domingo, 24 de setembro de 2017

Homilia: XXV Domingo do Tempo Comum - Ano A

Santo Efrém
Diatessaron 15
Seja qual for o momento de sua conversão, todo homem é acolhido

Estes homens queriam trabalhar, porém “ninguém os contratou”; eram trabalhadores, mas ociosos por falta de trabalho e de Senhor. Em seguida uma voz lhes contratou, uma palavra os colocou no caminho e, em seu zelo, não combinaram o preço de seu trabalho como fizeram os primeiros. O Senhor avaliou seu trabalho com prudência e lhes pagou tanto como aos demais.
Nosso Senhor pronunciou esta parábola para que ninguém diga: “Visto que não fui chamado quando era jovem, não posso ser recebido”. Ensinou que, seja qual for o momento de sua conversão, todo homem é acolhido. Saiu ao amanhecer, ao meio da manhã, ao meio-dia, no meio da tarde e ao final da tarde: com o que dá a entender desde o início de sua pregação, depois ao longo de sua vida até a cruz porque é “à hora undécima” que o ladrão entrou no paraíso. Para que ninguém reclame do ladrão, nosso Senhor afirma sua boa vontade; se lhe tivessem contratado antes, teria trabalhado: Ninguém nos contratou.
Aquilo que damos a Deus é muito pouco digno dele, e o que Ele nos dá é muito superior a nós. Somos contratados para um trabalho proporcionado às nossas forças, porém nos propõe um salário muito acima do que o nosso trabalho merece... Trata-se da mesma aos primeiros e aos últimos; receberam um denário cada um com a imagem do rei. Tudo isso significa o Pão da vida que é o mesmo para todos; é único o remédio de vida para aqueles que o comem.
No trabalho da vinha não se pode reprovar ao Senhor sua bondade, e nada tem a se dizer de sua retidão. Segundo sua retidão dava como achava justo, e, segundo sua bondade, mostra a sua misericórdia como quer. É para dar-nos este ensinamento que nosso Senhor disse esta parábola, e a resumiu com estas palavras: Eu não tenho liberdade para fazer o que quiser em meus assuntos?


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, p. 221. Para adquiri-lo no site da Editora Vozes, clique aqui.

Confira também uma homilia de Santo Agostinho para este domingo clicando aqui.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Catequese do Papa: A viagem à Colômbia

Papa Francisco
Audiência Geral
Praça São Pedro
Quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Como sabeis, nos dias passados realizei a viagem apostólica à Colômbia. De todo o coração dou graças ao Senhor por este grande dom; e desejo renovar a expressão do meu reconhecimento ao Senhor Presidente da República, que me recebeu com tanta cortesia, aos Bispos colombianos que muito trabalharam - para preparar esta visita, assim como às Autoridades do país, e a quantos colaboraram com a realização desta visita. Transmito um agradecimento especial ao povo colombiano que me acolheu com muito afeto e tanta alegria! Um povo jubiloso entre os muitos sofrimentos, mas alegre; um povo com esperança. Um dos aspetos que mais me impressionaram em todas as cidades, no meio da multidão, foram os pais e as mães com os filhos, que os erguiam para que o Papa os abençoasse, mas também com orgulho mostravam os próprios filhos como se dissessem: “Este é o nosso orgulho! Esta é a nossa esperança”. Pensei: um povo capaz de ter filhos e de os mostrar com orgulho, como esperança: este povo tem futuro. Gostei muito disto.
De modo particular nesta viagem senti a continuidade com os dois Papas que antes de mim visitaram a Colômbia: o beato Paulo VI, em 1968, e São João Paulo II, em 1986. Uma continuidade fortemente animada pelo Espírito, que guia os passos do povo de Deus nos caminhos da história.
O lema da viagem foi “Demos el primer paso”, isto é, “Demos o primeiro passo”, referido ao processo de reconciliação que a Colômbia vive para sair de meio século de conflito interno, que semeou sofrimentos e inimizades, causando tantas feridas, difíceis de cicatrizar. Mas com a ajuda de Deus o caminho já começou. Com a minha visita quis abençoar o esforço daquele povo, confirmá-lo na fé e na esperança, e receber o seu testemunho, que é uma riqueza para o meu ministério e para toda a Igreja. O testemunho deste povo é uma riqueza para toda a Igreja.
A Colômbia - como a maior parte das nações latino-americanas - é um país no qual as raízes cristãs são fortíssimas. E se este fato torna ainda mais aguda a dor pela tragédia da guerra que o dilacerou, ao mesmo tempo constitui a garantia da paz, o firme fundamento da sua reconstrução, a linfa da sua esperança invencível. É evidente que o maligno quis dividir o povo para destruir a obra de Deus, mas também é evidente que o amor de Cristo, a sua infinita Misericórdia é mais forte do que o pecado e a morte.
Esta viagem levou a bênção de Cristo, a bênção da Igreja ao desejo de vida e de paz que transborda do coração daquela nação: pude observar isto nos olhos dos milhares e milhares de crianças, adolescentes e jovens que encheram a praça de Bogotá e que encontrei em toda parte; aquela força de vida que também a própria natureza proclama com a sua exuberância e a sua biodiversidade. A Colômbia é o segundo país do mundo pela biodiversidade. Em Bogotá pude encontrar-me com os Bispos do país e também com o Comité Diretivo da Conferência Episcopal Latino-americana. Dou graças a Deus por os ter podido abraçar e lhes ter dado o meu encorajamento pastoral, para a sua missão ao serviço da Igreja, sacramento de Cristo nossa paz e nossa esperança.
O dia dedicado de modo particular ao tema da reconciliação, momento culminante de toda a viagem, foi realizado em Villavicencio. Na parte da manhã houve a grande celebração eucarística, com a beatificação dos mártires Jesús Emilio Jaramillo Monsalve, bispo, e Pedro María Ramírez Ramos, sacerdote; à tarde, a especial Liturgia de Reconciliação, simbolicamente orientada para o Cristo de Bocayá, sem braços nem pernas, mutilado como o seu povo.
A beatificação dos dois mártires recordou plasticamente que a paz se funda também e talvez sobretudo, no sangue de tantas testemunhas do amor, da verdade, da justiça, e de mártires verdadeiros, assassinados pela fé, como os dois que acabei de citar. Ouvir as suas biografias foi comovedor até às lágrimas: lágrimas de dor e de alegria ao mesmo tempo. Diante das relíquias e das suas imagens, o santo povo fiel de Deus sentiu com força a própria identidade, com dor, pensando nas muitas, demasiadas vítimas, e com alegria, pela misericórdia de Deus que se estende sobre os que o temem (cf. Lc 1,50).
«Misericórdia e verdade encontrar-se-ão, / justiça e paz beijar-se-ão» (Sl 85,11), escutámos no início. Este versículo do salmo contém a profecia do que aconteceu deveras na última sexta-feira na Colômbia; a profecia e a graça de Deus por aquele povo ferido, a fim de que possa ressurgir e caminhar numa vida nova. Vimos estas palavras proféticas cheias de graça encarnadas nas histórias das testemunhas, que falaram em nome de muitos e muitos que, a partir das suas feridas, com a graça de Cristo, saíram de si mesmos e abriram-se ao encontro, ao perdão, à reconciliação.
Em Medellín a perspectiva foi a da vida cristã como discipulado: a vocação e a missão. Quando os cristãos se esforçam até ao fim no caminho do seguimento de Jesus Cristo, tornam-se deveras sal, luz e fermento no mundo, e veem-se frutos abundantes. Um destes frutos são os Hogares, isto é as casas onde crianças e adolescentes feridos pela vida podem encontrar uma nova família na qual são amados, acolhidos, protegidos e acompanhados. Outros frutos, abundantes como cachos, são as vocações à vida sacerdotal e consagrada, que pude abençoar e encorajar com alegria num encontro inesquecível com os consagrados e os seus familiares.
Por fim, em Cartagena, a cidade de São Pedro Claver, apóstolo dos escravos, o “focus” foi sobre a promoção da pessoa humana e dos seus direitos fundamentais. São Pedro Claver, e também mais recentemente santa Maria Bernarda Bütler, deram a vida pelos mais pobres e marginalizados, mostrando assim a via da verdadeira revolução, a evangélica, não ideológica, que liberta deveras as pessoas e as sociedades das escravidões de ontem e, infelizmente, também de hoje. Neste sentido, “dar o primeiro passo” - o lema da viagem - significa aproximar-se, inclinar-se, tocar a carne do irmão ferido e abandonado. E fazê-lo com Cristo, o Senhor que se tornou escravo por nós. Graças a Ele há esperança, porque Ele é a misericórdia e a paz.
Novamente confio a Colômbia e o seu amado povo à Mãe, Nossa Senhora de Chiquinquirá, que pude venerar na catedral de Bogotá. Com a ajuda de Maria, cada colombiano todos os dias possa dar o primeiro passo em direção do irmão e da irmã, e assim construir juntos, dia após dia, a paz no amor, na justiça e na verdade.


Fonte: Santa Sé

Exéquias do Cardeal Cormac Murphy-O'Connor

No último dia 13 de setembro foi celebrada na Catedral do Preciosíssimo Sangue em Londres a Missa Exequial do Cardeal Cormac Murphy-O'Connor, Arcebispo Emérito de Westminster, falecido no dia 01 de setembro.

Na tarde do dia anterior foram celebradas as Vésperas do Comum dos Defuntos. Tanto a oração das Vésperas quanto a Missa foram presididas pelo atual Arcebispo, Cardeal Vincent Nichols.

Dia 12: Vésperas

Procissão de entrada 
Salmodia
Leitura breve
Homilia: Dom Bernard Longley

Imposição do pálio ao Arcebispo de Milão

No último dia 12 de setembro, Memória do Santíssimo Nome de Maria, o Arcebispo de Milão, Dom Mario Enrico Delpini, que tomou posse oficialmente no dia 09, recebeu o pálio das mãos do seu antecessor, o Cardeal Angelo Scola, no Santuário de São Pedro.

O Papa Francisco nomeou o Cardeal Scola seu Legado para esta cerimônia, que antecede o ingresso oficial do novo Arcebispo no próximo dia 24, tendo em vista as particularidades do Rito Ambrosiano, do qual o Arcebispo de Milão é o hierarca.

Procissão de entrada 
Palavras do Cardeal Scola, Arcebispo Emérito
Dom Delpini faz a profissão de fé 
Imposição do pálio 
Palavras de Dom Mario Delpini

Imagens: Chiesa di Milano

Motu Proprio Magnum Principium sobre a tradução dos textos litúrgicos

Recentemente o Papa Francisco promulgou o Motu Proprio Magnum Principium ("O grande princípio"), que modifica o cân. 838 do Código de Direito Canônico, um dos mais importantes sobre a Liturgia. Especificamente, o Motu Proprio altera algumas normas referentes à tradução dos textos litúrgicos.

Segue o texto do documento na íntegra e duas notas explicativas que o acompanham, publicadas pela própria Santa Sé:

Sumo Pontífice Francisco
Carta Apostólica em Forma de «Motu Proprio» “Magnum Principium”
Com a qual modificou o cân. 838 do Código de Direito Canônico

O importante princípio, confirmado pelo Concílio Ecuménico Vaticano II, segundo o qual a oração litúrgica, adaptada à compreensão do povo, possa ser assimilada, exigiu uma importante tarefa, confiada aos Bispos, de introduzir a língua vulgar na liturgia e de preparar e aprovar as versões dos livros litúrgicos.
A Igreja Latina estava ciente do enorme sacrifício da perda parcial da própria língua, usada em todo o mundo ao longo dos séculos, mas contudo abriu de bom grado a porta para que as versões, como partes dos próprios ritos, se tornassem voz da Igreja que celebra os mistérios divinos, juntamente com a língua latina.
Ao mesmo tempo, especialmente depois das várias opiniões expressas de modo claro pelos Padres Conciliares relativamente ao uso da língua vulgar na liturgia, a Igreja estava ciente das dificuldades que se poderiam apresentar em relação a esta matéria. Por um lado, era preciso unir o bem dos fiéis de qualquer idade e cultura e o seu direito a uma participação consciente e ativa nas celebrações litúrgicas com a unidade substancial do Rito Romano; por outro, as mesmas línguas vulgares muitas vezes só de maneira progressiva teriam podido tornar-se línguas litúrgicas, esplendorosas não diversamente do latim litúrgico por elegância de estilo e pela gravidade dos conceitos a fim de alimentar a fé.
Era isto que visavam algumas Leis litúrgicas, Instruções, Cartas circulares, indicações e confirmações dos livros nas línguas vernáculas emanadas pela Sé Apostólica já na época do Concílio, e isto tanto antes como depois das leis estabelecidas no Código de Direito Canónico. Os critérios indicados foram e permanecem em linha geral úteis e, na medida do possível, deverão ser seguidos pelas Comissões litúrgicas como instrumentos adequados a fim de que, na grande variedade de línguas, a comunidade litúrgica possa alcançar um estilo expressivo adequado e congruente com cada uma das partes, mantendo a integridade e a fidelidade cuidadosa, sobretudo na tradução de alguns textos de maior importância em cada livro litúrgico.
O texto litúrgico, enquanto sinal ritual, é meio de comunicação oral. Mas para os crentes que celebram os ritos sagrados, também a palavra é um mistério: com efeito, quando são proferidas as palavras, em particular quando se lê a Sagrada Escritura, Deus fala aos homens, o próprio Cristo no Evangelho fala ao seu povo que, por si ou através do celebrante, com a oração responde ao Senhor no Espírito Santo.
A finalidade das traduções dos textos legislativos e dos textos bíblicos, para a liturgia da palavra, é anunciar aos fiéis a palavra de salvação em obediência à fé e exprimir a oração da Igreja ao Senhor. Com este objetivo é preciso comunicar fielmente a um determinado povo, através da sua língua, o que a Igreja pretendeu comunicar a outro por meio da língua latina. Mesmo se a fidelidade nem sempre pode ser julgada por simples palavras mas no contexto de toda a ação da comunicação e segundo o próprio género literário, contudo alguns termos peculiares devem ser considerados também no contexto da íntegra fé católica, dado que cada tradução dos textos litúrgicos deve ser congruente com a sã doutrina.
Não nos devemos admirar que, durante este longo percurso de trabalho, tenham surgido dificuldades entre as Conferências Episcopais e a Sé Apostólica. Para que as decisões do Concílio acerca do uso das línguas vulgares na liturgia possam ser válidas também no futuro, é extremamente necessária uma constante colaboração cheia de confiança recíproca, vigilante e criativa, entre as Conferências Episcopais e o Dicastério da Sé Apostólica que exerce a tarefa de promover a sagrada Liturgia, ou seja, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Por isso, a fim de que a renovação de toda a vida litúrgica continue, pareceu oportuno que alguns princípios transmitidos desde o tempo do Concílio sejam reafirmados e postos em prática de maneira mais clara.
Sem dúvida, deve-se prestar atenção à utilidade e ao bem dos fiéis, e não se deve esquecer o direito e o encargo das Conferências Episcopais que, juntamente com as Conferências Episcopais de regiões que têm a mesma língua e com a Sé Apostólica, devem garantir e estabelecer que, salvaguardada a índole de cada língua, seja dado plena e fielmente o sentido do texto original e que os livros traduzidos, até depois das adaptações, resplandeçam sempre pela unidade ao Rito Romano.
Para tornar mais fácil e frutuosa a colaboração entre a Sé Apostólica e as Conferências Episcopais neste serviço que deve ser prestado aos fiéis, disponho, com a autoridade a mim confiada, que a disciplina canónica atualmente vigente no cân. 838 do C.I.C. seja tornada mais clara, para que, segundo quanto expresso na Constituição Sacrosanctum concilium, em particular nos artigos 36 §§ 3.4, 40 e 63, e na Carta Apostólica Motu Proprio Sacram Liturgiam, n. IX, seja mais clara a competência da Sé Apostólica acerca das traduções dos livros litúrgicos e das adaptações mais profundas, entre as quais se podem incluir também eventuais novos textos a serem inseridos neles, estabelecidos e aprovados pelas Conferências Episcopais.
Neste sentido, no futuro o cân. 838 será lido como segue:
Cân. 838 - § 1. Regular a sagrada liturgia depende unicamente da autoridade da Igreja: isto compete propriamente à Sé Apostólica e, por norma de direito, ao Bispo diocesano.
§ 2. É da competência da Sé Apostólica ordenar a sagrada liturgia da Igreja universal, publicar os livros litúrgicos, rever [1] as adaptações aprovadas segundo a norma do direito da Conferência Episcopal, assim como vigiar para que as normas litúrgicas sejam fielmente observadas em toda a parte.
§ 3. Compete às Conferências Episcopais preparar fielmente as versões dos livros litúrgicos nas línguas correntes, convenientemente adaptadas dentro dos limites definidos, aprová-las e publicar os livros litúrgicos, para as regiões de sua pertinência, depois da confirmação da Sé Apostólica.
§ 4. Ao Bispo diocesano na Igreja a ele confiada compete, dentro dos limites da sua competência, estabelecer normas em matéria litúrgica, as quais todos devem respeitar.
Por consequência devem ser interpretados quer o art. 64 § 3 da Constituição Apostólica Pastor bonus quer as outras leis, em particular as que estão contidas nos livros litúrgicos, acerca das suas versões. De igual modo disponho que a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos modifique o próprio “Regulamento” com base na nova disciplina e ajude as Conferências Episcopais a desempenhar a sua tarefa e se comprometa a promover cada vez mais a vida litúrgica da Igreja Latina.
Quanto deliberado com esta Carta apostólica em forma de “motu proprio”, ordeno que tenha vigor firme e estável, não obstante qualquer coisa contrária mesmo se digna de especial menção, e que seja promulgado através da publicação em L’Osservatore Romano, entrando em vigor a 1 de outubro de 2017, e publicado nas Acta Apostolicae Sedis.
Dado em Roma, junto de São Pedro a 3 de setembro de 2017 quinto do meu Pontificado.

Francisco 

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Missas de Nossa Senhora: Maria, porta do céu

46. Bem-aventurada Virgem Maria, porta do céu
(Para o Tempo Comum)

Introdução
Este último formulário da Coletânea das Missas de Nossa Senhora celebra a Virgem Maria, que acompanha seus filhos em sua caminhada para a pátria definitiva.
Nesta Missa, como em toda Celebração Eucarística, somos chamados a contemplar “a cidade santa, a nova Jerusalém...vestida qual esposa enfeitada para o seu marido” (Ap 21,2). Esta condição futura da Igreja já realizou-se em Maria, esposa virgem, sem ruga e sem mancha (cf. Ef 5,27).
Recordamos primeiramente Cristo, a quem o Pai constituiu “porta da salvação e da vida” (Coleta; cf. Jo 10,7), “porta do perdão sempre aberta” (Prefácio): por Ele se abriram para nós “as portas da cidade celeste” (Coleta).
A Maria é aplicada a imagem da porta em vista de sua função como “nova Eva”: Maria “é a Virgem humilde, que nos abriu pela sua fé a porta da vida eterna, que Eva fechara pela sua incredulidade” (Prefácio). Ainda no Prefácio, a Virgem é comparada à porta do Templo, que só se abriu para acolher o Senhor: uma clara alusão à sua maternidade virginal. Ela é a “excelsa porta da vida”, pela qual nasceu o Salvador (Sobre as oferendas), “porta radiante de luz”, pela qual refulgiu para nós Cristo, luz do mundo (Antífona de Comunhão).
Por fim, se recorda a intercessão de Maria, que continuamente suplica a Deus que se abra para nós “a feliz porta do céu” (Oração após a Comunhão).

Antífona de entrada
Ave Virgem, grávida do Verbo Encarnado!
Porta do paraíso, dando Deus ao mundo,
nos abristes o caminho do céu.

Oração do dia
Ó Deus, que constituístes benignamente vosso Filho porta da salvação e da vida, concedei, nós vos pedimos, que vindo em nosso auxílio a Virgem Maria, permaneçamos fieis ao amor de Cristo, e se nos abram as portas da cidade celeste. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Oração sobre as oferendas*
Nós vos apresentamos, Senhor, o sacramento da unidade e da paz, ao celebrarmos a memória gloriosa da Virgem Maria, excelsa porta da vida, da qual nasceu a salvação do mundo, Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina para sempre.

Prefácio
Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo o tempo e lugar, Senhor Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso, e cantar os vossos louvores, ao celebrarmos a memória da Santa Virgem Maria.
Ela é a Virgem Mãe, prefigurada pela porta oriental do templo: por ela passou o Senhor, só para Ele se abriu e permaneceu fechada. Ela é a Virgem humilde, que nos abriu pela sua fé a porta da vida eterna, que Eva fechara pela sua incredulidade. Ela é a Virgem suplicante, que intercede continuamente pelos pecadores, para que se convertam ao seu Filho, fonte perene de graça e porta do perdão sempre aberta.
Por Ele, com a multidão dos anjos que adoram a vossa majestade e se alegram eternamente na vossa presença, proclamamos a vossa glória, cantando (dizendo):

Antífona de Comunhão
Bendita sejais, ó Virgem Maria, porta radiante de luz,
por vós refulgiu Cristo, luz do mundo.

Oração após a Comunhão
Restaurados, Senhor, pelos sacramentos e suas alegrias, nós vos rogamos suplicantes, por intercessão da santa Virgem Maria, da qual nasceu para o mundo o Salvador, desçam sobre nós os dons da graça celeste, e se nos abra a feliz porta do céu. Por Cristo, nosso Senhor.

Leitura: Ap 21,1-5a (“Vi a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu”)
Salmo: Sl 121, 1-2.3-4.8-9 (R: cf. v. 1b)
Evangelho: Mt 25,1-13 (“O noivo está chegando: ide ao seu encontro”)

*Na oração sobre as oferendas a Coletânea apresenta a conclusão “Ele que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo”. Porém, esta conclusão é própria das coletas. Aqui o correto é utilizar “Ele que vive e reina para sempre”, como indica a IGMR, n. 77. A Coletânea apresenta ainda uma segunda conclusão para a oração, “Por Cristo, nosso Senhor”, que nós omitimos aqui. Além disso, a tradução omitiu o pedido da oração, necessitando de uma completa revisão.


Fonte:
Lecionário para Missas de Nossa Senhora. Edições CNBB: Brasília, 2016, pp. 190-192.
Missas de Nossa Senhora. Edições CNBB: Brasília, 2016, pp. 231-234.

Missas de Nossa Senhora: Maria, Rainha da paz

45. Bem-aventurada Virgem Maria, Rainha da paz
(Para o Tempo Comum)

Introdução
Dada a estreita relação da Virgem Maria com seu Filho, “Príncipe da paz” (Is 9,6), ela com razão é invocada em muitos lugares e institutos religiosos como “Rainha da paz”. O Papa Bento XV, em 1917, em plena Primeira Guerra Mundial, acrescentou este título à Ladainha de Nossa Senhora.
Nesta Missa, celebra-se a cooperação de Maria no mistério da reconciliação entre Deus e os homens, realizada por Jesus Cristo. A Virgem coopera neste mistério através da Encarnação, pois ela “concebeu no seio virginal o Príncipe da paz” (Prefácio), aos pés da cruz, na qual Cristo “pacificou com o seu sangue todo o universo” (idem), e na espera do Espírito de unidade e de paz.
Ao mesmo tempo, nesta Missa se pede a intercessão de Maria, a fim de que Deus conceda-nos permanecer “unidos pelo amor fraterno” (Coleta), vivendo em tranquilidade “para na paz formarmos uma só família” (idem).
As orações, a exceção do prefácio, são tomadas do Próprio da Diocese de Savona-Noli (Itália).

Antífona de entrada (Is 9,6)
Um menino nasceu para nós,
um Filho nos foi dado:
será chamado “Príncipe da paz”

Oração do dia
Ó Deus, que por vosso Filho unigênito quisestes dar com abundância a paz aos homens, concedei, por intercessão da sempre Virgem Maria, a desejada tranquilidade aos nossos tempos, para na paz formarmos uma só família e permanecermos sempre unidos pelo amor fraterno. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Oração sobre as oferendas
Nós vos apresentamos, Senhor, o sacrifício da reconciliação, venerando devotamente a sempre Virgem Maria, Rainha da paz, e pedimos que vos digneis conceder à vossa família os dons da unidade e da paz. Por Cristo, nosso Senhor.

Prefácio
Na verdade, Pai santo, é nosso dever dar-vos graças, é nossa salvação dar-vos glória, em todo o tempo e lugar, e nesta celebração da bem-aventurada Virgem Maria engrandecer-vos com dignos louvores.
Ela é a vossa humilde serva, que pelas palavras de Gabriel recebeu o anúncio e concebeu no seio virginal o Príncipe da paz, Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso. Ela é a mãe fiel, que firme esteve de pé junto à cruz, onde seu Filho consumou a nossa salvação, pacificando com o seu sangue todo o universo. Ela é a discípula de Cristo e Rainha da paz, que, em oração com os Apóstolos, esperou o Prometido do Pai, o Espírito da unidade e da paz, do amor e da alegria.
Por isso, com todos os santos e anjos, vos louvamos sem cessar, cantando (dizendo):

Antífona de Comunhão
A Virgem concebe a Cristo, Deus e homem verdadeiro.
Deus trouxe-nos a paz,
reconciliando consigo o céu e a terra.

Oração após a Comunhão*
Dai-nos com largueza, Senhor, o espírito de amor, para que, restaurados pelo Corpo e Sangue de vosso Filho Unigênito, ao celebrarmos a memória da Virgem Maria, Rainha da paz, fomentemos eficazmente entre nós a paz que Ele mesmo nos deixou. Por Cristo, nosso Senhor.

Leitura: Is 9,1-3.5-6 (“O nome que lhe foi dado é... Príncipe da paz”)
Salmo: Sl 84,9ab-10.11-12.13-14 (R: cf. v. 9)
Evangelho: Lc 1,26-38 (Anunciação)

*Na oração após a Comunhão a Coletânea apresenta a conclusão “Por nosso Senhor Jesus Cristo...”. Porém, esta conclusão é própria das coletas. Aqui o correto é utilizar “Por Cristo, nosso Senhor”, como indica a IGMR, n. 89.


Fonte:
Lecionário para Missas de Nossa Senhora. Edições CNBB: Brasília, 2016, pp. 187-189.
Missas de Nossa Senhora. Edições CNBB: Brasília, 2016, pp. 227-229.