sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Fotos da Missa da Apresentação do Senhor no Vaticano

Bênção das velas
Aspersão
Início da procissão
Procissão

Homilia do Papa na Festa da Apresentação do Senhor

Santa Missa na Festa da Apresentação do Senhor - XVII Dia da Vida Consagrada
Homilia do Papa Bento XVI
Basílica Vaticana
Sábado, 2 de fevereiro de 2013

Prezados irmãos e irmãs
Na sua narração da infância de Jesus, são Lucas ressalta o modo como Maria e José eram fiéis à Lei do Senhor. Cumprem com profunda devoção tudo aquilo que é prescrito depois do parto de um primogénito varão. Trata-se de duas prescrições muito antigas: uma diz respeito à mãe, e à outra ao menino recém-nascido. Para a mulher é prescrito que durante quarenta dias se abstenha das práticas rituais e que depois ofereça um sacrifício dúplice: um cordeiro em holocausto e uma rola ou um pombo pelo pecado; mas se a mulher é pobre, pode oferecer duas rolas ou dois pombos (cf. Lv 12,1-8). São Lucas esclarece que Maria e José oferecem o sacrifício dos pobres (cf. 2,24), para evidenciar que Jesus nasceu numa família de pessoas simples, humildes, mas muito fiéis: uma família pertencente àqueles pobres de Israel que formam o verdadeiro povo de Deus. Para o primogénito varão, que segundo a Lei de Moisés é propriedade de Deus, prescrevia-se ao contrário o resgate, estabelecido na oferta de cinco siclos, a serem pagos a um sacerdote em qualquer lugar. Isto, em memória perene de que, na época do êxodo, Deus salvou os primogénitos dos judeus (cf. Ex 13,11-16).
É importante observar que para estes dois gestos - a purificação da mãe e o resgate do filho - não era necessário ir ao Templo. No entanto, Maria e José querem cumprir tudo em Jerusalém, e são Lucas mostra como toda esta cena converge para o Templo, e portanto está centrada em Jesus que entra no Templo. E eis que, precisamente através das prescrições da Lei, o acontecimento principal se torna outro, ou seja, a «apresentação» de Jesus no Templo de Deus, que significa o gesto de oferecer o Filho do Altíssimo ao Pai que O enviou (cf. Lc 1,32.35).
Esta narração do evangelista encontra correspondência na palavra do profeta Malaquias, que ouvimos no início da primeira Leitura: «Vou mandar o meu mensageiro para preparar o meu caminho. E imediatamente virá ao seu Templo o Senhor que buscais, o anjo da aliança que desejais. Ei-lo que vem… Ele purificará os filhos de Levi… eles apresentarão ao Senhor as ofertas segundo a justiça» (3,1.3). Claramente, aqui não se fala de um menino, e todavia esta palavra encontra cumprimento em Jesus porque «imediatamente», graças à fé dos seus pais, Ele foi levado ao Templo; e no gesto da sua «apresentação», ou da sua «oferta» pessoal a Deus Pai, transparece de maneira clara o tema do sacrifício e do sacerdócio, como no trecho do profeta. O Menino Jesus, que é imediatamente apresentado no Templo, é o mesmo que, quando se tornar adulto, purificará o Templo (cf. Jo 2,13-22; Mc 11,15-19 e par.) e, principalmente, fará de Si mesmo o holocausto e o sumo sacerdote da nova Aliança.
Esta é também a perspectiva da Carta aos Hebreus, da qual foi proclamado um trecho na segunda Leitura, de maneira a fortalecer o tema do novo sacerdócio: um sacerdócio - inaugurado por Jesus - que é existencial: «Com efeito, precisamente porque suportou tribulações, Ele mesmo está em condições de vir em socorro de quantos se sentem atribulados» (Hb 2,18). E assim encontramos também o tema do sofrimento, muito acentuado no trecho evangélico, onde Simeão pronuncia a sua profecia a respeito do Menino e da sua Mãe: «Eis que este Menino está destinado a ser causa de queda e de levantamento para muitos homens em Israel, e a ser sinal de contradição - E uma espada trespassará a tua alma [Maria]» (Lc 2,34-35). A «salvação» que Jesus traz ao seu povo, e que encarna em si mesmo, passa pela Cruz, através da morte violenta que Ele vencerá e transformará com a oblação da vida por amor. Esta oblação já está totalmente prenunciada no acto da Apresentação no Templo, um gesto certamente motivado pelas tradições da antiga Aliança, mas intimamente animado pela plenitude da fé e do amor, que corresponde à plenitude dos tempos, à presença de Deus e do seu Espírito Santo em Jesus. Com efeito, o Espírito paira sobre toda a cena da Apresentação de Jesus no Templo, de modo particular sobre a figura de Simeão, mas também de Ana. É o Espírito «Paráclito», que traz a «consolação» de Israel e move os passos e o coração daqueles que a esperam. É o Espírito que sugere as palavras proféticas de Simeão e Ana, palavras de bênção, de louvor a Deus, de fé no seu Consagrado e de ação de graças, porque finalmente os nossos olhos podem ver e os nossos braços estreitar «a sua salvação» (cf. 2,30).
«Luz para iluminar as nações, e para a glória do vosso povo, Israel» (2,32): assim Simeão define o Messias do Senhor, no final do seu cântico de bênção. O tema da luz, que ressoa no primeiro e no segundo hinos do Servo do Senhor, no Dêutero-Isaías (cf. Is 42,6; 49,6), está fortemente presente nesta Liturgia. Com efeito, ela foi aberta por uma procissão sugestiva, em que participaram os Superiores e as Superioras-Gerais dos Institutos de vida consagrada aqui representados, que traziam os círios acesos. Este sinal, específico da tradição litúrgica desta Festa, é muito expressivo. Manifesta a beleza e o valor da vida consagrada como reflexo da luz de Cristo; um sinal que evoca a entrada de Maria no Templo: a Virgem Maria, a Consagrada por excelência, trazia no colo a própria Luz, o Verbo encarnado, que veio para dissipar as trevas do mundo com o amor de Deus.
Estimados irmãos e irmãs consagrados, todos vós fostes representados naquela peregrinação simbólica, que no Ano da fé expressa ainda mais o vosso congregar-vos na Igreja, para serdes confirmados na fé e para renovardes o ofertório de vós mesmos a Deus. A cada um de vós, bem como aos vossos Institutos, dirijo com afeto a minha saudação mais cordial, enquanto vos agradeço a vossa presença. Na luz de Cristo, com os múltiplos carismas de vida contemplativa e apostólica, vós cooperais para a vida e a missão da Igreja no mundo. Neste espírito de reconhecimento e de comunhão, gostaria de vos dirigir três convites, a fim de que possais entrar plenamente naquela «porta da fé», que está sempre aberta para nós (cf. Carta Apostólica Porta fidei, 1).
Em primeiro lugar, convido-vos a alimentar uma fé capaz de iluminar a vossa vocação. Por isso exorto-vos a fazer memória, como uma peregrinação interior, do «primeiro amor» com que o Senhor Jesus Cristo aqueceu o vosso coração, não por saudades, mas para alimentar aquela chama. E para isto é necessário permanecer com Ele, no silêncio da adoração; e assim despertar a vontade e a alegria de compartilhar a sua vida, as suas escolhas, a sua obediência de fé, a bem-aventurança dos pobres e a radicalidade do amor. A partir, sempre novamente, deste encontro de amor convosco, vós deixais tudo para permanecer com Ele e para vos colocardes como Ele ao serviço de Deus e dos irmãos (cf. Exortação Apostólica Vita consecrata, 1).
Convido-vos, em segundo lugar, a uma fé que saiba reconhecer a sabedoria da debilidade. Nas alegrias e nas aflições do tempo presente, quando a dureza e o peso da cruz se fazem sentir, não tenhais dúvida de que a kenosis de Cristo já é vitória pascal. Precisamente no limite e na debilidade humana somos chamados a viver a conformação com Cristo, numa tensão totalizadora que antecipa, na medida possível do tempo, a perfeição escatológica (cf. ibid., n. 16). Nas sociedades da eficácia e do sucesso, a vossa vida marcada pela «menoridade» e pela fragilidade dos pequeninos, pela empatia com quantos não têm voz, torna-se um sinal evangélico de contradição.
Finalmente, convido-vos a renovar a fé que vos faz ser peregrinos rumo ao futuro. Pela sua natureza, a vida consagrada é peregrinação do espírito, em busca de uma Face que ora se manifesta e ora se oculta: «Faciem tuam, Domine, requiram» (Sl 26,8). Seja este o anseio constante do vosso coração, o critério fundamental que orienta o vosso caminho, tanto nos pequenos passos quotidianos, como nas decisões mais importantes, não vos unais aos profetas de desventura, que proclamam o fim ou a insensatez da vida consagrada na Igreja dos nossos dias; pelo contrário, revesti-vos de Jesus Cristo e muni-vos das armas da luz - como exorta são Paulo (cf. Rm 13,11-14) - permanecendo acordados e vigilantes. São Cromácio de Aquileia escrevia: «O Senhor afaste de nós este perigo, a fim de que nunca nos deixemos sucumbir pelo sono da infidelidade; mas que Ele nos conceda a sua graça e a sua misericórdia, para que possamos velar sempre na fidelidade a Ele. Com efeito, a nossa fidelidade pode velar em Cristo» (Sermão 32, 4).
Caros irmãos e irmãs, a alegria da vida consagrada passa necessariamente através da participação na Cruz de Cristo. Foi assim para Maria Santíssima. O seu é o sofrimento do Coração, que forma um só ser com o Coração do Filho de Deus, trespassado por amor. Daquela ferida jorra a luz de Deus, e inclusive dos sofrimentos, dos sacrifícios, do dom de si mesmos, que os consagrados vivem por amor a Deus e ao próximo, também dali se irradia a mesma luz, que evangeliza os povos. Nesta Festa, formulo votos de modo particular a vós, consagrados, a fim de que a vossa vida tenha sempre o sabor da parrésia evangélica, para que em vós a Boa Nova seja vivida, testemunhada e anunciada, e resplandeça como Palavra de verdade (cf. Carta Apostólica Porta fidei, 6). Amém!


Fonte: Santa Sé

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Mensagem do Papa para a Quaresma de 2013

Bento XVI
Mensagem para a Quaresma de 2013
Crer na caridade suscita caridade
«Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1Jo 4,16)

Queridos irmãos e irmãs!
A celebração da Quaresma, no contexto do Ano da fé, proporciona-nos uma preciosa ocasião para meditar sobre a relação entre fé e caridade: entre o crer em Deus, no Deus de Jesus Cristo, e o amor, que é fruto da acção do Espírito Santo e nos guia por um caminho de dedicação a Deus e aos outros.

1. A fé como resposta ao amor de Deus
Na minha primeira Encíclica, deixei já alguns elementos que permitem individuar a estreita ligação entre estas duas virtudes teologais: a fé e a caridade. Partindo duma afirmação fundamental do apóstolo João: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1Jo 4,16), recordava que, «no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. (...) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1Jo 4,10), agora o amor já não é apenas um “mandamento”, mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro» (Deus caritas est, 1). A fé constitui aquela adesão pessoal - que engloba todas as nossas faculdades - à revelação do amor gratuito e «apaixonado» que Deus tem por nós e que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. O encontro com Deus Amor envolve não só o coração, mas também o intelecto: «O reconhecimento do Deus vivo é um caminho para o amor, e o sim da nossa vontade à d’Ele une intelecto, vontade e sentimento no ato globalizante do amor. Mas isto é um processo que permanece continuamente a caminho: o amor nunca está "concluído" e completado» (ibid., 17). Daqui deriva, para todos os cristãos e em particular para os «agentes da caridade», a necessidade da fé, daquele «encontro com Deus em Cristo que suscite neles o amor e abra o seu íntimo ao outro, de tal modo que, para eles, o amor do próximo já não seja um mandamento por assim dizer imposto de fora, mas uma consequência resultante da sua fé que se torna operativa pelo amor» (ibid., 31). O cristão é uma pessoa conquistada pelo amor de Cristo e, movido por este amor - «caritas Christi urget nos» (2Cor 5,14) -, está aberto de modo profundo e concreto ao amor do próximo (cf. ibid., 33). Esta atitude nasce, antes de tudo, da consciência de ser amados, perdoados e mesmo servidos pelo Senhor, que Se inclina para lavar os pés dos Apóstolos e Se oferece a Si mesmo na cruz para atrair a humanidade ao amor de Deus.
«A fé mostra-nos o Deus que entregou o seu Filho por nós e assim gera em nós a certeza vitoriosa de que isto é mesmo verdade: Deus é amor! (...) A fé, que toma consciência do amor de Deus revelado no coração trespassado de Jesus na cruz, suscita por sua vez o amor. Aquele amor divino é a luz – fundamentalmente, a única - que ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá a coragem de viver e agir» (ibid., 39). Tudo isto nos faz compreender como o procedimento principal que distingue os cristãos é precisamente «o amor fundado sobre a fé e por ela plasmado» (ibid., 7).

2. A caridade como vida na fé
Toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus. A primeira resposta é precisamente a fé como acolhimento, cheio de admiração e gratidão, de uma iniciativa divina inaudita que nos precede e solicita; e o «sim» da fé assinala o início de uma luminosa história de amizade com o Senhor, que enche e dá sentido pleno a toda a nossa vida. Mas Deus não se contenta com o nosso acolhimento do seu amor gratuito; não Se limita a amar-nos, mas quer atrair-nos a Si, transformar-nos de modo tão profundo que nos leve a dizer, como São Paulo: Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (cf. Gl 2,20).
Quando damos espaço ao amor de Deus, tornamo-nos semelhantes a Ele, participantes da sua própria caridade. Abrirmo-nos ao seu amor significa deixar que Ele viva em nós e nos leve a amar com Ele, n'Ele e como Ele; só então a nossa fé se torna verdadeiramente uma «fé que atua pelo amor» (Gl 5,6) e Ele vem habitar em nós (cf. 1Jo 4,12).
A fé é conhecer a verdade e aderir a ela (cf. 1Tm 2,4); a caridade é «caminhar» na verdade (cf. Ef 4,15). Pela fé, entra-se na amizade com o Senhor; pela caridade, vive-se e cultiva-se esta amizade (cf. Jo 15,14-15). A fé faz-nos acolher o mandamento do nosso Mestre e Senhor; a caridade dá-nos a felicidade de pô-lo em prática (cf. Jo 13,13-17). Na fé, somos gerados como filhos de Deus (cf. Jo 1,12-13); a caridade faz-nos perseverar na filiação divina de modo concreto, produzindo o fruto do Espírito Santo (cf. Gl 5,22). A fé faz-nos reconhecer os dons que o Deus bom e generoso nos confia; a caridade fá-los frutificar (cf. Mt 25,14-30).

3. O entrelaçamento indissolúvel de fé e caridade
À luz de quanto foi dito, torna-se claro que nunca podemos separar e menos ainda contrapor fé e caridade. Estas duas virtudes teologais estão intimamente unidas, e seria errado ver entre elas um contraste ou uma «dialética». Na realidade, se, por um lado, é redutiva a posição de quem acentua de tal maneira o carácter prioritário e decisivo da fé que acaba por subestimar ou quase desprezar as obras concretas da caridade reduzindo-a a um genérico humanitarismo, por outro é igualmente redutivo defender uma exagerada supremacia da caridade e sua operatividade, pensando que as obras substituem a fé. Para uma vida espiritual sã, é necessário evitar tanto o fideísmo como o ativismo moralista.
A existência cristã consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus. Na Sagrada Escritura, vemos como o zelo dos Apóstolos pelo anúncio do Evangelho, que suscita a fé, está estreitamente ligado com a amorosa solicitude pelo serviço dos pobres (cf. At 6,1-4). Na Igreja, devem coexistir e integrar-se contemplação e ação, de certa forma simbolizadas nas figuras evangélicas das irmãs Maria e Marta (cf. Lc 10, 38-42). A prioridade cabe sempre à relação com Deus, e a verdadeira partilha evangélica deve radicar-se na fé (cf. Catequese na Audiência geral de 25 de abril de 2012). De fato, por vezes tende-se a circunscrever a palavra «caridade» à solidariedade ou à mera ajuda humanitária; é importante recordar, ao invés, que a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o «serviço da Palavra». Não há ação mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI, na Encíclica Populorum progressio, o anúncio de Cristo é o primeiro e principal fator de desenvolvimento (cf. n. 16). A verdade primordial do amor de Deus por nós, vivida e anunciada, é que abre a nossa existência ao acolhimento deste amor e torna possível o desenvolvimento integral da humanidade e de cada homem (cf. Enc. Caritas in veritate, 8).
Essencialmente, tudo parte do Amor e tende para o Amor. O amor gratuito de Deus é-nos dado a conhecer por meio do anúncio do Evangelho. Se o acolhermos com fé, recebemos aquele primeiro e indispensável contato com o divino que é capaz de nos fazer «enamorar do Amor», para depois habitar e crescer neste Amor e comunicá-lo com alegria aos outros.
A propósito da relação entre fé e obras de caridade, há um texto na Carta de São Paulo aos Efésios que a resume talvez do melhor modo: «É pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque nós fomos feitos por Ele, criados em Cristo Jesus, para vivermos na prática das boas ações que Deus de antemão preparou para nelas caminharmos» (2,8-10). Daqui se deduz que toda a iniciativa salvífica vem de Deus, da sua graça, do seu perdão acolhido na fé; mas tal iniciativa, longe de limitar a nossa liberdade e responsabilidade, torna-as mais autênticas e orienta-as para as obras da caridade. Estas não são fruto principalmente do esforço humano, de que vangloriar-se, mas nascem da própria fé, brotam da graça que Deus oferece em abundância. Uma fé sem obras é como uma árvore sem frutos: estas duas virtudes implicam-se mutuamente. A Quaresma, com as indicações que dá tradicionalmente para a vida cristã, convida-nos precisamente a alimentar a fé com uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus e a participação nos Sacramentos e, ao mesmo tempo, a crescer na caridade, no amor a Deus e ao próximo, nomeadamente através do jejum, da penitência e da esmola.

4. Prioridade da fé, primazia da caridade
Como todo o dom de Deus, a fé e a caridade remetem para a ação do mesmo e único Espírito Santo (cf. 1Cor 13), aquele Espírito que em nós clama:«Abbá! – Pai!» (Gl 4,6), e que nos faz dizer: «Jesus é Senhor!» (1Cor 12,3) e «Maranatha! – Vem, Senhor!» (1Cor 16,22; Ap 22,20).
Enquanto dom e resposta, a fé faz-nos conhecer a verdade de Cristo como Amor encarnado e crucificado, adesão plena e perfeita à vontade do Pai e infinita misericórdia divina para com o próximo; a fé radica no coração e na mente a firme convicção de que precisamente este Amor é a única realidade vitoriosa sobre o mal e a morte. A fé convida-nos a olhar o futuro com a virtude da esperança, na expectativa confiante de que a vitória do amor de Cristo chegue à sua plenitude. Por sua vez, a caridade faz-nos entrar no amor de Deus manifestado em Cristo, faz-nos aderir de modo pessoal e existencial à doação total e sem reservas de Jesus ao Pai e aos irmãos. Infundindo em nós a caridade, o Espírito Santo torna-nos participantes da dedicação própria de Jesus: filial em relação a Deus e fraterna em relação a cada ser humano (cf. Rm 5,5).
A relação entre estas duas virtudes é análoga à que existe entre dois sacramentos fundamentais da Igreja: o Batismo e a Eucaristia. O Batismo (sacramentum fidei) precede a Eucaristia (sacramentum caritatis), mas está orientado para ela, que constitui a plenitude do caminho cristão. De maneira análoga, a fé precede a caridade, mas só se revela genuína se for coroada por ela. Tudo inicia do acolhimento humilde da fé («saber-se amado por Deus»), mas deve chegar à verdade da caridade («saber amar a Deus e ao próximo»), que permanece para sempre, como coroamento de todas as virtudes (cf. 1Cor 13,13).
Caríssimos irmãos e irmãs, neste tempo de Quaresma, em que nos preparamos para celebrar o evento da Cruz e da Ressurreição, no qual o Amor de Deus redimiu o mundo e iluminou a história, desejo a todos vós que vivais este tempo precioso reavivando a fé em Jesus Cristo, para entrar no seu próprio circuito de amor ao Pai e a cada irmão e irmã que encontramos na nossa vida. Por isto elevo a minha oração a Deus, enquanto invoco sobre cada um e sobre cada comunidade a Bênção do Senhor!
Vaticano, 15 de outubro de 2012


BENTO XVI


Fonte: Santa Sé

Fotos da Apresentação do Senhor no Rio de Janeiro

No último dia 02 de Fevereiro o Exmo. Revmo. Dom Orani Tempesta, Arcebispo Metropolitano do Rio de Janeiro, presidiu a Celebração Eucarística por ocasião da Festa da Apresentação do Senhor.

Após a Santa Missa, foi realizada uma procissão e celebrado o lucernário, durante o qual todos renovaram solenemente sua profissão de fé. Estas celebrações fazem parte do contexto do Ano da Fé e da preparação da Arquidiocese do Rio de Janeiro para a Jornada Mundial da Juventude.

Seguem algumas fotos, do site da JMJ:

Fieis com as velas
Aspersão das velas
Procissão
Incensação do altar

Fotos da Posse de Pároco em Campo Magro

No último dia 03 de Fevereiro, o Exmo. Revmo. Dom Moacyr José Vitti, Arcebispo Metropolitano de Curitiba, presidiu a Celebração Eucarística do IV Domingo Comum, durante a qual foi elevada a Paróquia a Capela Nossa Senhora Aparecida no Jardim Boa Vista, município de Campo Magro, e tomou posse o primeiro pároco, Pe. Lineu Prado.

Até então, a Capela N. Sra. Aparecida pertencia à Paróquia Nossa Senhora da Conceição em Butiatuvinha.

Procissão de entrada
Incensação do altar
Incensação da cruz
Sinal da cruz
Leitura do Decreto de Criação da Paróquia

Fotos da Apresentação do Senhor em Butiatuvinha

No último dia 02 de Fevereiro o Revmo. Pe. Elmo Heck presidiu a Celebração Eucarística por ocasião da Festa da Apresentação do Senhor na Paróquia Nossa Senhora da Conceição em Butiatuvinha.

Fieis com as velas
Monição introdutória
Bênção das velas
Procissão de entrada
Incensação do altar

Mensagem do Patriarca Bartolomeu após a renúncia do Papa

Com tristeza recebemos a notícia da decisão de Sua Santidade o Papa Bento XVI de renunciar a Sé de Roma, já que poderia, com a sua sabedoria e experiência, trazer ainda muito para a Igreja e para o mundo. O Papa Bento XVI deixa sua marca indelével na vida e história da Igreja Católica Romana, não só em seu pontificado, mas também por sua longa contribuição como teólogo e hierarca da Igreja, bem como seu prestígio reconhecido universalmente. Seus escritos são de grande e profunda erudição teológica: seu conhecimento sobre os Padres da Igreja indivisa, seu contato com a realidade contemporânea e seu interesse pelos problemas do homem.
Nós, ortodoxos, sempre vamos considerá-lo um amigo da nossa Igreja Ortodoxa e um servo fiel da causa da unidade, e nos alegramos em saber que se encontra com saúde para prosseguir seu labor teológico.
Pessoalmente, vamos nos lembrar com carinho de sua visita à sede do Patriarcado Ecumênico, há mais de seis anos; com os muitos encontros com ele e com a boa colaboração que tivemos durante o seu pontificado.
Do Fanar, esperamos que o Senhor indique um sucessor digno para liderar a Igreja de Roma, nossa Igreja-Irmã, e que seu sucessor trilhe conosco o caminho da unidade para a glória de Deus.

† Bartolomeu I
Constantinopla, 11 de fevereiro de 2013