quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Catequese do Papa João Paulo II sobre a Justiça

Há 40 anos, no dia 08 de novembro de 1978, o Papa João Paulo II proferia sua segunda catequese, refletindo sobre a virtude da justiça:

João Paulo II
Audiência Geral
Quarta-feira, 8 de novembro de 1978
"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça"

1. Durante estas primeiras audiências em que tenho a felicidade de encontrar-me convosco vindos aqui de Roma, da Itália e de tantos outros países - desejo, como já disse a 25 de outubro, continuar a desenvolver os temas estabelecidos por João Paulo I, meu Predecessor. Ele queria falar não só das três virtudes teologais - fé, esperança e caridade -  mas também das quatro virtudes cardeais: prudência, justiça, fortaleza e temperança. Via nelas todas juntas - como sete lâmpadas da vida cristã. Tendo-o Deus chamado à eternidade, só pode falar das três principais - fé, esperança e caridade -, que iluminam toda a vida do cristão. O seu indigno Sucessor, ao encontrar-se convosco para refletir, no espírito do seu saudoso Predecessor, sobre as virtudes cardeais, quer acender, em certo sentido, as outras lâmpadas junto do seu túmulo.
2. Toca-me hoje falar da justiça. Bom é talvez que este seja o tema da primeira catequese no mês de novembro. De fato, este mês leva-nos a fixar os olhos sobre a vida de cada homem, e ao mesmo tempo sobre a vida de toda a humanidade, na perspectiva da justiça final. Todos, em certo modo, sabemos que, na transitoriedade deste mundo, não é possível realizar a medida plena da justiça. Talvez que as palavras tantas vezes ouvidas, "Não há justiça neste mundo", sejam fruto dum simplismo demasiado fácil. Há nelas, porém, ao mesmo tempo um princípio de profunda verdade. A justiça é, em certo modo, maior que o homem, que as dimensões da sua vida terrena, que as possibilidades de estabelecer nesta vida relações plenamente justas entre os homens, os ambientes, as sociedades e grupos sociais, as nações, e assim por diante. Cada homem vive e morre com certa sensação de a justiça não estar completa, porque o mundo não é capaz de satisfazer completamente um ser criado à imagem de Deus, de o satisfazer nem na profundidade da sua pessoa nem nos vários aspectos da sua vida humana. E assim, por meio desta fome de justiça, o homem abre-se a Deus que "é a justiça mesma". Jesus, no Sermão da Montanha, expressou isto dum modo claro e conciso, dizendo: Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados (Mt 5,6).
3. Tendo diante dos olhos este sentido evangélico da justiça, devemos considerá-la ao mesmo tempo como dimensão fundamental da vida humana sobre a terra: vida do homem, da sociedade e da humanidade. Esta é a dimensão ética. A justiça é princípio fundamental da existência e da coexistência dos homens, como também das comunidades humanas, das sociedades e dos povos. Além disso, a justiça é princípio da existência da Igreja como Povo de Deus, e princípio de coexistência da Igreja e das várias estruturas sociais, em particular do Estado, como também das organizações internacionais. Neste terreno vasto e diferenciado, o homem e a humanidade procuram continuamente justiça: é um processo perene e um encargo de suprema importância.
Segundo as diversas relações e os diversos aspectos, a justiça obteve, através dos séculos, definições mais apropriadas. Daqui o conceito da justiça comutativa, distributiva, legal e social. Tudo isto mostra a grandeza do significado fundamental que tem a justiça para a ordem moral entre os homens, nas relações sociais e internacionais. Pode dizer-se que até o sentido da existência do homem sobre a terra está ligado à justiça. Definir corretamente "quanto é devido" a cada um por todos, e ao mesmo tempo a todos por cada um "o que é devido" (debitum) ao homem pelo homem em diversos sistemas e relações - definir, e antes de mais realizar! - é grande coisa, pela qual cada homem vive e graças à qual a sua vida tem sentido.
Mantém-se portanto, durante os séculos da existência humana na terra, um esforço contínuo e uma luta contínua para ordenar com justiça o conjunto da vida social nos seus vários aspectos. É necessário olhar com respeito para a multiplicidade de programas e para a atividade, às vezes reformadora, de diversas tendências e sistemas. É necessário, ao mesmo tempo, ter consciência de não se tratar aqui primeiramente dos sistemas, mas da justiça e do homem. Não pode ser o homem para o sistema, mas o sistema deve ser para o homem. Por isso é necessário defendermo-nos do enquilosamento do sistema. Refiro-me aos sistemas sociais, económicos, políticos e culturais, que devem ter conta do homem, do seu bem integral, e devem ser capazes de se reformar a si mesmos, as suas estruturas próprias, segundo as exigências da verdade plena sobre o homem. Deste ponto de vista é que há de medir-se o grande esforço dos nossos tempos, que tende a definir e a consolidar "os direitos do homem" na vida da humanidade hodierna, dos povos e dos Estados.
A Igreja do nosso século mantém-se em diálogo contínuo sobre a grande frente do mundo contemporâneo, como o testemunham numerosas encíclicas dos Papas e a doutrina do Concílio Vaticano II. O atual Papa terá certamente de voltar outras vezes a estes argumentos. Na breve exposição de hoje basta porém limitar-me a assinalar apenas este vasto e diferenciado terreno.
4. É necessário para cada um de nós poder viver num contexto de justiça, e ainda mais, ser cada um de nós justo e atuar com justiça a respeito dos que estão perto e dos que estão longe, da comunidade, da sociedade de que é membro... e a respeito de Deus.
A justiça tem de atender a muitas coisas e reveste muitas formas. Há também uma forma de justiça que tem em vista aquilo que o homem "deve" a Deus. Já só este tema é principal e vasto. Não o desenvolverei agora, ainda que não possa fugir a indicá-lo.
Detenhamo-nos entretanto sobre os homens. Cristo deixou-nos o mandamento do amor do próximo. Neste mandamento inclui-se também tudo o que diz respeito à justiça. Não pode haver amor sem justiça. O amor "supera" a justiça, mas, ao mesmo tempo, encontra a sua verificação na justiça. Até o pai e a mãe, amando o próprio filho, devem ser justos com ele. Vacilando a justiça, também o amor corre perigo.
Ser justo significa dar a cada um o que lhe é devido. Isto diz respeito aos bens temporais, de natureza material. O melhor exemplo pode ser, neste particular, a retribuição do trabalho ou o chamado direito aos frutos do próprio trabalho ou da própria terra. Mas ao homem deve-se, além disso, o bom nome, o respeito, a consideração e a fama, que para si mereceu. Quanto mais conhecemos o homem, tanto mais se nos revelam a sua personalidade, o seu carácter, a sua inteligência e o seu coração, E tanto mais nos damos conta - e devemos dar-nos conta! - do critério com que devemos "medi-lo" e o que significa sermos justos para com ele.
É por isso, necessário aprofundarmos continuamente o conhecimento da justiça. Não se trata duma ciência teórica. É virtude, é capacidade do espírito humano, da vontade humana e também do coração. Requer-se ainda que oremos para sermos justos e sabermos ser justos. Não podemos esquecer as palavras de Nosso Senhor. Com a medida com que medirdes sereis medidos (Mt 7,2).
Homem justo, homem de "justa medida".
Sejamo-lo todos! Tendamos todos sem descanso para o virmos a ser!
A todos a minha bênção.


Fonte: Santa Sé

Comemoração dos Fiéis Defuntos em Jerusalém

Em Jerusalém, a Comemoração dos Fiéis Defuntos, no último dia 02 de novembro, foi celebrada com uma Missa na igreja do Santíssimo Salvador, sede da Custódia Franciscana da Terra Santa, presidida pelo pároco.

Após a Missa houve uma procissão até o cemitério do Monte Sião, onde houve um momento de oração e a aspersão dos túmulos.

Procissão de entrada
Incensação
Ritos iniciais

Evangelho

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Comemoração dos Fiéis Defuntos em Cracóvia

O Arcebispo de Cracóvia, Dom Marek Jędraszewski, celebrou a Santa Missa da Comemoração dos Fiéis Defuntos no último dia 02 de novembro na Catedral dos Santos Venceslau e Estanislau, a Catedral de Wawel.

No final da celebração o Arcebispo conduziu uma procissão até as criptas da Catedral, onde estavam sepultados antigos reis poloneses e grandes personalidades da nação.

Procissão de entrada
Ritos iniciais
Liturgia da Palavra

Evangelho

Fotos da Missa do Papa na Comemoração dos Fiéis Defuntos

No último dia 02 de novembro, Comemoração dos Fiéis Defuntos, o Papa Francisco celebrou a Santa Missa no Cemitério Laurentino em Roma.

O Santo Padre foi assistido pelo Mons. Guido Marini. Para ler sua homilia, clique aqui.

O Papa reza diante dos túmulos de crianças

Procissão de entrada

Incensação

Homilia do Papa: Comemoração dos Fiéis Defuntos (2018)

Santa Missa na Comemoração de todos os Fiéis Defuntos
Homilia do Papa Francisco
Cemitério Laurentino de Roma
Sexta-feira, 02 de novembro de 2018

A Liturgia de hoje é realista, concreta. Situa-nos nas três dimensões da vida, que até as crianças compreendem: o passado, o futuro, o presente.

Hoje é um dia de memória do passado, para recordar quantos caminharam antes de nós, que nos acompanharam, nos deram a vida. Recordar, fazer memória. A memória é aquilo que fortalece um povo porque se sente radicado num caminho, numa história, num povo. A memória faz com que compreendamos que não estamos sozinhos, somos um povo que tem uma história, um passado, uma vida. Memória de tantos que partilharam um caminho conosco e estão aqui [indica os túmulos ao redor]. Não é fácil fazer memória. Muitas vezes, temos dificuldade para voltar atrás com o pensamento ao que aconteceu na nossa vida, na nossa família, no nosso povo... Mas hoje é dia de memória que nos leva às raízes: às minhas raízes, às raízes do meu povo.

E é também um dia de esperança: a segunda Leitura mostrou-nos o que nos espera. Um céu novo, uma terra nova e a cidade santa de Jerusalém, nova. Linda imagem usada para nos fazer entender o que nos espera: «Vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo» (cf. Ap 21,2). Espera-nos a beleza... Memória e esperança, esperança de nos encontrarmos, de chegarmos onde está o Amor que nos criou, o Amor que nos espera: o amor do Pai.

E entre memória e esperança há a terceira dimensão, a do caminho que devemos percorrer e que atravessamos. E como percorrer o caminho sem errar? Quais são as luzes que me ajudarão a não errar a estrada? Qual é o “navegador” que o próprio Deus nos concedeu para não errar o caminho? São as Bem-Aventuranças que no Evangelho Jesus nos ensinou. Estas Bem-Aventuranças - a mansidão, a pobreza de espírito, a justiça, a misericórdia, a pureza de coração - são as luzes que nos acompanham para não errarmos estrada: este é o nosso presente.

Neste cemitério existem as três dimensões da vida: a memória, podemos vê-la ali [indica os túmulos]; a esperança, que vamos celebrar agora na fé, não na visão; e as luzes para nos guiar no caminho de modo a não errarmos a estrada, que acabamos de ouvir no Evangelho: são as Bem-Aventuranças.


Fonte: Santa Sé.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Solenidade de Todos os Santos em Cracóvia

Na noite de 01 de novembro deste ano o Arcebispo de Cracóvia, Dom Marek Jędraszewski, celebrou a Santa Missa da Solenidade de Todos os Santos na Capela da Ressurreição do Cemitério Rakowicki em Cracóvia. No final da celebração o Arcebispo abençoou os túmulos do cemitério.

Capela da Ressurreição
Ritos iniciais
Evangelho
Homilia
Incensação

Ângelus do Papa: Solenidade de Todos os Santos 2018

Solenidade de Todos os Santos
Papa Francisco
Ângelus
Quinta-feira, 1° de novembro de 2018

Amados irmãos e irmãs, bom dia e boa festa!
A 1ª Leitura de hoje, tirada do Livro do Apocalipse, fala-nos do céu e coloca diante de nós «uma multidão imensa», incalculável, «de todas as nações, tribos, povos e línguas» (Ap 7,9). São os santos. O que fazem “lá em cima”? Cantam juntos, louvam a Deus com alegria. Seria agradável ouvir os cânticos deles... Mas podemos imaginá-los: sabeis quando? Durante a Missa, quando cantamos «Santo, santo, santo é o Senhor Deus do universo...». É um hino - diz a Bíblia - que vem do céu, que se canta lá (cf. Is 6,3; Ap 4,8), um hino de louvor. Então, cantando o “Santo”, não só pensamos nos santos, mas fazemos aquilo que eles fazem: naquele momento, na Missa, estamos como nunca em união com eles.

E estamos em união com todos os santos: não só com os mais conhecidos, do calendário, mas também com os “da porta ao lado”, os nossos familiares e conhecidos que agora fazem parte daquela multidão imensa. Então hoje é festa de família. Os santos estão próximos de nós, aliás, são os nossos irmãos e irmãs mais verdadeiros. Compreendem-nos, amam-nos, sabem qual é o nosso verdadeiro bem, ajudam-nos e esperam por nós. São felizes e querem que sejamos felizes com eles no paraíso.

Por isso nos convidam pelo caminho da felicidade, indicada no Evangelho hodierno, tão bonito e conhecido: «Bem-aventurados os pobres de espírito... Bem-aventurados os mansos... Bem-aventurados os puros de coração...» (Mt 5,3-8). Como? O Evangelho diz os pobres, enquanto que o mundo diz bem-aventurados os ricos. O Evangelho diz os mansos, mas o mundo diz bem-aventurados os prepotentes. O Evangelho diz bem-aventurados os puros, ao passo que o mundo diz bem-aventurados os astutos e os felizardos. Este caminho da bem-aventurança, da santidade, parece levar à derrota. Contudo - recorda-nos ainda a primeira Leitura - os santos têm «ramos de palmeira nas mãos» (v. 9), ou seja, os símbolos da vitória. Venceram eles, não o mundo. E exortam-nos a escolher a sua parte, a de Deus que é Santo.

Perguntemo-nos de que lado estamos: do céu ou da terra? Vivemos para o Senhor ou para nós mesmos, para a felicidade eterna ou para alguma satisfação momentânea? Questionemo-nos: queremos deveras a santidade? Ou contentamo-nos de ser cristãos sem grande entusiasmo nem glória, que acreditam em Deus e estimam o próximo mas sem exagerar? O Senhor «pede tudo, e aquilo que oferece é a vida verdadeira. Oferece tudo, oferece a felicidade para a qual fomos criados» (Exortação Apostólica Gaudete et exsultate, n. 1). Em síntese, ou santidade ou nada! Faz-nos bem deixarmo-nos provocar pelos santos, que aqui não tiveram meias medidas e de lá “torcem” por nós, para que escolhamos Deus, a humildade, a mansidão, a misericórdia, a pureza, para que nos apaixonemos pelo céu e não pela terra.

Hoje os nossos irmãos e irmãs não nos pedem que ouçamos outra vez um lindo Evangelho, mas que o ponhamos em prática, que enveredemos pelo caminho das Bem-aventuranças. Não se trata de fazer coisas extraordinárias, mas de seguir todos os dias este caminho que nos conduz ao céu, nos leva à família, nos guia para casa. Por conseguinte, hoje divisamos o nosso futuro e festejamos aquilo para que nascemos: nascemos para nunca mais morrer, nascemos para gozar da felicidade de Deus! O Senhor encoraja-nos e quem empreende o caminho das Bem-aventuranças diz: «Alegrai-vos e exultai, pois grande é a vossa recompensa no céu» (Mt 5,12). A Santa Mãe de Deus, Rainha dos santos, nos ajude a percorrer com decisão o caminho da santidade; ela, que é a Porta do céu, introduza os nossos entes queridos defuntos na família celeste.

Bem-aventuranças (Basílica de São Paulo - Rabat, Malta)

Fonte: Santa Sé.