segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Festa da Natividade de Maria em Jerusalém

No último dia 08 de setembro a comunidade católica em Jerusalém se reuniu na igreja de Santa Ana para celebrar a Festa da Natividade da Virgem Maria. Presidiu a Santa Missa o Padre Stéphane Milovitch, responsável pelo Ofício dos Bens Culturais da Custódia da Terra Santa.

A igreja de Santa Ana, construída junto à Piscina de Betesda no tempo das Cruzadas, é conhecida por seu estilo simples e por sua excelente acústica.


Procissão de entrada
Leitura
Evangelho
Homilia

VII Catequese do Papa sobre os Mandamentos: O dia do repouso

Papa Francisco
Audiência Geral
Quarta-feira, 5 de setembro de 2018
Os Mandamentos (7): O dia do repouso

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
A viagem através do Decálogo leva-nos hoje ao mandamento sobre o dia do repouso. Parece um mandamento fácil de cumprir, mas é uma impressão errada. Descansar verdadeiramente não é simples, porque há o repouso falso e o repouso autêntico. Como podemos reconhecê-los?
A sociedade atual é sedenta de diversões e férias. A indústria da distração é deveras florescente e a publicidade desenha o mundo ideal como um grande parque de diversões onde todos se distraem. O conceito de vida hoje predominante não tem o baricentro na atividade e no empenho, mas na evasão. Ganhar para se divertir, para se satisfazer. A imagem-modelo é aquela de uma pessoa de sucesso, que pode permitir-se amplos e diferentes espaços de prazer. Mas esta mentalidade faz escorregar na insatisfação de uma existência anestesiada pela diversão, que não é repouso, mas alienação e fuga da realidade. O homem nunca descansou tanto como hoje, e no entanto o homem jamais experimentou tanto vazio como hoje! A possibilidade de se divertir, de sair, os cruzeiros, as viagens, muitas coisas não te proporcionam a plenitude do coração. Aliás, não te dão o repouso!
As palavras do Decálogo procuram e encontram o cerne do problema, lançando uma luz diferente sobre o que é o descanso. O mandamento tem um elemento peculiar: oferece uma motivação. O repouso em nome do Senhor tem um motivo específico: «Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que eles contêm, e repousou no sétimo dia; e por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o consagrou» (Ex 20,11).
Isto remete para o fim da criação, quando Deus diz: «Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom» (Gn 1,31). E então começa o dia do repouso, que é a alegria de Deus por aquilo que criou. É o dia da contemplação e da bênção!
Portanto, no que consiste o repouso, segundo este mandamento? No momento da contemplação, no momento do louvor, não da evasão. Trata-se do tempo para olhar a realidade e dizer: como é bonita a vida! Ao descanso como fuga da realidade, o Decálogo opõe o repouso como bênção da realidade. Para nós, cristãos, o centro do dia do Senhor, o domingo, é a Eucaristia, que significa “ação de graças”. É o dia para dizer a Deus: Senhor, obrigado pela vida, pela sua misericórdia, por todos os teus dons. O domingo não é o dia para anular os outros dias, mas para os recordar, bendizer e fazer as pazes com a vida. Quantas pessoas têm muitas possibilidades de se divertir, e não estão em paz com a vida! O domingo é o dia para fazer as pazes com a vida, dizendo: a vida é preciosa; não é fácil, às vezes é dolorosa, mas é preciosa.
Ser introduzido no repouso autêntico é uma obra de Deus em nós, mas exige que nos afastemos da maldição e da sua fascinação (cf. Exort. Apost. Evangelii gaudium, 83). Com efeito, é extremamente fácil convencer o coração à infelicidade, ressaltando motivos de descontentamento. A bênção e a alegria implicam uma abertura ao bem, que é um movimento adulto do coração. O bem é amoroso e nunca se impõe. Deve ser escolhido!
A paz escolhe-se, não pode ser imposta e não se encontra por acaso. Afastando-se das dobras amargas do seu coração, o homem tem necessidade de fazer as pazes com aquilo do que foge. É preciso reconciliar-se com a própria história, com os factos que não se aceitam, com as partes difíceis da própria existência. Pergunto-vos: cada um de vós se reconciliou com a própria história? Uma pergunta sobre a qual pensar: reconciliei-me com a minha história? Com efeito, a verdadeira paz não consiste em mudar a própria história, mas em aceitá-la e valorizá-la tal como é!
Quantas vezes encontramos cristãos doentes que nos consolaram com uma serenidade que não se encontra nos foliões, nem nos hedonistas! E vimos pessoas humildes e pobres regozijar com pequenas graças, com uma felicidade com sabor de eternidade!
No Deuteronômio, o Senhor diz: «Ponho diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas com a tua posteridade» (30,19). Esta opção é o “fiat” da Virgem Maria, é uma abertura ao Espírito Santo que nos coloca nos passos de Cristo, Aquele que se entrega ao Pai no momento mais dramático, empreendendo assim o caminho que conduz à Ressurreição.
Quando se torna bela a vida? Quando se começa a pensar bem dela, seja qual for a nossa história. Quando o dom de uma dúvida abre caminho: que tudo seja graça [Como nos recorda Santa Teresa do Menino Jesus, tirada de G. Bernanos, Diario di un curato di campagna [“Diário de um Pároco de Aldeia”], Milão, 1965, p. 270] e aquele santo pensamento fragmenta o muro interior da insatisfação, inaugurando o repouso autêntico. A vida torna-se bela quando se abre o coração à Providência e se descobre que é verdade aquilo que reza o Salmo: «Só em Deus repousa a minha alma» (62,2). Como é bonita esta frase do Salmo: «Só em Deus repousa a minha alma»!


Fonte: Santa Sé

sábado, 8 de setembro de 2018

Homilia: XXIII Domingo do Tempo Comum - Ano B

São Beda, o Venerável
Comentário sobre o Evangelho de São Marcos
Os dedos de Deus são os dons do Espírito Santo

Jesus o separou da multidão e, levando-o à parte, colocou seus dedos em seus ouvidos. O primeiro passo para a salvação é que o enfermo, guiado pelo Senhor, seja levado à parte, longe da multidão. Isto acontece quando o Senhor, iluminando a alma do enfermo - prostrada por seus pecados - com a presença do seu amor, o tira do habitual modo de vida e o coloca sobre o caminho dos seus mandamentos.

Ele coloca os seus dedos nos ouvidos quando, por meio dos dons do Espírito Santo, abre os ouvidos do coração para que compreenda e receba a palavra de salvação. De fato, o próprio Senhor testemunha que o Espírito Santo é o dedo de Deus, quando afirma aos judeus: Se eu expulso os demônios com o dedo de Deus, seus filhos por quem os expulsam? Explicando estas palavras outro evangelista diz: Eu expulso os demônios com o Espírito Santo.

Os próprios magos do Egito foram vencidos por Moisés por esse dedo, fato que eles reconheceram: Aqui está o dedo de Deus; e também a lei foi escrita sobre tábuas de pedra. E por meio do dom do Espírito Santo, estamos protegidos contra as ciladas dos homens e dos espíritos malignos, e somos instruídos no conhecimento da vontade divina.

Portanto, os dedos de Deus, colocados nos ouvidos do enfermo que seria curado, são os dons do Espírito Santo, que abre os corações que tinham se distanciado do caminho da verdade ao conhecimento da ciência da salvação.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 465-466. Para adquiri-lo no site da Editora Vozes, clique aqui.

Para ler uma homilia de Santo Efrém para este domingo, clique aqui.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Abertura do Sínodo da Igreja Católica Ucraniana

Os Bispos da Igreja Greco-Católica Ucraniana iniciaram no último dia 02 de setembro na cidade de Lviv na Ucrânia o seu Sínodo, refletindo sobre a Palavra de Deus e a catequese.

O Arcebispo-Maior, Dom Sviatoslav Shevshuk, presidiu a Divina Liturgia de abertura do Sínodo na manhã do dia 02 na Catedral de São Jorge em Lviv:

Procissão de entrada
Arcebispo abençoa os fiéis
Litania da paz
Incensação

Missa pelas colheitas em Czestochowa

No último dia 02 de setembro o Arcebispo de Cracóvia, Dom Marek Jędraszewski, celebrou a Santa Missa pelas colheitas com a bênção dos grãos no Santuário de Nossa Senhora de Częstochowa em Jasna Góra.

Esteve presente o Presidente da Polônia, Andrezj Duda, que foi recebido com pão e sal, juntamente com os Bispos, no início da celebração.

Procissão de entrada


Incensação
Acolhida com pão e sal

Ângelus: XXII Domingo do Tempo Comum - Ano B

Papa Francisco
Ângelus
Domingo, 02 de setembro de 2018

Amados irmãos e irmãs, bom dia!
Neste domingo retomamos a leitura do Evangelho de Marcos. No trecho de hoje (Mc 7,1-8.14-15.21-23), Jesus enfrenta um tema importante para todos nós crentes: a autenticidade da nossa obediência à Palavra de Deus, contra qualquer contaminação mundana ou formalismo legalista. A narração inicia com a objeção que os escribas e os fariseus dirigem a Jesus, acusando os seus discípulos de não seguirem os preceitos rituais segundo as tradições. Deste modo, os interlocutores pretendiam prejudicar a credibilidade e a autoridade de Jesus como Mestre, pois diziam: «Mas este mestre deixa que os discípulos não cumpram as prescrições da tradição». Contudo, Jesus reage incisivamente e responde: «Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, quando escreveu: “Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. Vão é o culto que me prestam, e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos”» (vv. 6-7). Assim diz Jesus. Palavras claras e fortes! Hipócrita é, por assim dizer, um dos adjetivos mais fortes que Jesus usa no Evangelho e pronuncia-o dirigindo-se aos mestres da religião: doutores da lei, escribas... “Hipócrita”, diz Jesus.

Com efeito, Jesus tenciona fazer com que os escribas e os fariseus despertem do erro no qual caíram, mas qual é este erro? Desvirtuar a vontade de Deus, descuidando os seus mandamentos para cumprir as tradições humanas. A reação de Jesus é severa porque o que está em questão é importante: trata-se da verdade da relação entre o homem e Deus, da autenticidade da vida religiosa. O hipócrita é um mentiroso, não é autêntico.

Também hoje o Senhor nos convida a evitar o perigo de dar mais importância à forma do que à substância. Exorta-nos a reconhecer, sempre de novo, aquele que é o verdadeiro centro da experiência de fé, ou seja, o amor de Deus e o amor do próximo, purificando-a da hipocrisia do legalismo e do ritualismo.

A mensagem do Evangelho é hoje reforçada também pela voz do Apóstolo Tiago, o qual nos diz em síntese como deve ser a verdadeira religião, afirmando o seguinte: a verdadeira religião consiste em «visitar os órfãos e as viúvas nos sofrimentos e não se deixar contaminar por este mundo» (v. 27).

“Visitar os órfãos e as viúvas” significa praticar a caridade para com o próximo a partir das pessoas mais necessitadas, mais débeis, mais marginalizadas. São as pessoas das quais Deus cuida de modo especial, e pede a nós para fazermos o mesmo.

“Não se deixar contaminar por este mundo” não significa isolar-se e fechar-se à realidade. Não. Também neste caso, não deve tratar-se de uma atitude exterior mas interior, de substância: significa vigiar para que o nosso modo de pensar e de agir não seja poluído pela mentalidade mundana, isto é, a vaidade, a avareza, a soberba. Na realidade, um homem ou uma mulher que vive na vaidade, na avareza, na soberba e ao mesmo tempo crê e se mostra como religioso e inclusive condena os outros, é um hipócrita.

Façamos um exame de consciência para ver como acolhemos a Palavra de Deus. Aos domingos ouvimo-la na Missa. Se a ouvirmos de maneira distraída ou superficial, ela não nos servirá muito. Ao contrário, devemos acolher a Palavra com mente e coração abertos, como um terreno bom, de maneira que seja assimilada e dê fruto na vida concreta. Jesus diz que a Palavra de Deus é como o grão, é uma semente que deve crescer nas obras concretas. Assim a própria Palavra purifica o nosso coração e as nossas ações, e a nossa relação com Deus e com os demais é libertada da hipocrisia.

O exemplo e a intercessão da Virgem Maria nos ajudem a honrar sempre o Senhor com o coração, testemunhando o nosso amor por Ele nas opções concretas para o bem dos irmãos.


Fonte: Santa Sé.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Catequese do Papa João Paulo I sobre a Humildade

Há 40 anos, no dia 06 de setembro de 1978, o Papa João Paulo I proferiu sua primeira Catequese, após sua eleição no dia 26 de agosto. O Papa, com muita simplicidade, refletiu sobre o tema da humildade, que inclusive era seu lema episcopal: "Humilitas".

Papa João Paulo I
Audiência Geral
Quarta-feira, 6 de setembro de 1978
A grande virtude da humildade

À minha direita e à minha esquerda há Cardeais e Bispos, meus irmãos no episcopado. Eu sou apenas o irmão mais velho. Para eles vai a minha saudação afetuosa, para eles e para as suas dioceses.
Há exatamente um mês, em Castel Gandolfo, morria Paulo VI, grande Pontífice, que prestou à Igreja, em 15 anos, serviços enormes. Os efeitos já agora se veem em parte, mas eu creio que se verão especialmente no futuro. Todas as quartas-feiras vinha ele aqui e falava à gente. No Sínodo de 1977 vários Bispos disseram: “os discursos do Papa Paulo, nas quartas-feiras, são verdadeira catequese adaptada ao mundo moderno”. Procurarei imitá-lo, na esperança de poder também eu, dalgum modo, ajudar a gente a tornar-se melhor.
Para sermos bons precisamos, porém, de estar no nosso lugar diante de Deus, diante do próximo e diante de nós mesmos. Diante de Deus, a posição justa é a de Abraão, que disse: “Sou somente pó e cinza diante de ti, ó Senhor!”. Pequenos mesmo é que devemos sentir-nos diante de Deus. Quando digo “Senhor, eu creio”, não me envergonho de sentir-me como criança diante da mãe. Acredita-se na mãe, eu acredito no Senhor, naquilo que ele me revelou. Os mandamentos são um pouco mais difíceis, algumas vezes bastante difíceis de observar; mas, se Deus no-los deu, não foi por capricho, não foi por interesse seu, mas unicamente por interesse nosso.
Um sujeito foi uma vez comprar um automóvel a um agente. Este fez-lhe um discurso: “Olhe que o automóvel é muito bom, trate-o bem. Sabe: gasolina ‘super’ no depósito; e nas junturas óleo do fino”. O comprador respondeu: “Oh, não, fique sabendo, eu nem o cheiro da gasolina posso aguentar, e o do óleo também não; no depósito deitarei vinho espumante, de que tanto gosto, e as junturas untá-las-ei com marmelada”. “Faça como quiser”, responde o vendedor, “mas não venha lamentar-se, se vier a parar num precipício com o seu automóvel”. O Senhor fez coisa semelhante conosco: deu-nos este corpo, animado por uma alma inteligente, uma vontade boa. Disse: “É boa, mas trata-a bem, esta máquina”. Eis os mandamentos: honrar pai e mãe, não matar, não se irar, ser delicado, não dizer mentiras, não roubar... Se fôssemos capazes de observar os mandamentos, andaríamos melhor nós e andaria também melhor o mundo.
Depois, há o próximo e a três níveis: alguns estão acima de nós, alguns estão ao nosso nível, e outros estão abaixo. Acima estão os nossos pais. O catecismo dizia: respeitá-los, amá-los, obedecer-lhes. O Papa deve inculcar respeito e obediência dos filhos aos pais. Dizem-me que estão aqui os meninos de coro de Malta. Venha aqui um, por favor... Os meninos de coro de Malta que, por um mês, fizeram serviço em São Pedro. “Então, tu, como te chamas?”. – “James!”. – “James. Estiveste alguma vez doente?”. – “Não”. – “Ah, nunca?”. – “Não”. – “Nunca estiveste doente?” – “Não”. – “Nem sequer alguma febre?”. – “Não”. – “Oh, que felizardo! Mas, quando um menino está doente, quem é que lhe leva uma pouca de sopa, os remédios? Não é a mãe? Ora vê: Tu virás a ser grande e a mãe ficará velhinha. Tu serás um grande senhor, e a mamã, pobrezinha, estará doente na cama. Quem é que então lhe levará uma xícara de leite e os remédios? Quem?”. – “Eu e os meus irmãos”. – “Bravo! Ele e os seus irmãos: assim disse. Gosto de ouvir isso. Compreendeste?”.
Mas não sucede sempre assim. Eu, sendo Bispo de Veneza, ia algumas vezes ao asilo. Uma vez encontrei uma doente, uma velhinha. – “Como está, senhora?”. – “Bem, de comer bem. Calor, aquecimento: bem”. – “Então está contente, senhora?”. – “Não” - e pôs-se quase a chorar. – “Mas porque chora?”. – “A minha nora, o meu filho não vêm nunca ver-me. Queria ver os netinhos”. Não basta o calor, a comida, há o coração; é necessário pensar também no coração dos nossos velhos. O Senhor disse que os pais devíamos respeitá-los, amá-los, mesmo quando velhos.
Além dos pais, há o Estado, e há os Superiores. Pode um Papa recomendar obediência? Bossuet, que era um grande Bispo, escreveu: “Onde ninguém manda, todos mandam. Onde todos mandam, ninguém manda, temos o caos”. Algumas vezes vê-se também neste mundo alguma coisa deste gênero: Respeitemos, por conseguinte, aqueles que são nossos superiores.
Depois, há os nossos iguais. E nisto, ordinariamente, são duas as virtudes que temos de observar: justiça e caridade. Mas a caridade é a alma da justiça. É necessário querer bem ao próximo, o Senhor tanto no-lo recomendou. Eu recomendo sempre, não só as grandes caridades, mas também as pequenas caridades. Li num livro, escrito por Carnegie, autor americano, intitulado “A arte de fazer amigos”, este episodiozinho: Uma senhora tinha quatro homens em casa: o marido, um irmão, e dois filhos grandes. Ela sozinha fazia as compras, ela lavava e passava a roupa, ela cozinhava, ela fazia tudo. Um domingo, entram eles em casa. A mesa está preparada para o almoço, mas no prato há só um punhado de feno. “Oh!”, protestam e dizem: “Que é isto? Feno!”. “Não, está tudo preparado”, replica a senhora. “Deixai que vos diga: esforço-me, vario os pratos, tenho-vos limpos, faço todos os ofícios. Nunca, nem uma vez dissestes: ‘preparaste-nos um bom almocinho’. Dizei alguma coisa! Não sou de pedra. Trabalha-se de melhor vontade, quando se encontra reconhecimento”. São as pequenas caridades. Na nossa casa, todos temos alguém que espera um cumprimento.
Há também os mais pequenos que nós. Há as crianças, os doentes, até os pecadores. Como Bispo, estive muito perto também dos que não creem em Deus. Fiquei com a persuasão que estes muitas vezes combatem não Deus mas a ideia errada que têm de Deus. Quanta misericórdia é preciso ter! E também os que erram... É necessário sermos verdadeiramente o que devemos ser conosco mesmos. Limito-me a recomendar uma virtude, tão querida pelo Senhor. Disse: Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração. Arrisco-me a dizer um despropósito, mas sempre o digo: o Senhor tanto ama a humildade que, às vezes, permite pecados graves. Porquê? Para que, depois de os cometermos - esses pecados - depois, arrependidos, fiquemos humildes. Não temos assim vontade de nos julgarmos meios santos, meios anjos, depois de sabermos ter cometido faltas graves. O Senhor tanto recomendou: sede humildes! Mesmo que tenhais feito grandes coisas, dizei: “somos servos inúteis”. A tendência, porém, em nós todos, é antes em sentido contrário: pormo-nos em vista. Mas devemos estar baixinhos, baixinha. Faço votos por que a vós suceda a mesma coisa.


Fonte: Santa Sé