quarta-feira, 11 de junho de 2025

Domingo de Pentecostes no Vaticano (2025)

No dia 08 de junho de 2025 o Papa Leão XIV presidiu a Missa da Solenidade de Pentecostes na Praça de São Pedro por ocasião do Jubileu dos Movimentos Eclesiais, Associações e Novas Comunidades.

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor Massimiliano Matteo Boiardi. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Procissão de entrada
Incensação


Ritos iniciais

Homilia do Papa: Domingo de Pentecostes (2025)

Santa Missa na Solenidade de Pentecostes
Jubileu dos Movimentos Eclesiais, Associações e Novas Comunidades
Homilia do Papa Leão XIV
Praça de São Pedro
Domingo, 08 de junho de 2025

Irmãos e irmãs,
«Este é o dia solene em que, depois da sua Ressurreição e depois da glória da sua Ascensão, Jesus Cristo, nosso Senhor, enviou o Espírito Santo» (Santo Agostinho, Sermão 271, 1). Também hoje renova-se o que aconteceu no Cenáculo: como um vento impetuoso que nos agita, como um estrondo que nos desperta, como um fogo que nos ilumina, desce sobre nós o dom do Espírito Santo (cf. At 2,1-11).

Como ouvimos na 1ª leitura, o Espírito realiza algo extraordinário na vida dos Apóstolos. Após a Morte de Jesus, eles se fecharam no medo e na tristeza, mas agora recebem finalmente um olhar novo e uma inteligência do coração que os ajuda a interpretar o que havia acontecido e a fazer a experiência íntima da presença do Ressuscitado: o Espírito Santo vence o medo, quebra as correntes interiores, alivia as feridas, unge-os de força e lhes dá a coragem de sair ao encontro de todos para anunciar as obras de Deus.


O trecho dos Atos dos Apóstolos diz-nos que havia em Jerusalém, naquele momento, uma multidão proveniente de vários lugares, mas que «cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua» (v. 6). Eis que, então, na festa de Pentecostes, as portas do Cenáculo se abrem porque o Espírito abre as fronteiras. Como afirmou Bento XVI: «O Espírito Santo concede o dom da compreensão. Ultrapassa a ruptura que teve início em Babel - a confusão dos corações, que nos faz ser uns contra os outros - e abre as fronteiras... A Igreja deve tornar-se sempre de novo aquilo que ela já é: deve abrir as fronteiras entre os povos e romper as barreiras entre as classes e as raças. Nela não podem haver esquecidos nem desprezados. Na Igreja existem unicamente irmãos e irmãs livres em Jesus Cristo» (Homilia na Solenidade de Pentecostes, 15 de maio de 2005).

terça-feira, 10 de junho de 2025

Vigília de Pentecostes no Vaticano (2025)

Na tarde do sábado, 07 de junho de 2025, o Papa Leão XIV presidiu a Vigília de Pentecostes na Praça de São Pedro por ocasião do Jubileu dos Movimentos Eclesiais, Associações e Novas Comunidades.

Na verdade não foi celebrada a Vigília de Pentecostes propriamente dita, à qual já dedicamos uma postagem aqui no blog, mas sim um esquema “adaptado”, como é possível ver no livreto da celebração (a partir da p. 18).

O rito teve início com o sinal da cruz, a saudação e uma monição do Papa, após a qual entoou-se o hino Veni, Creator Spiritus. Após uma oração, seguiu-se a proclamação do Evangelho (Lc 4,16-21) e a homilia do Papa.

Após a homilia teve lugar a renovação das promessas batismais e as preces (na forma de invocações ao Espírito Santo), concluindo-se a celebração com o Pai nosso, uma oração final e a bênção.

Durante essa Liturgia da Palavra Leão XIV endossou uma estola vermelha sobre a veste talar.

Chegada do Papa
Sinal da cruz e saudação
Monição introdutória

Evangelho

Homilia do Papa: Vigília de Pentecostes (2025)

Vigília de Pentecostes
Jubileu dos Movimentos Eclesiais, Associações e Novas Comunidades
Homilia do Papa Leão XIV
Praça de São Pedro
Sábado, 07 de junho de 2025

Queridos irmãos e irmãs!
O Espírito Criador, que invocamos no canto - Veni, Creator Spiritus -, é o Espírito que desceu sobre Jesus, o protagonista silencioso da sua missão: «O Espírito do Senhor está sobre mim» (Lc 4,18). Ao pedirmos que visite as nossas almas, multiplique as línguas, ilumine a nossa mente, infunda o amor, fortaleça os corpos, dê a paz, abrimo-nos ao Reino de Deus. Essa é a conversão segundo o Evangelho: voltarmo-nos para o Reino que já está próximo.

Em Jesus vemos e d’Ele ouvimos que tudo se transforma, porque Deus reina, porque Deus está próximo. Nesta Vigília de Pentecostes estamos profundamente envolvidos na proximidade de Deus, pelo seu Espírito que une as nossas histórias com a de Jesus. Isto é, estamos envolvidos nas coisas novas que Deus faz, para que a sua vontade de vida se realize e prevaleça sobre os desejos de morte.


«Porque Ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor» (vv. 18-19). Sentimos aqui o perfume do Crisma, com o qual a nossa fronte também foi marcada. Queridos irmãos e irmãs, o Batismo e a Confirmação nos uniram à missão transformadora de Jesus, ao Reino de Deus. Assim como o amor torna familiar o perfume de uma pessoa querida, reconhecemos, nesta noite, o perfume de Cristo uns nos outros. É um mistério que nos maravilha e nos faz pensar.

No Pentecostes, Maria, os Apóstolos e os discípulos e discípulas que estavam com eles foram investidos de um Espírito de unidade, que enraizou para sempre as suas diversidades no único Senhor Jesus Cristo. Não muitas missões, mas uma única missão. Não introvertidos e conflituosos, mas extrovertidos e luminosos. Esta Praça de São Pedro, que é como um abraço aberto e acolhedor, expressa de modo magnífico a comunhão da Igreja, vivida por cada um de vós nas diversas experiências associativas e comunitárias, muitas das quais representam frutos do Concílio Vaticano II.

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Comemoração do Primado de Pedro em Tabgha (2025)

Na tarde do dia 06 de junho de 2025 o Custódio da Terra Santa, Padre Francesco Patton, presidiu a Missa da sexta-feira da VII semana da Páscoa na igreja do Primado de Pedro em Tabgha, próximo a Cafarnaum.

Nesse dia, com efeito, o Evangelho da Missa recorda a aparição do Ressuscitado às margens do Mar da Galileia, durante a qual Ele confirma o primado de Pedro (Jo 21,15-19).

Após a Missa na parte externa do santuário os presentes se dirigiram à igreja para rezar junto da “mensa Christi”, uma rocha diante do altar que simboliza aquela sobre a qual Jesus partilhou a refeição com os Apóstolos (Jo 21,9-13).

Imagem do encontro de Pedro com o Ressuscitado
Procissão de entrada
Incensação da imagem
Evangelho
Homilia
(Padre Ibrahim Sabbagh, Pároco de Nazaré)

domingo, 8 de junho de 2025

Homilia do Papa Bento XVI: Pentecostes (2005)

Nesta Solenidade de Pentecostes recordamos a homilia proferida pelo Papa Bento XVI (†2022) há 20 anos, na Missa com a Ordenação de 21 novos presbíteros para a Diocese de Roma [1]:

Ordenações Presbiterais na Solenidade de Pentecostes
Homilia do Papa Bento XVI
Basílica de São Pedro
Domingo, 15 de maio de 2005

Queridos irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Caríssimos ordenandos,
Amados irmãos e irmãs!
A 1ª leitura e o Evangelho do Domingo de Pentecostes apresentam-nos duas grandes imagens da missão do Espírito Santo. A leitura dos Atos dos Apóstolos narra como, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo, sob os sinais de um vento poderoso e de fogo, irrompe na comunidade orante dos discípulos de Jesus e, assim, dá origem à Igreja. Para Israel, o Pentecostes, de festa da semeadura, tornou-se a festa que recordava a conclusão da aliança no Sinai. Deus demonstrou a sua presença ao povo através do vento e do fogo e depois ofereceu-lhe a sua lei, a lei dos 10 mandamentos. Só assim a obra de libertação, que começara com o êxodo do Egito, tinha se cumprido plenamente:  a liberdade humana é sempre uma liberdade partilhada, um conjunto de liberdades.


Só em uma ordenada harmonia das liberdades, que abre para cada um o seu âmbito, se pode ter uma liberdade comum. Por isso o dom da lei no Sinai não foi uma restrição ou uma abolição da liberdade, mas o fundamento da verdadeira liberdade. E dado que um justo ordenamento humano pode reger-se apenas se provém de Deus e se une os homens na perspectiva de Deus, para uma disposição ordenada das liberdades humanas não podem faltar os mandamentos que o próprio Deus dá. Assim Israel tornou-se plenamente “povo” precisamente através da aliança com Deus no Sinai. O encontro com Deus no Sinai poderia ser considerado como o fundamento e a garantia da sua existência como povo. O vento e o fogo, que atingiram a comunidade dos discípulos de Cristo reunida no Cenáculo, constituíram um ulterior desenvolvimento do acontecimento do Sinai e lhe conferiram uma nova amplitude. Naquele dia encontravam-se em Jerusalém, segundo referem os Atos dos Apóstolos, “judeus devotos de todas as nações do mundo” (At 2,5). E eis que se manifesta o dom característico do Espírito Santo:  todos compreenderam as palavras dos Apóstolos - “Cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua” (v. 6). O Espírito Santo concede o dom da compreensão. Ultrapassa a ruptura que teve início em Babel - a confusão dos corações, que nos coloca uns contra os outros - e abre as fronteiras. O povo de Deus que tinha encontrado no Sinai a sua primeira configuração agora é ampliado a ponto de já não conhecer fronteira alguma.

sábado, 7 de junho de 2025

Homilia do Papa João Paulo II: Pentecostes (2000)

Nesta Solenidade de Pentecostes do Ano Jubilar de 2025 recordamos a homilia proferida pelo Papa São João Paulo II (†2005) há 25 anos, na Vigília de Pentecostes do Grande Jubileu do Ano 2000 [1].

Vigília de Pentecostes
Homilia do Papa João Paulo II
Praça de São Pedro
Sábado, 10 de junho de 2000

1. “Quando vier o Defensor que Eu vos mandarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, Ele dará testemunho de mim” (Jo 15,26).
Estas são as palavras que o evangelista João recolheu dos lábios de Cristo no Cenáculo, durante a Última Ceia, na vésperas da Paixão. Hoje elas ressoam para nós com singular intensidade, no Pentecostes deste Ano Jubilar, do qual revelam o conteúdo mais profundo.

Para captar essa mensagem essencial é preciso permanecer, como os discípulos, no Cenáculo. Por isso a Igreja, graças também a uma oportuna seleção dos textos litúrgicos, durante o Tempo da Páscoa permaneceu no Cenáculo. E nesta tarde a Praça de São Pedro transformou-se em um grande Cenáculo, no qual a nossa comunidade se encontra reunida para invocar e acolher o dom do Espírito Santo.


A 1ª leitura, tirada do Livro dos Atos dos Apóstolos, recordou-nos o que aconteceu cinquenta dias depois da Páscoa, em Jerusalém. Antes de subir ao Céu, Cristo confiou aos Apóstolos uma grande tarefa: “Ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei” (Mt 28,19-20). Ele prometeu também que, depois da sua partida, eles receberiam “outro Defensor”, que lhes ensinaria todas as coisas (cf. Jo 14,16.26).

Esta promessa se cumpriu precisamente no dia do Pentecostes: descendo sobre os Apóstolos, o Espírito lhes deu a luz e a força necessárias para ensinar às nações, anunciando a todos o Evangelho de Cristo. Desta forma, a Igreja nasceu e vive na fecunda tensão entre o Cenáculo e o mundo, entre a oração e o anúncio.