praticar o bem”. Quem o dizia era Santo Alberto Hurtado.

Hoje exorto-vos a ser protagonistas no bem! Protagonistas no bem. Não vos sintais bem quando não praticais o mal; cada um é culpado do bem que podia praticar e não o fez. Não é suficiente não odiar, é preciso perdoar; não basta deixar de ter rancor, é necessário rezar pelos inimigos; não é suficiente não ser causa de divisão, é preciso levar a paz onde ela não existe; não basta deixar de falar mal dos outros, é necessário interromper quando ouvimos falar mal de alguém: impedir a bisbilhotice: isto significa praticar o bem. Se não nos opusermos ao mal, alimentamo-lo de modo tácito. É necessário intervir onde o mal se propaga; porque o mal se difunde onde faltam cristãos audazes que se opõem com o bem, “caminhando na caridade” (Ef 5,2), segundo a admoestação de São Paulo.

Caros jovens, caminhastes muito nestes dias! Por isso estais treinados e posso dizer-vos: caminhai na caridade, caminhai no amor! E caminhemos juntos rumo ao próximo Sínodo dos Bispos. A Virgem Maria nos ampare com a sua intercessão maternal, para que cada um de nós, todos os dias, com as ações, possa dizer “não” ao mal e “sim” ao bem.


Fonte: Santa Sé.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Peregrinação da Arquidiocese de Cracóvia a Czestochowa

Entre os dias 06 e 11 de agosto, a Arquidiocese de Cracóvia promoveu a tradicional peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora em Częstochowa.

O Arcebispo, Dom Marek Jędraszewski, celebrou a Santa Missa de envio dos peregrinos junto da Catedral de Wawel no dia 06 de agosto, Festa da Transfiguração do Senhor, e a Missa de encerramento da peregrinação no dia 11, junto do Santuário de Częstochowa.

Dia 06 de agosto: Missa de envio

Fiéis reunidos junto à Catedral
Ritos iniciais
Evangelho
Homilia

V Catequese do Papa sobre os Mandamentos: A idolatria

Papa Francisco
Audiência Geral
Quarta-feira, 8 de agosto de 2018
Os Mandamentos (5): A idolatria

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje continuemos a meditar sobre o Decálogo, aprofundando o tema da idolatria, acerca da qual falamos na semana passada. Agora retomemos o tema, porque é muito importante conhecê-lo. E inspiremo-nos precisamente no ídolo por excelência, o bezerro de ouro, do qual fala o Livro do Êxodo (32,1-8), acabamos de ouvir um trecho dele. Este episódio tem um contexto específico: o deserto, onde o povo está à espera de Moisés, que subiu ao monte para receber as instruções de Deus.
O que é o deserto? É um lugar onde reinam a precariedade e a insegurança - no deserto não há nada - onde faltam água, alimento, abrigo. O deserto é uma imagem da vida humana, cuja condição é incerta e não possui garantias invioláveis. Esta insegurança gera no homem ansiedades primárias, que Jesus menciona no Evangelho: «Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos?» (Mt 6,31). São as ansiedades primárias. E o deserto provoca tais ansiedades.
E naquele deserto acontece algo que desencadeia a idolatria. «Moisés tardava a descer da montanha» (Ex 32,1). Permaneceu ali quarenta dias e o povo perdeu a paciência. Falta o ponto de referência que era Moisés: o líder, o chefe, o guia tranquilizador, e isto torna-se insustentável. Então, o povo pede um deus visível - esta é a armadilha na qual o povo cai - para poder identificar-se e orientar-se. E dizem a Aarão: «Faz-nos um deus que marche à nossa frente!», “Faz-nos um chefe, um líder!”. Para evitar a precariedade - a precariedade é o deserto - a natureza humana procura uma religião “descartável”: se Deus não se deixa ver, fazemos para nós um deus sob medida. «Diante do ídolo, não corremos o risco de uma possível chamada que nos faça sair das próprias seguranças, porque os ídolos “têm boca, mas não falam” (Sl 115,5). Compreendemos assim que o ídolo é um pretexto para se colocar a si mesmo no centro da realidade, na adoração da obra das próprias mãos» (Enc. Lumen fidei, 13).
Aarão não sabe opor-se ao pedido do povo e cria um bezerro de ouro. No próximo Oriente antigo o bezerro tinha um sentido duplo: por um lado, representava fecundidade e abundância e por outro, energia e força. Mas antes de tudo é de ouro, por isso é símbolo de riqueza, sucesso, poder e dinheiro. São estes os grandes ídolos: sucesso, poder e dinheiro. São as tentações de sempre! Eis o que é o bezerro de ouro: o símbolo de todos os desejos que dão a ilusão da liberdade e, ao contrário, escravizam, porque o ídolo escraviza sempre. Há o fascínio, e tu deixas-te levar. Aquele fascínio da serpente, que fita o passarinho, o passarinho não consegue mover-se e a serpente apanha-o. Aarão não soube opor-se.
Mas tudo nasce da incapacidade de confiar sobretudo em Deus, de voltar a colocar as nossas seguranças n’Ele, de deixar que Ele confira verdadeira profundidade aos desejos do nosso coração. Isto permite sustentar até a debilidade, a incerteza e a precariedade. A referência a Deus fortalece-nos na debilidade, na incerteza e até na precariedade. Sem primado de Deus caímos facilmente na idolatria e contentamo-nos com garantias míseras. Mas esta é uma tentação que nós lemos sempre na Bíblia. E pensai bem nisto: para Deus, não foi muito difícil libertar o povo do Egito; fê-lo com sinais de poder, de amor. Mas a grande obra de Deus foi tirar o Egito do coração do povo, ou seja, tirar a idolatria do coração do povo. E Deus ainda continua a agir para a tirar dos nossos corações. Esta é a grande obra de Deus: tirar “aquele Egito” que nós temos dentro, que é o fascínio da idolatria.
Quando se acolhe o Deus de Jesus Cristo, que de rico se fez pobre por nós (cf. 2Cor 8,9), descobre-se então que reconhecer a própria fraqueza não é a desgraça da vida humana, mas a condição para se abrir Àquele que é verdadeiramente forte. Assim, a salvação de Deus entra pela porta da debilidade (cf. 2Cor 12,10); é em virtude da própria insuficiência que o homem se abre à paternidade de Deus. A liberdade do homem nasce do deixar que o verdadeiro Deus seja o único Senhor. E isto permite aceitar a própria fragilidade e rejeitar os ídolos do nosso coração.
Nós, cristãos, dirigimos o olhar para Cristo Crucificado (cf. Jo 19,37), que é frágil, desprezado e despojado de qualquer posse. Mas é n’Ele que se revela o rosto do Deus verdadeiro, a glória do amor, e não a do engano cintilante. Isaías diz: «Fomos curados graças às suas chagas» (53,5). Fomos sarados precisamente pela fraqueza de um homem que era Deus, pelas suas feridas. E a partir das nossas debilidades podemos abrir-nos à salvação de Deus. A nossa cura vem d’Aquele que se fez pobre, que aceitou a falência, que assumiu até ao fundo a nossa precariedade para a encher de amor e de força. Ele vem para nos revelar a paternidade de Deus; em Cristo a nossa fragilidade já não é uma maldição, mas um lugar de encontro com o Pai e nascente de uma nova força do alto.


Fonte: Santa Sé

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Festa da Transfiguração na Terra Santa

No último dia 06 de agosto o Custódio da Terra Santa, Padre Francesco Patton, celebrou a Missa da Festa da Transfiguração do Senhor no Santuário da Transfiguração no Monte Tabor.

Santuário da Transfiguração
Procissão de entrada
Ritos iniciais

Leituras

Ângelus: XVIII Domingo do Tempo Comum - Ano B

Papa Francisco
Ângelus
Domingo, 05 de agosto de 2018

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
Nestes últimos domingos, a Liturgia mostrou-nos a imagem cheia de ternura de Jesus que vai ao encontro das multidões e das suas necessidades. Na narração evangélica de hoje (Jo 6,24-35), a perspectiva muda: é a multidão, saciada por Jesus, que se põe novamente em busca d’Ele, vai ao encontro de Jesus. Mas para Jesus não é suficiente que as pessoas o procurem, Ele quer que elas o conheçam; quer que a busca d’Ele e o encontro com Ele vão além da satisfação imediata das necessidades materiais. Jesus veio para nos trazer algo mais, para abrir a nossa existência a um horizonte mais vasto em relação às preocupações quotidianas do alimentar-se, do vestir-se, da carreira, e assim por diante. Por isso, dirigindo-se à multidão, exclama: «Buscais-me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes fartos» (v. 26). Assim estimula as pessoas a dar um passo em frente, a interrogar-se sobre o significado do milagre, e não apenas a aproveitar-se dele. Com efeito, a multiplicação dos pães e dos peixes é sinal do grande dom que o Pai concedeu à humanidade e que é o próprio Jesus!

Ele, verdadeiro «pão da vida» (v. 35), deseja saciar não só os corpos, mas também as almas, oferecendo o alimento espiritual que pode satisfazer a fome profunda. Por isso, convida a multidão a procurar não o alimento que perece, mas aquele que permanece para a vida eterna (v. 27). Trata-se de um alimento que Jesus nos concede todos os dias: a sua Palavra, o seu Corpo, o seu Sangue. A multidão ouve o convite do Senhor, mas não compreende o seu sentido - como acontece muitas vezes também conosco - e pergunta-lhe: «Que devemos fazer para praticar as obras de Deus?» (v. 28). Os ouvintes de Jesus pensam que Ele lhes pede a observância dos preceitos para obter outros milagres, como o da multiplicação dos pães. Trata-se de uma tentação comum de reduzir a religião unicamente à prática das leis, projetando na nossa relação com Deus a imagem do relacionamento entre os servos e o seu senhor: para obter a sua benevolência, os servos devem cumprir as tarefas que o patrão atribuiu. Todos nós sabemos isto. Por esta razão, a multidão quer saber de Jesus quais são as ações que deve realizar para agradar a Deus. Mas Jesus dá uma resposta inesperada: «A obra de Deus é esta: que creiais naquele que Ele enviou» (v. 29). Hoje, estas palavras são dirigidas também a nós: a obra de Deus não consiste tanto em “fazer” coisas, mas em “acreditar” n’Aquele que Ele enviou. Isto significa que a fé em Jesus nos permite cumprir as obras de Deus. Se nos deixarmos arrebatar por esta relação de amor e de confiança com Jesus, seremos capazes de realizar boas obras que têm o perfume do Evangelho, para o bem e as necessidades dos irmãos.

O Senhor convida-nos a não esquecer que, se é necessário preocupar-nos pelo pão, é ainda mais importante cultivar a relação com Ele, fortalecer a nossa fé n’Ele que é o «pão da vida», que veio para saciar a nossa fome de verdade, a nossa fome de justiça, a nossa fome de amor.

No dia em que recordamos a dedicação da Basílica de Santa Maria Maior em Roma, a Virgem Maria, a Salus populi romani, nos ampare no nosso caminho de fé e nos ajude a abandonar-nos com alegria ao desígnio de Deus sobre a nossa vida.


Fonte: Santa Sé.

sábado, 11 de agosto de 2018

Homilia: XIX Domingo do Tempo Comum - Ano B

São Cirilo de Alexandria
Comentários elegantes sobre o Livro do Êxodo
Nosso Senhor Jesus Cristo nos alimenta para a vida eterna

Penso que o maná é sombra e tipo da doutrina e dos dons de Cristo, que procedem do alto e nada possuem de terreno; pelo contrário, antes estão em aberta oposição com esta carnal execração, e que na realidade são pasto não somente dos homens, mas também dos anjos. De fato, o Filho nos manifestou o Pai em si mesmo, e por meio dele fomos instruídos na razão de ser da santa e consubstancial Trindade, e até nos introduziu no nobre caminho de todas as virtudes.

Na verdade, o reto e verdadeiro conhecimento destas realidades é alimento do espírito. Contudo, Cristo repartiu em abundância a doutrina à plena luz e de dia. Também o maná foi dado aos antepassados ao raiar do dia e à plena luz. Realmente em nós, os crentes, o dia já tem despontado, como está escrito, e o luzeiro nasceu em todos os corações, e saiu o sol de justiça, a saber, Cristo, o doador do maná inteligível. E que aquele maná sensível foi algo assim como uma figura, e este, em vez disso, o maná verdadeiro, Cristo mesmo assegura-nos com todas as garantias, quando diz aos judeus: Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram.

Ele, pelo contrário, é o pão que desce do céu, para que o homem dele coma e não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Aquele que comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo. Nosso Senhor Jesus Cristo nos alimenta para a vida eterna tanto com os seus preceitos que estimulam a piedade como mediante seus místicos dons. Ele é, portanto, realmente em pessoa aquele maná divino e vivificante.

Aquele que dele comer não experimentará a futura corrupção e escapará da morte; mas não aqueles que comeram o maná sensível, pois o “tipo” não era portador da salvação, mas era unicamente figura da verdade. Deus, fazendo cair o maná do céu em forma de chuva, ordena que cada um recolha o que possa comer, e se quer, pode recolher também para aqueles que vivam na mesma tenda. Que cada um - diz - recolha o que possa comer e para todas as pessoas que vivam em cada tenda. Que ninguém guarde para amanhã. Devemos estar bem penetrados da doutrina divina e evangélica.

Portanto, Cristo distribui a graça igualmente para pequenos e grandes, e a todos alimenta igualmente para a vida; quer reunir os demais com os mais fracos, e que os fortes se sacrifiquem por seus irmãos até assumir sobre si os trabalhos deles, e fazer-lhes partícipes da graça celestial. Isto é o que - a meu juízo - ele disse aos próprios santos Apóstolos: De graça recebestes, de graça dai. Portanto, aqueles que recolheram para si maná abundante, apressaram-se a reparti-lo entre os que viviam sob as mesmas tendas, isto é, na Igreja. Os discípulos realmente exortavam a todos e os estimulavam a coisas mais dignas; comunicavam a todos em abundância a graça que de Cristo alcançaram.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 443-444. Para adquiri-lo no site da Editora Vozes, clique aqui.

Para ler uma homilia de Santo Irineu de Lião para este domingo, clique aqui.