sexta-feira, 24 de agosto de 2018

VI Catequese do Papa sobre os Mandamentos: Respeitar o nome do Senhor

Papa Francisco
Audiência Geral
Quarta-feira, 22 de agosto de 2018
Os Mandamentos (6): Respeitar o nome do Senhor

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
Continuemos as catequeses sobre os mandamentos, e hoje abordemos o mandamento «Não pronunciarás em vão o nome do Senhor, teu Deus» (Ex 20, 7). Lemos justamente esta Palavra como o convite a não ofender o nome de Deus e a evitar usá-lo inoportunamente. Este claro significado prepara-nos para aprofundar ulteriormente estas palavras preciosas, para não usar o nome de Deus em vão, inoportunamente.
Ouçamo-las melhor. A versão «Não pronunciarás» traduz uma expressão que significa literalmente, tanto em hebraico como em grego, «não assumirás, não te responsabilizarás».
A expressão «em vão» é mais clara e quer dizer: «debalde, inutilmente». Faz referência a uma embalagem vazia, a uma forma sem conteúdo. É a caraterística da hipocrisia, do formalismo e da mentira, do uso das palavras ou do nome de Deus em vão, sem verdade.
Na Bíblia, o nome é a verdade íntima das coisas e sobretudo das pessoas. O nome representa muitas vezes a missão. Por exemplo, Abraão no Gênesis (cf. 17,5) e Simão Pedro nos Evangelhos (cf. Jo 1,42) recebem um nome novo para indicar a mudança no rumo da sua vida. E conhecer verdadeiramente o nome de Deus leva à transformação da própria vida: a partir do momento em que Moisés conhece o nome de Deus, a sua história muda (cf. Ex 3,13-15).
Nos ritos judaicos, o nome de Deus é proclamado solenemente no Dia do Grande Perdão, e o povo é perdoado porque por meio do nome se entra em contato com a vida do próprio Deus, que é misericórdia.
Então, “tomar sobre si o nome de Deus” quer dizer assumir sobre nós a sua realidade, entrar num relacionamento forte, numa relação íntima com Ele. Para nós, cristãos, este mandamento é a exortação a recordar-nos que somos batizados «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo», como afirmamos cada vez que fazemos sobre nós o sinal da cruz, para viver as nossas ações quotidianas em comunhão sentida e real com Deus, ou seja, no seu amor. E sobre isto, de fazer o sinal da cruz, gostaria de repetir mais uma vez: ensinai as crianças a fazer o sinal da cruz. Vistes como as crianças o fazem? Se disserdes às crianças: “Fazei o sinal da cruz”, fazem algo que não sabem o que é. Não sabem fazer o sinal da cruz! Ensinai-as a fazer o nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. O primeiro ato de fé de uma criança. Dever para vós, tarefa a cumprir: ensinar as crianças a fazer o sinal da cruz.
Podemos interrogar-nos: é possível tomar sobre si o nome de Deus de maneira hipócrita, como uma formalidade, em vão? Infelizmente, a resposta é positiva: sim, é possível. Pode-se viver uma relação falsa com Deus. Jesus dizia-o referindo-se àqueles doutores da lei; eles faziam coisas, mas não cumpriam o que Deus queria. Falavam de Deus, mas não faziam a vontade de Deus. E o conselho que Jesus dá é: “Fazei aquilo que eles dizem, mas não o que eles fazem”. Pode-se viver uma relação falsa com Deus, como aquelas pessoas. E esta Palavra do Decálogo é precisamente o convite a uma relação com Deus que não seja falsa, sem hipocrisias, a uma relação em que nos confiamos a Ele com tudo o que somos. No fundo, enquanto não arriscarmos a existência pelo Senhor, tocando com a mão o facto de que nele se encontra a vida, faremos unicamente teorias.
Este é o cristianismo que sensibiliza os corações. Por que são os santos capazes de sensibilizar os corações? Porque os santos não só falam, movem! O nosso coração comove-se, quando uma pessoa santa nos fala, nos diz coisas. E são capazes, porque nos santos vemos aquilo que o nosso coração deseja profundamente: autenticidade, relacionamentos autênticos, radicalidade. E isto vê-se também naqueles “santos da porta ao lado” que são, por exemplo, os numerosos pais que dão aos filhos o exemplo de uma vida coerente, simples, honesta e generosa.
Se multiplicarmos os cristãos que assumem o nome de Deus sem falsidades - praticando assim o primeiro pedido do Pai-Nosso, «santificado seja o vosso nome» - o anúncio da Igreja é mais ouvido e resulta mais credível. Se a nossa vida concreta manifestar o nome de Deus, vê-se quanto é bonito o Batismo e que grande dádiva é a Eucaristia, quão sublime união existe entre o nosso corpo e o Corpo de Cristo: Cristo em nós, e nós nele! Unidos! Isto não é hipocrisia, é verdade. Isto não é falar nem rezar como um papagaio, isto é rezar com o coração, amar o Senhor.
A partir da cruz de Cristo, ninguém pode desprezar-se a si mesmo e pensar mal da própria existência. Ninguém e nunca! Independentemente daquilo que fez. Porque o nome de cada um de nós está sobre os ombros de Cristo. É Ele que nos carrega! Vale a pena tomar sobre nós o nome de Deus, porque Ele assumiu o nosso nome até ao fundo, inclusive o mal que existe em nós; Ele assumiu-o para nos perdoar, para infundir o seu amor no nosso coração. Por isso, neste mandamento Deus proclama: “Toma-me sobre ti, porque Eu te tomei sobre mim”.
Quem quer que seja pode invocar o santo nome do Senhor, que é Amor fiel e misericordioso, em qualquer situação que se encontre. Deus nunca dirá “não” a um coração que o invoca sinceramente. E voltemos às tarefas de casa: ensinar as crianças a fazer bem o sinal da cruz.


Fonte: Santa Sé

Igrejas Ortodoxas celebram a Transfiguração

No último dia 19 de agosto as Igrejas Ortodoxas que seguem o calendário juliano celebraram a Festa da Transfiguração do Senhor, uma das 12 Grandes Festas do calendário bizantino.

Nesta ocasião, é costume abençoar as frutas após a Divina Liturgia.

O Patriarca de Jerusalém, Teophilos III, celebrou a Divina Liturgia no Monte Tabor na noite da véspera, dia 18 de agosto:

Chegada do Patriarca
 
O Patriarca abençoa os fiéis
Evangelho
Incensação

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Festa de Nossa Senhora de Kalwaria

No último dia 19 de agosto o Arcebispo de Cracóvia, Dom Marek Jędraszewski, celebrou a Santa Missa no Santuário de Nossa Senhora de Kalwaria por ocasião da festa da padroeira.

Esta festa sempre se celebra no domingo após a Assunção de Maria, e tem a forma de uma "Páscoa mariana": na sexta-feira, dia 17, se celebrou a morte de Maria com Procissão e Missa presididas pelo Núncio Apostólico, Dom Salvatore Pennacchio, e no domingo, dia 19, o Arcebispo celebrou a Santa Missa em honra da Assunção.

Dia 17 de agosto: Procissão e Missa

Imagem da "Dormição" de Maria
Acolhida ao Núncio, Dom Salvatore Pennacchio
   
Incensação
Procissão mariana

Ângelus: XX Domingo do Tempo Comum - Ano B

Papa Francisco
Ângelus
Domingo, 19 de agosto de 2018

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
O trecho evangélico deste domingo (Jo 6,51-58) introduz-nos na segunda parte do discurso que Jesus proferiu na sinagoga de Cafarnaum, depois de ter dado de comer a uma grande multidão com cinco pães e dois peixes: a multiplicação dos pães. Ele apresenta-se como «o pão vivo que desceu do Céu», o pão que dá a vida eterna, e acrescenta: «O pão que Eu hei de dar é a minha carne para a vida do mundo» (v. 51). Este trecho é decisivo, e com efeito suscita a reação dos ouvintes, que se põem a discutir entre si: «Como pode este Homem dar-nos de comer a sua carne?» (v. 52). Quando o sinal do pão partilhado leva ao significado verdadeiro, ou seja, o dom de si até ao sacrifício, sobressai a incompreensão, emerge até a rejeição d’Aquele que pouco antes o povo queria levar ao triunfo. Recordemo-nos que Jesus teve que se esconder, porque o queriam fazer rei.

Jesus prossegue: «Se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos» (v. 53). Aqui, juntamente com a carne, aparece também o sangue. Na linguagem bíblica, carne e sangue exprimem a humanidade concreta. O povo e os próprios discípulos intuem que Jesus os convida a entrar em comunhão com Ele, a “alimentar-se” d’Ele, da sua humanidade, para partilhar com Ele o dom da vida para o mundo. Ao contrário de triunfos e miragens de sucesso! É precisamente o sacrifício de Jesus que se doa a si mesmo por nós.

Este pão de vida, sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo, é-nos doado gratuitamente na mesa da Eucaristia. Ao redor do altar, encontramos aquilo que nos alimenta e nos sacia espiritualmente hoje e para a eternidade. Cada vez que participamos na Santa Missa, num certo sentido, antecipamos o Céu na terra, porque do alimento eucarístico, o Corpo e o Sangue de Jesus, aprendemos o que é a vida eterna. Ela significa viver pelo Senhor: «Aquele que comer a minha carne viverá por mim» (v. 57), diz o Senhor. A Eucaristia plasma-nos a fim de não vivermos unicamente para nós mesmos, mas pelo Senhor e pelos irmãos. A felicidade e a eternidade da vida dependem da nossa capacidade de tornar fecundo o amor evangélico que recebemos na Eucaristia.

Assim como naquela época, também hoje Jesus repete a cada um de nós: «Se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos» (v. 53). Irmãos e irmãs, não se trata de um alimento material, mas de um pão vivo e vivificador, que comunica a vida do próprio Deus. Quando vamos comungar, recebemos a vida do próprio Deus. Para ter esta vida é necessário nutrir-se do Evangelho e do amor dos irmãos. Diante do convite de Jesus, a alimentar-nos do seu Corpo e Sangue, poderíamos sentir a necessidade de discutir e de resistir, como fizeram os ouvintes dos quais falou o Evangelho de hoje. Isto acontece quando temos dificuldade de modelar a nossa existência segundo a de Jesus, de agir em conformidade com os seus critérios, e não com os critérios do mundo. Nutrindo-nos deste alimento podemos entrar em plena sintonia com Cristo, com os seus sentimentos, com os seus comportamentos. Isto é muito importante: ir à Missa e comungar, porque receber a Comunhão significa receber este Cristo vivo, que nos transforma dentro e nos prepara para o Céu.

A Virgem Maria sustente o nosso propósito de fazer comunhão com Jesus Cristo, alimentando-nos da sua Eucaristia, para nos tornarmos, por nossa vez, pão partido para os irmãos.


Fonte: Santa Sé.

(Observação: Neste domingo, no Brasil, celebramos a Solenidade da Assunção de Maria, transferida do dia 15).

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Solenidade da Assunção de Maria em Cracóvia

O Arcebispo de Cracóvia, Dom Marek Jędraszewski, presidiu no último dia 15 de agosto as celebrações da Solenidade da Assunção da Virgem Maria na Arquidiocese polonesa. Nas duas Missas celebradas pelo Arcebispo houve a tradicional bênção das flores.

Missa no Santuário de Nossa Senhora em Ludzimierz

Procissão de entrada
Incensação
Ritos iniciais
Liturgia da Palavra
Evangelho

Solenidade da Assunção de Maria em Jerusalém

No último dia 15 de agosto a Solenidade da Assunção de Maria foi celebrada na igreja de Jerusalém através de três momentos litúrgicos, presididos pelo Custódio da Terra Santa, Padre Francesco Patton:

Dia 14, à noite: Vigília no Horto das Oliveiras

Início da Vigília
Liturgia da Palavra
Incensação da imagem
Procissão até a Basílica da Agonia

Ângelus: Solenidade da Assunção de Maria 2018

Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria
Papa Francisco
Ângelus
Quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Na hodierna solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, o santo povo fiel de Deus expressa com alegria a sua veneração à Virgem Mãe. Faz isto na liturgia comum e também com numerosas e diversas formas de piedade; e assim se realiza a profecia de Maria: «Todas as gerações me hão de chamar ditosa (Lc 1,48). Pois o Senhor elevou a sua humilde serva. A assunção ao Céu, em alma e corpo, é um privilégio divino concedido à Santa Mãe de Deus pela sua particular união com Jesus. Trata-se de uma união corporal e espiritual, que teve início com a Anunciação e amadureceu em toda a vida de Maria através da sua participação singular no mistério do Filho. Maria estava sempre com o Filho: ia atrás de Jesus e por isso nós dizemos que foi a primeira discípula.

A existência de Nossa Senhora foi vivida como a de uma mulher comum da sua época: rezava, ocupava-se da família e da casa, frequentava a sinagoga... Mas qualquer ação diária era sempre realizada por ela em união total com Jesus. E no Calvário esta união alcançou o ápice, no amor, na compaixão e no sofrimento do coração. Por isso Deus lhe doou uma participação plena também na ressurreição de Jesus. O corpo da Santa Mãe foi preservado da corrupção, como o do Filho.

Hoje a Igreja convida-nos a contemplar este mistério: ele mostra-nos que Deus quer salvar o homem inteiro, ou seja, salvar alma e corpo. Jesus ressuscitou com o corpo que tinha assumido de Maria; e subiu para o Pai com a sua humanidade transfigurada. Com o corpo, um corpo como o nosso, mas transfigurado. A assunção de Maria, criatura humana, dá-nos a confirmação de qual será o nosso destino glorioso. Já os filósofos gregos tinham compreendido que a alma do homem está destinada à felicidade depois da morte. Contudo, eles desprezavam o corpo - considerado prisão da alma - e não concebiam que Deus tivesse disposto que também o corpo do homem estivesse unido à alma na bem-aventurança celeste. O nosso corpo, transfigurado, estará lá. Trata-se - a «ressurreição da carne» - de um elemento próprio da revelação cristã, um ponto fundamental da nossa fé.

A maravilhosa realidade da Assunção de Maria manifesta e confirma a unidade da pessoa humana e recorda-nos que somos chamados a servir e glorificar Deus com todo o nosso ser, alma e corpo. Servir Deus apenas com o corpo seria uma ação de escravos; servi-lo só com a alma estaria em contraste com a nossa natureza humana. Um grande padre da Igreja, por volta dos anos 220, Santo Irineu, afirma que a «glória de Deus é o homem vivo, e a vida do homem consiste na visão de Deus» (Contra as heresias, IV, 20, 7). Se tivermos vivido assim, no serviço jubiloso a Deus, que se expressa também num generoso serviço aos irmãos, o nosso destino, no dia da ressurreição, será semelhante ao da nossa Mãe celeste. Então, nos será concedido realizar plenamente a exortação do apóstolo Paulo: «Glorificai a Deus no vosso corpo!» (1Cor 6,20), e glorificá-lo-emos para sempre no céu.

Rezemos a Maria para que, com a sua materna intercessão, nos ajude a viver o nosso caminho diário na esperança laboriosa de a poder um dia alcançar, com todos os Santos e os nossos entes queridos, todos no paraíso.


Fonte: Santa Sé.