quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Ângelus: Solenidade da Assunção de Maria (2025)

Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria
Papa Leão XIV
Ângelus
Praça da Liberdade, Castel Gandolfo
Sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Queridos irmãos e irmãs, feliz festa!
Os Padres do Concílio Vaticano II deixaram-nos um texto maravilhoso sobre a Virgem Maria, que me apraz reler convosco hoje, enquanto celebramos a festa da sua Assunção à glória do céu. No final do documento sobre a Igreja, o Concílio diz o seguinte: «A Mãe de Jesus, da mesma forma que já está glorificada em corpo e alma nós céus e é a imagem e o início da Igreja como deverá ser consumada no futuro, assim também brilha aqui na terra como sinal de esperança segura e de conforto para o Povo de Deus, que peregrina até chegar o dia do Senhor (cf. 2Pd 3,10)» (Lumen gentium, n. 68).

Maria, que Cristo Ressuscitado levou consigo para a glória em corpo e alma, brilha como ícone de esperança para os seus filhos peregrinos na história.

Como não pensar nos versos de Dante, no último canto do Paraíso? Na oração colocada na boca de São Bernardo, que começa com «Virgem mãe, filha do teu filho» (XXXIII, 1), o poeta louva Maria porque aqui em baixo, entre nós mortais, ela é «fonte vivaz de esperança» (ibid., 12), ou seja, fonte viva, transbordante de esperança.

Irmãos e irmãs, esta verdade da nossa fé está em perfeita sintonia com o tema do Jubileu que estamos vivendo: «Peregrinos de esperança». O peregrino precisa de uma meta que oriente a sua viagem: uma meta bonita, atraente, que guie os seus passos e o revigore quando está cansado, que reavive sempre no seu coração o desejo e a esperança. No caminho da existência, esta meta é Deus, Amor infinito e eterno, plenitude de vida, de paz, de alegria e de todo o bem. O coração humano sente-se atraído por tal beleza e não é feliz enquanto não a encontra; e, efetivamente, corre o risco de não a encontrar caso se perca no meio da “floresta escura” do mal e do pecado.

Mas eis a graça: Deus veio ao nosso encontro, assumiu a nossa carne, feita de terra, e, simbolicamente, digamos que a levou consigo «para o céu», isto é, para Deus. É o mistério de Jesus Cristo, encarnado, morto e ressuscitado pela nossa salvação; e, inseparável d’Ele, está também o mistério de Maria, a mulher de quem o Filho de Deus recebeu a carne, e o mistério da Igreja, corpo místico de Cristo. Trata-se de um único mistério de amor e, portanto, de liberdade. Assim como Jesus disse “sim”, Maria também disse “sim”, acreditou na palavra do Senhor. E toda a sua vida foi uma peregrinação de esperança com o Filho de Deus e seu, uma peregrinação que, através da Cruz e da Ressurreição, a conduziu à pátria, ao abraço de Deus.

Por isso, enquanto estivermos a caminho, como indivíduos, como família, em comunidade, especialmente quando as nuvens chegarem e o caminho se tornar incerto e difícil, levantemos o olhar, olhemos para ela, nossa Mãe, e reencontraremos a esperança que não decepciona (cf. Rm 5,5).

Depois do Ângelus:

Queridos irmãos e irmãs,
Hoje queremos confiar à intercessão da Virgem Maria, Assunta ao Céu, a nossa oração pela paz. Ela, como Mãe, sofre pelos males que afligem os seus filhos, especialmente os pequenos e os frágeis. Ao longo dos séculos, muitas vezes ela o confirmou com mensagens e aparições.

Ao proclamar o dogma da Assunção, enquanto ainda permanecia viva a trágica experiência da Segunda Guerra Mundial, Pio XII escreveu: «É lícito esperar que, ao meditarem nos exemplos gloriosos de Maria, mais e mais se persuadam todos do valor da vida humana», e desejou que nunca mais se destruíssem «vidas humanas, suscitando guerras» (Constituição Apostólica Munificentissimus Deus).

Como estas palavras são atuais! Infelizmente, ainda hoje nos sentimos impotentes diante da propagação no mundo de uma violência cada vez mais surda e insensível a qualquer movimento de humanidade. No entanto, não devemos desistir de ter esperança: Deus é maior do que o pecado dos homens. Não devemos resignar-nos à que prevaleça a lógica do conflito e das armas. Com Maria, acreditamos que o Senhor continua a socorrer os seus filhos, lembrando-se da sua misericórdia. Só nela é possível reencontrar o caminho da paz. (...)

Assunção de Maria, detalhe
(Michelangelo Grigoletti - Basílica de Esztergom, Hungria)

Fonte: Santa Sé.

terça-feira, 19 de agosto de 2025

Solenidade da Assunção de Maria em Castel Gandolfo (2025)

Na sexta-feira, 15 de agosto de 2025, o Papa Leão XIV celebrou a Missa da Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria na Paróquia Santo Tomás de Villanova junto à residência pontifícia em Castel Gandolfo, assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli.

Incensação da cruz e do altar
Incensação da imagem da Virgem Maria
Ritos iniciais

Evangelho

Homilia do Papa: Assunção de Maria (2025)

Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria
Homilia do Papa Leão XIV
Paróquia Santo Tomás de Villanova, Castel Gandolfo
Sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Irmãos e irmãs caríssimos,
Hoje não é domingo, mas estamos celebrando de maneira distinta a Páscoa de Jesus, que muda a história. Em Maria de Nazaré está a nossa história, está a história da Igreja imersa na humanidade comum. Tendo se encarnado nela, o Deus da vida, o Deus da liberdade venceu a morte. Sim, hoje contemplamos como Deus vence a morte, sem nunca prescindir de nós. É d’Ele o Reino, mas o “sim” ao seu amor, que tudo pode mudar, é nosso. Na cruz, Jesus pronunciou livremente o “sim” que deveria esvaziar o poder da morte, aquela morte que continua a se alastrar quando as nossas mãos crucificam e os nossos corações estão prisioneiros do medo e da desconfiança. Na cruz, venceu a confiança, venceu o amor que vê o que ainda não existe, venceu o perdão.

E Maria estava presente: estava lá, unida ao Filho. Hoje podemos intuir que Maria somos nós quando não fugimos, somos nós quando respondemos com o nosso “sim” ao seu “sim”. Nos mártires do nosso tempo, nas testemunhas da fé e da justiça, da mansidão e da paz, aquele “sim” continua vivo e ainda contrasta a morte. Assim, este dia de alegria é um dia que nos compromete a escolher como e para quem viver.


A Liturgia desta solenidade da Assunção propôs-nos o trecho evangélico da Visitação (Lc 1,39-56). Nessa passagem, São Lucas transmite a memória de um momento crucial na vocação de Maria. É bonito voltar a esse momento no dia em que celebramos a meta da sua existência. Na terra, todas as histórias, mesmo a da Mãe de Deus, são breves e têm um fim. No entanto, nada se perde. Assim, quando uma vida se encerra, a sua unicidade brilha com mais clareza. O Magnificat, que o Evangelho coloca nos lábios da jovem Maria, agora irradia a luz de todos os seus dias. Um único dia, o do encontro com a sua prima Isabel, contém o segredo de todos os outros dias, de todas as outras estações. E as palavras não bastam: é preciso um cântico, que na Igreja continua a ser cantado, «de geração em geração» (v. 50), ao pôr do sol de cada dia. A surpreendente fecundidade da estéril Isabel confirmou Maria na sua confiança: antecipou a fecundidade do seu “sim”, que se prolonga na fecundidade da Igreja e de toda a humanidade, quando a Palavra renovadora de Deus é acolhida. Naquele dia, duas mulheres encontraram-se na fé e, depois, permaneceram juntas três meses apoiando-se mutuamente, não só nas coisas práticas, mas em uma nova maneira de ler a história.

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Homilia do Papa Bento XVI: Assunção de Maria (2005)

Nesta Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria (que no Brasil é transferida para o domingo) recordamos a homilia e a meditação durante o Ângelus proferidas pelo Papa Bento XVI (†2022) nesta ocasião há 20 anos, no dia 15 de agosto de 2005.

O “Papa alemão” centrou sua homilia no cântico da Virgem Maria, o Magnificat (Lc 1,46-55):

Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria
Homilia do Papa Bento XVI
Paróquia de Santo Tomás de Villanova, Castel Gandolfo
Segunda-feira, 15 de agosto de 2005

Caros irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Queridos irmãos e irmãs,
Antes de tudo dirijo uma cordial saudação a todos vós. É uma grande alegria para mim celebrar a Missa nesta bela igreja paroquial no dia da Assunção. Saúdo o Cardeal Angelo Sodano, o Bispo de Albano, todos os sacerdotes, o Presidente da Câmara e todos vós. Obrigado pela vossa presença. A festa da Assunção é um dia de alegria. Deus venceu. O amor venceu. Venceu a vida. Mostrou-se que o amor é mais forte do que a morte. Que Deus tem a verdadeira força e a sua força é bondade e amor.

Maria foi elevada ao céu em corpo e alma: também para o corpo existe um lugar em Deus. Para nós o céu já não é uma esfera muito distante e desconhecida. No céu temos uma Mãe. E a Mãe de Deus, a Mãe do Filho de Deus, é a nossa Mãe. Ele mesmo o disse. Ele constituiu-a nossa Mãe, quando disse ao discípulo e a todos nós: “Eis a tua Mãe!” (Jo 19,27). No céu temos uma Mãe. O céu está aberto, o céu tem um coração.

O Papa reza o Ângelus na Solenidade da Assunção

No Evangelho (Lc 1,39-56) ouvimos o Magnificat, esta grande poesia pronunciada pelos lábios, aliás, pelo coração de Maria, inspirada pelo Espírito Santo. Neste cântico maravilhoso reflete-se toda a alma, toda a personalidade de Maria. Podemos dizer que este seu cântico é um retrato, é um verdadeiro ícone de Maria, no qual podemos vê-la precisamente como é. Gostaria de realçar somente dois aspectos desse grande cântico. Ele inicia com a palavra “Magnificat”: a minha alma “engrandece” o Senhor, ou seja, “proclama grande” o Senhor. Maria deseja que Deus seja grande no mundo, seja grande na sua vida, esteja presente entre todos nós. Não teme que Deus possa ser um “concorrente” na nossa vida, que possa tirar algo da nossa liberdade, do nosso espaço vital com a sua grandeza. Ela sabe que, se Deus é grande, também nós somos grandes. A nossa vida não é oprimida, mas elevada e alargada: justamente então torna-se grande no esplendor de Deus.

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Ângelus: XIX Domingo do Tempo Comum - Ano C (2025)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 10 de agosto de 2025

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
No Evangelho de hoje (Lc 12,32-48) Jesus nos convida a refletir sobre como investir o tesouro da nossa vida. Ele diz: «Vendei vossos bens e dai esmola» (v. 33).

Exorta-nos, portanto, a não guardar para nós os dons que Deus nos deu, mas a empregá-los com generosidade para o bem dos outros, especialmente daqueles que mais precisam da nossa ajuda. Não se trata apenas de partilhar as coisas materiais de que dispomos, mas de colocar à disposição as nossas capacidades, o nosso tempo, o nosso afeto, a nossa presença, a nossa empatia. Enfim, tudo aquilo que faz de cada um de nós, nos desígnios de Deus, um bem único, sem preço, um capital vivo, pulsante, que precisa ser cultivado e apoiado para poder crescer; caso contrário, torna-se árido e se desvaloriza. Ou acaba se perdendo, à mercê de quem, como um ladrão, se apropria dele para simplesmente transformá-lo em um objeto de consumo.

O dom de Deus que somos não foi feito para se esgotar assim. Precisa de espaço, de liberdade, de relacionamento, para se realizar e se expressar: precisa do amor que transforma e enobrece todos os aspectos da nossa existência, tornando-nos cada vez mais semelhantes a Deus. Não é por acaso que Jesus pronuncia estas palavras enquanto caminha para Jerusalém, onde na cruz se oferecerá por nossa salvação.

As obras de misericórdia são o banco mais seguro e rentável onde podemos depositar o tesouro da nossa existência, pois nelas, como nos ensina o Evangelho, com «duas moedas» até uma pobre viúva se torna a pessoa mais rica do mundo (cf. Mc 12,41-44).

Santo Agostinho, a este respeito, diz: «Se desses uma libra de bronze e recebesses uma de prata, ou se desses uma de prata e recebesses uma de ouro, te considerarias feliz. O que dás se transforma realmente; se converterá para ti não em ouro ou prata, mas em vida eterna» (Sermão 390, 2). E explica porquê: «O que destes será transformado, porque tu serás transformado» (ibid).

E para entender o que isso significa, podemos pensar em uma mãe que abraça os seus filhos: não é a pessoa mais bonita e mais rica do mundo? Ou em dois namorados, quando estão juntos: não se sentem um rei e uma rainha? E poderíamos dar muitos outros exemplos.

Por isso, na família, na paróquia, na escola e nos locais de trabalho, onde quer que estejamos, procuremos não perder nenhuma ocasião para amar. Esta é a vigilância que Jesus nos pede: habituarmo-nos a estar atentos, prontos, sensíveis uns para com os outros, do modo como Ele está conosco em cada momento.

Irmãs e irmãos, confiemos a Maria este desejo e este compromisso: que ela, a Estrela da Manhã, nos ajude a ser, em um mundo marcado por tantas divisões, «sentinelas» da misericórdia e da paz, como nos ensinou São João Paulo II (cf. Vigília de Oração na XV Jornada Mundial da Juventude, 19 de agosto de 2000) e como nos mostraram de forma tão bela os jovens que vieram a Roma para o Jubileu.

Obras de misericórdia (David Teniers, o Jovem)

Fonte: Santa Sé.

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Ingresso do Custódio da Terra Santa: Nazaré (2025)

No dia 09 de agosto de 2025 o novo Custódio da Terra Santa, Padre Francesco Ielpo, completou as visitas às três grandes Basílicas da Terra Santa no início do seu ministério realizando o ingresso na Basílica da Anunciação em Nazaré.

Com efeito, após tomar posse do seu ofício na igreja do Santíssimo Salvador, sede atual da Custódia, no dia 21 de julho, e de celebrar a Missa no Cenáculo, sua sede histórica, no dia 24, o Padre Francesco Ielpo realizou seu ingresso na Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém e na Basílica da Natividade em Belém nos dias 25 e 26 de julho.

Na tarde do sábado, dia 09 de agosto, portanto, o novo Custódio realizou seu ingresso na Basílica da Anunciação em Nazaré, celebrando a Missa votiva da Anunciação do Senhor, uma “Missa votiva do lugar”, na igreja inferior da Basílica.

À noite, por sua vez, o Custódio presidiu a oração do terço do rosário (mistérios da alegria) com a tradicional procissão luminosa (fiaccolata) promovida pela Basílica aos sábados.

Acolhida do Custódio: Veneração da cruz
Oração na Gruta da Anunciação


Missa: Incensação da Gruta

terça-feira, 12 de agosto de 2025

Festa da Transfiguração do Senhor na Terra Santa (2025)

No dia 06 de agosto de 2025 o novo Custódio da Terra Santa, Padre Francesco Ielpo, que recentemente realizou seu ingresso nesse ofício, presidiu a Missa da Festa da Transfiguração do Senhor no altar superior do Santuário do Monte Tabor.

Após a Missa, como de costume, foi realizada a procissão até a Capela in Descentibus, que marca o início da descida do Monte, onde teve lugar a bênção e a distribuição de alguns ramos das árvores do local.

Altar superior do Santuário da Transfiguração
Procissão de entrada
Incensação do altar
Evangelho
Apresentação das oferendas