quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Patriarcado de Lisboa dedica Ano Pastoral à Liturgia

O Patriarcado de Lisboa, buscando pôr em prática as conclusões do Sínodo Diocesano, realizado em 2016, dedica o Ano Pastoral de 2018-2019, iniciado no último dia 01 de setembro, ao tema da Liturgia.
Confira a Carta do Patriarca, Cardeal Manuel José Macário do Nascimento Clemente, na qual apresenta esta nova etapa de aplicação da Constituição Sinodal de Lisboa (CSL) e reflete sobre a importância da Liturgia à luz do Concílio Vaticano II:

Carta aos diocesanos de Lisboa
no início do Ano Pastoral 2018-2019

1. Saúdo-vos a todos com muita estima no início de mais um ano dedicado à recepção da Constituição Sinodal de Lisboa. Mantendo o objetivo transversal de “Fazer da Igreja uma rede de relações fraternas” (CSL, 60), para reforçar a participação e a corresponsabilidade comunitárias a todos os níveis da vida paroquial e diocesana, incidiremos especialmente no nº 47: “Viver a Liturgia como lugar de encontro com Deus e também da comunidade cristã enquanto Povo de Deus que celebra”.
Como, entretanto, o Papa Francisco destinou o mês de outubro de 2019 à intensificação missionária da vida eclesial e a Conferência Episcopal Portuguesa alargou esse objetivo a todo o ano antecedente, teremos muito em conta o que o Santo Padre nos diz no nº 142 da Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate sobre o chamamento à santidade no mundo atual: «Partilhar a Palavra e celebrar juntos a Eucaristia torna-nos mais irmãos e vai-nos transformando pouco a pouco em comunidade santa e missionária».
É uma feliz síntese sobre a comunidade que escuta, partilha e celebra, assim mesmo crescendo em fraternidade, santidade e missão. Bem podemos tomar este trecho como lema do nosso ano pastoral, unindo todos os seus motivos.
Ao longo do ano muito se fará decerto em termos de formação orante e litúrgica. Peço às comunidades que aproveitem para tal todas as ocasiões pastorais: iniciação cristã, catequese, celebrações – tudo é espaço e tempo para formação sobre o modo cristão e eclesial de rezar e celebrar. O Departamento de Liturgia realizará ações formativas nas Vigararias, contando com boa participação de todos, mormente dos que têm especiais funções litúrgicas. Também o Instituto Diocesano de Formação Cristã oferece o seu valioso contributo nesse sentido. Assim cresceremos em santidade e missão, pois Deus chama para enviar.
2. O número 47 da nossa Constituição Sinodal, depois da frase citada, continua assim: «Além da beleza dos espaços e dos ritos, da música e do canto, a celebração da fé é chamada a educar para a interioridade, para a comunhão e para o silêncio, criando momentos que disponham à escuta de Deus. É necessário cuidar sempre da formação litúrgica das comunidades, para que tanto os que exercem ministérios, como toda a assembleia, entrem em diálogo com o Senhor. É, por isso, de grande utilidade uma permanente catequese mistagógica que introduza toda a comunidade na vivência dos tempos litúrgicos e na compreensão dos seus símbolos e ritos». 
Podemos tomar este trecho como um conjunto de alíneas programáticas:
A) Qualidade do espaço e da celebração.
B) Comunidade que escuta realmente o seu Deus.
C) Formação e mistagogia para entender o que se celebra.
Temos de progredir em todos estes pontos. A qualidade da celebração liga-se ao respeito pela sua natureza, como a Igreja a dispõe nos livros litúrgicos, que condensam séculos de experiência orante, com várias possibilidades e aplicações concretas. Vale pela oportunidade e o estímulo que dá a todos e a cada um para acolher a Deus, na Palavra escutada e na oblação de Cristo, por nós e para nós. Desdobra a sua Páscoa num ciclo anual que a prepara e repercute na vida da Igreja e para a vida do mundo.
É fundamental compreendermos e exercitarmos tudo isto e antes de tudo o mais. Ainda bem, se dispomos de bons espaços, de bons leitores e cantores, de ministros bem formados e competentes. Mas é imprescindível que em cada celebração a Palavra seja realmente escutada e assimilada e os ritos sejam entendidos como gestos de Cristo no seu corpo eclesial. A Liturgia não é ocasião para protagonismos que nos distraiam da ação essencial de Cristo, que acolhe a vontade do Pai e a isso nos leva, pelo Espírito.
Bem celebrada, a Liturgia tem resultados precisos. Se, por exemplo, levarmos muito a sério o ato penitencial com que começa a Santa Missa, pedindo convictamente o perdão de Deus para os nossos pecados “por pensamentos e palavras, atos e omissões”, cresceremos muito mais em verdadeira conversão evangélica, como sempre urge e particularmente hoje em dia. Se ouvirmos atentamente as leituras bíblicas, perceberemos muito melhor as aclamações “Palavra do Senhor” e “Palavra da salvação”, bem como a sua necessária repercussão na nossa vida. Se, no início da Oração Eucarística, cantarmos “Santo, Santo, Santo…” com sentimento e melodia correspondentes à profunda reverência com que o profeta tal ouviu diante de Deus (cf. Is 6,3), estaremos mais preparados para o memorial da morte e ressurreição de Cristo, que a seguir se faz. Se nos saudarmos realmente “na paz de Cristo”, entenderemos melhor que só desta se trata, naquele momento essencial de comunhão com Ele e a partir dele. Se assim celebrarmos a Santa Missa, melhor efetivaremos o “Ide!” missionário com que ela nos envia a alargar a “paz” que recebemos.    
Estas e outras concretizações litúrgicas podem ser aprofundadas ao longo deste ano pastoral, comunidade a comunidade. Também os vários Rituais são excelente base de aprendizagem e ensino, com as respetivas introduções e notas. Ganharemos muito se o fizermos, porque a Liturgia devidamente preparada e celebrada é uma grande escola de oração e vida em Cristo.
3. A 4 de dezembro de 1963 o Concílio Vaticano II aprovou a Constituição Sacrosanctum Concilium, documento base de toda a reforma litúrgica que recebemos. É tempo de a reler atentamente, recolhendo os seus propósitos e disposições, hoje tão atuais como então.
A Constituição apresenta-nos a Liturgia como revelação e exercício do quanto somos como Igreja de Cristo, «que tem como caraterística ser, simultaneamente, humana e divina, visível e dotada de realidades invisíveis, empenhada na ação e dedicada à contemplação, presente no mundo e todavia peregrina, mas de forma que o que nela é humano se deve ordenar e subordinar ao divino, o visível ao invisível, a ação à contemplação, e o presente à cidade futura que buscamos» (SC, 2).
Faz-nos bem retomar este trecho para compreendermos o lugar central da Liturgia na vida da Igreja e vivermos coerentemente com o que nela ouvimos e celebramos. Compartilhamos a vida de todos os seres humanos e da criação no seu conjunto. Mas sabemos também que na Páscoa de Cristo a criação passa a nova criação, onde tudo se renova e culmina. A Liturgia cristã faz-nos viver intensamente esta passagem, onde os elementos naturais se transcendem e a eternidade repassa o tempo que a anseia. Se não a compreendermos assim para a celebrarmos melhor, pouco teremos para receber e oferecer que seja realmente novo, definitivamente novo.
O Concílio quis concretizar nos seus dias - que basicamente continuam a ser os nossos - a “forma” essencial da Igreja, como a apresentam os textos neotestamentários. É assim que podemos falar de “reforma”, algo de cíclico em dois milênios cristãos, para que a forma original nunca se perca no desenvolvimento que ela própria induz e garante.
Aliás, isto mesmo aconteceu em anteriores “reformas”, como a da “grande Igreja” (dos séculos IV e V), a “pastoral” (do Papa Gregório Magno, séculos VI-VII), a “carolíngia” (do tempo de Carlos Magno, séc. VIII-IX), a “gregoriana” (do Papa Gregório VII, séc. XI), a “mendicante” (do século XIII), a “tridentina” (do Concílio de Trento, séc. XVI): todas elas procuraram retomar e relançar a “forma” cristã essencial nos tempos próprios de cada uma, com as respetivas repercussões litúrgicas. Assim aconteceu também com o Concílio Vaticano II, que tanto esteve atento aos “sinais dos tempos” como recuperou e aprofundou fontes antigas. E assim continuará a ser decerto, numa Tradição viva que não se contradiz, mas apura. 
Retenhamos estas elucidativas palavras do Papa Montini – São Paulo VI em outubro próximo - sobre o novo Missal, proferidas na Basílica de São Pedro a 19 de novembro de 1969: «Nada é mudado na substância da nossa Missa tradicional. […] A unidade entre a Ceia do Senhor e o Sacrifício da Cruz, a renovação representativa de uma e de outro na Missa é inviolavelmente afirmada e celebrada no novo ordenamento, tanto como era no precedente». Concluindo com palavras que se podem alargar a toda a reforma conciliar, da Missa à missão: «Não digamos, pois, “nova Missa”, mas antes, “nova época da vida da Igreja”» (in Enquirídio dos documentos da reforma litúrgica (EDREL), Fátima, Secretariado Nacional da Liturgia, 2014, p. 418-419).
No mesmo sentido se pronunciou várias vezes São João Paulo II. Por exemplo, neste trecho da sua Carta Apostólica Vicesimus quintus annus (4 de dezembro de 1988), referindo-se aos ritos e livros litúrgicos, como foram sendo publicados: «Esse trabalho foi feito seguindo o princípio conciliar: fidelidade à tradição e abertura ao progresso legítimo; assim, pode dizer-se que a reforma litúrgica é rigorosamente tradicional, atendo-se “às normas dos Santos Padres”» (in EDREL, p. 1136).
O Papa Bento XVI, na Exortação Apostólica Pós-sinodal Sacramentum Caritatis, publicada a 22 de fevereiro de 2007, salientou: «O Sínodo dos Bispos pôde avaliar o acolhimento que a mesma [reforma litúrgica] teve depois da assembleia conciliar; inúmeros foram os elogios; como lá se disse, as dificuldades e alguns abusos assinalados não podem ofuscar a excelência e a validade da referida renovação litúrgica, que contém riquezas ainda não plenamente exploradas. Trata-se, em concreto, de ler as mudanças queridas pelo Concílio dentro da unidade que caracteriza o desenvolvimento histórico do próprio rito, sem introduzir rupturas artificiais» (SC, 3, in EDREL, p. 2210).     
Mais recentemente, no seu Discurso aos participantes na 68ª Semana Litúrgica Nacional italiana, a 24 de agosto de 2017, o Papa Francisco insistiu na necessidade de conhecermos melhor a reforma e as suas fontes, bem como de interiorizarmos os seus princípios e observarmos a sua disciplina, concluindo que «após este longo caminho, podemos afirmar com segurança e com autoridade magisterial que a reforma litúrgica é irreversível».
Destes trechos pontifícios devemos tirar conclusões de doutrina e de prática. De doutrina, salientando continuidades e não rupturas, pois é o tempo de Cristo que se revive e celebra em cada época que o concretiza. De prática, porque no corpo eclesial de Cristo não prevalece o arbítrio de cada um, mas o respeito pelo que é de todos para todos.
4. A oração cristã repercute pessoal e comunitariamente em nós, por ação do Espírito, o que existe em Cristo, como Filho de Deus. É essencial este ponto, e devemos tê-lo muito em conta na catequese, na celebração e no acompanhamento espiritual. Tanto mais quanto algumas palavras como “oração”, “espiritualidade”, “meditação” e similares podem transportar conteúdos que não correspondem à prática pessoal e ao ensinamento evangélico de Cristo. 
A oração filial de Cristo sustentou todo o seu percurso na terra, como há de sustentar o nosso: «A sua atividade quotidiana vemo-la estreitamente ligada à oração, como que nasce da oração. […] Aquilo que Jesus fez, isso mesmo ordenou que fizéssemos nós. “Orai” – diz repetidas vezes – “rogai”, “pedi”, “em meu nome”. E até nos deixou, na oração dominical [Pai Nosso], um modelo de oração. Inculca a necessidade da oração, oração humilde, vigilante, perseverante e cheia de confiança na bondade do Pai, feita com pureza de intenção, consentânea com a natureza de Deus» (Instrução Geral sobre a Liturgia das Horas, in EDREL, p. 476-477).
Este documento citado é excelente guia para a oração, que podemos aproveitar no presente ano pastoral. Creio que, progredindo neste sentido, pessoal e comunitariamente, das famílias às catequeses, lugar a lugar, muito contribuiremos para o crescimento espiritual e ativo da nossa Igreja diocesana. E também para a missão, pois tudo o que nos aproxima de Deus nos projeta para os outros. Cristo, que nos leva ao Pai, é o mesmo Cristo que nos espera em cada um.
Por sua vez, o Catecismo da Igreja Católica dedica à oração cristã toda a sua quarta parte, plena também de considerações doutrinais e sugestões práticas. No seu número 2698, por exemplo, elenca-nos os ritmos tradicionais da oração cristã – diária, dominical e no ciclo anual: «Alguns são quotidianos: a oração da manhã e da noite, antes e depois das refeições, a Liturgia das Horas. O Domingo, centrado na Eucaristia, é santificado principalmente pela oração. O ciclo do ano litúrgico e as suas grandes festas constituem os ritmos fundamentais da vida de oração dos cristãos». E o número 2679 lembra-nos que a nossa ligação a Cristo inclui a sua Mãe: «Como o discípulo amado, nós acolhemos em nossa casa a Mãe de Jesus que se tornou Mãe de todos os viventes. Podemos orar com Ela e orar-Lhe a Ela. A oração da Igreja é como que sustentada pela oração de Maria. Está-lhe unida na esperança». 
Muitos dos nossos templos – que foram de antigos mosteiros, conventos e colegiadas - conservam cadeirais onde noutros tempos se rezavam publicamente as Horas litúrgicas. Seria muito bom que, por toda a Diocese, se formassem grupos de oração que, em várias igrejas e com ritmo certo, as rezassem também, oferecendo a quem viesse idêntica oportunidade. Sei que assim vai acontecendo já, mas este ano é boa ocasião para acontecer muito mais. Também porque, como lembra o mesmo documento, «a oração comunitária possui uma dignidade especial, baseada nestas palavras de Cristo: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles”» (in EDREL, p. 479).
Estou certo de que a Mãe de Jesus, presente na primeira comunidade reunida em oração (cf. At 1,14), nos guiará neste caminho, para nos retomarmos como Igreja santa e missionária. O que é inteiramente para Deus projeta-nos inteiramente para os outros.
Quero ainda pedir-vos, caríssimos diocesanos, comunhão profunda e orante com o Santo Padre, que com tanta coragem e lucidez guia a Igreja neste momento de purificação espiritual e prática. Estamos com o Papa Francisco, como ele está com Cristo e o Evangelho.
Convosco, em oração e missão,

+ Manuel, Cardeal-Patriarca
Lisboa, 1 de setembro de 2018


Fonte: Patriarcado de Lisboa

Missa no aniversário da Segunda Guerra Mundial em Cracóvia

Dom Marek Jędraszewski, Arcebispo de Cracóvia, celebrou no último dia 01 de setembro na Catedral de Wawel a Santa Missa pela pátria no 79º aniversário do início da Segunda Guerra Mundial.

A celebração faz parte das celebrações do centenário da independência da Polônia. Nota-se na casula do Arcebispo o símbolo do país, a águia branca (biały orzeł).

Procissão de entrada


Ritos iniciais
Leituras

Profissão religiosa em Milão

Na manhã do último dia 01 de setembro Dom Mario Enrico Delpini, Arcebispo de Milão, celebrou a Santa Missa na Basílica de Santo Ambrósio, para a Profissão Religiosa de votos perpétuos da Ir. Laura Barlusconi na Congregação das Irmãs de Santa Marcelina.

Para ver o livreto da celebração, clique aqui.

Procissão de entrada
"Doze Kyries"


Ladainha de Todos os Santos

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Missa pelos catequistas em Cracóvia

O Arcebispo de Cracóvia, Dom Marek Jędraszewski, celebrou a Santa Missa no último dia 30 de agosto no Santuário de São João Paulo II em Cracóvia com os catequistas da Arquidiocese.

Esta celebração marcou o início do ano catequético 2018-2019 (que no hemisfério norte segue o ano escolar iniciando a 01 de setembro) e fez parte da preparação para as comemorações dos 40 anos da eleição de São João Paulo II, que se celebrarão no próximo mês de outubro.

Procissão de entrada


Incensação
Ritos iniciais

Missa pelos Bispos falecidos em Milão

No último dia 30 de agosto o Arcebispo de Milão, Dom Mario Enrico Delpini, celebrou a Santa Missa na Catedral de Santa Maria Nascente (o Duomo de Milão), em memória de dois Arcebispos falecidos:
- o Beato Cardeal Alfredo Ildefonso Schuster, Arcebispo de 1929 a 1954, falecido em 30 de agosto de 1954;
- o Cardeal Carlo Maria Martini, Arcebispo de 1979 a 2002, falecido a 31 de agosto de 2012.

Foi celebrada a Missa da memória do Beato Alfredo Ildefonso Schuster.

Procissão de entrada
Procissão com o Livro dos Evangelhos
Evangelho
Homilia
Abraço da paz

sábado, 1 de setembro de 2018

Homilia: XXII Domingo do Tempo Comum - Ano B

São Cromácio de Aquileia
Tratado sobre o Evangelho de Mateus
Não é o que entra pela boca do homem que o torna impuro

Porém, o que diz o Senhor: Não é o que entra pela boca do homem que o torna impuro, os fariseus não receberam sem escândalo, como Pedro manifesta. Porque outrora Deus havia ordenado por meio de Moisés que nem tudo se utilizasse para alimento, quando declara que algumas coisas são puras e outras impuras.

Porém, há que se indagar por que antigamente foram proibidas por Deus estas coisas ao povo. Pois se todas as coisas que foram criadas por Deus para que usassem como alimento do homem já foram abençoadas desde o princípio, e elas próprias permanecem por sua parte na mesma natureza em que foram constituídas, qual é o motivo de que depois a lei divina prescrevesse ao povo dos judeus se era lícito comer algumas coisas puras, porém ilícito comer outras impuras?

Em primeiro lugar não há dúvida que este tipo de preceitos o Senhor os deu por causa da luxúria do povo judeu e de sua falta de moderação no comer. Pois já que por seu afã pelo alimento e o ventre este mesmo povo havia começado a tornar-se esquecido dos preceitos divinos, fabricando-se um cordeiro no Horeb, pelo que está escrito: O povo se sentou para comer e para beber, e levantaram-se para se divertirem, por isso foram proibidas pelo Senhor estas coisas necessárias, para que, tendo-lhes proibido os melhores alimentos e castigado a intemperança de sua gula, pudessem mais facilmente ser mantidos na disciplina da divina observância.

Ademais, falamos que estas coisas foram proibidas após a transgressão em que se adorou a um bezerro, e a respeito delas foi proferida pelo Senhor esta sentença clemente e moderada, como para condenar a um povo ainda inexperiente.

E por isso lhes foi dito, como lemos: Serão para vós impuros. Não diz “são impuros”, mas “serão”. Não para todos, mas “para vós”, a fim de mostrar claramente que nem mesmo eles eram impuros, nem seriam impuros para outros, mas somente para eles. E realmente mereceram esta proibição de muitos alimentos aqueles que preferiam as carnes do Egito e as abóboras e pepinos ao maná celeste.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 456-457. Para adquiri-lo no site da Editora Vozes, clique aqui.

Para ler uma homilia de Santo Irineu de Lião para este domingo, clique aqui.

Catequese do Papa: A viagem à Irlanda

Papa Francisco
Audiência Geral
Quarta-feira, 29 de agosto de 2018
Viagem Apostólica à Irlanda

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
No fim de semana passado fiz uma viagem à Irlanda para participar no Encontro Mundial das Famílias: tenho a certeza de que vós o vistes através da televisão. A minha presença queria sobretudo confirmar as famílias cristãs na sua vocação e missão. Os milhares de famílias - esposos, avós, filhos - reunidos em Dublin, com toda a variedade das suas línguas, culturas e experiências, foram um sinal eloquente da beleza do sonho de Deus para toda a família humana. E bem sabemos: o sonho de Deus é a unidade, a harmonia e a paz, nas famílias e no mundo, fruto da fidelidade, do perdão e da reconciliação que Ele nos concedeu em Cristo. Ele chama as famílias a participar neste sonho e a fazer do mundo uma casa onde ninguém esteja sozinho, ninguém seja indesejado, ninguém seja excluído. Pensai bem nisto: o que Deus quer é que ninguém esteja sozinho, ninguém seja indesejado, ninguém seja excluído. Por isso, o tema deste Encontro mundial era muito apropriado. Era o seguinte: “O Evangelho da família, alegria para o mundo”.
Estou grato ao Presidente da Irlanda, ao Primeiro-Ministro, às diversas Autoridades governamentais, civis e religiosas, e às numerosas pessoas de todas as categorias que ajudaram a preparar e realizar os eventos do Encontro. E muito obrigado aos Bispos, que trabalharam tanto! Dirigindo-me às Autoridades, no Castelo de Dublin, reiterei que a Igreja é família de famílias e que, como um corpo, sustém estas suas células no seu papel indispensável para o desenvolvimento de uma sociedade fraterna e solidária.
Verdadeiros “pontos-luz” destes dias foram os testemunhos de amor conjugal dados por casais de todas as idades. As suas histórias recordaram-nos que o amor do casamento é um dom especial de Deus, o qual deve ser cultivado todos os dias na “igreja doméstica”, que é a família. Como tem necessidade o mundo de uma revolução de amor, de uma revolução de ternura, que nos salve da atual cultura do provisório! E esta revolução começa no coração da família.
Na pró-Catedral de Dublin encontrei-me com cônjuges comprometidos na Igreja, com muitos recém-casados e com numerosas crianças pequenas. Depois, encontrei-me com algumas famílias que enfrentam particulares desafios e dificuldades. Graças aos Frades Capuchinhos, que estão sempre próximos do povo, e à mais ampla família eclesial, elas experimentam a solidariedade e o apoio que são fruto da caridade.
Momento culminante da minha visita foi a grande festa com as famílias, na tarde de sábado, no estádio de Dublin, seguida no domingo pela Missa no Phoenix Park. Na Vigília ouvimos testemunhos muito comovedores de famílias que sofreram pelas guerras, famílias renovadas pelo perdão, famílias que o amor salvou da espiral das dependências, famílias que aprenderam a usar bem telemóveis e tablets e a dar prioridade ao tempo passado juntos. E foram realçados o valor da comunicação entre as gerações e o papel específico que compete aos avós na consolidação dos vínculos familiares e na transmissão do tesouro da fé. Hoje - é difícil dizê-lo - parece que os avós incomodam. Nesta cultura do descarte, os avós são “descartados”, afastados. Mas os avós são a sabedoria, a memória de um povo, a memória das famílias! E os avós devem transmitir esta memória aos netinhos. Os jovens e as crianças devem falar com os avós para levar em frente a história. Por favor, não descarteis os avós. Que eles permaneçam próximos dos vossos filhos, dos netinhos!
Na manhã de domingo fui em peregrinação ao Santuário mariano de Knock, muito amado pelo povo irlandês. Ali, na capela construída onde houve uma aparição da Virgem, confiei à sua proteção materna todas as famílias, especialmente as da Irlanda. E embora a minha viagem não incluísse uma visita à Irlanda do Norte, dirigi uma cordial saudação ao seu povo e encorajei o processo de reconciliação, pacificação, amizade e cooperação ecumênica.
Esta minha visita à Irlanda, além da grande alegria, devia encarar também a dor e a amargura pelos sofrimentos causados naquele país por várias formas de abusos, inclusive por parte de membros da Igreja, e do facto que no passado as autoridades eclesiásticas nem sempre souberam enfrentar estes crimes de maneira adequada. Deixou uma marca profunda o encontro com alguns sobreviventes - eram oito - e várias vezes pedi perdão ao Senhor por estes pecados, pelo escândalo e pelo sentido de traição que causaram. Os Bispos irlandeses empreenderam um sério percurso de purificação e reconciliação com aqueles que sofreram abusos e, com a ajuda das autoridades nacionais, estabeleceram uma série de normas severas para garantir a segurança aos jovens. Além disso, no meu encontro com os Bispos, encorajei-os no seu esforço para remediar os fracassos do passado com honestidade e coragem, confiando nas promessas do Senhor e contando com a profunda fé do povo irlandês, para inaugurar uma fase de renovação da Igreja na Irlanda. Na Irlanda há fé, existem pessoas de fé: uma fé com raízes profundas. Mas sabeis? Há poucas vocações ao sacerdócio. Por que esta fé não floresce? Por estes problemas, os escândalos, muitas coisas... Devemos rezar para que o Senhor envie santos sacerdotes à Irlanda, mande novas vocações. E fá-lo-emos juntos, rezando uma “Ave-Maria” a Nossa Senhora de Knock [Recitação da Ave-Maria]. Senhor Jesus, envia-nos sacerdotes santos.
Caros irmãos e irmãs, o Encontro Mundial das Famílias em Dublin foi uma experiência profética, confortadora, de muitas famílias comprometidas no caminho evangélico do casamento e da vida familiar; famílias discípulas e missionárias, fermento de bondade, santidade, justiça e paz. Esquecemo-nos de muitas famílias - muitas! - que levam em frente a própria família, os filhos, com fidelidade, pedindo perdão uns aos outros quando existem problemas. Esquecemo-nos porque hoje, nas revistas, nos jornais, está na moda falar assim: “Aquele divorciou-se daquela... Esta deste... E a separação...”. Mas por favor: isto é desagradável. É verdade: eu respeito cada um, devemos respeitar as pessoas, mas o ideal não é o divórcio, o ideal não é a separação, o ideal não é a destruição da família. O ideal é a família unida. Assim, em frente: este é o ideal!
O próximo Encontro Mundial das Famílias terá lugar em Roma em 2021. Confiemo-las todas à proteção da Sagrada Família de Jesus, Maria e José, a fim de que nos seus lares, paróquias e comunidades, possam ser verdadeiramente “alegria para o mundo”.


Fonte: Santa Sé