terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Ordenação Sacerdotal na Forma Extraordinária

No último dia 03 de Fevereiro Dom Fernando Areas Rifan, Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, com sede em Campos dos Goytacazes (RJ), celebrou a Santa Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano por ocasião do Domingo da Sexagésima, durante a qual conferiu a Ordem Sacerdotal ao Diácono Rafael Scolaro, natural de Curitiba.

Seguem algumas fotos da celebração, disponíveis no blog Salvem a Liturgia:

Diác. Rafael Scolaro

Ladainha de Todos os Santos

Imposição das mãos

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Fotos do Consistório no qual o Papa apresentou sua renúncia

Santo Padre Papa Bento XVI


Cardeais
O Santo Padre anuncia sua renúncia

Domingo do Perdão no Rito Bizantino

No último dia 10 de fevereiro o Arquimandrita João Carlos Teodoro celebrou a Divina Liturgia de São Basílio Magno na Paróquia Greco-Melquita São Jorge em Juiz de Fora (MG) por ocasião do Domingo do Perdão, que antecede a Grande Quaresma.

Antes da celebração, o sacerdote e os fieis pedem-se perdão mutuamente. Destacamos o resgate dos paramentos roxos, próprios para os Domingos da Grande Quaresma no Rito Bizantino.

Seguem algumas fotos, publicadas no blog Luz do Oriente:

Sagradas Alfaias no Altar da Preparação
Iconostase e porskinetárion
Pedido de perdão antes da Divina Liturgia


Nota de Falecimento: Cardeal Julien Ries

Faleceu no dia de hoje, 23 de fevereiro de 2013, na cidade de Tournai (Bélgica), aos 92 anos de idade, o Cardeal Julien Ries.


Julien Ries nasceu no dia 19 de Abril de 1920 em Fouches, Bélgica, e foi ordenado sacerdote em 12 de agosto de 1945. Durante muitos anos lecionou História das Religiões na Universidade de Louvaine (Bélgica). É considerado o maior estudioso de Antropologia Religiosa da contemporaneidade.

No dia 18 de fevereiro de 2012, o Papa Bento XVI o elevou ao cardinalato, sob o título diaconal de Santo Antônio de Pádua. Ao ser anunciada sua nomeação, era ainda presbítero, tendo recebido a ordenação episcopal uma semana antes do consistório.


"Dai-lhe Senhor o descanso eterno. E a luz perpétua o ilumine.
Que descanse em paz. Amém."

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Fotos da Lectio Divina do Papa com os Seminaristas

Chegada do Santo Padre

Oração diante do sacrário

Entrada

Lectio Divina do Papa com os Seminaristas de Roma

Visita ao Seminário Maior Romano na Festa de Nossa Senhora da Confiança
"Lectio Divina" do Papa Bento XVI
Capela do Seminário
Sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Eminência

Queridos Irmãos no episcopado e no sacerdócio
Estimados amigos!
É para mim todos os anos uma grande alegria estar aqui convosco, ver tantos jovens que caminham para o sacerdócio, que estão atentos à voz do Senhor, que querem seguir esta voz e procuram o caminho para servir o Senhor neste nosso tempo.
Ouvimos três versículos da Primeira Carta de São Pedro (cf. 1,3-5). Antes de entrar neste texto, parece-me importante precisamente estar atento ao fato de que é Pedro quem fala. As duas primeiras palavras da Carta são «Petrus apostolus» (cf. v. 1): ele fala, e fala às Igrejas na Ásia e chama os fiéis «eleitos e estrangeiros dispersos» (ibidem). Reflitamos um pouco sobre isto. Pedro fala, e fala - como se ouve no final da Carta - de Roma, que chamou «Babilônia» (cf. 5, 13). Pedro fala: quase uma primeira encíclica, com a qual o primeiro apóstolo, vigário de Cristo, fala à Igreja de todos os tempos.
Pedro, apóstolo. Por conseguinte, fala aquele que encontrou em Cristo Jesus o Messias de Deus, o primeiro que falou em nome da Igreja futura: «Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo» (cf. Mt 16,16). Fala aquele que nos introduziu nesta fé. Fala aquele ao qual o Senhor disse: «Entrego-te as chaves do reino dos céus» (cf. Jo 16,19), ao qual confiou o seu rebanho depois da Ressurreição, dizendo-lhe três vezes: «Apascenta o meu rebanho, as minhas ovelhas» (cf. Jo 21,15-17). Fala também o homem que caiu, que negou Jesus e que teve a graça de ver o olhar de Jesus, de ser tocado no seu coração e ter encontrado o perdão e a renovação da sua missão. Mas é sobretudo importante que este homem, cheio de paixão, de amor a Deus, de desejo do reino de Deus, do Messias, que este homem que encontrou Jesus, o Senhor e o Messias, é também o homem que pecou, caiu, e contudo permaneceu sob o olhar do Senhor e assim permanece responsável pela Igreja de Deus, permanece encarregado por Cristo, portador do seu amor.
Fala Pedro, o apóstolo, mas os exegetas dizem-nos: não é possível que esta Carta seja de Pedro, porque o grego é tão bom que não pode ser o grego de um pescador do lago da Galileia. E não só a linguagem, a estrutura da língua é ótima, mas também o pensamento é já bastante maduro, há já fórmulas concretas nas quais se condensam a fé e a reflexão da Igreja. Por conseguinte, eles dizem: é já um estádio de desenvolvimento que não pode ser o de Pedro. Como responder? Há duas posições importantes: primeira, o próprio Pedro - ou seja a Carta - dá-nos uma chave porque no final do texto diz: Escrevo-vos através de Silvano – dia Silvano». Este através [dia] pode significar várias coisas: pode significar que ele [Silvano] transporta, transmite; pode significar que ele ajudou na redação; pode querer dizer que realmente ele foi o escritor concreto. Contudo, podemos concluir que a própria Carta nos indica que Pedro não escreveu esta Carta sozinho, mas expressa a fé de uma Igreja que já está a caminho da fé, uma fé cada vez mais madura. Não escreve sozinho, indivíduo isolado, escreve com o apoio da Igreja, das pessoas que ajudam a aprofundar a fé, a entrar na profundidade do seu pensamento, da sua racionalidade, da sua profundidade. E isto é muito importante: não fala Pedro como indivíduo, fala ex persona Ecclesiae, fala como homem da Igreja, certamente como pessoa, com a sua responsabilidade pessoal, mas também como pessoa que fala em nome da Igreja: não só ideias pessoais, não como um génio do século XIX que pretendia expressar só ideias suas, originais, que antes ninguém teria podido ouvir. Não fala como génio individualista, mas fala precisamente na comunhão da Igreja. No Apocalipse, na visão inicial de Cristo é dito que a voz de Cristo é a voz de muitas águas (cf. Ap 1,15). Isto significa: a voz de Cristo reúne todas as águas do mundo, traz em si todas as águas vivas que dão vida ao mundo; é Pessoa, mas é precisamente esta a grandeza do Senhor, que traz em si todo o rio do Antigo Testamento, aliás, da sabedoria dos povos. E tudo o que aqui é dito sobre o Senhor é válido, de outra forma, também para o apóstolo, que não quer dizer uma palavra só sua, mas traz em si realmente as águas da fé, as águas de toda a Igreja, e precisamente assim dá fertilidade, dá fecundidade e deste modo é uma testemunha pessoal que se abre ao Senhor, e assim se torna aberto e vasto. Portanto, isto é importante.
Depois, parece-me também importante que nesta conclusão da Carta são mencionados Silvano e Marcos, duas pessoas que pertencem também às amizades de são Paulo. Assim, através desta conclusão, os mundos de são Pedro e de são Paulo caminham juntos: não é uma teologia exclusivamente petrina contra uma teologia paulina, mas é uma teologia da Igreja, da fé da Igreja, na qual há diversidade - sem dúvida - de temperamento, de pensamento, de estilo no falar entre Paulo e Pedro. É bom que haja esta diversidade, também hoje, de diversos carismas, de vários temperamentos, mas contudo não são contrastantes e unem-se na fé comum.
Gostaria de dizer ainda uma coisa: são Pedro escreve de Roma. É importante: aqui temos já o Bispo de Roma, temos o início da sucessão, temos já o início da primazia concreta colocada em Roma, não só entregue pelo Senhor, mas aqui colocada, nesta cidade, nesta capital do mundo. Como veio Pedro para Roma? Esta é uma pergunta séria. Os Atos dos Apóstolos narram que, depois da sua fuga da prisão de Herodes, foi para outro lugar (cf. 12,17) - eis eteron topon - não se sabe para onde; alguns dizem Antioquia, outros Roma. Contudo, neste capítulo, deve-se dizer também que, antes de fugir, confiou a Igreja judaico-cristã, a Igreja de Jerusalém, a Tiago e, ao confiá-la a Tiago, ele permanece contudo Primaz da Igreja universal, da Igreja dos pagãos, mas também da Igreja judaico-cristã. Os liturgistas dizem-nos que no Cânone romano se encontram vestígios de uma linguagem tipicamente judaico-cristã; assim vemos que em Roma se encontram ambas as partes da Igreja; a judaico-cristã e a pagã-cristã, unidas, expressão da Igreja universal. E certamente para Pedro a passagem de Jerusalém para Roma é a passagem para a universalidade da Igreja, a passagem para a Igreja dos pagãos e de todos os tempos, para a Igreja também sempre dos judeus. E penso que, vindo para Roma, são Pedro não só pensou nesta passagem: Jerusalém/Roma, Igreja judaico-cristã/Igreja universal. Certamente recordou-se também das últimas palavras que Jesus lhe dirigiu, escritas por são João: «No fim, tu irás para onde não queres. Cingir-te-ão, estenderão as tuas mãos» (cf. Jo 21,18). É uma profecia da crucifixão. Os filólogos mostram-nos que é uma expressão clara, técnica, este «estender as mãos», para a crucifixão. São Pedro sabia que o seu fim teria sido o martírio, a cruz. Por conseguinte, vindo para Roma certamente vinha também para o martírio: na Babilónia esperava-o o martírio. Portanto, a primazia tem este conteúdo da universalidade, mas também um conteúdo martirológico. Desde o início, Roma é também lugar do martírio. Vindo para Roma, Pedro aceita de novo esta palavra do Senhor: vai ao encontro da Cruz, e convida-nos a aceitar também nós o aspecto martirológico do cristianismo, que pode ter formas muito diversas. E a cruz pode ter formas muito diversas, mas ninguém pode ser cristão sem seguir o Crucificado, sem aceitar também o momento martirológico.
Depois destas palavras sobre o remetente, uma breve palavra também sobre as pessoas às quais é escrito. Já disse que são Pedro define aqueles aos quais escreve com as palavras «eklektois parepidemois», «aos eleitos que são estrangeiros dispersos» (cf. 1Pd 1,1). Temos de novo este paradoxo de glória e cruz: eleitos, mas dispersos e estrangeiros. Eleitos: este era o título de glória de Israel: nós somos os eleitos, Deus escolheu este pequeno povo não porque somos grandes - diz o Deuteronômio - mas porque Ele nos ama (cf. 7,7-8). Somos eleitos: isto, agora são Pedro transfere-o para todos os batizados, e precisamente o conteúdo dos capítulos iniciais da sua Primeira Carta diz que os batizados entram nos privilégios de Israel, são o novo Israel. Eleitos: parece-me que vale a pena refletir sobre estas palavras. Somos eleitos. Deus conheceu-nos desde sempre, antes do nosso nascimento, da nossa concepção; Deus quis-me cristão, católico, quis-me sacerdote. Deus pensou em mim, procurou-me entre milhões, entre muitos, viu-me e elegeu-me, não pelos meus merecimentos que não existiam, mas pela sua vontade; quis que eu fosse portador da sua eleição, que é sempre também missão, sobretudo missão, e responsabilidade pelos outros. Eleitos: devemos estar gratos e jubilosos por este fato. Deus pensou em mim, escolheu-me como católico, como portador do seu Evangelho, como sacerdote. Parece-me que vale a pena refletir diversas vezes sobre isto, e entrar de novo neste facto da sua eleição: elegeu-me, quis-me; agora eu respondo.
Talvez hoje sejamos tentados a dizer: não queremos ser jubilosos por termos sido eleitos, seria triunfalismo. Seria triunfalismo se pensássemos que Deus me elegeu porque eu já sou tão grande. Isto seria realmente triunfalismo errado. Mas estar alegre porque Deus me quis não é triunfalismo, é gratidão, e penso que devemos reaprender esta alegria: Deus quis que eu nascesse assim, numa família católica, que conhecesse Jesus desde o início. Que dom ser querido por Deus, de modo que pude conhecer o seu rosto, que pude conhecer Jesus Cristo, o rosto humano de Deus, a história humana de Deus neste mundo! Sentir-se jubiloso porque me elegeu para ser católico, para estar nesta sua Igreja, onde subsistit Ecclesia unica; devemos ser jubilosos porque Deus me concedeu esta graça, esta beleza de conhecer a plenitude da verdade de Deus, a alegria do seu amor.
Eleitos: uma palavra de privilégio e de humildade ao mesmo tempo. Mas «eleitos» está - como dizia - acompanhado de «parapidemois», dispersos, estrangeiros. Como cristãos, estamos dispersos e somos estrangeiros: vemos que hoje no mundo os cristãos são o grupo mais perseguido porque não se conforma, porque é um estímulo, porque é contrário às tendências do egoísmo, do materialismo, de todas estas coisas.
Certamente, os cristãos são não só estrangeiros; são também nações cristãs, são orgulhosos de ter contribuído para a formação da cultura; há um patriotismo sadio, uma alegria sadia de pertencer a uma nação que tem uma grande história de cultura, de fé. Contudo, como cristãos, somos sempre também estrangeiros - o destino de Abraão, descrito na Carta aos Hebreus. Somos, como cristãos, precisamente hoje, também sempre estrangeiros. Nos lugares de trabalho os cristãos são uma minoria, encontram-se numa situação de estraneidade; é de admirar que hoje ainda se possa crer e viver assim. Isto pertence também à nossa vida: é a forma de ser com Cristo Crucificado; este ser estrangeiros, não vivendo segundo o modo no qual todos vivem, mas vivendo - ou pelo menos procurando viver - segundo a sua Palavra, numa grande diversidade em relação a quanto todos dizem. E precisamente isto para os cristãos é característico... Todos dizem: «Mas todos fazem assim, por que não eu?» Não, eu não, porque quero viver segundo Deus. Santo Agostinho disse: «Os cristãos são aqueles que não têm as raízes para baixo como as árvores, mas têm as raízes para cima, e vivem esta gravitação não na gravitação natural para baixo». Rezemos ao Senhor para que nos ajude a aceitar esta missão de viver como dispersos, como minoria, num certo sentido; de viver como estrangeiros e contudo ser responsáveis pelos outros e, precisamente assim, dando força ao bem no nosso mundo.
Chegamos finalmente aos três versículos de hoje. Gostaria apenas de frisar, ou digamos interpretar um pouco, na medida do possível, três palavras: a palavra regenerados, a palavra herança e a palavra preservados pela fé. Regenerados - anaghennesas, diz o texto grego - significa: ser cristão não é simplesmente uma decisão da minha vontade, uma minha ideia; vejo que é um grupo que me agrada, torno-me membro deste grupo, partilho os seus objetivos, etc. Não: ser cristão não é entrar num grupo para fazer algo, mas é unicamente um ato da minha vontade, não primariamente da minha vontade, da minha razão: é um ato de Deus. Regenerado não se refere só à esfera da vontade, do pensar, mas à esfera do ser. Renasci: isto significa que tornar-se cristão é antes de tudo passivo; eu não me posso tornar cristão, mas sou feito renascer, sou refeito pelo Senhor na profundidade do meu ser. E eu entro neste processo do renascer, deixo-me transformar, renovar, regenerar. Isto parece-me muito importante: como cristão não me faço só uma ideia minha que partilho com alguns, e quando já não me agradam posso sair. Não: concerne precisamente a profundidade do ser, ou seja, o tornar-se cristão começa com uma ação de Deus, sobretudo uma sua ação, e eu deixo-me formar e transformar.
Parece-me que é matéria de reflexão, precisamente num ano no qual refletimos sobre os Sacramentos da Iniciação cristã, meditar isto: este passivo e ativo profundo do ser regenerado, do tornar-se de toda uma vida cristã, do deixar-me transformar pela sua Palavra, para a comunhão da Igreja, para a vida da Igreja, para os sinais com os quais o Senhor realiza em mim, comigo e para mim. E renascer, ser regenerado, indica também que deste modo entro numa família nova: Deus, meu Pai, a Igreja, minha Mãe, os outros cristãos, meus irmãos e irmãs. Por conseguinte, ser regenerado, deixar-se regenerar implica portanto também este deixar-se voluntariamente inserir nesta família, viver para Deus Pai e de Deus Pai, viver da comunhão com Cristo seu Filho, que me regenera pela sua Ressurreição, como diz a Carta (cf. 1Pd 1,3), viver com a Igreja deixando-me formar pela Igreja em tantos sentidos, em muitos caminhos, e estar aberto aos meus irmãos, reconhecer nos outros realmente os meus irmãos, que comigo são regenerados, transformados, renovados; um tem responsabilidade pelo outro. Portanto, uma responsabilidade do Baptismo que é um processo de toda uma vida.
Segunda palavra: herança. É um termo muito importante no Antigo Testamento, onde é dito a Abraão que a sua semente será herdeira da terra, e esta foi sempre a promessa para os seus: tereis a terra, sereis herdeiros da terra. No Novo Testamento, torna-se palavra para nós: nós somos herdeiros, não de um determinado país, mas da terra de Deus, do futuro de Deus. Herança é algo do futuro, e assim esta palavra diz sobretudo que como cristãos temos o futuro: o futuro é nosso, o futuro é de Deus. E assim, sendo cristãos, sabemos que é nosso o futuro e a árvore da Igreja não é moribunda, mas a árvore que cresce sempre de novo. Portanto, temos motivos para não nos deixarmos impressionar - como disse o Papa João XXIII - pelos profetas de desventura, que dizem: a Igreja, bem, é uma árvore que veio da semente de mostarda, que cresceu em dois milénios, agora tem o tempo atrás de si, agora chegou o tempo no qual morre». Não. A Igreja renova-se sempre, renasce sempre. O futuro é nosso. Naturalmente, há um falso optimismo e um falso pessimismo. Um falso pessimismo que diz: o tempo do cristianismo acabou. Não: começa de novo! O falso optimismo era do pós-Concílio, quando os conventos fechavam, os seminários fechavam, e diziam: mas... nada, tudo corre bem... Não! Nem tudo corre bem. Há também quedas graves, perigosas, e devemos reconhecer com realismo sadio que assim não pode ser onde se fazem coisas erradas. Mas ter também a certeza, ao mesmo tempo, de que se aqui e ali a Igreja morre por causa dos pecados dos homens, por causa da sua não crença, ao mesmo tempo, nasce de novo. O futuro é realmente de Deus: esta é a grande certeza da nossa vida, o grande, verdadeiro optimismo que sabemos. A Igreja é a árvore de Deus que vive eternamente e traz consigo a eternidade e a verdadeira herança: a vida eterna.
E, por fim, preservados pela fé. O texto do Novo Testamento, da Carta de são Pedro, usa aqui uma palavra rara, phrouroumenoi, que significa: há os «vigilantes», e a fé é como o «vigilante» que preserva a integridade do meu ser, da minha fé. Esta palavra interpreta sobretudo os «vigilantes» das portas de uma cidade, onde eles estão e vigiam a cidade, para que não seja invadida por poderes de destruição. Assim a fé é «vigilante» do meu ser, da minha vida, da minha herança. Devemos estar gratos por esta vigilância da fé que nos protege, ajuda, guia, dá segurança: Deus não me deixa cair das suas mãos. Preservados pela fé: assim concluo. Falando da fé devo pensar sempre naquela mulher sírio-fenícia doente que, no meio da multidão, encontra acesso a Jesus, toca nele para ser curada, e é curada. O Senhor diz: «Quem me tocou?». Respondem-lhe: «Senhor, todos te tocam, como podes perguntar: quem me tocou?» (cf. Mc 7,24-30). Mas o Senhor sabe: há um modo de o tocar, superficial, exterior, que realmente nada tem a ver com um verdadeiro encontro com Ele. E há um modo de o tocar profundamente. E esta mulher tocou deveras nele: tocou não só com a mão, mas com o seu coração e deste modo recebeu a força curadora de Cristo, tocando-o realmente do interior, da fé. Esta é a fé: tocar Cristo com a mão da fé, com o nosso coração e, deste modo, entrar na força da sua vida, na força curadora do Senhor. E rezemos ao Senhor para que o possamos tocar cada vez mais de modo a sermos curados. Rezemos para que não nos deixe cair, que nos guie sempre pela mão e deste modo nos preserve para a vida verdadeira. Obrigado!


Fonte: Santa Sé

Catequese do Papa: Criador do céu e da terra

Papa Bento XVI
Audiência Geral
Quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Ano da Fé (16): Criador do Céu e da terra, Criador do ser humano

Queridos irmãos e irmãs,
O Credo, que começa qualificando Deus como «Pai Todo-Poderoso», como pudemos meditar na semana passada, acrescenta em seguida que Ele é o «Criador do céu e da terra», e assim retoma a afirmação com a qual Bíblia começa. Com efeito, no primeiro versículo da Sagrada Escritura lê-se: «No princípio Deus criou o céu e a terra» (Gn 1,1): Deus é a origem de todas as coisas, e é na beleza da criação que se manifesta a sua omnipotência de Pai que ama.
Deus manifesta-se como Pai na criação, enquanto origem da vida e, ao criar, demonstra a sua omnipotência. As imagens utilizadas pela Sagrada Escritura a este propósito são muito sugestivas (cf. Is 40,12; 45,18; 48,13; Sl 104,2.5; 135,7; Pr 8,27-29; Jó 38-39). Como Pai bom e poderoso, o Pai cuida daquilo que criou com um amor e uma fidelidade que nunca esmorecem, como recordam reiteradamente os Salmos (cf. Sl 57,11; 108,5; 36,6). Assim, a criação torna-se um lugar onde conhecer e reconhecer a omnipotência do Senhor e a sua bondade, tornando-se apelo à nossa fé, de nós crentes, para que proclamemos Deus como Criador. «Pela fé - escreve o autor da Carta aos Hebreus - nós reconhecemos que o mundo foi formado pela palavra de Deus e que as coisas visíveis se originaram do invisível» (11,3). Portanto, a fé exige que saibamos reconhecer o invisível, reconhecendo os seus vestígios no mundo visível. O crente pode ler o grande livro da natureza e compreender a sua linguagem (cf. Sl 19,2-5); mas é necessária a Palavra de revelação, que suscita a fé, para que o homem possa chegar à plena consciência da realidade de Deus como Criador e Pai. É no livro da Sagrada Escritura que a inteligência humana pode encontrar, à luz da fé, a chave de interpretação para compreender o mundo. Em particular, ocupa um lugar especial o primeiro capítulo do Génesis, com a apresentação solene da obra criadora divina, que se desenvolve ao longo de sete dias: em seis dias Deus completa a criação, e no sétimo, o sábado, cessa todas as atividades e descansa. Dia de liberdade para todos, dia da comunhão com Deus. E assim, com esta imagem, o livro do Génesis indica-nos que o primeiro pensamento de Deus consistia em encontrar um amor que corresponda ao seu amor. Depois, o segundo pensamento consiste em criar um mundo material onde inserir este amor, estas criaturas que lhe respondem livremente. Por conseguinte, tal estrutura faz com que o texto seja cadenciado por algumas repetições significativas. Por exemplo, é repetida seis vezes esta frase: «Deus viu que isso era bom» (vv. 4.10.12.18.21.25), para concluir, na sétima vez, depois da criação do homem: «Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom» (v. 31). Tudo o que Deus cria é belo e bom, repleto de sabedoria e de amor; o gesto criador de Deus traz ordem, incute harmonia e confere beleza. Além disso, na narração do Gênesis sobressai que o Senhor cria com a sua palavra: no texto lê-se dez vezes a expressão «Deus disse» (vv. 3.6.9.11.14.20.24.26.28.29). É a palavra, o Logos de Deus, que se encontra na origem da realidade do mundo, e afirmando: «Deus disse», foi assim, ressalta o poder eficaz da Palavra divina. Assim canta o Salmista: «Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e pelo sopro da sua boca, todo o seu exército... Porque Ele disse e tudo foi feito, Ele ordenou e tudo existiu» (32,6.9). A vida nasce, o mundo existe, porque tudo obedece à Palavra divina.
Mas hoje a nossa pergunta é: na época da ciência e da técnica, ainda tem sentido falar de criação? Como devemos compreender as narrações do Génesis? A Bíblia não quer ser um manual de ciências naturais; ao contrário, deseja compreender a verdade autêntica e profunda da realidade. A verdade fundamental que as narrações do Génesis nos revelam é que o mundo não é um conjunto de forças contrastantes entre si, mas tem a sua origem e a sua estabilidade no Logos, na Razão eterna de Deus, que continua a sustentar o universo. Existe um desígnio sobre o mundo que nasce desta Razão, do Espírito criador. Julgar que isto está na base de tudo ilumina todos os aspectos da existência e infunde a coragem de enfrentar a aventura da vida com confiança e esperança. Portanto, a Escritura diz-nos que a origem do ser, do mundo, a nossa origem não é o irracional, mas a razão, o amor e a liberdade. Por isso, a alternativa: ou prioridade do irracional, da necessidade, ou prioridade da razão, da liberdade e do amor. Nós cremos nesta última posição.
Mas gostaria de dizer uma palavra também sobre aquele que é o ápice da criação inteira: o homem e a mulher, o ser humano, o único «capaz de conhecer e de amor o seu Criador» (Constituição Pastoral Gaudium et spes, 12). Contemplando os céus, o Salmista pergunta: «Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a lua e as estrelas que Vós fixastes; que é o homem para Vos lembrardes dele, o filho do homem, para dele cuidardes?» (8,4-5). O ser humano, criado por Deus com amor, é pequenino diante da imensidade do universo; às vezes, contemplando fascinados as enormes extensões do firmamento, também nós sentimos o nosso limite. O ser humano está marcado por estes paradoxo: a nossa pequenez e a nossa caducidade convivem com a grandeza daquilo que o amor eterno de Deus desejou para ele.
As narrações da criação no Livro do Génesis introduzem-nos inclusive neste âmbito misterioso, ajudando-nos a conhecer o desígnio de Deus sobre o homem. Antes de tudo, afirmam que Deus formou o homem com o pó da terra (cf. Gn 2,7). Isto significa que não somos Deus, que não nos fizemos sozinhos, pois somos terra; mas significa também que nascemos da terra boa, por obra do Criador bom. A isto acrescenta-se mais uma realidade fundamental: todos os seres humanos são pó, para além das distinções realizadas pela cultura e pela história, para além de qualquer diferença social; somos uma única humanidade plasmada com a única terra de Deus. Depois, existe um segundo elemento: o ser humano tem origem, porque Deus inspira o sopro de vida no corpo modelado pela terra (cf. Gn 2,7). O ser humano é feito à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1,26-27). Então, todos trazemos em nós mesmos o sopro vital de Deus, e cada vida humana - diz-nos a Bíblia - está sob a salvaguarda particular de Deus. Esta é a razão mais profunda da inviolabilidade da dignidade humana contra qualquer tentação de avaliar a pessoa em conformidade com critérios utilitaristas de poder. Além disso, ser criado à imagem e semelhança de Deus indica que o homem não está fechado em si próprio, mas tem uma referência essencial em Deus.
Nos primeiros capítulos do Livro do Génesis encontramos duas imagens significativas: o jardim com a árvore do conhecimento do bem e do mal, e a serpente (cf. 2,15-17; 3,1-5). O jardim diz-nos que a realidade em que Deus inseriu o ser humano não é uma floresta selvagem, mas um lugar que Ele protege, nutre e sustém; e o homem deve reconhecer o mundo não como propriedade a assolar e explorar, mas como dádiva do Criador, sinal da sua vontade salvífica, dom a cultivar e conservar, a fazer crescer e desenvolver no respeito e na harmonia, seguindo os seus ritmos e a sua lógica, segundo o desígnio de Deus (cf. Gn 2,8-15). Depois, a serpente é uma figura que deriva dos cultos orientais da fecundidade, que fascinavam Israel e constituíam uma tentação constante de abandonar a aliança misteriosa com Deus. À luz disto, a Sagrada Escritura apresenta a tentação à qual Adão e Eva sucumbem como o núcleo da tentação e do pecado. Com efeito, o que diz a serpente? Não nega Deus, mas insinua uma pergunta fingida: «É verdade que Deus vos proibiu de comer do fruto de alguma árvore do jardim?» (Gn 3,1). Deste modo, a serpente suscita a suspeita de que a aliança com Deus é como uma cadeia que amarra, que priva da liberdade e das coisas belas e preciosas da vida. Surge a tentação de construirmos sozinhos o mundo no qual vivermos, de não aceitarmos os limites de sermos criaturas, os limites do bem, do mal e da moralidade; a dependência do amor criador de Deus é vista como um peso do qual libertar-se. Este é sempre o cerne da tentação. Mas quando se falsifica a relação com Deus com uma mentira, pondo-se no seu lugar, todas as demais relações são alteradas. Então, o outro torna-se um rival, uma ameaça: depois de ter cedido à tentação, Adão acusa imediatamente Eva (cf. Gn 3,12); os dois escondem-se da visão daquele Deus com Quem conversavam amistosamente (cf. 3,8-10); o mundo deixa de ser o jardim no qual viver com harmonia, mas um lugar a explorar e no qual se ocultam insídias (cf. 3,14-19); a inveja e o ódio pelo outro entram no coração do homem: exemplar é Caim, que mata o seu próprio irmão Abel (cf. 4,3-9). Indo contra o seu Criador, na realidade o homem vai contra ele mesmo, renega a sua origem e portanto a sua verdade; e o mal entra no mundo, com a sua penosa cadeia de dor e de morte. E desde modo, aquilo que Deus tinha criado é bom, aliás, muito bom; a seguir a esta decisão livre do homem, pela mentira contra a verdade, o mal entra no mundo.
Das narrações da criação, gostaria de evidenciar um último ensinamento: o pecado gera pecado, e todos os pecados da história estão ligados entre si. Este aspecto impele-nos a falar daquilo que é chamado o «pecado original». Qual é o significado desta realidade, difícil de compreender? Gostaria de propor apenas alguns elementos. Antes de tudo, devemos considerar que nenhum homem é fechado em si mesmo, ninguém pode viver só de si e para si; nós recebemos a vida do outro, e não só no momento do nascimento, mas todos os dias. O ser humano é relacionamento: sou eu mesmo só no tu e através do tu, na relação do amor com o Tu de Deus e o tu dos outros. Pois bem, o pecado é perturbar ou destruir a relação com Deus; esta é a sua essência: aniquilar a relação com Deus, a relação fundamental, colocar-se no lugar de Deus. O Catecismo da Igreja Católica afirma que com o primeiro pecado o homem «optou por si próprio contra Deus, contra as exigências da sua condição de criatura e, daí, contra o seu próprio bem» (n. 398). Alterada a relação fundamental, comprometem-se ou destroem-se também os outros polos da relação, o pecado arruína as relações e assim aniquila tudo, porque nós somos relação. Ora, se a estrutura relacional da humanidade for perturbada desde o início, cada homem entra num mundo assinalado por esta perturbação dos relacionamentos, entra num mundo alterado pelo pecado, pelo qual é marcado pessoalmente; o pecado primordial corrói e fere a natureza humana (cf. Catecismo da Igreja Católica, 404-406). E o homem sozinho, um só, não pode sair desta situação, não pode redimir-se isoladamente; só o próprio Criador pode restabelecer as justas relações. As justas relações só poderão ser reatadas, se Aquele do qual nos afastamos vier ao nosso encontro e nos estender a mão com amor. Isto acontece em Jesus Cristo, que percorre precisamente o caminho oposto em relação ao de Adão, como descreve o hino no segundo capítulo da Carta de são Paulo aos Filipenses (cf. 2,5-11): enquanto Adão não reconhece o seu ser criatura e quer colocar-se no lugar de Deus, Jesus, Filho de Deus, está numa relação filial perfeita com o Pai, abaixa-se, torna-se o servo, percorre o caminho do amor, humilhando-se até à morte, e morte de cruz, para voltar a pôr em ordem as relações com Deus. Assim, a Cruz de Cristo torna-se a nova árvore da vida.
Caros irmãos e irmãs, viver de fé quer dizer reconhecer a grandeza de Deus e aceitar a nossa pequenez, a nossa condição de criaturas, deixando que o Senhor a cumule com o seu amor e assim cresça a nossa verdadeira grandeza. O mal, com a sua carga de dor e de sofrimento, é um mistério iluminado pela luz da fé, que nos confere a certeza de poder ser libertados dele: a certeza de que ser homem é um bem.


Fonte: Santa Sé