domingo, 27 de março de 2022

Solenidade da Anunciação em Cracóvia, Londres e Milão

Em comunhão com o Papa Francisco, os Bispos do mundo realizaram no último dia 25 de março, Solenidade da Anunciação do Senhor, um ato de consagração ao Imaculado Coração de Maria, confiando-lhe particularmente o povo ucraniano e o povo russo.

Após registrarmos as celebrações que tiveram lugar na Basílica da Anunciação em Nazaré e na Catedral de Manila (Filipinas), destacamos nesta postagem as celebrações em três importantes Arquidioceses europeias, cujas celebrações sempre registramos em nosso blog: Cracóvia (Polônia), Westminster (Inglaterra) e Milão (Itália).

Arquidiocese de Cracóvia (Polônia)
Missa na Catedral de Wawel presidida pelo Arcebispo, Dom Marek Jędraszewski:

Imagem de Nossa Senhora no altar-mor da Catedral
Procissão de entrada
Evangelho

Homilia

Solenidade da Anunciação em Manila

No último dia 25 de março, Solenidade da Anunciação do Senhor, o Arcebispo de Manila (Filipinas), Cardeal Jose Fuerte Advincula, celebrou a Santa Missa na Catedral Metropolitana da Imaculada Conceição em Manila (Filipinas), durante a qual realizou o Ato de consagração ao Imaculado Coração de Maria, em sintonia com o Papa Francisco.

Após a Missa teve lugar uma procissão luminosa com a oração do rosário pela paz ao redor da Catedral.

Santa Missa:

Imagem de Nossa Senhora de Fátima
Procissão de entrada
Incensação
Ritos iniciais
Evangelho

Solenidade da Anunciação em Nazaré

O Patriarca de Jerusalém, Dom Pierbattista Pizzaballa, presidiu nos dias 24 e 25 de março de 2022 as celebrações da Solenidade da Anunciação do Senhor na Basílica da Anunciação em Nazaré.

No final da Missa no dia 25 foi realizado o Ato de consagração ao Imaculado Coração de Maria em sintonia com o Papa Francisco.

Para saber mais sobre a história da Basílica e sobre as Missas votivas a ela associadas, clique aqui.

24 de março: I Vésperas da Solenidade da Anunciação

O Patriarca reza na gruta da Anunciação
Oração das I Vésperas na Basílica Superior

Salmodia

sábado, 26 de março de 2022

Fotos da Celebração Penitencial no Vaticano

No último dia 25 de março, Solenidade da Anunciação do Senhor, o Papa Francisco presidiu na Basílica de São Pedro uma Celebração Penitencial com confissões individuais. Essa celebração, que tradicionalmente tinha lugar na sexta-feira da III semana da Quaresma, foi retomada após ter sido omitida nos últimos dois anos devido à pandemia de Covid-19.

Após a celebração o Papa recitou um Ato de Consagração ao Imaculado Coração de Maria, confiando à Virgem Maria particularmente o povo ucraniano e o povo russo.

O Santo Padre foi assistido pelos Monsenhores Diego Giovanni Ravelli e Ľubomír Welnitz. Para ver o livreto da celebração, clique aqui.

Procissão de entrada
Incensação da cruz

Evangelho

Ato de Consagração ao Imaculado Coração de Maria

Papa Francisco
Ato de Consagração ao Imaculado Coração de Maria
Basílica de São Pedro
Sexta-feira, 25 de março de 2022

Ó Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, recorremos a Vós nesta hora de tribulação. Vós sois Mãe, amais-nos e conheceis-nos: de quanto temos no coração, nada Vos é oculto. Mãe de misericórdia, muitas vezes experimentamos a vossa ternura providente, a vossa presença que faz voltar a paz, porque sempre nos guiais para Jesus, Príncipe da paz.

Mas perdemos o caminho da paz. Esquecemos a lição das tragédias do século passado, o sacrifício de milhões de mortos nas guerras mundiais. Descuidamos os compromissos assumidos como Comunidade das Nações e estamos a atraiçoar os sonhos de paz dos povos e as esperanças dos jovens. Adoecemos de ganância, fechamo-nos em interesses nacionalistas, deixamo-nos ressequir pela indiferença e paralisar pelo egoísmo. Preferimos ignorar Deus, conviver com as nossas falsidades, alimentar a agressividade, suprimir vidas e acumular armas, esquecendo-nos que somos guardiões do nosso próximo e da própria casa comum. Dilaceramos com a guerra o jardim da Terra, ferimos com o pecado o coração do nosso Pai, que nos quer irmãos e irmãs. Tornamo-nos indiferentes a todos e a tudo, exceto a nós mesmos. E, com vergonha, dizemos: perdoai-nos, Senhor!

Na miséria do pecado, das nossas fadigas e fragilidades, no mistério de iniquidade do mal e da guerra, Vós, Mãe Santa, lembrai-nos que Deus não nos abandona, mas continua a olhar-nos com amor, desejoso de nos perdoar e levantar novamente. Foi Ele que Vos deu a nós e colocou no vosso Imaculado Coração um refúgio para a Igreja e para a humanidade. Por bondade divina, estais conosco e conduzis-nos com ternura mesmo nos transes mais apertados da história.

Por isso recorremos a Vós, batemos à porta do vosso Coração, nós os vossos queridos filhos que não Vos cansais de visitar em todo o tempo e convidar à conversão. Nesta hora escura, vinde socorrer-nos e consolar-nos. Repeti a cada um de nós: «Não estou porventura aqui Eu, que sou tua mãe?» Vós sabeis como desfazer os emaranhados do nosso coração e desatar os nós do nosso tempo. Repomos a nossa confiança em Vós. Temos a certeza de que Vós, especialmente no momento da prova, não desprezais as nossas súplicas e vindes em nosso auxílio.

Assim fizestes em Caná da Galileia, quando apressastes a hora da intervenção de Jesus e introduzistes no mundo o seu primeiro sinal. Quando a festa se mudara em tristeza, dissestes-Lhe: «Não têm vinho!» (Jo 2,3). Ó Mãe, repeti-o mais uma vez a Deus, porque hoje esgotamos o vinho da esperança, desvaneceu-se a alegria, diluiu-se a fraternidade. Perdemos a humanidade, malbaratamos a paz. Tornamo-nos capazes de toda a violência e destruição. Temos necessidade urgente da vossa intervenção materna.

Por isso acolhei, ó Mãe, esta nossa súplica:
Vós, estrela do mar, não nos deixeis naufragar na tempestade da guerra;
Vós, arca da nova aliança, inspirai projetos e caminhos de reconciliação;
Vós, «terra do Céu», trazei de volta ao mundo a concórdia de Deus;
Apagai o ódio, acalmai a vingança, ensinai-nos o perdão;
Libertai-nos da guerra, preservai o mundo da ameaça nuclear;
Rainha do Rosário, despertai em nós a necessidade de rezar e amar;
Rainha da família humana, mostrai aos povos o caminho da fraternidade;
Rainha da paz, alcançai a paz para o mundo.

O vosso pranto, ó Mãe, comova os nossos corações endurecidos. As lágrimas, que por nós derramastes, façam reflorescer este vale que o nosso ódio secou. E, enquanto o rumor das armas não se cala, que a vossa oração nos predisponha para a paz. As vossas mãos maternas acariciem quantos sofrem e fogem sob o peso das bombas. O vosso abraço materno console quantos são obrigados a deixar as suas casas e o seu país. Que o vosso doloroso Coração nos mova à compaixão e estimule a abrir as portas e cuidar da humanidade ferida e descartada.

Santa Mãe de Deus, enquanto estáveis ao pé da cruz, Jesus, ao ver o discípulo junto de Vós, disse-Vos: «Eis o teu filho!» (Jo 19,26). Assim Vos confiou cada um de nós. Depois disse ao discípulo, a cada um de nós: «Eis a tua mãe!» (v. 27). Mãe, agora queremos acolher-Vos na nossa vida e na nossa história. Nesta hora, a humanidade, exausta e transtornada, está ao pé da cruz convosco. E tem necessidade de se confiar a Vós, de se consagrar a Cristo por vosso intermédio. O povo ucraniano e o povo russo, que Vos veneram com amor, recorrem a Vós, enquanto o vosso Coração palpita por eles e por todos os povos ceifados pela guerra, a fome, a injustiça e a miséria.

Por isso nós, ó Mãe de Deus e nossa, solenemente confiamos e consagramos ao vosso Imaculado Coração nós mesmos, a Igreja e a humanidade inteira, de modo especial a Rússia e a Ucrânia. Acolhei este nosso ato que realizamos com confiança e amor, fazei que cesse a guerra, providenciai ao mundo a paz. O sim que brotou do vosso Coração abriu as portas da história ao Príncipe da Paz; confiamos que mais uma vez, por meio do vosso Coração, virá a paz. Assim a Vós consagramos o futuro da família humana inteira, as necessidades e os anseios dos povos, as angústias e as esperanças do mundo.

Por vosso intermédio, derrame-se sobre a Terra a Misericórdia divina e o doce palpitar da paz volte a marcar as nossas jornadas. Mulher do sim, sobre Quem desceu o Espírito Santo, trazei de volta ao nosso meio a harmonia de Deus. Dessedentai a aridez do nosso coração, Vós que «sois fonte viva de esperança». Tecestes a humanidade para Jesus, fazei de nós artesãos de comunhão. Caminhastes pelas nossas estradas, guiai-nos pelas sendas da paz. Amém.


Fonte: Santa Sé.

Homilia do Papa: Celebração Penitencial

Celebração da Penitência e Ato de Consagração ao Imaculado Coração de Maria
Homilia do Papa Francisco
Basílica de São Pedro
Sexta-feira, 25 de março de 2022

No Evangelho da Solenidade de hoje, o Anjo Gabriel toma a palavra por três vezes para se dirigir à Virgem Maria.

A primeira vez, quando a saúda com estas palavras: «Alegra-te, ó cheia de graça: o Senhor está contigo» (Lc 1,28). O motivo para rejubilar, o motivo da alegria, é desvendado em poucas palavras: o Senhor está contigo. Irmão, irmã, hoje podes ouvir estas palavras dirigidas a ti, dirigidas a cada um de nós; podes fazê-las tuas sempre que te abeiras do perdão de Deus, porque nessa ocasião te diz o Senhor: «Eu estou contigo». Muitas vezes pensamos que a Confissão consiste em ir de cabeça inclinada ao encontro de Deus. Mas voltar para o Senhor não é primariamente obra nossa; é Ele que nos vem visitar, cumular da sua graça, alegrar com o seu júbilo. Confessar-se é dar ao Pai a alegria de nos levantar de novo. No centro daquilo que vamos viver, não estão os nossos pecados; estarão, mas não estão no centro. O seu perdão: este é o centro. Tentemos imaginar se, no centro do Sacramento, estivessem os nossos pecados: então dependeria quase tudo de nós, do nosso arrependimento, dos nossos esforços, do nosso empenhamento. Mas não, no centro está Ele, que nos liberta e põe de pé.


Restituamos o primado à graça e peçamos o dom de compreender que a Reconciliação consiste antes de tudo, não num passo nosso para Deus, mas no seu abraço que nos envolve, deslumbra, comove. É o Senhor que entra em nossa casa, como na de Maria em Nazaré, e traz um deslumbramento e uma alegria antes desconhecidos: a alegria do perdão. Como primeiro plano foquemos a perspectiva em Deus: voltaremos a gostar da Confissão. Precisamos dela, porque cada renascimento interior, cada viragem espiritual começa daqui, do perdão de Deus. Não negligenciemos a Reconciliação, mas voltemos a descobri-la como o Sacramento da alegria. Sim, o Sacramento da alegria, onde o mal que nos faz envergonhar se torna ocasião para experimentar o abraço caloroso do Pai, a força suave de Jesus que nos cura, a «ternura materna» do Espírito Santo. Aqui está o coração da Confissão.

Cardeal Cantalamessa: III Pregação de Quaresma 2022

Confira a terceira meditação de Quaresma do Cardeal Raniero Cantalamessa, OFMCap, Pregador da Casa Pontifícia, proferida no dia 25 de março de 2022 e dedicada à Comunhão Eucarística:

Cardeal Raniero Cantalamessa, OFMCap
III pregação de Quaresma
25 de março de 2022

Uma catequese mistagógica sobre a Eucaristia:
A Comunhão com o Corpo e o Sangue de Cristo

Em nossa catequese mistagógica sobre a Eucaristia, após a Liturgia da Palavra e a Consagração, chegamos ao terceiro momento, o da Comunhão. Este é o momento da Missa que mais claramente expressa a unidade e a igualdade fundamental de todos os membros do povo de Deus, abaixo de qualquer distinção de posição e ministério. Até então, a distinção dos ministérios é visível: na Liturgia da Palavra, a distinção entre a Igreja que ensina e a Igreja que aprende; na Consagração, a distinção entre o sacerdócio ministerial e o sacerdócio universal. Na Comunhão não há distinção. A Comunhão recebida pelo simples batizado é idêntica à recebida pelo sacerdote ou pelo Bispo. A Comunhão eucarística é a proclamação sacramental de que a koinonia vem em primeiro lugar na Igreja e é mais importante que a hierarquia.
Reflitamos sobre a Comunhão eucarística a partir de um texto de São Paulo:
“O cálice da bênção, que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo? Porque há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, pois todos participamos desse único pão” (1Cor 10,16-17).
A palavra “corpo” recorre duas vezes nos dois versículos, mas com um significado diverso. No primeiro caso (“o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo?”), indica o Corpo real de Cristo, nascido de Maria, morto e ressuscitado; no segundo (“somos um só corpo”), indica o Corpo místico, a Igreja. Não se podia dizer de maneira mais sucinta e mais clara que a Comunhão eucarística é sempre comunhão com Deus e comunhão com os irmãos; que nela há, por assim dizer, uma dimensão vertical e uma dimensão horizontal. Partamos da primeira.


A Eucaristia, comunhão com Cristo

Busquemos aprofundar qual gênero de comunhão se estabelece entre nós e Cristo na Eucaristia. Em João 6,57, Jesus diz: “Como o Pai, que vive, me enviou e eu vivo pelo Pai, também o que comer de mim viverá por mim”. A preposição “por” (em grego, dià) tem aqui valor causal e final; indica tanto um movimento de proveniência e um movimento de destinação. Significa que quem come o corpo de Cristo vive “d’Ele”, isto é, por causa d’Ele, em virtude da vida que provém d’Ele, e vive “em vista d’Ele”, isto é, para sua glória, seu amor, seu Reino. Como Jesus vive do Pai e para o Pai, assim, comungando do santo mistério do seu Corpo e do seu Sangue, nós vivemos de Jesus e para Jesus.