segunda-feira, 3 de maio de 2021

Semana Santa segundo o calendário juliano: Kiev

A maioria das Igrejas Orientais (Católicas e Ortodoxas) utiliza o calendário juliano, com uma diferença de 13 dias em relação ao calendário gregoriano. Assim, enquanto no Rito Romano a Páscoa (celebrada sempre no domingo após a primeira lua cheia da primavera no hemisfério norte) neste ano de 2021 ocorreu no dia 04 de abril, nas igrejas orientais esta teve lugar na lua cheia seguinte, no dia 02 de maio.

Nos próximos dias publicaremos aqui em nosso blog as fotos das celebrações da Semana Santa em algumas das igrejas orientais de Rito Bizantino, começando pela Igreja Greco-Católica Ucraniana. O Arcebispo Maior, Dom Sviatoslav Shevchuk (Святосла́в Шевчу́к), presidiu as celebrações do dia 25 de abril ao dia 02 de maio na Catedral da Ressurreição em Kiev.

25 de abril: Divina Liturgia do Domingo de Ramos

O Arcebispo abençoa os fiéis
Evangelho
Homilia
Grande Entrada
Bênção dos ramos

Mudanças no Colégio Cardinalício: Optatio 2021

Os Cardeais da Santa Igreja Romana, enquanto eleitores do Papa, representam aqueles que no início da Igreja tinham esta mesma função: os Bispos das dioceses vizinhas (suburbicárias), os presbíteros e diáconos da Diocese de Roma.

Portanto, embora todos os Cardeais sejam Bispos (salvo algumas poucas exceções de Cardeais que são presbíteros), o Colégio Cardinalício se divide em três ordens: Cardeais Bispos, Cardeais Presbíteros e Cardeais Diáconos.

Geralmente os Cardeais que são Bispos diocesanos são Presbíteros e os Cardeais que trabalham na Cúria Romana recebem são Cardeais Diáconos.

Porém, após 10 anos da sua criação, um Cardeal Diácono pode optar por passar à Ordem dos Presbíteros. É o que se denomina “optatio” (opção), como prescreve o Código de Direito Canônico (cân. 350, § 5-6).

Foi o que aconteceu no Consistório Ordinário Público para voto de algumas Causas de Canonização do dia 03 de maio de 2021, durante o qual o Papa Francisco aprovou a optatio dos oito Cardeais Diáconos criados no Consistório de 20 de novembro de 2010, o terceiro do pontificado de Bento XVI.


[Para ver mais fotos do Consistório, clique aqui]

Os novos Cardeais Presbíteros mantêm suas igrejas titulares em Roma, sobre as quais exercem um cuidado espiritual, que são elevadas temporariamente de diaconias a títulos presbiterais. São os denominados títulos pro hac vice ou pro illa vice, “por enquanto”.

Desses Cardeais há cinco eleitores em um eventual Conclave (isto é, Cardeais com menos de 80 anos): Sarah, Burke, Koch, Piacenza e Ravasi.

Cardeal Angelo Amato
Prefeito Emérito da Congregação para as Causas dos Santos
Nascimento: 08/06/1938 - Itália
Cardeal Presbítero do Título de Santa Maria in Aquiro "pro hac vice"


Cardeal Robert Sarah
Prefeito Emérito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos
Nascimento: 15/06/1945 - Guiné
Cardeal Presbítero do Título de São João Bosco in Via Tuscolana "pro hac vice"


Cardeal Francesco Monterisi
Arcipreste Emérito da Basílica de São Paulo Fora dos Muros
Nascimento: 28/05/1934 - Itália
Cardeal Presbítero do Título de São Paulo alla Regola "pro hac vice"


Cardeal Raymond Leo Burke
Patrono da Soberana Ordem de Malta
Nascimento: 30/06/1948 - EUA
Cardeal Presbítero do Título de Santa Águeda dei Gotti "pro hac vice"


Cardeal Kurt Koch
Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos
Nascimento: 15/03/1950 - Suíça
Cardeal Presbítero do Título de Nossa Senhora do Sagrado Coração "pro hac vice"


Cardeal Mauro Piacenza
Penitenciário-Mor da Santa Igreja
Nascimento: 15/09/1944 - Itália
Cardeal Presbítero do Título de São Paulo alle Tre Fontane "pro hac vice"


Cardeal Gianfranco Ravasi
Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura
Nascimento: 18/10/1942 - Itália
Cardeal Presbítero do Título de São Jorge in Velabro "pro hac vice"


Cardeal Walter Brandmüller
Presidente Emérito do Pontifício Comitê de Ciências Históricas
Nascimento: 05/01/1929 - Alemanha
Cardeal Presbítero do Título de São Juliano dei Fiamminghi "pro hac vice"


O Protodiácono continua sendo o Cardeal Renato Raffaele Martino. Porém, como ele não é mais eleitor, suas funções dentro do Conclave serão exercidas pelo primeiro dos Cardeais Diáconos eleitores que, com a optatio do dia 03 de maio, passa a ser o Cardeal Giuseppe Bertello, Presidente do Governatorato da Cidade do Vaticano.

Com informações do site da Santa Sé.

domingo, 2 de maio de 2021

Oração do rosário presidida pelo Papa Francisco na Basílica Vaticana

No dia 01 de maio de 2021, como havíamos anunciado aqui em nosso blog, o Papa Francisco presidiu a oração do rosário na Capela Gregoriana da Basílica de São Pedro, diante da imagem da Madonna del Soccorso (“Nossa Senhora do Socorro”).

O Papa deu início assim à iniciativa de oração do rosário durante o mês de maio na intenção do fim da pandemia de Covid-19, organizada pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização envolvendo a cada dia um santuário mariano ao redor do mundo (para ver a lista dos santuários e as intenções para cada dia, clique aqui).

No final da celebração o Santo Padre, assistido pelo Mons. Krzysztof Marcjanowicz, abençoou alguns rosários que serão enviados aos santuários participantes na iniciativa.

Imagem de "Nossa Senhora do Socorro"
(Capela Gregoriana da Basílica de São Pedro)
Entrada do Santo Padre ladeado por jovens com velas acesas

Oração silenciosa diante da imagem

Celebração de São José Operário em Belém (2021)

No último sábado, dia 01 de maio, o Custódio da Terra Santa, Padre Francesco Patton, celebrou a Santa Missa da Memória de São José Operário na Gruta de São José junto à Basílica da Natividade em Belém.

Procissão de entrada
Incensação do altar
Incensação da imagem do "sonho de São José"
Liturgia da Palavra
Evangelho

sábado, 1 de maio de 2021

Homilia: V Domingo de Páscoa - Ano B

Orígenes
Comentário sobre a Carta aos Romanos
Se estamos enxertados em Cristo, será necessário que o Pai nos pode, Ele que é o agricultor

Se a nossa existência está unida a Ele em uma morte semelhante à sua, igualmente em uma comum ressurreição. Compreendamos que nossa velha condição foi crucificada com Cristo, ficando destruída nossa personalidade de pecadores e nós, livres da escravidão do pecado; porque aquele que morre permanece absolvido do pecado.

Por esta razão o Apóstolo afirma também que estamos mortos ao pecado, e que aqueles que pelo Batismo nos incorporamos a Cristo, fomos incorporados à sua Morte. Agora escreve que nossa existência está unida a Ele em uma morte semelhante à sua, acrescentando que se participamos de uma morte semelhante à sua, pela qual Ele morreu ao pecado, podemos esperar participar também de uma comum ressurreição.

Como possa realizar-se isto, o demonstra dizendo que nossa velha condição deve ser crucificada juntamente com Cristo. Por velha condição entende-se a vida de pecado que levamos anteriormente, à qual pusemos fim - e, de certo modo, demos morte - quando recebemos a fé na cruz de Cristo, mediante a qual de tal forma fica destruída nossa personalidade de pecadores, que nossos membros, anteriormente escravos do pecado, não sirvam mais ao pecado, mas a Deus.

Mas retomando o fio do discurso, vejamos agora o que quer dizer ser enxertados em uma morte como a de Cristo. O Apóstolo nos apresenta a Morte de Cristo comparando-a à planta de uma árvore qualquer, na qual nos quer enxertados, de maneira que nossa raiz, sugando a seiva da sua raiz, produza ramos de justiça e dê frutos de vida.

E se queres saber, mediante o testemunho das Escrituras, qual seja a planta na qual temos de ser enxertados, e de que tipo há de ser essa árvore, escuta o que se escreve na Sabedoria: É árvore de vida, diz, para os que a colhem, são bem-aventurados os que a retêm. Portanto, Cristo, força de Deus e sabedoria de Deus, é a árvore da vida, na qual devemos estar enxertados; e por um novo e amável dom de Deus, sua Morte se converteu para nós em árvore da vida. É com razão, pois, que o Apóstolo, consciente de que no presente texto não é seu propósito falar da morte, tributo comum da condição humana, mas da morte ao pecado, não disse: “fomos incorporados à sua morte”, mas “a uma morte semelhante à sua”. Pois de tal maneira Cristo morreu de uma vez ao pecado, que não cometeu pecado algum nem encontraram falsidade em sua boca.

Isto é a única coisa da qual é capaz a natureza humana: morrer de uma morte semelhante à sua, não pecando à sua imitação. E detém-te na oportunidade do simbolismo da planta. Toda planta, após a morte do inverno, espera a ressurreição da primavera. Portanto, se também nós somos enxertados na morte de Cristo no inverno deste mundo e da vida presente, verificamos que, na primavera futura, produzimos frutos de justiça sugados da seiva de sua raiz; e se estamos enxertados em Cristo, será necessário que, como as ramos da videira verdadeira, o Pai nos pode, Ele que é o agricultor, para que demos fruto abundante.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 354-355. Para adquiri-lo no site da Editora Vozes, clique aqui.

Para ler uma homilia de Santo Agostinho para este domingo, clique aqui.

Acrescentadas sete novas invocações à Ladainha de São José

No dia 01 de maio de 2021, Memória de São José Operário, foi divulgada uma Carta da Congregação para o Culto Divino aos Presidentes das Conferências Episcopais sobre a inserção de sete novas invocações na Ladainha de São José.

Tal iniciativa acontece no contexto das comemorações dos 150 anos da proclamação de São José como padroeiro da Igreja Universal (08 de dezembro de 1870). Vale recordar que em junho de 2020 haviam sido inseridas três novas invocações à Ladainha de Nossa Senhora.

As novas invocações foram tomadas dos escritos dos últimos Papas sobre São José, sobretudo da Exortação Apostólica Redemptoris Custos, do Papa João Paulo II (1989) e da Carta Apostólica Patris Corde do Papa Francisco (2020).

São José (Raúl Berzosa Fernández)

Vale recordar, como vimos em nossa postagem sobre a Ladainha de São José, que ele é o único santo, além da Virgem Maria, a possuir uma ladainha própria aprovada oficialmente pela Igreja e que, portanto, pode ser recitada nas celebrações litúrgicas [1].

A Ladainha de São José foi aprovada pelo Papa São Pio X em 1909, composta até então por 24 invocações, que agora passam a ser 31 invocações. Estas podem ser divididas em três grupos:
a) A participação de São José no mistério da Redenção ;
b) As virtudes de São José;
c) A intercessão de São José.

Das sete novas invocações, as três primeiras recordam a relação de José com o mistério da Redenção (1º grupo), enquanto as outras quatro invocam sua intercessão (3º grupo).

As novas invocações são:
Custos Redemptoris” (Guardião do Redentor);
Serve Christi” (Servo de Cristo);
Minister salutis” (Ministro da salvação);
Fulcimen in difficultatibus” (Amparo nas dificuldades);
Patrone exsulum” (Patrono dos exilados);
Patrone afflictorum” (Patrono dos aflitos);
Patrone pauperum” (Patrono dos pobres).

Confira abaixo a Carta da Congregação para o Culto Divino na íntegra:

Homilia: Memória de São José Operário

Da Constituição Pastoral Gaudium et spes sobre a Igreja no mundo contemporâneo
do Concílio Vaticano II (nn. 33-34)

A atividade humana no mundo

Por seu trabalho e inteligência, o homem procurou sempre mais desenvolver a sua vida. Hoje em dia, porém, ajudado antes de tudo pela ciência e pela técnica, ele estendeu continuamente o seu domínio sobre quase toda a natureza; e, principalmente, graças aos meios de intercâmbio de toda espécie entre as nações, a família humana pouco a pouco se reconhece e se constitui como uma só comunidade no mundo inteiro. Por isso, muitos bens que o homem esperava antigamente obter sobretudo de forças superiores, hoje os consegue por seus próprios meios.

Diante deste esforço imenso, que já penetra a humanidade inteira, surgem muitas perguntas entre os homens. Qual é o sentido e o valor desta atividade? Como todas estas coisas devem ser usadas? Qual a finalidade desses esforços, sejam eles individuais ou coletivos?

A Igreja, guardiã do depósito da palavra de Deus, que é a fonte dos seus princípios de ordem religiosa e moral, embora ainda não tenha uma resposta imediata para todos os problemas, deseja no entanto unir a luz da revelação à competência de todos, para iluminar o caminho no qual a humanidade entrou recentemente.

Para os fiéis é pacífico que a atividade humana individual e coletiva, aquele imenso esforço com que os homens, no decorrer dos séculos, tentaram melhorar as suas condições de vida, considerado em si mesmo, corresponde ao plano de Deus.

Com efeito, o homem, criado à imagem de Deus, recebeu a missão de dominar a terra com tudo o que ela contém e de governar o mundo na justiça e na santidade, isto é, reconhecendo a Deus como Criador de todas as coisas, orientando para ele o seu ser e todo o universo; assim, com todas as coisas submetidas ao homem, o nome de Deus seja glorificado na terra inteira.

Isto diz respeito também aos trabalhos cotidianos. Pois os homens e as mulheres que, ao procurar o sustento para si e suas famílias, exercem suas atividades de maneira a bem servir à sociedade, têm razão para ver no seu trabalho um prolongamento da obra do Criador, um serviço a seus irmãos e uma contribuição pessoal para a realização do plano de Deus na história.

Portanto, bem longe de pensar que as obras produzidas pelo talento e esforço dos homens se opõem ao poder de Deus, ou considerar a criatura racional como rival do Criador, os cristãos, pelo contrário, estão convencidos de que as vitórias do gênero humano são um sinal da grandeza de Deus e fruto de seus inefáveis desígnios. Quanto mais, porém, cresce o poder dos homens, tanto mais aumenta a sua responsabilidade, seja pessoal seja comunitária.

Donde se vê que a mensagem cristã não afasta os homens da tarefa de construir o mundo nem os leva a negligenciar o bem de seus semelhantes; mas, antes, os impele a sentir esta obrigação como um verdadeiro dever.

Altar de São José na Basílica de São Pedro,
na qual foi celebrada o Concílio Vaticano II

Responsório (cf. Gn 2,15)

Colocou o Senhor Deus, no jardim do Éden, o homem que criara.
R. Para que ele o cultivasse e o guardasse, Aleluia.

Era esta, no princípio, a condição humana.
R. Para que ele o cultivasse e o guardasse, Aleluia.

Oração

Ó Deus, criador do universo, que destes aos homens a lei do trabalho, concedei-nos, pelo exemplo e a proteção de São José, cumprir as nossas tarefas e alcançar os prêmios prometidos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Fonte: Ofício das Leituras da Memória de São José Operário - 01 de maio (Liturgia das Horas, v. II, pp. 1558-1559).